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PALAVRA DA IGREJA

Papa oferece uma receita para os momentos de escuridão

Por | PALAVRA DA IGREJA

Rezar e ser paciente. Esta é a receita que o Papa Francisco ofereceu em sua homilia na Missa na Casa Santa Marta para enfrentar momentos difíceis e de escuridão.

O Pontífice também alertou contra a vaidade, que é uma “beleza maquiada” que não deixa entrar no coração a “alegria que é de Deus”.

Na Missa na capela da Casa Santa Marta, o Santo Padre convidou a agradecer pela “salvação” que nos dá, ao comentar sobre a primeira leitura da liturgia do dia.

Deus leva avante “a história” e “a vida das pessoas, inclusive a nossa”. Tobias e Sara, prosseguiu, viveram de fato “momentos difíceis” e “momentos belos”.

“Todos nós passamos por momentos difíceis, duros, não tão difíceis como este, mas nós sabemos o que se sente num momento difícil, de dor, no momento das dificuldades, nós sabemos”.

Mas Tobias e Sara rezam “e esta é a atitude que nos salva nos momentos difíceis: a oração. A paciência: porque os dois são pacientes com a própria dor. E a esperança que Deus nos ouça e faça passar esses momentos difíceis. Nos momentos de tristeza, pouca ou muita, nos momentos de escuridão: oração, paciência e esperança. Não esqueçam isto”, disse o Papa.

“Após a prova, o Senhor está próximo a eles e os salva. Mas há momentos bonitos, autênticos, como este, não aqueles momentos com beleza maquiada, que é tudo artificial, um fogo-de-artifício, mas não é a beleza da alma”.

“E o que fazem os dois nos momentos bons?”, perguntou-se. “Dão graças a Deus, alargam o seu coração na oração de agradecimento”.

Neste sentido, convidou a discernir que na vida há momentos de “cruz” e é necessário “rezar, ser paciente e ter pelo menos um pouquinho de esperança”: é preciso evitar cair “na vaidade”, porque “o Senhor está sempre ao nosso lado”.

“Peçamos a graça e saber discernir o que acontece nos maus momentos de nossas vidas e como ir avante, e o que acontece nos momentos bons e não se deixar enganar pela vaidade”.

Leitura comentada pelo Papa:

Primeira leitura – Tb 11, 5-17

Naqueles dias, 5Ana estava sentada, observando atentamente o caminho por onde devia chegar seu filho. 6Percebeu que ele se aproximava e disse ao pai: “Teu filho está chegando, e com ele o homem que o acompanhou”. 7Antes que Tobias se aproximasse do pai, Rafael lhe disse: “Estou certo de que seus olhos se abrirão. 8Aplica-lhe nos olhos o fel do peixe. O remédio fará com que as manchas brancas se contraiam e se desprendam de seus olhos. Teu pai vai recuperar a vista e enxergará a luz”. 9Ana correu, atirou-se ao pescoço do filho e disse: “Voltei à ver-te, meu filho, agora posso morrer!” E chorou.

10Tobit levantou-se e, tropeçando, atravessou a porta do pátio. 11Tobias foi ao seu encontro, tendo na mão o fel do peixe. Soprou-lhe nos olhos e, segurando-o, disse: “Confiança, pai!” Derramou o remédio e esfregou-o. 12Depois, com ambas as mãos, tirou-lhe as películas dos cantos dos olhos. 13Então Tobit caiu-lhe ao pescoço, chorando e dizendo: “Eu te vejo, meu filho, luz de meus olhos!” 14E acrescentou: “Bendito seja Deus! Bendito seja o seu grande nome! Benditos sejam todos os seus santos anjos por todos os séculos! 15Porque, se ele me castigou, agora vejo o meu filho Tobias!” A seguir, Tobit entrou com Ana em sua casa, louvando e bendizendo a Deus em alta voz, por tudo o que lhes tinha acontecido. E Tobias contou ao pai como tinha sido boa a viagem deles, por obra do Senhor Deus, como haviam trazido dinheiro e como se tinha casado com Sara, filha de Ragüel. Aliás, ela já se aproximava das portas de Nínive. 16Tobit e Ana alegraram-se muito e saíram ao encontro da nora, às portas da cidade. Vendo-o andar a passos largos e com toda a firmeza, sem que ninguém o conduzisse pela mão, os ninivitas se admiraram. 17E diante deles Tobit louvava e bendizia a Deus em alta voz, por ter sido misericordioso para com ele e por lhe ter aberto os olhos. E, aproximando-se de Sara, mulher de seu filho Tobias, abençoou-a e disse: “Bem-vinda sejas, minha filha. E bendito seja o teu Deus, filha, que te trouxe para junto de nós! Abençoado seja o teu pai, abençoado o meu filho Tobias e abençoada sejas tu, minha filha! Entra em tua casa com saúde, a ti bênção e alegria! Entra, minha filha!” E naquele dia foi grande o contentamento entre todos os judeus que se encontravam em Nínive.

VATICANO, 09 Jun. 17 / 10:00 am (ACI).-

7 coisas que precisa saber sobre Nossa Senhora de Fátima

Por | PALAVRA DA IGREJA

No dia 13 de maio se celebra a festa de Nossa Senhora de Fátima, a aparição aprovada pela Santa Sé mais conhecida do século XX, particularmente pelo terceiro segredo que Maria revelou aos três pastorinhos na Cova da Iria (Portugal) e transcrito pela Irmã Lúcia em 3 de janeiro de 1944.

A seguir, apresentamos 7 coisas que todo católico deve saber sobre esta aparição.

1. A Virgem apareceu 6 vezes em Fátima

Nos tempos da Primeira Guerra Mundial, a pastorinha Lúcia dos Santos disse ter experimentado visitas sobrenaturais da Virgem Maria em 1915, dois anos antes das conhecidas aparições.

Em 1917, ela e seus primos Francisco e Jacinta Marto, estavam trabalhando como pastores nos rebanhos de suas famílias. Em 13 de maio daquele ano, as três crianças presenciaram uma aparição da Virgem Maria que lhes disse, entre outras coisas, que regressaria durante os próximos seis meses todos os dias 13 na mesma hora.

Maria também revelou às crianças, na segunda aparição, que Francisco e Jacinta morreriam cedo e que Lúcia sobreviveria para dar testemunho das aparições.

Na terceira aparição, no dia 13 de julho, a Virgem revela a Lúcia o segredo de Fátima. Conforme os relatos, ela ficou pálida e gritou de medo chamando a Virgem pelo seu nome. Houve um trovão e a visão terminou. As crianças viram novamente a Virgem em 13 de setembro.

Na sexta e última aparição, no dia 13 de outubro, diante de milhares de peregrinos que chegaram à Fátima (Portugal), aconteceu o chamado “Milagre do sol”, no qual, após a aparição da Virgem Maria aos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia, pôde-se ver o sol tremer, em uma espécie de “dança”, conforme relataram os que estavam lá.

2. Francisco e Jacinta morreram jovens, Lúcia se tornou religiosa

Uma epidemia de gripe espanhola atingiu a Europa em 1918 e matou cerca de 20 milhões de pessoas. Entre eles, estavam Francisco e Jacinta, que contraíram a doença naquele ano e faleceram em 1919 e 1920, respectivamente. Por sua parte, Lúcia entrou no convento das Irmãs Doroteias.

Em 13 de junho de 1929, na capela do convento em Tuy, na Espanha, Lúcia teve outra experiência mística na qual viu a Santíssima Trindade e a Virgem Maria. Esta última lhe disse: “Chegou o momento em que Deus pede ao Santo Padre, em união com todos os bispos do mundo, fazer a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio” (S. Zimdars-Schwartz, Encontro com a Maria, 197).

No dia 13 de outubro de 1930, o Bispo de Leiria (agora Leiria-Fátima) proclamou as aparições de Fátima autênticas.

3. Irmã Lúcia escreveu o segredo de Fátima 18 anos depois das aparições

Entre 1935 e 1941, sob as ordens de seus superiores, Irmã Lúcia escreveu quatro memórias dos acontecimentos de Fátima.

Na terceira memória – publicada em 1941 – escreveu as duas primeiras partes do segredo e explicou que havia uma terceira parte que o céu ainda não lhe permitia revelar.

Na quarta memória acrescentou uma frase ao final da segunda parte do segredo: “Em Portugal, se conservará sempre o dogma da fé, etc.”.

Esta frase foi a base de muita especulação, disseram que a terceira parte do segredo se referia a uma grande apostasia.

Depois da publicação da terceira e quarta memória, o mundo colocou a atenção no segredo de Fátima e nas três partes da mensagem, inclusive no pedido da Virgem para que a Rússia fosse consagrada ao seu Imaculado Coração através do Papa e dos bispos do mundo.

No dia 31 de outubro de 1942, Pio XII consagrou não só a Rússia, mas também todo o mundo ao Imaculado Coração de Maria. O que faltou, entretanto, foi a participação dos bispos do mundo.

Em 1943, o Bispo de Leiria ordenou que Irmã Lúcia escrevesse o terceiro segredo de Fátima, mas ela não se sentia em liberdade de fazê-lo até 1944. Foi colocado em um envelope fechado no qual a Irmã Lúcia escreveu que não deveria ser aberto até 1960.

4. A terceira parte do segredo de Fátima foi lida por vários Papas

O segredo se manteve com o Bispo de Leiria até 1957, quando foi solicitado (junto com cópias de outros escritos da Irmã Lúcia) pela Congregação para a Doutrina da Fé. Segundo o Cardeal Tarcísio Bertone, o segredo foi lido por João XXIII e Paulo VI.

“João Paulo II, por sua parte, pediu o envelope que contém a terceira parte do ‘segredo’ após a tentativa de assassinato que sofreu no dia 13 de maio 1981”.

Depois de ler o segredo, o Santo Padre percebeu a ligação entre a tentativa de assassinato e Fátima: “Foi a mão de uma mãe que guiou a trajetória da bala”, detalhou. Foi este Papa quem decidiu publicar o terceiro segredo no ano 2000.

5. As chaves do segredo: arrependimento e conversão

O então Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Emérito Bento XVI), Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, assinalou que a chave da aparição de Fátima é seu chamado ao arrependimento e à conversão. (Comentário Teológico)

As três partes do segredo servem para motivar o indivíduo ao arrependimento e o fazem de uma maneira contundente.

6. A primeira parte do segredo é uma visão do inferno

A primeira parte do segredo – a visão do inferno – é para muitos a mais importante, porque revela aos indivíduos as trágicas consequências da falta de arrependimento e o que lhes espera no mundo invisível se não se converterem.

7. A segunda parte do segredo é sobre a devoção ao Imaculado Coração

Na segunda parte do segredo Maria diz:

“Você viu o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.

Depois de explicar a visão do inferno, Maria falou de uma guerra que “iniciará durante o pontificado de Pio XI”.

