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O poderoso significado da medalha de São Bento

Por | DESTAQUES, SÃO BENTO

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça … que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso.
Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

Encontro Livres de Todo Mal – Com Danilo Gesualdo da Comunidade Canção Nova

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Confira as fotos: do Encontro Livres de Todo Mal – Com Missionário Danilo Gesualdo da Comunidade Canção Nova

Spinner: um brinquedo legal. mas fique atento!

Por | DESTAQUES

Tudo o que você precisa saber sobre o brinquedo que virou febre entre crianças e adolescentes

É sempre assim: de vez em quando surge um brinquedo ou uma brincadeira que logo vira febre entre crianças, adolescentes e até adultos. Quem não se lembra do saudoso ioiô e da mola maluca? E do Tamagotchi, aquele bichinho virtual que você tinha que “alimentar”?

Tudo bem, você não é dessa época? Vamos dar um exemplo mais recente então: o que dizer do fenômeno Pokemon Go? O eletrônico – que propunha a caça com o celular a avatares em lugares reais – fez a cabeça de jovens e adultos do mundo inteiro da noite para o dia. Alvo de críticas, logo desapareceu – assim como tudo o que é modinha. Mas deixou rastros, já que teria provocado inúmeros acidentes.

Agora, a bola da vez é o spinner (ou fidget spinner). Seu filho já te pediu um? Se ainda não, prepare-se porque logo ele vai querer. O brinquedo nada mais é do que uma geringonça de três pontas arredondadas de plástico ou metal. Há modelos coloridos, com 5 pontas e até os que têm luzes. O que todos eles fazem? Nada mais do que girar, girar e girar entre os dedos, conforme é pressionado. (Veja no vídeo abaixo).

Origens

O dispositivo foi desenvolvido nos Estados Unidos durante os anos 90 para ajudar no tratamento de pacientes com autismo e com déficit de atenção. Depois de 20 anos, foi patenteado pela indústria de brinquedos e, agora, com a força da internet e das redes sociais, ganhou fama no mundo todo, principalmente pelo baixo preço e pela facilidade de ser adquirido. Você pode comprá-lo em vários sites, lojas e até no mercado informal. O preço, no Brasil, gira em torno de R$ 10,00. Mas o brinquedinho está envolvido em muitas polêmicas.

Terapêutico?

Algumas pessoas acreditam que este mero brinquedinho pode ter um fundo terapêutico contra o estresse e ajuda no tratamento do déficit de atenção. Em entrevista ao El País, a psiquiatra infantil Beatriz Martinez, disse que não é bem assim. “No momento, vender um spinner como um remédio para transtornos de déficit de atenção é uma fraude. É preciso pesquisar muito mais. É muito preocupante a tendência da sociedade de vender qualquer coisa como terapêutica sem evidências científicas”, afirmou a especialista.

Proibição

Várias escolas dos Estados Unidos e da Europa já proibiram os alunos de levarem o spinner para a sala de aula. Brincar com ele, só se for na hora intervalo. Os professores argumentam que o brinquedo, ao invés de melhorar a concentração dos estudantes, atrapalha, pois eles ficam preocupados em saber quanto tempo o dispositivo ficará rodando entre os dedos e não prestam atenção no que a professora está explicando na lousa.

Acidente

Há algumas semanas, as redes sociais revelaram a primeira vítima do spinner: foi uma criança do Texas, Estados Unidos. De acordo com a mãe, a garota estava brincando com o fidget e engoliu uma peça dele. A menina começou a vomitar e foi rapidamente levada a um hospital. Um exame de Raios-X mostrou a peça no esôfago da criança, que precisou ser sedada para que os médicos retirassem o objeto através de um procedimento de endoscopia.

Apreensões

Em Portugal, 16.000 spinners foram recolhidos do mercado por não informarem a indicação da faixa etária adequada nas embalagens. As autoridades portuguesas proibiram a venda do brinquedo para crianças menores de 3 anos de idade por conter peças pequenas, o que implica o risco de engasgamento.

O que fazer?

Claro, a decisão de permitir ou não que as crianças usem determinado brinquedo é dos pais. E eles devem estar smepre atentos à procedência, aos objetivos e possíveis oferecidos pelos produtos. Não cair nas armadilhas das promessas sem comprovação científica é crucial

Se for permitir que seu filho brinque com o spinner, fique de olho: não deixe que ele o leve para escola, verifique faixa etária recomendada pelo fabricante e, principalmente, monitore o uso para que brincadeira não se torne um vício para os pequenos.

Sabia que a aliança de casamento pode ter a força de um exorcismo?

Por | DESTAQUES

Usá-la sempre é uma excelente proteção

De ferro, prata , ouro ou qualquer outro metal: o anel adquiriu um significado maior do que tinha na antiguidade pagã depois que a Igreja o constituiu em símbolo da aliança indissolúvel entre os casais.

Entre os judeus e os romanos – até mesmo entre os povos pagãos – os homens tinham o costume de colocar um anel no dedinho de sua futura esposa, mas era um anel com um significado diferente. Tratava-se de um voto de confiança, em que o homem entregava à mulher uma réplica do anel ou carimbo pessoal que ele usava no polegar, com o qual lacrava correspondências pessoais e contratos. Era um costume das classes mais abastadas.

Por outro lado, os casais, de qualquer classe social, trocavam anéis nupciais no dia do casamento e costumavam colocá-los no dedo anelar da mão esquerda, bem perto do coração, onde se sente mais o pulsar do órgão poderoso, que simboliza o amor que deve ser somente para Deus.

Pode soar muito romântico e até sentimental, mas o costume que nasceu na Europa do século VI se espalhou por todo o planeta, e, ainda hoje, sob qualquer nominação religiosa ou cultural, os casais trocam anéis e os colocam no dedo anelar da mão esquerda.

Em alguns países, como no Brasil, estes anéis são chamados de aliança e é comum que, no dia do casamento, eles entrem solenemente na igreja sobre uma elegante almofadinha conduzida pelas mãos de um pajem. Durante a aplicação do sacramento, o padre abençoa as alianças e, em seguida, convida os noivos a colocarem-nas mutuamente, repetindo palavras de compromisso, fidelidade e amor.

Claro que esse pequeno cerimonial inserido na solenidade do sacramento não é obrigatório – e sua ausência não invalidaria o matrimônio. Porém, dignificado pela solenidade sobrenatural, como somente a Igreja poderia ter concebido para maior glória de Deus e consolidação do amor conjugal, transmite maior sentido ao contrato mútuo de um casal.

Leia também: “Guardem a minha aliança”: o arrepiante pedido do sobrevivente Alan Ruschel

A aliança de casamento pode chegar a revestir a condição de sacramento autêntico, como o anel do pescador usado pelos papas depois do conclave. Ou como os que recebem os religiosos – desde cardeais, bispos e até freiras.

Abençoada e elevada de categoria, a aliança passa de um simples anelzinho a um instrumento de vida consagrada, uma profissão de vida religiosas, cheia de renúncias e sacrifícios santificantes.

Símbolo de oração da Igreja por seus filhos, a aliança pode até chegar a ter a força de um exorcismo contra tentações e ataques de espíritos malignos que induzem o adultério e a fornicação.

Leia também: Como meu anel de casamento se tornou um sinal de alerta

Usar sempre a aliança, mais do que um ato de amor, fidelidade e dever conjugal, é uma proteção, já que , quando se casa, Deus manda um anjo especial para o casal e sua finalidade é proteger o homem e a mulher individualmente, em função da “uma só carne” que são os dois depois do casamento, até que a morte os separe e no Céu sejam como os anjos. (Marcos 12,25)

 

Por Antonio Borda
Artigo publicado originalmente por Gaudium Press, traduzido e adaptado ao português

As 2 doenças mortais da fidelidade

Por | DESTAQUES

Só a fidelidade que aprende a atravessar e superar as provações nos torna grandes, realizados e felizes

Não sei se você conhece a história de John Henry Newman, uma das personalidades intelectuais e espirituais mais elevadas da história moderna da Inglaterra. Não vou contar a sua biografia. Só resumirei trechos dela em largos traços.

Antes da sua conversão ao catolicismo em 1845, era uma figura de enorme relevo na Universidade de Oxford e na Igreja da Inglaterra: como intelectual, como mestre universitário, como finíssimo teólogo, como o mais amado pregador de Oxford (era presbítero anglicano), como um dos melhores escritores do seu tempo.

