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PALAVRA DA IGREJA

“Quando tudo se torna pecado: isso é corrupção”, afirma o Papa

Por | PALAVRA DA IGREJA

Jesus, que julga com misericórdia, é a plenitude da lei”, disse o Papa Francisco na missa matutina celebrada, nesta segunda-feira (03/04), na Casa Santa Marta.

“Diante do pecado e da corrupção, Jesus é a “plenitude da lei”. O Papa refletiu em sua homilia sobre o Evangelho de João que propõe o trecho em que Cristo, a propósito da mulher surpreendida em adultério, diz a quem a acusa: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.”

O Pontífice se deteve também na Primeira Leitura, extraída do Livro do Profeta Daniel, dedicada a Susana que foi vítima de dois juízes anciãos do povo que orquestraram contra ela um “adultério falso, fictício”. Ela é obrigada a escolher entre “fidelidade a Deus e à lei” e “salvar a vida”: “era fiel ao marido”, disse o Papa, “talvez tivesse outros pecados, pois todos somos pecadores”. “A única mulher que não tem pecado é Nossa Senhora”.

Nos dois episódios se encontram “inocência, pecado, corrupção e lei”, pois nos dois casos os juízes eram corruptos”.

“Sempre existiram no mundo juízes corruptos. Existem também hoje em todas as partes do mundo. Por que a corrupção chega a uma pessoa? Porque uma coisa é o pecado: Eu pequei, escorreguei, sou infiel a Deus, mas procuro não fazer mais ou procuro me ajeitar com o Senhor ou pelo menos sei que isso não é bom. Outra é a corrupção. Existe corrupção quando o pecado entra, entra na consciência e não deixa lugar nem mesmo para o ar.”

Quando tudo se torna pecado: isso é corrupção. “Os corruptos pensam em fazer bem com a impunidade. No caso de Susana, os juízes anciãos “foram corruptos dos vícios da luxúria”, ameaçando-a de testemunhar falsidades contra ela. “Não é o primeiro caso”, refletiu Francisco, “que nas Escrituras aparecem falsos testemunhos. Isso nos recorda Jesus, condenado à morte por falso testemunho”.

No caso da verdadeira adúltera, quem a acusa são outros juízes que “tinham perdido a cabeça” fazendo crescer neles uma interpretação tão rígida da lei que não deixava espaço ao Espírito Santo”: ou seja, a corrupção da legalidade, legalismo, contra a graça”. Depois, temos Jesus, verdadeiro Mestre da lei diante de falsos juízes que tinham o coração pervertido ou que davam sentenças injustas “oprimindo os inocentes e absolvendo os malvados”:

“Jesus diz poucas coisas, poucas coisas. Diz: ‘Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra’. E à pecadora diz: Eu não te condeno. Não peques mais’. Esta é a plenitude da lei, não a dos escribas e fariseus que tinham a mente corrompida, fazendo várias leis sem deixar espaço à misericórdia. Jesus é a plenitude da lei e Jesus julga com misericórdia.”

“Deixando livre a mulher inocente, a quem Jesus chama de “Mãe” porque, explicou Francisco, “a sua mãe é a única inocente”, saem palavras não bonitas da boca do profeta em relação aos juízes: Encarquilhados nos vícios, no mal. O Papa convidou a pensar na maldade com a qual os nossos vícios julgam as pessoas:

“Nós também julgamos no coração os outros, hein? Somos corruptos? Ou ainda não? Parem. Paremos e olhemos Jesus que sempre julga com misericórdia: Eu também não te condeno. Podes ir em paz, e não peques mais.”

(Rádio Vaticano)

Aleluia, Cristo ressuscitou – Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Todos os cristãos podem dizer: Aleluia, Cristo ressuscitou. Depois do período quaresmal, podemos aclamar o Filho de Deus que venceu a morte e nos deu vida nova. Assim, como em todo o mundo, o bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, presidiu a Santa Missa da Vigília Pascal, no Sábado Santo (dia 31), que os fiéis celebraram o Cristo ressuscitado, na Catedral do Carmo. O pároco e vigário local, Pe. Joel Nery e Pe. Giacomo Pellin, respectivamente, concelebraram.

Vale destacar que esta Missa solene, considerada a ‘mãe de todas as vigílias’, é cheia de detalhes e divida em quatro partes:

– a liturgia da luz ou ‘lucernário’ (abençoa-se o “fogo novo” do qual é aceso o círio pascal, vela que simboliza o Senhor ressuscitado);

– a liturgia da Palavra (sete leituras do Antigo Testamento, que narram a história da salvação do povo de Deus e duas leituras do Novo Testamento, dentre estas o Evangelho da ressurreição de Jesus);

– a liturgia batismal (renovação das promessas batismais de todos os fiéis);

– a liturgia eucarística;

E o triunfo de Cristo é graças à Sua obediência, recordou Dom Pedro, e que os cristãos precisam se espelhar no Filho do Homem. “Jesus obedeceu ao Pai, ouviu Sua Palavra, foi humilde e entregou Sua vida. Jesus demonstrou este Deus, que cria tudo com perfeição”, destacou bispo.

O pastor do Grande ABC ainda ressaltou que a ressurreição marca um mundo novo. “Quem participa desta vida nova? Aqueles que seguem Cristo ressuscitado. Quem com Cristo morre, com Ele será glorificado”, frisou Dom Pedro, que pediu para os fiéis não deixarem ser enganados por outras mensagens. “Não deixemos o mundanismo entrar na nossa vida. Um mundanismo em que a vida é prazer, poder, fama, quantos cristãos entram nessa”, completou.

Segundo Dom Pedro, os fiéis também podem sofrer por viverem a fé. “Cristo morreu na cruz porque era bom. O cristão também é perseguido por ser bom, por não aceitar o pecado, fugir do pecado”, disse ele, que, porém, ressaltou: “Ninguém tapeia Deus. Com Deus ninguém pode. Deus sempre vence. Não tenhais medo de seguir Jesus”, frisou.

