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Católicos em Células?! Fundamentos e conhecimento.

Por | CÉLULA - DEFINIÇÕES

O que são Células?

O termo “célula” é sugestivo, pois a Igreja de Cristo, como nos diz São Paulo, é um “corpo” (cf ICor 12, 27) e sabemos que o corpo humano é composto por milhares de pequenas unidades que se juntam para formar o corpo. Essas unidades são chamadas células. Um bebê tem seu início em uma pequena célula no útero da sua mãe, então ela cresce e se multiplica em duas células. Essas duas se transformam em quatro, as quatro em oito e assim por diante.

Uma célula que cresce e se multiplica, transforma-se em um corpo humano, vivo, saudável e maravilhoso! Assim a Igreja de Cristo deve crescer, pois este foi o mandato de Jesus: “Ide, então fazei de todos os povos discípulos meus”. (Mt 28,19)

Células de Evangelização – São pequenos grupos, de no mínimo 3 pessoas e no máximo 12 pessoas, que crescem e multiplicam-se como células humanas.

Como as células crescem?
Através da evangelização. Cada membro da célula, evangeliza uma ou mais pessoas de seu relacionamento cotidiano, trazendo-as para a célula, então se da o crescimento multiplicando-se ou através de implantação de novos núcleos celulares.

Multiplicação – Uma célula quando ultrapassa o número ideal de participantes (12 pessoas) multiplica-se em 2 ou 3 novas células. Os líderes auxiliares da célula (mãe) serão os líderes das novas células (filhas).

Implantação – Se a necessidade exigir, um líder já treinado dentro do sistema de células e participante de uma célula, começa sozinho ou com mais um membro uma nova célula. Desta forma uma célula com 12 pessoas, pode iniciar 12 novas células.

Tipos de células

Heterogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum como: parentesco, estado de vida comum, faixa-etária, profissão, lazer.

Homogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum faixa-etária, profissão, lazer.

Objetivos das células

1- Louvor (Liturgia)
2- Evangelização (Kerigma)
3- Comunhão fraterna (Koinonia)
4- Discipulado (Katequese)
5- Serviço (Diakonia)

Elementos da Reunião Celular
As reuniões vivenciam os objetivos celulares em 5 passos (5 “E´s”); baseado em At 2,42-47

1° Passo – Encontro – (Acolhida) -> COMUNHÃO
Objetivo: Integrar as pessoas, fazendo com que elas estejam à vontade na reunião não sentindo-se ameaçadas.
Atividades: Perguntar e dinâmicas – pequeno lanche
Duração: 10-15 min

2° Passo – Exaltação (Louvor) -> Louvor
Objetivo: Interação entre nós e Deus, focalizamos nossa atenção na presença de Deus entre nós.
Atividades: Cânticos, salmos, louvor espontâneo e silêncio.
Duração: 15 min.

3° Passo – Edificação (Ensino) -> Discipulado
Objetivo: Interação – Deus para nós através de sua Palavra, indo ao encontro das necessidades, edificando as pessoas, ajudando-as na vivência cristã.
Atividades: Estudo da Bíblia, perguntas, respostas e partilha
Duração: 40 min.

4° Passo – Evangelização (Missão) -> Evangelização
Objetivo: Interação; Deus agindo por meio de nós (alcançando os afastados) encorajamento para a missão evangelizadora.
Atividades: Planejamento de estratégias de evangelização, motivação por parte do líder para evangelizar, apresentação dos nomes dos que serão e estão sendo evangelizados para a oração.
Duração: 15 min.

5° Passo – Entrega (oração) -> Serviço
Objetivo: Interação entre Deus e nós. Através de súplicas e intercessão pelas necessidades da Obra de Deus e pelas necessidades pessoais. Aqui também se faz a partilha de bens materiais, quando for necessário.
Atividades: Oração uns pelos outros, intercessão pelos que estão sendo evangelizados, compromisso com a oração pelas pessoas durante a semana, partilha material.
Duração: 15 min.

Tempo de Reunião: 1 hora e meia.

Local da Reunião: Preferencialmente nas casas, porém se for necessário em qualquer lugar (escola, fábrica…)

Dia – Qualquer dia
Horário – Qualquer horário

Vantagens das células
1- Envolvimento pessoal
2- As pessoas ficam mais unidas
3- O pequeno grupo facilita a evangelização
4- Integração das pessoas na Igreja através de amizades
5- Acompanhamento pessoal (pastoreio)
6- Revelação de dons espirituais e geração de novos líderes
7- Ajuda mútua
8- Ensino bíblico prático

Fundamentos Bíblicos das Células
O Princípio de Jetro: Êxodo 18, 13-25
Ministério de Jesus
• Pequeno grupo de discípulos:
Mt 13,36
• Evangelização nas casas:
Mt 8,14; Mc 2,3; Mt 8,14; Mc 5,38-42; Lc 7,36; Lc 10,38-42; Lc 19,10
Igreja Primitiva
• Reuniões Cristãs nos lares: At 2, 42-47; At 12-17; At 20,7-12.20; Rm 16, 3-5; I Cor 16, 3-5; Colossenses 4,15; Filemon 2.

O texto acima nos mostra alguns aspectos que contrariam a doutrina católica:

1) A liderança das células é dada a um leigo, chamado de ‘líder’, vinculado a outra célula, pois dela deriva sua ‘formação’ e liderança.

2) Estrutura “piramidal”: cada célula de 12 pessoas (máximo) pode gerar 12 céluas, onde cada uma geraria mais 12, crescendo em ‘progressão geométrica”. Ou seja, cada membro de célula é um ‘líder’ em potencial de inúmeras células!

3) Todas as atividades da célula não tem a participação de um clérigo, no caso dos ‘católicos em células’, já que cada membro da célula é um líder em potencial de uma nova célula.

CATÓLICOS EM CÉLULAS NO MUNDO

EUA
A primeira experiência católica com a visão de células data de 1982. O irlandês – Pe. Michael Eivers -, depois de muito orar e estudar, buscando uma direção de Deus para o seu ministério, tomou conhecimento da estratégia da maior igreja evangélica do mundo, na Coréia do Sul, liderada pelo Pr. Paul Y. Cho, toda articulada em pequenos grupos familiares.
(Tal como no Movimento “Carismático”, a origem do movimento de “católicos em células” vem do protestantismo – estratégia da ‘maior’ (?) igreja evangélica do mundo, liderada por Paul Cho. Estratégia esta que deriva do ‘livre-exame’ da Bíblia, da negação do Magistério da Igreja. Mais um fruto de ‘experiências’ buscadas por alguém insatisfeito pelo que o ensino da Igreja oferecia…)

ITÁLIA
Em 1988, inspirado na Paróquia de São Bonifácio, Pe. PiGi Perini, implantou a visão de células na Paróquia Santo Eustorgio, em Milão (ITA), tendo sido estimulado pelo Cardeal Martini (arcebispo na época).

VENEZUELA
O Pe. Vincenzo Mancini Pozzati vem, desde 1991 – influenciado por Pe. PiGi –, desenvolvendo o sistema de células em seu país. Atualmente conta com mais de 2000 células, ligadas à Fundação Bom Samaritano, uma associação de fiéis cuja sede com sede em Caracas.

Já existem, no Brasil, dois ‘pólos’ de proliferação do movimento de ‘católicos em células’ :

PARÓQUIA ESPÍRITO SANTO

A Paróquia Espírito Santo, da Diocese de São José dos Campos, iniciou primeiro esta experiência. Liderada pelo Pe. Luis Fernando Soares, desde 2004 esta comunidade vem provando grande crescimento e multiplicação, por ter assumido como propósito tornar cada casa da paróquia uma célula, extensão da comunidade e cada membro, um discípulo e missionário de Jesus Cristo.
http://www.paroquiaespiritosanto.com.br/

COMUNIDADE FANUEL

A Comunidade Fanuel, da Diocese de Santo André, é uma associação privada de fiéis liderada pelo casal Sandro Fatobene Peres e Rosemeire S. F. Peres.
Em 2006 fez a transição de uma comunidade com células para uma comunidade em células e desde então vem crescendo na compreensão do que é ser o corpo de Cristo, à semelhança das comunidades descritas no Novo testamento.
http://www.comunidadefanuel.com/

(As informaçãoes em itálico foram extraídas do blog “LIBERTOS DO ‘OPRESSOR’”)

Em breve apresentarei as contestações ao sistema de células, feitas por estudos de igrejas protestantes tradicionais. Antes de mais nada, é importante frisar que, tal como o Movimento Carismático, o sistema de células inicialmente foi um rompimento com o sistema tradicional das ‘denominações’ evangélicas, e de certo modo estes sistemas e movimentos são usados para uma ‘união’ de denominações, inclusive entre católicos e evangélicos. Seria, na verdade, uma forma de convivência “ecumênica” entre católicos e evangélicos, atendo-se somente ao ‘que os une’, e desprezando essencialmente ‘o que os separa’, como Maria, os Santos, a Eucaristia, o Primado Petrino, o Magistério da Igreja.

