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PARTILHA DO FUNDADOR

Quando o homem velho fala. Efésios 4, 17 Partilha do Fundador Daniel Oliveira

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Seu homem velho ainda aparece?

Para viver uma vida digna “da vocação a que fomos chamados” (Ef 4, 1) não é apenas uma vida de unidade e crescimento, mas de renuncias que decidimos aceitar para ter uma nova vida. Essa nova vida é uma série de negativas e positivas. A primeira negativa é despojar-se do velho homem (v. 22).

A vida cristã começa com um claro rompimento com o passado (pecado), e São Paulo apelou aos Efésios para que não mais andassem “como também andam os gentios” (v. 17). Para os romanos, São Paulo usou uma linguagem mais séria e os chamou a crucificarem o velho homem “para que o corpo do pecado [fosse] destruído” (Rom. 6: 6).

Pense agora em algumas das características do velho homem em Efésios 4, 17-24. Compare com Romanos 3, 10-18. Que tipo de quadro ele apresenta da humanidade em geral? Mudou alguma coisa até nosso tempo desde que Paulo escreveu?

Note que, em sua descrição aos Efésios, São Paulo usa palavras como escuridão, ignorância e cegueira, coisas que os levaram à decadência moral. Por causa do pecado, a mente deles não podia compreender as verdades espirituais. Como resultado, a vida deles era desperdiçada na inútil busca de Deus em si mesmos, nos ídolos desprezíveis ou na vã filosofia.

Eles se perdiam em ensinos fantasiosos e viviam na escuridão espiritual (Ef. 4, 18; veja também Rom. 1, 19-21). Sua sensibilidade moral estava tão comprometida que não podiam fazer distinção entre o bem e o mal. Os prazeres do corpo, comportamento particularmente imoral e contrário aos padrões, haviam se tornado seu passatempo favorito. Viviam em “depravação”, “impureza” e “avidez” (Ef. 4, 19; veja também Rom. 1, 26-32).

Essa era a vida deles – a vida do velho homem – antes de irem a Cristo. Então, São Paulo apela aos que creem: não voltem jamais para o velho homem.

Como isso é difícil para nós, me incluo. Por vezes o velho homem que falar! E falar alto. Nos tornamos insensíveis ao Espírito e deixamos que o homem velho tome conta de nossas ações, falas, pensamentos. Quando isto acontece um caos espiritual se instala e sempre sai alguém ferido. Cria-se a divisão, magoa e em algumas situações o pecado em nós.

Quando decidimos seguir a Cristo, devemos abandonar o antigo estilo de vida dos gentios. Mas abandonar não é suficiente. O cristianismo não é uma religião de negação mais de escolhas e certas escolhas necessitam. Espera-se que o cristão se erga a um patamar mais elevado de vida moral e espiritual. Então, São Paulo aconselha: “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem” (Ef. 4, 23-24).

Se a vida do velho homem era caracterizada por uma mente fútil, a vida do novo homem se distingue pela mente renovada. Devemos assim pensar antes de falar, não agir sem a ação do Espírito Santo. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rom. 12, 2).

Depois de descrever a vida fútil, obscura e pecaminosa dos gentios (Ef. 4, 17-20), São Paulo afirma que eles haviam sido ensinados a deixar essa vida quando foram a Cristo. Usando três verbos – aprender, ouvir e instruir, São Paulo lembra aos Cristãos que eles já conheciam bem o efeito da salvação e do novo nascimento em seu estilo de vida. Essa verdade não chegara até eles de qualquer fonte humana, mas do próprio Jesus (Efés. 4:21). O uso que São Paulo faz do nome de Jesus não é acidental. Ele quer que os Cristãos saibam que o Jesus histórico – encarnado, crucificado, ressuscitado e ascendido ao Céus – Ele mesmo é a verdade, Ele mesmo é o revelador da verdade (João 14, 6).

“Aqueles que recebem o Salvador se tornam filhos de Deus. … Sua mente é transformada. … Em vez do amor supremo ao eu, eles passam a apreciar o amor supremo a Deus e a Cristo.”

Daniel Oliveira

Vivendo em Comunidade

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Hoje se fala muito em comunidade. Comunidade paroquial, comunidade escolar, comunidade familiar, Novas Comunidades e até comunidades virtuais, espalhadas pelas redes de computadores. Fala-se muito, mas na realidade, vivemos num mundo onde cada um vive para si. Um mundo cada vez mais anônimo, pessoas isoladas pela competição e fechadas no individualismo. Os meios de comunicação, que deveriam aproximar as pessoas, acabam distanciando.

O individualismo tende a criar uma sociedade de consumistas, na qual estão em jogo os interesses pessoais. Temos uma realidade dividida, na qual os “ventos parecem contrários” Sujeitos que esperam milagres prontos e rápidos. A família sofre igualmente esses efeitos. Num chamado “amor sem compromisso”, muitos valores são perdidos. Tudo isso nos desafia, mas não pode causar medo.

A  comunidade Cristã

O ser humano só consegue tomar consciência do mundo e dos outros, através do amor e da partilha que se dá na vida em comunidade. É ali que ele vai desenvolver seus dons e suas capacidade. As comunidades cristãs são comprometidas com a fé e ligadas pelos laços de fraternidade. Viver em comunidade, nesta perspectiva, é lutar pela paz e pela justiça no mundo.

Não basta estar juntos, ou um ao lado do outro na mesma casa. É preciso que haja objetivos comuns, metas definidas, prioridades básicas que favoreçam a superação do individualismo. Faz-se necessário vivenciar relações interpessoais. A comunidade cristã tem um elo que une e fortalece os seus membros, é a mística do serviço e da oração em comunidade.

Na comunidade, cada um tem a responsabilidade de ajudar e sustentar a fé dos irmãos; dá e recebe, perdoa e é perdoado, acompanha e jamais  está só, oferece seus carismas e ministérios para o bem de todos, e beneficia-se com os de seus irmãos; compartilha.

Viver em comunidade é sair do anonimato para deixar-se conhecer, deixar-se cativar, colocando seus dons e talentos a serviço. Só que ama realmente, entende o que significa a vida em comunidade

Por outro lado, é na comunidade que acontece também às inevitáveis tensões e conflitos. A comunidade é o lugar do crescimento, mas também é o lugar dos desafios constantes. Acontece que nem sempre as pessoas estão maduras e preparadas para compartilhar e viver em harmonia e doação evangélica. A irradiação do amor supõe a superação do egoísmo. O encanto da vivência comunitária supõe uma grande capacidade de amar. Saber viver em comunidade é uma missão que se aprende cada dia. É preciso superar limites e ir além dos interesses pessoais, olhar mais para o “nós” e menos para o “eu”..

Comunidade na Escritura

Todo o Primeiro Testamento é uma tentativa de organizar o povo em grupos. De um povo rude e primitivo, tenta-se criar um espírito de fraternidade.

O Segundo Testamento, porém, vai desenvolver de uma maneira plena e de uma forma privilegiada a dimensão comunitária, a partir do mandamento novo trazido por Jesus. A mensagem do Evangelho é profundamente fraternal, pois é a justiça do Reino. Jesus escolhe os doze discípulos para formar comunidade. O cristianismo tem como ponte culminante um amor sem limite, um amor que “dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). A igreja fundada por Jesus é confirmada em Pentecostes, é precisamente a comunidade daquelas pessoas que professam a mesma fé e participam do mesmo Pão da Vida.

É o próprio Jesus que escolhe os doze pelo o nome e forma com eles a “nova comunidade do Reino”. Depois começa a conquistar discípulos formando uma nova família. Quem é minha mãe, que são meus irmãos? – pergunta Jesus, “São aqueles que fazem a vontade do Pai, esses são meus irmãos” (cf. Mc 3,34-35). Na nova comunidade de Jesus, a lei maior é o amor, a autoridade é serviço, a reconciliação é a prática diária, a partilha dos bens é regra.  Essa nova comunidade de Jesus, com a pregação dos primeiros discípulos, se espalhou rapidamente pela Galiléia. E depois da ressurreição mais ainda, quando “o Senhor ia ajuntando à comunidade dos discípulos milhares de outros que deviam ser salvos” (cf. At 2,47). É muito claro que sem comunidade não há como viver nesta nova família fundada por Jesus.

Ainda predominam entre nós e em nossas Igrejas, as formas religiosas individualistas  de massas, nas quais não se valorizam as relações interpessoais e fraternas. Busca-se Deus de forma egoísta e interesseira. Não há partilha de vida. Cada um só pensa em si mesmo. Porém, não podemos nos esquecer que o núcleo do cristianismo é o amor e a partilha. Tal amor exige a vivência comunitária e as relações fraternas. Ao mesmo tempo não podemos perder de vista o apostolado e a solidariedade com os mais pobres.