Para quem conheça um pouco de história, abandonar o anglicanismo e passar para o “papismo” era, na Inglaterra daquela época, condenar-se ao ostracismo. Teve de deixar Oxford (onde ainda era proibida a presença de católicos), largar seus meios de vida, perder a maioria dos seus amigos e cair na suspeição dos colegas e patrícios.

Foi bem acolhido entre os católicos? No começo, com grande alegria. Mas logo percebeu que não era compreendido. Suas intuições e planos – excelentes, e atualmente aplicados com grande eficácia – para o aprofundamento e a difusão da fé católica entre os intelectuais, criaram suspeições. Um a um, seus projetos cheios de zelo e sabedoria foram sendo sufocados. Também na Cúria romana havia autoridades (especialmente alguns prelados ingleses) que o olhavam com receio. Faz-me lembrar do que diziam a São Josemaria Escrivá personalidades da mesma Cúria, gente boníssima e bem-intencionada, quando ele postulava a aprovação pontifícia do Opus Dei: «É uma obra maravilhosa, mas chegou com um século de antecipação».

Tudo se esclareceu…, quando Newman já era um ancião santo e sofrido. O Papa Leão XIII alegrou-lhe o coração nomeando-o cardeal, a máxima honra que pode receber um sacerdote católico. Bento XVI elevou-o aos altares, beatificando-o no dia 19 de setembro de 2010 em Birmingham – onde passara os últimos anos de sua vida –, numa cerimônia que foi como que uma aclamação coletiva de todos os católicos da Inglaterra e do mundo ao Bem-aventurado John Henry Newman.

Como é que ele encarou os longos anos de incompreensão e de aparentes fracassos, um atrás do outro? Com fé e amor, sem julgar as pessoas que desconfiavam dele. Crescendo na oração e nas virtudes. Oferecendo o sofrimento. Tornando-se um santo. Vários dos antigos amigos sugeriam-lhe abandonar a Igreja católica e voltar ao anglicanismo. Um jornal chegou a anunciar isso como fato consumado. O santo homem reagiu, e publicou um escrito admirável, em que – entre outras coisas – diz:

«Minha fé na Igreja católica não foi abalada nem por um só instante desde que fui recebido em seu seio. Sustento e sempre sustentei que o Soberano Pontífice [o Papa] é o centro da Unidade e o Vigário de Cristo;  sempre tive e continuo tendo uma fé sem restrições em todos os artigos do seu Credo, uma suprema satisfação em seu culto, em sua disciplina, em seu ensinamento, e um ardente desejo, uma esperança contra toda a esperança de que os numerosos amigos que deixei no protestantismo virão um dia partilhar da minha felicidade (…). Retornar à Igreja da Inglaterra? Nunca! “A rede foi rompida e nós estamos livres”. Eu seria completamente louco (para usar um termo moderado) se, em minha velhice, deixasse a “terra onde correm leite e mel” e a trocasse pela cidade da confusão e a casa da escravidão»[1].

A alegria que nasce da fidelidade

Tomamos como paradigma um homem fiel à sua fé e à santa Igreja. A mesma “qualidade” deveriam ter todas as fidelidades da vida. Tanto a fidelidade de um casal a seu compromisso matrimonial, como a fidelidade de um cristão comprometido numa missão apostólica, como a fidelidade de um sacerdote ou religioso à sua vocação…

Falar de “compromisso”! Para muitos é quase um palavrão. Querem é ver-se livres de qualquer amarra, como folha à mercê de todos os ventos. Nada prometem a sério. Nada assumem a sério. O mundo parece estar cada vez mais infeccionado pela doença do provisório.

No entanto, só a fidelidade que aprende a atravessar e superar (não só a aguentar) as provações, nos torna grandes, realizados e felizes. Quem descarta a fidelidade como uma opressão da liberdade, vai morrer como aquele homem do Evangelho, que provocou as risadas do povo, porque principiou a edificar e não pôde terminar (Lc 14, 30). Será um frustrado que se jogou aos sopros variáveis da liberdade mal entendida e acabou caindo no nada.

Naturalmente, para poder saborear a alegria da fidelidade é preciso ter um ideal, um sentido para a vida, superior ao de ceder aos desejos momentâneos: um ideal que nos dê a força de enfrentar, de lutar, de superar; que não nos deixe limitados a reagir, reclamar e fugir.

Duas doenças mortais da fidelidade

            • A fidelidade condicionada

É a da pessoa que, no seus compromissos “vitais” (os que definem o sentido da vida), não sabe dizer um “sim” pleno, como o “faça-se” de Nossa Senhora (cf. Lc 1, 38).

Essas pessoas têm o “sim” poluído pelo “se”, pelo condicional: “Serei fiel, se não ficar difícil continuar, se não for “chato”, se não me cansar de viver com a mesma pessoa ou de fazer as mesmas coisas…”.

A incapacidade de decidir-se a assumir compromissos com fé e fortaleza explica a inconsistência de muitas vidas atuais. Para os egoístas, para os que não querem saber da grandeza do amor, a palavra “assumir” é substituída pela palavra “experimentar”: “Vou experimentar, vou ver se gosto, vou ver se não me canso, vou ver se dá… Se não der, largo tudo”

No livro O senhor dos Anéis, Tolkien coloca na boca de um dos personagens uma frase que deveríamos meditar: «Desleal é aquele que se despede quando o caminho escurece».

Quando escurece, quando as coisas se tornam difíceis, ou as circunstâncias ou as pessoas nos desnorteiam, em suma, quando surge uma crise, é então a hora em que Deus nos dá a oportunidade e a graça de “superar” aquilo e de “superar-nos” a nós mesmos.

Toda crise pode ser uma crise de crescimento (como a da adolescência), ou uma crise terminal (como a do paciente desenganado). O mal consiste em que quase todos encaram como terminais crises que, aos olhos de Deus, deveriam ser de crescimento. Deveriam ser uma fase decisiva da vida, em que aprendemos a despojar-nos da imaturidade, de egoísmos banais, de frivolidade; e vamos trocando esse entulho por virtudes que não tínhamos e agora podemos adquirir: desprendimento, humildade, fortaleza, prudência, doação… As crises são porta aberta para um amor maior, temperado na dor.

Quem não tentou fazer isso, não conhece a felicidade de ser fiel. São Paulo a experimentou de tal modo que, estando preso e a ponto de ser martirizado, escreveu na cadeia o que eu chamaria “o epitáfio feliz de uma vida realizada”: Chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, fui fiel (2 Tm 4, 6-7).

Se a dificuldade, e concretamente o sacrifício que toda fidelidade exige, nos fazem vacilar, estamos à beira de enveredar pelo que Rafael Cifuentes chama “ vocação de vira-lata”[2], que é uma opção de vida extremamente perigosa.

A fidelidade de manutenção 

É  a fidelidade da pessoa que não abandona o barco, mas se limita a “ir tocando” a vida com rotina morna e apagada.

Alguns parecem fiéis por pura inércia. O marido e a mulher continuam juntos no lar, mas sem renovação de sentimentos e atitudes, sem diálogo fecundo e sem novas iniciativas. A alegria da vida familiar soa, para eles, a sonho ingênuo de lua de mel. Que diriam se ouvissem São Josemaria dizer-lhes, como repetia a casais de qualquer idade: «Vocês devem tratar-se como se sempre fossem noivos»?

«Não esqueçam –dizia-lhes ? que o segredo da felicidade conjugal está no cotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria escondida de chegarem ao lar; no relacionamento afetuoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que toda a família colabora; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso enfrentar com espírito esportivo»[3].

Coisas análogas deveriam dizer-se sobre a fidelidade de leigos, sacerdotes e religiosos à vocação e à missão divina com a qual se comprometeram.

A fidelidade de manutenção é, para os mornos, um mero vegetar acomodado. Esqueceram-se da palavra “mais” e da palavra “além”. Como dizia Ernest Hello, «se não existisse a palavra exagero, o homem medíocre a inventaria»[4].

Como evitar essas duas doenças? Entre outras coisas, vendo se conseguimos dar uma resposta positiva (com a cabeça, o coração e as ações) às seguintes perguntas:

? Eu tenho “metas”, ou vou só no embalo; ou seja, proponho-me frequentemente modos concretos – claros e definidos ? de dar mais, de alegrar mais os outros, de ajudar mais, quebrando assim a rotina?

? Trato com Deus desse desejo de superação? Medito, rezo, leio livros de espiritualidade, procuro conselhos e experiências para sair do meu trilho monótono e renovar meus compromissos?

? Se me pedissem que escrevesse num papel os desafios de superação, que atualmente me proponho para dar um salto de qualidade, ou para superar uma crise, deixaria a folha em branco? Quantas linhas poderia preencher?