Pax Christi!

Palestras do 5 Congresso Diocesano das Novas Fundações

Por | DOWNLOADS, GALERIA DE ÁUDIO

Paz queridos irmãos. Aqui estão as Palestras para ouvirem.

Peço encarecidamente que não compartilhem para que possamos com os Cd´s ajudar a obra da Comunidade Fidelidade.

Os Dvd´s das Palestras ja podem ser encomendados com a comunidade fidelidade. fidelidade@comunidadefidelidade.com

Mp3 das Palestas para ouvir:

Evangelho e Homilia com Padre Marcio Pontes – Abertura do Congresso

1 Partilha – Essências de uma nova Fundação – Nei

2 Partilha – Alegria do Anuncio pelo Carisma – Nei

3 Partilha – Levem sempre a palavra do Evangelho, não tenham medo – Nei

As 5 urgências ação evangelizadora da Igreja no Brasil

Por | FORMAÇÕES

Os Bispos católicos do Brasil elaboram em conferência (CNBB) a cada 4 anos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Como diz o nome, é um conjunto de diretrizes que nortea a ação pastoral de todos nós agentes missionários participantes da Igreja. As atuais Diretrizes em vigor (2011-2015) apontam 5 exigências:

PRIMEIRA EXIGÊNCIA: uma ação missionária permanente. Veremos nas páginas destas Diretrizes, a palavra discípulos-missionários, que é fruto da Assembleia de Aparecida(2007). A clara necessidade de sempre anunciar de novo a Jesus Cristo e o seu Reino. É preciso anunciar, mostrar, apresentar Jesus Cristo para o mundo e uma conversão pastoral que deve mexer nas estruturas internas das comunidades paroquiais. Ousar o Evangelho foi o lema usado pelo movimento Equipes de Nossa Senhora no XI Internacional em Brasília em julho de 2012. Anunciar com ousadia, mansidão e coragem…de todas as formas que o mundo atual exige.

SEGUNDA EXIGÊNCIA: Iniciação à vida cristã. O Zelo e o cuidado com os que irão receber os sacramento de iniciação. A fraterna acolhida, a devida instrução com catequese programada e agentes capacitados e o testemunho coerente de toda a comunidade. Incomoda-me reconhecer que a pergunta mais feita na secretaria paroquial: se é preciso participar da preparação ao batismo? Quantos padrinhos podem ser? Se pode batizar em casa ou no sítio???? Urge uma formação séria e corajosa para este belo momento da vida. Como também a catequese para Primeira Comunhão e Crisma que ainda é muito tímida em nossas comunidades. Não podemos esquecer igualmente da catequese para adultos. Jamais supor que nossos fieis conheçam a razão de sua fé. Com alegria e otimismo padres do centro do País testemunharam nestes congressos que participei que a catequese de Primeira Comunhão e Crisma é um período de 6 anos e que nos Estados Unidos da América do Norte, o curso de noivos de um semestre.

TERCEIRA EXIGÊNCIA: Animação da Vida da Ação da Igreja a partir da Palavra de Deus. A Igreja não é um ONG do Bem e Deus tampouco é uma ideia ética.  Toda Ação Pastoral precisa ser vivificada pela Palavra de Deus que é vida e traz eficácia. A Igreja é um corpo. Um organismo vivo e dinâmico, guiado pelo Espírito de Deus através e de seus sinais e Palavra. Pela minha experiência pastoral percebo muitos grupos usarem em seus movimentos, mensagens de poetas e romancistas, que ficam aquém da riqueza, da beleza e a força da Palavra de Deus. A proposta é que a Bíblia seja o manual do católico.

QUARTA URGÊNCIA: A Vida Comunitária da Igreja.  Mudanças sociais  e culturais também afetaram o íntimo da comunidade de fé, que é a sua convivência fraterna, na partilha,na acolhida,na participação. Nos tornamos individualistas e mesmo estando presente em grandes eventos, como estas Missas “tipo Padre Marcelo”, estamos indiferentes ao outro. Deixamos de ser fieis e somos massa. Urge redescobrir o sentido e o lugar teológico da comunidade e do Domingo o Dia do Senhor.

QUINTA URGÊNCIA: colocar-se a serviço da vida plena de todos. É a verdadeira caridade. Opção evangélica de Jesus Cristo. Socorrer quem necessita. A vida em primeiro plano. A saúde, a dignidade, os sentimentos de segurança e afeto. Pela fé oferecemos, doamos o que é nosso: o tempo, as habilidades, os próprio sentimentos de solidariedade. ” Eu vim para que todos tem vida plenamente”.

Claro que nossos bispos também oferecem indicações para uma ação pastoral. Este quadriênio está focado nos jovens, em vista da Jornada Mundial da Juventude em 2013 no RJ e da Família que tem a atenção permanente. Apontam igualmente para a responsabilidade com o Meio Ambiente dizendo que a natureza é casa e amparo da vida.

Percebemos assim uma inversão de urgências nos últimos 30 anos. Nos anos 80 a primazia era a luta pelos direitos humanos e sociais. Atualmente estamos mais focados na missão do anúncio e do testemunho coerente. Diria que é fazer o tema de casa  e arrumar a cozinha.

Baixe aqui o Documento doc94cnbb

Mais sobre as Células Católicas

Por | CÉLULA - DEFINIÇÕES

O que são CÉLULAS?

O termo “célula” é sugestivo, pois a Igreja de Cristo, como nos diz São Paulo, é um “corpo” (cf ICor 12, 27) e sabemos que o corpo humano é composto por milhares de pequenas unidades que se juntam para formar o corpo. Essas unidades são chamadas células. Um bebê tem seu início em uma pequena célula no útero da sua mãe, então ela cresce e se multiplica em duas células. Essas duas se transformam em quatro, as quatro em oito e assim por diante.

Uma célula que cresce e se multiplica, transforma-se em um corpo humano, vivo, saudável e maravilhoso! Assim a Igreja de Cristo deve crescer, pois este foi o mandato de Jesus: “Ide, então fazei de todos os povos discípulos meus”. (Mt 28,19)

Células de Evangelização – São pequenos grupos, de no mínimo 3 pessoas e no máximo 12 pessoas, que crescem e multiplicam-se como células humanas.

Como as células crescem?

Através da evangelização. Cada membro da célula, evangeliza uma ou mais pessoas de seu relacionamento cotidiano, trazendo-as para a célula, então se da o crescimento multiplicando-se ou através de implantação de novos núcleos celulares.

Multiplicação – Uma célula quando ultrapassa o número ideal de participantes (12 pessoas) multiplica-se em 2 ou 3 novas células. Os líderes auxiliares da célula (mãe) serão os líderes das novas células (filhas).

Implantação – Se a necessidade exigir, um líder já treinado dentro do sistema de células e participante de uma célula, começa sozinho ou com mais um membro uma nova célula. Desta forma uma célula com 12 pessoas, pode iniciar 12 novas células.

Tipos de células

Heterogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum como: parentesco, estado de vida comum, faixa-etária, profissão, lazer.

Homogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum faixa-etária, profissão, lazer.

Objetivos das células

  1. Louvor (Liturgia)
  2. Evangelização (Kerigma)
  3. Comunhão fraterna (Koinonia)
  4. Discipulado (Katequese)
  5. Serviço (Diakonia)

Elementos da Reunião Celular

As reuniões vivenciam os objetivos celulares em 5 passos (5 “E´s”); baseado em At 2,42-47

1° Passo – Encontro – (Acolhida) -> COMUNHÃO

Objetivo: Integrar as pessoas, fazendo com que elas estejam à vontade na reunião não se sentindo ameaçadas.

Atividades: Perguntar e dinâmicas – pequeno lanche

Duração: 10-15 min

2° Passo – Exaltação (Louvor) -> Louvor

Objetivo: Interação entre nós e Deus, focalizamos nossa atenção na presença de Deus entre nós.

Atividades: Cânticos, salmos, louvor espontâneo e silêncio.

Duração: 15 min.

