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Mais sobre as Células Católicas

Por | CÉLULA - DEFINIÇÕES

O que são CÉLULAS?

O termo “célula” é sugestivo, pois a Igreja de Cristo, como nos diz São Paulo, é um “corpo” (cf ICor 12, 27) e sabemos que o corpo humano é composto por milhares de pequenas unidades que se juntam para formar o corpo. Essas unidades são chamadas células. Um bebê tem seu início em uma pequena célula no útero da sua mãe, então ela cresce e se multiplica em duas células. Essas duas se transformam em quatro, as quatro em oito e assim por diante.

Uma célula que cresce e se multiplica, transforma-se em um corpo humano, vivo, saudável e maravilhoso! Assim a Igreja de Cristo deve crescer, pois este foi o mandato de Jesus: “Ide, então fazei de todos os povos discípulos meus”. (Mt 28,19)

Células de Evangelização – São pequenos grupos, de no mínimo 3 pessoas e no máximo 12 pessoas, que crescem e multiplicam-se como células humanas.

Como as células crescem?

Através da evangelização. Cada membro da célula, evangeliza uma ou mais pessoas de seu relacionamento cotidiano, trazendo-as para a célula, então se da o crescimento multiplicando-se ou através de implantação de novos núcleos celulares.

Multiplicação – Uma célula quando ultrapassa o número ideal de participantes (12 pessoas) multiplica-se em 2 ou 3 novas células. Os líderes auxiliares da célula (mãe) serão os líderes das novas células (filhas).

Implantação – Se a necessidade exigir, um líder já treinado dentro do sistema de células e participante de uma célula, começa sozinho ou com mais um membro uma nova célula. Desta forma uma célula com 12 pessoas, pode iniciar 12 novas células.

Tipos de células

Heterogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum como: parentesco, estado de vida comum, faixa-etária, profissão, lazer.

Homogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum faixa-etária, profissão, lazer.

Objetivos das células

  1. Louvor (Liturgia)
  2. Evangelização (Kerigma)
  3. Comunhão fraterna (Koinonia)
  4. Discipulado (Katequese)
  5. Serviço (Diakonia)

Elementos da Reunião Celular

As reuniões vivenciam os objetivos celulares em 5 passos (5 “E´s”); baseado em At 2,42-47

1° Passo – Encontro – (Acolhida) -> COMUNHÃO

Objetivo: Integrar as pessoas, fazendo com que elas estejam à vontade na reunião não se sentindo ameaçadas.

Atividades: Perguntar e dinâmicas – pequeno lanche

Duração: 10-15 min

2° Passo – Exaltação (Louvor) -> Louvor

Objetivo: Interação entre nós e Deus, focalizamos nossa atenção na presença de Deus entre nós.

Atividades: Cânticos, salmos, louvor espontâneo e silêncio.

Duração: 15 min.

3° Passo – Edificação (Ensino) -> Discipulado

Objetivo: Interação – Deus para nós através de sua Palavra, indo ao encontro das necessidades, edificando as pessoas, ajudando-as na vivência cristã.

Atividades: Estudo da Bíblia, perguntas, respostas e partilha

Duração: 40 min.

4° Passo – Evangelização (Missão) -> Evangelização

Objetivo: Interação; Deus agindo por meio de nós (alcançando os afastados) encorajamento para a missão evangelizadora.

Atividades: Planejamento de estratégias de evangelização, motivação por parte do líder para evangelizar, apresentação dos nomes dos que serão e estão sendo evangelizados para a oração.

Duração: 15 min.

5° Passo – Entrega (oração) -> Serviço

Objetivo: Interação entre Deus e nós. Através de súplicas e intercessão pelas necessidades da Obra de Deus e pelas necessidades pessoais. Aqui também se faz a partilha de bens materiais, quando for necessário.

Atividades: Oração uns pelos outros, intercessão pelos que estão sendo evangelizado, compromisso com a oração pelas pessoas durante a semana, partilha material.

Duração: 15 min.

Tempo de Reunião: 1 hora e meia.