A autêntica comunidade cristã tem os olhos voltados para a realidade do mundo. O cristão deve ser por vocação um promotor de comunidades nos demais campos da vida social e profissional. Com sua vivência de fé, o cristão coloca o bem comum acima do particularismo. O Evangelho é para ser espalhado no mundo, que precisa ser renovado a partir da vida de comunidade.

Oração

Senhor, Tu nos chamas a viver em comunhão, chamas-nos a viver em comunidade.

Respondemos a este convite, esforçando-nos para transformar a Tua Palavra na vida!

Queremos ser profetas da verdade e do amor, mesmo quando o nosso relacionamento não vai bem e nos falta um verdadeiro compromisso para com a fraternidade. Ajuda-nos a construir a comunidade onde a gratuidade do amor e do perdão seja a nossa atitude cotidiana, onde os limites, os erros, os pecados, sejam também oferenda de sacrifício.

Senhor, que cada um de nós sinta as necessidades e aspirações dos outros como sendo próprias e que as nossas diferenças nos ajudem a descobrir a riqueza da diversidade,

Que nossa comunidade seja aberta e sensível às necessidades do mundo, da igreja e dos mais pobres.

Ajuda-nos a construir a comunidade que  seja um sinal da Tua Presença no mundo .

Amém!

As Obras de Misericórdia – Dom Pedro

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

A crise que nos atinge parece longe de acabar e a situação do povo se agrava. O desemprego não faz somente diminuir o salário, deteriorar o atendimento na saúde e tantos outros benefícios, mas também diminui a confiança. Falta de esperança gera incerteza, e isto concorre para vivermos uma situação onde todos precisam de todos.

Na Igreja Católica, o Papa Francisco instituiu o Ano Santo da Misericórdiaque estamos vivendo. É um período em que todos, católicos e pessoas de boa vontade, são chamados a perceber a necessidade que nossa sociedade tem de compreensão entre as pessoas, acolhida, perdão e misericórdia nos relacionamentos. É evidente que a melhor ajuda, vem do trabalho honesto e incessante, daqueles que podem melhorar a situação, tomando decisões justas em favor do povo, em especial dos que mais necessitam. Acabar com a corrupção é urgente para a sobrevivência da população.

Neste ano Santo da Misericórdia somos convidados a orar, fazer a peregrinação à Porta Santa presente em nossa Diocese, na Catedral, nos Santuários: do Bonfim, Boa Viagem, Nossa Senhora Aparecida e São Maximiliano Kolbe/Milícia em São Bernardo. Mas, somos convidados também a ajudar nossos irmãos e irmãs necessitados a superarem as dificuldades. Abrir o coração para compadecer-se, abrir os ouvidos para ouvir e o bolso para ajudar.

A tradição da Igreja conta com sete obras de misericórdia corporais e sete obras de misericórdia espirituais. A Bíblia é o espelho de como a misericórdia se exprime no dia a dia da vida em forma concreta. As obras de misericórdia inserem-se dentro do processo de solidariedade humana, exigido pelas situações dramáticas e precárias em que vive grande parte de nossos irmãos e irmãs.

As obras de misericórdia encontram-se descritas no Catecismo da Igreja Católica (n. 2448) da seguinte maneira: “As obras de misericórdia são ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais (cf. Isaías 58,6-7; Mateus 25, 31-46). São sete obras de misericórdia “espirituais”: dar bom conselho, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do próximo. E as obras de misericórdia corporais” que são mais conhecidas, são: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir os enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos.

As obras de misericórdia são um testemunho concreto do amor preferencial pelos pobres na perspectiva dos ensinamentos de Jesus. A misericórdia não é contrária à justiça. É necessário fazer justiça e lutar por leis justas que sejam observadas.

A misericórdia é superior à justiça. Como disse Jesus: ”Se a vossa justiça não superar a dos fariseus e doutores da Lei, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20). A justiça dos homens é o mínimo do amor solidário, as obras de misericórdia são o máximo do amor solidário. Enfim, na ordem dos princípios o amor a Deus vem primeiro, na ordem prática o amor ao próximo é que vem primeiro.

Dom Pedro Carlos Cipollini

Artigo escrito para o Diário do Grande ABC, maio de 2016.

Papa Francisco: Como ser Santo?

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Papa Francisco: “se você for capaz de não falar mal do outro, está no bom caminho para se tornar santo”

Francisco comentou, na homilia na capela da casa Santa Marta, desta terça-feira, 24, o trecho litúrgico extraído da Primeira Carta de Pedro, definindo-a como um ‘pequeno tratado sobre a santidade’. Esta é, antes de tudo, “caminhar de modo irrepreensível diante de Deus”:

“Este ‘caminhar’: a santidade é um caminho, a santidade não se compra e nem se vende. Nem se pode presentear. A santidade é um caminho na presença de Deus, que eu devo fazer: ninguém o faz em meu nome. Posso rezar para que o outro seja santo, mas é ele que deve fazer o caminho, não eu. Caminhar na presença de Deus, de modo irrepreensível. Usarei hoje algumas palavras que nos ensinam como é a santidade de todo dia, a santidade – digamos – anônima. Primeira: coragem. O caminho rumo à santidade requer coragem”.

“O Reino dos Céus de Jesus”, repetiu o Papa, é para “aqueles que têm a coragem de seguir em frente” e a coragem, observou, é movida pela “esperança”, a segunda palavra da viagem que leva à santidade. A coragem que espera “num encontro com Jesus”. Depois, há o terceiro elemento, quando Pedro escreve: “colocai toda a vossa esperança na graça”:

“A santidade não podemos fazê-la sozinhos. Não, é uma graça. Ser bom, ser santo, avançar a cada dia um passo na vida cristã é uma graça de Deus e devemos pedi-la. Coragem, um caminho. Um caminho que se deve fazer com coragem, com a esperança e com a disponibilidade de receber esta graça. E a esperança: a esperança do caminho. É tão bonito o XI capítulo da Carta aos Hebreus, leiam. Fala do caminho dos nossos pais, dos primeiros que foram chamados por Deus. E como eles foram avante. E do nosso pai Abraão diz: ‘Ele saiu sem saber para onde ia’. Mas com esperança”.

Francisco prosseguiu: na sua carta, Pedro destaca a importância de um quarto elemento. Quando convida os seus interlocutores a não se conformarem “aos desejos de uma época”, os impulsiona essencialmente a mudar a partir de dentro do próprio coração, num contínuo e cotidiano trabalho interior:

“A conversão, todos os dias: ‘Ah, Padre, para me converter devo fazer penitência, me dar umas pauladas…’. ‘Não, não, não: conversões pequenas. Mas se você for capaz de não falar mal do outro, está no bom caminho para se tornar santo’. É tão simples! Eu sei que vocês nunca falam mal dos outros, não? Pequenas coisas… Tenho vontade de criticar o vizinho, meu colega de trabalho: morder um pouco a língua. Vai ficar um pouco inchada, mas o espírito de vocês será mais santo nesta estrada. Nada de grandes mortificações: não, é simples. O caminho da santidade é simples. Não voltar para trás, mas ir sempre avante, não? E com força”.

(Com informações Rádio Vaticano)

A fé sobrenatural

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

1. Noção e objeto da fé

O ato de fé é a resposta do homem a Deus que Se revela (cf. Catecismo, 142). “Pela fé o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo seu ser, dá assentimento a Deus que revela” (Catecismo, 143). A Sagrada Escritura chama este assentimento de “obediência da fé” (cf. Rm 1, 5; 16, 26).

A virtude da fé é uma virtude sobrenatural que capacita o homem – ilustrando sua inteligência e movendo sua vontade – a assentir firmemente a tudo o que Deus revelou, não por sua evidência intrínseca, mas pela autoridade de Deus que revela. “A fé é, antes de tudo, adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda verdade que Deus revelou” (Catecismo, 150).

2. Características da fé

– “A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele (cf. Mt 16, 17). Para dar a resposta da fé é necessária a graça de Deus” (Catecismo, 153). Não basta a razão para abraçar a verdade revelada; é necessário o dom da fé.

A fé é um ato humano. Ainda que seja um ato que se realiza graças a um dom sobrenatural, “crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem depositar sua confiança em Deus e dar sua adesão às verdades por Ele reveladas” (Catecismo, 154). Na fé, a inteligência e a vontade cooperam com a graça divina: “Crer é um ato do entendimento que assente à verdade divina por determinação da vontade movida por Deus mediante a graça”[1].

Fé e liberdade. “O homem, ao acreditar, deve responder voluntariamente a Deus; ninguém deve ser obrigado a abraçar a fé. Com efeito, o ato de fé é voluntário por sua própria natureza” (Catecismo, 160)[2]. “Cristo convidou à fé e à conversão, jamais forçou alguém a crer. Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la à força aos que O contradiziam” (ibidem).

Fé e razão. “Apesar de a fé estar acima da razão, jamais pode haver desacordo entre elas. Posto que o mesmo Deus que revela os mistérios e comunica a fé fez descer no espírito humano a luz da razão, não poderia negar-Se a Si mesmo, nem o verdadeiro contradizer jamais ao verdadeiro”[3]. “Por isso, a investigação metódica em todas as disciplinas, se se procede de um modo realmente científico e segundo as normas morais, nunca estará em oposição realmente com a fé, porque as realidades profanas e as realidades da fé têm sua origem no próprio Deus” (Catecismo, 159).

Carece de sentido tentar demonstrar as verdades sobrenaturais da fé; por outro lado, pode-se provar sempre que é falso tudo o que pretende ser contrário a essas verdades.

Eclesialidade da fé. “Crer” é um ato próprio do fiel enquanto fiel, isto é, enquanto membro da Igreja. Aquele que crê assente à verdade ensinada pela Igreja, que custodia o depósito da Revelação. “A fé da Igreja precede, gera, conduz e alimenta nossa fé. A Igreja é a mãe de todos os crentes” (Catecismo, 181). “Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por mãe”[4].

A fé é necessária para a salvação (cf. Mc 16, 16; Catecismo, 161). “Sem a fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6). “Aqueles que sem culpa própria não conhecem o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus de coração sincero e procuram em sua vida, com a ajuda da graça, fazer a vontade de Deus, conhecida através do que lhes dita a consciência, podem conseguir a salvação eterna”[5].

3. Os motivos de credibilidade

“O motivo de crer não radica no fato de que as verdades reveladas apareçam como verdadeiras e inteligíveis à luz de nossa razão natural. Acreditamos ‘por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-Se nem enganar-nos'” (Catecismo, 156).

Entretanto, para que o ato de fé fosse conforme com a razão, Deus quis dar-nos “motivos de credibilidade que mostram que o assentimento da fé não é de modo algum um movimento cego do espírito”[6]. Os motivos de credibilidade são sinais certos de que a Revelação é palavra de Deus.

Estes motivos de credibilidade são, entre outros:

– a gloriosa ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, sinal definitivo de sua Divindade e prova certíssima da veracidade de Suas palavras;

– “os milagres de Cristo e de Seus santos (cf. Mc 16, 20; At 2, 4)” (Catecismo, 156)[7];

– o cumprimento das profecias (cf. Catecismo, 156), feitas sobre Cristo ou pelo próprio Cristo (por exemplo, as profecias sobre a Paixão de Nosso Senhor; a profecia sobre a destruição de Jerusalém etc.). Este cumprimento é prova da veracidade da Sagrada Escritura;

– a sublimidade da doutrina cristã é também prova de sua origem divina. Quem medita atentamente nos ensinamentos de Cristo pode descobrir, em sua profunda verdade, em sua beleza e em sua coerência, uma sabedoria que excede a capacidade humana de compreender e de explicar o que é Deus, o que é o mundo, o que é o homem, sua história e seu sentido transcendente;

– a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade, sua estabilidade “são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos” (Catecismo, 156).

Os motivos de credibilidade não são ajuda apenas a quem não tem fé para superar os preconceitos que obstaculizam o recebimento dela, mas também a quem tem fé, confirmando-lhe que é razoável crer e afastando-o do fideísmo.

4. O conhecimento de fé

A fé é um conhecimento: faz-nos conhecer verdades naturais e sobrenaturais. A aparente obscuridade que experimenta o crente é fruto da limitação da inteligência humana ante o excesso de luz da verdade divina. A fé é uma antecipação da visão de Deus “face a face” no Céu (1Cor 13, 12; cf. Jo 3, 2).

A certeza da fé: “A fé é certa, mais certa do que todo conhecimento humano, porque se fundamenta na própria palavra de Deus, que não pode mentir” (Catecismo, 157). “A certeza que dá a luz divina é maior do que a que dá a luz da razão natural”[8].

A inteligência ajuda o aprofundamento na fé. “É inerente à fé que o crente deseje conhecer melhor Aquele em quem depositou sua fé, e compreender melhor aquilo que lhe foi revelado; um conhecimento mais penetrante suscitará, por sua vez, uma fé maior, cada vez mais inflamada de amor” (Catecismo, 158).

A teologia é a ciência da fé: ela se esforça, com a ajuda da razão, por conhecer melhor as verdades que se possuem pela fé; não para torná-las mais luminosas em si mesmas – o que é impossível –, porém mais inteligíveis para o crente. Este afã, quando é autêntico, procede do amor a Deus e vai acompanhado pelo esforço por aproximar-se d’Ele. Os melhores teólogos têm sido e serão sempre santos.

5. Coerência entre fé e vida

Toda a vida do cristão deve ser manifestação de sua fé. Não há nenhum aspecto que não possa ser iluminado pela fé. “O justo vive da fé” (Rm 1, 17). A fé atua pela caridade (cf. Gl 5, 6). Sem as obras a fé está morta (cf. Tg 2, 20-26).

Quando falta esta unidade de vida e se transige com uma conduta que não está de acordo com a fé, esta, necessariamente, debilita-se e corre o perigo de perder-se.

Perseverança na fé: A fé é um dom gratuito de Deus. Mas, podemos perder este dom inestimável (cf. 1Tm 1, 18-19). “Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la” (Catecismo, 162). Devemos pedir a Deus que nos aumente a fé (cf. Lc 17, 5) e que nos faça “fortes in fide” (1Pe 5, 9). Para isto, com a ajuda de Deus, é preciso fazer muitos atos de fé.

Todos os fiéis católicos estão obrigados a evitar os perigos para a fé. Entre outros meios, devem abster-se de ler as publicações que sejam contrárias à fé ou à moral – tanto se as tem assinaladas expressamente o Magistério, como se o adverte a consciência bem formada –, a menos que exista um motivo grave e se deem as circunstâncias que tornem essa leitura inócua.

Difundir a fé: “Não se acende uma luz para pô-la debaixo de um alqueire, mas sobre um candeeiro… Brilhe assim vossa luz diante dos homens” (Mt 5, 15-16). Recebemos o dom da fé para propagá-lo, não para ocultá-lo (cf. Catecismo, 166). Não se pode prescindir da fé na atividade profissional[9]. É preciso informar toda a vida social com os ensinamentos e o espírito de Cristo.

Bibliografia básica

Catecismo da Igreja Católica, 142-197.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia Vida de fé, em Amigos de Deus, 190-204.

[1] São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 2, a. 9.

[2] Cf. Concílio Vaticano II, Declar. Dignitatis humanae, 10; CIC, 748, §2.

[3] Concílio Vaticano I: DS 3017.

[4] São Cipriano, De catholicae unitate Ecclesiae: PL 4,503.

[5] Concílio Vaticano II, Const. Lumen gentium, 16.

[6] Concílio Vaticano I: DS 3008-3010; Catecismo, 156.

[7] O valor da Sagrada Escritura como fonte histórica totalmente confiável pode ser estabelecido com provas sólidas: por exemplo, as que se referem à sua antiguidade (vários dos livros do Novo Testamento foram escritos poucos anos depois da morte de Cristo, o que dá testemunho de seu valor), ou as que se referem à análise do conteúdo (que mostra a veracidade dos testemunhos).

[8] São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 171, a. 5, ad 3.

[9] Cf. São Josemaria, Caminho, 353.

Ano da acolhida! Viver com intensidade…

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Acolher as pessoas é um dom necessário, ainda mais para os que querem viver em comunidade. Para estes é uma prioridade e uma ação indispensável.
“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” Hebreus 13, 2
Durante minha caminhada na fraternidade, foram inúmeros os testemunhos de pessoas que debandaram para outras religiões por falta de acolhida e também testemunho muitas ocasiões em que eu mesmo não fui bem acolhido.
Todos precisam ser acolhidos, o ser humano é carente e algumas comunidades têm este dom até como seu carisma.
Creio que na Fidelidade a acolhida é um diferencial, estamos vivendo isto no dia a dia da comunidade, por que gostamos de receber as pessoas, de servir, de agradar em um sentido de mostrar a pessoa a sua importância em ter vindo ou de estarem conosco. Muito mais agora pelo princípio de células católicas. Acolher bem no templo e nas casas.
A acolhida é uma parte do carisma pois se faz em nome da comunidade, assim o carisma assume esse serviço dia a dia, nos momentos da comunidade, uma atitude como a da Mãe de Jesus nas bodas de Caná, não permitindo que nada falte para que a oração e a fraternidade transcorram num clima tranquilo e participativo.
Acolher é um desdobramento de nosso carisma, pois na acolhida já acontece uma ação que cura e liberta, liberta das tensões e da tristeza, de ser excluído de alguma forma, liberta da não aceitação na família ou sociedade.
A acolhida é um momento primordial para a decisão da pessoa em continuar ou desistir, voltar na comunidade ou naquele momento de fraternidade.
Quando os irmãos saúdam com simpatia e prazer, dando uma atenção especial às crianças, aos idosos e às pessoas com deficiência, aos enfermos, o carisma se cumpre e deixa os irmãos em condição de bem estar. Uma vez bem acolhida a pessoa se sente amada e assim abre-se o coração para as demais novidades do Espírito Santo.
“Assim a primeira evangelização e oração se dá na acolhida”
Para nós que vivemos em comunidade o ato de acolher se torna uma experiência profunda com o carisma e com a evangelização. Todos os carismas são acolhedores.
O fato de acolher a todos e em todos os momentos faz com que exercitemos a caridade e os mandamentos de amar a Deus e ao próximo como Eu mesmo gostaria de ser acolhido, é se colocar na condição do outro, tornando assim uma experiência de santificação que nos ajuda a vivenciar o que está escrito na carta aos Efésios:
“Vivendo segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça. É dele que o corpo todo recebe coesão e harmonia, mediante toda sorte de articulações e, assim, realiza o seu crescimento, construindo-se no amor, graças à atuação devida a cada membro”  Efésios 4, 15-16

Não há como querer ser cristão de braços cruzados e inativos. Há necessidade de se agir de forma a não desprezar ninguém. Exemplo dessa atitude é o encontro de Jesus com Zaqueu (Lucas 19, 1-10).
A acolhida que Zaqueu proporciona a Jesus não é apenas formal: envolve toda a sua pessoa. Converter-se não significa só chegar a uma confissão oral dos primeiros erros, mas requer uma retratação efetiva dos mesmos. Zaqueu faz a sua confissão a Jesus, que agora se torna o seu “Senhor” no lugar de todos os “senhores” aos quais tinha servido.
Acolher bem o irmão, seja onde e como for, é acolher o próprio Cristo. Jesus apresenta para nós um desafio para amar e acolher. É uma exigência que nos completa.
Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam que Deus lhes dê alguma recompensa? Até os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam! Mateus 5, 46

Oremos: “Ó Senhor, que eu te reconheça em cada pessoa que encontrar hoje. Que na minha acolhida o meu sorriso exprima um convite, a minha atenção revele o respeito, a escuta se torne um dom, a paciência encoraje o diálogo, a disponibilidade se transforme em serviço, a amizade se torne esperança, o otimismo renove a confiança, a alegria alimente a comunhão e a fé gere a paz! Que eu entenda que a pessoa mais importante é aquela que está diante de mim e que a ação mais necessária é o amor. Amém.”

Os Conselhos Evangélicos

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Os Conselhos Evangélicos

Os conselhos evangélicos têm sua origem divina, mais exatamente, cristológica, pois estão fundamentados nas palavras e exemplos do Senhor.
Tem sua origem divina na doutrina e nos exemplos de Jesus, isto quer dizer, que se fundam em sua vida, em toda sua vida. A vida e a doutrina de Jesus estão na base de toda forma de vida cristã, e de maneira especial, na base da vida consagrada.
Quando se fala na vida de Jesus, não se refere aos seus aspectos, mas às suas dimensões.

Como foi a vida de Jesus?

Jesus é o Homem inteiramente livre e inteiramente para os outros. Ele viveu inteiramente para o Pai e para os irmãos. Sua vida consiste em desviver-se. Não se pertence a si mesmo. É, existe e vive para Deus e para os homens. E a virgindade- pobreza-obediência, foram a expressão objetiva desta plena e definitiva autodoação. Por isso a vida de Jesus não foi simples existência, mas uma proexistência. Seu existir foi proexistir, existir em favor dos outros, dando tudo e a si mesmo. Então os conselhos evangélicos não podem ser entendidos como aspectos, mas como dimensões constitutivas da vida de Jesus.
Para nós, também os conselhos evangélicos não são aspectos, mas dimensões constitutivas de nossa vida. Porque o consagrado ” imita mais estreitamente e re-apresenta perenemente na igreja o gênero de vida que o Filho de Deus assumiu quando veio a este mundo para cumprir a vontade do Pai, e que propôs aos discípulos que o seguiam”.(Concílio)
Afirmar a origem divina-cristológica dos conselhos evangélicos é afirmar a sua existência, mas também sua inviólavel perdurabilidade na igreja, já que se trata de “bem irrenunciável, sobre o qual a igreja não tem poder de vida ou morte. A Igreja o recebe como se recebe um dom, e o guarda com fidelidade, porque eles não são de origem eclesiástica, mas cristológica. Os conselhos evangélicos expressam, a doação total e irrevogável de Cristo à Igreja, e a doação total da igreja a Cristo.(nós não podemos extinguir os mesmos).
A hierarquia da igreja tem a missão de interpretá-las, regular sua prática e também de organizar formas estáveis de vivê-los.
Por causa da origem cristológica, o consagrado vive não simplesmente a castidade, mas a castidade de Cristo; não é a pobreza, mas a pobreza de Cristo, tampouco é a obediência, mas a obediência de Cristo. Existem outras formas de pobreza, castidade e obediência, mas nenhuma delas nos interessa, somente a que Cristo viveu. (não é aos nossos moldes).
Se nós nos desviarmos, ou nos descuidarmos da origem e dimensão cristológicas dos conselhos evangélicos, nós os tornaremos ininteligíveis, esvaziados de sentido, perdendo sua maior riqueza teológica. Nós não podemos desvinculá-los da pessoa de Cristo, de sua vida e doutrina. Deste modo e por essa razão, os conselhos evangélicos se converteram em simples meios ascéticos, em vez de ser atitudes e dimensões essencialmente evangélicas e cristológicas.
Portanto, para compreendermos verdadeiramente os conselhos evangélicos é necessário voltar decididamente à pessoa de Jesus casto-pobre-obediente com sua vida e sua doutrina, com o chamado ao seu seguimento e com seu mistério de Kénosis (conceito da teologia cristã que trata do esvaziamento da vontade própria e a aceitação do desejo divino de Deus); em relação com a Igreja, com sua vida, com sua santidade, com sua dimensão carismática e escatológica e com sua missão evangelizadora; em relação com o Reino de Deus, com sua valiosidade absoluta, com suas exigências supremas e com seu estabelecimento neste mundo, como inauguração da vida celeste (Jesus foi casto-obediente e pobre para isto).

Sentido em Jesus Cristo

A virgindade, a pobreza e obediência, constituem as três dimensões mais profundas do viver humano de Cristo.
O que significaram na vida-missão de Jesus esses três conselhos evangélicos?
Amor total demonstrado – isso significa que os conselhos eram para Jesus um meio, uma forma dele demonstrar o seu amor, provar o seu amor total a Deus e aos homens. Uma prova autêntica profunda de amor. Como provar o meu amor a ti, como tu irás reconhecer que o meu amor é sincero e é tão sincero que vou ser pobre-obediente-casto. E não como meios para conseguir o amor perfeito, mas como expressão desse amor perfeito. Não para tornar possível o amor, mais para tornar visível o amor. Para demonstrar o máximo amor ao Pai e aos irmãos.
Cristo teria amado com o mesmo amor total ao Pai e aos homens, se tivesse vivido de outra maneira, sem o mínimo perigo para sua liberdade ou para deixar-se levar para o egoísmo. Porém não nos teria feito ver com a mesma claridade e evidência esse amor e essa liberdade. Fazer ver com argumentos, dar provas convincentes. A virgindade-pobreza-obediência de Jesus foram grito essencial de amor e testemunho irrefutável de liberdade.
Quanto mais encarnarmos a pobreza-obediência-castidade mais demonstramos nosso amor a Deus e mais somos livres para amá-lo. Nada nos prende, nem nos domina. Quando tomamos posse de algo ou de alguém é porque estamos dominados por esse algo ou alguém. Devemos também através desses conselhos provar o nosso amor a Deus e aos homens, a nossa doação de nós mesmos sem reservas.
Doação total de si mesmo (como Jesus muito amava ao Pai ele doa a si mesmo).
O amor manifesta-se sempre como dom. Não há amor se não há dom.
Amor total – dom total – dom de si mesmo.
Amar é dar-se! Jesus não se pertence e não vive para si. Por isso vive inteiramente para os outros, para Deus e para os homens, isto é, para o Reino. Literalmente ele “desvive-se”. Jesus pôs-se a serviço dos outros – do Pai e dos irmãos – tudo o que era e o que tinha: Filiação, experiência com Deus, doutrina, tempo, própria vida. Porque viveu inteiramente como Filho do Pai, pode viver inteiramente como irmão de todos os homens.

Vivência antecipada do sacrifício da sua morte

Os conselhos eram para Jesus, parte integrante de sua Kénosis, do mistério de seu aniquilamento que culminou na morte de cruz. A Kénosis que Jesus vive não era mera renúncia, nem puro esvaziamento, mas auto-doação por amor. Cristo ofereceu-se a si mesmo e não sangue de animais. E esse sacrifício durou toda a sua vida.
A morte é a total oferta do nosso ser a Deus: o grão de trigo precisa morrer para nascer de novo.
Através dos conselhos evangélicos vivenciamos antecipadamente a cada dia a nossa morte, o nosso aniquilamento, que culminará em nossa morte (humildade – viver a nossa verdade).
Cristo não pode deixar de ser Deus, não pode renunciar ao seu ser divino, porém renunciou a sua condição divina gloriosa, isto é, renunciou a manifestar de modo habitual em sua humanidade a glória que lhe correspondia em virtude de sua divindade. Não fez valer seus direitos. Despojou-se de sua nobreza. Sendo Senhor e Rei, apresentou-se como servo e escravo.
Inauguração de “modo celeste de vida”
A vida da graça nos faz viver desde esta vida a glória do céu. A vida da graça é a vida eterna.
Também foram, os conselhos evangélicos, em Cristo, antecipação de sua ressurreição gloriosa, prefiguração da nossa e inauguração neste mundo da vida celeste. Através dos conselhos evangélicos, Cristo tornou já presente, nesta etapa terrena do Reino os bens definitivos e as atitudes essenciais do Reino consumado.
Pela castidade, pobreza e obediência, Cristo adiantou, aqui e agora, a condição essencial da vida celeste, estabelecendo um tipo de relações, divinas e humanas, válidas para outra vida.
Viveremos aqui o que viveremos no céu. A vida na terra deve ser uma preparação e antecipação da vida que vamos viver no céu. Os conselhos nos fazem viver e ser aqui na terra o que viveremos e seremos no céu.

O que são e o que devem significar em nós os conselhos evangélicos?

Aquilo mesmo que eles foram em Cristo e ter a mesma significação que tiveram nele. Do contrário seria necessário a condição evangélica da vida consagrada. Se a vida consagrada é em sua própria essência seguimento e imitação radical de Jesus Cristo virgem-pobre-obediente.
Os conselhos evangélicos na vida consagrada são afirmação clara da primazia absoluta do Reino, presença no mundo dos bens definitivos, prefiguração e experiência da vida eterna e da ressurreição gloriosa.
Devemos então, viver os conselhos evangélicos com o mesmo sentido que Cristo viveu, porém para nós, homens pecadores, precisamos acrescentar uma afirmação complementar: os conselhos evangélicos devem se tornar meios removedores de obstáculos, em mortificação das raízes de pecado-de cobiça, de egoísmo, de soberba (as concupiscências) que existem em nós, inclusive depois do batismo, e que um dia podem se transformar em frutos de pecado. São pedagogia para o amor, além de ser constitutivamente amor. Porque a amar se aprende amando. E esta é uma significação que em Cristo não tiveram.
Para nós assume também o caráter ascético, mas não para aí, porque seria privá-las de todo o seu sentido cristológico e, consequentemente esvaziá-los de seu conteúdo melhor. Deixariam então, de ser realidades e atitudes evangélicas, para ser simplesmente costumes ascéticos ou meios humanos de purificação.

A Castidade:

Prometer viver a castidade, significa imediatamente amar ao Pai e a todos os homens com o mesmo amor total, divino e humano de Cristo, que cria uma fraternidade universal com um tipo de relação interpessoal que continuará sendo válidas na outra vida, a fim de transcender toda mediação fundada nos sentidos (prazer pelo prazer).
A castidade vem de encontro a concupiscência do prazer, vem dar ao prazer o seu verdadeiro significado. (concupiscência=Inclinação a gozar os bens terrestres, particularmente os prazeres sensuais)
Todo batizado é chamado à castidade. O cristão “se vestiu de Cristo”, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida (solteiros, noivos, casados, viúvos, celibatários). No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.
Celibatário (virgindade consagrada) – vive essa dimensão acrescida da renúncia ao matrimônio e ao exercício da sexualidade como conseqüência lógica desse amor imediato, total para viver inteiramente para o Reino. Evitando toda polarização e toda imediação no amor.
Portanto, precisamos cada vez mais entregar nossos sentidos a Deus: o nosso olhar, o nosso gosto, o nosso cheiro, o nosso ouvir, o nosso falar, o nosso tocar, o nosso sentir.

Amizade e castidade

§2347 A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade.
A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual.

Castidade e estado de vida

§2348 Todo batizado é chamado à castidade. O cristão “se vestiu de Cristo”, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.
§2349 “A castidade há de distinguir as pessoas de acordo com seus diferentes estados de vida: umas na virgindade ou no celibato consagrado, maneira eminente de se dedicar mais facilmente a Deus com um coração indiviso; outras, da maneira como a lei moral determina, conforme forem casados ou celibatários.” As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência:
Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica.
§2350 Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.

Castidade conjugal e Matrimônio

§2365 A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles testemunham este mistério perante o mundo.
S. João Crisóstomo sugere aos homens recém-casados que falem assim à sua esposa: “Tomei-te em meus braços, amo-te, prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada… Ponho teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso que não ter os mesmos pensamentos que tu tens”.
§2368 Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos. Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral.
A moralidade da maneira de agir, quando se trata de harmonizar o amor conjugal com a transmissão responsável da vida, não depende apenas da intenção sincera e da reta apreciação dos motivos, mas deve ser determinada segundo critérios objetivos tirados da natureza da pessoa e de seus atos, critérios esses que respeitam o sentido integral da doação mútua e da procriação humana no contexto do verdadeiro amor. Tudo isso é impossível se a virtude da castidade conjugal não for cultivada com sinceridade.

Vida Consagrada e castidade

§915 Os conselhos evangélicos, em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo. A perfeição da caridade à qual todos os fiéis são chamados comporta para os que assumem livremente o chamado à vida consagrada a obrigação de praticar, a castidade no celibato pelo Reino, a pobreza e a obediência. E a profissão desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja que caracteriza a “vida consagrada” a Deus.
§944 A vida consagrada a Deus caracteriza-se pela profissão pública dos conselhos evangélicos de pobreza, de castidade e de obediência em um estado de vida permanente reconhecido pela Igreja.

Coração puro e castidade

§2518 A sexta bem-aventurança proclama: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). A expressão “puros de coração” designa aqueles que entregaram o coração e a inteligência às exigências da santidade de Deus, principalmente em três campos: a caridade, a castidade ou a retidão sexual, o amor à verdade e à ortodoxia da fé. Existe um laço de união entre a pureza do coração, do corpo e da fé:
Os fiéis devem crer nos artigos do símbolo, “para que, crendo, obedeçam a Deus; obedecendo, vivam corretamente; vivendo corretamente, purifiquem seu coração; e, purificando o coração, compreendam o que crêem”.
§2520 O Batismo confere àquele que o recebe a graça da purificação de todos os pecados. Mas o batizado deve continuar a lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas. Com a graça de Deus, alcançará a pureza de coração:
• pela virtude e pelo dom da castidade, pois a castidade permite amar com um coração reto e indiviso;
• pela pureza de intenção, que consiste em ter em vista o fim verdadeiro do homem; com uma atitude simples, o batizado procura encontrar e realizar a vontade de Deus em todas as coisas;
• pela pureza do olhar, exterior e interior; pela disciplina dos sentimentos e da imaginação; pela recusa de toda complacência nos pensamentos impuros que tendem a desviar do caminho dos mandamentos divinos: “A desperta a paixão dos insensatos” (Sb 15,5);
• pela oração: “Eu julgava que a continência dependia de minhas próprias forças… forças que eu não conhecia em mim. E eu era tão insensato que não sabia que ninguém pode ser continente, se vos lho concedeis. E sem dúvida mo teríeis concedido, se com gemidos interiores vos ferisse os ouvidos e, com firme fé, pusesse em vós minha preocupação.”
§2532 A purificação do coração exige a oração, a prática da castidade, a pureza da intenção e do olhar.

Espírito Santo na origem da virtude da castidade

§1832 Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22-23 vulg.).
§2345 A castidade é uma virtude moral. É também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo.

Ofensas à castidade

§2351 A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união.
§2352 Por masturbação se deve entender a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. “Na linha de uma tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado.” Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade. Aí o prazer sexual é buscado fora da “relação sexual exigida pela ordem moral, que realiza, no contexto de um amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana”.
Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral.
§2353 A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, bem como para a geração e a educação dos filhos. Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens.
§2354 A pornografia consiste em retirar os atos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros para exibi-los a terceiros de maneira deliberada. Ela ofende a castidade porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar e de um proveito ilícito, Mergulha uns e outros na ilusão de um mundo artificial. E uma falta grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos.
§2396 Entre os pecados gravemente contrários à castidade é preciso citar a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais.

Opções da castidade

§2339 A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. “A dignidade do homem exige que ele possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso interno cego ou debaixo de mera coação externa. O homem consegue esta dignidade quando, libertado de todo cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela escolha livre do bem procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação.”
§2341 A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista fazer depender da razão a paixões e os apetites da sensibilidade humana.
§2344 A castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal. Mas implica também um esforço cultural, porque “o homem desenvolve-se em todas as suas qualidades mediante a comunicação com os outros”. A castidade supõe o respeito pelos direitos da pessoa, particularmente o de receber uma informação e uma educação que respeitem as dimensões morais e espirituais da vida humana.
§2346 A caridade é a forma de todas as virtudes. Influenciada por ela, a castidade aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si mesmo está ordenado para a doação de si mesmo. A castidade leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus.
§2395 A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Inclui a aprendizagem do domínio pessoal.

Seguimento de Cristo e castidade

§2053 A esta primeira resposta é acrescentada uma segunda: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me” (Mt 19,21). Esta não anula a primeira. O seguimento de Jesus Cristo inclui o cumprimento dos mandamentos. A Lei não foi abolida, mas o homem é convidado a reencontrá-la na pessoa de seu Mestre, que é o cumprimento perfeito dela. Nos três Evangelhos sinópticos, o apelo de Jesus dirigido ao jovem rico, de segui-lo na obediência do discípulo e na observância dos preceitos, é relacionado com o convite à pobreza e à castidade. Os conselhos evangélicos são indissociáveis dos mandamentos.

Temperança virtude que comanda a castidade

§2341 A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista fazer depender da razão a paixões e os apetites da sensibilidade humana.

A pobreza: O Pai é a nossa única riqueza

A pobreza de Cristo foi, em face ao Pai, confiança absoluta, que ele expressou numa renúncia explícita a todo outro apoio, para afirmar decididamente que se apoiava somente nele, e proclamar a relatividade de todo o criado diante do valor absoluto do Reino.
Em face aos homens foi disponibilidade de tudo o que era e de tudo o que tinha. Em face a si mesmo, a pobreza foi parte integrante de seu ministério de aniquilamento. Em face dos bens desse mundo liberdade soberana.
Prometer viver na pobreza (fraternidade, unidade), pobreza quer dizer, empenhar-se em confiar infinitamente em Deus, apoiando-se unicamente nele, viver decididamente, para os outros, compartilhando tudo o que se é e tudo o que se tem com os irmãos, não pertencer-se para pertencer a todos, e manter diante de todas as coisas plena liberdade e independência ativa. É portanto, um meio de se vencer a concupiscência do possuir, que atinge uma dimensão muito maior do que somente ajuntar tesouros na terra.

A Obediência: O desafio da liberdade na obediência

A obediência em Cristo foi submissão filial plena e amorosa ao querer do Pai. Foi estado e atitude de perfeita docilidade, ativa e responsável à vontade do Pai. Foi saber-se centro do plano salvífico de Deus, aceitá-lo incondicionalmente com todas as suas consequências.
Fazer voto de obediência significa comprometer-se diante de Deus e diante dos irmãos a viver em atitude de total docilidade à vontade amorosa do Pai e a acolhê-la filialmente como critério único de vida, sejam quais forem as mediações humanas ou sinais que manifestam essa vontade.
Se estivermos atentos a vontade de Deus não esperaremos que as nossas autoridades a revele para nós e nem resistiremos aos absurdos ou mesmo aquilo que para nós é muito difícil. Nós mesmos exporemos a vontade de Deus para elas e as ajudaremos a descobrir conosco o que Deus tem para nós. Contribuiremos positivamente no caminho de Deus para as nossas vidas.
Para vivermos a obediência não podemos assumir uma atitude passiva ou muito menos uma atitude de nos esconder da vontade de Deus e nos colocarmos indispostos, resistentes, a ela, mas uma atitude de descoberta, uma disposição interior, uma determinação de descoberta para vivê-la. Como nós não queremos vivê-la nem queremos descobrí-la. O conhecimento da vontade de Deus nos leva a responsabilidade e não temos como nos abster de cumprí-la.

Os grandes desafios

Os conselhos evangélicos não devem ser considerados como uma negação dos valores inerentes à sexualidade, ao legítimo desejo de usufruir de bens materiais, e de decidir autonomamente sobre si próprio. Essas inclinações, enquanto fundadas na natureza, são boas em si mesmas, mas a criatura humana, enfraquecida como está pelo pecado original, corre o risco da as exercitar de modo transgressivo. A profissão de castidade, pobreza e obediência, torna-se uma admoestação a que não se subestimem as feridas causadas pelo pecado original, e, embora afirmando o valor dos bens criados, relativiza-os pelo simples fato de apontar Deus como o bem absoluto.

Uma vida de Cristão verdadeiro!

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Partilhando Colossenses 3-1-16.

Uma vida de Cristão verdadeiro é ser discípulo de Cristo.

São Paulo, apóstolo Paulo, explica como deve ser o comportamento de um verdadeiro cristão. Porque quando aceitamos a cristo mudamos o nosso comportamento moral e ético ao permitirmos que cristo viva dentro de nós, para sermos aquilo que Paulo diz em ( 2 Co 3:2-3) “carta escrita e lida por todos os homens”.

1.Busca as coisas que são de cima (V.1)
(Buscar é, tratar de descobrir, de encontrar, conhecer). Buscar as coisas do alto significa se esforçar para colocar as prioridades do céu na prática diária. Porque devemos buscar as coisas de cima e não da terra ( 2 Co 4:18) “não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas”. As coisas da terra são passageiras, e as do alto eterna.

2. Esta morto para o mundo (V.2,3).
A expressão “porque já estais mortos” (V.3) significa que como uma pessoa morta, não devemos ambicionar as coisas deste mundo (1Jo 2:15) “não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo o amor do Pai não está nele”. Quanto mais procuramos fazer a vontade de Deus, maior será nossa comunhão com ele.

3 .Tem a vida escondida em Deus (V.3).
O termo escondida significa “oculta ou segura”. Ter a vida escondida em Deus é ter certeza da salvação e viver cada dia para cristo.

4. Diz não a natureza pecaminosa (V.5)
(Mortificar) significa :1.diminuir ou extinguir a vitalidade de (alguma parte do corpo). 2 Torturar o (corpo). 3 Desgostar ou afligir muito. Devemos morrer para aquilo que pode levar-nos a destruição.
1.A prostituição (gr.pornéia), imoralidade sexual de todas as formas. 2. A impureza (akatharsia), pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5:3; Cl 3:5. 3. O apetite desordenado, a viu concupiscência e a avareza, que é idolatria. Porque são obras da carne, é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos a qual continua no cristão após sua conversão. Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua que o cristão trava através do poder do espírito santo (Rm 8.4-14; Gl 5.17).

5. Se revesti do novo homem (Vs.9,10).
A biblia diz: “que se alguém está em cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram ; eis que tudo se fez novo”(2 Co 5.17). por ocasião da conversão, não apenas viramos uma página de nossa vida velha, iniciamos uma vida nova, e passamos a viver uma totalmente sob o controle de Deus. Passamos a viver em união com cristo, arraigados e edificados nele conforme está em (Cl 2.6,7), “como pois, recebestes o senhor Jesus cristo, assim também andai nele. Arraigados e edificados nele e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ação de graças”.

6. Tem a paz de cristo (V.15).
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. João 14:27.

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade”. Efésios 2:14.

“ E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a mente em cristo Jesus”. Efésios 4:7.

7. Ler, medita, estudar a palavra de Deus e guardar (V.16).
É preciso ler, meditar, estudar a palavra de Deus, para que ela habite ricamente em nós. Quando isto acontecer teremos a nossa vida, totalmente controlada e dirigida por Jesus cristo e sua palavra (Sl 119:11; Jo 15:7; Ap 1:3).

Aqueles que se atrevem a levar um tiro por Cristo fiquem onde estão. O resto pode sair já.

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Durante a guerra cristera do México, um militar lança o desafio-ameaça a 600 católicos reunidos para uma missa clandestina. Quantos sobraram?

Os cristeros foram um grupo de heróis católicos que resistiram bravamente ao governo ateu e anticlerical do México nas primeiras décadas do século passado. Eles lutavam em defesa da fé e da Igreja e, quando presos e sentenciados à morte, morriam bradando:

VIVA CRISTO REI!

VIA A VIRGEM DE GUADALUPE!

As missas, naquele contexto de perseguição brutal, eram celebradas clandestinamente. Quando algum padre chegava ao povoado vestido “à paisana”, a informação corria de casa em casa com toda a discrição.

Certa vez, um povoado rural aguardava o sacerdote que viria no fim de semana. Os catequistas, também clandestinos, já tinham preparado grupos para receber o batismo e outros sacramentos. A celebração aconteceria num velho armazém capaz de abrigar algumas centenas de fiéis. No domingo de manhã, o depósito estava abarrotado com 600 pessoas.

De repente, o inesperado: entram no local dois homens uniformizados e armados.

Um deles levanta a voz e declara:

“Aqueles que se atrevem a levar um tiro por Cristo fiquem onde estão. O resto pode sair já! As portas vão ficar abertas só durante 5 minutos”.

Imediatamente, vários integrantes do coral se levantaram e saíram. Alguns diáconos também foram embora, seguidos pela maior parte dos fiéis. Em menos dos 5 minutos, apenas 20 pessoas dentre os 600 paroquianos tinham permanecido no recinto.

O militar que tinha falado olhou então para o sacerdote e disse:

“Muito bem, padre. Eu também sou cristão e já me desfiz dos hipócritas. Pode continuar a celebração”

O que o inimigo mais quer é destruir os casamentos

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Quero reprisar aqui as falas de Monsenhor Jonas. Muito importante!

Se formos do Senhor, o mal tentará nos destruir, mas não podemos ceder às tentações. “Não é contra homens de carne e sangue que estamos lutamos, mas contra o príncipe deste mundo, por isso revesti-vos com a armadura de Cristo” (Efésios 6).

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Nenhum de nós pode paparicar o demônio, nós cristãos não podemos dar ao inimigo a “comida” de que ele gosta. Se você assiste à filmes pornográficos para melhorar seu desempenho sexual, por exemplo, eu lhe digo, meu filho, que seu desempenho não vai melhorar com esses filmes, mas sim com amor e carinho.

Não é possível viver dessa forma, porque os filmes pornográficos matam o casamento. Se você vive como cristão, o maligno não terá vez na sua vida conjugal.

Com minha bênção,

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Aos 15 Anos de Comunidade Fidelidade. 2000/2015

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Paz de Cristo.

Neste mês de outubro de 2015 celebramos 15 anos de fundação. Seria impossível escrever todos os feitos maravilhosos do Senhor neste tempo de vida da Comunidade. O que celebramos realmente é a fidelidade de Deus para conosco e a graça de permanecer no seu amor servido ao Senhor e a igreja de Cristo com confiança. Buscamos a santidade e crescemos, mudamos, choramos, sorrimos… Quero agradecer todos que fizeram e fazem parte de nossa pequena e linda história, história esta que ainda é escrita em nossas missões ordinárias. Obrigado por vossas orações e contem sempre conosco.

Deixo a seguir a mensagem lida pela missionária Angélica Alves, que no dia 25 de outubro comoveu a todos com essas belas palavras.

Já se vão 15 anos. Muitos vão dizer que estamos debutando, afinal são 15 anos. Debutar significa apresentar, começar.  Mas não estamos começando, já somos adolescentes…. Passou tão rápido e ao mesmo tempo foi tão marcante e significativo, o tempo não para.

Santo Agostinho escreveu em suas reflexões sobre o tempo que costumamos dividir o tempo em três partes: passado, presente e futuro. E só temos a capacidade de perceber e medir o tempo no momento em que ele decorre. O passado é o tempo que se afasta de de nós, de nossa consciência, de nossa percepção. É tudo o que já não é mais palpável, simplesmente porque já se foi. Chamamos de presente o agora, o tempo em que nossas experiências acontecem no momento em que ocorre. O futuro por sua vez é como um lugar onde estão prontos todos os fatos, que presenciamos quando determinado período de tempo vier a transcorrer.

Trago na memória várias situações vividas ao longo da história na Comunidade Fidelidade e se perguntasse a cada irmão missionário, cada um teria na memória diversas lembranças. Santo agostinho diz que a sede do tempo está na alma pois a alma é a sede das capacidades humanas de compreensão, percepção, raciocínio, sentimentos e todas as potencialidades do espírito do Deus eternidade.

Sendo Deus eterno e criador de todas as coisas, o que seria então o tempo e a eternidade?

O tempo não pode medir a eternidade, pois na eternidade tudo permanece, nada passa, tudo é um eterno presente, ela está acima de todo tempo. E o tempo não é todo presente, o tempo é sentido e medido pelo homem e a eternidade é provinda daquele que é eterno Deus.

Em Nossa temporalidade, sendo peregrinos aqui na terra, celebramos momentos importantes, tendo como princípio que tudo é graça de Deus. O nosso chamado deu se quando a eternidade de Deus encheu o nosso tempo, quando o decidir-se na escolha pessoal, é o hoje, com o presente, com esse instante.

Santa Terezinha da menino Jesus nos diz que o que temos é o agora, é este momento, este é um presente de Deus. É o tempo que nos marcou, nos uniu e congregou, se perfaz agora aqui, por isso sentimos um renovo e porque não dizer o novo, pois em Deus tudo é novo.

O homem envelhece, não só fisicamente, mas em sua história cria marcas que o desfigurá e o afasta da imagem de Deus. Buscamos então a eternidade n’Aquele que é e sempre será aquele que nos marca com a busca pela santidade que está em Deus que é eternidade.

Buscamos um modo, uma impressão, um jeito de ser a imagem do criador como diz na sua palavra em Mateus 5, 48 “Portanto, sede perfeito como vosso pai celeste é perfeito”, e nossa marca, nosso modelo é o rei dos reis, nosso Senhor Jesus.

Nessa caminhada podemos relatar como Deus nos honrou, não porque merecemos, mas como expressão do nosso louvor, de um reconhecimento da sua promessa “Sem Mim nada podeis fazer”.

Que o nosso modo viver o anúncio do evangelho possa expressar a cada dia a marca do Eterno que carregamos. Filhos e filhas dessa comunidade Fidelidade.

Eu quero ser fiel a ti Senhor!

Agradeço a Deus acima de todas as coisas por nos escolher através destes servos norteadores Daniel e Marcio. Amém.

Parabéns Fidelidade! Confira abaixo Mensagem de nosso Bispo!

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Quem ensina você a ser homem de verdade?

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

Os sites pornográficos que você acessa? Os caras do “Velozes e Furiosos” e de outros filmes de ação? Os comentários da rapaziada sobre as mulheres que eles “pegaram” no final de semana? As dicas de exercícios, dieta e moda voltadas para homens? Os lutadores de vale-tudo? As discussões feministas sobre os homens? As posturas que você assume na relação com sua namorada, esposa ou filhos?

A masculinidade é um dom precioso que todos nós, homens, recebemos de Deus, mas os referenciais que geralmente utilizamos para reconhecê-la e vivenciá-la muitas vezes são caricaturas – quando não deformações – do que é ser homem. “Numa civilização complexa, cosmopolita, individualista, desunida, amontoada de identidades insubstanciais, feitas com um pouco de cada coisa, o código dos homens [as normas que socialmente regem o comportamento masculino] torna-se indistinto. A conduta preconizada pelos homens ricos e poderosos se confunde com a de gurus e ideólogos, e tamanha é a desordem em que estas se misturam aos badulaques masculinos oferecidos pelos mercadores que não é tão difícil perceber por que dizem que o sentido da masculinidade pode ser qualquer coisa, todas as coisas ou coisíssima nenhuma” [1].  O cenário muitas vezes é de homens de identidades efêmeras, patinando entre modelos machistas, metidos a garanhões, andróginos, de postura frouxa, entre tantos outros, nos prendendo numa corrida às vezes desesperada por afirmação e satisfação que não é plenamente saciada, porque, com esses modelos, estamos cavando para nós “cisternas furadas, que não podem conter água” (Jr 2, 13).

Em tempos de ditadura do relativismo[2], precisamos aprender com um homem que vai nos colocar no prumo, que vai nos ensinar a ter vergonha na cara, a honrar nossas calças e nosso nome e a ser homens de verdade: Cristo!

Ele é o modelo perfeito de ser humano, mas para a maioria de nós é novidade e um tanto estranho pensar nele como referencial de homem. Mas aquele que fez um encontro pessoal com Cristo descobre que Ele se torna o cânon, a medida de todas as coisas, e isso inclui sua masculinidade. “Em toda a sua vida, Jesus mostra-se como nosso modelo. Ele é o ‘homem perfeito’ que nos convida a tornar-nos seus discípulos e a segui-lo” [3]. É óbvio que, mesmo o Verbo de Deus tendo se encarnado como um ser masculino, Ele também inspira a vivência das mulheres, mas isso nós deixamos para elas descobrirem. Nosso papo aqui é de homem pra homem.

Cristo é modelo de homem dedicado ao trabalho (Mt 8,20); de homem forte ao resistir às tentações (Mt 4,1-11) e ao lutar até a morte por sua missão (Jo 19,28-30); de homem corajoso que enfrenta os poderosos e as ideias mentirosas que escravizam as pessoas (Mt 23,13-38) e surpreende ao amar seus inimigos (Lc 23,34); de lídercom lealdade, que se doa aos seus amigos (Jo 15,15) e ama os seus até o fim (Jo 13,1); de esposo fiel e homem casto, que, unindo-se a sua esposa – a Igreja – e os dois se tornando uma só carne, é capaz de dar a vida por ela (Ef 5,25-32); de pai eterno (Is 9,5) e protetor, que vive sua paternidade espiritual com os filhos da Igreja; demestre, que ensina com a palavra e com o exemplo (Jo 13,13-15). Ele não usa meias palavras (Mt 5,37) e tem firmeza e autoridade no que diz (Mc 1,22), mantendo sua palavra até diante da ameaça de morte (Mt 26,62-66) – ou seja, tem palavra de homem! Faz tudo isso com imensa caridade e, sendo manso e humilde de coração, se compadece das misérias do outro (Mt 12,28-30). O mais belo dos filhos dos homens (Sl 45, 3) ou, melhor ainda, o novo Adão (Rm 5,12-19) é o modelo perfeito de como ser homem. Com Ele aprenderam os grandes homens santos que já passaram por este mundo e que deixaram um legado, uma marca. Com Ele aprenderemos nós a sermos homens de verdade!

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Notas:

1. DONOVAN, Jack. O código dos homens. Tradução: Luiz Otávio Talu. 1. ed. Santos: Editora Simonsen, 2015: 13-14.
2. Santa Missa “Pro Eligendo Romano Pontifice” – Homilia do cardeal Joseph Ratzinger (18 de abril de 2005).
3. Catecismo da Igreja Católica, n. 520.

Autor: Robério Nery

A espera que Jesus vai voltar é duvida de crentes e não crentes

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

A história da salvação acontece em diversas etapas. Deus criou e organizou o homem na face da Terra, depois escolheu um povo a partir de Abraão. Com essa escolha, o Senhor passa a ter um povo sobre a Terra. Logo depois, o Seu povo, por meio de Moisés, recebe a Lei, ou seja, o modo como viver neste lugar. Tudo isso apontava para o dia mais importante da nossa salvação: a chegada de Jesus.

formacao_1600x1200-formacaoPaulo descreve em Gálatas: “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de uma mulher” (Gl 4,4). Jesus vem, cumpre Seu papel de revelar o Pai, redime a humanidade morrendo na cruz, forma Sua Igreja enviando o Espírito Santo e estabelece um tempo para essa Igreja até que Ele volte.

Portanto, a espera da segunda vinda de Cristo é renovada todos os dias, no mundo inteiro, na liturgia eucarística, pela Igreja, ao dizer “todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”.

Nenhum teólogo ou Igreja cristã tem dúvida se Jesus vai voltar. Quando os primeiros cristãos perguntaram se era o momento de Jesus restaurar Jerusalém – como encontramos no livro dos Atos dos Apóstolos -, Ele respondeu: “não cabe a vós saber o dia e a hora, não cabe a vós vos preocupardes com este momento” (At 1,7-8). Porém, Jesus não negou esse momento, Ele não disse que a Igreja não deveria se preocupar com esse assunto.

Vejamos: a Igreja acabara de nascer, tinha, agora, a missão de levar o Evangelho até os confins da terra como descrito no versículo 8 de Atos dos Apóstolos: “Descerá sobre vós o Espírito Santo, que lhes dará força e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, na Judeia e na Samaria e até os confins da terra”.

Os primeiros cristãos estavam preocupados com a segunda vinda de Jesus

A preocupação central da Igreja recém-nascida era levar a mensagem da salvação ao mundo inteiro. Para isso, seria revestida da força do Espírito Santo e não deveria preocupar-se tanto com a segunda vinda do Senhor.

Mas apesar de os primeiros cristãos estarem focados em levar o Evangelho até os confins da terra, suas pregações traziam a visão escatológica. O capítulo 3 de Atos dos Apóstolos narra o milagre realizado por Pedro e João a caminho do templo. Esse fato assombrou o povo, que, atônito, acercou-se dos dois. Pedro, então, aproveita o momento para anunciar Jesus e convidá-los a crerem n’Ele, a se arrependerem e a se converterem, a fim de que os pecados lhes fossem apagados. Imediatamente, fala-lhes da segunda vinda do Senhor quando afirma: “Então enviará Ele o Cristo, que vos foi destinado, Jesus, a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de seus santos profetas” (At 3,20b-21).

Também o apóstolo Paulo, na primeira das diversas cartas que escreveu, no livro mais antigo do Novo Testamento, já demonstrava preocupação com a segunda vinda do Senhor, como podemos constatar no capítulo 5, 23 da primeira epístola aos Tessalonicenses: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Tanto Pedro, o apóstolo dos judeus, como Paulo, o apóstolo dos gentios, trabalharam esse tema em suas pregações e escritos. Ao lermos Mateus – “e este Evangelho do Reino será proclamado no mundo inteiro como testemunho para todas as nações. E então virá o fim” (Mt 24,14) -, percebemos que há um tempo estabelecido para a vinda do Senhor. Este tempo está compreendido entre o início da propagação do Evangelho e a chegada dessa mensagem ao mundo inteiro.

Os anjos afirmam sobre a volta de Jesus

Em Atos, os anjos afirmam que, do mesmo modo que viram Jesus subir, o verão descer dos céus: “Os anjos disseram: ‘Homens da Galileia, por que estais aí a olhar para o céu? Este Jesus que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu’” (At 1,11). Também no final dos Evangelhos vemos Jesus dizendo de sua segunda vinda gloriosa e dos diversos sinais que antecedem esse evento.

Os primeiros cristãos cumpriram a missão de levar o Evangelho e advertiram a Igreja sobre a vinda gloriosa do Senhor. Cabe à Igreja dos dias atuais – ao identificar os diversos sinais precursores e constatar que o Evangelho está chegando aos confins da terra – se deter sobre este assunto com mais profundidade.

(Conteúdo extraído do livro “A Segunda Vinda de Cristo” da autoria de Miguel Martini)

Sete coisas sobre os arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel que talvez você não saiba

Por | PARTILHA DO FUNDADOR

1. São os mais próximos aos humanos

Desde Pseudo-Dionisio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vem as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

2. São mensageiros de anúncios importantes

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

“Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos.

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

4. Somente conhecemos três nomes

A Bíblia somente menciona o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro do Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja somente reconhece os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não são doutrina.

5.  Gabriel significa “a força de Deus”

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e o cabrito (Det. 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det. 9,21-27).  Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e à Maria (Lucas 1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara de perfumada açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe a Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

7. Miguel significa “Quem como Deus”

O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus ” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.

LIMA, 29 Set. 15 / 11:49 am (ACI).- A cada 29 de setembro, a Igreja Católica celebra a festa de três Santos Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Confira a seguir sete coisas que talvez não sabia deles.

Cuide do seu casamento assim e nunca se arrependerá dele

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MEU CÔNJUGE É O MEU CAMINHO, MINHA VIDA, MEU LAR, O LUGAR NO QUAL DESCANSO E ME ENCONTRO COM DEUS

É importante encontrar espaços nos quais possamos crescer em nosso caminho. Cuidar da cumplicidade quando estamos juntos, sozinhos ou em público. Tratar-nos com delicadeza, sem nos ferirmos.

Nunca deixar que o outro se sinta sozinho. Que saiba que estou aqui, ao seu lado, caminhando em sua vida, quando ele está perto ou longe. Também quando estamos com mais gente.
Não contar sobre nossa vida íntima a outras pessoas. O que vivemos é nosso e ninguém precisa conhecer. Não rir nem reclamar dele diante dos outros. Viver a castidade também é guardar sua dignidade, sua honra, sua fama, seu nome, sua imagem.
É importante cuidar da intimidade conjugal a todo momento. Cuidar desse espaço no qual podemos nos entregar por inteiro. Cuidar do descanso e do diálogo. Que possamos estar juntos sem interferências.
Que o celular, o trabalho, a televisão, os seriados não nos façam deixar de cuidar do amor. Precisamos cuidar do que é nosso, desses tempos sagrados nos quais compartilhamos a vida.
Que não nos dispersemos nos amigos, nas reuniões familiares, sociais. O cônjuge é sempre a prioridade.
Por ele, faço coisas que jamais faria por outra pessoa, e deixo de fazer outras que gostaria de fazer. E faço isso feliz, porque o amo.
Por ele, deixei tudo. Por ele, começo de novo. Meu cônjuge é para mim o amor único, minha prioridade em tudo.
Quando éramos namorados, vimos na outra pessoa algo novo, que nos completava, complementava, encantava. O que era isso?
Agora é hora de recordar isso. Esse amor continua vivo na minha alma? O outro é o meu caminho. Minha vida. Meu lar. O lugar no qual descanso e me encontro com Deus.
O amor só é possível a partir dessa verdade. A partir da minha verdade, entrego-me inteiramente. E acolho a verdade do outro com alegria. Por isso, é fundamental nunca mentir, não ocultar coisas importantes que o outro deveria saber.
Não mentir com pensamentos, palavras ou segredos. Que minha vida seja transparente para o outro, limpa. Que ele saiba o que faço, o que sinto, o que me preocupa.
Meu olhar é muito importante. O olhar franco e verdadeiro. Puro e autêntico.
Como olho para meu cônjuge? Sou transparente, autêntico, verdadeiro?

Fonte: http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/artigo/cuide-do-seu-casamento-assim-e-nunca-se-arrependera-dele-5800345334710272