3° Passo – Edificação (Ensino) -> Discipulado

Objetivo: Interação – Deus para nós através de sua Palavra, indo ao encontro das necessidades, edificando as pessoas, ajudando-as na vivência cristã.

Atividades: Estudo da Bíblia, perguntas, respostas e partilha

Duração: 40 min.

4° Passo – Evangelização (Missão) -> Evangelização

Objetivo: Interação; Deus agindo por meio de nós (alcançando os afastados) encorajamento para a missão evangelizadora.

Atividades: Planejamento de estratégias de evangelização, motivação por parte do líder para evangelizar, apresentação dos nomes dos que serão e estão sendo evangelizados para a oração.

Duração: 15 min.

5° Passo – Entrega (oração) -> Serviço

Objetivo: Interação entre Deus e nós. Através de súplicas e intercessão pelas necessidades da Obra de Deus e pelas necessidades pessoais. Aqui também se faz a partilha de bens materiais, quando for necessário.

Atividades: Oração uns pelos outros, intercessão pelos que estão sendo evangelizado, compromisso com a oração pelas pessoas durante a semana, partilha material.

Duração: 15 min.

Tempo de Reunião: 1 hora e meia.

Local da Reunião: Preferencialmente nas casas, porém se for necessário em qualquer lugar (escola, fábrica…)

Dia – Qualquer dia

Horário – Qualquer horário

Vantagens das células

  1. Envolvimento pessoal
  2. As pessoas ficam mais unidas
  3. O pequeno grupo facilita a evangelização
  4. Integração das pessoas na Igreja através de amizades espanolviagra.net
  5. Acompanhamento pessoal (pastoreio)
  6. Revelação de dons espirituais e geração de novos líderes
  7. Ajuda mútua
  8. Ensino bíblico prático

Fundamentos Bíblicos das Células

O Princípio de Jetro: Êxodo 18, 13-25

Ministério de Jesus

• Pequeno grupo de discípulos:

Mt 13,36

• Evangelização nas casas:

Mt 8,14; Mc 2,3; Mt 8,14; Mc 5,38-42; Lc 7,36; Lc 10,38-42; Lc 19,10

Igreja Primitiva

• Reuniões Cristãs nos lares: At 2, 42-47; At 12-17; At 20,7-12.20; Rm 16, 3-5; I Cor 16, 3-5; Colossenses 4,15; Filemon 2.


02. Estrutura do sistema de Células

Redes: Agrupamento de células homogêneas

– Homens

– Mulheres

– Casais

– Adolescentes

– Jovens

– Crianças

– Mistas

Cada rede possui um coordenador. Em cada rede se cumpre a missão celular:

GANHAR pessoas para Jesus.

CONSOLIDÁ-LAS na fé.

TORNÁ-LAS discípulas (treinar).

ENVIÁ-LAS a serviço (pastorais ministérios e liderança).

As redes realizam reuniões e encontros específicos, de interesse dos membros das células. Ex.: Rede de casais: encontro de casais; Rede de jovens: Acampamento.

Áreas: Cada 5 células, dentro de sua rede formam uma área que tem como tarefa:

– Reunir os líderes de células de sua área;

– Visitar as células;

– Encorajar os líderes;

– Decidir com os líderes a possibilidade da multiplicação ou implantação;

– Receber e ler relatórios, elucidando dúvidas e solucionando problemas.


03. Estratégia e Treinamento Celular

Estratégia e Treinamento Celular – Treinamento de Líderes – 1° Nível

1ª Etapa: Chegada a célula – Acolhida ao novo membro da célula.
É o ponto de partida para a liderança; a partir deste momento, começa seu treinamento como líder nas reuniões das células e através de 4 retiros

2ª Etapa: Retiro da Vida Nova – 7 Temas querigmáticos

Objetivo: Levar o novo membro da célula ao conhecimento dos fundamentos básicos da fé. Neste retiro, espera-se que o participante tenha um encontro com Cristo vivo.

3ª Etapa: Retiro de Vida Vitoriosa – 7 temas catequéticos

Objetivo: Conduzir o membro da célula ao compromisso diário com Cristo e a Igreja

4ª Etapa: Retiro de Evangelizadores – 7 temas

Objetivo: Apresentar ao membro da célula, o chamado missionário e a importância da evangelização. Também é apresentado o método “Oikós” de evangelizar.

Método Oikós

  1. Oração (preparação espiritual)
  2. Serviço (ponte de amizade)
  3. Testemunho (partilha da fé)
  4. Diálogo (remover obstáculos. Ex. Dúvidas)
  5. Anúncio (Anunciar a pessoa de Jesus Cristo)
  6. Convites para a aceitação de Cristo
  7. Envolvimentos na célula
  8. Envolvimentos na paróquia (ministérios e pastorais)

5ª Etapa: Retiro de Liderança – 8 temas

Objetivo: Cobrir todos os aspectos das células e as exigências da liderança das mesmas.

Os retiros acontecem aos sábados (14 às 20hs) e Domingo (8 às 12hs) nos últimos finais de semana de cada mês, sendo repetidos 4 vezes por ano. Um manual e um caderno de exercícios, acompanha os retiros.

6ª Etapa: Líder de célula

Formação Avançada de Líderes (2º Nível)

  1. Reciclagem Trimestral da liderança com o pároco.
  2. Escola da Palavra (Teologia para Leigos).
  3. Curso anual de supervisores de áreas.

Estabelecimento de Metas

A visão celular estabelece metas de crescimento semestralmente ou anualmente.


04. Visão Celular

“Em cada casa, uma célula que cresce e se multiplica, cada membro um discípulo e missionário de Jesus Cristo”.

Pastoral de Conjunto

Como implantar células e transicionar a paróquia “tradicional” para uma paróquia em células?

  1. O pároco deve conhecer a visão e o sistema celular.
  2. Apresentar aos líderes paroquiais (CPP) a visão.
  3. Começar o treinamento com a liderança, no máximo 12 pessoas.
  4. Começar uma célula provisória, liderada pelo pároco, esta célula de vê funcionar pelo menos por seis meses.
  5. Iniciar duas células nas casas (mistas ou homogêneas).
  6. Marcar após nove meses de funcionamento, a primeira multiplicação, passando a contar com quatro células, sob a supervisão do pároco.
  7. O processo começa a se desencadear, então, é preciso começar estabelecer a supervisão:
  8. Redes: Mistas, Casais, Homens, Mulheres, Jovens, Adolescentes, Crianças.
  9. Áreas: Cada cinco células possui um supervisor subordinado ao coordenador de redes e estes ao pároco.
  10. Fazer a agenda paroquial, visando à prioridade das células.

Importante: Um Tempo de adoração contínua e intercessão deve ser estabelecido na paróquia como sustento espiritual da visão celular. A paróquia deve planejar vigílias, dias de jejum, momentos prolongados de oração. O pároco deve intensificar seu tempo pessoal de oração, servindo de exemplo ao demais líderes.

– “Sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15,5)

Guardar Domingos e Festas – Terceiro Mandamento da Lei de Deus

Por | FORMAÇÕES

O Terceiro Mandamento da Lei de Deus: “Guardar os domingos e festas”, de modo específico, lembra-nos que o domingo é o dia do Senhor, devendo ser dedicado a Ele.

O texto do Êxodo nos fala: “Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum” (Ex 20,8-10).

No Antigo Testamento, o dia do sábado lembrava a libertação do povo de Israel do Egito até a Terra Prometida. Porém, a nossa fé vem do Novo Testamento, quando recordamos a Páscoa de Jesus e a sua Ressurreição no domingo. Por isso, a Igreja, desde os apóstolos, dedica esse dia ao Senhor.

Jesus ressuscitou dentre os mortos no primeiro dia da semana (cf. Mc 16,2). O primeiro dia, o da ressurreição de Cristo, lembra a primeira criação, enquanto o oitavo, que segue ao sábado, significa a nova criação, inaugurada em Cristo Jesus. Para os cristãos, o domingo se tornou o primeiro de todos os dias, de todas as festas: o Dia do Senhor (Dies Dominica,o domingo).

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica-nos: “(…) Aos domingos e nos outros dias de festa e de preceito, os fiéis têm obrigação de participar da missa’. Satisfaz o preceito dessa participação, quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa, ou à tarde do dia anterior”. (CIC 2180).

Continua o Catecismo: “(…) Por isso, os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave” (CIC 2181).