Esta última foi a Segunda Guerra Mundial, ocasionada, segundo as considerações da Irmã Lúcia, pela incorporação da Áustria à Alemanha durante o pontificado de Pio XI (J. do Marchi, Temoignages sur les apparitions de Fatima, 346).

Por que maio é o Mês de Maria?

Por | PALAVRA DA IGREJA

Uma pergunta que todo católico deveria saber responder

Durante vários séculos a Igreja Católica dedicou todo o mês de maio para honrar a Virgem Maria, Mãe de Deus. A seguir, explicamos o porquê.

A tradição surgiu na antiga Grécia. O mês de maio era dedicado a Artemisa, deusa da fecundidade. Algo semelhante ocorreu na antiga Roma, pois maio era dedicado a Flora, deusa da vegetação. Naquela época, celebravam os ‘ludi florals’ (jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.

Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1º de maio era considerado como o apogeu da primavera.

Durante este período, antes do século XII, entrou em vigor a tradição de Tricesimum ou “A devoção de trinta dias à Maria”. Estas celebrações aconteciam do dia 15 de agosto a 14 de setembro e ainda são comemoradas em alguns lugares.

A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o mês de Maria incluía trinta exercícios espirituais diários em homenagem à Mãe de Deus.

Foi nesta época que o mês de maio e de Maria combinaram, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.

As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.

As paróquias costumam rezar no mês de maio uma oração diária do Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou uma imagem de Maria. Além disso, trata-se de uma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, um costume conhecido como Coroação de Maio.

Normalmente, a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e também lembra que os fiéis devem se esforçar para imitar suas virtudes. Em algumas regiões, esta coroação acontece em uma grande celebração e, em geral, fora da Missa.

Entretanto, os altares e coroações neste mês não são apenas atividades “da paróquia”. Mas, o mesmo pode e deve ser feito nos lares, com o objetivo de participar mais plenamente na vida da Igreja.

Deve-se separar um lugar especial para Maria, não por ser uma tradição comemorada há muitos anos na Igreja ou pelas graças especiais que se pode alcançar, mas porque Maria é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive nos assuntos menores.

Por isso, merece um mês inteiro para homenageá-la.

Bispos Eméritos são recordados em missa da Conferência da CNBB

Por | PALAVRA DA IGREJA

Abrindo mais um dia de trabalho da 55ª Conferência dos Bispos do Brasil, na manhã desta sexta-feira, (28/04), tivemos a celebração da santa missa no Santuário de Aparecida, onde Dom Luis Soares Vieira, Arcebispo Emérito de Manaus nos ensino que “Não podemos nunca sair de uma celebração do mesmo jeito que entramos. O bispo emérito é uma bênção na Igreja. Somos mais de 170 bispos eméritos, temos no coração a nossa diocese da qual fomos bispos diocesanos; temos todo o Regional, toda a Igreja no Brasil e toda a humanidade pela qual nós somos convidados a interceder a Deus. Alguns bispos eméritos estão trabalhando muito mais do que antes, inclusive, sem ter aquelas tarefas do governo diocesano. Ele também fez um pedido. “Peço licença e olhando para Nossa Senhora Aparecida, queremos pedir por nosso Papa Francisco que o proteja em sua viagem ao Egito, onde muitas pessoas foram assassinadas por serem católicos. Mãezinha querida abençoe todo o episcopado, os bispos eméritos e que todos entendam a importância de um bispo emérito no Brasil”.

Fonte: https://diocesesa.org.br

O que é a Oitava de Páscoa?

Por | PALAVRA DA IGREJA

No domingo de Ressurreição começa os cinquenta dias do tempo pascal e termina com a Solenidade de Pentecostes.

A Oitava de Páscoa é a primeira semana destes cinquenta dias; é considerada como se fosse um só dia, ou seja, o júbilo do Domingo de Páscoa é prolongado durante oito dias.

As leituras evangélicas estão centralizadas nos relatos das aparições de Cristo Ressuscitado e nas experiências que os apóstolos tiveram com Ele.

Neste tempo litúrgico, a primeira leitura, normalmente tirada do Antigo Testamento, é trocada por uma leitura dos Atos dos Apóstolos.

O segundo Domingo de Páscoa também é chamado Domingo da Divina Misericórdia, segundo a disposição de São João Paulo II durante seu pontificado, depois da canonização da sua compatriota Faustina Kowalska.

O decreto foi emitido no dia 23 de maio do 2000 pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, detalhando que esta seria comemorada no segundo domingo de Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico será “segundo domingo de Páscoa ou Domingo da Divina Misericórdia”.

Santos e Pecadores – Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Acabo de ler a biografia do Padre Donizetti Tavares de Lima, cuja causa de beatificação está em curso. Vida admirável! Ordenado em Campinas desejou trabalhar em lugares pobres, por isso, foi mais para o interior do Estado. Pároco de Vargem Grande e posteriormente Tambaú.

Um apóstolo do Evangelho. Trabalhou tendo como horizonte o Reino de Deus: justiça e paz. Fiel à Igreja que amava, nunca arrefeceu sua fidelidade, também ao ser humano que desejava tratado com dignidade. Empreendeu luta contínua, em favor dos direitos humanos, numa época na qual era incomum falar neles. Quando morreu, com 79 anos, era 16 de junho de 1961, estava rodeado do povo para o qual viveu: trabalhadores, gente humilde que tanto amava e que retribuía com veneração. São centenas as pessoas que trazem seu nome, numa homenagem silenciosa.

Todos o buscavam devido a sua sabedoria e humildade. Glória e vaidade do mundo não o perturbaram. As perseguições, calúnias, não o desanimaram. Magnânimo perdoou os inimigos. Aos fazendeiros que o expulsaram de Vargem Grande por defender trabalhadores, e que arrependidos lhe pediram perdão, ele respondeu com delicadeza: enviou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em sinal de paz.

Diante deste gigante de fé e caridade, o que pensar das acusações que persistem e que infelizmente, algumas são verídicas, referentes a padres pedófilos? Em uma sociedade hedonista, onde sexo, dinheiro e poder gozam do status de divindade, a fraqueza humana se mostra na sua fragilidade mais dolorosa: o fascínio pelo abismo, o equívoco na busca de felicidade. Os desvios de conduta em relação ao sexo estão presentes em todos os segmentos da sociedade. A pornografia e pedofilia via internet tem tido difusão impressionante, atinge solteiros e casados.

Em uma floresta imensa, onde muitas árvores crescem silenciosas, quando cai algumas, o estrépito é grande. São alguns os padres escandalosos, mas nem se compara à quantidade daqueles que se dedicam dia a dia, no seu ministério, com fidelidade, honestidade e sacrifício.

Compreende-se que esses erros nos padres, causem tanta indignação, dado a posição que ocupam na sociedade. Aqui, porém se exige dos anticlericais, dos laicistas e inimigos jurados da Igreja, que ao reconhecer o erro presente na instituição, não culpem toda a instituição, desejando sua ruína. É sabido de todos, a sanha e o ódio de muitos lobbies que não toleram o trabalho da Igreja em defesa da vida e da família, e por isso, procuram esparramar o “pânico moral” contra ela.

Universalmente, para qualquer situação, o primeiro passo é sempre constatar se há veracidade na denúncia. Uma vez identificada, a Igreja se recusa a copiar comportamentos inadequados da sociedade civil, como o foro privilegiado. O Papa Francisco, seguindo a linha de seu predecessor ordenou tolerância zero com a pedofilia dentro da Igreja. Não se nega o perdão ao pecador arrependido por praticar este crime; mas nem por isso, pode dispensá-lo de dar satisfação à justiça civil, à sociedade. A sociedade necessita ver punidos e corrigidos os criminosos, pois, nenhum criminoso se perdoa se não responder à sociedade por seus delitos, e nenhuma vítima se perdoa se não se abre para o perdão.

Como disse o Papa Francisco na última sexta-santa: “vergonha por todas as vezes em que bispos, sacerdotes, irmãos e freiras escandalizaram e feriram seu corpo, a Igreja… Mas também esperança de que a Cruz transforme os nossos corações e nos torne capazes de amar, de perdoar; de que as trevas da Cruz se transformem na aurora fulgurante da Ressurreição”.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal Diário do Grande Abc

Três árvores e seus sonhos – Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Esta é uma parábola de um autor desconhecido, que me chegou às mãos. Penso que seja tão significativa que desejo partilhar com vocês, prezados leitores. Cada qual tire sua própria conclusão.

Havia, no alto de uma montanha, três pequenas árvores que sonhavam o que queriam ser quando grandes. A primeira, disse: “Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tal me disponho a ser cortada”. A segunda olhou para o riacho e suspirou: “E eu quero ser um grande navio, para transportar reis e rainhas”. A terceira árvore olhou o vale e disse: “Quero ficar aqui, no alto da montanha, crescer tanto que as pessoas ao olharem para mim levantem seus olhos e pensem em Deus”.

Anos se passaram, certo dia, três lenhadores, nada ecológicos, vieram e cortaram as três arvores ansiosas por serem transformadas naquilo que sonhavam. A primeira árvore acabou sendo transformada num cocho coberto de feno para os animais. A segunda virou um simples e pequeno barco de pesca, carregando gente e peixes todos os dias. E a terceira, mesmo sonhando ficar no alto da montanha, acabou em grossas vigas e foi colocada ao lado de um depósito. E as três árvores se perguntavam desiludidas e tristes: “Por que isso?”.

Numa certa noite, cheia de luz e de estrelas, em que havia mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. E, de repente, a primeira árvore viu que continha o maior tesouro do mundo.

A Segunda árvore, anos mais tarde, transportou um homem, que acabou dormindo no banco. Quando a tempestade quase afundou o pequeno barco, este homem levantou-se e disse: “Acalme-se!”, e a tempestade cessou. Num relance, a segunda árvore entendeu que estava carregando o Rei dos céus e da terra.

Tempos mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Sentiu-se horrível e cruel. Mas, no domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria, e a terceira árvore entendeu que sempre se lembrariam de Deus e de seu filho Jesus Cristo ao olharem para ela.

As árvores haviam tido sonhos… Mas as suas realizações foram mil vezes melhor e mais sábias do que haviam imaginado. A mão invisível e poderosa de Deus dirigiu seus sonhos para uma realização superior aos seus desejos.

Assim também em nossa vida pessoal e também social, é necessário ter sonhos e esperar que eles se realizem, mesmo que não sejam pelos caminhos que imaginamos. A mão poderosa de Deus está comprometida com os que sonham com o bem e a promoção da vida, os que trabalham e se empenham pelo bem de todos.

Em nossa realidade do Grande ABC sonhamos com uma sociedade cada vez mais justa e fraterna, unida na busca de seus ideais. O sonho de justiça e fraternidade está presente no coração de cada um. A sociedade através das últimas eleições acaba de delegar aos políticos eleitos para os cargos públicos, a tarefa de estar à frente na busca da realização destes sonhos. Os prefeitos, vereadores, secretários e demais autoridades que passam a exercer o poder no início deste ano carregam a responsabilidade de ajudar a realizar o sonho de um povo que quer vida plena para todos.