Local da Reunião: Preferencialmente nas casas, porém se for necessário em qualquer lugar (escola, fábrica…)

Dia – Qualquer dia

Horário – Qualquer horário

Vantagens das células

  1. Envolvimento pessoal
  2. As pessoas ficam mais unidas
  3. O pequeno grupo facilita a evangelização
  4. Integração das pessoas na Igreja através de amizades espanolviagra.net
  5. Acompanhamento pessoal (pastoreio)
  6. Revelação de dons espirituais e geração de novos líderes
  7. Ajuda mútua
  8. Ensino bíblico prático

Fundamentos Bíblicos das Células

O Princípio de Jetro: Êxodo 18, 13-25

Ministério de Jesus

• Pequeno grupo de discípulos:

Mt 13,36

• Evangelização nas casas:

Mt 8,14; Mc 2,3; Mt 8,14; Mc 5,38-42; Lc 7,36; Lc 10,38-42; Lc 19,10

Igreja Primitiva

• Reuniões Cristãs nos lares: At 2, 42-47; At 12-17; At 20,7-12.20; Rm 16, 3-5; I Cor 16, 3-5; Colossenses 4,15; Filemon 2.


02. Estrutura do sistema de Células

Redes: Agrupamento de células homogêneas

– Homens

– Mulheres

– Casais

– Adolescentes

– Jovens

– Crianças

– Mistas

Cada rede possui um coordenador. Em cada rede se cumpre a missão celular:

GANHAR pessoas para Jesus.

CONSOLIDÁ-LAS na fé.

TORNÁ-LAS discípulas (treinar).

ENVIÁ-LAS a serviço (pastorais ministérios e liderança).

As redes realizam reuniões e encontros específicos, de interesse dos membros das células. Ex.: Rede de casais: encontro de casais; Rede de jovens: Acampamento.

Áreas: Cada 5 células, dentro de sua rede formam uma área que tem como tarefa:

– Reunir os líderes de células de sua área;

– Visitar as células;

– Encorajar os líderes;

– Decidir com os líderes a possibilidade da multiplicação ou implantação;

– Receber e ler relatórios, elucidando dúvidas e solucionando problemas.


03. Estratégia e Treinamento Celular

Estratégia e Treinamento Celular – Treinamento de Líderes – 1° Nível

1ª Etapa: Chegada a célula – Acolhida ao novo membro da célula.
É o ponto de partida para a liderança; a partir deste momento, começa seu treinamento como líder nas reuniões das células e através de 4 retiros

2ª Etapa: Retiro da Vida Nova – 7 Temas querigmáticos

Objetivo: Levar o novo membro da célula ao conhecimento dos fundamentos básicos da fé. Neste retiro, espera-se que o participante tenha um encontro com Cristo vivo.

3ª Etapa: Retiro de Vida Vitoriosa – 7 temas catequéticos

Objetivo: Conduzir o membro da célula ao compromisso diário com Cristo e a Igreja

4ª Etapa: Retiro de Evangelizadores – 7 temas

Objetivo: Apresentar ao membro da célula, o chamado missionário e a importância da evangelização. Também é apresentado o método “Oikós” de evangelizar.

Método Oikós

  1. Oração (preparação espiritual)
  2. Serviço (ponte de amizade)
  3. Testemunho (partilha da fé)
  4. Diálogo (remover obstáculos. Ex. Dúvidas)
  5. Anúncio (Anunciar a pessoa de Jesus Cristo)
  6. Convites para a aceitação de Cristo
  7. Envolvimentos na célula
  8. Envolvimentos na paróquia (ministérios e pastorais)

5ª Etapa: Retiro de Liderança – 8 temas

Objetivo: Cobrir todos os aspectos das células e as exigências da liderança das mesmas.

Os retiros acontecem aos sábados (14 às 20hs) e Domingo (8 às 12hs) nos últimos finais de semana de cada mês, sendo repetidos 4 vezes por ano. Um manual e um caderno de exercícios, acompanha os retiros.

6ª Etapa: Líder de célula

Formação Avançada de Líderes (2º Nível)

  1. Reciclagem Trimestral da liderança com o pároco.
  2. Escola da Palavra (Teologia para Leigos).
  3. Curso anual de supervisores de áreas.