O domingo deve ser dedicado a boas obras, evangelização, catequese, caridade, serviço aos doentes e aos idosos. É o dia de ir à missa, de visitar os parentes, de descanso e de reflexão. A Igreja pede isso, porque os seres humanos estão entrando em uma máquina de mercado, esquecendo-se de que são de carne e osso, não robôs.

O domingo é o dia de as pessoas se dedicarem à família, de se reunirem todos juntos para as refeições. É o dia de conversa, bate-papo, risada. E isso está faltando nas famílias. Está faltando o pai contar “causos” e o filho perguntar. Está faltando um saber da vida do outro.

Infelizmente, existem pessoas que precisam trabalhar aos domingos. Sobre isso, a Igreja diz: “Busque outro dia de repouso e oração”. No entanto, essa instituição orienta os empregadores a permitirem que seus funcionários católicos frequentem a missa.

Além do domingo, as festas e os dias santos em que todo católico é obrigado a participar da Santa Missa são: Natal; Epifania (festa dos Reis Magos); Ascensão de Jesus; Corpus Christi; solenidade de Santa Maria Mãe de Deus; Festa da Imaculada Conceição; Assunção de Nossa Senhora; Dia de São José; São Pedro e São Paulo; e a Festa de Todos os Santos (CIC 2177).

Por Padre Reginaldo Manzotti

Coordenador da Associação Evangelizar é Preciso

www.padrereginaldomanzotti.org.br

Honrar Pai e Mãe – O Quarto Mandamento da Lei de Deus

Por | FORMAÇÕES
Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem seus dias na terra (Dt 5, 16).

No Evangelho de Lucas encontramos o seguinte texto a respeito de Jesus: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 51).

Esse mandamento está expresso de uma forma positiva de deveres a cumprir. Não deixa de ser um respeito à vida. Diz diretamente aos filhos em suas relações com o pai e a mãe, e, diz também em relação ao parentesco com os membros da família.

Honrar pai e mãe significa prestar honra, afeto. É também dar afeto e reconhecimento aos avós, aos antepassados.

São os deveres de um aluno para com o professor; dos empregados para com os padrões.

Os deveres, o respeito para com os pais; deveres para com os tutores, nos dão frutos espirituais e temporais como paz e prosperidade.

A não observância desse mandamento traz danos à família e, neste contexto, temos que entender que a família é um valor. É a célula da vida social. É algo sagrado. O quarto mandamento fala justamente da responsabilidade para com os deficientes da família.

O termo família implica cuidado, responsabilidade dos jovens para com os mais velhos, pois lugar de idoso não é no asilo, mas sim no convívio familiar.

Lembremos que o esse mandamento é uma luz no meio de uma sociedade de profundas sombras. A família é a garantia de uma sociedade sadia. Os deveres dos filhos são: respeito filial aos pais, docilidade à obediência, guardar os preceitos dos pais, respeitar as instruções.

A Palavra de Deus nos diz: “Guarda, filho meu, os preceitos de teu pai, não desprezes o ensinamento de tua mãe. Traze-os constantemente ligados ao teu coração e presos ao teu pescoço. Servir-te-ão de guia ao caminhares, de guarda ao dormires e falarão contigo ao despertares (Pr 6, 20-22).” E, ainda: “Um filho sábio escuda a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda (Pr 13, 1)”.

Quando um filho viver na casa dos pais deve obedecer e os pais devem visar o bem dos filhos e da família. “Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor (Cl 3,20).”

Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e não devem passar esta responsabilidade a outros. Os pais devem lidar com os filhos não como seus, mas filhos de Deus, respeitando-os como pessoas humanas. O lar é um ambiente natural para o ser humano. Na solidariedade e na cidadania é função dos pais evangelizarem os filhos. A educação para a fé, por parte dos pais, deve começar na mais tenra infância. Os filhos devem ser providos nas necessidades físicas e espirituais.

Por Padre Reginaldo Manzotti,

coordenador da Associação Evangelizar é Preciso.

www.padrereginaldomanzotti.org.br

Como Maria foi sempre Virgem?

Por | FORMAÇÕES

A virgindade perpétua de Maria e a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja.

Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo, foi sempre Virgem? Santo Agostinho ensina que a perfeita e perpétua virgindade de Maria é um privilégio em honra à Mãe e à dignidade do Filho. Em seus escritos, não se cansava de dizer que “Maria concebeu Cristo, virgem; deu-O à luz virgem; e virgem permaneceu”1. Mas responder essa questão se torna um grande desafio se temos a consciência de que a virgindade dela não é simplesmente um estado ou privilégio, mas um mistério de Cristo, não significa apenas o estado virginal da Mãe do Senhor, mas também, e principalmente, a concepção de Jesus em seu seio. Por isso a pureza de Maria pertence ao mistério de Cristo. A este respeito, Santo Inácio de Antioquia nos ensina que “a virgindade é a forma por meio da qual Maria pertence a Cristo”2.

No pensamento de Santo Agostinho, a pureza de Maria foi tão santa e agradável a Deus, não porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que fosse violada, mas porque, antes mesmo de conceber, “ela já a tinha consagrado a Deus e merecido, assim, ser escolhida para trazer Cristo ao mundo”3. Por isso, Maria perguntou ao Anjo da Anunciação: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?”4. Certamente, ela não teria dito isso se anteriormente não houvesse consagrado sua castidade a Deus. Nossa Senhora fez essa consagração antes de saber que seria a Mãe do Filho do Altíssimo5. Desse modo, ela já nos ensinava a “imitação da vida no Céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito; e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer”6.

A Igreja, à semelhança de Maria, é uma virgem desposada a um único Esposo, que é Jesus Cristo. Dessa forma, a Igreja toma como modelo a Mãe de seu Esposo e Senhor. “Pois, a Igreja, também ela, é mãe e virgem”7. Nossa Senhora deu à luz corporalmente a Cabeça do Corpo místico de Cristo, e a Igreja dá à luz espiritualmente os membros desse Corpo. Dessa forma, tanto em Maria quanto na Igreja, a virgindade não impede a fecundidade. Na Virgem Maria e na virgem Igreja, a fecundidade não destrói a castidade, pois a pureza da Igreja, semelhante à de Maria, está na integridade da fé, da esperança e da caridade. Estava no desígnio divino fazer germinar a virgindade no coração da Igreja, por isso, Cristo antecipou-a no corpo de Maria. A castidade de Maria e da Igreja estão intimamente ligadas ao Senhor Jesus. Consequentemente, “a Igreja não poderia ser virgem, se não tivesse por Esposo o Filho da Virgem, a quem se entrega”8.

A fé de nossos irmãos protestantes na divindade de “Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”, é a mesma “fé da Igreja antiga, expressa em todas as suas liturgias que dão a Maria o título de ‘sempre virgem’, reconhecida com unanimidade pelas igrejas locais antes da ruptura do século XVI, reconhecida igualmente pelos primeiros reformadores”9. Contudo, com o passar do tempo, a mariologia dos protestantes distanciou-se bastante daquela dos primeiros reformadores. Isto se reflete nas atuais controvérsias bíblicas, por parte de alguns protestantes, sobre os irmãos de Jesus10, que põe em dúvida a virgindade perpétua da Mãe do Senhor. Ao contrário do que alguns pregam hoje, “os reformadores haviam compreendido o termo irmãos (adelphoi) no sentido de primos e pregaram com nuança sobre a virgindade perpétua de Maria”11.

Portanto, mais do que estado e privilégio, a virgindade perpétua de Nossa Senhora se insere no mistério de Cristo. A virgindade de Maria aponta para a sua entrega total ao desígnio de Deus e para a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja. Nesse sentido, a Virgem Mãe da Igreja é modelo para todos que consagram suas vidas a Jesus Cristo e ao anúncio do Evangelho. Pois, como a Mãe de Jesus, temos a vocação de virgem e mãe, pois a Igreja também é virgem e mãe. Em Maria, temos o modelo, por excelência, da virgindade e da maternidade que todos os cristãos, especialmente aqueles que livremente se consagram pelo voto de celibato, são chamados a exercer. Com Maria, aprendemos que a virgindade pura significa a integridade da fé, da esperança e da caridade, à qual todos nós somos chamados. Com ela, também aprendemos aquela maternidade espiritual que gera os verdadeiros irmãos de Cristo: aqueles que fazem a vontade do Seu Pai, que está nos céus12.

Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!