Neste sentido, celebraremos uma Ação de Graças, uma Missa pelo início dos mandatos e por toda população do Grande ABC, na Catedral de Santo André (Praça do Carmo s/n – Centro – Santo André), no dia 8 de fevereiro às 20h. Estão convidadas todas as autoridades e a população em geral. Rezemos para que haja união, sabedoria e um trabalho eficiente no governo das sete cidades de nosso querido ABC. O sonho que se sonha sozinho talvez não se realize, mas o que sonhamos juntos certamente.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal Diário do Grande Abc

Fonte: http://www.diocesesa.org.br/tres-arvores-e-seus-sonhos/

O Bom Samaritano como paradigma da Misericórdia – Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

Palestra na abertura da Semana Teológica da PUC-SP – 2016

Dom Pedro Carlos Cipollini – Bispo de Santo André – SP

Introdução

Penso que seja justo iniciar esta reflexão com uma frase do Papa Francisco, que tem se demonstrado o apóstolo da misericórdia em nosso tempo: “Da acolhida ao marginalizado que está ferido no corpo e da acolhida ao pecador que está ferido na alma, depende a nossa credibilidade como cristãos”[1]. Ele diz ainda que a centralidade da misericórdia representa para ele “a mensagem mais importante de Jesus”[2]. A partir destas premissas gostaria de enfocar o tema que me foi proposto e que se demonstra de uma atualidade toda especial, não só por causa do ano da Misericórdia, mas também pela pertinência deste tema frente à dura realidade que nos cerca.

O Papa João Paulo II já havia recordado à Igreja que “a mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia”.[3] O cardeal Walter Kasper, em seu livro bastante difundido, registra que “este tema, fundamental para a Bíblia e de atualidade para a experiência contemporânea da realidade, só ocupa, no melhor os casos, um lugar marginal nos dicionários enciclopédicos e nos manuais de teologia dogmática”.[4] O mesmo autor cita ainda Nietzsche, o qual ao proclamar a morte de Deus que abre espaço para o super-homem, com sua vontade de poder, firma: “não gosto dos misericordiosos”[5].

No entanto, o próprio mistério de Cristo nos obriga a proclamar a salvação como amor misericordioso de Deus e a admitir que a Igreja vive uma vida mais autêntica quando professa a misericórdia, ela, a misericórdia, é “o mais admirável atributo do Criador e Redentor”[6].

Na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco afirma de forma contundente: “Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida”[7].

O Papa Francisco retoma a opção pelos pobres da Igreja latino americana. A intuição ou desejo de João XXIII a respeito da “Igreja de todos e, em especial, a Igreja dos pobres”[8], encontrou na América Latina um campo fértil. O pensamento e atitudes do Papa Francisco mostram, que o modo como a Igreja latino-americana recepcionou o concilio Vaticano II chegou ao Papado. Uma Igreja que olha com misericórdia para os pobres e age em sintonia com esta misericórdia.

Para Jesus a misericórdia se exprime no Sermão da Montanha, o qual se baseia no mandamento do amor, que inclui o mandamento de amar até os inimigos (cf. Lc 6,27). No coração do Sermão da Montanha está a misericórdia como expressão da perfeição divina: onde em Mateus Jesus recomenda sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito, Lucas recomenda “Sede misericordiosos como vosso Pai dos Céus é misericordioso” (Lc 6,36). A misericórdia de Deus é o poder divino que conserva, protege, fomenta, recria e fundamenta a vida. Ultrapassa a lógica da justiça humana que se resume muitas vezes ao castigo ou à morte do pecador (cf. Tg 2,13).

Vamos dar uma breve olhada para a nossa realidade, em seguida vamos examinar a parábola do Bom Samaritano e suas consequências para a Igreja e porque ela é paradigma para a ação pastoral e vivência do Evangelho hoje, a partir desta parábola.

Crise antropológica

Muito se fala, se escreve e analisa a situação na qual nos encontramos. De uma forma simples e lapidar o Papa Francisco escreve: “A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda que consiste na negação da primazia do ser humano”[9], enfatiza ainda que “o ser humano é considerado, em si mesmo, um bem de consumo que se pode usar e depois jogar fora”[10]. Ao negar Deus ou ao negar seu lugar na sociedade se acaba por negar também a dignidade do ser humano.

Gustavo Gutierrez cita o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento que dizia que nosso século XXI será “um século fascinante e cruel”. Graças ao extraordinário desenvolvimento da ciência e da técnica, abriu-se uma época fascinante. Para os ricos e aqueles que tem acesso ao conhecimento tecnológico, será fascinante! Estes tendem a formar um estamento humano internacional, fechado sobre si mesmo, esquecido dos pobres que padecerão situações verdadeiramente cruéis. “Com outras palavras, o futuro imediato não será, na verdade, fascinante e cruel para as mesmas pessoas”. [11]

A ideologia do indivíduo livre e autônomo, regido por um sistema econômico livre, baseado no empreendedor independente, e no mercado livre, não coloca mais barreiras ao individualismo. “O processo de personalização, impulsionado pela aceleração das técnicas, pela administração, pelo consumismo de massa, pela mídia, pelo desenvolvimento da ideologia individualista e pelo psicologismo, leva ao ponto culminante o reinado do indivíduo.”[12]

Neste clima, a perda de valores e mais ainda a perda de sentido, estabelece um vazio no qual os indivíduos se fecham sobre si mesmos; …   “o deserto cresce: o saber, o poder, o trabalho, o exército, a família, a Igreja, os partidos, já pararam de funcionar como princípios absolutos e intangíveis”[13]. O vazio dos sentimentos e o desmoronamento dos ideais, não trouxeram como era de se esperar, mais angústia, mais absurdo ou pessimismo. Reina a apatia, a indiferença cresce, passa-se ao largo do sofrimento alheio. Revela-se um processo de indiferença pura no qual todos os gostos e todos os comportamentos podem coabitar sem se excluírem, o relativismo dá o tom. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia em meio à qual triunfa o narcisismo gerado pela perda dos valores e finalidades sociais. “O espírito de abnegação está desvalorizado por toda parte enquanto se reforça a paixão do Ego, do bem estar e da saúde”.[14]

A crise econômica por que passamos está colocando a descoberto a periculosidade mortal do sistema econômico financeiro, do mercado que se converte em centro de poder, cada vez mais alheios ao bem comum, deixando sem proteção os fracos e pobres deste mundo. O Papa Francisco em poucas palavras traduz o resultado do individualismo e narcisismos reinantes: “Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios: já não choramos à vista do drama dos outros nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. A cultura do bem estar nos anestesia”[15].

Por tudo isto que brevemente abordamos até aqui, como uma moldura para o que vamos tratar, podemos afirmar que nesta mudança de época[16] na qual vivemos, estamos em uma crise antropológica. “Por isso a atual crise não é só uma crise econômico financeira. É uma crise da humanidade. O sistema que dirige nesses momentos a marcha do mundo é objetivamente inumano”.[17] Realmente a “lógica” do mercado é desumana e reina a cultura do narcisismo: “Acreditamos que nossa vontade é soberana porque sem postulados, livre porque espontânea, e é o dom mais excelso que possuímos”[18].

A parábola do Bom Samaritano: uma “lógica” diferente

Está parábola[19] está entre as mais famosas e comentadas de Jesus. Temos nela uma contraposição entre o que é da Lei (legal) e o que é do Coração (gratidão). A pergunta que motivou Jesus a dizer a parábola, brota de uma pessoa preocupada em cumprir a Lei para ganhar a vida eterna. Quem é meu próximo, ele pergunta, não pensa no sofrimento das pessoas. Este homem está mergulhado no legalismo religioso que ignora o amor ao necessitado e a compaixão. É deste tipo de pessoas que Jesus recebe as críticas mais contundentes.

Jesus quer convidar a andar pelo caminho da compaixão, pensa sobretudo nos dirigentes religiosos e pessoas piedosas. Esta parábola é uma advertência aos que se dedicam ao sagrado, a fim de não caírem na tentação de viver longe do mundo real, onde as pessoas lutam, trabalham, sofrem.

Na parábola do Bom Samaritano, Jesus delineia a fisionomia de seus seguidores: devem ser compassivos e solidários. Especialmente Lucas ressalta a dimensão social da fé, fugindo de esgotá-la em uma simples proposta política de empenho pela paz e justiça. Jesus convida a ir além. Fazer-se próximo ao que sofre é empenho prioritário da “fé que age pela caridade”(Gl 5,6). Esta parábola coloca uma situação limite, na qual o sacerdote e o levita são postos perante a alternativa entre a observância das regras de pureza cultuais, que deviam observar, e o socorro de um moribundo.

Jesus está diante de duas perguntas feitas por um doutor da lei. No Evangelho de Lucas, a primeira é: “O que devo fazer para ganhar a vida eterna?” (Lc 10,25). No Evangelho de Mateus e Marcos, que não narram a parábola do bom Samaritano, mas somente o diálogo com o doutor da Lei que introduz a parábola, a pergunta é: “Qual é o primeiro dos mandamentos?”(cf. Mt 22,34-40; Mc 12,2831).

Os rabinos organizaram os dez mandamentos em 613 preceitos, dos quais 248 positivos (um para cada osso do corpo humano) e 365 negativos (um para cada dia do ano).[20] A resposta de Jesus se baseia no Deuteronômio e Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus e o próximo como a ti mesmo”(Dt 6,5; Lv 18,5). Resposta clara e precisa, ele oferece não um mandamento, mas uma resposta: amar. De fato, amar não é somente um mandamento, mas é uma escolha radical e constante, um modo de viver. Acima de tudo o amor é uma decisão e um compromisso”.[21]

A segunda pergunta: “Quem é meu próximo?” (Lc 10,29). É uma típica pergunta casuística, rabínica, própria de um teólogo moralista. Na realidade ele queria perguntar qual é a graduação, os graus diversos para considerar uma pessoa como “próximo”. Os rabinos consideravam o caso de um pagão ou samaritano ferido na estrada, respondendo à pergunta se ele devia ser socorrido ou não. A resposta é não, porque isto lhe tornaria impuro duas vezes, porque você estaria socorrendo um ferido que é não somente pagão, mas também herege.

Jesus na parábola inverte de forma chocante a capacidade de estar sintonizado com Deus. Não é o sacerdote nem o levita, estritos praticantes da Lei que estão sintonizados com Deus, mas o samaritano, o que menos poderia se esperar. “O coração do samaritano estava sintonizado com o coração do próprio Deus. Com efeito, a compaixão é uma característica essencial da misericórdia de Deus… Compaixão quer dizer padecer com”.[22] Os samaritanos constituíam uma espécie de seita e adoravam a Deus no monte Garizim. Não eram judeus e não participavam da eleição de Israel. Não sendo judeus, os samaritanos não estavam entre os “próximos” que deviam ser amados.