Quero terminar este capítulo pedindo-lhe que medite as palavras que Cristo utiliza para abrir a porta do Céu a uma alma que foi fiel até à morte. Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Entra na alegria do teu Senhor! (Mt 25, 21).


[1] f. Cf. Paul Thureau-Dangin, Newman católico – A fidelidade na provação, Cultor de Livros, São Paulo  2014, pp. 58-59

[2] A constância, Ed. Quadrante, São Paulo 1989, p. 28

[3] Questões atuais do Cristianismo, 3ª ed. Quadrante, São Paulo 1986, n. 91

[4] E. Hello, L’homme, Ed. Perrin, Paris 1911, p. 60

(Pe. Faus)

A capacidade do perdão.

Por | DESTAQUES

Paz de Cristo.

Estava refletindo hoje sobre a “capacidade de perdoar”. Será que a tenho e a experimento?

O Senhor coloca em meu coração um entendimento. Que é preciso em nossa história, navegar e procurar os “momentos” que ficaram ainda sem um perdão verdadeiro. Acredito que existem casos que por nós mesmos não teríamos capacidade de perdoar, mas a graça do Senhor pode chegar lá e nos ajudar, nos capacitar.

Isso é muito importante. Pois com certeza seremos tentados a usar destas lembranças, na atualidade ou no futuro, para “justificar” algo ou ações contra alguém.

Creio que por isso o Senhor deixou esta ordem na palavra: “Não até sete, mas até setenta vezes sete” Mt 18, 22b. A falta de perdão nos limita, paralisa, estabiliza no sentido de crescimento. Perdoar mesmo é lembrar sem dor, é dar a si mesmo a capacidade de tentar novamente, ajudar de novo e de novo…

A falta de perdão e aceitação dos fatos em nossa história nos tornam por vezes vingativos. Por exemplo: “por que você fez isso, não o ajudarei nunca mais…” “porque me fez isso, farei o mesmo contigo” “por conta disso não farei mais nada na comunidade” Etc.. Usar sempre das lembranças para “não fazer”, não participar, não ajudar…

Como que quiséssemos provar algo a alguém ou a nós mesmos, talvez provar que somos fortes o suficiente. Isso é triste, pois limita nossa capacidade de ser feliz. Sim, a capacidade de perdoar é propriedade dos fortes. Os fracos jamais perdoam. Eles são tão fracos que fingem perdoar para parecerem fortes e dignos do perdão de Deus.

Se eu não pedir e tiver a capacidade de perdoar, como vou querer a e experimentar a misericórdia de Deus em minha vida?

O perdão é essencial para o equilíbrio e para o bem estar psíquico de cada pessoa. Experimente pedir a Deus essa graça e seja livre. Não se sentirá mais diminuído e diminuindo, não viverá se comparando ou lastimando o que perdeu.

Seja livre em Cristo. Perdoe e peça perdão.

Prof viagra online uk cheap. Daniel Oliveira


Veja abaixo um outro artigo Interessante do Blog jrmcoaching

Saber perdoar o outro é a chave para aprender a perdoar a si mesmo também

Perdoar é o processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição.

O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo).

BENEFÍCIOS DO PERDÃO

  • Indivíduos que buscam o perdão e perdoam têm uma vida mais equilibrada e saudável.
  • Perdão pode ser considerado uma forma específica de misericórdia, pois envolve bondade, compaixão ou in­dulgência para com o outro.
  • Perdoar-se fortalece a autoestima, alimenta a autoconfiança e o equilíbrio emocional dos indivíduos.
  • Exercitar o perdão é uma forma de curar mágoas, ressentimentos e projetar o futuro.

O QUE PERDOAR SIGNIFICA SOBRE O INDIVÍDUO?

Que esta pessoa considera o perdão uma força essencial em sua vida e uma forma de libertar a si e ao outro de uma dor causada por erros passados. Antes de conceder seu perdão busca sempre fazer reflexões aprofundadas sobre o assunto ou dispor do auxílio de sua espiritualidade. Julga-se capaz não apenas de conceder o perdão, como também de arrepender-se de suas atitudes e perdoar a pessoa que tenha ofendido ou prejudicado de alguma forma.

Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.

REFLEXÕES IMPORTANTES SOBRE O PERDÃO

  • Com que frequência você concede ou pede perdão?
  • O que lhe faz crer que é uma pessoa misericordiosa?
  • Que fatores o motivam a perdoar alguém?
  • Ao conceder perdão qual a influência de sua espiritualidade?
  • Quais atitudes você considera imperdoáveis?
  • O que sente quando perdoa alguém?
  • E ao ter um pedido de perdão negado. Como você se sente?

UTILIZAÇÃO NEGATIVA DA FORÇA PERDÃO

Quando o indivíduo diz que perdoa uma pessoa por seu erro, mas o faz sem se sentir plenamente confiante que deveria tê-lo feito, está subutilizando esta força, pois na verdade ain­da não se sente pronto para perdoar.

Como consequência disso, mesmo tendo tido a intenção positiva de conciliar a situação, acaba realimentando a mágoa, prejudicando seu bem-estar e a relação com a pessoa que deveria ter sido perdoada e, na reali­dade, não foi.

DICAS DE COMO USAR O PERDOAR POSITIVAMENTE

  • Só peça perdão se realmente estiver arrependido do seu erro.
  • Só conceda o perdão a uma pessoa se, íntima e verdadei­ramente, você já a tiver perdoado por completo.
  • Jamais use perdão para abusar emocionalmente de uma pessoa.
  • Use o perdão para libertar a si e o outro do sofrimento, e nunca para obter vantagens.
  • Liste as pessoas a quem você acha que deve pedir perdão, amadureça a ideia de fazer isso e peça perdão realmente.

7 sinais de pessoas com “depressão escondida”

Por | DESTAQUES

Fique atento: alguém da sua família (ou você mesmo) pode estar ocultando a depressão – ou nem sequer sabe que tem a doença

Existem pessoas que vão levando a vida com “depressão mascarada” ou “escondida“: elas tentam ocultar a sua depressão diante dos outros ou nem sequer sabem (ou não querem admitir para si mesmas) que têm depressão.

Isto acontece porque ainda existem, entre as pessoas, entendimentos vagos ou equivocados sobre esta doença de sintomas complexos, que variam de indivíduo para indivíduo: nem sempre é fácil identificar a presença da depressão em familiares, amigos, colegas ou até em nós próprios. O desconhecimento e os preconceitos a respeito da depressão estão diminuindo, é verdade, mas, mesmo assim, continuam sendo bastante frequentes.

No entanto, até nos casos em que o sofrimento parece “invisível”, ele deixa “sinais” que podemos captar se estivermos atentos.

E estes são 7 sinais de que uma pessoa pode estar sofrendo de “depressão escondida”:

1. A pessoa deprimida pode nem parecer deprimida, mas está constantemente cansada

Muita gente pensa que as pessoas com depressão não querem sair do quarto, ficam desleixadas e andam sempre tristes. Mas a depressão não tem os mesmos sintomas em todas as pessoas. Muitos doentes conseguem demonstrar uma aparência de boa saúde mental, mas, por baixo desse verniz, estão exaustos. De fato, um efeito bastante comum da depressão é um permanente cansaço – e, se o doente não foi diagnosticado adequadamente, nem ele sabe que a causa desse cansaço é a depressão. Talvez ele pense que está apenas com acúmulo de trabalho, ou se culpe por uma suposta preguiça, ou ache que está com “fraqueza”. Um diagnóstico sério é fundamental para dar início à solução deste quadro depressivo.

2. A pessoa deprimida pode se irritar com facilidade

Ainda é comum a ideia de que uma pessoa com depressão seja quieta, amuada, apática. Por isso, muita gente não imagina que a pessoa deprimida pode ficar bastante irritadiça. Mas ela pode; aliás, isso ocorre com frequência, já que ela precisa continuar lidando com as responsabilidades do cotidiano apesar da falta de energias, o que é bastante esgotador. Como o mundo inteiro parece mais acelerado e impaciente hoje em dia, é comum que as pessoas não interpretem essa irritabilidade como sintoma da depressão. E é por isso mesmo que é necessário ficar atento: a irritabilidade pode ser, sim, um sintoma da doença.

3. A pessoa deprimida pode parecer indiferente ao afeto dos outros

O indivíduo com depressão nem sempre se sente triste: muitas vezes, ele simplesmente não sente nada. São relativamente comuns os relatos de pacientes que se sentem frios, indiferentes, “entorpecidos”, e, nesse quadro, eles não reagem a palavras e atos de carinho. Este é outro sinal que pede atenção.