Texto: Thiago Silva

Fotos: Thiago Santos

Fonte: https://diocesesa.org.br/2018/04/02/aleluia-cristo-ressuscitou/

Fátima: Lugar Sagrado – Dom Pedro Carlos

Por | PALAVRA DA IGREJA

Fui como peregrino a Fátima (Portugal) para celebrar quarenta anos de serviço sacerdotal a Jesus.

A acolhida dos portugueses aos peregrinos é muito cordial e torna melhor a estadia. Logo na chegada destaca-se a torre da basílica no fundo da enorme praça na qual do lado esquerdo se encontra a capelinha das aparições, no exato local onde os três pastorinhas tiveram seu encontro com a mãe de Jesus.

Na frente da capelinha o nicho de vidro com a imagem de nossa senhora sinaliza o local onde estava a azinheira sobre a qual as crianças viram Nossa Senhora e falaram com ela. Tudo aconteceu entre maio e outubro de 1917. Corria solta a primeira guerra mundial e quatro dias após a última aparição a revolução comunista explodiria na Rússia, com seu rastro de violência e ateísmo. Antes de seu início, Nossa Senhora já prediz aos pastorinhos a falência do socialismo ateu cuja derrocada aconteceu em 1989 com a queda do muro de Berlim (Alemanha).

As crises que antecederam este acontecimento foram muitas e marcantes. O mundo passou por outra guerra, mudou muito. Enfim o que dizem os acontecimentos de Fátima? Para compreender um pouco é preciso conhecer a história das três crianças e o ambiente onde eles viveram. Tive oportunidade de visitar o lugarejo de Aljustrel onde ainda se conservam as casas onde moravam. Jacinto, que morreu alguns anos após as aparições, e sua irmã Lucia, que se tornou carmelita e morreu com 98 anos. Eram primas de Francisco, que também morreu alguns anos após as aparições. Este local e os arredores desta aldeia ainda transmitem, de certo modo, o clima da época.

Pude conversar com uma sobrinha de Lucia e Jacinta, já bastante idosa que mora há mais de noventa anos na casa vizinha à de Lucia. Na conversa o que dizia repetidas vezes era: “Devemos confiar em Deus. Tudo o que ele faz é bom”. Penso que a mensagem final de Fátima é esta. A História está nas mãos de Deus. Ele é o Senhor e, tudo o que sua providência dispõe é bom, é para nosso bem. O apelo de Nossa Senhora à conversão, penitência e oração é um modo de se preparar para viver uma fé adulta na qual se confia totalmente em Deus e na sua providência.  Esta fé simples e total não é nada fácil em nossa época dominada pela tecnocracia que aos poucos substitui a fé em Deus pela eficiência das máquinas fabricada pelo homem.

Fátima é um alerta para que a humanidade não se esqueça de Deus. Do contrário estará ameaçada pelas graves consequências deste esquecimento: sua autodestruição. Rezei missa no local das aparições e pedi a Deus por nossa Diocese de Santo André que tem quatro paróquias de Nossa Senhora de Fátima e neste ano a treze de maio instalará mais uma em Ribeirão Pires. Que a Virgem de Fátima interceda por nós a fim de levarmos a sério a Palavra de Deus e deste modo vivermos em uma sociedade onde haja paz fruto da fé em Deus que é bom e justo.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc

Papa convida a refletir sobre a morte: “Nos fará bem a todos”

Por | PALAVRA DA IGREJA

VATICANO, 01 Fev. 18 / 08:45 am (ACI).- “A morte é um fato que toca todos nós. Cedo ou tarde, chega”, afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada nesta quinta-feira, 1º de fevereiro, na Casa de Santa Marta. Por isso, convidou a refletir sobre a morte, porque “nos fará bem a todos”.

O Santo Padre recordou que “nós não somos nem eternos nem efêmeros: somos homens e mulheres em caminho no tempo, tempo que começa e tempo que acaba”.

Entretanto, advertiu que “existe ‘a tentação do momento’ que toma conta da vida e o leva a girar no momento deste labirinto egoísta do momento sem futuro, sempre ida e volta, ida e volta, não? E o caminho acaba na morte, todos sabemos disso. E por isso a Igreja sempre buscou refletir sobre este nosso fim: a morte”.

Também encorajou a perguntar: “Se Deus me chamasse hoje, qual herança eu deixarei como testemunho de vida? É uma bela pregunta a nos fazer. E assim nos preparar porque nenhum de nós permanecerá ‘de relíquia’. Não, todos percorreremos este caminho”.

Além disso, explicou que “a morte é memória antecipada para refletir”. “Mas quando eu morrer, o que eu gostaria de ter feito hoje nesta decisão que eu tenho que tomar hoje, no modo de viver de hoje? É uma memória antecipada que ilumina o momento do hoje. Iluminar com o fato da morte as decisões que eu tenho que tomar todos os dias”, concluiu.

“A devoção a Maria não é galanteria espiritual, mas uma exigência da vida cristã”

Por | PALAVRA DA IGREJA

“A devoção a Maria não é galanteria espiritual, mas uma exigência da vida cristã” disse o Papa Francisco na Missa de 1 de janeiro de 2018 na Basílica de São Pedro, para a festa de Maria Mãe de Deus.

O Papa Francisco convidou a “reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia”.