Estabelecimento de Metas

A visão celular estabelece metas de crescimento semestralmente ou anualmente.


04. Visão Celular

“Em cada casa, uma célula que cresce e se multiplica, cada membro um discípulo e missionário de Jesus Cristo”.

Pastoral de Conjunto

Como implantar células e transicionar a paróquia “tradicional” para uma paróquia em células?

  1. O pároco deve conhecer a visão e o sistema celular.
  2. Apresentar aos líderes paroquiais (CPP) a visão.
  3. Começar o treinamento com a liderança, no máximo 12 pessoas.
  4. Começar uma célula provisória, liderada pelo pároco, esta célula de vê funcionar pelo menos por seis meses.
  5. Iniciar duas células nas casas (mistas ou homogêneas).
  6. Marcar após nove meses de funcionamento, a primeira multiplicação, passando a contar com quatro células, sob a supervisão do pároco.
  7. O processo começa a se desencadear, então, é preciso começar estabelecer a supervisão:
  8. Redes: Mistas, Casais, Homens, Mulheres, Jovens, Adolescentes, Crianças.
  9. Áreas: Cada cinco células possui um supervisor subordinado ao coordenador de redes e estes ao pároco.
  10. Fazer a agenda paroquial, visando à prioridade das células.

Importante: Um Tempo de adoração contínua e intercessão deve ser estabelecido na paróquia como sustento espiritual da visão celular. A paróquia deve planejar vigílias, dias de jejum, momentos prolongados de oração. O pároco deve intensificar seu tempo pessoal de oração, servindo de exemplo ao demais líderes.

– “Sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15,5)

Guardar Domingos e Festas – Terceiro Mandamento da Lei de Deus

Por | FORMAÇÕES

O Terceiro Mandamento da Lei de Deus: “Guardar os domingos e festas”, de modo específico, lembra-nos que o domingo é o dia do Senhor, devendo ser dedicado a Ele.

O texto do Êxodo nos fala: “Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum” (Ex 20,8-10).

No Antigo Testamento, o dia do sábado lembrava a libertação do povo de Israel do Egito até a Terra Prometida. Porém, a nossa fé vem do Novo Testamento, quando recordamos a Páscoa de Jesus e a sua Ressurreição no domingo. Por isso, a Igreja, desde os apóstolos, dedica esse dia ao Senhor.

Jesus ressuscitou dentre os mortos no primeiro dia da semana (cf. Mc 16,2). O primeiro dia, o da ressurreição de Cristo, lembra a primeira criação, enquanto o oitavo, que segue ao sábado, significa a nova criação, inaugurada em Cristo Jesus. Para os cristãos, o domingo se tornou o primeiro de todos os dias, de todas as festas: o Dia do Senhor (Dies Dominica,o domingo).

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica-nos: “(…) Aos domingos e nos outros dias de festa e de preceito, os fiéis têm obrigação de participar da missa’. Satisfaz o preceito dessa participação, quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa, ou à tarde do dia anterior”. (CIC 2180).

Continua o Catecismo: “(…) Por isso, os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave” (CIC 2181).

O domingo deve ser dedicado a boas obras, evangelização, catequese, caridade, serviço aos doentes e aos idosos. É o dia de ir à missa, de visitar os parentes, de descanso e de reflexão. A Igreja pede isso, porque os seres humanos estão entrando em uma máquina de mercado, esquecendo-se de que são de carne e osso, não robôs.

O domingo é o dia de as pessoas se dedicarem à família, de se reunirem todos juntos para as refeições. É o dia de conversa, bate-papo, risada. E isso está faltando nas famílias. Está faltando o pai contar “causos” e o filho perguntar. Está faltando um saber da vida do outro.

Infelizmente, existem pessoas que precisam trabalhar aos domingos. Sobre isso, a Igreja diz: “Busque outro dia de repouso e oração”. No entanto, essa instituição orienta os empregadores a permitirem que seus funcionários católicos frequentem a missa.