1. SANTO AGOSTINHO. A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários. São Paulo: Paulus, 1996, p. 11.
2. GARCIA PAREDES, Jose Cristo Rey. Mariologia. 3ª ed. Madrid: BAC, 2009, Cf. Inácio de Antioquia, Ephs, 19,1: PG 5,660A; SC 10,88.
3. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
4. Lc 1, 34.
5.Cf. Lc 1, 31-32.
6. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
7. Idem, p. 49.
8. Idem, p. 93.
9. Idem, p. 161.
10. Cf. Mt 12, 46-50; cf. Mc 3, 31-35; cf. Lc 8, 19-21.
11. Idem, p. 127. Na língua hebraica do original bíblico a palavra irmãos, traduzida em grego por adelphoi, significa todos os primos e parentes.
12. Cf. Mt 12, 50.

O Mensageiro

O dom da escuta!

Por | FORMAÇÕES

Nó na garganta, vontade de desabafar, de expressar todo o turbilhão de emoções que estão interiorizadas. Para que esse nó seja desatado, há a necessidade de uma pessoa disposta a escutar, não necessariamente alguém que dê conselhos, mesmo com a melhor das intenções, mas apenas um “ouvido amigo”, uma testemunha de uma dor, de uma situação difícil. Consciente da importância do ato de desabafar, foi lançado, em setembro, o livro Serviço de Escuta: o que é e como implantá-lo (Ave-Maria). Escrita pela jornalista Ligia Terezinha Pezzuto, a obra é um manual prático de como se tornar um bom ouvinte, sem direcionar o interlocutor em caminhos opinativos, mas dar a chance de o nó ser desatado. De acordo com a autora, não é todo mundo que está preparado para ouvir, e muitas pessoas perdem logo a paciência, querem opinar do que escutar e esquecem-se de que o ouvir, por si só, liberta. “Os voluntários não têm a pretensão de realizar o trabalho que é de um profissional como o psicólogo e psiquiatra. Nós escutamos aqueles que precisam desabafar e que estão estressados ou angustiados. Geralmente, as pessoas que nos procuram não têm nenhum amigo ou familiar para conversar, ou, simplesmente, não querem expor para seus conhecidos determinada situação”, disse.

A obra é fruto de nove anos de experiência de Ligia à frente do Serviço de Escuta. No final, o leitor encontra três anexos: um termo de adesão de serviço voluntário; roteiro de trabalho do Serviço de Escuta; e a Lei do Voluntariado (Lei n. 9.608, de 18 de fevereiro de 1998). Não basta apenas ler o livro para iniciar o trabalho; há cursos anuais, promovidos pelo Grupo de Apoio ao Serviço de Escuta de São Paulo, coordenado pela jornalista. Os interessados reúnem-se durante quatro sábados para receber orientação de como escutar as pessoas, que muitas vezes chegam às paróquias precisando desabafar. Como fiel do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, Ligia queria contribuir de alguma forma para ajudar as pessoas. Foi então que se identificou com o Serviço de Escuta. Após um ano, ela organizou uma confraternização entre os voluntários de diversas paroquias que promoviam o trabalho. A jornalista resolveu promover o encontro por causa dos questionamentos provenientes de algo dito por seu orientador espiritual na época, padre Vicente de Paulo Moretti Guedes, de que a escuta estava dispersa, sem interação e unidade. A percepção dessa realidade fez que se sentisse inquieta e tentasse congregar os Serviços de Escuta.

“Muitos têm a impressão de que somente com conselhos é possível ajudar o outro. Mas na verdade o fato de conversar sobre determinada angústia, o desabafar, já ajuda muito e faz com que a pessoa tenha clareza para solucionar o problema”

No projeto, há cerca de 150 voluntários, presentes em vinte paróquias do Estado de São Paulo. O livro é uma forma de fazer que as demais igrejas conheçam em detalhes o trabalho e se interessem em realizar o serviço em sua comunidade. Tudo começou na década de 1970, quando o frei franciscano Edgar Weist percebeu que muitos fiéis queriam conversar sobre assuntos que não estavam ligados à confissão de seus pecados. Foi então criado o trabalho Porta Aberta, no Santuário São Francisco. Três anos depois, em Brasília, foi fundado o Pronto-Socorro Espiritual (Prose). Surgiu no ano de 1977, na cidade de Campinas, a terceira iniciativa: Aconselhamento de Pastoral, cujo nome foi mudado para Escuta Cristã e teve orientação do professor Mauro Amatuzzi. Este trabalho propõe o acolher com simpatia; compreender como se estivesse no lugar da pessoa e eventualmente dizer uma palavra que faça pensar, não uma palavra que dê solução ou conselho, mas que faça pensar.

A apresentação do livro foi escrita por frei Hipólito Martendal, psicólogo, que conhece o Serviço de Escuta há anos. Para ele, a iniciativa é o primeiro ramo da psicologia, que não necessariamente, necessita de formação acadêmica. “Uma pessoa treinada com boa vontade pode atender bem, escutar bem alguém, sem se envolver no problema”, explicou. Para o frade, é cada dia mais difícil encontrar uma pessoa disposta a ouvir, pois o crescente individualismo inviabiliza conversas. Isso vai minando a ação das pessoas de escutar o próximo, tornando-as, assim, insensíveis à dor do outro. “Muitos têm a impressão de que somente com conselhos é possível ajudar o outro. Mas na verdade o fato de conversar sobre determinada angústia, o desabafar, já ajuda muito e faz com que a pessoa tenha clareza para solucionar o problema”.

Ligia Terezinha Pezzuoto

Segundo Ligia, quem se decide ajudar o próximo deve se basear nos ensinamentos de Jesus, que com paciência, amor e sabedoria, ajudava o outro a libertar-se da angústia. No livro, há trechos bíblicos que mostram a relação de Jesus com o próximo, como o caso dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). Nessa passagem, enquanto caminhavam pela estrada, os discípulos estavam tão angustiados com tudo aquilo que havia acontecido em Jerusalém que nem perceberam que Jesus conversava com eles ao longo do caminho, ouvindo suas angústias. “Nosso intuito não é converter ninguém para nossa religião, mas sim ajudar. Tanto que cerca de 50% das pessoas atendidas são católicas e 90% utilizam o Serviço de Escuta apenas uma vez. Não ficamos marcando conversas frequentes com as pessoas. Não são sessões, é apenas uma conversa, e em poucos casos duas ou três”, explicou a voluntária Olga Regina Crotti, da Paróquia São Luiz Gonzaga (Avenida Paulista). Ainda segundo ela, que é voluntária há oito anos, dependendo do caso, o voluntário pode indicar serviços como atendimento psicológico profissional e Alcoólicos Anônimos (AA).

A voluntária Maria Aparecida Gomes, que promove o serviço na Paróquia Imaculada Conceição (Avenida Brigadeiro Luís Antônio), explica que, como o a igreja fica perto de hospitais, frequentemente entram no local doentes ou parentes de enfermos. E, ao verem o cartaz com informações sobre o Serviço de Escuta, solicitam uma conversa. “Muitos vêm com o coração carregado de preocupações. Pessoas que estão doentes precisam conversar, e muitas vezes não querem preocupar os familiares”, disse. O atendimento dura cerca de cinquenta minutos. O ato de conversar sobre as situações da vida pode evitar que as pessoas apresentem quadros depressivos e transtornos de somatização. De acordo com frei Hipólito, muitas pessoas passam por um momento de tristeza e acreditam que têm depressão e que somente se forem medicadas ficarão melhores. “Há casos em que uma boa conversa faz a pessoa se sentir aliviada e com forças para reagir às situações difíceis, evitando que tenha depressão”, explica.

Para ser voluntário, não basta apenas ter paciência. É necessário ter disponibilidade para acolher, ouvir, respeitando crenças e convicções; tomar conhecimento da estrutura do serviço de escuta: seus objetivos, plantões, reuniões; participar de um treinamento inicial; manter o sigilo e ética profissional. A iniciativa tem sido tão bem-sucedida que paróquias fora da cidade de São Paulo têm implantado o serviço, como é o caso das cidades de Santos e Santo André.

Quinto Piazza, paroquiano da Paróquia Nossa Senhora das Dores (Ipiranga), é voluntário do Serviço de Escuta há cinco anos. A igreja possui nove voluntários e sempre promove o Serviço de Escuta com cartazes e outros meios de divulgação. Segundo ele, muitas pessoas que foram auxiliadas com o projeto, depois de se recuperarem e resolveram seus problemas, decidiram ajudar o outro da mesma forma como foram ajudados. “Conheço casos de pessoas que desabafaram e que tiveram suas vidas transformadas e, hoje, vivem uma vida feliz”, disse. Exemplo disso é a aposentada Mirna Senerchio. Após a internação de um irmão, ficou emocionalmente abalada; então, começou a perder o sentido de coisas que antes lhe davam prazer, como atividades físicas. “Sentia uma tristeza muito grande, uma vontade de não fazer nada. Foi quando resolvi conversar um pouco sobre os meus problemas. O Quinto me ofereceu um ouvido amigo. Fui melhorando cada vez mais, percebi que tinha mais razões para sorrir do que o contrário”, disse.