Homilia di Papa Francisco

Basílica Vaticana
Segunda-feira, 1° de janeiro de 2018

O Ano tem início sob o nome da Mãe de Deus. Mãe de Deus é o título mais importante de Nossa Senhora. Mas a alguém poderia vir a pergunta: por que dizemos «Mãe de Deus», e não Mãe de Jesus? Alguns, no passado, pediram para nos cingirmos a isto, mas a Igreja afirmou: Maria é Mãe de Deus. Devemos estar-lhe agradecidos, porque, nestas palavras, se encerra uma verdade esplêndida sobre Deus e sobre nós mesmos, ou seja: desde que o Senhor Se encarnou em Maria – desde então e para sempre –, traz a nossa humanidade agarrada a Ele. Já não há Deus sem homem: a carne que Jesus tomou de sua Mãe, continua ainda agora a ser d’Ele e sê-lo-á para sempre. Dizer «Mãe de Deus» lembra-nos isto: Deus está perto da humanidade como uma criança da mãe que a traz no ventre.

A palavra mãe (mater) remete também para a palavra matéria. Em sua Mãe, o Deus do céu, o Deus infinito fez-Se pequenino, fez-Se matéria, não só para estar connosco, mas também para ser como nós. Eis o milagre, eis a novidade: o homem já não está sozinho; nunca mais será órfão, é para sempre filho. O Ano tem início com esta novidade. E nós proclamamo-la dizendo assim: Mãe de Deus! É a alegria de saber que a nossa solidão está vencida. É a maravilha de nos sabermos filhos amados, de sabermos que esta nossa infância nunca mais nos poderá ser tirada. É espelharmo-nos em Deus frágil e menino nos braços da Mãe e vermos que a humanidade é querida e sagrada para o Senhor. Por isso, servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incómoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada.

Deixemo-nos agora guiar pelo Evangelho de hoje. Da Mãe de Deus, diz-se apenas uma frase: «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Guardava. Simplesmente… guardava; Maria não fala: d’Ela, o Evangelho não refere uma palavra sequer, em toda a narração do Natal. Também nisto a Mãe Se associa ao Filho: Jesus é infante, ou seja, «sem dizer palavra». Ele, o Verbo, a Palavra de Deus que «muitas vezes e de muitos modos falara nos tempos antigos» (Heb 1, 1), agora, na «plenitude dos tempos» (Gal 4, 4), está mudo. O Deus, na presença de Quem se guarda silêncio, é um menino que não fala. A sua majestade é sem palavras, o seu mistério de amor desvenda-se na pequenez. Esta pequenez silenciosa é a linguagem da sua realeza. A Mãe associa-Se ao Filho e guarda no silêncio.

E o silêncio diz-nos que também nós, se nos quisermos guardar a nós mesmos, precisamos de silêncio. Precisamos de permanecer em silêncio, olhando o presépio. Porque, diante do presépio, nos redescobrimos amados; saboreamos o sentido genuíno da vida. E, olhando em silêncio, deixamos que Jesus fale ao nosso coração: deixamos que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, que a sua pobreza desinquiete as nossas sumptuosidades, que a sua ternura revolva o nosso coração insensível. Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia.

Maria guardava – continua o Evangelho – todas estas coisas, meditando-as. Quais eram estas coisas? Eram alegrias e aflições: por um lado, o nascimento de Jesus, o amor de José, a visita dos pastores, aquela noite de luz; mas, por outro, um futuro incerto, a falta de uma casa, «porque não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7), o desconsolo de ver fechar-lhes a porta; a desilusão por fazer Jesus nascer num curral. Esperanças e angústias, luz e trevas: todas estas coisas preenchiam o coração de Maria. E que fez Ela? Meditou-as, isto é, repassou-as com Deus no seu coração. Nada conservou para Si, nada encerrou na solidão nem submergiu na amargura; tudo levou a Deus. Foi assim que guardou. Entregando, guarda-se: não deixando a vida à mercê do medo, do desânimo ou da superstição, não se fechando nem procurando esquecer, mas dialogando tudo com Deus. E Deus, que Se preocupa connosco, vem habitar nas nossas vidas.

Aqui temos os segredos da Mãe de Deus: guardar no silêncio e levar a Deus. Isto realizava-se – conclui o Evangelho – no seu coração. O coração convida a pôr os olhos no centro da pessoa, dos afetos, da vida. Também nós – cristãos em caminho –, ao princípio do Ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os pesos do passado e partir do que é importante. Temos hoje diante de nós o ponto de partida: a Mãe de Deus. Pois Maria é como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: Mãe terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no coração e o próximo na vida. Para recomeçar, ponhamos os olhos na Mãe. No seu coração, bate o coração da Igreja. Para avançar – diz-nos a festa de hoje –, é preciso recuar: recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços.

A devoção a Maria não é galanteria espiritual, mas uma exigência da vida cristã. Olhando para a Mãe, somos encorajados a deixar tantas bagatelas inúteis e reencontrar aquilo que conta. O dom da Mãe, o dom de cada mãe e cada mulher é tão precioso para a Igreja, que é mãe e mulher. E, enquanto o homem muitas vezes abstrai, afirma e impõe ideias, a mulher, a mãe sabe guardar, fazer a ligação no coração, vivificar. Porque a fé não se pode reduzir apenas a ideia ou a doutrina; precisamos, todos, de um coração de mãe que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpitações do homem. A Mãe, autógrafo de Deus sobre a humanidade, guarde este Ano e leve a paz de seu Filho aos corações, aos nossos corações, e ao mundo inteiro. E, como filhos d’Ela, convido-vos a saudá-La hoje, simplesmente, com a saudação que os cristãos de Éfeso pronunciavam diante dos seus Bispos: «Santa Mãe de Deus!» Com todo o coração, digamos três vezes, todos juntos, fixando-A [voltados para a sua imagem posta ao lado do altar]: «Santa Mãe de Deus!»

© Libreria Editrice Vaticana

Natal: O plano de Deus vencerá

Por | PALAVRA DA IGREJA

Passamos um ano em compasso de espera, ainda que neste ano tivemos espera sem muita esperança… Mas é Natal! É esperança renovada, dia de dar um crédito à alegria, abrir-se do ser ranzinza ao ser contente. Isso não é alienação, placebo de um momento, é coragem de crer que não estamos fadados a continuar a história que já vivemos; é esperança das mais firmes, com as opções mais desafiadoras em favor da mensagem de paz de Deus. Coisa corajosa é viver o ano todo com o clima de hoje!