Além do domingo, as festas e os dias santos em que todo católico é obrigado a participar da Santa Missa são: Natal; Epifania (festa dos Reis Magos); Ascensão de Jesus; Corpus Christi; solenidade de Santa Maria Mãe de Deus; Festa da Imaculada Conceição; Assunção de Nossa Senhora; Dia de São José; São Pedro e São Paulo; e a Festa de Todos os Santos (CIC 2177).

Por Padre Reginaldo Manzotti

Coordenador da Associação Evangelizar é Preciso

www.padrereginaldomanzotti.org.br

Honrar Pai e Mãe – O Quarto Mandamento da Lei de Deus

Por | FORMAÇÕES
Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem seus dias na terra (Dt 5, 16).

No Evangelho de Lucas encontramos o seguinte texto a respeito de Jesus: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 51).

Esse mandamento está expresso de uma forma positiva de deveres a cumprir. Não deixa de ser um respeito à vida. Diz diretamente aos filhos em suas relações com o pai e a mãe, e, diz também em relação ao parentesco com os membros da família.

Honrar pai e mãe significa prestar honra, afeto. É também dar afeto e reconhecimento aos avós, aos antepassados.

São os deveres de um aluno para com o professor; dos empregados para com os padrões.

Os deveres, o respeito para com os pais; deveres para com os tutores, nos dão frutos espirituais e temporais como paz e prosperidade.

A não observância desse mandamento traz danos à família e, neste contexto, temos que entender que a família é um valor. É a célula da vida social. É algo sagrado. O quarto mandamento fala justamente da responsabilidade para com os deficientes da família.

O termo família implica cuidado, responsabilidade dos jovens para com os mais velhos, pois lugar de idoso não é no asilo, mas sim no convívio familiar.

Lembremos que o esse mandamento é uma luz no meio de uma sociedade de profundas sombras. A família é a garantia de uma sociedade sadia. Os deveres dos filhos são: respeito filial aos pais, docilidade à obediência, guardar os preceitos dos pais, respeitar as instruções.

A Palavra de Deus nos diz: “Guarda, filho meu, os preceitos de teu pai, não desprezes o ensinamento de tua mãe. Traze-os constantemente ligados ao teu coração e presos ao teu pescoço. Servir-te-ão de guia ao caminhares, de guarda ao dormires e falarão contigo ao despertares (Pr 6, 20-22).” E, ainda: “Um filho sábio escuda a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda (Pr 13, 1)”.

Quando um filho viver na casa dos pais deve obedecer e os pais devem visar o bem dos filhos e da família. “Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor (Cl 3,20).”

Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e não devem passar esta responsabilidade a outros. Os pais devem lidar com os filhos não como seus, mas filhos de Deus, respeitando-os como pessoas humanas. O lar é um ambiente natural para o ser humano. Na solidariedade e na cidadania é função dos pais evangelizarem os filhos. A educação para a fé, por parte dos pais, deve começar na mais tenra infância. Os filhos devem ser providos nas necessidades físicas e espirituais.

Por Padre Reginaldo Manzotti,

coordenador da Associação Evangelizar é Preciso.

www.padrereginaldomanzotti.org.br

Como Maria foi sempre Virgem?

Por | FORMAÇÕES

A virgindade perpétua de Maria e a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja.

Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo, foi sempre Virgem? Santo Agostinho ensina que a perfeita e perpétua virgindade de Maria é um privilégio em honra à Mãe e à dignidade do Filho. Em seus escritos, não se cansava de dizer que “Maria concebeu Cristo, virgem; deu-O à luz virgem; e virgem permaneceu”1. Mas responder essa questão se torna um grande desafio se temos a consciência de que a virgindade dela não é simplesmente um estado ou privilégio, mas um mistério de Cristo, não significa apenas o estado virginal da Mãe do Senhor, mas também, e principalmente, a concepção de Jesus em seu seio. Por isso a pureza de Maria pertence ao mistério de Cristo. A este respeito, Santo Inácio de Antioquia nos ensina que “a virgindade é a forma por meio da qual Maria pertence a Cristo”2.