Podemos dizer que: “Esta parábola está unida profundamente entorno da grande herança que nos deixou Jesus Cristo e que Lucas nos transmite”.[23] A atenção de Jesus para com os excluídos, a escolha dos pobres e oprimidos, a acolhida aos pecadores, a compaixão para com os que sofrem, a solidariedade para com todos sem distinção. Na verdade, ao responder a pergunta: quem é meu próximo, o evangelista, com esta parábola, convida a colocar-se diante do que fez Jesus: “Jesus Cristo é o bom Samaritano”.[24]

O texto afirma que o samaritano teve compaixão, expressão que o Evangelho reserva a Jesus que é movido por compaixão (cf. Lc 10, 33; Lc 7, 13 “misericórdia motus” na tradução da Vulgata). Jesus se fez próximo e amou até o fim (Jo 13,1), em meio à uma sociedade como a sua, que tinha uma preocupação extrema com a solidariedade grupal: “Depois do prestígio e do dinheiro, a preocupação fundamental da sociedade em que Jesus viveu era a solidariedade grupal”.[25]

Jesus preconizou uma solidariedade amorosa que não excluía absolutamente ninguém, não se deve dar preferencia à nossa família ou a nossos parentes e amigos (cf. Mc 3,34-35). Esta nova solidariedade universal deve suplantar todas as solidariedade grupais. “Não se pode negar que a história (do bom Samaritano) mais que outra ilustra o comportamento e ações de Jesus”.[26]

A pergunta inicial era: quem é meu próximo, indicado pela Lei? Jesus responde que o próximo é você mesmo, cada vez que te fazes próximo a uma pessoa que precisa de você. Ou seja, a pessoa que precisa de tua ajuda, é aquela que te dá a possibilidade de amar e assim ser salvo, ganhar a vida eterna. O próximo não é o ferido à beira da estrada, do qual nada se diz na parábola, o próximo é o que teve compaixão dele, o que se fez próximo. Somente a atenção ao sofrimento das vítimas pode arrancar-nos do egoísmo e da indiferença, e mostrar que o amor não é feito de palavras, mas de gestos concretos (cf. Mt 25).

Tudo começou quando o samaritano aproximou-se para ver e compreender o que tinha acontecido. “De acordo com Jesus, o importante na vida não é teorizar muito ou discutir longamente sobre o sentido da existência, mas andar como o samaritano: com os olhos abertos para ajudar qualquer pessoa que possa estar precisando de nós.”[27] O mor ao próximo no qual se encontra o segredo da vida eterna impõe de avizinhar-se aos outros, particularmente aos que estão sofrendo e precisam de ajuda.

Os Santos Padres da Igreja comentam magistralmente esta parábola. Orígenes nas suas homilias sobre o Evangelho de Lucas, referindo-se à parábola do Bom Samaritano, diz que o samaritano era acostumado a ajudar os outros, pois ele trazia consigo ligaduras e o necessário para tratar feridos, não só por causa desse único semimorto à beira da estrada, mas por causa de outros também, que por várias causas haviam sido feridos e precisavam de sua ajuda.[28]

Esta parábola é paradigma da misericórdia divina revelada em Jesus. “Misericórdia é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro… é a palavra chave para indicar o agir de Deus para conosco”.[29] A misericórdia é o sagredo mais íntimo de Deus (S. Vicente de Paulo). Na figura do bom samaritano a parábola também mostra o modo de agir do próprio Pai misericordioso que envia o filho e o Espírito Santo para curar a humanidade ferida (vinho e óleo sobre as feridas do homem caído à beira da estrada) segundo comentário de Orígenes referido acima. “Quando o evangelista escreve sobre os cuidados que o samaritano começa a prestar ao ferido (óleo e vinho podem fazer alusão ao Batismo e Eucaristia) indica que devem continuar na sua Igreja (albergue para o qual o samaritano levou o homem ferido), este é o local onde o homem pode se recuperar a saúde física e espiritual, até o retorno (parusia) de Jesus na sua glória”.[30]

A mais genuína compaixão não consiste em repartir, mas em compartilhar, fazer-se próximo. À pergunta sobre quem é meu “próximo”? responde-se: aquele de quem você se faz próximo. “O próximo não é a pessoa que encontramos no nosso caminho, mas é aquele com quem nos encontramos à medida que abandonamos o nosso caminho e entramos no do outro, no seu mundo… Aproximar-se do outro comporta um efeito duplo: nós nos tornamos próximos e o outro se torna nosso próximo; é um caminho de ida e volta”.[31]

A solidariedade de Jesus com todos os homens não era atitude vaga e abstrata em relação à humanidade em geral. Amar todas as pessoas em geral pode significar não amar pessoa alguma em particular. “A solidariedade com os ´ninguéns´ deste mundo, com as ´pessoas descartadas´, é a única maneira concreta de viver na prática a solidariedade com a humanidade”.[32] A parábola do bom Samaritano nos confirma o que escreve Santo Agostinho: “O amor a Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos, mas o amor ao próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução”.[33]

Enfim, esta parábola contém uma dos mais profundos ensinamentos de Jesus: “Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para entender quem são os seus verdadeiros filhos”.[34]

A Igreja “samaritana”[35] dos excluídos em uma sociedade narcisista

A Igreja está a serviço do Reino de Deus e não há separação entre Cristo, Reino e Igreja.[36] A Igreja é semente do Reino[37], o Reino irrompe com Jesus, Senhor da Igreja, portanto quanto mais parecida com Jesus mais a Igreja será verdadeira. Podemos afirmar que quanto mais misericordiosa for a Igreja mais será uma Igreja autêntica, porque mostrará com mais nitidez a face de Cristo ao mundo. Para muitos talvez o Evangelho se tenha convertido numa moral. Para o cristão autêntico é um rosto, uma pessoa, Jesus: “rosto da misericórdia”[38].

Nas comunidades dos primeiros séculos, os doutores da Igreja chamaram a prática da misericórdia simplesmente de “práxis”.[39] Deus é misericordioso por sua natureza, ele salva com a sua clemência o que não pode salvar com sua justiça. Nosso vício maior como cristãos é que perdemos esta referência.[40] No entanto, a Igreja, além da fidelidade a Jesus Cristo, tem a responsabilidade histórica de “narrar” ao mundo a caridade, mostrando a sabedoria de Deus contraposta à sabedoria do mundo “Bem aventurados os que adormecem no amor” (Eclesiástico 48, 11).

Em um artigo publicado em 1990 o teólogo Jon Sobrino coloca a misericórdia como uma das “notas” da Igreja que se deve anexar às quatro notas tradicionais: una, santa, católica e apostólica. Neste artigo o autor pergunta; como é que uma Igreja se parece com Jesus? E responde: parecer com Jesus é reproduzir a estrutura de sua vida. [41] Para que a Igreja realize esta tarefa é necessário que ela se encarne na realidade, leve a cabo sua missão em favor do Reino de Deus, carregue o pecado do mundo e, finalmente ressuscite, tendo dado vida, esperança e alegria aos outros. O autor é da opinião de que o princípio mais estruturante da vida de Jesus é a misericórdia: por isso deve ser também o da Igreja.[42]

Para concluir dizendo que a Igreja deve ser “samaritana da misericórdia”, Jon Sobrino escreve: “Quando Jesus quer mostrar o que é um ser humano cabal, conta a parábola do bom samaritano. Nesta parábola se procura dizer-nos quem é o ser humano”.[43] Jesus apresenta o samaritano como exemplo consumado de quem cumpre o mandamento do amor ao próximo, alguém que, como Deus, age movido pela misericórdia. É este “princípio misericórdia” que deve atuar na Igreja, é a misericórdia que deve lhe dar forma e figura: “Isto quer dizer que também a Igreja, enquanto Igreja, deve reler a parábola do bom samaritano com a mesma expectativa, com o e mesmo temor e tremor com que a escutaram os ouvintes de Jesus, ela é fundamental, nela tudo se decide.”[44]

Atualmente é reconhecido que só uma Igreja da misericórdia consequente, é que se faz notar no mundo de hoje, e se faz notar com credibilidade, mesmo diante dos que se declaram agnósticos ou ateus. “A Igreja é Igreja quando existe para osoutros”[45]

Uma Igreja que não resolve o problema do amor, o qual a leva ao exercício da misericórdia e à aventura da fraternidade, vai procurar cobrir sua nudez com o dinheiro e o poder viagra australia over the counter. Quem se ocupa somente com o poder e o dinheiro não tem tempo de amar. Neste sentido, São Gregório Nazianzeno, bispo de Constantinopla, afirma em sua autobiografia que uma Igreja dividida pelas heresias e tentada pelo luxo se torna idólatra: “Eu apostaria no ouro, pois este metal agita e manipula tudo. Não é surpreendente que os bens deste mundo sejam para nós mais atrativos do que os dons do Espírito Santo”.[46]

De fato, na época do ministério do mártir Beato Oscar Romero como Arcebispo de San Salvador, o maior motivo da divisão foi entre os que naquela Igreja fizeram a escolha por seguir Jesus na opção compassiva pelos pobres, e os que não fizeram esta opção.[47] A opção pelos pobres enfatizada pela Igreja Latino Americana, como sabemos é na Igreja uma opção “cristológica”, não se questiona mais sua necessidade para a Igreja toda.[48] E sabemos que a compaixão, a misericórdia está na raiz desta opção pelos pobres e não somente a “indignação ética”. [49]

Uma Igreja samaritana da misericórdia deve ter uma face missionária e profética.

A abertura missionária, restitui à Igreja sua face misericordiosa. Em meio a situações difíceis as pessoas precisam encontrar acolhida nas comunidades cristãs, que no dizer do papa Francisco são como “hospital de campanha”. Mas isto não basta, as comunidades devem ser missionárias, irem ao encontro, procurar os feridos e caídos, as ovelhas perdidas. A missão é a forma mais eminente da prática da misericórdia fraterna, ela oferece a libertação mais radical da miséria humana: o contato com o Evangelho transmitido através da pregação e mais ainda da prática do amor. A missão leva ao exercício da misericórdia para com o que está no chão, fora, longe, é assim uma das formas mais radicais do “ágape” cristão.

A Igreja samaritana da misericórdia tem na profecia uma de suas dimensões essenciais. Ela continua a profecia de Jesus e o faz introduzindo no mundo o modo de agir de Jesus Cristo. Somente uma Igreja que vive profundamente a comunhão poderá ser missionária e profética: “A comunhão é a profecia sem a qual a palavra da Igreja será vazia”.[50] É na vivência da comunhão que desperta em nós a compaixão e a solidariedade, as quais que profetizam ao mundo com gestos e não só com palavras. A Igreja enquanto tal é profética, mas o exercício de sua profecia deve ser atualizado em seus membros.