Outra pessoa que recebeu auxílio foi Rodolfo Giannetti. Deficiente visual, em determinado momento da vida, a falta de alguém para conversar sobre seus questionamentos ocasionou-lhe uma angústia constante. Ele pensou em procurar ajuda profissional, mas após ir à paróquia conheceu o Serviço de Escuta. Depois de muita conversa, teve forças para buscar soluções a seus problemas. Atualmente, sente-se bem melhor, e sua mulher, Elza Maria Costa Giannetti, tornou-se voluntária no serviço. Histórias como essas se repetem constantemente na vida dos voluntários, que deixam suas casas para realizar os plantões nas igrejas. O pagamento pelo trabalho realizado é feito em forma de sorrisos no rosto de quem chegou com o semblante perturbado. “É gratificante perceber que podemos com paciência e dedicação, fazer a vida de outra pessoa melhor”, finalizou Piazza.

Em de outubro de 2005, 42 pessoas, representando catorze paróquias da cidade de São Paulo, reuniram-se no Santuário do Sagrado Coração de Jesus (Campos Elíseos). O evento teve troca de experiências entre os presentes e abordou os seguintes temas: “Limite de Escuta, confissão e psicologia”; “O que a Igreja espera do Serviço de Escuta na atualidade”; “Para nós, leigos, como entender um Serviço de Escuta”; “Quem nos procura, o que espera encontrar?” O grupo não se limitou a apenas uma reunião e, aos poucos, foi definindo os conceitos relacionados à Escuta, como não ser diretiva, ser expressão de atitude cristã, mas não ter caráter religioso, destacando o fato de não se tratar de terapia. O grupo passou se reunir com frequência e a realizar cursos de capacitação para aqueles que gostariam de colaborar com o projeto. As formações foram ministradas por frei Hipólito Martendal, por padre Deolino Pedro Baldissera e pelo leigo Dionísio Martins da Silva. O primeiro curso, que teve a participação de dezoito pessoas, foi realizado em setembro de 2007, com carga horária de 30 horas/aula, divididas em oito sábados. Vale citar que, de 2001 até 2013, surgiram muitas igrejas que realizam o trabalho, porém algumas adotaram o nome Serviço de Escuta e outras, de Pastoral da Escuta.

Em um mundo em que se fala muito, poucos escutam verdadeiramente. Por isso, Serviço de Escuta: o que é e como implantá-lo é uma lição que todos podem aprender. Um verdadeiro serviço para a humanidade que está a todo tempo ocupada sem ouvir o irmão, o amigo, colega de trabalho e, por que não?, um estranho. Em troca, quem for ouvinte estimula a solidariedade e recebe melhoria na saúde espiritual de si mesmo.

Depressão

A cada ano, aumentam assustadoramente, no Brasil e no mundo, os casos de pessoas com depressão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno, em 2030, será o mal mais prevalente, estando à frente de doenças como o câncer e doenças infecciosas. Segundo estudo epidemiológico publicado na revista especializada BMC Medicine, atualmente, 121 milhões de pessoas estão deprimidas em todo o mundo (número quatro vezes maior do que os soropositivos, que chegam a 33 milhões). No Brasil (levando em conta um período de doze meses seguidos), 18% dos entrevistados afirmaram que estão deprimidos há pelo menos um ano. As informações foram retiradas do São Paulo Megacity, um projeto do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Com base em 5.037 entrevistados, o estudo avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo. Segundo estimativas da organização, em 2020 a depressão será a segunda maior causa de incapacitação no mundo.

Por Leiriane Correa


Matéria originária da Revista O Mensageiro de Santo Antônio Novembro de 2013

Livro Imitação de Cristo

Por | IMITAÇÃO DE CRISTO

IMITAÇÃO DE CRISTO.

Imitação de Cristo é uma obra da literatura devocional, de autor anônimo, publicada no século XV. Seu texto é um auxiliar à oração e às práticas devocionais pessoais. Alguns o consideram um dos maiores tratados de moral cristã. A obra é atribuida ao padre alemão Tomás de Kempis, já que dos 66 manuscritos 60 trazem a assinatura de Tomás de Kempis, na mais respeitada cópia, conhecida como Kempense, escrita em 1441.

Tomás de Kempis, também conhecido como Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (Kempen, Renânia, 1379 ou 1380 – 25 de julho de 1471, mosteiro de Saint Agnetenberg, Zwolle), foi um monge e escritor místico alemão. São-lhe atribuidas cerca de 40 obras, o que o torna o maior representante da literatura devocional moderna. Um dos textos que lhe são atribuídos é o Imitação de Cristo, obra de inegável influência no cristianismo.

Foi lida por Santo Inácio de Loyola no tempo em que esteve em uma gruta em Manresa, e o ajudou a conceber os Exercícios Espirituais Inacianos.

> Devota Exortação à Sagrada Comunhão.

> Do desprezo de toda criatura para que se possa achar o Criador.

> Como se há de pedir o auxílio divino e confiar para recuperar a graça.

> Como durante a tribulação devemos invocar a Deus e bendizê-Lo

> Oração para implorar a limpeza do coração.

> A excelência da liberdade espiritual.

> Em que  consiste a firme paz do coração.

> Como se deve evitar a curiosa inquirição da vida alheia.

> Das quatro coisas que produzem grande paz.

> Da recordação dos inumeráveis benefícios de Deus.

> Como se deve descansar em Deus sobre todos os bens e dons.

> Da confissão da própria fraqueza e das misérias desta vida.

> Do sofrimento das injúrias e quem é provado verdadeiro paciente.

> Como a exemplo de Cristo se hão de sofrer as misérias temporais.

> Todo o nosso cuidado devemos entregar a Deus.

> Que só em Deus se há de buscar a verdadeira consolação.

> Oração para cumprir a vontade de Deus.

> Como se deve haver e falar cada um em seus desejos.

> Como se devem considerar os altos juízos de Deus.

> Da obediência e humilde sujeição a exemplo de Jesus Cristo.

> Da escola da paciência e luta contra as concupiscências.

> Como devemos examinar e moderar os desejos do coração.

> Como desprezando o mundo é doce servir a Deus.

> Tudo se deve referir a Deus como fim Último

> Da vil estima de si próprio ante os olhos de Deus.

> Como se há de ocultar a Graça sob a guarda da humildade

> Da prova do verdadeiro Amor.

> Dos admiráveis efeitos do Amor divino.

> Como devemos andar perante Deus em verdade e humildade.

> Como as palavras de Deus devem ser ouvidas.

> Que a verdade fala dentro de nós sem estrépito de palavras.

> Da comunicação intima de cristo com a alma fiel.

> Da estrada real da Santa Cruz.

> Quão pouco são os que amam a Cruz de Jesus.

> Do agradecimento pela graça de DEUS.

> Da privação de toda a consolação.

> Da familiar amizade com Jesus.

> Do amor de Jesus sobre todas coisas.

> Da alegria e da boa consciência.

> Da consideração de si mesmo.

> Da mente pura e da intenção simples.

> Do Homem bom e pacifico.

> Da humilde submissão.

> Exortações à vida interior.

> Do juízo e das penas dos pecadores.

> Da meditação da morte.

> Da consideração da miséria humana.

> Da compunção do coração.

> Do amor à solidão e ao silêncio.

> Dos exemplos dos santos padres.

> Da vida monástica.

> Do sofrer os defeitos dos outros.

> Das obras feitas com caridade.

> Como se deve evitar o juízo temerário?

> Como se há de resistir às tentações?

> Da utilidade nas adversidades.

> Da paz e do zelo em aproveitar.

> Como se deve evitar as conversas supérfluas.

> Da obediência e submissão.

> Como se deve evitar a excessiva familiaridade.

> Como se deve fugir da vã esperança e presunção.

> Das afeições desordenadas.

> Da leitura da Sagrada Escritura.

> Da prudência nas ações.

> Dos ensinamentos da verdade.

> Do humilde sentir de si mesmo.

> Avisos úteis para a vida espiritual.

> Da abnegação de si mesmo e abdicação de toda cobiça.