No pensamento de Santo Agostinho, a pureza de Maria foi tão santa e agradável a Deus, não porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que fosse violada, mas porque, antes mesmo de conceber, “ela já a tinha consagrado a Deus e merecido, assim, ser escolhida para trazer Cristo ao mundo”3. Por isso, Maria perguntou ao Anjo da Anunciação: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?”4. Certamente, ela não teria dito isso se anteriormente não houvesse consagrado sua castidade a Deus. Nossa Senhora fez essa consagração antes de saber que seria a Mãe do Filho do Altíssimo5. Desse modo, ela já nos ensinava a “imitação da vida no Céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito; e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer”6.

A Igreja, à semelhança de Maria, é uma virgem desposada a um único Esposo, que é Jesus Cristo. Dessa forma, a Igreja toma como modelo a Mãe de seu Esposo e Senhor. “Pois, a Igreja, também ela, é mãe e virgem”7. Nossa Senhora deu à luz corporalmente a Cabeça do Corpo místico de Cristo, e a Igreja dá à luz espiritualmente os membros desse Corpo. Dessa forma, tanto em Maria quanto na Igreja, a virgindade não impede a fecundidade. Na Virgem Maria e na virgem Igreja, a fecundidade não destrói a castidade, pois a pureza da Igreja, semelhante à de Maria, está na integridade da fé, da esperança e da caridade. Estava no desígnio divino fazer germinar a virgindade no coração da Igreja, por isso, Cristo antecipou-a no corpo de Maria. A castidade de Maria e da Igreja estão intimamente ligadas ao Senhor Jesus. Consequentemente, “a Igreja não poderia ser virgem, se não tivesse por Esposo o Filho da Virgem, a quem se entrega”8.

A fé de nossos irmãos protestantes na divindade de “Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”, é a mesma “fé da Igreja antiga, expressa em todas as suas liturgias que dão a Maria o título de ‘sempre virgem’, reconhecida com unanimidade pelas igrejas locais antes da ruptura do século XVI, reconhecida igualmente pelos primeiros reformadores”9. Contudo, com o passar do tempo, a mariologia dos protestantes distanciou-se bastante daquela dos primeiros reformadores. Isto se reflete nas atuais controvérsias bíblicas, por parte de alguns protestantes, sobre os irmãos de Jesus10, que põe em dúvida a virgindade perpétua da Mãe do Senhor. Ao contrário do que alguns pregam hoje, “os reformadores haviam compreendido o termo irmãos (adelphoi) no sentido de primos e pregaram com nuança sobre a virgindade perpétua de Maria”11.

Portanto, mais do que estado e privilégio, a virgindade perpétua de Nossa Senhora se insere no mistério de Cristo. A virgindade de Maria aponta para a sua entrega total ao desígnio de Deus e para a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja. Nesse sentido, a Virgem Mãe da Igreja é modelo para todos que consagram suas vidas a Jesus Cristo e ao anúncio do Evangelho. Pois, como a Mãe de Jesus, temos a vocação de virgem e mãe, pois a Igreja também é virgem e mãe. Em Maria, temos o modelo, por excelência, da virgindade e da maternidade que todos os cristãos, especialmente aqueles que livremente se consagram pelo voto de celibato, são chamados a exercer. Com Maria, aprendemos que a virgindade pura significa a integridade da fé, da esperança e da caridade, à qual todos nós somos chamados. Com ela, também aprendemos aquela maternidade espiritual que gera os verdadeiros irmãos de Cristo: aqueles que fazem a vontade do Seu Pai, que está nos céus12.

Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!

1. SANTO AGOSTINHO. A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários. São Paulo: Paulus, 1996, p. 11.
2. GARCIA PAREDES, Jose Cristo Rey. Mariologia. 3ª ed. Madrid: BAC, 2009, Cf. Inácio de Antioquia, Ephs, 19,1: PG 5,660A; SC 10,88.
3. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
4. Lc 1, 34.
5.Cf. Lc 1, 31-32.
6. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
7. Idem, p. 49.
8. Idem, p. 93.
9. Idem, p. 161.
10. Cf. Mt 12, 46-50; cf. Mc 3, 31-35; cf. Lc 8, 19-21.
11. Idem, p. 127. Na língua hebraica do original bíblico a palavra irmãos, traduzida em grego por adelphoi, significa todos os primos e parentes.
12. Cf. Mt 12, 50.