O Natal é a chance que temos para um dia de amizade, encontro com a família, os amigos, ouvindo em nossos corações uma mensagem de paz e renovando a alegria de viver. O que importa mesmo não são os presentes ou a fartura em nossa mesa, isso ajuda se se torna caminho para a solidariedade. Mas o importante mesmo é a paz e a esperança renovada de um mundo novo. Mundo que começa com o menino que nasce em Belém. Mais do que os amigos secretos, as confraternizações dos grupos que você participou, o que vale hoje é acreditar que o nascimento de Jesus Cristo na história humana é sinal de esperança em Deus e de Deus em nós.

Para quem tem a alegria de acreditar, a fé instrui que deve-se agradecer a Deus por ter dado seu filho. Ele veio nos libertar da escravidão do egoísmo e divisões sem fim. Veio libertar o ser humano do pecado. Jesus nos ensina, desde o seu simples presépio até o calvário, que só é possível vencer o mal fazendo o bem, que a vida não acaba quando morremos.

É uma criança que nos mostra que é possível sofrer por solidariedade, ser rejeitado, não ter lugar para nascer, que se faz pobre e pequena, injustiçada e perseguida, para revelar o maior amor do mundo e salvar os irmãos. Assim, o mais importante que Jesus nos comunica é que existe um sentido para tudo, até mesmo para a dor, com amor tudo se explica. Que belo Natal crescer assim!

Em nosso mundo, tocado pelo desencanto, parecem perdurar os conflitos e ambições, mas precisamos aproveitar o Natal para renovar nossa confiança em Deus e na força da solidariedade.

Muitos, inclusive entre nós, perdem a esperança, perdem-na devido às decepções e a crescente falta de responsabilidade das lideranças de todos os segmentos (industriais, comerciais, políticos e religiosos). A pobreza volta a crescer: cerca de 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem abaixo da linha de pobreza. Esta pesquisa de indicadores sociais de 2017 revela um Brasil profundamente desigual em todos os níveis.

Apesar disso, o nascimento de Jesus Cristo convida-nos a renovar nossa esperança, sabendo que os anjos anunciaram no dia de seu nascimento: “Paz na Terra às pessoas de boa vontade” (cf. Lc 2,14). Para quem tem fé o espaço para lamentação é pequeno, afinal a fé nos ensina que para Deus tudo é possível.

O plano de Deus vencerá do modo de Deus: sem violência e sem pressa, pois Deus é assim: urgente sem pressa. “Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o milagre”. (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas).

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc

Ano do Laicato vai estimular protagonismo dos Cristãos leigos

Por | PALAVRA DA IGREJA

A Igreja no Brasil vai celebrar, no período de 26 de novembro de 2017, Solenidade de Cristo Rei, à 25 de novembro de 2018, o “Ano do Laicato”. Na segunda reunião ordinária do Conselho Permanente deste ano, realizada de 20 a 22 de junho, foi apresentado o projeto preparado pela Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato e em breve as Dioceses e Prelazias receberão as orientações metodológicas de como se preparar e celebrar em suas comunidades.

O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. Segundo o bispo de Caçador (SC), dom Severino Clasen, presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, pretende-se trabalhar a mística do apaixonamento e seguimento a Jesus Cristo. “Isto leva o cristão leigo a tornar-se, de fato, um missionário na família e no trabalho, onde estiver vivendo”, disse o bispo.

Segundo a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil e integrante da Comissão, Marilza Lopes Schuina, as Dioceses receberão uma proposta a partir da qual, recomenda, tenham toda a liberdade para usar a criatividade ao planejar e vivenciar as ações locais.

O Ano do Laicato terá como objetivo geral: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

Documento nº 105

Pretende ainda: “Dinamizar o estudo e a prática do documento 105: ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade’ e demais documentos do Magistério, em especial do Papa Francisco, sobre o Laicato; e estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos e leigas, ‘verdadeiros sujeitos eclesiais’ (DAp, n. 497a), como “sal, luz e fermento” na Igreja e na Sociedade.

A Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato organizou as atividades em quatro eixos: 1) Eventos; 2) Comunicação, catequese e celebração; 3) Seminários temáticos nos Regionais; e 4) Publicações.

Segundo o presidente da comissão, dom Severino, espera-se que este ano traga um legado para a Igreja missionária autêntica, com maior entusiasmo dos cristãos leigos e leigas na vida eclesial e também na busca da transformação da sociedade. “Eu acredito que se conseguirmos estimular a participação e presença efetiva dos cristãos leigos na sociedade provocando que aconteça a justiça e a paz, será um grande legado”, disse o bispo.

Ideologia de gênero, de novo! Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Em agosto, na cidade de Porto Alegre, o Instituto Santander Cultural, usando dinheiro público, inaugurou uma mostra intitulada “Queermuseu”. A exposição destinada a todo tipo de público, inclusive infantil, exibia a pedofilia, zoofilia e ataques abundantes à fé católica. A exposição que abordava questões de gênero e diferença foi suspensa. A reação da população foi forte contra a exposição e a favor de uma cultura do humanismo solidário, que não precisa agredir quem pensa diferente. Nem apelar para o terrorismo cultural e intolerância, com desculpa de promover liberdade de expressão.

É preciso respeitar o que é mais íntimo no outro: sua fé e seu corpo. Mas o que está por debaixo deste acontecimento, assim como de tantos outros similares?

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC), do Ministério da Educação, tem por meta introduzir, obrigatoriamente, a partir de 2018, em todas as escolas do Brasil, a chamada “ideologia de gênero”. É esta obsessão do Ministério da Educação que provoca estes embates.