4. A pessoa deprimida pode abandonar atividades que antes gostava de fazer

O desinteresse por atividades antes prazerosas é um indicativo frequente da depressão, já que a doença esgota as energias físicas e mentais, reduzindo drasticamente a capacidade de sentir satisfação. Se não houver explicação plausível para o desinteresse crescente da pessoa por atividades das quais ela gostava, este mesmo fato pode ser um importante sintoma da depressão.

5. A pessoa deprimida pode assumir hábitos alimentares prejudiciais

A alteração dos hábitos alimentares pode ser um efeito colateral do descuido com a própria vida ou até uma tentativa de lidar com a doença: pode ser que o excesso de comida seja uma forma de tentar sentir algum prazer, por exemplo, ou que a perda de apetite seja um indicativo de que até o ato de comer já se tornou insípido e pesado. É comum achar que os maus hábitos alimentares de alguém se devam a mera falta de disciplina, mas eles também podem ser sinais relevantes de depressão clínica.

6. A pessoa deprimida pode se sentir pressionada ou exigida além das suas forças

Uma pessoa com depressão não tem as mesmas disposições de quem está mental e fisicamente sadio. Exigir o que ela não é capaz de fazer só serve para piorar o seu quadro, porque tanto pode perturbá-la e frustrá-la quanto deixá-la envergonhada e magoada. Se é sempre importante ser paciente e compreensivo com todas as pessoas no dia-a-dia, é mais importante ainda ter a sensibilidade de manter a paciência e a compreensão com as pessoas que enfrentam o peso da depressão: elas realmente não conseguem fazer as coisas com a mesma disposição de quem não sofre a doença. Não é frescura! É doença e requer tratamento – e muita paciência.

7. A pessoa deprimida pode oscilar de humor aleatoriamente

A depressão pode ser cheia de altos e baixos, alternando “dias bons” e “dias ruins” sem muita lógica aparente. Geralmente, não se percebe uma motivação específica para as variações de humor: elas podem ser apenas uma forma de manifestação da depressão. É importante prestar especial atenção à falsa impressão de que a pessoa está curada quando passa por uma série de “dias bons”: na verdade, o quadro poderá mudar de repente, reforçando a necessidade de ajuda especializada.

O que fazer se eu me identifiquei com esses sintomas?

Se você identificou esses sintomas em si mesmo ou em alguém que você conhece e concluiu que pode estar com depressão, não se assuste: a depressão é bastante comum em nossa sociedade e é perfeitamente tratável. Não se automedique: é fundamental procurar orientação médica especializada e responsável para que o tratamento seja um sucesso. Experimente consultar um psicólogo para compreender melhor o que está acontecendo; se for necessário, ele encaminhará você a um psiquiatra, que é o médico especializado nos tratamentos com medicação apropriada para reequilibrar o funcionamento do seu sistema nervoso. Junto com o tratamento, alimente a sua mente e a sua alma com motivação e fé, consciente de que essa perda de energias pode ser superada. A sua determinação de vencer e fazer o tratamento com empenho, mesmo que não sinta vontade para nada, é essencial para derrotar a depressão!

Como identificar um falso padre

Por | DESTAQUES

Eles nunca foram ordenados e estão em busca de dinheiro fácil

Em vários países, multiplicou-se o número de falsos sacerdotes que se valem da boa fé dos fiéis para “oferecer seus serviços” em troca de dinheiro fácil.

Apenas o sacramento da Ordem Sacerdotal consagra aquele que o recebe, configurando-o de modo particular com Jesus Cristo e capacitando-o para atuar na própria pessoa de Cristo para o bem de todo o povo de Deus.

Na seguinte nota, é detalhado como identificar um falso sacerdote e as medidas preventivas para evitar ser enganado.

Como reconhecê-lo?

1. Os falsos sacerdotes não têm paróquia nem território designado porque não pertencem à Igreja Católica, portanto, não se encontram nos registros das dioceses.

2. Saem “oferecendo seus serviços” (missas, sacramentos) e é comum que deem de presente cartões de apresentação para que possam entrar em contato com eles.

3. Costumam atuar em lugares distantes da paróquia da cidade como em pequenas comunidades onde não há sacerdotes. É necessário saber que os sacerdotes católicos não podem celebrar casamentos, batizados e, em geral, oficiar Missas fora da paróquia ou um templo público reconhecido.

4. Criam laços de amizade com os paroquianos e ministram “sacramentos” sem ter em conta os impedimentos.

5. Cobram dinheiro ao final da Missa que celebram, “solicitando uma contribuição econômica”.

6. Pedem donativos para algum lar, orfanato ou asilo que não existe. Em alguns casos, até oferecem seus serviços aos próprios sacerdotes para ajudá-los na festa paroquial ou na Semana Santa.

7. Uma grande porcentagem deles são pessoas que estudaram no seminário, mas por diversas razões foram expulsos; outros serviram em alguma paróquia como sacristãos ou simplesmente encontraram uma forma de extorquir os fiéis e até os mesmos presbíteros porque conhecem as celebrações litúrgicas.

Medidas preventivas

1. Buscar na nossa paróquia orientações sobre os requisitos necessários para a celebração dos sacramentos.

2. Em caso da perda de um familiar, recorrer à paróquia mais próxima ao velório ou à nossa própria paróquia para solicitar os serviços correspondentes.

3. Nunca aceitar sacerdotes que se fazem conhecer por cartões de apresentação ou que oferecem “serviços em domicílio”.

4. Exigir do sacerdote a credencial expedida pela diocese correspondente.

5. Se não é possível encontrar um sacerdote, é obrigação dos fiéis se abster das celebrações dos impostores, pois não têm nenhuma validez.

6. Deve-se denunciar o falso sacerdote imediatamente às autoridades eclesiásticas.

7. Advertir outros fiéis a ter cuidado com o impostor.

(via ACI Digital)

Os psiquiatras perguntam, o exorcista responde

Por | DESTAQUES

Os exemplos dados pelo exorcista são fortes, mas não se assuste: Deus é mais poderoso, e o demônio não tem poder sobre quem está unido ao Senhor

1ª- Pergunta – Gostaria de saber se, na sua perspectiva, existem traços típicos que caracterizam as pessoas que, mais tarde, apresentam sintomas de possessão; ou seja, se, entre as pessoas por si diagnosticadas como endemoninhadas, existiam anteriormente comportamentos que as tornavam mais vulneráreis? Ou se a possessão atinge as pessoas ao acaso. Pergunto-lhe ainda se estes fenômenos de possessão também se verificam em ateus ou declaradamente ateus. Uma última curiosidade: já li qualquer coisa a respeito de perturbações especificas ligadas a estes fenômenos, como, por exemplo, a glossolalia (capacidade de falar em línguas desconhecidas) ou a levitação. Já observou casos destes?

Resposta – São várias perguntas interessantes. Começo pela última curiosidade. Sim, já encontrei fenômenos de pessoas que durante os exorcismos falavam outras línguas ou línguas estranhas; também presenciei fenômenos de levitação e de força gigantesca. Mas estes fenômenos sozinhos não são suficientes para poder se afirmar se o caso é de possessão diabólica; são necessárias condições especiais e a integração com outros elementos de avaliação.

Um exorcista está habituado a ver fenômenos estranhos em grande quantidade e de tal maneira que se não os tivesse visto não acreditaria neles. Como, por exemplo, pessoas que durante os exorcismos cospem pregos, vidros, madeixas de cabelos, as mais variadas coisas.

Ou, então, a presença, em travesseiros ou colchões, de ferros retorcidos, de cordas com nós, de trançados muito apertados em forma de terço, de animais pré-históricos feitos de material semelhante ao plástico… O caso mais grave que estou acompanhando é o de uma pessoa de quem o demônio disse que fará vomitar um aparelho de rádio; já vomitou quase dois quilos de material.

Destaco que os objetos vomitados se materializam no instante em que saem da boca. Observei isso claramente num jovem que cuspiu pregos na mão; até o último instante tive sempre a impressão de que cuspia saliva. Assim se explica por que razão a pessoa nunca tem danos físicos, mesmo quando cospe pedaços de vidro grosso e cortante. São fenômenos paranormais. É importante levar em conta a modalidade; certos objetos que encontramos nos travesseiros são sinais evidentes de feitiços, ou seja, são resultados de malefícios.

Respondo agora à primeira pergunta: todas as pessoas podem ser atingidas pela possessão diabólica de manifestação, principalmente os descrentes, os ateus, os não praticantes, porque se encontram mais indefesos.