O Mensageiro

O dom da escuta!

Por | FORMAÇÕES

Nó na garganta, vontade de desabafar, de expressar todo o turbilhão de emoções que estão interiorizadas. Para que esse nó seja desatado, há a necessidade de uma pessoa disposta a escutar, não necessariamente alguém que dê conselhos, mesmo com a melhor das intenções, mas apenas um “ouvido amigo”, uma testemunha de uma dor, de uma situação difícil. Consciente da importância do ato de desabafar, foi lançado, em setembro, o livro Serviço de Escuta: o que é e como implantá-lo (Ave-Maria). Escrita pela jornalista Ligia Terezinha Pezzuto, a obra é um manual prático de como se tornar um bom ouvinte, sem direcionar o interlocutor em caminhos opinativos, mas dar a chance de o nó ser desatado. De acordo com a autora, não é todo mundo que está preparado para ouvir, e muitas pessoas perdem logo a paciência, querem opinar do que escutar e esquecem-se de que o ouvir, por si só, liberta. “Os voluntários não têm a pretensão de realizar o trabalho que é de um profissional como o psicólogo e psiquiatra. Nós escutamos aqueles que precisam desabafar e que estão estressados ou angustiados. Geralmente, as pessoas que nos procuram não têm nenhum amigo ou familiar para conversar, ou, simplesmente, não querem expor para seus conhecidos determinada situação”, disse.

A obra é fruto de nove anos de experiência de Ligia à frente do Serviço de Escuta. No final, o leitor encontra três anexos: um termo de adesão de serviço voluntário; roteiro de trabalho do Serviço de Escuta; e a Lei do Voluntariado (Lei n. 9.608, de 18 de fevereiro de 1998). Não basta apenas ler o livro para iniciar o trabalho; há cursos anuais, promovidos pelo Grupo de Apoio ao Serviço de Escuta de São Paulo, coordenado pela jornalista. Os interessados reúnem-se durante quatro sábados para receber orientação de como escutar as pessoas, que muitas vezes chegam às paróquias precisando desabafar. Como fiel do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, Ligia queria contribuir de alguma forma para ajudar as pessoas. Foi então que se identificou com o Serviço de Escuta. Após um ano, ela organizou uma confraternização entre os voluntários de diversas paroquias que promoviam o trabalho. A jornalista resolveu promover o encontro por causa dos questionamentos provenientes de algo dito por seu orientador espiritual na época, padre Vicente de Paulo Moretti Guedes, de que a escuta estava dispersa, sem interação e unidade. A percepção dessa realidade fez que se sentisse inquieta e tentasse congregar os Serviços de Escuta.

“Muitos têm a impressão de que somente com conselhos é possível ajudar o outro. Mas na verdade o fato de conversar sobre determinada angústia, o desabafar, já ajuda muito e faz com que a pessoa tenha clareza para solucionar o problema”

No projeto, há cerca de 150 voluntários, presentes em vinte paróquias do Estado de São Paulo. O livro é uma forma de fazer que as demais igrejas conheçam em detalhes o trabalho e se interessem em realizar o serviço em sua comunidade. Tudo começou na década de 1970, quando o frei franciscano Edgar Weist percebeu que muitos fiéis queriam conversar sobre assuntos que não estavam ligados à confissão de seus pecados. Foi então criado o trabalho Porta Aberta, no Santuário São Francisco. Três anos depois, em Brasília, foi fundado o Pronto-Socorro Espiritual (Prose). Surgiu no ano de 1977, na cidade de Campinas, a terceira iniciativa: Aconselhamento de Pastoral, cujo nome foi mudado para Escuta Cristã e teve orientação do professor Mauro Amatuzzi. Este trabalho propõe o acolher com simpatia; compreender como se estivesse no lugar da pessoa e eventualmente dizer uma palavra que faça pensar, não uma palavra que dê solução ou conselho, mas que faça pensar.