Ela consiste em ensinar que ser mulher ou ser homem não é algo determinado por um dado biológico, mas, sim, fruto de mera construção sociocultural, de modo que o ser humano poderia escolher – contra a base biológica dada pela natureza – ser homem, mulher ou neutro (nem um nem outro). É algo irracional.

Tal doutrinação, se aplicada como quer o Governo Federal, traria graves consequências para a nação. Isto contraria a Lei natural física e moral, que coincide, no caso, com a Antropologia e as Ciências Médicas.

A Revelação judaico-cristã não pode admitir tal ideologia. Em linguagem bíblica, Deus projetou o ser humano à sua imagem e semelhança, criando-os homem e mulher (cf. Gn 1,26-27). Ora, pleitear a ideologia de gênero é colocar-se contrário a esse projeto do Criador para com a criatura.

Tratando do assunto à luz da ciência médica, conclui-se que todos nascemos com um sexo biológico definido e não o contrário. Há, sim, situações biológicas e psicológicas particulares, porém essas situações não constituem terceiro sexo, conforme afirmou a Associação Americana de Pediatras, em Nota do dia 21 de março de 2016.

Há que se ter compreensão e aceitação do diferente, mas não se pode impor à toda sociedade como se fosse razoável, algo irracional e anticientífico. A ideologia de gênero não possui o verdadeiro e humano cuidado que os homossexuais merecem e devem receber, ela os usa como massa para fazer seus objetivos mais escusos serem atingidos. Defender a ideologia de gênero, por tantas vezes recusada nas esferas legislativas, nacional e municipais, é, portanto, além de grave atentado contra Deus e contra a pessoa, prestar um desserviço a atual e às futuras gerações.

A derrocada da ética na sociedade atual e o mergulho em uma cultura de morte são fruto de um modo de conceber a vida humana e a sociedade, colocando no centro a técnica e não Deus ou o homem. A técnica não tem ideal ou finalidade, se esgota em si mesma e tende a fazer do ser humano mais uma peça da sua gigantesca engrenagem.

Após a falência das utopias e de valores universalmente válidos, o que sobrou para ocupar seu lugar é a técnica. O tecnicismo se arvora em nova religião com dogmas pesados, os quais tendem a ver na pessoa uma máquina, sem nenhum sentido, mas com resultados a serem obtidos. “No domínio da técnica o sentido do mundo implode” (U. Galimberti). Sem fé e religião o irracionalismo toma conta e coisas absurdas podem acontecer.

É preciso estar atento e não deixar o fanatismo ter a última palavra, mas o bom senso.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc – Fonte: Site da Diocese de Santo André

Igreja Missionária, por quê? Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Descrer da missão é desacreditar Jesus, o grande missionário do Pai. É desacreditar a finalidade da Igreja, que é ser missionária

Somos herdeiros do Concílio Vaticano II, ele despertou a Igreja para seu dever missionário primordial: “A Igreja peregrina é por sua natureza missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo” (AG 2). A Igreja é continuidade da missão de Jesus na força do Espírito Santo.

A missão é obra de Deus e Jesus é o primeiro e o maior evangelizador. A iniciativa da missão é sempre de Deus porque Ele nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,19). Tudo isto exige da Igreja (de nós que somos Igreja) a passagem de uma missão territorial, que pensa a missão referindo-se a lugares distantes, para uma visão de missão como um modo de ser Igreja. Assim, a missão é responsabilidade de todos e o ser missionário é empenho que decorre do batismo.

Quando a Igreja na América Latina, na V Conferência do Episcopado, em Aparecida, reafirma o convite para que todos sejam discípulos missionários está fazendo opção clara. Opção de uma Igreja que não se entende mais somente voltada para si mesma, ou preocupada apenas com uma pastoral de manutenção. Somos todos convidados a ter iniciativas missionárias: “A missão está a serviço de todos os homens e se manifesta como vida nova em todas as dimensões da existência pessoal e social” (cf. DA 13). É uma Igreja “em saída”, na proposta do Papa Francisco.

Desta maneira, as paróquias devem ser comunidades de comunidades missionárias, centro de irradiação missionária. A nova evangelização quer partir dos católicos não evangelizados (cf. DA 286), reevangelizar os não praticantes (cf. RM 33), para ir em missão aos que não conhecem a Jesus. É a missão em âmbito universal. Não devemos ter medo desta Igreja em estado permanente de missão, porque se “Deus na missão nos pede tudo ele também nos dá tudo” (cf. Papa Franciscoin EG 12).

São quatro os critérios para uma Igreja missionária: abandonar o imobilismo/comodismo, ouvir a todos, ter as portas abertas, assumir um objetivo missionário, um estilo missionário concentrado no essencial. O 7º Plano de Pastoral de nossa Diocese tem como primeira urgência “Uma Igreja em estado permanente de missão”. E nosso Sínodo Diocesano tem como lema: “O sonho missionário de chegar a todos”. Olhando nossa história notamos sua vocação missionária que hoje deve ser retomada com mais força e determinação.

Descrer da missão é desacreditar Jesus, o grande missionário do Pai. É desacreditar a finalidade da Igreja, que é ser missionária, e por fim, desacreditar a própria vocação cristã, que brota do batismo. Enfim, é desacreditar o Reino de Deus, que se expande com a missão: “Ide pelo mundo pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

Ouçamos o apelo do Espírito Santo que nos pede uma Igreja, nossa Igreja de Santo André, em estado permanente de missão.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal A Boa Notícia

Papa Francisco adverte sobre as ‘fake news’

Por | PALAVRA DA IGREJA

A Igreja quer “promover um jornalismo profissional, que busque sempre a verdade, um jornalismo de paz que promova o entendimento”

O papa Francisco dedicará a Jornada Mundial da Comunicação em maio do ano que vem à luta contra as notícias falsas, também chamadas de “fake news”, o novo termo para definir a divulgação premeditada, ou não, de informação que não é verdadeira.

