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São Tiago Maior, grande amigo de Nosso Senhor

Por | SANTOS DA IGREJA

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista.

Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor.

Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros.

Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho:

“Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2).

Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo.

Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Estando um dia com o pai e o irmão a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Segui-me”. João e Tiago imediatamente obedeceram; deixaram o pai e as redes e seguiram Jesus, como fiéis discípulos, para todo o sempre.

Tiago e João eram filhos de Zebedeu e Maria Salomé, que por sua vez era filha de Alfeu ou Cleofas, irmão de São José, e de Maria, Maria de Cleofas. Podemos assim entender a proximidade de Jesus aos filhos de Zebedeu; eles sempre estavam no grupo dos três, Pedro, Tiago e João. Eram, talvez, os mais íntimos.

Podemos entender também o pedido, feito a Jesus, por Maria Salomé de que os colocasse no seu Reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Era um pedido de mãe; porém, provavelmente ela expressou o desejo mais íntimo dos dois apóstolos.

Naquele momento, Jesus, sem considerar o parentesco, repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?”. Eles prontamente responderam: “Podemos”. Por fim o Senhor afirma que tal decisão cabe tão somente ao Pai.

Sempre que Jesus se referia aos irmãos Tiago e João, ele os chamava de “Boanerges”, que significa “Filhos do trovão”. O evangelista Lucas narra um fato que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação e fidelidade ao Mestre.

O fato faz referência à chegada deles a uma cidade da Samaría, quando seu povo não os deixou entrar. João e Tiago viram nisso uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: “Senhor, queres que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade para consumi-la?”.

Jesus mais uma vez chamou-lhes a atenção dizendo: “Não sabeis de que espírito sois animados. O filho do homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las”.

Com Pedro, Tiago e João foram privilegiados, pois estavam com Jesus na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração no Monte Tabor e também no Horto das Oliveiras.

Tiago, o irmão mais velho, sempre foi uma referência para João evangelista e para os demais discípulos, pois era corajoso e determinado. Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade.
Após o nascimento da Igreja institucional, em Pentecostes, Tiago, assim como os outros Apóstolos, saiu para todos os lugares para pregar o Evangelho de Jesus Cristo.

Uma antiga tradição afirma que Tiago viajou para a Espanha e lá plantou as sementes do Cristianismo. Diz-se que antes de partir em missão, os apóstolos visitavam a mãe do Senhor, e dela imploravam suas bênçãos. Nossa Senhora os recomendava ao Senhor e os encorajava na defesa da fé, no Cristo vivo e ressuscitado.

Com Tiago, a Santíssima Virgem manifestou o desejo de ir a seu encontro lá pelas terras da Espanha, dizendo: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por Ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à Fé, edifiques em minha memória conforme eu te manifestar”.

Tendo pregado por algum tempo, dirigiu-se a Saragoça, à margem do Ebro. Lá, converteu ao cristianismo oito varões, com os quais se retirava para orar. Certa noite, enquanto descansavam, ouviram de repente vozes angélicas que cantavam “Ave Maria”.

Tiago e seus discípulos puseram-se de joelhos e eis que viram a Virgem Santíssima entre um coro de anjos e sentada sobre um pilar de mármore. A Mãe do Senhor chamou o apóstolo Tiago e indicou-lhe o lugar onde queria que fosse edificada a sua igreja; disse-lhe que conservasse aquela coluna e a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria ali até o fim do mundo.

Devemos lembrar que a aparição aconteceu no tempo em que a Virgem Maria ainda viva no mundo.
Ainda hoje podemos contemplar o belíssimo pilar na Basílica de Saragoça.

Para o apóstolo Tiago, o pior estava por vir, pois alguns dos seus o traíram e na Páscoa do ano de 42 foi decapitado ao lado de seu acusador que por fim arrependeu-se; estavam a caminho de Jerusalém!
Segundo uma antiga tradição, o bispo Teodomiro de Iria, em princípios do século IX, teria encontrado o corpo do apóstolo Tiago num lugar chamado Campo de estrelas (Compostela).

Foi naquele lugar que o rei Afonso II erigiu, sobre o túmulo do apóstolo uma igreja. Suas relíquias estão guardadas num dos mais conhecidos santuários do mundo – o de Compostela.
Que o apóstolo Tiago, padroeiro da Espanha, nos ensine a fazer a vontade do Senhor e a buscar as bênçãos da Santíssima Virgem, em cada nova missão.