A apresentação do livro foi escrita por frei Hipólito Martendal, psicólogo, que conhece o Serviço de Escuta há anos. Para ele, a iniciativa é o primeiro ramo da psicologia, que não necessariamente, necessita de formação acadêmica. “Uma pessoa treinada com boa vontade pode atender bem, escutar bem alguém, sem se envolver no problema”, explicou. Para o frade, é cada dia mais difícil encontrar uma pessoa disposta a ouvir, pois o crescente individualismo inviabiliza conversas. Isso vai minando a ação das pessoas de escutar o próximo, tornando-as, assim, insensíveis à dor do outro. “Muitos têm a impressão de que somente com conselhos é possível ajudar o outro. Mas na verdade o fato de conversar sobre determinada angústia, o desabafar, já ajuda muito e faz com que a pessoa tenha clareza para solucionar o problema”.

Ligia Terezinha Pezzuoto

Segundo Ligia, quem se decide ajudar o próximo deve se basear nos ensinamentos de Jesus, que com paciência, amor e sabedoria, ajudava o outro a libertar-se da angústia. No livro, há trechos bíblicos que mostram a relação de Jesus com o próximo, como o caso dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). Nessa passagem, enquanto caminhavam pela estrada, os discípulos estavam tão angustiados com tudo aquilo que havia acontecido em Jerusalém que nem perceberam que Jesus conversava com eles ao longo do caminho, ouvindo suas angústias. “Nosso intuito não é converter ninguém para nossa religião, mas sim ajudar. Tanto que cerca de 50% das pessoas atendidas são católicas e 90% utilizam o Serviço de Escuta apenas uma vez. Não ficamos marcando conversas frequentes com as pessoas. Não são sessões, é apenas uma conversa, e em poucos casos duas ou três”, explicou a voluntária Olga Regina Crotti, da Paróquia São Luiz Gonzaga (Avenida Paulista). Ainda segundo ela, que é voluntária há oito anos, dependendo do caso, o voluntário pode indicar serviços como atendimento psicológico profissional e Alcoólicos Anônimos (AA).

A voluntária Maria Aparecida Gomes, que promove o serviço na Paróquia Imaculada Conceição (Avenida Brigadeiro Luís Antônio), explica que, como o a igreja fica perto de hospitais, frequentemente entram no local doentes ou parentes de enfermos. E, ao verem o cartaz com informações sobre o Serviço de Escuta, solicitam uma conversa. “Muitos vêm com o coração carregado de preocupações. Pessoas que estão doentes precisam conversar, e muitas vezes não querem preocupar os familiares”, disse. O atendimento dura cerca de cinquenta minutos. O ato de conversar sobre as situações da vida pode evitar que as pessoas apresentem quadros depressivos e transtornos de somatização. De acordo com frei Hipólito, muitas pessoas passam por um momento de tristeza e acreditam que têm depressão e que somente se forem medicadas ficarão melhores. “Há casos em que uma boa conversa faz a pessoa se sentir aliviada e com forças para reagir às situações difíceis, evitando que tenha depressão”, explica.

Para ser voluntário, não basta apenas ter paciência. É necessário ter disponibilidade para acolher, ouvir, respeitando crenças e convicções; tomar conhecimento da estrutura do serviço de escuta: seus objetivos, plantões, reuniões; participar de um treinamento inicial; manter o sigilo e ética profissional. A iniciativa tem sido tão bem-sucedida que paróquias fora da cidade de São Paulo têm implantado o serviço, como é o caso das cidades de Santos e Santo André.

Quinto Piazza, paroquiano da Paróquia Nossa Senhora das Dores (Ipiranga), é voluntário do Serviço de Escuta há cinco anos. A igreja possui nove voluntários e sempre promove o Serviço de Escuta com cartazes e outros meios de divulgação. Segundo ele, muitas pessoas que foram auxiliadas com o projeto, depois de se recuperarem e resolveram seus problemas, decidiram ajudar o outro da mesma forma como foram ajudados. “Conheço casos de pessoas que desabafaram e que tiveram suas vidas transformadas e, hoje, vivem uma vida feliz”, disse. Exemplo disso é a aposentada Mirna Senerchio. Após a internação de um irmão, ficou emocionalmente abalada; então, começou a perder o sentido de coisas que antes lhe davam prazer, como atividades físicas. “Sentia uma tristeza muito grande, uma vontade de não fazer nada. Foi quando resolvi conversar um pouco sobre os meus problemas. O Quinto me ofereceu um ouvido amigo. Fui melhorando cada vez mais, percebi que tinha mais razões para sorrir do que o contrário”, disse.