E o exorcista pode exorcizar quem quer que seja: aos meus serviços, por exemplo, já recorreram muçulmanos, budistas, pessoas sem qualquer tipo de credo religioso. Naturalmente, ao pediram a cooperação necessária, me adapto de acordo com a pessoa que tenho à minha frente: recomendo a cada qual que siga com fidelidade a própria fé religiosa ou as suas convicções morais.

Não existem predisposições dependentes, por exemplo, a fragilidade do sistema nervoso ou a hereditariedade. Pelo contrário, existe o perigo de que uma pessoa se exponha à possessão diabólica, por exemplo, frequentando sessões de espiritismo ou seitas satânicas. É importante saber que a possessão diabólica não é um mal contagioso: não existe perigo algum, nem para os familiares, nem para os lugares que frequentam. Pode se casar, ter filhos, sem nenhum perigo de contágio. Podemos dizer, de um modo geral, que o demônio não pode nos fazer nada sem o nosso consentimento.

Por exemplo, veio me procurar uma moça que, por pura curiosidade, tinha assistido a uma missa negra. Não conseguia estudar, se concentrar e tinha crises repentinas de violência, como nunca havia acontecido antes. Neste caso, a causa era evidente e era uma causa culpável.

A respeito da culpabilidade, excetua-se o campo dos malefícios, em que agora não me aprofundarei por ser um campo bastante vasto e que foge do nosso tema principal. Diga-me se respondi suficientemente a todas as suas questões.

Pessoa que formulou a pergunta:

Sim, sinto-me satisfeito. (Esta é sempre a gentil declaração que ouço após as minhas respostas, por isso, de agora em diante não voltarei a repeti-la. Digo apenas, com a fraqueza que me é habitual, que encontrei mais interesse e mais crédito ao falar a estes grupos de psiquiatras, do que quando falo a grupos de sacerdotes.)

2ª- Pergunta Sobre algumas coisas, admito que estou de acordo com o padre Amorth. Mas já não concordo em considerar equivalente, num certo sentido, a Igreja e o manicômio: o primeiro, como lugar do exorcismo contra o demônio, o outro, como lugar da cura da loucura. Concordo que ambos trabalhem em função do homem.

Procedo do positivismo médico; sou um descrente. Mas acredito no homem, por isso, de um ou de outro modo, trabalhamos para o mesmo fim; o senhor, padre, com o exorcismo e nós, de outra maneira.

Os psiquiatras, por vezes, foram acusados de não saberem fazer a distinção entre uma alucinação, um efeito paranormal e um estado de êxtase. É sempre bom esclarecermos, porque ninguém tem o monopólio do saber. Vem à minha mente a frase de Hamlet: “Existem mais coisas entre a terra e o céu do que as que sonha a nossa vã filosofia”. Por isso que é sempre necessário muita humildade.

Tenho que destacar a prudência que o padre Amorth demonstra. Eu tenho uma paciente que foi ao seu encontro porque supunha que estava possuída pelo demônio. Percorrendo o itinerário que a tinha levado ao exorcista, tive dificuldade em perceber por que razão o padre Amorth não a tinha exorcizado, enviando-a, ao contrário, a um psiquiatra.

Depois, lentamente, fui percebendo a razão: existem duas estradas a percorrer. A sua tarefa é a de expulsar os demônios, a minha é a de reconstruir a pessoa. Esta pessoa, que não é psicótica nem neurótica, teve necessidade de passar pelo padre Amorth antes de chegar até mim. E compreendo também a importância da fé. Todos nós poderemos constatar que temos extrema facilidade em curar pessoas que têm fé.

Alguns dos casos mais difíceis que tratei foram, precisamente, de casos de padres deprimidos. Gostaria de concluir dizendo que existem seguramente pontos de contato entre o exorcista e o psiquiatra, mas também entre o psiquiatra e o médico tradicional.

Resposta – Obrigado pela sua intervenção. Realmente é necessário mútua compreensão para sermos ainda mais úteis para os doentes. Descobrem-se mundos novos. Coisas difíceis de acreditar. Certo dia, o padre Cândido estava exorcizando uma moça, estudante universitária, que apresentava sintomas certos de possessão diabólica, mas também sinais certos de desequilíbrio psíquico.

O padre Cândido pediu ajuda a um amigo e marcaram um encontro. O psiquiatra tinha uma escrivaninha que era muito grande e, por isso, a moça estava sentada à sua frente mas ainda bastante distante. No fim da conversa, o psiquiatra disse a ela: “Menina, vou receitar estes medicamentos para você”, e começou a escrever a receita.

Nesse momento, aconteceu um fato estranho. Sem se mexer da cadeira, a moça esticou o braço, que ficou muito comprido sob o olhar estupefato do psiquiatra (“quase dois metros”, dirá ele mais tarde), pegou a receita que o médico estava preenchendo, rasgou-a e atirou-a para o cesto de lixo dizendo com voz profunda: “Esta porcaria não me serve para nada”. O padre Cândido ria muito ao contar do susto que tinha passado o seu amigo médico, que nunca mais quis saber nada da moça, nem de nenhum outro paciente do exorcista.

São fatos perante aos quais um exorcista não se espanta, pois está constantemente acostumado a lidar com eles. Mas é bom que também o psiquiatra os conheça para poder intervir no âmbito que é de sua competência.

3ª- Pergunta- Antes de mais nada, quero agradecer ao padre Gabriele Amorth por tudo o que nos disse. A minha pergunta é estritamente técnica a respeito da função do psiquiatra nesses casos. Gostaria de saber qual a responsabilidade individual destas pessoas, que interesses tem o demônio; as causas que levam uma pessoa ficar possuída pelo demônio.

Resposta – São três perguntas muito interessantes e sinto ter de resumir as respostas em tão pouco tempo. Começo pela última pergunta, que também esclarece a primeira. São quatro as causas que podem levar à possessão diabólica ou a perturbações de natureza maléfica; duas causas são inculpáveis; por isso não existe responsabilidade; duas causas são culpáveis; por isso a responsabilidade humana é evidente.

  1. A) Pode se tratar de simples permissão de Deus, do mesmo modo como Deus pode permitir uma determinada doença. A finalidade é dar à pessoa uma oportunidade de purificação e de méritos. Poderia apresentar uma longa lista de santos e de bem-aventurados que sofreram períodos de possessão diabólica (Santa Gemma Galgani, a bem-aventurada Ângela de Foligno, o bem-aventurado Padre Calábria…). Pode se tratar apenas de perturbações maléficas, tais como pancadas, quedas ou coisas semelhantes; temos exemplos famosos deste tipo de fenômenos na vida do Santo d’Ars e do Santo Padre Pio.
  1. B) A causa pode ser dada por um malefício de qual se é vítima: não há culpa por parte da vítima, mas existe culpa por parte de quem o provoca. Até mesmo a pessoa mais inocente (por exemplo, um bebê ainda no seio materno) pode ser atingida por um maléfico, que é definido como: fazer mal por meio do demônio.

E pode ser colocado em prática de muitas maneiras: feitiço, pactos, maldições, mau-olhado, macumba… Aqui entramos no grande campo da magia e da bruxaria, que nos levaria para longe do nosso tema. Limito-me a dizer que Deus criou o homem livre; livre até de fazer mal às outras pessoas. Assim como posso pagar a um assassino para que mate uma determinada pessoa, do mesmo modo posso pagar a um indivíduo ligado ao demônio para que faça um malefício contra alguém.

  1. C) Freqüentar pessoas e lugares perigosos. Quem consulta magos, cartomantes, bruxos; quem participa em sessões de espiritismo ou faz parte de seitas satânicas; quem se dedica ao ocultismo, à necromancia (mesmo sob a forma de psicografia, atualmente muito difundida): todas estas pessoas se expõem ao risco (embora na maior parte das vezes não sofra as conseqüências) de receber influências maléficas e mesmo a possessão. É evidente nestes casos a plena responsabilidade do indivíduo, por vezes provocada com absurda vontade: por exemplo, no caso do pacto de sangue com o diabo.
  1. D) Também a quarta causa implica plenamente a responsabilidade do indivíduo. Pode-se cair em malefícios pela persistência, em culpas graves e múltiplas. Creio que é o caso evangélico de Judas, de quem se diz no fim: “Satanás entrou nele”. Tive casos de jovens usuários de droga e sobretudo culpados de delitos e perversões sexuais, culpas graves e persistentes que os tornaram escravos do demônio. Também já experimentei a grande dificuldade que é libertar mulheres que, para além de outros motivos que tinham provocado a possessão, tinham realizado abortos.