A Igreja que até hoje se preocupou tanto com o pecado e a culpa é chamada a preocupar-se com o sofrimento e a miséria das pessoas tanto física como moral. O pecador não é somente um culpado, mas é também um sofredor porque não pode ser feliz no seu pecado. Temos de acreditar que as bem-aventuranças, antes que exigência moral, são anúncio de felicidade: “Chegou a hora de nos perguntarmos se a fé proporciona vida antes da morte”.[51] A profecia da Igreja se traduz também nas obras de misericórdia[52] e na sua doutrina social.

Trabalhar por uma Justiça sem misericórdia não é cristão. A alternativa às propostas das ideologias capitalistas e socialistas, de partidos e grupos, é a proposta da Igreja que parte da fé no Evangelho e propõe a dignidade da pessoa, a solidariedade e a destinação universal dos bens. André Frossard, um intelectual francês convertido escreveu: “Max tinha previsto tudo, menos o marxismo, que como se fosse um sacramento das trevas, produziu em toda a parte o contrario do que significava. ´A razão troveja em sua cratera…´, dizia o canto da classe operária. Hoje não se vê nada além da cratera, na qual ficou sepultada a pátria do socialismo e, com ela, umas esperanças atraiçoadas”.[53] Nenhum esforço para fazer progredir a humanidade, prospera sem o óleo da misericórdia e o vinho da compaixão e a Igreja os tem. Doutra parte, “não é a ciência que redime o homem. O homem é redimido pelo amor”.[54]

Deus tem uma música para fazer ressoar na história humana. Esta música é sua misericórdia. A partitura é o Evangelho e a orquestra é a Igreja, e esta Igreja deve tocar a partitura sem desafinar. “A primeira tarefada Igreja consiste em anunciar a mensagem da misericórdia”[55] e deve fazê-lo de forma afinada.

O Evangelho da Graça

Jesus ao proferir esta parábola tinha diante dos olhos um auditório de murmuradores invejosos, gente honesta, de casa, como o irmão do filho pródigo (Lc 15,27-28). Se nos colocarmos do lado destes murmuradores (cf. Lc 15, 1-2), poderíamos nos perguntar: o evangelho da misericórdia não acaba descambando para o permissivismo e o relativismo?

A parábola do Bom Samaritano nos apresenta por assim dizer o que a graça de Deus pode fazer em nós: sintonizar-nos com Deus, perceber a ação Dele no mundo e entrar neste dinamismo, fazendo parte do agir de Deus que é o amor misericordioso que serve. Aqueles que cumprem a vontade divina provam uma profunda paz e alegria e isto é manifestação da graça divina. “O Evangelho da graça, tem como correspondente em quem o recebe, o estigma da gratuidade. Não há nada de mais exigente que a gratuidade, porque não há limite ao contrário do evangelho da Lei… A exigência do Evangelho da graça, leva a superar toda legalidade e todos os papeis, porque nos toca no mais íntimo e nos convida ao dom de nós mesmos até à morte”.[56]

Em nosso tempo a teologia da graça está marcada pelos contributos bíblicos, a graça é o próprio Deus, é o dom do Espírito, pelo qual o amor de divino habita em nós e nos move a agir em sintonia com o modo de ser de Deus que é o amor misericordioso. O samaritano recebeu da tradição cristã o adjetivo de bom, o mesmo que é empregado por Jesus para designar o Pai (cf. jovem rico ), o misericordioso se assemelha a Deus.

A vida na graça é a vida do homem novo, criado em conformidade com Deus, na justiça e santidade, próprias da verdade (Ef 4,24). Hoje se descobre cada vez mais a dimensão social da graça: a comunhão com o amor divino converte a liberdade humana no espaço da reconciliação e solidariedade, superando qualquer intimismo e individualismo. “Não se pode viver como salvos em um mundo não redimido”[57]. Por isso a urgência da compaixão samaritana.

A graça muda em sua raiz a relação com Deus, entre nós e com o mundo, convertendo tudo em acolhimento e gratidão. Ela muda as relações dentro da comunidade, em que deve reinar o serviço, a ordem da doação recíproca, gratuita e desinteressada, a exemplo da atitude do bom samaritano, e não a da justiça do tanto-quanto (Fl 2, 1-4). “Só o amor é o sinal distintivo do verdadeiro cristão”.[58] É certo que o amor ao próximo na radicalidade com que Jesus o formula é impossível sem a força que emana do amor de Deus, porém vem em nosso auxílio a graça de Deus.

A existência do homem deve ser considerada dom gratuito, existência presenteada, que não pode justamente por isso, permanecer fechada em si mesma, buscando somente a própria vantagem ou interesse, mas deve abrir-se, transformando-se em dom para todos. Sem isso o movimento do amor de Deus que é dado, seria interrompido e desviado. O amor gratuito infundido e derramado sobre o homem, não seria transformado mais em dom, mas em propriedade, não em serviço, mas em poder. Graça e serviço são duas realidades correlatas (1Cor 12, 4). A graça correspondida com gratidão leva ao serviço desinteressado aos irmãos em forma de dom de si a exemplo do que fez Jesus, o bom samaritano da humanidade.[59]

Pela graça se consegue ver as coisas como Deus vê e agir como ele age. “Quando os seres humanos veem o universo com compaixão veem o Senhor”.[60]Nisto consistiu a santidade do bom samaritano, diferente da santidade do Sacerdote e do Levita, que eram homens corretos mas não tinham atingido a santidade. Ilustro o que digo com uma frase de Chesterton: “A transição do homem bom para o santo é uma espécie de revolução, pela qual alguém a quem todas as coisas ilustram e iluminam Deus, torna-se alguém a quem Deus ilustra e ilumina todas as coisas”.[61]

Conclusão

“A experiência de um Deus Pai misericordioso foi o ponto de partida da atuação de Jesus”[62]. A partir deste dado, a parábola do Bom Samaritano representa na prática, para o cristão, o que vem a ser o amor de Deus na sua característica mais íntima que é a misericórdia. Misericórdia que será a palavra a ecoar por toda a eternidade: “Misericordias Domini in aeterno cantabo”(Sl 136).

O amor ao próximo na radicalidade com que Jesus o formula é impossível para nós cristãos, sem a força que emana do amor de Deus aurido na oração e nos sacramentos da Igreja. É este amor que confere sentido e valor a tudo o mais: “Se não tiver amor nada sou” (1Cor 13, 2). No absurdo deste amor que é o absurdo da cruz, na loucura deste amor, irrompe já no mundo o escatológico, o último e definitivo. Acontece a vinda do Senhor suplicada pela Igreja: “Vem Senhor Jesus, maranatha!” (Ap 22,20).

A parábola do bom Samaritano é paradigmática porque indica como viver o seguimento de Jesus. O gesto do samaritano deve inspirar a prática do amor dos discípulos de Jesus. “O conceito cristão de misericórdia é, portanto a chave da transformação de todo um universo em que o pecado ainda parece reinar”.[63] Em todas as religiões está presente a prescrição da prática da compaixão[64], até mesmo a cultura clássica grego-romana havia dado valor à “plilanthropia” (amor fraterno) e na “philoxenia” (acolhida ao estrangeiro) que a Carta aos Hebreus indica: “Perseverai no amor fraterno, não esqueçais a hospitalidade” (Hb 13, 1-2).

O papa Bento XVI escreve que a parábola do bom samaritano leva a dois esclarecimentos importantes. O primeiro é que muda o conceito de próximo que até então era atribuído aos concidadãos, abolindo todos os limites e universalizando-o. O segundo é coligar esta parábola com a parábola do juízo final (cf. Mt 25,31-46) onde o amor se torna o critério para a decisão definitiva sobre o valor e a inutilidade de uma vida humana.[65] O amor cristão é “agape”, amor capaz de dar a vida, incorpora em si a solidariedade (koinonia) na forma das obras de misericórdia corporais e espirituais,[66] e a justiça do Reino de Deus (I Cor 13, 1-8).

O Papa Paulo VI colocou a tônica do Concílio na caridade compreendida a partir da parábola do Bom Samaritano. Aquilo que João XXIII intuíra, Paulo VI levou a termo no concílio e assim pode se expressou: “Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio. Com efeito, um imenso amor para com os homens penetrou o Concílio”.[67] O papa Francisco resgata de forma até mesmo contundente esta centralidade da caridade na sua expressão de misericórdia proposta pelo concílio Vaticano II. Ele nos indica que chegou o momento de recuperar a compaixão como a herança que Jesus deixou para a humanidade, o princípio de ação que há de mover a história para um futuro mais justo e humano.

Enfim, a parábola do bom Samaritano é paradigma da misericórdia divina porque nos mostra Jesus que não olha em primeiro lugar para o pecado mas para o sofrimento do ser humano (cf. Mt 9, 13;12,7). “A partir de sua experiência radical da compaixão de Deus, Jesus introduz na história um princípio decisivo de ação: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso”.[68] Para Jesus o grande pecado é se colocar contra o projeto de Deus, resistindo em tomar parte no sofrimento dos outros e permanecendo fechado no próprio bem estar, em cômoda insensibilidade.

Termino citando o poeta Francis Thomson, que expressa com breves palavras tudo o que acabo de expor com tantos circunlóquios:

“Procurei a minha alma, não a pude ver.

Procurei Deus, Ele me escapou.

Procurei meu irmão e encontrei todos os três”[69] [1] PAPA FRANCISCO, O nome de Deus é misericórdia, Ed. Planeta, 2016, p. 138.

[2] Idem p. 34

[3] JOÃO PAULO II in Dives in Misericordia n. 2

[4] Cf. WALTER KASPER, in. A misericórdia, condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã,

Loyola, S. Paulo, 2015, p. 22. “É necessário repensar do princípio ao fim a doutrina sobre os atributos

de Deus, concedendo à misericórdia divina o lugar que lhe pertence”, idem p. 23.

[5] Idem p. 28

[6] JOÃO PAULO II, Idem n.13

[7] PAPA FRANCISCO in Misericordiae vultus n. 2

[8] Alocução radiofônica do dia 11 de setembro de 1962, a um mês da abertura do concílio Vaticano II.

[9] PAPA FRANCISCO, Evangelii gaudium n. 55

[10] Idem n.54

[11] G. L. MULLER – G. GUTIÉRREZ, Ao lado dos pobres, Paulinas, S. Paulo, 2014, p.122

[12] GILES LIPOVETSKY, A era do vazio, ensaio sobre o individualismo contemporâneo, Ed. Manole,

Barueri, 2005, p. 8

[13] Idem, p. 18

[14] Ibidem, p. 197

[15] PAPA FRANCISCO in Evsngelii Gaudium n. 58. O Documento 102 da CNBB (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da  Igreja no Brasil, 2015-2019), no seu Capítulo II intitulado Marcas do nosso Tempo, faz uma boa análise de nossa realidade.

[16] Cf. Documento de Aparecida n.

[17] J. A. PAGOLA, Jesus e o dinheiro, Vozes, Petrópolis, 2014, p. 11

[18] H. SMITH, A alma do cristianismo, Cultrix, S. Paulo, 2006, p.24. As religiões mergulham em uma crise

de transcendência em um mundo secularizado, os governos não podem oferecer, sentido e

esperança, desta forma o mundo dos negócios assumiu o comando, cf. idem p. 23.