> Do desprezo de toda criatura, para que se possa achar o Criador.

> A Graça de DEUS não se comunica aos que gostam das coisas da Terra.

> A Confissão da própria fraqueza, e as misérias desta vida.

> A Estrada Real.

A influência da tecnologia na religião – Em defesa da Palavra impressa.

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Evidentemente vivemos num mundo em que o avanço da tecnologia é cada vez mais veloz. Trabalho da área de tecnologia a mais de dez anos e convivo com isso diariamente, posso afirmar que o crescimento de informações e as inovações tecnológicas são assustadoras.

A atualização profissional e tecnológica é obrigatória e constante. Mais em análise um pouco mais profunda percebo que estas facilidades tecnológicas estão acabando com a criatividade humana, bem como seus relacionamentos.

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Por que sofremos? Síntese de Partilha.

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Esta semana em oração o Senhor me deu uma Palavra de consolo: “A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.” Cor 13, 9. Veja mais

Pela primeira vez em quase 2.000 anos, praticamente não existem mais cristãos na cidade antiga de Mossul, Iraque.

Por | FORMAÇÕES

Pela primeira vez em quase 2.000 anos, praticamente não existem mais cristãos na cidade antiga de Mossul, no norte do Iraque, um dos primeiros locais de implantação do cristianismo. Esse é só mais um passo em uma tragédia que nada nos últimos 30 anos parece conseguir deter: a extinção dos cristãos nessa parte do Oriente Médio que viu surgir o segundo grande monoteísmo.

Esse desaparecimento vem ocorrendo em meio à indiferença e à impotência, sobretudo da União Europeia. Uma parte da História está sendo apagada, carregada pela tormenta desse século, em um Oriente Médio sujeito a uma crise aguda de declínio político-religioso.

As notícias de Mossul, que costumava abrigar uma comunidade de 5.000 a 25 mil cristãos, são mais do que entristecedoras. A cidade, assim como todos os antigos vilarejos assírios-caldeus das cercanias, caiu nas mãos do”Estado Islâmico” – o “califado” decretado pelos jihadistas que se apropriaram de parte do Iraque e da Síria.

Os jihadistas desenharam um ”N” – de ”nassarah”, cristãos em árabe – em cada casa visada (FOTO ACIMA). Através de panfletos e alto-falantes, os milicianos deram algumas horas aos cristãos para escolherem: converter-se ao islamismo, pagar um imposto especial para não-muçulmanos ou ir embora. As casas foram ”confiscadas”.

Os cristãos fugiram de Mossul e dos vilarejos dos arredores. No último posto de controle antes do Curdistão vizinho, os jihadistas “pegaram dinheiro, joias, telefones e até as bolsas de roupas e de comida”, contaram os refugiados ao enviado especial do ”Le Monde”. O Vaticano acredita que os jihadistas tenham incendiado o arcebispado siríaco de Mossul.

Com exceção do Líbano, a região inteira está perdendo suas minorias cristãs.

Por generosidade do povo das montanhas, pelo senso tradicional de hospitalidade ou por solidariedade de ex-perseguidos, os curdos, muçulmanos sunitas, têm acolhido os cristãos do Iraque. Irbil, a capital do governo regional do Curdistão do Iraque (GRC), é provavelmente a última cidade do Levante onde se constroem igrejas.

De passagem por Paris, Fouad Hussein, diretor de gabinete do presidente do Curdistão do Iraque, Massoud Barzani, observou que o GRC não recebia nenhuma ajuda por sua hospitalidade – seja da ONU, do Vaticano ou da União Europeia.

O exílio dessas famílias de Mossul é o último episódio do drama vivido pela população cristã do Iraque, uma das mais antigas da região. Segundo várias estimativas, o Iraque contaria com quase um 1,5 milhão de cristãos no final dos anos 1980 (entre 20 milhões de habitantes).

Os anos de embargo da ONU levaram muitos deles a imigrar. Em 2003, no momento da intervenção norte-americana, eles não passavam de 800 mil. Considerados ”pró-americanos”, eles seriam o alvo privilegiado de atos de violência cometidos em nome da luta contra o ocupante. E hoje, eles são quantos? Talvez ainda algumas dezenas de milhares.

Com exceção do Líbano, é toda a região que tem perdido suas minorias cristãs, vítimas da ascensão do islamismo político, das guerras que devastam o mundo árabe, forçadas ao exílio pelas dificuldades econômicas e por um clima político marcado pela intolerância e pelo fanatismo.

Os árabes cristãos não são as únicas vítimas desse expurgo religioso: é todo o mundo árabe que está sendo amputado.

* A reportagem foi publicada pelo jornal Le Monde, e reproduzida pelo portal Uol

Fonte: http://www.comunidadefanuel.com/site/pela-primeira-vez-em-quase-2-000-anos-praticamente-nao-existem-mais-cristaos-na-cidade-antiga-de-mossul-iraque/

O que são células?

Por | FORMAÇÕES

Células são grupos de relacionamento constituídos de 8 até 15 pessoas que se reúnem semanalmente como uma família, e que têm compromisso de participar nas atividades da Igreja local (alguma comunidade maior).

Nelas, vivencia-se os 5 propósitos de Deus para a Igreja – koinonya/comunhão fraterna; liturgia/louvor e adoração; catequese/edificação dos discípulos pela Palavra; martyria/anúncio de Cristo; diakonia/serviço uns aos outros.

A célula é uma comunidade e não uma mera reunião. Todavia, no seu encontro semanal esses 5 propósitos são manifestados, em seus 5 estágios, também chamados de 5?Es: Encontro, Exaltação, Edificação, Evangelismo e Entrega.

Os pequenos grupos ou células sempre fizeram parte do povo de Deus. Veja o exemplo de Moisés (cf. Ex 18, 21) e o testemunho de Jesus, que liderou a primeira célula da Igreja com os doze apóstolos (cf. Mc 3, 14).

1. Onde a célula se reúne?

Priorizamos as reuniões nos lares, mas a célula pode se reunir também em empresas, escolas, salões de condomínios, em qualquer lugar que propicie o bem-estar dos membros.

2. Por que uma célula não pode ter mais que doze ou quinze pessoas?

Porque num grupo maior não há tempo suficiente para que todas as pessoas compartilhem e recebam ministração. Além disto, sendo um dos valores da visão de células o acompanhamento pessoal dos membros, este se torna impossível com um número alto. Por fim, também as casas normalmente não comportam grandes grupos.

3. O que a célula não é:

a) Grupo de devoção
Existem muitos grupos devocionais que se reúnem nos lares. São baseados em práticas religiosas como o terço e as novenas. Certamente têm sua utilidade, mas diferem essencialmente quanto aos propósitos das células.

b) Grupo de oração
Normalmente esse tipo de grupo é composto de pessoas que têm a seguinte atitude: O que o grupo pode fazer por mim? (Emprego, cura, conhecimento…). Um dos estágios da reunião da célula é a oração, mas não é esta a sua maior proposta.

c) Grupo de discussão bíblica
Estes grupos, também conhecidos como círculos, não estimulam a comunhão fraterna tanto quanto uma célula. Além de atender às reais necessidades das pessoas, a célula é uma experiência aberta a acolher novas pessoas, e jamais pode se fechar em si mesma.

d) Grupo de formação
Estes grupos oferecem um crescimento espiritual num ambiente fechado e exclusivista. Na célula acontece o discipulado dos membros, mas ela não pára nisto.

e) Uma pastoral ou ministério
Na Igreja cada pastoral (ministério) tem uma tarefa específica a realizar (por exemplo: canto, serviço aos pobres, acolhida, pregação, ensino etc.). A célula, por ser uma miniatura da Igreja, não se limita a uma ou algumas tarefas da Igreja, mas a cumprir todos os propósitos de Deus, não como um grupo de trabalho, mas como uma comunidade, onde o “ser” sempre vem antes do “fazer”.

Portanto, célula não é um grupo de cristãos fechado (um clube), criado só para algumas pessoas da Igreja (uma panelinha); ela é uma pequena comunidade cristã que tem a multiplicação do corpo de Cristo como objetivo. E embora tenha reuniões, não se limita a elas. Célula não é um dia por semana, mas uma comunidade viva, em ação, onde os membros são comprometidos uns com os outros, dentro e fora das reuniões. Também não são grupos paralelos à estrutura do corpo eclesial (a comunidade maior), mas são justamente a base vivificante deste corpo.