Respondo, enfim, a segunda questão: que interesse tem o demônio. Nenhum interesse, mas age por pura perfídia. É a verdadeira falsidade demoníaca, que quer o mal pelo mal, mesmo em próprio dano. Certo dia, interroguei um demônio: “Você paga com um aumento de penas eternas todos os sofrimentos que provocas a estas pessoas. Tem todo o interesse em ir embora o mais rápido possível”. Respondeu-me: “Não me interessam as penas que tenho de sofrer; me basta fazer sofrer esta pessoa e destruí-la”.

Nós podemos compreender, mesmo desaprovando, o delinqüente que mata um homem para o derrubar. Mas nunca chegaremos a compreender a perfídia do demônio que se encarniça contra o homem, eventualmente com o objetivo de desprezar Deus, travando os seus planos de felicidade e bem, mas em dano próprio.

4ª- Pergunta – Na minha longa experiência sempre me abstive de fazer investigação como curioso; procurei sempre, pelo contrario, manter-me atualizado. Hoje vim aqui a convite do prezado Doutor Tamino; e, no entanto, comecei a anotar muitas coisas e a surgirem muitas dúvidas. Vou apresentar apenas algumas.

Antes de tudo, está fora de questão que o psiquiatra, mais do que todos os outros, tem de ter consciência dos enormes limites da ciência. Lembro-me de um grande estudioso francês que falava das vantagens da ignorância, ou seja, de considerar-se ignorante; quando uma pessoa se considera sábia não aprende mais nada.

Gostaria que me dissesse mais alguma coisa a respeito da possessão e dos malefícios. E também a respeito da colaboração que se requer do endemoninhado para que seja curado, o que isso significa? Já tive experiência destas possessões e gostaria de saber, também, a opinião dos outros: é que entre as formas que já encontrei na minha vida profissional e as que hoje aqui foram relatadas, há bem pouco em comum.

Resposta – Muito obrigado. Certamente que o pouco tempo disponível não permite responder completamente a questões tão profundas. Aquilo que relatei não combina com a sua experiência. Seria interessante fazer uma comparação, porém, limito-me a uma observação: os fatos naturais são caracterizados por uma certa repetição que, no fim das contas, permite a formulação de leis, de critérios, também em campo médico.

Deste modo, a partir da experiência, nasce a ciência. Mas aqui não. Não existem dois casos iguais. Mesmo entre exorcistas, as experiências são de tal maneira diferente que por vezes é difícil entendermos.

Mais algumas palavras a respeito da possessão, que é a forma mais grave. O demônio é puro espírito, na realidade, é uma força demoníaca que se apodera de uma pessoa e fala ou age servindo-se dos órgãos desta pessoa, mas valendo-se do seu conhecimento e força. Por isso pode revelar coisas ocultas; pode falar todas as línguas ou línguas que desconhecemos; pode manifestar uma força extraordinária, impossível, humanamente falando.

Um amigo, exorcista em Roma há muito tempo, estava exorcizando um jovem numa Igreja. A certa altura, este jovem levantou-se e começou a subir, a subir até que a sua cabeça tocou no teto da Igreja. Imaginem o terror que experimentaram os que presenciaram a cena, o medo de que o seu familiar caísse de repente e se arrebentasse no chão. O exorcista fez um gesto para tranqüilizá-los e continuou firme com o exorcismo, como se nada de mais estivesse acontecendo.

Mais para o fim das orações, aquele jovem começou a descer lentamente e, no final do exorcismo, já estava de novo sentado. Não percebeu nada. São fenômenos que ocorreram, e que não podem ter explicação natural. Mais difícil é verificar a relação com os malefícios.

Já a Bíblia diz, no livro do Êxodo, quando descreve que os fatos prodigiosos que Moisés realiza perante o Faraó, por ordem de Deus e com a força de Deus, também são realizados pelos magos, com a força do demônio: transformar a água em sangue, o bastão em serpente, provocar a invasão de rãs… O demônio também tem o poder de provocar doenças.

Jesus curou muitos surdos e mudos, que tinham sido atingidos por malefícios; certa vez, curou um surdo-mudo expulsando o demônio que tinha se apoderado dele: neste caso, o mal era resultante de uma presença demoníaca.

O padre Cândido, com seus exorcismos, curou muitas doenças e, até, tumores no cérebro. Já me aconteceu, várias vezes, fazer desaparecer cistos dos ovários, na véspera de uma operação. Naturalmente que são fatos que ocorrem apenas a pessoas já afetadas por malefícios.

O Evangelho sugere o critério: a árvore é conhecida pelos frutos. Até os médicos, muitas vezes, fazem experiências com os medicamentos e percebem que, se um dá resultado positivo, prosseguem com esse tratamento; caso contrário, substituem-no. Eu costumo ser abrangente na administração dos exorcismos e, depois, para avançar, me prendo ao efeito provocado.

Uma palavra também sobre a colaboração que se espera de uma pessoa possessa. Estamos em um campo no qual a cura é a oração, é a intervenção divina. Por isso, pedimos a quem é vítima de malefícios que se reconcilie com a lei de Deus(freqüentemente o ponto de partida é uma boa confissão), que intensifique a oração e a freqüência aos sacramentos, que aprofunde a própria cultura religiosa. E estes meios comuns da graça não são apenas de ajuda; por vezes, são suficientes para fazerem cessar as perturbações.

5ª- Pergunta – Existem possessões mais ou menos graves? O demônio pode dar poderes, benefícios?

Resposta – Existe uma vasta série de possessões diabólicas, diferentes em intensidade e em manifestações. Existe diferença de intensidade.

Veio me procurar, uma jovem de 15 anos, que há alguns dias tinha ido assistir, por curiosidade, a um ritual satânico. De volta para casa, ficou furiosa, dava pontapés e arranhava os familiares que procuravam detê-la, cuspia neles.

Foram suficientes poucos minutos de exorcismos para que fosse completamente libertada. Outras vezes, somam-se várias causas, em diferentes idades da vida, e quando a pessoa vem procurar o exorcista é necessário sanar toda uma série de feridas, exigindo, deste modo, um tratamento de muitos meses, freqüentemente muitos anos, para atingir a plena libertação.

            Existem também grandes diferenças nas manifestações externas. Cito dois casos extremos. Há pessoas que se tornam furiosas, com uma força sobre-humana, gritam e procuram se atirar contra os presentes; contudo, também já tive casos de absoluta imobilidade e silêncio, com uma total falta de reações externas, que exigiram grande esforço e a colaboração de muitos elementos para compreender que se tratava realmente de uma possessão diabólica. Entre estes casos extremos, há espaço para uma série de variações intermediarias.

Outra situação é a de quem consegue realizar completamente os seus compromissos profissionais e familiares, e afazeres de modo que ninguém tome conhecimento do seu mal; diferente é a condição de quem não é capaz de fazer nada, de quem tem necessidade de assistência contínua e, por isso, sente um tédio mortal para com a vida.

Passando à outra pergunta: sim, o demônio pode dar poder e benefícios. É o que faz, por exemplo, com todos os magos e bruxos: o poder da adivinhação e de provocar perturbações; pode também dar vantagens materiais de riqueza, sucesso, prazeres.

Mas uma vez que o demônio apenas pode fazer mal e querer o mal, combina sempre estes dons com grandes sofrimentos. Por isso, aqueles que pedem dons a satanás fazem um péssimo negócio: vivem o inferno já nesta terra e, se não se converterem, irão vive-lo na outra vida também.

6ª- Pergunta – Vamos dar um exemplo: uma pessoa possuída pelo demônio recebe um mal físico que exige intervenção cirúrgica; quais são as conseqüências?

– Pode haver conflito entre um exorcista e um médico, com evidente prejuízo ao paciente, se o exorcista considerar que se encontra diante de um malefício, que pode ser curado com o exorcismo, e o médico considerar, pelo contrário, que se trata apenas de um mal natural, que deve ser curado por via médica?

Resposta – São possíveis surpresas, mas não são possíveis conflitos entre médicos e exorcistas. Esta, pelo menos, é minha experiência pessoal e dos exorcistas que conheço.

Surpresas: tive alguns casos nos quais o cirurgião, dando continuidade aos preparativos para a operação, não encontrou nada daqueles males que as análises, a ecografia, a TAC e a ressonância magnética revelaram. Em todos os casos, havia um mal (por exemplo, cistos), mas que surgiram imediatamente após a operação. Mas são casos muito raros.