[19] “As ações parabólicas de Jesus são pregações. Mostram que Jesus não só pregou a mensagem das

parábolas, mas também as viveu e as corporificou em sua pessoa. Jesus não só fala a mensagem do

Reino de Deus, ele a é ao mesmo tempo”, J. JEREMIAS, As parábolas de Jesus, Paulus, S. Paulo, 1986,

p.234.

[20] G. F. RAVASI, Il Vangelo di Luca, Dehoniane, Bologna, 1998, p. 122

[21] J. POWELL, Amor incondicional, Ed. Crescer, Belo Horizonte, 1995, p. 79

[22] PAPA FRANCISCO, Quem é o próximo, Audiência geral e, 27/07/2016 in L´Osservatore Romano, Ed.

port. n. 17 ed. 28 de abril 2016, p. 16

[23] Idem p. 125

[24] A. ROSMINI, Discorso 30/08/1835 in Spiritualià Rosminiana, Paoline,Milano, 1964, p 554

[25] A. NOLAN, Jesus antes do cristianismo, Paulinas , São Paulo, 1978, p. 91

[26] O. SPINETOLI, Luca, Cittadella Ed., Assisi, 1986, p. 383

[27] J. A. PAGOLA, O caminho aberto por Jesus, Vozes, Petrópolis, p. 183

[28] Cf. ORÍGENES, Homilias sobre o Evangelho de Lucas, Paulus, S. Paulo, 2016, p.235

[29] PAPA FRANCISCO, Misericordiae vultus n. 2 e 9

[30] O. SPINETOLI, in op. Cit. p. 384

[31] G. L. MULLER, Pobres para os pobres. A missão da Igreja, Paulinas, S. Paulo, 2014, p. 135 – 136.

[32] A. NOLAN, in op. Cit p. 99

[33] Cf. SANTO AGOSTINHO, Evangelium Ioanis, 17,7

[34] PAPA FRANCISCO, Misericaordiae Vultus n. 9

[35] Cf. CELAM, Documento de Aparecida n. 26; “Iluminados pelo Cristo, o sofrimento, a injustiça e a cruz nos desafiam a viver como Igreja samaritana (cf. Lc 10, 25 – 37) recordando que as evangelização vai unida  sempre a promoção humana e à autêntica libertação cristã”, Idem, Ibidem.

[36] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, n. 18

[37] Cf. in Lumen Gentiun n. 5

[38] PAPA FRANCISCO: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” in Misericordie vultus n.1

[39] Cf. GALILEA S., A sabedoria do deserto, Paulinas, S. Paulo, 1986, p. 41

[40] Cf. SÃO JERONIMO, In Ionam, II, 9 – Sources Chretiennes n. 43, Ed. Du Cerf, Paris, 1956 p. 90.

[41] Cf. Sal Terrae, n. 927 (1990/10) pp. 665-678. Este artigo consta no livro do mesmo autor; Princípio

Misericórdia: descer da cruz os povos crucificados, Vozes, Petrópolis, 1994, p. 31

[42] Idem p. 31-32

[43] Idem ibidem p. 34.

[44] Idem ibidem p. 38

[45] D. BONHOEFFER, Resistência e Submissão, Paz e Terra, S. Paulo, 1968, p. 186.

[46] Cf. in Autobiografia, cap. VI p. 55

[47] Cf. R. URIOSTE, Entrevista, ADISTA 30.03.1996 p. 6 (Mons. Ricardo Urioste foi vigário geral de San

Salvador entre 1977 a 1996).

[48] Cf. in BENTO XVI, Discurso Inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Aparecida. Cf. tb. Introdução do documento do Sínodo Extraordinário sobre os 25 anos do Vaticano II (1985). JOÃO PAULO II: “Ho fato e faccio mia tale opzione, mi identifico com essa”, in AAS v. 77 (1985) p. 503

[49] “Sem um mínimo de compaixão com esta paixão que afeta as grandes maiorias da humanidade, não é possível haver nem compreender Teologia da Libertação”, BOFF, C. – BOFF, L., Como fazer Teologia da Libertação, Vozes, Petrópolis, 1985, p. 13

[50] CNBB, Evangelização e missão profética da Igreja, Doc. 80/2005 capítulo II

[51] J. A. PAGOLA, Es bueno crer em Jesus, S. Pablo, Madrid, 2012, p. 17

[52] L. MANICARDI, Caridade em obras, Ed. CNBB, Brasília, 2016, excelente reflexão bíblico teológica sobre as Obras de Misericórdia.

[53] A. FROSSARD, Grandes Pastores, Ed. Quadrante, S. Paulo 2012, p. 18

[54] BENTO XVI, Spe Salvi n. 26.

[55] JOÃO PAULO II in Dives in Misericordia n. 14; W. KASPER, in op. Cit. P. 196.

[56] C. M. MARTINI, Il giardino interiore, Milano, 2016, p. 34

[57] G. COLZANI, Graça, in VV.AA., Cristos, Enciclopédia do Cristianismo, Verbo, Lisboa, 20014, p.393

[58] SANTO AGOSTINHO, Evangelium Ioannis, 76, 2

[59] B. MAGGIONI, Experiência Espiritual na Bíblia, in Dicionário de Espirituyalidade, Paulus, S. Paulo, 1993

(2ªEd.) p.431

[60] HILDEGARDA de BINGEM, Meditações. Ed. Gente, S. Paulo, 1993, p 101

[61] G.K. CHESTERTON, São Francisco de Assis, Ed. Eclesiae, Campinas, 2014, p. 65

[62] BOMBONATTO, V.I., A misericórdia e a catequese, Redescobrir a misericórdia in CEPDF/CNBB, (CATELAN, A. L., org.),Reflexões interdisciplinares sobre a Misericordiae Vultus, Ed. CNBB, 2016, p. 176

[63] T. MERTON, Nenhum homem é uma ilha, Agir, S. Paulo, 1958, p. 202

[64] “O cânone budista convida a praticar a maitri, isto é a misericórdia, compaixão, porque não há

nada de mais poderoso para extinguir o ódio, esta é a lei eterna… O hinduísmo exalta a “compaixão”

(Alcorão 76,8), (Majihima Nikaya I, 129)”, cf. in G. RAVASI, Il cardinale e il filosofo, Milano, 2014, p.

198-199.

[65] Cf. in Deus caritas est n. 15

[66] Cf. L. MANICARDI, in op. Cit.

[67] PAULO VI, Alocução por ocasião da última sessão pública do Concílio Vaticano II; Roma (07 de

dezembro de 1965)

[68] J. A. PAGOLA , Jesus e o dinheiro, Vozes, Petrópolis, 2014, p. 46

[69] Citado por Mons. Jacques Gaillot in Lettera agli amici di Partenia, Queriniana, Brescia, 1986, p. 65

Fonte: http://www.diocesesa.org.br/2016/06/07/o-bom-samaritano-como-paradigma-da-misericordia/

Quer ser feliz? Este é o convite do Papa Francisco.

Por | PALAVRA DA IGREJA

O Papa Francisco fez uma reflexão centrada nas “Bem-aventuranças” na janela do Palácio Apostólico do Vaticano antes de rezar a Oração do Ângelus, e assegurou que para ser feliz é necessário levá-las a cabo, torná-las concretas na própria vida.

“O pobre em espírito é o cristão que não confia em si mesmo, nas suas riquezas materiais, não se obstina nas suas opiniões pessoas, mas escuta com respeito e segue respeitosamente as decisões de outros”, disse o Pontífice.

Ao comentar as leituras do dia, Francisco disse que “Jesus manifesta a vontade de Deus de conduzir a humanidade à felicidade”. “Nesta pregação, Jesus segue um caminho especial: Começa com a palavra ”bem-aventurados”, ou seja, felizes; continua com a indicação da condição para ser felizes; e conclui fazendo uma promessa”.

O Santo Padre explicou: “Parte-se da condição de desconforto para se abrir ao dom de Deus e ter acesso ao mundo novo, o ‘reino’ anunciado por Jesus”. “Não é um mecanismo automático, mas um caminho de vida no seguimento do Senhor, pelo qual a realidade da dificuldade e da aflição é vista em uma perspectiva nova e experimentada segundo a conversão que é levada a cabo”.

“Não podem ser bem-aventurados se não se converteram”, se não se tornaram “capazes de apreciar e viver os dons de Deus”, disse o Papa.

Em seguida, Francisco comentou a bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres em espírito” e disse que “o pobre em espírito é aquele que assumiu os sentimentos e a atitude daqueles pobres que em sua condição não se rebelam, mas sabem ser humildes, dóceis, disponíveis à graça de Deus”.

“A felicidade dos pobres em espírito tem duas dimensões: Em relação aos bens materiais é a sobriedade: não necessariamente renúncia, mas capacidade de experimentar o essencial, de partilha; capacidade de renovar todos os dias a admiração pela bondade das coisas, sem sucumbir na opacidade do consumo voraz”.

“Quanto mais tenho, mais quero; mais tenho, mais quero. E isso mata a alma. E o homem ou a mulher que faz isso, não é feliz e não alcançará a felicidade”, manifestou.

Por outro lado, em relação a Deus, afirmou: “é louvor e reconhecimento que o mundo é bênção e que na sua origem está o amor criador do Pai. Mas é também abertura a Ele, docilidade a sua senhoria: é Ele, o Senhor, é Ele o Grande, não eu sou grande porque tenho tantas coisas”! É Ele: Ele que quis o mundo para todos os homens e o quis para que os homens fossem felizes”, acrescentou.

VATICANO, 29 Jan. 17 / 12:00 pm

Neopaganismo e Esperança Cristã – Bispo Dom Pedro Carlos Cipollini

Por | PALAVRA DA IGREJA

A respeito da reportagem que mostra o resultado da pesquisa encomendada pela Igreja Católica, e que expõe a evasão de católicos e o crescimento do número de Ateus (9,4%), o que é mais preocupante, faço a reflexão que segue. É lógico que se deve levar em conta o tanto que a Igreja deve melhorar, corrigindo e primorando-se na missão evangelizadora, mas há, a meu ver uma motivação de fundo para se ter chegado a esta situação.

foto_ocial2015Não devemos ceder ao saudosismo que diz ter sido melhor o ontem do que o hoje. O realismo impõe admitir que em todas as épocas existiram pessoas boas e más, circunstâncias que ajudaram a construir um mundo melhor, e outras, que de forma negativa contribuíram para o atraso. Por outro lado, a noção grega do eterno retorno que entregava a sorte do mundo a um destino inexorável, um mundo “sempre idem”, não parece uma idéia correta diante das transformações pelas quais passamos de algumas décadas para cá.