O tema da jornada mundial, que costuma ser anunciado em janeiro, foi divulgado este ano com muita antecedência por meio de um tuíte divulgado nesta sexta-feira pelo Vaticano.

Inspirando-se em um versículo do Evangelho, “A verdade vos tornará livres”, o papa quis abordar o fenômeno das “notícias falsas, essa informação infundada que contribui para gerar e alimentar uma forte polarização das opiniões”, explicou o Vaticano em comunicado.

Tanto os gigantes da Internet como as instituições e os políticos começaram a encarar esse fenômeno, que se agravou com as redes sociais e a facilidade de compartilhar informação.

O papa argentino também quer contribuir para “analisar as causas, a lógica e as consequência da desinformação pelos meios”, explica a nota.

A Igreja quer “promover um jornalismo profissional, que busque sempre a verdade, um jornalismo de paz que promova o entendimento entre as pessoas”, insistiu a Santa Sé.

O pontífice costuma se referir frequentemente, e muitas vezes com termos duros, à responsabilidade dos meios de comunicação. “Uma informação correta pode derrubar as paredes do medo e da indiferença”, afirmou o papa em abril.

Com um tom mais firme, denunciou em dezembro “a desinformação, provavelmente o maior dano que um meio de comunicação pode infligir”, disse.

Nessa ocasião o papa também enumerou as quatro grandes tendências que podem afetar a mídia: “calúnia, difamação, desinformação e a doença da coprofilia”, ou seja, “querer sempre comunicar o escândalo, comunicar as coisas feias, ainda que sejam verdade”, afirmou.

“Como as pessoas têm uma tendência à coprofagia, pode-se causar muitos danos”, afirmou.

(AFP)

Está desesperançado e triste? Veja este recado do Papa Francisco

Por | PALAVRA DA IGREJA

Uma verdadeira lição sobre a esperança

Quem são os inimigos da esperança? A esta pergunta o Papa Francisco tentou dar resposta durante sua catequese na Audiência Geral desta quarta-feira, na qual convidou a combater a tristeza e a melancolia.

O Santo Padre manifestou que “não é verdade que ‘enquanto há vida há esperança’, como se costuma dizer. Ao contrário: é a esperança a que mantém a vida em pé, a protege, preserva e fez crescer. Se os homens não tivessem cultivado a esperança, se não tivessem se apoiado a esta virtude, jamais teriam saído das cavernas e não teriam deixado marcas na história do mundo”.

Francisco fez alusão ao poeta francês Charles Péguy, que “nos deixou páginas estupendas sobre a esperança” e afirma que “Deus não se surpreende tanto pela fé dos seres humanos, nem mesmo por sua caridade; mas o que verdadeiramente o enche de maravilha e comoção é a esperança”.

O Papa recordou “os rostos de tanta gente que passou por este mundo – agricultores, pobres, operários, migrantes em busca de um futuro melhor – que lutaram tenazmente não obstante a amargura de um hoje difícil, cheio de tantas provações, animados porém pela confiança de que os filhos teriam uma vida mais justa e mais serena”.

“A esperança é o impulso no coração de quem parte deixando a casa, a terra, às vezes familiares e parentes, para buscar uma vida melhor, mais digna para si e para os próprios familiares, para buscar uma vida melhor, mais digna para si e para seus entes queridos”.

O Bispo de Roma reconheceu que a esperança “não é virtude para pessoas com o estômago cheio”, motivo pelo qual “os pobres são os primeiros portadores da esperança”.

“Às vezes, ter tido tudo na vida é um infortúnio. Pensem em um jovem a quem não foi ensinada a virtude da espera e da paciência, que não teve que suar por nada, que queimou as etapas e aos vinte anos ‘já sabe como funciona o mundo’. Está destinado à pior condenação: a de não desejar mais nada. Parece um jovem, mas já entrou o outono em seu coração”.

“Ter a alma vazia é o pior obstáculo à esperança. É um risco do qual ninguém está excluído, porque ser tentados contra a esperança pode acontecer também quando se percorre o caminho da vida cristã”.

Francisco também denunciou a tentação de cair em “os dias monótonos e enfadonhos”, nos quais “nenhum valor mais parece merecer algum esforço. É ácido, como o definiam os Padres”.

E quando isso acontece, “o cristão sabe que aquela condição deve ser combatida, nunca aceita passivamente. Deus nos criou para a alegria e para a felicidade, e não para nos emaranharmos em pensamentos melancólicos”.

O Papa convidou, então, a “cuidar do próprio coração” para se opor “às tentações de infelicidade, que certamente não provêm de Deus”.

E quando “nossas forças parecem fracas e a batalha contra a angústia é dura, podemos sempre recorrer ao nome de Jesus. Podemos repetir aquela oração simples, que encontramos partes também nos Evangelhos e que se tornou a base de tantas tradições espirituais cristãs: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha piedade de mim pecador!”.

“Não estamos sozinhos na luta contra o desespero. Se Jesus venceu o mundo, é capaz de vencer em nós tudo aquilo que se opõe ao bem. Se Deus está conosco, ninguém nos roubará aquela virtude de que temos necessidade para viver. Ninguém nos roubará a esperança”.

Via ACI Digital 

Papa: Deus liberte o mundo da violência desumana do terrorismo

Por | PALAVRA DA IGREJA

No encontro com os fiéis para a oração do Angelus domingo (20/08) na Praça São Pedro, o Papa voltou a expressar a sua dor pelas vítimas dos atentados terroristas dos últimos dias e pediu ao Senhor que liberte o mundo da chaga do terrorismo.

“Nossos corações estão carregados de dor pelos atos terroristas que nestes últimos dias causaram numerosas vítimas em Burquina-Fasso, na Espanha e na Finlândia. Oremos por todos os falecidos, pelos feridos e seus familiares; e supliquemos ao Senhor, Deus da misericórdia e da paz, que liberte o mundo desta desumana violência”.

