A influência da tecnologia na religião – Em defesa da Palavra impressa.

Evidentemente vivemos num mundo em que o avanço da tecnologia é cada vez mais veloz. Trabalho da área de tecnologia a mais de dez anos e convivo com isso diariamente, posso afirmar que o crescimento de informações e as inovações tecnológicas são assustadoras.

A atualização profissional e tecnológica é obrigatória e constante. Mais em análise um pouco mais profunda percebo que estas facilidades tecnológicas estão acabando com a criatividade humana, bem como seus relacionamentos.

Hoje se faz valer o: Nada se cria, tudo se copia… e cola claro!  Ou compartilha… Quem tem mais afinidade com a tecnologia, sai na frente e domina.  Quão distantes estamos ficando da carta, do papel e da escrita manual. Quão pouco estamos pensando e escrevendo, anotando. Tudo cada vez mais rápido e nós mais esquecidos e vagos.

Na questão religiosa também houve um impacto gigantesco por conta dos avanços tecnológicos e quando refletimos esse avanço, percebemos que a tecnologia transforma não somente o mundo em que vivemos com benefícios que diminuem a distância, matam a saudade, geram saúde e cura, educação e lazer, comunicação instantânea, mas principalmente a forma como nos comportamos em relação com os irmãos, família e a própria vida. Corremos o risco de não produzir nada e ficar no ócio não criativo.

Por exemplo, experimente tirar de um adolescente seu Smartphone ou seu acesso à Internet e ele vai se sentir excluído socialmente, pois a relação de amizades são na maioria hoje virtual, enquanto os contatos humanos e a necessidade de locomoção são diminuídas.

Realmente é maravilhoso compartilhar, curtir, ver as fotos dos parentes e amigos mais distantes, dos passeios, fotos antigas e que nos remetem a momentos felizes, buscar e estudar tudo que precisamos, mas o relacionamento humano está ficando comprometido pela auto exclusão, isolamento físico e a atenção total ao aparelho, é uma vulgo matrix.

Muitas pessoas hoje se queixam desse isolamento que os dispositivos eletrônicos pessoais geram na vida das pessoas – os contatos estão deixando de ser diretos (face a face ou por telefone) e passando cada vez mais a serem totalmente virtuais pois a digitação não expressa sentimento adequadamente.

É inadmissível sentar-se em uma mesa e não se olhar nos olhos e sim nos aparelhos.  Um risco a família não focalizar o relacionamento entre si, mais externamente através de um aparelho. Lembro-me de quando pregava que o grande inimigo familiar era a TV. E ainda o é, porém as demais tecnologias, quando mal aplicadas ou usadas tem um impacto muito maior no relacionamento familiar.

Outro exemplo muito interessante desse tipo de desdobramento. Percebemos a mudança de comportamento na nossa fé no dia a dia. Isso está fazendo com que as pessoas deixem de levar consigo suas Bíblias ou Lê-las no papel. Concordo que o importante é a palavra que chega, mais discordo de não mais usar o papel impresso para que se tenha um momento íntimo e pessoal com o Senhor.  Imaginou quando num gesto pedirem ou você sentir vontade de abraçar a palavra… Vai abraçar seu dispositivo eletrônico? Já imaginou entrando em um momento litúrgico um tablet? Espero não chegarmos a isso… Seria cômico.

Olha quem está falando, você pode dizer! Já que estudei esta área e convivo com isso, já que estou escrevendo este post em página virtual e mandando por e-mails.  Mais é justamente por conhecimento de causa que levanto a bandeira do papel impresso no caso da bíblia.

Não sou contra ler o evangelho diário no Smartphone, computador e outros dispositivos, vejamos como exemplo a maravilha da rádio e TV que evangelizam tantas pessoas que não tem acesso a palavra impressa e não são alfabetizadas, aqui narro a necessidade de se ter um momento de oração com a palavra impressa. A palavra de Deus impressa não pode ser substituída.  Deixando seus dispositivos por um momento de lado,  pela palavra impressa, com certeza não será interrompido por apps ou imagens concorrentes.

Escrevo porque não vejo mais as pessoas com suas bíblias, elas estão ficando mais empoeiradas do que nunca.

Sou formado em tecnologia, mais saio em defesa da palavra impressa. Coleciono e uso bíblias impressas, traduções e idiomas diversos, leio livros impressos. Partilho com irmãos de comunidade olhos nos olhos e não quero ser dominado por dispositivos… Gosto do cheiro do papel e de mudar a página e achar os capítulos por conta, de anotar com a mão. Não é saudosismo! Eu uso de todas as novas tecnologias, mais não abro mão de minha bíblia. Confesso que as vezes parece que essa é uma causa perdida – é lutar contra a maré.

E isso é bom ou ruim? Eu não sei dizer. E fica claro que a discussão sobre as vantagens do uso de novas tecnologias na nossa vida e na religião não é tão simples assim – é preciso tomar cuidado para não rejeitar coisas novas apenas por saudosismo.

Estamos adotando agora em nossa comunidade Fidelidade o uso da bíblia NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), e olha, eu havia acabado de comprar uma bíblia em letras maiores, mais quando reli Atos dos Apóstolos nesta nova tradução, me apaixonei e não tive dúvidas e a tomei em mãos.  Como a palavra de Deus é dinâmica e maravilhosa e hoje muito mais vernácula*.

E para os que me questionaram o porquê de uma bíblia nova, gastar novamente já que era tudo “igual”, a palavra de Deus eu respondi: Porque não? Já que gostamos tanto de inovação. Trocamos de celulares quantas vezes? Atualizamos seus sistemas operacionais e apps. Trocamos equipamentos porque evoluíram… O que mais tecnológico, religiosamente falando, do que se atualizar a linguagem bíblica. Tenho plena consciência que isto só foi possível pelos novos meios tecnológicos.

Porque então não usar uma nova tradução da bíblia? É sem duvida um presente da igreja para nós. Claro meus irmãos que o conteúdo é o mesmo, Deus é o mesmo, imutável. Mais se torna muito mais fácil de entender e usar. Não são assim os avanços nos sistemas operacionais dos celulares e computadores?

Espero de coração que toda nossa comunidade e você que lê, andem com suas bíblias e não somente com seus Smartphones e dispositivos.

É importante lembrar que as pessoas somente começaram a ter exemplares pessoais da Bíblia nas primeiras décadas do século passado, pois antes as Bíblias eram muito caras, grandes volumes e só estavam disponíveis nas igrejas. No máximo, as pessoas tinham acesso a panfletos, com extratos da Bíblia. Portanto, a prática das pessoas lerem e ouvirem a Bíblia em conjunto foi a tradição da igreja cristã por cerca de 1.900 anos de história, até que cada um passou a ter seu próprio exemplar em língua vernácula.

E agora, por conta dos Smartphones e computadores, parece que estamos voltando à condição original passando de uma leitura individual e intima para uma leitura coletiva e disputante com apps, posts, mensagens em nossos dispositivos.

Não há como parar o progresso tecnológico e também não há como impedir que as novas tecnologias afetem a forma como vivemos e a nossa relação com a fé e religião. O mundo que temos diante de nós é esse que está aí e não dá para pedir que pare. Agora o que admitimos como cristãos para nossa vida e como nos relacionamos com a tecnologia pode ser mudado e isso é importante: como nós cristãos se adaptamos a isso.

É preciso que nós como cristãos vejamos a tecnologia como um meio para atingir um fim. Meios podem ser ruins ou bons, depende da forma que aplicamos, onde e como.

Já imaginou um padre com um notebook ou tablet no altar ou no mesa da Palavra? Ou fazermos a lectio divina com um celular ou computador… É licito flashes e fotos com celulares durante uma adoração ou passagem do santíssimo?  Selfie’s** e mais Selfie’s em momentos inoportunos? E é isso que precisa ser sempre analisado com cuidado. Talvez alguém consiga, eu não.

Pode ser que um dia, como nos dramas de Hollywood, não tenhamos mais a palavra impressa, ai sim sobrará o que lemos com atenção aplicada e intima com o Senhor.

Vamos usar a bíblia impressa irmãos! Você não precisa abrir mão da tecnologia para isso.

Capitulo do livro Faz-me Fiel de Daniel Oliveira – Em breve disponível.

*Vernáculo, nome dado à língua nativa de um país ou de uma localidade.

**Selfie – junção do substantivo self (em inglês “eu”, “a própria pessoa”) e o sufixo ie – ou selfy é um tipo de fotografia de autorretrato, normalmente tomada com uma câmera digital de mão ou celular com câmera. Foi considerada a palavra internacional do ano de 2013 pelo Oxford English Dictionary.

Um Video Interessante