São Charbel Makhluf – Paz de Alma, silêncio e solidão.

Por | SANTOS DA IGREJA

Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus.

Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos Livros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedroscentenários o pequeno Youssef Makhlouf.

São Charbel Makhlouf nasceu a 8 de maio de 1828, em BiqáKafra, aldeia montanhosa do norte, ao pé dos cedros do Líbano. Seu nome de batismo: José Zaroun Makhlouf. Com 23 anos ele toma o nome de Charbel em memória do mártir do século segundo, foge de casa e refugia-se no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfoug, da Ordem libanesa maronita. Um ano depois, transfere-se para o mosteiro de S. Maron de Annayam, da província de Jbail, verdadeiro oásis de oração e fé, a 1300 metros de altitude. Depois de seis anos de estudos teológicos, em Klifan, é ordenado sacerdote. Exerce, então, com muita edificação, as funções do seu ministério sagrado, juntamente com toda a sorte de trabalhos manuais. Após dezesseis anos de vida ascética, Charbel obtém autorização, em 1875, para se retirar ao eremitério dos Santos Pedro e Paulo, de Annaya. Durante 23 anos (1875-1898), S. Charbel entrega-se com todas as forças da alma, à busca de Deus, na bem-aventurada e total solidão. Deus recompensa o seu fiel servidor, dando-lhe o dom de operar milagres, já em vida: afirma-se que os realizou não somente com cristãos, mas, também, com muitos muçulmanos.

No dia 16 de dezembro de 1898, em Annaya, enquanto celebrava a Santa Missa, sofreu um ataque de apoplexia; levou-o à morte, no dia 24, Vigília da Festa de Natal. Tinha 70 anos de idade.

Com o seu próprio punho, Pio XII assinou o decreto que dava início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo expressamente: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Foi vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocarem com um pedaço de pano suas vestes constantemente úmidas de sangue, alcançam alívio em suas doenças e não poucos até se veem curados. Glória ao Pai que coroou os combates dos santos. Glória ao Filho que deixou esse poder em suas relíquias. Glória ao Espírito Santo que repousa, com suas luzes, sobre seus restos mortais para fazer nascer consolações em todas as espécies de tristezas”.

No segundo domingo de outubro de 1977, dia 9, o Santo Padre Paulo VI canonizou solenemente, na Basílica de São Pedro, em Roma, o bem-aventurado Charbel Makhlouf, monge eremita libanês. Foi a primeira canonização, realizada pelo Papa, de um membro da Igreja do Rito Oriental, desde que o Vaticano traçara, há quatro séculos, nova orientação para as canonizações. Antes da canonização atual, os santos maronitas eram proclamados pelo Patriarca da Igreja maronita.

São Charbel Makhlouf, rogai por nós!

Modelo de obediência e pureza

Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo:

– Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel?

Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo paraoutro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei:”Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga.

Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando-se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher.

O dom de fazer milagres

Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade.

Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de entregar ao padre Charbel determinada quantia e pedirlhe que este lhe enviasse uma correia benta. Há uma devoção mariana típica do Líbano: nas situações de emergência – calamidades públicas, epidemias, guerras, etc. -, os chefes de família levam à igreja um véu de seda ou algodão; esses véus são entrelaçados e ficam suspensos em volta da capela, até a Virgem fazer cessar a desgraça. O padre Charbel pegou, então, um desses véus, que estava na imagem de Nossa Senhora do Rosário, e o entregou ao mensageiro, dizendo:

– Que a mulher se cinja com este véu, e ficará curada. Quanto à esmola, coloque-a sobre o altar, o padre provedor irá tirá-la. – E a mulher ficou curada.

Na ermida de São Pedro e São Paulo

Visto que a solidão o atraía desde a infância, e que no mosteiro de Annaya vivia já praticamente como um anacoreta, foi ele transferido para a ermida de São Pedro e São Paulo, a pouca distância do mosteiro. Tinha então 47 anos, e ali permaneceu até o dia de sua morte, ocorrida 23 anos depois.