A humanidade se move, caminha e por isso tem marcha, contramarcha, marcha a ré. Ás vezes tem saudades de etapas superadas. Refiro-me à volta do paganismo em nossa sociedade que aos poucos vai rejeitando os princípios cristãos. Pagão era a denominação das pessoas que moravam no campo ou aldeias (pagus), e que não tinham tido oportunidade de receberem a mensagem cristã, ou que a rejeitavam. Em um mundo violento como aquele no qual o Estado legislava sobre a justificação do infanticídio, e era legal divertir-se nos circos jogando pessoas para serem devoradas pelas feras, é inegável a contribuição do cristianismo para a existência de uma sociedade mais justa e fraterna.

O cristianismo vai introduzir a idéia da sacralidade da vida humana, da compaixão para com os fracos e sofredores, o milagre da partilha dos bens nas comunidades onde as pessoas se queriam como irmãos e irmãs, vai propor um novo relacionamento entre o homem e mulher, fundado no amor. O cristianismo vai colocar Deus acima de tudo, até o martírio. De fato, o que faz o mártir não é seu sofrimento, mas sua causa e no cristianismo o Reinado de Deus é a causa do cristão.

O neo paganismo se faz sentir na atualidade através do reinado absoluto do dinheiro que decretou a morte de Deus. A herotização de todos os setores e etapas da vida até a difusão da pedofilia, narcisismo, droga e violência. O homem se olha no espelho e exclama: sou Deus para mim mesmo! O ser humano não só pensa, mas “faz sua verdade”, e pretende por e dispor da vida como se fosse seu autor. A banalização da vida humana, eis o traço mais característico do que parece ser uma recaída no paganismo.

Nossa civilização, dominada pelo racionalismo iluminista decretou a “morte do Pai”: a razão nos liberta de tudo e de todos, não precisamos mais de autoridade! A morte de Deus (Pai), foi colocada como condição para a felicidade do homem. Este deve pautar sua vida pelo secularismo e ateísmo prático.

A globalização sem solidariedade está criando dois mundos antagônicos: o mundo dos ricos no qual se morre de tédio e o mundo dos miseráveis no qual se morre de fome. Como não pensar na vida condenada de milhões de pessoas, especialmente crianças sujeitas à fome e à desnutrição, causada pela iníqua distribuição de riquezas entre povos e classes sociais? Os crimes ecológicos e a violência institucionalizada? Desencadeia-se uma “conspiração contra a vida” em uma civilização de morte como alertava João Paulo II. A sociedade sem a figura do Pai (Deus) resulta em uma multidão de solitários, faz surgir o “pensamento fraco” em uma “sociedade líquida” que gera vazio. A parábola do Filho Pródigo é paradigmática neste sentido.

A situação está assim, mas não impede os cristãos de celebrar a vida com esperança renovada. Mais que nunca a missão do cristão hoje é transmitir a esperança que brota da fé. Como diz o poeta: “Está escuro, mas eu canto”. Com uma criança que nasce em Belém, com Jesus, o mundo volta a começar, pois na escuridão brilhou uma luz que ninguém poderá apagar.  É o mundo de Deus que cresce em meio ao paganismo, cresce no coração das pessoas de boa-vontade. É a semente de mostarda, escondida muitas vezes, mas que frutificará cem por um e se alastrará a partir daqueles que sabem dar esperança ao mundo.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal Diário do Grande Abc

Cuidado com a escuridão interior que leva à vida dupla, adverte o Papa

Por | PALAVRA DA IGREJA

Não é tanto um erro quanto uma doença que está no coração e da qual o diabo tira proveito

O ponto central da homilia do Papa na manhã da terça-feira (06/12) foi o Evangelho da ovelha perdida com a alegria pela consolação do Senhor.

“Ele vem como um juiz” – explicou Francisco – “mas um juiz que cuida, um juiz cheio de ternura: faz de tudo para nos salvar”: não vem “para condenar mas para salvar”, procura cada um de nós, nos ama pessoalmente, “não ama a massa indistinta”, mas “nos ama por nome, nos ama como somos”.

A ovelha perdida – comentou o Papa – “não se perdeu porque não tinha uma bússola. Conhecia bem o caminho”. Se perdeu porque “o coração estava doente”, cego por “uma dissociação interior” e foge “para ficar longe do Senhor, para saciar aquela escuridão interior que a levava à vida dupla”: estar no rebanho e fugir para a escuridão. “O Senhor conhece estas coisas” e “vai a sua procura”. “A figura que melhor me faz entender o comportamento do Senhor com a ovelha perdida – confessa o Papa – é o comportamento do Senhor com Judas”.

“A mais perfeita ovelha perdida no Evangelho é Judas: um homem que sempre, sempre tinha algo de amargo no coração, algo a criticar nos outros, sempre separado. Não sabia da doçura da gratuidade de viver com todos os outros. E sempre, esta ovelha não estava satisfeita – Judas não era um homem satisfeito! – fugia. Fugia porque era ladrão, ia para aquele outro lado, ele. Outros são luxuriosos, outros… Mas sempre escapam porque têm aquela escuridão no coração que o separa do rebanho. E aquela vida dupla, aquela vida dupla de tantos cristãos, e também, com dor, podemos dizer, sacerdotes, bispos… E Judas era bispo, era um dos primeiros bispos, eh? A ovelha perdida. Pobre! Pobre este irmão Judas como o chamava padre Mazzolati, naquele sermão tão bonito. ‘Irmão Judas, o que acontece no teu coração?’. Nós devemos entender as ovelhas perdidas. Também nós temos sempre algo, pequeno ou nem tanto, das ovelhas perdidas”.

Aquilo que faz a ovelha perdida – destacou o Papa – não é tanto um erro quanto uma doença que está no coração e da qual o diabo tira proveito. Assim, Judas, com o seu “coração dividido, dissociado”, é “o ícone da ovelha perdida” e que o pastor vai procurar. Mas Judas não entende e “no final quando viu aquilo que a própria vida dupla provocou na comunidade, o mal que semeou, com sua escuridão interior, que o levava a fugir sempre, procurando luzes que não eram a luz do Senhor mas luzes como enfeites de Natal”, “luzes artificiais”, “se desesperou”. O Papa comentou:

“Há uma palavra na Bíblia – o Senhor é bom, também para estas ovelhas, nunca deixa de procurá-las – há uma palavra que diz que Judas se enforcou, enforcou e ‘arrependido’. Eu creio que o Senhor tomará aquela palavra e a levará consigo, eu não sei, talvez, mas aquela palavra nos faz duvidar. Mas essa palavra o que significa? Que até o final o amor de Deus, trabalha naquela alma, até o momento do desespero. E esta é a atitude do Bom Pastor com a ovelha perdida. Este é o anúncio, a boa notícia que nos traz o Natal e nos pede essa sincera alegria que muda o coração, que nos leva a nos deixarmos consolar pelo Senhor, e não as consolações que procuramos para tentar desabafar, para escapar da realidade, escapar da tortura interior, da divisão interior”.

Jesus, quando encontra a ovelha perdida não a insulta, ainda que tenha feito tanto mal. No Jardim das Oliveiras chama Judas “Amigo”. São as carícias de Deus:

“Quem não conhece as carícias do Senhor não conhece a doutrina cristã! Quem não se deixa acariciar pelo Senhor está perdido! É esta a boa notícia, esta é a alegria sincera que nós hoje queremos. Esta é a alegria, esta é a consolação que buscamos: que venha o Senhor com o seu poder, que são as carícias, a encontrar-nos, para nos salvar, como a ovelha perdida e a nos levar para o rebanho de sua Igreja. Que o Senhor nos conceda esta graça, de esperar o Natal com as nossas feridas, com os nossos pecados, sinceramente reconhecidos, para esperar o poder desse Deus que vem nos consolar, que vem com poder, mas o seu poder é a ternura, as carícias que nasceram do seu coração, o seu coração tão bom que deu a vida por nós”.

(Rádio Vaticano)

Papa: condenação eterna não é uma sala de tortura mas distanciamento de Deus

Por | PALAVRA DA IGREJA

Jamais dialogar com o diabo, com o sedutor e o impostor, que afasta de Deus, fonte da felicidade. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de sexta-feira, 25/11, na Casa S. Marta, convidando-nos a aproximar-se do último encontro com o Senhor, no dia do Juízo, com o coração humilde.

Nestes dois últimos dias do ano litúrgico, a Igreja completa a reflexão sobre o fim do mundo e o Papa fala disso, lembrando a primeira carta do Apocalipse de João. Como será o juízo universal, questiona, e o encontro final com Jesus?

Diabo, sedutor que arruina a vida. Jamais dialogar com ele

A primeira imagem do Apóstolo é o juízo do “dragão, a antiga serpente, que é o diabo” e que o anjo descido do céu joga do Abismo, acorrentado para que “não pudesse mais seduzir as nações: porque ele é um sedutor”, destaca Francisco.

6 reflexões extraordinárias do Papa Francisco sobre o Jubileu da Misericórdia

Por | PALAVRA DA IGREJA

“O nome de Deus é misericórdia… Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis… A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores”

A jornalista Stefania Falasca, do jornal italiano Avvenire, entrevistou o Papa Francisco a respeito do encerramento do Jubileu da Misericórdia e da busca da união entre os cristãos.

Confira alguns trechos, com destaque para 6 reflexões inspiradoras:

“O Onipotente tem péssima memória. Quando Ele perdoa você, Ele se esquece do seu pecado”

Quem descobre que é muito amado começa a sair daquela solidão ruim, daquela separação que leva a odiar os outros e a si mesmo. Eu espero que muitas pessoas tenham descoberto que são muito amadas por Jesus e tenham se deixado abraçar por Ele. A misericórdia é o nome de Deus e é também a “fraqueza” dele, o ponto fraco dele. A misericórdia de Deus o leva sempre ao perdão, a esquecer os nossos pecados. Eu gosto de pensar que o Onipotente tem uma péssima memória. Quando Ele perdoa você, Ele se esquece [do seu pecado]. Porque Ele é feliz em perdoar. Para mim, isso basta. Assim como para a mulher adúltera do Evangelho, “que muito amou”. “Porque Ele muito amou”. Todo o cristianismo está aqui.

“Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis”

Jesus não pede grandes gestos, apenas o abandono e o reconhecimento. Santa Teresa de Lisieux, que é doutora da Igreja, na sua “pequena via” para Deus, indica o abandono da criança, que adormece sem reservas nos braços do seu pai, e lembra que a caridade não pode permanecer fechada no fundo. Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis.

“O nome de Deus é misericórdia (Bento XVI)”

[O Jubileu] Foi um processo que amadureceu no tempo, por obra do Espírito Santo. Antes de mim, houve São João XXIII que, com a Gaudet mater Ecclesia, no “remédio da misericórdia”, indicou o caminho a seguir na abertura do Concílio; depois, o Bem-aventurado Paulo VI, que, na história do Samaritano, viu o seu paradigma. Depois, houve o ensinamento de São João Paulo II, com a sua segunda encíclica, Dives in misericordia, e a instituição da Festa da Divina Misericórdia. Bento XVI disse que “o nome de Deus é misericórdia”. São todos pilares. Assim, o Espírito leva adiante os processos na Igreja, até o cumprimento.