Já no que diz respeito à possibilidade de conflito entre médicos e exorcistas, nunca tive conhecimento de nenhum. Isto porque, fundamentalmente, trabalham em campos diferentes. Jamais me senti no direito de dizer a um médico o meu parecer, ou de interferir nas decisões dele. Na maior parte das vezes, tive casos em que suspeitava de malefícios e esperava que se evitassem determinadas intervenções cirúrgicas; e, de fato, ocorriam mudanças nos dados das análises, o que levava os cirurgiões a decidirem não intervir.

Posso dizer que me encontrei muitas vezes a colaborar, indiretamente, com os médicos, sem que nunca nos encontrássemos e sem que eles soubessem da minha existência ou do fato que o paciente recebia exorcismos realizados por mim. Creio que este também é um importante ponto de encontro, embora inconsciente: o respeito mútuo que faz com que cada qual atue na própria área de intervenção; e o encontro é dado pelas vantagens que o doente recebe, sendo beneficiário tanto dos cuidados médicos como da intervenção dos exorcistas.

7ª- Pergunta – Uma curiosidade pessoal. Gostaria de saber com que critérios de escolha é que chegou a este tipo de atividade, e se sofreu danos pessoais. E, antes ainda, gostaria de saber da cultura, do ambiente onde vive; por exemplo, a comparação de alguém que vive em Londres com alguém que vive em uma tribo africana.

Resposta – Considero muito importante fazer estas distinções.

A cultura pessoal e o ambiente, mais ou menos avançado, em que se vive, não têm nenhuma influência nem sobre as eventuais perturbações, não têm nenhuma influência nem sobre as eventuais perturbações, nem sobre os remédios que as pessoas procuram nos exorcistas ou nos magos e nos bruxos.

Tanto nós, como eles, somos visitados por operários, agricultores, domésticas, profissionais liberais, industriais, políticos… Tive o caso de um engenheiro eletrônico que tinha pago vinte mil euros por um amuleto (um saquinho com um cordel cheio de nós), que devia tê-lo libertado de todos os seus problemas.

O progresso técnico e a cultura não têm qualquer influência; verificamos a existência deste fato por todo o lado: tanto na Inglaterra como em Portugal, nos Estados Unidos como na África ou na Índia.

Também a religião tem pouca influência e convive tranquilamente com as várias formas de superstição, embora as combata como pecados de idolatria. As pessoas vão à igreja e depois à bruxaria, com a maior naturalidade.

Sabemos que no mundo tecnicamente mais evoluído, a página dos jornais diários mais lida é a do horóscopo; foram feitas estatísticas bem precisas a este respeito.

Não esqueçamos que a luta contra o demônio e contra os espíritos maléficos foi sempre conduzida, junto de todos os povos, ainda antes que existisse o povo judeu; naturalmente que cada qual seguia as convicções e os métodos do seu ambiente cultural.

O surgimento do cristianismo e de outras grandes religiões tiveram escassa influência na mudança da mentalidade.

Agora respondo à pergunta sobre como me tornei exorcista. Foi por acaso; não foi uma escolha minha. Tinha ido visitar o Cardeal Hugo Poletti, para cumprimentá-lo e alegrá-lo um pouco com a minha maneira brincalhona de ser, quando no meio da conversa surgiu o nome do padre Cândido Amantini: Você conhece o padre Cândido: Doente como está precisa mesmo de alguém que o ajude”.

Começou a escrever numa folha (evidentemente que me conferia a condição de exorcista), sem prestar atenção aos meus protestos. Acrescento também que danos à minha pessoa nunca sofri; trato o demônio com a autoridade porque é ele que tem medo de mim e de qualquer homem, criado à imagem de Deus. Muito mais, tem medo de um cristão, que a partir do Batismo ficou com o selo da Santíssima Trindade.

8ª- Pergunta – Muitas pessoas falam demais sobre os demônios. Porque não falar, igualmente, dos espíritos bons, já que também existem?

Resposta Você tem razão. O demônio sempre se fez notícia; os anjos, pouco. Recordo-me daquele provérbio chinês, que agora também está de moda entre nós: “Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce”.

Os anjos existem, são muito mais ativos do que os demônios e, na outra vida, poderemos verificar de quantos perigos nos defenderam; até de perigos materiais.

Quando penso, por exemplo, nas imprudências e nos riscos que consegui superar em quarenta anos da carta de habilitação, conduzindo nem sempre da maneira mais correta, tenho mesmo que agradecer ao meu anjo da guarda.

Mas tomar consciência do bem é mais difícil do que percebermos o mal. Até no campo dos males físicos: lamentamo-nos se temos um mal (por exemplo, dor de dentes) e não pensamos em todos os nossos órgãos que funcionam bem.

Agradeço à pergunta que me apresentou porque me permite recordar que os anjos existem; defendem-nos dos perigos, dão-nos boas inspirações, ajudam-nos nas nossas atividades, apóiam-nos na adversidade. É realmente injusto não falar mais sobre eles.

9ª- Pergunta Mais uma pergunta sobre a ação do demônio. Certamente que não tem interesse algum em encontrar-se com um exorcista. Gostaria de saber se os endemoninhados vêm ao seu encontro espontaneamente ou a força.

Resposta A pessoa endemoninhada sofre, e deseja ir ao encontro do exorcista para ser curada, ou seja, libertada. Mas é verdade que encontra dificuldades, especialmente no último momento. Em muitos casos, se os atingidos não forem ajudados não conseguem chegar ao exorcista.

Durante os exorcismos o demônio fica mais feroz do que em qualquer outro momento. E então, antes de começar o exorcismo, começam as perturbações. Há quem chegue até mim serenamente e não apresente dificuldades iniciais; há quem chegue até mim em estado de transe, tendo sido mesmo arrastado a força durante a última parte do trajeto; há quem gostaria de fugir enquanto espera pelo exorcismo, e fugiria mesmo se não fosse agarrado. E há quem sai de casa para vir se encontrar comigo, mas depois não consegue mudar a direção.

Depois, e de um modo geral, no fim do exorcismo as pessoas regressam as suas casas, serenas, contentes por terem vindo; em todo o caso, mesmo percebendo as vantagens do exorcismo, sentem tantas dores durante o desenrolar do ritual que acabam até dizendo: “Aqui é que eu não volto mais!” Mas, pelo contrário, são as pessoas mais fieis em regressar.

Acrescento que é muito importante o auxílio que depois o possuído dá a si próprio (através da oração, da freqüência aos sacramentos…) ou que recebe dos outros: bênçãos, orações de libertação, etc.

10ª- Pergunta – Mas é assim, tão importante, a colaboração da pessoa endemoninhada? Se há uma presença externa que não depende dela, deveria poder ser libertada.

Resposta Sim, a colaboração é muito importante. Eu costumo dizer, dado que já quase toda gente tem experiência destas coisas, que é um pouco como libertar um toxicodependente: se colaborar pode chegar à cura, caso contrário, não. Digo-o também ao interessado: a luta e a vitória contra o demônio é você quem a conduz; é você que se liberta, eu apenas posso lhe ajudar. Porque aqui é necessário a ajuda de Deus: quem liberta é o Senhor. E obtém-se auxílio quando se reza e quando se afastam os obstáculos a ação da graça: por uma injustiça grave que deve ser reparada. Para obter o auxílio de Deus a oração é fundamental. Digo muitas vezes que o maior obstáculo que nós exorcistas encontramos é a passividade das pessoas, a pretensão de ser libertado sem o esforço próprio.

11ª- Pergunta – Gostaria de voltar à tipologia de fenômenos de que se falou, como a glossolalia, a levitação, etc. São fatos que me impressionam porque já pude observá-los em outro contexto completamente diferente do da possessão diabólica; encontramos exemplos destes fenômenos na literatura psicanalítica.

Carl Jung fala a este respeito e dá uma explicação em que formula a hipótese de forças e energias que se libertam. Parece-me que o Padre Amorth faz a distinção entre fenômenos demoníacos, fenômenos paranormais e fenômenos psiquiátricos. Esta distinção baseia-se numa evidente diferenciação fenomenológica que, porém, possui igual substancialidade energética, ou trata-se de uma diferenciação substancial em que se liberta uma energia totalmente diferente, de outra natureza?

Resposta A diferença é substancial porque há uma substancial diferença de causa. Nos fenômenos de natureza maléfica, a causa é a presença do demônio e a eventual energia que se liberta provém do demônio. Por isso, só a oração e os exorcismos não são eficazes e os males continuam, quer dizer que a causa é diferente: psíquica ou parapsicológica. Por isso, não se trata de energias de intensidade diferente, mas de energias de natureza diferente, de proveniência diferente.