Sua oração era apenas interrompida pelo cultivo da vinha e outros trabalhos na ermida. E a única refeição do dia, perto das três horas da tarde, acabava sendo um exercício de penitência, pela exiguidade e pobreza do alimento. Sua devoção a Maria era incomparável. Repetia continuamente Seu nome bendito, e cada vez que entrava ou saía de sua cela recitava, de joelhos, a saudação angélica diante de uma pequena imagem que ali ficava.

Proverbial era também sua paz de alma. Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em oração. Dois ermitães acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade.

– Padre Charbel, por que não se moveu para apagar o fogo?

– Caro irmão, como poderia fazê-lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu…

De fato, como o incêndio fora rapidíssimo, ele julgara mais importante continuar sua oração, sem se perturbar.

Nascimento para a vida eterna

Quando celebrava a Missa no dia 16 de dezembro de 1898, no momento em que comungava o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, um repentino ataque de apoplexia o deixou paralisado, sem poder concluir o Santo Sacrifício. Socorrido semdemora,foilevado para sua pobre cela, onde permaneceu oito dias entre a vida e a morte, com intervalos de lucidez durante os quais rezava curtas orações.

Na vigília do Natal, enquanto a Igreja comemorava a vinda ao mundo do Menino Jesus, nasceu para a eternidade aquele santo monge maronita, o primeiro oriental a ser canonizado segundo a forma usada na Igreja Católica latina.

Seus restos mortais foram sepultados em uma vala comum, junto aos dos demais monges falecidos, como pedia a santa Regra. E, desde aquele momento, o cemitério passou a ser iluminado à noite por uma suave e misteriosa luz. Este e outros prodígios, unidos à sua fama de santidade, levaram a transferi-los para um novo túmulo, na parede da cripta da Igreja de São Maron.

A vala onde São Charbel fora enterrado era tão úmida que, ao fazer a exumação, o corpo apareceu literalmente encharcado, mas milagrosamente íntegro e flexível, transpirando um líquido avermelhado de agradável odor. E quando o novo túmulo fora aberto, em 1950, 1952 e 1955, constatou-se que ainda continuava flexível e incorrupto.

Sua modelar vida monástica e os numerosos milagres realizados pela sua intercessão levaram o Papa Paulo VI a beatificá-lo em 5 de dezembro de 1965, dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, e a canonizálo em 10 de outubro de 1977.

Exemplo também para nós

O exemplo de São Charbel Makhlouf indica um caminho também nos dias de hoje, pois o silêncio e a oração constituem um valioso auxílio para solucionar as angústias e aflições do homem contemporâneo.

Engana-se quem pensa que o recolhimento é privilégio exclusivo dos religiosos de clausura. Ele está ao alcance de todos nós, pois “a fonte da verdadeira solidão e do silêncio não está nas condições ou na qualidade do trabalho, mas sim no contato íntimo com Deus […] O silêncio, assim entendido, pode encontrar-se na rua, no estrépito do trabalho da fábrica, nas atividades do campo, porque é levado dentro de nós”.2 (por Raphaela Nogueira Thomaz, Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36).

Videos sobre São Charbel

Documentário

São João Paulo II! Santo Padre. (1920-2005)

Por | SÃO JOÃO PAULO II

Karol Wojtyla nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, na Polónia meridional, onde viveu até 1938, quando se inscreveu na faculdade de filosofia da Universidade Jagelónica e se transferiu para Cracóvia. No Outono de 1940 trabalhou como operário nas minas de pedra e depois numa fábrica química. Em Outubro de 1942 entrou no seminário clandestino de Cracóvia e a 1 de Novembro de 1946 foi ordenado sacerdote.

A 4 de Julho de 1958, Pio XII nomeou-o bispo auxiliar de Cracóvia. Recebeu a ordenação episcopal a 28 de Setembro seguinte. Como lema episcopal escolheu a expressão mariana Totus tuus de são Luís Maria Grignion de Montfort.

Primeiro como auxiliar e depois, a partir de 13 de Janeiro de 1964, como arcebispo de Cracóvia, participou em todas as sessões do concílio Vaticano II. A 26 de Junho de 1967 foi criado cardeal por Paulo VI.

Em 1978 participou no conclave convocado depois da morte de Montini e no sucessivo após o inesperado falecimento de Luciani. Na tarde de 16 de Outubro, depois de oito escrutínios, foi eleito Papa. Primeiro Pontífice eslavo da história e primeiro não italiano depois de quase meio milénio, desde o tempo de Adriano VI (1522-1523).