“A Igreja existe somente como instrumento para comunicar às pessoas o desígnio misericordioso de Deus”

Fazer a experiência vivida do perdão que abarca a família humana inteira é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe somente como instrumento para comunicar às pessoas o desígnio misericordioso de Deus. No Concílio, a Igreja sentiu a responsabilidade de estar no mundo como sinal vivo do amor do Pai. Com a Lumen gentium, ela voltou para as fontes da sua natureza, ao Evangelho. Ele desloca o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns continuam não compreendendo, ou branco ou preto, mesmo que seja no fluxo da vida que se deve discernir. O Concílio nos disse isso. Os historiadores, porém, dizem que um Concílio, para ser bem absorvido pelo corpo da Igreja, precisa de um século… Nós estamos na metade.

“Quanto às opiniões, sempre é preciso distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não há um mau espírito, elas também ajudam a caminhar”

O próprio Jesus reza ao Pai para pedir que os seus sejam uma coisa só, para que assim o mundo creia. É a Sua oração ao Pai. Desde sempre, o bispo de Roma é chamado a conservar, a buscar e servir essa unidade. Sabemos também que não podemos curar por nós mesmos as feridas das nossas divisões, que dilaceram o corpo de Cristo. Portanto, não podem ser impostos projetos ou sistemas para voltarmos a estar unidos. Para pedir a unidade entre nós, cristãos, só podemos olhar para Jesus e pedir que o Espírito Santo atue entre nós. Que seja Ele que faça a unidade. No encontro de Lund com os luteranos, eu repeti as palavras de Jesus, quando diz aos seus discípulos: “Sem mim, vocês não podem fazer nada”. O encontro com a Igreja Luterana em Lund foi um passo a mais no caminho ecumênico que iniciou há 50 anos e em um diálogo teológico luterano-católico que deu os seus frutos com a Declaração Comum, assinada em 1999, sobre a doutrina da Justificação, isto é, sobre como Cristo nos torna justos salvando-nos com a Sua Graça necessária, ou seja, o ponto a partir do qual tinham partido as reflexões de Lutero. Portanto, voltar ao essencial da fé para redescobrir a natureza daquilo que nos une. Antes de mim, Bento XVI tinha ido para Erfurt e ele tinha falado cuidadosamente sobre isso, com muita clareza. Ele tinha repetido que a pergunta sobre “como eu posso ter um Deus misericordioso?” tinha penetrado no coração de Lutero e estava por trás de toda a sua busca teológica e interior. Houve uma purificação da memória. Lutero queria fazer uma reforma que devia ser como um remédio. Depois, as coisas se cristalizaram, se misturaram aos interesses políticos da época, e acabou-se no cuius regio eius religio, pelo qual era preciso seguir a confissão religiosa de quem tinha o poder. Eu sigo o Concílio. Quanto às opiniões, sempre é preciso distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não há um mau espírito, elas também ajudam a caminhar. Outras vezes, logo se vê que as críticas são feitas aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com mau espírito para fomentar divisão. Logo se vê que certos rigorismos nascem de uma falta, de querer esconder dentro de uma armadura a própria triste insatisfação. Se você assistir ao filme “A festa de Babette”, há esse comportamento rígido.

“Todo proselitismo entre cristãos é pecaminoso. A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores”

Servir aos pobres significa servir a Cristo, porque os pobres são a carne de Cristo. E, se servimos aos pobres juntos, isso significa que nós, cristãos, nos reencontramos unidos ao tocar as chagas de Cristo. Eu penso no trabalho que, depois do encontro de Lund, a Cáritas e as organizações de caridade luteranas podem fazer juntas. Não é uma instituição, é um caminho. Certos modos de contrapor as “coisas da doutrina” às “coisas da caridade pastoral”, ao contrário, não estão de acordo com o Evangelho e criam confusão. A Declaração Conjunta sobre a Justificação é a base para poder continuar o trabalho teológico. O estudo teológico deve seguir em frente. Há o trabalho que está sendo feito pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O caminho teológico é importante, mas sempre junto com o caminho de oração, fazendo, juntos, obras de caridade. Obras que são visíveis. A unidade não se faz porque nos colocamos de acordo entre nós, mas porque caminhamos seguindo Jesus. E caminhando por obra daquele que seguimos, podemos nos descobrir unidos. É o caminhar atrás de Jesus que une. Converter-se significa deixar que o Senhor viva e opere em nós. Assim, descobrimos que nos encontramos unidos também na nossa missão comum de anunciar o Evangelho. Caminhando e trabalhando juntos, percebemos que já estamos unidos no nome do Senhor, e que, portanto, não somos nós que criamos a unidade. Percebemos que é o Espírito que nos impele e nos leva para a frente. Se você é dócil ao Espírito, será Ele que irá lhe dizer o passo que pode dar. O resto é Ele quem faz. Não podemos ir atrás de Cristo se Ele não nos leva, se o Espírito não nos impulsiona com a Sua força. Por isso, é o Espírito o artífice da unidade entre os cristãos. É por isso que eu digo que a unidade se faz caminhando, porque a unidade é uma graça que se deve pedir, e também porque eu repito que todo proselitismo entre cristãos é pecaminoso. A Igreja nunca cresce por proselitismo, mas “por atração”, como escreveu Bento XVI. O proselitismo entre os cristãos, portanto, é em si mesmo um pecado grave. Porque contradiz a própria dinâmica de como nos tornamos e permanecemos cristãos. A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores. O encontro de Lund, assim como todos os outros passos ecumênicos, também foi um passo à frente para levar a compreender o escândalo da divisão, que fere o corpo de Cristo e que, também diante do mundo, não podemos nos permitir. Como podemos dar testemunho da verdade do amor se brigamos, se nos separarmos entre nós? Quando eu era criança, não se falava com os protestantes. Havia um sacerdote em Buenos Aires que, quando os evangélicos vinham rezar com as barracas, ele mandava o grupo de jovens queimá-las. Agora, os tempos mudaram. O escândalo deve ser superado simplesmente fazendo as coisas juntos, com gestos de unidade e de fraternidade.

Porque a Igreja se chama “Católica”?

Por | PALAVRA DA IGREJA

Uma das explicações mais belas de todos os tempos

A Igreja é chamada católica ou universal porque está espalhada por todo o mundo, de uma à outra extremidade da terra, e porque universalmente e sem erro ensina toda a doutrina que os homens devem conhecer, sobre as coisas visíveis ou invisíveis, celestes ou terrestres.

É chamada católica também porque conduz ao verdadeiro culto toda a classe de homens, autoridades e súbditos, doutos e incultos. É católica finalmente porque cura e sara todo o género de pecados, tanto os da alma como os do corpo, e possui todo o gênero de virtudes, qualquer que seja o seu nome, em obras e palavras e nos mais diversos dons espirituais.

Com toda a propriedade é chamada Igreja, quer dizer, assembleia convocada, porque convoca e reúne a todos na unidade, tal como o Senhor determina no Levítico: ”convoca toda a assembleia para a entrada da tenda da reunião” (8,3) […]. E, no Deuteronômio, diz Deus a Moisés: ”convoca o povo para junto de Mim, a fim de ouvirem as Minhas palavras” (4,10). […] Também o Salmista proclama: ”eu Te darei graças na solene assembleia, e Te louvarei no meio da multidão” (Salmo 35/34,18) […].

Mas foi a partir das nações gentias que depois o Salvador instituiu uma segunda assembleia, a nossa Santa Igreja dos cristãos, acerca da qual disse a Pedro: ”e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela” (Mt 16,18). […] E logo que a primeira assembleia fundada na Judeia foi destruída, multiplicaram-se por toda a terra as Igrejas de Cristo. Delas falam os Salmos, que dizem: ”Aleluia! Cantai ao Senhor um cântico novo, louvai-O na assembleia dos fiéis!” (149,1). […] E é a respeito desta nova Igreja Santa e Católica que Paulo escreve a Timóteo: ”quero que saibas como deves proceder na casa de Deus, esta Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da Verdade” (1Tm 3,15).

São Cirilo de Jerusalém (313-350), Bispo de Jerusalém e Doutor da Igreja
18.ª Catequese aos Iluminandos, 23-25

Que nunca mais se justifique a guerra em nome de Deus, pede o Papa Francisco

Por | PALAVRA DA IGREJA

Diante de representantes de diversas religiões – cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hindus, entre outras –, o Papa Francisco pediu que “não aconteça mais que as religiões, por causa do comportamento de alguns de seus seguidores, transmitam uma mensagem dissonante daquela da misericórdia”.

Em uma audiência na Sala Clementina do Palácio Apostólico, representantes de diferentes credos religiosos se reuniram por ocasião do Ano Jubilar. O Santo Padre lamentou: “Infelizmente, não passa um dia sem que se ouça falar de violência, conflito, sequestros, ataques terroristas, vítimas e destruições. E é terrível que para justificar tais barbáries seja invocado o nome de uma religião ou do próprio Deus. Estas atitudes estão claramente condenadas, porque profanam o nome de Deus e contaminam a busca religiosa do homem”.

Ao invés disso, “deve-se buscar o encontro pacífico entre os crentes e uma real liberdade religiosa”.

O Pontífice pediu também que “as religiões sejam ventres de vida, que levem a ternura misericordiosa de Deus à humanidade ferida e necessitada; sejam portas de esperança, que ajudem a atravessar os muros erguidos pelo orgulho e pelo medo”.

O Bispo de Roma refletiu sobre a contribuição das religiões na sociedade atual. “É o estilo ao qual são chamadas também as religiões, particularmente no nosso tempo, mensageiras de paz e artífices de comunhão, para proclamar, ao contrário dos que alimentam confrontos, divisões e fechamentos, que hoje é tempo de fraternidade. Por isso é importante buscar o encontro entre nós, um encontro que, sem sincretismos, seja conciliador”.

“O tema da misericórdia é familiar a muitas tradições religiosas e culturais, onde a compaixão e a não violência são essenciais e mostram o caminho da vida”, afirmou o Papa. “Estender a mão com ternura para a humanidade frágil e necessitada é algo que pertence a uma alma realmente religiosa, que rejeita a tentação de intimidar com a força, e se nega à mercantilização da vida humana”.

Este apelo à misericórdia existente em todas as religiões implica “fazer-se próximo a quantos vivem em situações que requerem um maior cuidado, como a doença, a deficiência, a pobreza, a injustiça, as consequências dos conflitos e das migrações”.

O Papa afirmou que a misericórdia “é um chamado que vem do coração de cada tradição autenticamente religiosa. É o eco da voz divina que fala com a consciência de cada um, que nos convida a sair de nós mesmos e nos abrir aos outros”.

Vaticano, 03 Nov. 16 / 10:30 am (ACI).