Antes das palavras de condenação ao terrorismo, Francisco refletiu sobre o Evangelho dominical e realçou especialmente a fé tenaz da mulher cananeia que implora a Jesus que cure sua filha, que está cruelmente atormentada por um demônio. “A aparente indiferença de Jesus não desencoraja a mãe, que insiste em sua invocação”.

A força interior daquela mulher, que lhe permite vencer qualquer obstáculo, reside no seu amor materno e na confiança de que Jesus pode atender o seu pedido. E isto me faz pensar na força das mulheres! Com a sua força, são capazes de obter coisas grandes. Conhecemos  muitas assim!”.

“Aquela humilde mulher é indicada por Jesus como um exemplo de fé inquebrantável. Sua insistência em invocar a ação de Cristo é para nós um estímulo a não nos desencorajarmos, a não nos desesperarmos quando formos oprimidos pelas duras provas da vida. O Senhor não vira para o outro lado quando vê as nossas necessidades e, se por vezes pode parecer insensível aos nossos pedidos de ajuda, é para nos colocar à prova e fortalecer a nossa fé”.

O Papa acrescentou que este episódio evangélico “nos ajuda a entender que todos precisamos crescer na fé e fortalecer a nossa confiança em Jesus”.

“Ele pode nos ajudar a encontrar a direção quando perdemos a bússola de nosso caminho; quando a estrada diante de nós não é mais tão plana, mas áspera e árdua; quando é cansativo ser fiel aos nossos compromissos. É importante alimentar todos os dias a nossa fé, com a escuta atenta da Palavra de Deus, com a celebração dos Sacramentos, com a oração pessoal como um ‘grito’ para Ele, e com atos concretos de caridade com o próximo”.

(Rádio Vaticano)

Sacrilégio

Por | PALAVRA DA IGREJA

Pecado grave contra a religião e coisas sagradas, profanação de lugares e objetos de caráter sagrado, atentado contra o que é digno de respeito. Estas definições estão no dicionário explicando a palavra “sacrilégio”.

Do ponto de vista cristão, o maior sacrilégio são as maldades cometidas contra as pessoas, criadas à semelhança do Criador (cf. Gn 1,26), degradando-as e, a muitas privando da vida, dom de Deus. O próprio Jesus mandou amar o próximo e: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos é a mim que o fazes” (Mt 25,40). A tragédia no mundo hoje, com milhares de deportados, refugiados é consequência das guerras, fruto do sistema econômico fundado na ganância, adoração do dinheiro, do lucro: verdadeira idolatria que leva ao sacrilégio.

Porém, há outro tipo de sacrilégio que se difunde rapidamente em nosso meio. É a profanação de lugares sagrados da Igreja Católica. Vivemos num mundo secularizado, onde Deus não é levado a sério. Nada mais é sagrado; porque o ser humano não se respeita, não há respeito de uns para com os outros. Por isso perde-se a capacidade de admitir a presença de Deus na vida e na sociedade. Muitos não acreditam em Deus, ou se acreditam, vivem como se Ele não existisse. O descaso, a agressão e intolerância ao Sagrado tornaram-se corriqueiro em nossos dias. Isto é mau sinal.

Em nossa Diocese de Santo André que compreende o Grande ABC temos 100 (cem) paróquias e 264 comunidades. São raras as que não foram assaltadas. Ultimamente a situação se agrava. Estão sendo profanados os sacrários das igrejas. Assaltam de noite, arrombam as portas, vão direto ao sacrário que tem a porta arrebentada, as hóstias espalhadas e os objetos de culto danificados. Nada é roubado. A intenção parece ser agredir, destruir os sinais sagrados da presença de Jesus na Santíssima Eucaristia.

A Eucaristia é Sacramento de vida eterna, pois disse Jesus: “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,51). É por excelência o mistério da fé: “O resumo e a súmula da nossa fé” (Catecismo n. 1327). “Na Eucaristia revela-se o desígnio de amor que guia toda a história da salvação. Nela, o Deus Trindade, que em si mesmo é amor (cf. 1Jo 4,7-8), envolve-se plenamente com a nossa condição humana”. (Bento XVI, SC 8). Foi Jesus que mandou consagrar o pão e o vinho, está nos evangelhos. Nem mesmo o monge Lutero, que é o pai do movimento protestante, negou a presença de Jesus na Eucaristia (cf. Knight A.- Anglin W., História do Cristianismo, Ed. CPAD, Rio, 1983, p.242).

Por que sucede isto? Por que existem pessoas que praticam atos agressivos, não respeitam o sagrado? Não podemos responder só com argumentos da sociologia. Seria reduzir a pessoa ao seu exterior. A questão vai além. Quem pratica tais atos está no desespero, vive sem valores, alienada, vive nas trevas, e por isso, sofre e faz os outros sofrerem. Não as amaldiçoamos, mas perdoamos, é o que Jesus fez e faria hoje.

Porém, nossa fé nos ensina que Deus está presente no mundo. Nossa fé nos ensina que Deus é luz e quem é da luz não anda nas trevas. Os filhos das trevas não gostam dos filhos da Luz. Os filhos da luz são todos aqueles que acreditam em Jesus e se reúnem em torno dele para viver seu mandamento de Amor. Este amor, que é muito forte, pode transformar as trevas em luz. Amor que pode acender a luz no coração dos que estão desesperados. Creiamos, nada nos separará do amor de Cristo (cf. Rm 8,35-39).

Apelo aos católicos, tristes com estes acontecimentos, que não desanimem e nem se deixem levar pela intolerância. Coragem! O Espírito do Mal sempre vai se lançar contra Deus, mas, não vencerá porque: Quem como Deus? (cf. Ap 12,1-18).