4. Como é uma célula?

Na biologia, a célula não é o corpo todo, mas traz dentro de si todas as informações necessárias para gerar um corpo inteiro. Nesse sentido, célula é a miniatura da Igreja se reunindo nos lares, é uma pequena comunidade e que atua como centro de treinamento ministerial, pois além de seus membros vivenciarem o “amai-vos” (cf. Jo 13, 34), são capacitados para o “ide” (cf. Mt 28, 19).

A célula imprime um estilo de vida, de modo que seus membros não conseguem separar fé e vida. Por isso, testemunham Cristo no meio em que vivem (oikos), penetrando nos variados segmentos da sociedade, como sal e luz (cf. Mt 5, 13-14).

A convivência dos irmãos é o que garante vida à célula. Nela são gerados fortes vínculos de comunhão, de amizade e de aceitação. Algumas células são homogêneas (exemplo: somente casais, só jovens, só mulheres…), outras heterogêneas (integrando pessoas de diferentes sexos e idades).

4 regras de ouro para educar os filhos sobre sexualidade

Por | FORMAÇÕES

Como falo de sexo com o meu filho? Existem dicas que me possam ajudar?

Educar os filhos em aspectos relativos à afetividade e à sexualidade não deve se tornar uma carga pesada e difícil, mas sim uma ocasião de desfrutar da vida familiar e enriquecer a vida cotidiana. Os pais de família são os primeiros e principais educadores de seus filhos também nesses temas.

Os especialistas falam de quatro critérios principais que devem ser levados em consideração na educação no campo da sexualidade.

Primeira regra: chegar a tempo

Neste aspecto é melhor não se enganar: nossos filhos sabem muito mais do que acreditamos. Por isso, é melhor falar “uma hora antes” do que “cinco minutos depois”. Hoje em dia, as crianças lidam com todos os tipos de temas. Grande parte disso se deve à facilidade de acesso à informação através das novas tecnologias. Este fato tem levado a que crianças e adolescentes pesquisem por si próprios, encontrando na maioria das vezes informações erradas acerca do que realmente é a afetividade e a sexualidade.

A primeira fase de comunicação com os filhos deve ser dedicada a escutar o que eles pensam e dizem, ou a interpretar seus silêncios diante de certas situações. Por isso, a necessidade de criar relações próximas com os filhos, de forma que sejam os pais os primeiros a se inteirar do que acontece com eles, mesmo em questões triviais, pois depois virão as questões mais sérias. Se diante das primeiras inquietações as crianças encontrarem a acolhida dos pais, então os filhos confiarão nesta fonte para futuras inquietações sobre sexualidade.

Segunda regra: falar com clareza

Verifica-se que os pais sentem muito temor em enfrentar este tipo de tema e, devido a esse medo, costumam direcionar suas explicações de um modo que as crianças ficam mais confusas do que estavam antes da conversa. Portanto, nesse aspecto, é fundamental que os pais se preparem e leiam sobre o tema, falem com outros pais de suas experiências e consultem um psicólogo do colégio ou de confiança. Aqui o importante é se cercar de fontes bem orientadas e confiáveis.

Terceira regra: oferecer a informação de forma gradual

Não se explicarão os mesmos temas nem os mesmos detalhes a uma criança de 6 anos que a um adolescente de 14. A informação deverá ser oferecida criteriosamente à medida que as crianças vão crescendo e demonstrando maior interesse. Quanto aos menores, é recomendável perguntar-lhes o que querem saber e, a partir daí, dar-lhes uma explicação básica sem maiores detalhes, isso com o objetivo de que possam entender e fiquem tranquilos, porque lhes foi dada a informação que eles solicitaram.

Quarta regra: englobar todos os aspectos, não apenas os físicos

A educação afetiva e sexual deve englobar a totalidade do ser humano, não apenas os aspectos físicos. Trata-se de preparar os jovens para o amor.

Uma adequada educação afetiva-sexual pode marcar a diferença na vida de uma pessoa, por isso é uma responsabilidade exclusiva dos pais. Por último, não podemos esquecer da regra básica da educação: instruir com o próprio exemplo, ser coerente com a ideia de sexualidade que é transmitida aos filhos e vivê-la em concordância.

Por LaFamilia.info

Fonte: ALETEIA.org

São Tiago Maior, grande amigo de Nosso Senhor

Por | SANTOS DA IGREJA

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista.

Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor.

Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros.

Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho:

“Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2).

Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo.

Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Estando um dia com o pai e o irmão a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Segui-me”. João e Tiago imediatamente obedeceram; deixaram o pai e as redes e seguiram Jesus, como fiéis discípulos, para todo o sempre.

Tiago e João eram filhos de Zebedeu e Maria Salomé, que por sua vez era filha de Alfeu ou Cleofas, irmão de São José, e de Maria, Maria de Cleofas. Podemos assim entender a proximidade de Jesus aos filhos de Zebedeu; eles sempre estavam no grupo dos três, Pedro, Tiago e João. Eram, talvez, os mais íntimos.

Podemos entender também o pedido, feito a Jesus, por Maria Salomé de que os colocasse no seu Reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Era um pedido de mãe; porém, provavelmente ela expressou o desejo mais íntimo dos dois apóstolos.

Naquele momento, Jesus, sem considerar o parentesco, repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?”. Eles prontamente responderam: “Podemos”. Por fim o Senhor afirma que tal decisão cabe tão somente ao Pai.

Sempre que Jesus se referia aos irmãos Tiago e João, ele os chamava de “Boanerges”, que significa “Filhos do trovão”. O evangelista Lucas narra um fato que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação e fidelidade ao Mestre.

O fato faz referência à chegada deles a uma cidade da Samaría, quando seu povo não os deixou entrar. João e Tiago viram nisso uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: “Senhor, queres que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade para consumi-la?”.

Jesus mais uma vez chamou-lhes a atenção dizendo: “Não sabeis de que espírito sois animados. O filho do homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las”.

Com Pedro, Tiago e João foram privilegiados, pois estavam com Jesus na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração no Monte Tabor e também no Horto das Oliveiras.

Tiago, o irmão mais velho, sempre foi uma referência para João evangelista e para os demais discípulos, pois era corajoso e determinado. Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade.
Após o nascimento da Igreja institucional, em Pentecostes, Tiago, assim como os outros Apóstolos, saiu para todos os lugares para pregar o Evangelho de Jesus Cristo.

Uma antiga tradição afirma que Tiago viajou para a Espanha e lá plantou as sementes do Cristianismo. Diz-se que antes de partir em missão, os apóstolos visitavam a mãe do Senhor, e dela imploravam suas bênçãos. Nossa Senhora os recomendava ao Senhor e os encorajava na defesa da fé, no Cristo vivo e ressuscitado.

Com Tiago, a Santíssima Virgem manifestou o desejo de ir a seu encontro lá pelas terras da Espanha, dizendo: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por Ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à Fé, edifiques em minha memória conforme eu te manifestar”.

Tendo pregado por algum tempo, dirigiu-se a Saragoça, à margem do Ebro. Lá, converteu ao cristianismo oito varões, com os quais se retirava para orar. Certa noite, enquanto descansavam, ouviram de repente vozes angélicas que cantavam “Ave Maria”.

Tiago e seus discípulos puseram-se de joelhos e eis que viram a Virgem Santíssima entre um coro de anjos e sentada sobre um pilar de mármore. A Mãe do Senhor chamou o apóstolo Tiago e indicou-lhe o lugar onde queria que fosse edificada a sua igreja; disse-lhe que conservasse aquela coluna e a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria ali até o fim do mundo.

Devemos lembrar que a aparição aconteceu no tempo em que a Virgem Maria ainda viva no mundo.
Ainda hoje podemos contemplar o belíssimo pilar na Basílica de Saragoça.

Para o apóstolo Tiago, o pior estava por vir, pois alguns dos seus o traíram e na Páscoa do ano de 42 foi decapitado ao lado de seu acusador que por fim arrependeu-se; estavam a caminho de Jerusalém!
Segundo uma antiga tradição, o bispo Teodomiro de Iria, em princípios do século IX, teria encontrado o corpo do apóstolo Tiago num lugar chamado Campo de estrelas (Compostela).

Foi naquele lugar que o rei Afonso II erigiu, sobre o túmulo do apóstolo uma igreja. Suas relíquias estão guardadas num dos mais conhecidos santuários do mundo – o de Compostela.
Que o apóstolo Tiago, padroeiro da Espanha, nos ensine a fazer a vontade do Senhor e a buscar as bênçãos da Santíssima Virgem, em cada nova missão.