12ª- Pergunta – No caso que citou, do levantamento de um grande peso, pareceu-me entender que na sua perspectiva não existe uma diferente intensidade de força, mas trata-se apenas de um fenômeno de natureza diferente.

Resposta Exato. Neste momento, estamos perante a dificuldade que existe em catalogar determinados fenômenos. Porque mesmo que a fenomenologia seja idêntica, a causa pode ser substancialmente diferente.

Foi por este motivo que citei o exemplo bíblico de Moisés que, com a força de Deus, realizava os mesmos prodígios que depois dos magos egípcios realizavam com a força do diabo. Podemos-nos encontrar perante dois fenômenos idênticos: um de caráter maléfico e o outro de caráter paranormal.

Como podemos distinguir a causa que os diferencia? Antes de mais a modalidade de manifestação. Por exemplo, se uma pessoa manifesta uma força anormal apenas durante o exorcismo. E, mais, se existem, eventualmente, outros fenômenos suspeitos. Por exemplo, se a mesma pessoa, durante os exorcismos, quando é aspergida com água-benta, reage como se estivesse a ser queimada.

Certamente que isto não acontece com pessoas que estão experimentando certos fenômenos de caráter parapsicológico. Acrescento ainda: a eficácia dos meios de cura.

Se uma pessoa age sob a influência de poderes maléficos, os exorcismo produzem efeito na pessoa, enquanto que as outras curas de índole natural não produzem efeitos.

A ciência médica e os poderes parapsicológicos (como a pranoterapia, por exemplo) influem sobre os poderes naturais, mas não produzem qualquer efeito sobre os maléficos. Também por isto se vê que a diferença é substancial e não apenas fenomenológica.

(Extraído do Livro “Exorcistas e Psiquiatras” – Pe. Gabriele Amorth – Ed. Palavra & Prece. Via Derradeiras Graças)

História do Papa João Paulo II e o misterioso morador de rua.

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Em entrevista, o Papa Francisco volta a falar sobre a conhecida história de seu antecessor. Vale a pena relembrá-la

O Papa Francisco não é o primeiro papa a ter compaixão para com os moradores de rua, como ele próprio atesta.

Em uma nova entrevista para uma revista italiana dirigida por pessoas sem-teto, “Scarp de ‘tenis”, o Papa Francisco relata uma famosa história contada no Vaticano sobre o Papa João Paulo II e um misterioso morador de rua .

Como a história talvez seja menos conhecida fora das paredes do Vaticano, aqui nós a compartilhamos com nossos leitores. Abaixo está um trecho da entrevista.

Pergunta: Sua Santidade, quando o senhor encontra um morador de rua, qual é a primeira coisa que você diz a ele?

Papa Francisco: “Bom dia. Como você está?” Às vezes, trocamos algumas palavras, outras vezes entramos em um relacionamento e escutamos histórias interessantes:”Estudei em uma escola católica; Havia um bom padre … “Alguém poderia dizer: por que isso me interessaria? Mas as pessoas que vivem na rua compreendem imediatamente quando há um interesse real por parte da outra pessoa, ou quando há – eu não quero dizer “esse sentimento de compaixão”, mas certamente um sentimento de dor. Pode-se ver um morador de rua e olhar para ele como uma pessoa ou como um cão. E eles estão bem conscientes dessas diferentes maneiras como são vistos.

Há uma história famosa no Vaticano sobre um morador de rua, de origem polonesa, que normalmente ficava na Piazza Risorgimento em Roma. Ele não falava com ninguém, nem mesmo com os voluntários da Caritas que lhe traziam uma refeição quente à noite. Só depois de muito tempo conseguiram que ele contasse sua história: “Eu sou um padre. Conheço bem o seu papa. Nós estudamos juntos no seminário”, disse ele. Estas palavras chegaram a São João Paulo II, que ouviu o nome do morador de rua, confirmou que estava no seminário com ele, e queria conhecê-lo. Eles se abraçaram depois de 40 anos, e no final do encontro o Papa pediu para o sacerdote, que tinha sido seu companheiro no seminário, ouvir sua confissão. “Agora é a sua vez”, disse o Papa João Paulo II. E o Papa confessou-se com seu companheiro do seminário. Graças ao gesto de um voluntário, uma refeição quente, algumas palavras de conforto e um olhar de bondade, esta pessoa foi recuperada e retomou uma vida normal que o levou a se tornar um capelão de hospital. O papa o ajudou. Certamente este é um milagre, mas também é um exemplo para dizer que os os moradores de rua têm uma grande dignidade.

Na sede da Cúria de Buenos Aires, sob uma porta entre as grades, vivia uma família e um casal. Eu os encontrava todas as manhãs no meu caminho. Eu os cumprimentava e sempre trocava algumas palavras com eles. Eu nunca pensei em levá-los embora. Alguém me disse: “Eles sujam a Cúria”, mas a sujeira está dentro. Eu acho que precisamos conversar com pessoas com grande humanidade, não como se tivessem que nos pagar uma dívida, e não tratá-los como se fossem pobres cães.

Qual é a diferença entre um sacerdote, um frade e um monge?

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As palavras “sacerdote”, “frade” e “monge” são termos ambíguos e flexíveis. Na linguagem popular, são aplicados sem propriedade, como se os três fossem equivalentes. No entanto, não querem dizer a mesma coisa.

Um sacerdote, na Igreja Católica, é um homem que recebeu o sacramento da Ordem Sacerdotal e que, em virtude de tal sacramento, pode celebrar o sacrifício da Missa e realizar outras tarefas próprias do ministério pastoral. Pode pertencer a uma ordem ou família religiosa, ou a uma diocese.

Um monge ou frade, no entanto, é uma pessoa que fez os votos de pobreza, castidade e obediência e pertence a uma congregação ou família religiosa concreta (franciscanos, jesuítas, dominicanos etc.). Pode coincidir, além disso, de que tal religioso seja um sacerdote, mas não necessariamente. Sua vocação não é obrigatoriamente ao sacerdócio.

Mas qual é a diferença entre um monge e um frade? Isso tem a ver com a origem de cada palavra: “monge” vem do latim tardio “monachus”, palavra para designar os anacoretas, e que já em sua raiz tinha implícito o significado de “solidão”.

Isso se relaciona ao surgimento das primeiras experiências de vida contemplativa (nos séculos IV-VI d.C.), como, por exemplo, os Padres do Deserto, eremitas que abandonavam o mundo e viviam no deserto, ou São Bento de Núrsia, fundador da ordem religiosa mais antiga do Ocidente, os beneditinos.

Um monge, portanto, é um termo mais adequado para referir-se a homens consagrados que vivem em conventos, dedicados inteiramente à oração e à penitência. É o caso das ordens contemplativas, como a dos Cartuxos.

Frade, por outro lado, é um termo mais moderno, que procede da Idade Média (do provençal “fraire”) e significa “irmão”. A palavra “frade” é empregada para ordens dedicadas à vida ativa, como os franciscanos ou hospitalários.

O uso desta palavra se relaciona ao surgimento das ordens mendicantes na Baixa Idade Média, que supuseram uma grande mudança na vida religiosa: estes novos religiosos já não se fechavam em conventos afastados das pessoas para se dedicar à oração, senão que estavam nas cidades, dedicados aos pobres, ao ensino, aos doentes etc.

Reconhecimento Diocesano da Comunidade Católica Fidelidade

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Compromisso missionário é renovado na missa de reconhecimento da Comunidade Católica Fidelidade.

Na manhã deste sábado, (04/02), foi celebrada na Catedral Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Santo André, a Missa em Ação de Graças, presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini em reconhecimento dos estatutos canônicos da Comunidade Católica Fidelidade, mantenedora da Casa da Missão São Bento, que tem sua sede na Rua Giuseppe Venturini, 180, no Battistini, em São Bernardo do Campo. Para conhecer a ação e o carisma desta comunidade que existe há dezesseis anos acesse: www.comunidadefidelidade.com

O bispo diocesano assinou o Decreto erigindo a Comunidade Católica Fidelidade no dia 5 de setembro de 2016, confirmando o Sr. Daniel Tadeu de Oliveira para agir na função de Superior. O estatuto da entidade foi entregue à Dom Pedro durante a celebração eucarística.

O Carisma de fundação é “Ser Santo para tornar o mundo mais Santo”, vivendo a Palavra: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.

Fonte: http://www.diocesesa.org.br/