Artigo escrito por Dom Pedro Calos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc

Fale com Ele – Artigo de Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Na crise que estamos vivendo, muito se ouve dizer: “só por Deus”. Só por Deus mesmo podemos superar tantos obstáculos. Obstáculos que pessoas egoístas e sem escrúpulos arrumaram para o Brasil. Na situação que estamos não podemos perder a esperança. Neste sentido a oração é a grande força. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou um dia de oração por nossa Pátria. Vamos prolongar este dia enquanto não conseguirmos dias melhores.

O livro Grande Sertão – Veredas -romance de Guimarães Rosa-, é admirável por vários motivos. A mim chama atenção a questão teológica que perpassa a obra. Refiro-me ao constante questionamento sobre o mistério de Deus e a existência do mal.

Alguns trechos são memoráveis, como por exemplo, “com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma!… Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo”. (Ed. Nova Fronteira, 36ª Ed. p. 48).

E posto que em meio ao “mistério da iniquidade”, como chama São Paulo ao problema do mal no mundo (cf. 2Ts 2,7), existe um Deus criador, fonte da vida e Pai de bondade, revelado por seu filho Jesus Cristo, como viver sem falar com Ele, sem viver para Ele.

O reconhecimento da existência de Deus exige do que se acredita, entrar em contato com Ele e isto é o que se chama oração. Na definição de Teresa D’Ávila, mística espanhola e padroeira dos professores, “orar é falar com alguém que sabemos nos amar”. Orar não é nada complicado, é falar com Deus, pensar nele e abrir seu coração para escutá-lo. O que é preciso é querer falar com Ele e a Ele estar atento.

A oração é preceito essencial de todas as religiões e existe até mesmo em meio aos que dizem não ter religião. Há uma percepção difusa e universal de que a fé e a oração fazem bem para a saúde. Neste sentido é interessante o livro do Dr. Kenneth H. Cooper: “É melhor acreditar”. Esta obra versa sobre a importância da fé para a saúde e a boa forma.

E aqui também, não posso deixar de lembrar o que escreve Guimarães Rosa no mesmo romance que citei acima: “Hem? Hem? O que mais penso, testo e explico; todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião; para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é a salvação-da-alma…(op. Cit.p.8).

Lembro-me dos noticiários dos jornais, quando o Dalai Lama ganhou o prêmio Nobel da Paz. Foram avisá-lo, ele estava em oração. Não queria ser interrompido quando rezava. Assim, foi um dos últimos a saber que tinha ganho o prêmio. Eis um homem que valoriza a oração.

No cristianismo a oração é essencial, é o respiro da alma. O grande orante da Bíblia, que nos ensina a orar é Jesus. Passava noites em oração, rezava e saia tão transfigurado da oração que um dia, seus discípulos pediram que lhes ensinasse a rezar. Jesus ensinou o “Pai Nosso”

Sem a oração a pessoa está paralítica para a corrida do Amor, permanece presa ao chão de tudo aquilo que não é Deus, não pode se realizar. Portanto, reze, fale com Ele, fale com Deus, Ele está interessado em te escutar.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal Diário do Grande Abc

CORRUPÇÃO E VAZIO ÉTICO

Por | PALAVRA DA IGREJA

O noticiário cotidiano sempre trouxe notícias de corrupção. Mas ultimamente tem crescido a intensidade e gravidade dos fatos. Chegamos ao ponto de termos hoje, um ex-presidente da República processado, o presidente acusado, presidente da Câmara dos Deputados cassado além de muitos senadores e deputados acusados de corrupção. A operação “Lava Jato” está causando um terremoto. Religiosos também não escapam das acusaçõesQuando falamos em corrupção pensamos logo no político, mas há muita gente fora da política que pratica a corrupção. Podemos nos perguntar diante deste quadro: quis custodit custodes?  Quem vigia os vigias?

?O povo foi traído por partidos que se elegeram prometendo combater a corrupção mas ao que parece, a mesma foi promovida em grau elevado. Estamos entre os países mais corruptos do mundo. Estudiosos creditam  ao alto índice de corrupção, a responsabilidade pelos vergonhosos indicadores sociais, acrescentando que a corrupção enfraquece a economia dificultando o desenvolvimento.

?A corrupção embalada pela máxima de levar vantagem em tudo e acima de todos, existe hoje em toda parte do mundo. Aqui entre nós, porém, demonstra ser uma instituição solidificada pela “cultura da corrupção” que faz exclamar; todos roubam, por que eu não posso também?

?Certo rei perguntou aos ministros a causa de tanta corrupção no Reino, o dinheiro público não chegava ao destino ou chegava diminuído. Um ministro tomou uma pedra de gelo deu ao que estava a seu lado e pediu para passar até chegar ao rei. Quando a pedra chegou estava bem pequena. Esta é a explicação, passa por muitas mãos, muitas delas corruptas e sempre deixa alguma coisa.

?Toda esta situação expõe-nos uma crise moral ou um vazio ético. O corrupto é o que perdeu a noção de bem e de mal. A moral tem como meta a responsabilidade e a justiça como expressão do respeito mútuo na relação com o próximo. Desviando-se destes parâmetros cai-se no vazio.  É o que estamos vivendo, um vazio ético. A consequência é a desmoralização,  desorientação, perda de sentido, falta de referenciais básicos.

Esta crise tem sua raiz mais profunda na exacerbação da suspeita sobre qualquer código de moral seja comercial, do partido, das Igrejas, etc.  Neste clima de suspeita geral, a ética seria projeção doentia  do próprio indivíduo (Freud), seria também falsificação ideológica da classe social (Marx) e ainda, justificação da debilidade humana (Nietzsche). Assim, a embriaguez da autonomia da razão, impulsionada pelo individualismo, gerou uma moral sem limites  e sem referências, ou seja um vazio ético.

É preciso preencher este vazio ético e isto já vem sendo feito pelos que propõem uma nova ética para toda a humanidade, ética sem a qual a Humanidade vai fracassar

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc