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PARTILHA DO FUNDADOR

A Semana Santa: símbolos e significados

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÃO DE LIDERES, NOTÍCIAS, PARTILHA DO FUNDADOR

A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a Eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma

Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma),quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus,conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos

Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água.Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos

É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia,quando lavou os pés dos seus apóstolos.

O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

Sexta-feira Santa

Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam,não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Sábado Santo

No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou.

Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril.

A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. Domingo de Carnaval – 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas – 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos – 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo – 49 dias depois.Corpus Christi – 60 dias depois.

Símbolos da Páscoa

Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7).

João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29e 36). Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).

Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz:  A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.

Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a treva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e“ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.

Viva bem a Quaresma e Semana Santa

Para bem viver o período da Quaresma e também a Semana Santa, preparamos conteúdos especiais sobre o caminho trilhado por Jesus, o Ressuscitado que passou pela Cruz.

Procure os horários das Missas e Celebração em sua Paróquia. A Comunidade Católica Fidelidade estará participando na Paróquia Santo Antônio. Deus abençoe e todos! Daniel Oliveira.

O que vem depois da tempestade?

Por | - ULTIMAS, PARTILHA DO FUNDADOR

1º – A reconstrução ou recomeço. 

Mas não uma simples construção, e sim uma casa mais forte, com base mais sólida, paredes capazes de suportar os ventos violentos. Este recomeço tem tijolos da experiência aliados ao cimento da sabedoria. Portanto este ressurgir, faz-nos maiores, mais fortes do que antes.

2º – Gera comunhão, fraternidade.

Se existe uma beleza na tempestade, é esta: ela ser capaz de amolecer os corações mais duros, alguém que era incapaz de ajudar, a compaixão lhe apanha e quebra, até mesmo os que estão de fora da tempestade são impulsionados para dentro deste ciclo de fraternidade. Isso gera mão-de-obra no processo do reconstruir. Que coisa linda perceber que, no meio da bagunça provocada pela tempestade, achamos uma virtude enterrada, “amor”, então ela provoca em nós aquilo que temos de melhor – “fraternidade e amor”.

3º – Aprendizado, conhecimento.

Depois do processo doloroso, adquirimos mais do que teorias, recebemos experiência. Tal experiência não veio para ser guardada, ou para agirmos de maneira egoísta. Ela chegou até nós para ser ensinada, para dar o sinal de alerta para os outros: “olhe não cometa os erros que fiz”. Este aprendizado nos permite não enfrentar o mesmo tipo de tempestade e a livrar todas as pessoas as quais temos transmitido o conhecimento. As pessoas que não passam por tempestades são duras, secas, esnobes e superficiais. Portanto, elas não são ricas, poderosas e inteligentes, só aparentam. As melhores pessoas, os grandes homens e mulheres podem ser apontados pelo volume de tempestades que enfrentaram. Então, não se ache pequeno por estar passando ou ter passado inúmeras tempestades. Perceba a “valentia e determinação” que há em si. Até mesmo Jesus esteve em uma tempestade e nos ensinou a superá-la, com fé! (cf. Mc 4, 35-41).

Observando desse ângulo fica fácil perceber porque Deus nos permite as tempestades, pois elas nos fazem entrar no processo de recomeço, redescobrir virtudes esquecidas e adquirirmos experiência. Por fim, enfrentamos pequenas e grandes tempestades quase todos os dias, mas desejo que você perceba duas coisas: Deus está com você, nunca lhe deixou só; a outra é que estas nuvens escuras irão embora e sol retornará a brilhar na sua vida.

Que Deus nos abençoe. A vida segue e o sol brilha.

Daniel T. Oliveira – Comunidade Fidelidade

Vim para ficar na tua casa! Feliz Natal com Jesus!

Por | - ULTIMAS, PARTILHA DO FUNDADOR

Jesus lhe dizendo…

Eu vim ao mundo numa noite fria e eis que nasci em uma pobre manjedoura, pois não havia lugar para mim na hospedaria. Mesmo diante das circunstâncias que o mundo me ofereceu, recebi um profundo amor de Maria e José, meus pais, que antes do meu nascimento prepararam tudo para a minha chegada.

O tempo foi passando e fui crescendo em sabedoria e humildade, e fiz a minha opção em buscar as coisas do Pai. Em virtude desta minha escolha, vieram muitas coisas boas. Realizei curas, milagres, prodígios. Com isso, muitas pessoas mudaram de vida, se converteram, passaram a crer em Deus e suas vidas se modificaram. Mas ao aceitar os planos do Criador em minha história, apareceram as dificuldades, tribulações e sofrimentos que me levaram à morte na cruz.

Apesar de tudo o que passei, se fosse necessário, faria tudo novamente. Pois o Pai jamais me abandonou, e me ensinou que o significado do amor está em dar a vida por amor ao próximo, e é perdendo que se ganha a eternidade. E esta é minha história!

Reviva ela todo ano, recordando o menino que veio salvar o que estava perdido. E você pode se tomar um Salvador de almas, acolhendo a estas palavras e deixando que eu entre em seu coração.

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele comigo.” Ap 3,20.

Um Santo Natal e que Jesus e Maria abençoem você e sua família. E que venha um Ano Novo cheio de paz.

Daniel Oliveira e toda Comunidade Fidelidade

8 grandes santos que tiveram depressão, mas nunca se renderam a ela

Por | - ULTIMAS, DESTAQUES, PARTILHA DO FUNDADOR

Você pode se surpreender com vários dos nomes nesta lista!

Até mesmo santos da estatura moral da Madre Teresa de Calcutá, admirada por crentes e descrentes, dão testemunho de ter sofrido algo que soa surpreendente e talvez chocante para quem acha que os santos viveram numa bolha de perfeição à parte das cotidianidades que afetam os seres humanos “comuns”: o conceito da “noite escura da alma“.

A mais famosa abordagem do tema e do termo é, provavelmente, a do místico espanhol São João da Cruz, reconhecido como nada menos que Doutor da Igreja. Ele descreve essa profunda espécie de crise espiritual na jornada rumo à união com Deus em seu célebre poema intitulado, precisamente, “La noche oscura del alma” (século XVI).

É fato que Deus permite, e com frequência, a drástica provação da aridez espiritual, da completa falta de fervor sensível, da dúvida espessa a respeito da Sua existência, da revolta perante os injustíssimos reveses da vida, do desespero diante da tragédia ou mesmo da rotina que, dias depois de dias, meses depois de meses, se reveste daquela insuportável e amorfa ausência de sentido…

Se o próprio Cristo experimentou o drama do silêncio do Pai na mais negra de todas as noites, a ponto de Lhe suplicar que afastasse d’Ele esse cálice durante a Sua oração no Jardim das Oliveiras, à espera da Paixão, por que presumir que Deus fosse poupar-nos de experimentar a dúvida radical? Por que imaginar que Ele nos privasse da oportunidade de escolher, livre e voluntariamente, abraçar a fé ou rejeitá-la, confiar n’Ele ou refutá-Lo, purificar o amor ou mantê-lo morno, frágil, apoiado em incentivos cômodos e débeis?

Nem a vocação à vida religiosa isenta um cristão da provação espiritual.

É claro que nem sempre essa provação é propriamente a doença física e psíquica que hoje conhecemos como depressão. No entanto, há santos que, pelos sintomas descritos por eles próprios ou por outros biógrafos, muito provavelmente enfrentaram esse quadro que atualmente é visto como “o mal do século”.

Alguns dos santos que possivelmente enfrentaram a depressão:

1 – Santo Agostinho

Século IV.

Pois é! Uma das mais icônicas e sublimes figuras representativas da intensidade da conversão cristã e do poder extraordinário da graça santificante; uma das personalidades mais admiradas da história da civilização ocidental, inclusive por não católicos e até por não cristãos: até ele enfrentou, muito provavelmente, os altos e baixos dos neurotransmissores e a instabilidade psíquica e física que hoje a medicina denomina depressão.

Sua mãe, Santa Mônica, suportou com paciência quase inacreditável a imprevisibilidade do filho brilhante, mas de temperamento terrível. Agostinho procurava com intensa sinceridade a verdade e o sentido da existência, mas, em suas andanças desnorteadas e segundo os seus próprios termos, ele a buscava na aparência das coisas criadas, nas volúpias e prazeres dos sentidos, longe de Deus e cada vez mais longe de si mesmo. “Eis que estavas dentro de mim, mas eu estava fora, e fora Te buscava, e nas coisas formosas que criaste, deforme eu me lançava“, declarará ele nas “Confissões”, obra-prima da espiritualidade não apenas cristã, mas universal.

A teimosia da graça, porém, foi mais irredutível ainda que a dele mesmo, e, encontrando canal nas “indesanimáveis” orações de sua mãe e na admirável influência do grande bispo Santo Ambrósio, levou o rebelde e angustiado Agostinho a finalmente se render a Deus e acolher o batismo. Mais ainda: ele se consagrou a Deus e chegou também ele a ser bispo.

Depois que a mãe morreu, no entanto, e durante os mais de quarenta anos que a isto se seguiram, a sua personalidade poderosa ainda se manifestaria com frequência na propensão à raiva implacável e à… depressão severa. Santo Agostinho se levantava desses abismos por meio da oração, do sacrifício e do trabalho. Ocupar-se foi um grande remédio, tanto nas muitas responsabilidades de bispo quanto nas muitas horas de reflexão, estudo e oração que o transformaram em grande defensor da doutrina da Igreja.

2 – Santa Flora de Beaulieu

Século XIV.

Sta Flora de Beaulieu

CC

Ela teve uma infância normal, mas, quando seus pais começaram a buscar marido para ela, se recusou e anunciou que ia dedicar a vida a Deus entrando num convento. No entanto, essa decisão, tomada num contexto turbulento, desencadeou uma fase intensa e prolongada de depressão que afetava de tal modo o seu comportamento que mesmo para as outras irmãs era uma provação conviver com ela. Com a graça de Deus, o tempo e a ajuda de um confessor compreensivo, Flora fez grande progresso espiritual precisamente por causa do desafio da depressão, que ela enfrentou com empenho.

3 – Santo Inácio de Loyola

Século XVI.

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A personalidade poderosa do grande santo fundador dos padres jesuítas também era dada a sentimentos de profunda inquietação e sofrimento. O senso de certeza e convicção que ele demonstra em sua autobiografia (escrita em terceira pessoa) não vieram com facilidade. Depois de se converter, Inácio teve de lutar contra um feroz período de escrupulosidade, termo que, na ascese cristã, se refere à tentação de sentir-se sempre em grave pecado por cada mínima falha pessoal no cumprimento de deveres e na vivência das virtudes. Essa provação veio seguida de uma depressão tão séria que ele chegou a pensar em suicídio. Deus o retirou do abismo de trevas e sofrimento interior inspirando-lhe grandes coisas a realizar na vida em nome de Cristo e da Sua Igreja.

O próprio Inácio define como “desolação” a experiência que enfrentou em seus exercícios espirituais: um estado de grande inquietação, irritabilidade, desconforto, insegurança quanto a si mesmo e às próprias decisões, dúvidas assustadoras, grande dificuldade de perseverar nas boas intenções… De acordo com Inácio, Deus não causa a desolação, mas a permite para nos “abalar” como pecadores e nos chamar à conversão.

A partir da sua experiência, Santo Inácio dá três conselhos para reagir à desolação: não desistir nem alterar uma boa resolução anterior; intensificar a conversa com Deus, a meditação e as boas ações; e perseverar com paciência, pois a provação é estritamente limitada por Deus, que dará o alívio no momento oportuno. Ele descobriu, em suma, que a depressão pode ser um grande desafio espiritual e uma ótima oportunidade de crescimento.

Estes conselhos continuam perfeitamente válidos, mas, hoje, é de importância crucial acrescentar um quarto conselho: procurar a ajuda médica adequada. Os avanços da medicina deixam claro que, na maioria dos quadros verdadeiramente depressivos, a medicação psiquiátrica é indispensável para reequilibrar os neurotransmissores, pois se trata de uma doença propriamente dita e não apenas de uma “fase de tristeza”. O tratamento da depressão clínica tem duas vertentes interdependentes: o trabalho interior pessoal, que pode ser acompanhado por um bom psicólogo ou orientador qualificado, e o trabalho da medicina, acompanhado por um psiquiatra sério e bem atualizado.

4 – Santa Joana Francisca de Chantal

Século XVI.

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Durante oito anos, ela viveu feliz o seu casamento com o Barão de Chantal. Mas, quando o marido morreu, seu sogro, vaidoso e teimoso, forçou Joana e seus três filhos a irem morar com ele, provocando uma rotina de contínuos dissabores, duras provas de paciência e… depressão. Em vez de se escorar na vitimização, como infelizmente é comum desde sempre e até hoje, Santa Joana fez a escolha de manter a alegria e de responder às crueldades do sogro com caridade e compreensão.

Mesmo depois de estabelecer uma cordial e santa amizade com o grande bispo São Francisco de Sales e de trabalhar com ele na criação de uma ordem religiosa para mulheres de mais idade, Joana continuava experimentando momentos de grande sofrimento e injusto julgamento – e continuava, também, a responder com alegria, trabalho esforçado e espírito voltado a Deus.

A propósito, São Francisco de Sales tem um relevante conselho para quem sofre dessa provação:

“Refresque-se com músicas espirituais, que muitas vezes provocaram o demônio a cessar as suas artimanhas, como no caso de Saul, cujo espírito maligno se afastou dele quando Davi tocou sua harpa perante o rei. Também é útil trabalhar ativamente, e com toda a variedade possível, de modo a desviar a mente da causa de sua tristeza”.

5 – São Noel Chabanel

Século XVII.

São Noel Chabanel

CC

Padre jesuíta, mártir norte-americano, trabalhou entre os índios huron com São Charles Garnier. Os missionários, no geral, desenvolvem grande empatia por aqueles a quem evangelizam; no entanto, não foi o caso do pe. Noel: ele sentia repugnância pelos índios e pelos seus costumes, além de imensa dificuldade para aprender a sua língua, completamente diferente de qualquer idioma europeu, sem falar nos brutais desafios que a vida em ambiente quase selvagem envolvia. Todo esse conjunto de provações gerou nele um sentimento duradouro de sufocamento espiritual. Como ele respondeu? Fazendo um voto solene de jamais desistir nem abandonar a sua missão. E esse voto ele manteve até o dia do seu martírio.

6 – Santa Elizabeth Ann Seton

Século XVIII.

ELIZABETH

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A primeira santa nascida em solo estadunidense sofria com a contínua sensação de solidão e melancolia, tão profunda que ela pensou várias vezes em se matar. Ela teve muitos problemas em sua vida, especialmente relacionados à sua família. Leituras, música e o mar a ajudaram a ser mais alegre. Quando se converteu, a Eucaristia e a caridade passaram a ser sua grande força diária!

7 – São João Maria Vianney

Século XIX.

Cura d'Ars

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Conhecido como o Cura D’Ars, ele é um dos sacerdotes mais queridos da história da Igreja, modelo de pároco zeloso e de pastor que superou as muitas e graves limitações intelectuais próprias para guiar as almas com maestria pelo caminho da vida de graça. Apesar de todo o bem que fazia, ele não conseguia enxergar a própria relevância diante de Deus e convivia persistentemente com um forte complexo de inutilidade pessoal, sintoma da depressão que o acompanhou durante toda a vida.

Nos momentos mais difíceis, ele recorria ao Senhor e, apesar do sofrimento, renovava a determinação de perseverar no seu trabalho com confiança, fé e amor a Deus e ao próximo.

8 – Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Século XX.

A santa carmelita descalça que havia nascido judia e crescido ateia sofreu com a depressão durante longo período. Chegou a escrever:

“Encontrei-me gradualmente em profundo desespero… Eu não podia atravessar a rua sem querer que um carro me atropelasse e eu não saísse viva dali”.

Desde antes de se converter, principalmente nas muitas ocasiões em que foi desprezada e humilhada por ser mulher e de origem judia, Edith sofreu intensamente a depressão. Intelectual, filósofa, discípula e até assistente de Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, ela finalmente encontrou em Deus a Verdade que tanto buscava, a partir da leitura da obra de Santa Teresa de Jesus. Abraçou então a graça com tamanha sede que dela arrancava as forças para lidar não apenas com os seus dolorosos sofrimentos interiores, mas também com as trevas mortíferas do nazismo.

Edith Stein, que adotou no convento carmelita o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz após se converter e se consagrar a Deus radicalmente, foi capaz de perseverar até o martírio, mantendo a lucidez, a fé, a esperança e o amor inclusive na prisão e na execução a que foi submetida covardemente no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Esse final de vida terrena parece particularmente deprimente? Pois ele é, mesmo. No entanto, como tudo nesta vida tem mais do que apenas um lado, ela enfrentou esse cenário extremo com a serenidade e a paz de espírito de quem aprendeu a lidar com os altos e baixos da depressão, enxergando além do imediato e abraçando uma vida que não acaba porque é eterna – e que é capaz de brilhar até mesmo nas trevas mais densas da morte num campo de concentração.

Você sabe identificar se sua ação foi pecado ou não?

Por | - ULTIMAS, PARTILHA DO FUNDADOR

Reconhecer o nosso pecado é uma forma de melhorar nossa vida

Para aqueles que não sabem, nós possuímos um organismo sobrenatural, que em seus diversos membros nos conduzem a uma intimidade cada vez mais profunda com Deus. Ele é composto de dons do Espírito Santo e virtudes infusas. Esse organismo sobrenatural produz, gradativamente, união com Deus e santidade em nós. O pecado grave nos faz perder todo esse organismo. Com os veniais isso não acontece, mas seu hábito acaba por nos conduzir aos graves.

O que é concupiscível e irascível?

Após o pecado original, passou a habitar em nós duas grandes inclinações: a concupiscível, que se baseia na busca da felicidade ou na manutenção da vida, levando-nos ao uso do prazer sem freios. E a irascível, que nos ajudam a defender a própria vida dos perigos, mas também nos leva a fazer o mal contra o outro.

Os pecados contra a castidade e a vida sexual desregrada, a gula e a preguiça estão alojados na área do concupiscível. A falta de perdão, a maledicência, o aborrecer-se com o outro e as brigas vêm do nosso irascível.

Essas paixões desregradas, além de uma vida imoral, causam também um dano tremendo ao trabalho do intelecto, porque a inteligência precisa da ajuda do imaginário para buscar a verdade. Somente que o imaginário é movido pelas paixões e elas não o deixam quieto. Essa é uma das razões pela qual a inteligência não se desenvolve bem em uma pessoa passional. Referimo-nos à inteligência abstrata, que trata das grandes questões do homem: o que é a verdade? O que é a existência, a justiça, o amor, a vida? A pessoa apegada demais a si, por exemplo, sequestra a inteligência para a busca do poder. Assim, acaba vivendo e manipulando tudo ao seu redor, para que seja melhor somente para si e não se baseando no melhor para todos, buscando a verdade que é Deus. Muitas vezes, faz-se isso sem perceber.

É muito comum um estudante, que esteja mergulhado nas paixões concupiscíveis e irascíveis, após se confessar e abandonar o mal, juntando a uma conversão sincera, ter um rendimento escolar muito melhor!

Enquanto não se ordena as paixões, não se consegue desenvolver bem espiritualmente. Por quê? Jesus simplifica a doutrina reduzindo todas as tantas leis do judaísmo no amor a Deus e ao próximo. O amor ao próximo exige o controle do irascível e concupiscível. E no concupiscível, a prática da castidade exige o controle da mais forte das paixões do concupiscível: as paixões sexuais.

Mais adiante, colocaremos meios eficazes e precisos para conquistar a graça da castidade. Se posto em prática corretamente, o resultado é extremamente rápido.

Já o irascível, o caminho é mais longo, pois está baseado no medo da morte. O seu treino é com o respeito ao próximo dentro e fora do coração, por meio de atos e também do perdão, sendo amável e não julgando. Vivendo essas coisas com afinco, controlando o irascível, a pessoa acaba adquirindo um controle perfeito sobre si, inclusive, se um dia precisar arriscar a vida, o fará com cavalheirismo, com virtude e honradez.

A moral cristã é rígida nesses dois pontos: castidade e respeito ao próximo. Nisso é intransigente. No resto, quase todas as outras transgressões são veniais.

Como distinguir os atos pecaminosos?

Os requisitos são: plena advertência, pleno consentimento e a matéria, se é grave ou leve. A advertência trabalha em nossa inteligência, o consentimento em nossa vontade e a matéria é do ato que se comete.

A plena advertência é um ato da inteligência. De maneira geral, algo é plenamente advertido ao intelecto, quando se percebe que o ato ou a situação que vamos praticar tem erro ou malícia. Não é preciso saber exatamente todo o tratado moral da situação para ter sido plenamente advertido. Se fosse assim, somente os teólogos cometeriam pecados, como também somente os advogados cometeriam crimes. Uma vez percebido o mal ali, que Deus não gostaria daquilo, ou a malícia, o erro, mesmo que confusamente, já basta para ter sido plenamente advertido.

Pode acontecer de a pessoa não ter plena advertência o tempo todo, por levar uma vida má há muito tempo. Mesmo assim, não significa que não esteja em pecado, pois não há inteligência que se possa admitir moralmente tantas maldades. Se parar para pensar por um minuto, percebe-se a maldade.

A plena advertência torna-se cada vez mais delicada, naqueles que possuem uma consciência formada, prática da moral e uma vida de fé.

O pleno consentimento é um ato voluntário de tal maneira que se possa dizer, com sinceridade, que se praticou tal ou qual ato por que quis, e se não o quisesse, não o teria feito. No início, pode ser difícil de discernir, mas, com o tempo, a observação nos ajuda a conhecer melhor a nós mesmos, assim como nas questões de moral que surgirem e que se busque respostas.

É possível pecar por pensamento?

Essas coisas se aplicam também aos pecados por pensamento. Deus quer que sejamos puros em todos os sentidos, não só nos atos externos, mas também nos internos. Os pensamentos voam, fazem-se por associações, numa completa balburdia. Normalmente, os maus pensamentos não começam pela vontade (no caso de uma pessoa que já busca evitar o pecado). Caso se perceba um mal pensamento, essa percepção é a plena advertência. Até esse ponto, não há o pecado, porém, se, depois disso, deixa os pensamentos prosseguirem no mal, mesmo que seja no automático, nesse momento ocorre o consentimento e o ato. Aí materializa-se o pecado.

Por fim, é preciso saber se a matéria do ato mal é grave ou venial. Já tratamos um pouco disso no texto da semana passada. Mais para frente, falaremos mais um pouco. Vai ficar tudo bem claro, não se preocupe!

Por Roger de Carvalho, via Canção Nova 

Oração de cura e libertação de Santo Ambrósio

Por | FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Oração que Santo Ambrósio nos ensina para rezarmos antes da Santa Missa

Senhor Jesus Cristo, eu, pecador, não presumindo de meus méritos, mas confiando em vossa bondade e misericórdia, temo entretanto e hesito em aproximar-me da mesa de vosso doce convívio.

Pois meu corpo e meu coração estão manchados por muitas faltas, e não guardei com cuidado meu espírito e minha língua.

Por isso, ó bondade divina e temível majestade, em minha miséria recorro a Vós, fonte de misericórdia; corro para junto de Vós a fim de ser curado, refugio-me em vossa proteção e anseio ter como salvador Aquele que não posso suportar como juiz.

Senhor, eu vos mostro minhas chagas e vos revelo minha vergonha.

Sei que meus pecados são muito grandes e temo por causa deles, mas espero em vossa infinita misericórdia.

Olhai-me pois com vossos olhos misericordiosos, Senhor Jesus Cristo, Rei eterno, Deus e homem, crucificado por causa de nós homens.

Escutai-me pois espero em Vós; tende piedade de mim, cheio de miséria e pecados, Vós que jamais deixareis de ser para nós a fonte da compaixão.

Salve, vítima salvadora, oferecido no patíbulo da cruz por mim e por todos os homens.

Salve, nobre e Precioso Sangue, que brota das chagas de meu Senhor Jesus Cristo crucificado e lavas os pecados do mundo inteiro.

Lembrai-vos, Senhor, da vossa criatura resgatada por vosso sangue.

Arrependo-me de ter pecado, desejo reparar o que fiz.

Livrai-me, ó Pai clementíssimo, de todas as minha iniquidades e pecados, para que, inteiramente purificado, mereça participar dos santos méritos.

E concedei que vosso corpo e sangue, que eu embora indigno me preparo para receber, sejam perdão para os meus pecados e completa purificação de minhas faltas .

Que eles afastem de mim os pensamentos maus e despertem eficazes obras que vos agradam, e protejam meu corpo e minha alma contra as ciladas de meus inimigos.

Amém.

Tenor italiano lança single de arrepiar com o filho; letra fala sobre valores familiares

Por | - ULTIMAS, PARTILHA DO FUNDADOR

cantor e produtor musical italiano Andrea Bocelli tornou-se mundialmente conhecido por sua voz elegante e angelical. Agora, ele é acompanhado por seu filho, Matteo Bocelli, em seu novo single “Fall on Me”. 

Bocelli diz que ele e o filho compartilham o mesmo amor pela música. Além de cantar, Matteo também toca piano. Os dois já se apresentaram em alguns concertos.

Parcialmente cego desde a infância, Bocelli ficou completamente sem enxergar depois de ser atingido no olho durante um jogo de futebol. Embora as muitas operações não tenham conseguido restaurar sua visão, ele encontrou paz e consolo na música.

Ao posta o vídeo do single no Youtube, Andrea Bocelli escreveu: “Qualquer um que seja pai ou mãe ou que conheça a preciosa responsabilidade de ser mãe ou pai, compreenderá o significado desta peça”. 

A letra de “Fall on Me” fala justamente do vínculo entre pai e filho e como o pai consegue transmitir valores sólidos para o filho. É realmente emocionante. Assista: 

Oração de libertação a Nossa Senhora das Mercês!

Por | - ULTIMAS, PARTILHA DO FUNDADOR

24 de setembro é a festa litúrgica da Virgem da Misericórdia

A devoção a Nossa Senhora das Mercês teve início no século XIII, quando a Virgem apareceu a São Pedro Nolasco e o encorajou a seguir libertando os cristãos escravos.

Naquela época, os mouros saqueavam regiões costeiras e levavam os cristãos como escravos para a África. Nessa horrível condição, muitos perdiam a fé por pensar que Deus os tinha abandonado.

Pedro Nolasco, vendo essa situação, vendeu até seu próprio patrimônio para libertar os cativos. Do mesmo modo, formou um grupo para organizar expedições e negociar resgates. Quando o dinheiro acabou, pediram esmolas. Entretanto, as ajudas também terminaram.

Nolasco lhe perguntou: “Ó Virgem Maria, Mãe da graça, Mãe de misericórdia, quem poderia acreditar que tu me envias?”.

Maria respondeu dizendo: “Não duvides de nada, porque é vontade de Deus que se funde uma ordem desse tipo em minha honra; será uma ordem cujos irmãos e professos, a imitação de meu filho Jesus Cristo, estarão postos para ruína e redenção de muitos em Israel, isto é, entre os cristãos, e serão sinal de contradição para muitos”.

Diante desse desejo, foi fundada a ordem dos Mercedários no dia 10 de agosto de 1218 em Barcelona, Espanha. São Pedro Nolasco foi nomeado pelo Papa Gregório IX como Superior Geral.

Os integrantes, além dos votos de pobreza, castidade e obediência, faziam um quarto voto em que se comprometiam a dedicar sua vida a libertar os escravos e que ficariam no lugar de um cativo que estivesse em perigo de perder a fé, quando o dinheiro fosse era suficiente para conseguir a libertação.

Mais tarde, no ano 1696, o Papa Inocêncio XII fixou o dia 24 de setembro como a Festa de Nossa Senhora das Mercês em toda a Igreja.

Oração de libertação a Nossa Senhora das Mercês

Nossa Senhora das Mercês, nossa Padroeira, Mãe da Libertação, livra-me das correntes que amarram e bloqueiam minha vida, minha família e meus negócios.

Peça por mim a Jesus que envie seus Anjos para libertar de tantos males.

Interceda a Deus, para que eu obtenha as luzes do Espírito Santo, para viver na paz, alegria e prosperidade.

Ensina-me a ter um coração confiante em Deus.

Amém.

Com informações de ACI Digital

A doutrina católica a respeito da santidade

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”. Nesta pregação, deixe-se guiar pela grande mestra da oração, Santa Teresa de Ávila, e aprenda você também a trilhar o caminho da perfeição e da amizade com Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
 (Mt 5,1-12)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”.

Essa, que é a doutrina católica a respeito da santidade, foi radicalmente negada pela teologia protestante, no século XVI. Para Martinho Lutero e seus seguidores, de fato, não é possível que uma pessoa se livre de seus pecados e defeitos nesta vida. Pela fé, o homem justificado não teria os seus pecados apagados, mas tão somente encobertos. É o que está na Declaração Sólida da Fórmula de Concórdia, um dos primeiros compêndios do luteranismo: “Os justificados são declarados e imputados justos e piedosos pela fé e por causa da obediência de Cristo (…), ainda que, por conta de sua natureza corrompida, eles ainda sejam e permaneçam pecadores até o túmulo” [1].

A maior prova de que essa teoria protestante está errada se encontra justamente na vida dos santos católicos, homens e mulheres que se livraram de todos os seus egoísmos e alcançaram a perfeição da caridade, “ainda neste desterro”.

Para compreender em que consiste essa santidade e como chegar a ela, vale servir-se da vida e da obra de uma grande doutora da Igreja, contemporânea a Lutero: Santa Teresa de Ávila.

Em sua obra Castelo Interior, Teresa compara a alma humana a “um castelo todo de diamante ou de cristal muito claro onde há muitos aposentos, tal como no céu há muitas moradas (cf. Jo 14, 2)” [2], e em cujo centro está o próprio Deus – sustentando o ser dos homens e dando-lhes a vida natural.

Quanto à vida sobrenatural, porém, um pode achar-se (a) ou em estado de graça (b) ou em pecado mortal:

“Gostaria que considerásseis o que será ver esse castelo tão resplandecente e formoso, essa pérola oriental, essa árvore de vida plantada nas próprias águas vivas da vida, que é Deus, quando cai em pecado mortal. Não há treva tão tenebrosa, nem coisa tão escura e negra que se lhe compare.

Basta dizer que o próprio Sol, que lhe dava tanto resplendor e formosura, se encontra ainda no centro da alma, mas é como se isso não acontecesse. Assim como o cristal pode refletir o esplendor do sol, a alma ainda é capaz de fruir de Sua Majestade. Todavia, isso não a beneficia em nada, daí decorrendo que todas as boas obras que fizer, estando ela em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar a glória. Isso porque não procedem do princípio pelo qual nossa virtude é virtude – Deus –, mas nos apartam Dele, não podendo ser agrádeveis aos Seus olhos.

(…)

Assim como são claros os pequenos arroios que brotam de uma fonte clara, assim também é uma alma que está em graça, razão pela qual suas obras são tão agradáveis aos olhos de Deus e dos homens. Porque elas procedem dessa fonte de vida na qual, à semelhança de uma árvore, a alma está plantada; e ela não teria frescor nem fertilidade se não estivesse ali, sendo a água a responsável pelo seu sustento e pelos seus bons frutos. Quanto à alma que por sua culpa se afasta dessa fonte e se transplanta a outra de águas sujas e fétidas, não produz senão desventura e imundície.

Deve-se considerar aqui que a fonte, aquele sol resplandecente que está no centro da alma, não perde seu resplendor e formosura. Ele continua sempre dentro dela, e nada pode tirar-lhe o brilho. Mas, se sobre um cristal que está ao sol se puser um pano espesso e negro, claro está que, embora o sol incida nele, a sua claridade não terá efeito sobre o cristal.” [3]

A quem entrou nos primeiros aposentos, embora esteja no interior do castelo, nem sempre é dado contemplar a sua magnificência – debilitado que está por seus defeitos, arrastado que é por seus vícios e perturbado que se acha por suas paixões desordenadas –, a não ser que, interiorizando-se, entrando em si mesmo, vá se aproximando cada vez mais de Deus, que está no íntimo de seu ser [4].

Para tanto, é necessário recorrer constantemente à oração, determinando-se a nunca abandoná-la, até que se atinja a meta [5]. A oração de que aqui se fala, contudo, não são essas manifestações exteriores e sentimentais, que se encontram muitas vezes nos chamados “grupos de oração”, senão aquela que conduz a uma verdadeira reflexão:

“Pelo que posso entender, a porta para entrar nesse castelo é a oração e reflexão. Não digo oração mental mais do que vocal; para haver oração, é necessária a reflexão (consideración). Não chamo oração aquilo em que não se percebe com quem se fala e o que se pede, nem quem pede e a quem; por mais que se mexam os lábios, não se trata de oração.” [6]

De morada em morada, então, a alma cristã vai progredindo na vida da santidade, saindo do amor servil – que se limita ao mero cumprimento dos Mandamentos –, passando pelo amor filial – característico das almas mais generosas –, até chegar, enfim, ao amor esponsal – quando criatura e Criador se unem tão intimamente, a ponto de ela ver-se transformada no objeto do seu amor [7]. Nessas moradas mais elevadas, a alma desposada por Cristo é capaz de repetir com São Paulo: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Essa doutrina católica a respeito da santidade mostra a essência da liberdade, pois, neste cume a que chegam alguns santos, eles, verdadeiramente livres, são incapazes de cometer a mínima ofensa contra Deus. Longe de ser um ideal inatingível nesta vida, porém, essa doutrina de perfeição é uma realidade possível e acessível a todos. Sejamos, pois, santos, assim como o nosso Pai o é (cf. 1 Pd 1, 16).

Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-doutrina-catolica-a-respeito-da-santidade

Referências

  1. The Solid Declaration of the Formula of Concord, III, 22.
  2. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 1.
  3. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 2, 1-3.
  4. Cf. Santo Agostinho, Confissões, X, 27 (PL 32, 795).
  5. Cf. Caminho de Perfeição, XXI, 2.
  6. Cf. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 7.
  7. Cf. Ricardo de S. Vítor, Comentário ao Cântico dos Cânticos, Prólogo (PL 196, 408).

E se aplicássemos a Regra de São Bento em nossa vida familiar?

Por | FORMAÇÃO DE LIDERES, FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Teríamos que mudar estas 6 coisas

A Regra de São Bento é a normativa que o santo padroeiro da Europa estabeleceu para suas comunidades monásticas. Elas deveriam preservar a civilização, a cultura, a paz e o amor num contexto de violência, corrupção e saqueamento que marcava o Império Romano.

Seus 73 capítulos, guiaram, durante 15 séculos, a vida de dezenas de milhares de homens e mulheres em centenas de comunidades de todo o mundo. Podemos considerá-la uma “fórmula comprovada” de como viver como cristãos em comunidade.

E se tentássemos aplicar a Regra na vida familiar do século XXI? As famílias cristãs desse século também tentam ser como os mosteiros do século V, ou seja, ilhas de paz, amor e respeito a Deus, cercadas por um ambiente exterior hostil, bárbaro e impiedoso, que vive de criar ruínas e saqueá-las.

Esta é a tese de um livro de 2014 do sacerdote beneditino Massimo Lapponi, publicado na Itália com o título de “São Bento e a vida familiar” (Libreria Editrice Fioentina, versão em espanhol em ebook e WordPress aqui).

Ele destaca que a Regra Beneditina, quando aplicada à vida familiar, produziria mudanças nestas seis áreas:

1) Mudanças no trabalho

Como num mosteiro (com seu ora et labora), todos deveriam ajudar nos afazeres domésticos, aceitariam os trabalhos e os encarariam como um serviço como outro qualquer. Além disso, ficaria claro que a vida profissional não deveria ser mais importante do que a vida familiar.

Os filmes e as brincadeiras deveriam ser compartilhados com todos. Existiriam desafios de recreação e brincadeiras comuns depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para nos encontrarmos e descansarmos. “O repouso é um momento de comunhão com Deus e com as almas e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

2) Mudanças nos momentos de descanso

Os filmes e os jogos seriam compartilhados com todos. Existiriam momentos de recreação e brincadeiras comunitárias depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para descansar. “O Repouso é um tempo de comunhão com Deus e com as almas, e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

3) Mudanças nas refeições

Rezaríamos antes das refeições. E todos os membros da família comeriam juntos, não em horas diferentes ou em salas e quartos separados. Seria um momento de conversa, de troca de ideias e experiências. O ato de fazer uma refeição com todos reunidos ajuda a família, não somente porque dizem os beneditinos, mas também porque isso foi comprovado em vários estudos sociológicos. Mas, para isso, a TV deve estar desligada.

4) Mudanças nos hábitos de consumo

Uma família “ao estilo beneditino” evitará o luxo e a superficialidade. Não encherá os quartos dos filhos de coisas e brinquedos. Será estabelecida uma grande sobriedade no uso dos aparelhos eletrônicos, tanto entre os pais, quanto entre os filhos (horários de telas apagadas, limitar o uso de telas etc). A família tentará fazer com que o uso de aparelhos eletrônicos seja comunitário: melhor ver juntos uma película do que cada um ir jogar um game diferente em seu dispositivo particular. De qualquer forma, reduzindo o tempo de exposição a esses dispositivos, a leitura e o diálogo serão fomentados.

5) Mudanças na vida de oração

Haveria um lugar e um horário para rezar. Pode ser um pequeno altar para a oração comunitária. Mas a “invasão mundana” deverá ser bloqueada, criando um clima em que pais e filhos possam se encontrar com Deus todos os dias.

6) Mudanças na caridade e solidariedade

A família tentará evitar centrar-se ou fechar-se em si mesma: será acolhedora, buscará aliviar os sofrimentos alheios, colocará os filhos em contato com os menos favorecidos.

Dessa forma, Massimo Lapponi incentiva os leitores a colocar essas medidas em prática. “As famílias de hoje são chamadas a ser ilhas luminosas de fé, de educação no seu bairro, no colégio, no supermercado, no parque, com os amigos… Trata-se de construir o futuro, como fizeram os filhos de São Bento, buscando a Deus”, disse o autor.

Lapponi apresenta o livro com uma citação de São Cipriano: “Não falamos de grandes coisas; apenas as vivemos”.

Artigo originalmente publicado por Religión en Libertad, traduzido e adaptado ao português

5 situações da vida adulta que revelam quem é seu amigo de verdade

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Como todo vínculo, a amizade – se for autêntica – amadurece e se adapta às distintas fases da nossa vida, como o casamento e a enfermidade.

Os amigos – os autênticos e verdadeiros – são grandes apoiadores da nossa felicidade, seja qual for o momento que estejamos vivenciando. Como todo vínculo, a amizade amadurece e se adapta às distintas fases da nossa vida, como o casamento e a enfermidade. A psicóloga María Elena Larraín pontuou para o site chileno Hacer Familia cinco situações da vida adulta que colocam à prova as amizades e revelam quem está de fato ao nosso lado. Confira:

  1. O casamento

O cenário é comum: a casa do primeiro amigo a se casar acaba se tornando o lugar obrigatório das reuniões de fim de semana entre os amigos. Copos, garrafas e pratos espalhados pela mesa, pelo balcão e pela pia se tornam costumeiros na manhã de domingo na residência de um casal recém-casado. Depois de um tempo, um dos dois diz que gostaria de ter mais intimidade em um sábado e o outro lhe dá razão – às vezes, porém, a estratégia acaba isolando o casal de seus amigos. O que fazer?

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“Para os amigos, o lar dos recém-casados é muito atrativo como lugar de encontro, e também para o casal é muito empolgante receber seus amigos pela primeira vez como donos da casa”, comenta María Elena. “Quando um dos dois quer mais privacidade, isso é totalmente compreensível; na verdade, é natural. Não necessariamente isso deve afetar a relação com os amigos. Os amigos, os bons amigos, também entendem que o casal precisa de seu espaço”.

  1. A segunda adolescência

Os primeiros anos de casados são, muitas vezes, um mar de doçuras. O tempo passa, porém, e lá pelos quarenta e tantos anos de idade, com os filhos já na escola, os amigos homens decidem formar um Clube do Bolinha. O happy hour se torna uma rotina semanal e a pescaria, o futebol ou outra atividade é um compromisso recorrente – e os homens passam a se sentir mais livres. As mulheres reivindicam o mesmo direito e organizam uma excursão com seu Clube da Luluzinha. Na volta, porém, querem trazer as confidências que ouviram das amigas ao confronto com o marido.

“Se a finalidade desses grupos de amigos é reviver a solteirice, pode ser perigoso. É sinal de um apego a desejos mais infantis, imaturos – uma espécie de parênteses na vida de casados”, diz a psicóloga. Se por um lado o cônjuge precisa ser nosso melhor amigo, aquele com quem dividimos tudo, comentar os segredos ouvidos entre amigos pode ser desaconselhável. “A amizade é uma abertura da própria intimidade e requer que isso seja respeitado. Se não se cuida desse princípio, as amizades podem se romper e os grupos de amigos ficar cheios de conflitos por transmissões imprudentes ou indevidas de informações”, afirma María Elena.

  1. O desemprego

Pode acontecer com o amigo mais bem-sucedido, que sempre teve bons empregos, mas nunca fez uma poupança; e pode se dar também com quem sempre viveu de forma instável a vida profissional. Quando um amigo passa a ter dificuldades financeiras, o seu problema passa a ser o assunto de todos os amigos. Mais grave ainda é quando uma doença crônica atinge um deles.

Até onde um amigo deve ou pode ajudar economicamente o outro? “No caso de problemas econômicos, é preciso que o amigo que deseja ajudar faça um acordo com seu cônjuge”, avalia María Elena. “O limite pode ser ‘até que doa’, como dizia Alberto Hurtado, quando a outra família é muito próxima e está passando dificuldades severas. Mas em outras ocasiões, é preciso analisar e avaliar a conveniência de ajudar e de que maneira fazer isso – se de forma estável, ocasional, frequente. O mais importante é que uma verdadeira amizade se radica no carinho, na compreensão e na solidariedade com quem está em uma situação de dificuldade financeira ou enfermidade”.

  1. O divórcio

O divórcio atinge também os amigos. Em um momento, todos eram inseparáveis. Os filhos do amigo eram como sobrinhos. De repente, o rompimento. Surgem as versões do marido e da mulher e quase que se formam grupos a favor de um e de outro. E levanta-se a pergunta: qual deles vai continuar no grupo de amigos?

Três tipos de amigos que todo mundo precisa ter

“Todos os amigos sofrem quando um casal se separa, ainda mais quando a consequência é o distanciamento de alguém”, comenta a psicóloga. “Quem permanecerá com os amigos? A resposta não é fácil, porque os amigos não são propriedade de ninguém. A amizade é um dom recíproco. As amizades profundas perdurarão apesar da separação, e outras se perderão”.

  1. A doença e a velhice dos pais

Todos nós sabemos que os seres humanos envelhecem e morrem. Mas mesmo que saibamos, será um golpe duro quando chegar a vez dos nossos pais. Em alguns casos, os amigos compreendem bem ou estão vivenciando o mesmo processo. Outras vezes, um amigo acaba isolado por não poder descuidar de seus pais doentes ou idosos.

“A amizade amadurece com o sofrimento, com a companhia na dor e a partilha dessas experiências com os amigos”, lembra María Elena. “Assim se alcançam amizades muito valiosas e profundas, muito mais do que quando só se partilham passatempos. Se alguém tem um de seus pais doente, um bom amigo se preocupa, oferece ajuda. Ele compreende que é difícil ficar de fora das atividades do grupo e oferece formas de dar sentido a essas renúncias por aqueles que lhe deram a vida”.

Com informações de Hacer Familia.

Os 10 mandamentos do casal

Por | FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Os dez mandamentos do casal ajuda a compreender que a felicidade nasce das pequenas coisas

Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou “Os Dez Mandamentos do Casal”. Gostaria de analisá-los aqui, já que trazem muita sabedoria para a vida e felicidade dos casais. É mais fácil aprender com o erro dos outros do que com os próprios.

1. Nunca se irritar ao mesmo tempo

A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, tanto mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencermos de que na explosão nada será feito de bom. Todos sabemos bem quais são os frutos de uma explosão: apenas destroços, morte e tristeza. Portanto, jamais permitir que a explosão chegue a acontecer. Dom Hélder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…”.

2. Nunca gritar um com o outro

A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Quanto mais alguém grita, tanto menos é ouvido. Alguém me disse, certa vez, que se gritar resolvesse alguma coisa, porco nenhum morreria. Gritar é próprio daquele que é fraco moralmente, e precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.

3. Se alguém tiver de ganhar na discussão, deixar que seja o outro

Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença”, para que mais rapidamente ela termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”; uma luta inglória. “A vitória na guerra deveria ser comemorada com um funeral”, dizia Lao Tsé. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer de que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Muitas vezes, uma pequena discussão esconde por muitos dias o sol da alegria no lar.

4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor

A outra parte tem de entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.

5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado

A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda as vezes em que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isso que queremos para a pessoa amada. É preciso todo o cuidado para que isso não ocorra nos momentos de discussão. Nessas horas o melhor é manter a boca fechada.

Aquele que estiver mais calmo, que for mais controlado, deverá ficar quieto e deixar o outro falar até que se acalme. Não revidar em palavras, senão a discussão aumenta e tudo de mau pode acontecer em termos de ressentimentos, mágoas e dolorosas feridas.

Nos tempos horríveis da “Guerra Fria”, quando pairava sobre o mundo todo o perigo de uma guerra nuclear, como uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, o Papa Paulo VI avisou o mundo: “A paz se impõe” somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade. Ora, se isso é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo: “Primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros“. E Paulo VI, ardoroso defensor da paz, dizia: “Se a guerra é o outro nome da morte, a vida é o outro nome da paz”. Portanto, para haver vida no casamento é preciso haver a paz; e ela tem um preço: a nossa maturidade.

6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge

Na vida a dois tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.

7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo

Se isso não acontecer, no dia seguinte o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução. Já pensou se você usasse a mesma leiteira que já usou no dia anterior, para ferver o leite, sem antes lavá-la? O leite certamente azedaria. O mesmo acontece quando acordamos sem resolver os conflitos de ontem. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.

8. Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa

Muitos têm reservas enormes de ternura, mas se esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso dizer isso também com palavras. Especialmente para as mulheres, isso tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem-estar. Muitos homens têm dificuldade nesse ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância. Como são importantes essas expressões de carinho que fazem o outro crescer: “Eu te amo!”; “Você é muito importante para mim”; “Sem você eu não teria conseguido vencer este problema”; “A sua presença é importante para mim”; “Suas palavras me ajudam a viver”… Diga isso ao outro com toda sinceridade, todas as vezes em que experimentar o auxílio edificante dele.

9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas

Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isso é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!

10. Quando um não quer, dois não brigam

É a sabedoria popular que ensina isso. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar essa iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será não “pôr lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes, será por um abraço carinhoso ou por uma palavra amiga.

Todos nós temos a necessidade de um “bode expiatório” quando algo adverso nos ocorre. Quase que inconscientemente queremos, como se diz, “pegar alguém para Cristo” a fim de desabafar as nossas mágoas e tensões. Isso é um mecanismo de compensação psicológica que age em todos nós nas horas amargas, mas é um grande perigo na vida familiar. Quantas e quantas vezes acabam “pagando o pato” as pessoas que nada têm a ver com o problema que nos afetou. Algumas vezes são os filhos que apanham do pai que chega em casa nervoso e cansado; outras vezes é a esposa ou o marido que recebe do outro uma enxurrada de lamentações, reclamações e ofensas, sem quase nada ter a ver com o problema em si.

Temos que nos vigiar e policiar nessas horas para não permitir que o sangue quente nas veias gere uma série de injustiças com os outros. E temos de tomar redobrada atenção com os familiares, pois, normalmente são eles que sofrem as consequências de nossos desatinos. No serviço, e fora de casa, respeitamos as pessoas, o chefe, a secretária, etc., mas, em casa, onde somos “familiares”, o desrespeito acaba acontecendo. Exatamente onde estão os nossos entes mais queridos, no lar, é ali que, injustamente, descarregamos as paixões e o nervosismo. É preciso toda a atenção e vigilância para que isso não aconteça.

Os filhos, a esposa, o esposo, são aqueles que merecem o nosso primeiro amor e tudo de bom que trazemos no coração. Portanto, antes de entrarmos no recinto sagrado do lar, é preciso deixar lá fora as mágoas, os problemas e as tensões. Estas, até podem ser tratadas na família, buscando-se uma solução para os problemas, mas, com delicadeza, diálogo, fé e otimismo. É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos.

Na Encíclica Redemptor Hominis, o saudoso Papa João Paulo II afirma algo marcante: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente” (RH,10). Sem o amor a família nunca poderá atingir a sua identidade, isto é, ser uma comunidade de pessoas.

O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o autor do Cântico dos Cânticos: “O amor é forte como a morte… Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7).

Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade? Seria mais coerente dizer que o “verdadeiro” amor não existiu entre eles. Não cresceu e não amadureceu; foi queimado pelo sol forte do egoísmo e sufocado pelo amor-próprio de cada um. Não seria mais coerente dizer: “Nós matamos o nosso amor?”

O poeta cristão Paul Claudel resumiu, de maneira bela, a grandeza da vida do casal: “O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento.”

(Trecho extraído do livro: “Família, santuário da vida“).

Uma Igreja impotente: por que os homens não querem saber de Cristo?

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Descubra como uma noção errônea sobre o cristianismo e a personalidade de Jesus acabou afastando muitos homens de verdade da Igreja.

A participação de mulheres na Igreja é maior que a de homens em quase todas as denominações cristãs. Essa diferença, entretanto, não se explica pela tese de que as mulheres seriam mais religiosas, já que o cristianismo é a única religião no mundo em que a presença masculina é menor que a do sexo oposto.

Qual seria o motivo por trás disso?

Uma das explicações seria a forma como a teologia e a ética cristã se apresentam, ou seja, como algo genuinamente feminino. Neste artigo, vamos examinar as bases dessa ideia e mostrar como o cristianismo pode, na verdade, ser entendido como algo masculino.

O código da masculinidade e a feminilidade do cristianismo

As qualidades e os traços “masculinos” são os mesmos há milhares de anos e se repetem em praticamente todas as culturas do mundo. Na antiguidade, o menino precisava passar por testes de habilidade e autocontrole para receber o título de “homem”; ele tinha de desenvolver autonomia, resiliência e fortaleza, enfrentando riscos, lutas e competições contra os demais garotos. Força física e outras virtudes como a coragem eram muito valorizadas. Afinal de contas, para ser considerado um “homem de verdade”, um rapaz deveria possuir os assim chamados “três pês da masculinidade”: protetorprovedor e procriador.

“Gladiador versus Leão”, de Miguel Coimbra.

Esse código apresentava a masculinidade como uma virtude pública. Assim, a iniciação do garoto era responsabilidade da comunidade, que o avaliava pública e reiteradamente. A primeira preocupação de um homem deveria ser a sua honra, pela qual lutaria a todo momento.

A identidade de um homem provinha de sua participação na tribo, e seu primeiro grupo social era a gangue: um grupo de honra pequeno e fechado, do qual nem todos podiam participar e cuja dinâmica, a do “nós contra eles”, prevalecia. A lealdade de um homem era fundamental; a vontade de sacrificar-se, sangrar e mesmo morrer por um povo sempre foi um ponto básico e indiscutível para o antigo código de masculinidade, embora essa lealdade se restringisse aos camaradas e parentes.

Por isso, não é preciso muito esforço para perceber por que o cristianismo é visto como a antítese da masculinidade tradicional e Jesus, como o modelo das “virtudes suaves”. Tradicionalmente, virtudes como bondade, compaixão, perdão, carinho, castidade e humildade sempre estiveram mais associadas às mulheres do que aos homens.

No cristianismo, a violência e o triunfo sobre o inimigo são substituídos pelo amor ao próximo e pelo perdão; a glória das competições e o respeito cedem lugar à temperança e à humildade; a alma torna-se mais importante do que o corpo, e as honrarias não fazem sentido no Reino de Deus, uma vez que o sucesso mundano não torna ninguém melhor do que ninguém. Além disso, nem só os fortes serão salvos, pois Jesus prometeu que os mansos e pobres seriam exaltados, e os ricos e poderosos, humilhados.

A porta do cristianismo está, pois, aberta a todos; trata-se de uma religião universal, não exclusivista. Contrariando o código antigo da masculinidade, os cristãos devem superar as tendências tribalistas, a fim de abraçar todos os irmãos. E, para completar o quadro, os estranhos devem ser amados tanto quanto os familiares.

É possível argumentar que as regras acima constituem os componentes da excelência humana, mas seria difícil dizer que estão de acordo com a excelência masculinaNão se pode esconder que tais princípios são claramente opostos ao código antigo da masculinidade. Visto dessa maneira, o cristianismo pode até fazer de você um bom homem, mas não será bom o suficiente para fazer de você um homem.

O cristianismo como moral de escravos

Alguns filósofos consideraram o cristianismo uma coisa para fracos, uma repressão religiosa, inconveniente para qualquer homem que deseje dizer “sim” à vida. É o caso de Friedrich Nietzsche. “A fé cristã”, dizia, “é desde o começo um sacrifício: um sacrifício de toda liberdade, todo orgulho, toda autoconfiança e, ao mesmo tempo, escravização, ridicularização de si mesmo e automutilação.”

Embora nutrisse respeito por Cristo como um indivíduo que criou seus próprios valores, Nietzsche deplorava o fato de Jesus ter negado a realidade por um reino no Céu e ido para a morte sem lutar. Para o filósofo alemão, o cristianismo seria uma fé inventada por escravos invejosos do poder de seus amos.

Nietzsche queria ressuscitar os valores homéricos da Grécia antiga e reviver uma aristocracia em que isso pudesse dar certo. Ele pensava que a humanidade seria hierárquica por natureza, já que algumas pessoas são evidentemente melhores que outras. No topo dessa hierarquia estariam os senhores, os nobres, egoístas descarados que afirmaram sua vontade no mundo e fizeram o que queriam por meio da força, da coragem e da excelência.

Na base, por sua vez, estariam os escravos, seres tímidos e fracos, que não podem exercer sua vontade e invejam aqueles que podem. A partir desse ressentimento da “moralidade dos senhores” é que surgiria a “moralidade dos escravos”, ou seja, uma tentativa de transformar o código dos poderosos segundo o interesse dos subordinados, afirmando que os valores dos senhores não são apenas ofensivos a Deus, mas que ser fraco, humilde e submisso é mais justo e excelente.

A masculinidade do cristianismo

Nos anos seguintes, a teologia não contestou suficientemente a ideia de um cristianismo feminino e fraco, e essa noção acabou prevalecendo na sociedade. Os defensores da masculinidade cristã, por outro lado, não negam que muitos dos princípios do Evangelho sejam “suaves”, mas argumentam que tais princípios estão unidos a um número igual, senão maior, de virtudes “duras” e “exigências extenuantes”, que se alinham ao código da masculinidade em muitos aspectos.

“Cristo expulsando os cambistas do Templo”, de Salvator Rosa.

Para o estudioso católico Leon J. Podles, por exemplo, o caminho de Cristo é de natureza masculina. Em defesa de sua tese, Podles ressalta que, enquanto o lado amoroso, misericordioso, cuidadoso e gentil de Jesus representa uma parte de seu caráter, há ainda outro lado muitas vezes ignorado — um “leão”, em contraste com a visão mais conhecida do “cordeiro” —, marcado por traços como justiça, ousadia, poder e autodomínio. Este é o Jesus que se sacrifica na carpintaria, que vai para o deserto e que maneja o chicote:

  • O homem que disse para “não julgar”, mas condenou severamente os seus críticos.
  • O curador compassivo que defendeu as crianças, mas limpou o templo com uma ira cheia de justiça.
  • O gentil sábio que falou de lírios e pardais, mas repreendeu seu amigo como Satanás e declarou que não “veio trazer a paz, senão a espada”
  • O professor que admoestou seus seguidores a “amar o próximo como a si mesmo”, mas chamou os gentios de cães e, a princípio, reservou o ensinamento de sua mensagem para o próprio povo; e, embora esses “outros” adotassem completamente a sua mensagem, o Evangelho cristão dificilmente se desvincularia da ética do “nós contra eles”; Jesus não teve nenhum problema em traçar uma linha divisória entre ovelhas e cabritos — aqueles que faziam parte de sua tribo e aqueles que não tinham lugar nela. Todos seriam bem-vindos, desde que vivessem um árduo código de ética.

Notem ainda que Jesus foi para a cruz como um mártir, cumprindo o código de masculinidade de dar a vida pelo irmão, e suportou como ninguém a morte e sua tortura prévia. E apesar de Jesus não exigir de seus seguidores o combate físico, muitos viram o Evangelho como um chamado de guerra contra outro tipo de inimigo: uma guerra travada no plano espiritual.

Santo Inácio de Loyola, um cavaleiro espanhol que se converteu após ter-se ferido em batalha, fundou a Companhia de Jesus para “quem quiser servir como soldado de Deus”, e organizou os jesuítas em torno de uma ética militar. Inácio viu no chamado ao discipulado algo muito parecido com a convocação de um rei que está montando um exército de batalha e procura quem esteja disposto a lutar com coragem e morrer em serviço pelo sucesso da missão.

Segundo Podles, abraçar “a vida interior como um combate espiritual” e submeter-se à disciplina do Evangelho qual um soldado se submete à disciplina militar é, para o discípulo de Jesus, uma glória maior que a do mundo, pois, seguindo o caminho do guerreiro ascético, ele pode se tornar não apenas um soldado de Cristo, mas um herói como seu Rei.

O caminho cristão como a “jornada do herói”

A masculinidade do cristianismo pode ser defendida mostrando como a religião e a vida de Jesus se harmonizam com a chamada “jornada do herói. Trata-se de um padrão narrativo que está na base de muitas histórias, rituais e mitos do mundo, desde os tempos antigos até o presente. A ordem e as etapas da jornada variam de um autor para outro, mas os três grandes estágios são a separação, a iniciação e o retorno, e estes são alguns dos conceitos básicos contidos nas etapas:

  • O herói recebe um chamado à aventura
  • Deixa sua vida comum
  • Recebe uma ajuda sobrenatural
  • Cruza o limiar que o separa do mundo que conheceu
  • Reúne aliados para sua missão
  • Encara testes e desafios
  • Sofre uma provação
  • Sofre uma morte física ou espiritual
  • Vive uma transformação ou apoteose (tornando-se divino)
  • Obtém uma recompensa ou elixir mágico
  • Volta para casa
  • Partilha a recompensa e a sabedoria que ganhou com os outros
  • Torna-se mestre dos dois mundos pelo qual passou
  • Obtém maior liberdade

jornada do herói manifesta-se nos ritos de passagem com os quais as tribos iniciavam um jovem na masculinidade: um menino se separaria do confortável mundo da mãe e, apoiado por mentores masculinos, passaria por uma prova dolorosa de habilidade ou resistência. Essas provas serviam para fortalecer a masculinidade e garantir uma posição de respeito e responsabilidade dentro da tribo. Ao término da jornada, o rapaz voltaria mais livre e maduro para sua família.

A história de Jesus encaixa-se no padrão da jornada do heróiUm Filho desce do Céu e, com a ajuda sobrenatural de seu Pai celestial, torna-se um mortal na terra. Ele reúne aliados para sua missão, enfrenta exames e provações, sofre uma provação sacrificial, morre e ressuscita, retorna à terra para anunciar que o poder do pecado e da morte foi derrotado, e depois volta ao Céu.

A jornada dos seguidores de Jesus pode ser compreendida também à luz deste padrão. Um homem recebe um chamado para a aventura ao tornar-se “soldado de Cristo”; ele deixa sua vida comum para o caminho do discipulado e se aventura em um mundo desconhecido, descobrindo outra realidade e plano de existência que ele anteriormente não conhecia. Em sua jornada, os discípulos são auxiliados pelo Espírito Santo, uma força poderosa que Podles compara ao Thumos grego e que o teólogo protestante Rudolf Otto descreve como “vitalidade, paixão, temperamento emocional, vontade, força, movimento, excitação, atividade, ímpeto”.

O discípulo enfrenta exames e desafios, sofre e, imitando seu Salvador, morre para si mesmo, a fim de viver no Espírito e por Ele ser transformado. Após essa transformação, o “novo homem” volta para casa, oferecendo o “elixir mágico” que agora possui aos conhecidos ao longo do caminho, tornando-se um salvador para outros. Ao aprender a equilibrar corpo e espírito, torna-se mestre de dois mundos e ganha maiores liberdades: a libertação da morte e da escravidão de suas paixões e desejos físicos.

Podles recorda que, “para todos os seres humanos, a vida é uma luta, mas os homens sabem que é especialmente seu dever estar no meio dessa luta, enfrentar dificuldades da vida e esforçar-se para saber quais são os mistérios da vida e da morte”. Em sua opinião, o cristianismo oferece exatamente o tipo de luta épica e heróica que atrai a alma masculina.

Conclusão: o cristianismo é uma religião masculina ou feminina?

Ícone de Cristo presente na Igreja de Santa Catarina, no Monte Sinai.

A resposta a essa pergunta depende. A maioria dos cristãos diria que a criação de um contraste entre o masculino e o feminino cria uma falsa dicotomia, pois Cristo reúne qualidades duras e suaves — a harmonia perfeita de tudo o que constitui a excelência humana —, o que faz dele um Deus digno de adoração.

A verdadeira questão, na verdade, não é saber se o Evangelho é mais masculino ou feminino, mas saber por que ele tem sido apresentado mais sob a ótica da feminilidade do que o contrário. É verdade indiscutível que nas congregações, nas obras de arte, na mídia, nos debates políticos e na cultura popular como um todo, prevalece a imagem do judeu “mais suave”, “mais resignado” e “mais abatido”. Não há muita conversa, dentro ou fora da Igreja, sobre seus julgamentos, sua ira, ou natureza dura.

Não obstante, a história dos grandes santos da Igreja — inclusive das santas mulheres — mostra que o cristianismo, como dizia Santa Teresa d’Ávila, não é “coisa de mulherzinhas”, mas de pessoas viris e heróicas, que se dispõem ao combate contra as forças do pecado.

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, mas defendeu o Evangelho como o Leão da tribo de Judá. E, para os rapazes que desejam ser homens de verdade, não existe maior exemplo de masculinidade que o de Cristo e de seus soldados, pois “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12).

O futuro da Igreja passa pelas pequenas comunidades cristãs

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Entrevista com Christoph Schönborn

Cardeal Christoph Schönborn, de Viena, Áustria, é uma das figuras mais interessantes da Igreja global – um protegido intelectual e teológico do Papa Bento XVI, mas também conhecido pela sua disposição para fazer julgamentos pastorais surpreendentes. Schönborn, 67 anos, foi uma das figuras mais citadas no Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, e, no dia 23 de outubro, ele falou ao NCR às margens do Sínodo. A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 25-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Eu falei com diversas pessoas no Sínodo que ficaram impressionadas com o que o senhor disse sobre o fato de que esses encontros são uma oportunidade para que os bispos falem entre si sobre seus desafios pastorais.

No início do Sínodo, eu sugeri que compartilhássemos não tanto os desafios, mas sim nossas experiências. Como sucessores dos apóstolos, somos chamados a ser os primeiros evangelizadores. Todos nós temos experiências de todos os tipos, de alegrias, medos, sucessos, fracassos, e assim por diante, na evangelização. Nós todos nos perguntamos: “Eu realmente evangelizo?”. Eu prego muito, eu estou nas paróquias, eu escrevo cartas pastorais, e assim por diante, mas o que se quer dizer com a “Nova Evangelização” não é apenas o trabalho pastoral diário, que obviamente nós temos que fazer e fazemos com alegria, mas o que o Papa Bento XVI repetidamente nos diz e nos encoraja a fazer é ir ao encontro daqueles que já não tem, ou nunca tiveram, qualquer contato direto com o Evangelho. Esse é o verdadeiro desafio da Nova Evangelização.

Eu fiquei muito comovido por alguns exemplos no Sínodo de experiências reais compartilhadas do nosso trabalho de evangelização. É claro, nós também temos que falar sobre todas as questões da sociedade secular, da globalização, da dimensão social e de todos esses assuntos, e eu acho que nós tivemos um menu muito rico sobre o que está acontecendo em todo o mundo. As situações são todas diferentes, mas, mesmo assim, também são cada vez mais semelhantes. Alguns de nós, no entanto, também deram testemunhos realmente pessoais, e isso foi muito comovente.

Nesse espírito, deixe-me perguntar sobre algumas de suas recentes experiências pastorais na Áustria. Uma delas é o movimento dos padres, que alguns chamam de “rebelião dos padres”. Como as coisas estão agora em termos de sua relação com esse grupo?

Eu penso que todos os bispos austríacos têm um contato normal e regular com os padres que estão nesse movimento. Na minha diocese, alguns dos principais sacerdotes desse movimento estão no conselho presbiteral diocesano. Ainda no início deste mês, conversamos intensamente sobre as questões e os desafios desse grupo. Todos nós compartilhamos muitos deles. Os problemas e as questões que eles levantam são questões reais do campo.

A questão é como responder, como levar em conta esses desafios, e eu me atrevo a dizer que a maioria dos padres, assim como nós, bispos, como já mostramos em nossa recente carta pastoral, pensam que algumas das soluções propostas [por esse movimento] ficam aquém. Temos que cavar mais fundo, ver essas questões em um contexto mais amplo. Temos que ver isso como um desafio comum para todos os fiéis, padres, bispos e leigos, para lidar com uma situação em que, em muitos aspectos, nos tornamos uma minoria, mesmo que, numericamente, ainda possamos ser a maioria. Temos que aprender a lidar com essa situação de uma forma criativa.