Outra pessoa que recebeu auxílio foi Rodolfo Giannetti. Deficiente visual, em determinado momento da vida, a falta de alguém para conversar sobre seus questionamentos ocasionou-lhe uma angústia constante. Ele pensou em procurar ajuda profissional, mas após ir à paróquia conheceu o Serviço de Escuta. Depois de muita conversa, teve forças para buscar soluções a seus problemas. Atualmente, sente-se bem melhor, e sua mulher, Elza Maria Costa Giannetti, tornou-se voluntária no serviço. Histórias como essas se repetem constantemente na vida dos voluntários, que deixam suas casas para realizar os plantões nas igrejas. O pagamento pelo trabalho realizado é feito em forma de sorrisos no rosto de quem chegou com o semblante perturbado. “É gratificante perceber que podemos com paciência e dedicação, fazer a vida de outra pessoa melhor”, finalizou Piazza.

Em de outubro de 2005, 42 pessoas, representando catorze paróquias da cidade de São Paulo, reuniram-se no Santuário do Sagrado Coração de Jesus (Campos Elíseos). O evento teve troca de experiências entre os presentes e abordou os seguintes temas: “Limite de Escuta, confissão e psicologia”; “O que a Igreja espera do Serviço de Escuta na atualidade”; “Para nós, leigos, como entender um Serviço de Escuta”; “Quem nos procura, o que espera encontrar?” O grupo não se limitou a apenas uma reunião e, aos poucos, foi definindo os conceitos relacionados à Escuta, como não ser diretiva, ser expressão de atitude cristã, mas não ter caráter religioso, destacando o fato de não se tratar de terapia. O grupo passou se reunir com frequência e a realizar cursos de capacitação para aqueles que gostariam de colaborar com o projeto. As formações foram ministradas por frei Hipólito Martendal, por padre Deolino Pedro Baldissera e pelo leigo Dionísio Martins da Silva. O primeiro curso, que teve a participação de dezoito pessoas, foi realizado em setembro de 2007, com carga horária de 30 horas/aula, divididas em oito sábados. Vale citar que, de 2001 até 2013, surgiram muitas igrejas que realizam o trabalho, porém algumas adotaram o nome Serviço de Escuta e outras, de Pastoral da Escuta.

Em um mundo em que se fala muito, poucos escutam verdadeiramente. Por isso, Serviço de Escuta: o que é e como implantá-lo é uma lição que todos podem aprender. Um verdadeiro serviço para a humanidade que está a todo tempo ocupada sem ouvir o irmão, o amigo, colega de trabalho e, por que não?, um estranho. Em troca, quem for ouvinte estimula a solidariedade e recebe melhoria na saúde espiritual de si mesmo.

Depressão

A cada ano, aumentam assustadoramente, no Brasil e no mundo, os casos de pessoas com depressão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno, em 2030, será o mal mais prevalente, estando à frente de doenças como o câncer e doenças infecciosas. Segundo estudo epidemiológico publicado na revista especializada BMC Medicine, atualmente, 121 milhões de pessoas estão deprimidas em todo o mundo (número quatro vezes maior do que os soropositivos, que chegam a 33 milhões). No Brasil (levando em conta um período de doze meses seguidos), 18% dos entrevistados afirmaram que estão deprimidos há pelo menos um ano. As informações foram retiradas do São Paulo Megacity, um projeto do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Com base em 5.037 entrevistados, o estudo avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo. Segundo estimativas da organização, em 2020 a depressão será a segunda maior causa de incapacitação no mundo.

Por Leiriane Correa


Matéria originária da Revista O Mensageiro de Santo Antônio Novembro de 2013