Personalidade poliédrica e carismática, afirmou-se imediatamente pela grande capacidade comunicativa e pelo estilo pastoral fora dos esquemas. A têmpera e o vigor de uma idade relativamente jovem permitiu que empreendesse uma actividade intensíssima, ritmada sobretudo pelo multiplicar-se das visitas e das viagens: no total foram 104 internacionais e 146 na Itália, com 129 países visitados nos cinco continentes.

Desde o início trabalhou para dar voz à chamada Igreja do silêncio. A insistência sobre os temas dos direitos do homem e da liberdade religiosa tornou-se assim uma constante do seu magistério. Tanto que hoje é largamente reconhecido o contributo relevante da sua acção para as vicissitudes que determinaram a queda do muro de Berlim em 1989 e o sucessivo colapso dos regimes filo-soviéticos. Neste contexto provavelmente insere-se o gravíssimo episódio do atentado do qual foi vítima a 13 de Maio de 1981 por obra do turco Ali Agca.

Ao lado da polémica anticomunista, desenvolveu-se também uma leitura crítica do capitalismo, submetido a uma análise crítica em três das suas 14 encíclicas: a Laborem exercens (1981), a Sollicitudo rei socialis (1987) e aCentesimus annus (1991). Também foi assídua a sua actividade a favor da paz, que se entrelaça com a busca do diálogo com as grandes religiões — em particular com o judaísmo e com o islão — e com o novo impulso impresso no caminho ecuménico.

Em 1983 promulgou o novo Codex iuris canonici e depois providenciou à reforma da Cúria romana com a constituição apostólica Pastor bonus de 1988. Favoreceu também a dimensão da colegialidade episcopal no governo da Igreja, sobretudo através da convocação de quinze sínodos dos bispos. Entre os números de um pontificado bastante longo — em segundo lugar por duração só ao de Pio IX (1846-1878) — podem ser mencionadas também as frequentes cerimónias de beatificação e canonização, durante as quais foram proclamados 1.338 beatos e 482 santos.

Com o passar dos anos a atenção do Pontífice focalizou-se sobretudo na celebração do grande jubileu do ano 2000. O evento assumiu um significado altamente simbólico no âmbito da sua missão pastoral e teve uma forte importância penitencial, expressa de modo emblemático no dia do perdão (12 de Março).

O encerramento do jubileu abriu a fase conclusiva do pontificado, marcada sobretudo pelo progressivo agravamento das condições de saúde do Papa, que depois de uma longa e angustiante agonia morreu na noite de 2 de Abril de 2005.

Após 26 dias do seu falecimento, Bento XVI concedeu a dispensa dos cinco anos de expectativa prescritos permitindo o início da causa de canonização. E o mesmo Papa o proclamou beato a 1 de Maio de 2011.

Publicado no L’Osservatore Romano, ed. em português, n. 18 de 3 de maio de 2014

Orações a São João Paulo II

Ó São João Paulo,
da janela do céu,
dá-nos a tua bênção!

Abençoa a Igreja,
que tu amaste, serviste e guiaste,
incentivando-a a caminhar corajosamente
pelos caminhos do mundo,
para levar Jesus a todos
e todos a Jesus!

Abençoa os jovens,
que também foram tua grande paixão.
Ajuda-os a voltar a sonhar,
voltar a dirigir o olhar ao alto
para encontrar a luz que
ilumina os caminhos da vida na terra.

Abençoa as famílias,
abençoa cada família!
Tu percebeste a ação de Satanás
contra esta preciosa e indispensável
faísca do céu que Deus
acendeu sobre a terra.

São João Paulo,
com a tua intercessão,
protege as famílias
e cada vida que nasce
dentro da família.

Roga pelo mundo inteiro,
ainda marcado por tensões,
guerras e injustiças.
Tu te opuseste à guerra,
invocando o diálogo e semeando o amor;
roga por nós,
para que sejamos incansáveis
semeadores de paz.

Ó São João Paulo,
da janela do céu,
onde te vemos junto a Maria,
faz descer sobre todos nós
a bênção de Deus!

Amém.

(Cardeal Angelo Comastri)

Documentário

Parte I

Parte II