O seu ponto de vista é de que consertar as estruturas da Igreja não é suficiente?

Exatamente. Precisamos assumir esse desafio [das estruturas da Igreja], porque é uma parte da realidade. Assim como muitas outras dioceses europeias fizeram nas últimas duas décadas, por exemplo, estamos caminhando para reestruturar o nosso trabalho pastoral.

Chegaremos a essa questão daqui a pouco, mas primeiro deixe-me perguntar: independentemente do quão desafiador possa ser, esse movimento sacerdotal também fez algo de bom para a Igreja na Áustria?

Eu tenho confiança neles, porque são sacerdotes próximos das pessoas que compartilham as suas preocupações. Às vezes, talvez, eu diria que a sua perspectiva precisa ser ampliada. O desafio é introduzir a sua perspectiva de base em outros aspectos que simplesmente não estão presentes em suas reflexões e propostas. Por exemplo, toda a questão da secularização não aparece nas suas propostas, e isso é surpreendente para mim. Vivemos em meio a uma secularização radical, e as nossas paróquias agora são minorias, mesmo na zona rural.

O senhor está comprometido em continuar a conversa?

Absolutamente. No nosso diálogo com a Cúria Romana, que está indo muito bem e é muito cordial, a questão tem sido mantida, especialmente à luz do que disse o Santo Padre em sua homilia na Quinta-feira Santa. Ele disse que há apenas uma possibilidade, que é a de avançar juntos. É claro, tem que haver limites. Todos os bispos da Áustria disseram muito claramente, por exemplo, que não se pode apelar à desobediência e ao mesmo tempo deter um cargo diocesano importante. Todo homem de negócios entende que essas duas coisas são incompatíveis. Eu já agi em certas circunstâncias para dizer: “Bem, aqui está o limite, e você precisa fazer a sua escolha”.

Passemos para a reestruturação da arquidiocese, que inclui o fechamento ou o agrupamento de dois terços das suas paróquias. Como isso tem sido recebido?

Isso está no início, e a recepção tem sido mista. Por um lado, eu sinto que muitos padres e leigos estão contentes porque algo está se mexendo, porque eles sabem que a estagnação não seria uma solução. Isso só aumentaria a depressão e o desânimo. Todos nós sabemos que as mudanças têm que ser feitas. Deixe-me dar um exemplo: a cidade de Viena tem 172 paróquias, o que é notavelmente mais do que tínhamos em 1945. O número de católicos, no entanto, encolheu para menos da metade do que tínhamos à época. Temos mais paróquias, igrejas e edifícios, mas significativamente menos católicos. Temos que fazer alguma coisa e nós estamos tentando fazer isso da maneira certa. Por exemplo, propomos dar igrejas a outras Igrejas cristãs que estão crescendo, como os coptas, os sérvios ortodoxos e os romenos ortodoxos, que estão ficando maiores. Em vez de vender igrejas ou simplesmente fechá-las, queremos que elas permaneçam abertas. Eu também não descarto que o que eu vi acontecer em Berlim poderia acontecer em Viena, que é o fato de que algumas igrejas da diocese que tiveram que fechar por razões financeiras são assumidas pelos leigos e se tornam centros vibrantes de vida espiritual em outro nível .

Esse é outro ponto sobre o seu plano de reestruturação. Não se trata apenas de fechar paróquias, mas o senhor também pediu um maior envolvimento dos leigos e leigas.

A ideia-chave, que tem estado extremamente presente no Sínodo, é a da pequena comunidade cristã. Muitos, muitos bispos de todo o mundo falaram sobre as pequenas comunidades cristãs. Nós vemos a necessidade e temos o desejo não de perder comunidades, mas sim de aumentar o seu número. Somos forçados a reduzir o número das estruturas paroquiais, com toda a sua administração e despesas, mas queremos favorecer um número crescente de pequenas comunidades cristãs lideradas por leigos e leigas – leigos que não estão disponíveis em tempo integral, que não são burocratas, mas sim voluntários. Essas são pessoas que vivem no campo, que fazem o que os leigos e leigas em muitas paróquias e em outras comunidades já fazem, que é assumir a responsabilidade por uma grande parte da vida da Igreja, dos aspectos vibrantes de vida da comunidade. Queremos implementar de forma mais explícita o grande tema do Vaticano II: o sacerdócio comum de todos os batizados e batizadas, com o sacerdócio ministerial ao seu serviço, promovendo a santidade do povo de Deus. Os leigos e leigas hoje – ou, eu diria, os batizados e batizadas hoje – são totalmente capazes de ser verdadeiras testemunhas da fé em Cristo em suas vidas diárias e, portanto, nas vidas das pequenas comunidades cristãs

O papel dos leigos e leigas é algo que o movimento dos padres também promoveu. É possível um campo comum entre vocês e eles?

Sim e não, porque eu acho que as ênfases são diferentes. A ênfase não deveria estar essencialmente nos leigos e leigas que assumem cargos na Igreja, mas sim em assumir a responsabilidade pela evangelização, pela missão. A nossa manchete para a arquidiocese de Viena é “a missão primeiro”. E nós ainda a dizemos em inglês! A questão é: nós realmente acreditamos que podemos atrair as pessoas a Cristo hoje? Simples assim.

Algumas das paróquias que vocês estão fechando poderiam se tornar centros para que os leigos e leigas liderem essa missão?

Em primeiro lugar, nós não estamos tanto fechando paróquias, mas sim agrupando-as. Por exemplo, cinco paróquias pequenas na zona rural irão formar um paróquia maior. As suas instalações, no entanto, poderiam ser usadas para animar algumas dessas pequenas comunidades cristãs. É claro, há também os movimentos eclesiais, as ordens religiosas, todos os tipos de grupos de oração, e assim por diante. Eles já são o que constitui a vida do dia a dia da Igreja.

O senhor vê outros sinais de esperança para a Nova Evangelização?

Eu gostaria de acrescentar mais um ponto. O que me impressiona é o número crescente de grupos juvenis de oração em todo o país. É como um fogo que se espalha por todo o país. Em toda parte, esses grupos de jovens estão surgindo, às vezes relacionados a uma paróquia ou mosteiro, mas muitas vezes são espontâneos. Eles apenas se encontram. Você pode ver algo novo borbulhando por aí… Há vida!

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

O que eu sofri me faz ser quem eu sou!

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Quero que me vejam como eu sou. E me amem assim

Nós nos reconhecemos por nossas feridas. O que me fez doer no mais profundo fez-me ser quem sou. Mas as minhas feridas me assustam. E eu as tapo. Creio que elas já me causaram bastante sofrimento. Por isso, cubro-me.

Porém, este homem sem feridas não sou eu. Na verdade, quero que me vejam como eu sou e me amem assim. É desta forma que Deus me vê e me ama.

Jesus me mostra as marcas Dele. É Ele. Ferido, porque soube assumir todo o seu amor. Não chegou a todos, nem todos o compreenderam, não queriam ouvir outras formas de fazer as coisas. Ele não curou todo mundo. Os mais sábios não o amaram.

Ele se sentiu impotente, sozinho, abandonado na sua mais profunda verdade. Alguns os procuraram por causa de seus milagres e, depois, o deixaram. Essas feridas são as que ficaram em Jesus. Junto com a dor de deixar seus amigos e sua mãe, com quem compartilhava tudo.

Ele deixou de olhar para o lago e caminhou pela terra. As provocações, a indiferença. A necessidade da ajuda dos amigos na cruz. O pranto da mãe. O desejo de que os seus estivessem perto. A preocupação em deixá-los sozinhos. A dor física. As feridas. Os pregos. O peito aberto.

Tanto amor que Ele deixou nesta terra…Tantas pessoas que ficaram órfãs. As feridas foram profundas. A dor pela negação de um amigo, pela traição de outro, pelos gritos de tantos, pelo silêncio de muitos. Os pregos. A lança.

Ele amou tanto aqueles homens… Olhou com olhos humanos. Acariciou e sustentou corações com mãos de carne – agora atravessadas. Caminhou ao lado de homens de todas as condições. Sorriu, amou, desejou, sonhou, recordou, teve medo, temeu perder seus entes queridos.

Ele se encarnou para sempre para me compreender, para me levar ao céu, para dar sentido às minhas perguntas. E para me mostrar um amor incondicional e gratuito que foi criado em meu coração. Um amor sem medida, como o que Ele mostrou em sua vida e em sua morte.

E agora, em sua ressurreição, ele volta para mim. Não me deixa. Fica comigo. Mostra suas feridas, para que eu o reconheça. É Ele. Só pode ser Ele. Não é um fantasma. É quem viveu e morreu por mim. Agora, está vivo ao meu lado.

Ele sabe que sem Ele eu não posso ficar. Sabe que preciso dele, que sou feito para a vida e para a alegria. Para a plenitude. Por isso, Ele se coloca no meio da minha vida, porque tenho medo. Ele me mostra suas feridas, suas provas de amor.

Para quem eu mostro minhas feridas? Quem sou eu? Qual é o nome de minhas feridas?

Jesus me ensina que minha dor, minhas carências, meus medos e minhas faltas de amor são marcas que me fazem ser quem eu sou.

E, de onde ele está, Jesus vem me dizer que me ama. Que tudo tem um sentido. Que ele já carregou minha dor, que há amou. Que eu não estou sozinho no caminho. Que Ele já o percorreu antes. Que morreu por mim e agora continua vivo para voltar a caminhar ao meu lado.