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Cuidado! O diabo nos ronda! Saiba como se precaver dele.

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Saiba como se precaver dele

De repente, você lê isto: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pedro 5,8). 

Aí você começa a refletir e a se preocupar quando um católico assegura que não existe nem o diabo nem o inferno. 

São temas nos quais nunca gostei de tocar. E reconheço que foi um erro. Devemos alertar os outros, para que eles estejam vigilantes, para que não se deixem vencer pelas tentações e pelo ódio do maligno. 

A passagem dele pelo mundo é sutil. Ele gosta de passar despercebido, atuar discretamente. Mas sempre deixa rastros.

Se você é como eu, que gosta de livros de detetives, poderá encontrar pistas suficientes de sua presença. Ele trabalha nos bastidores, oculto, silencioso. Deixa pequenas marcas como as peças de um quebra-cabeça. Basta uni-las e você chegará a um retrato assustador de seu ódio à humanidade. 

Diz-se que a santa Bíblia menciona o inferno 70 vezes e outras tantos o maligno. 

“Jesus lhe disse: ‘Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’” (Mateus 4:10). Portanto, sua existência é uma sutileza, que marca a vida de muitos e abre as portas ao pecada e à perda da graça santificante. Parece-me que negá-lo é remar contra a corrente. 

Abrace a verdade. Você pode encontrá-la nas Escrituras, nos ensinamentos, nos Doutores da Igreja. E, principalmente, use a capacidade que Deus lhe Deu para discernir. 

Leia também:

O ponto fraco do diabo

Lembro-me de ter lido sobre o Padre Pio conversando com uma pessoa. “Padre Pio, não creio no inferno”. E o padre responde: “Vai acreditar quando chegar lá”. 

Se você ainda não acredita no demônio, procure pistas, leia as escrituras, olhe ao seu redor e chegará a uma simples conclusão: ele existe. E não é apenas mal; é malíssimo.  

Eu sempre fiquei impressionado com a visão do inferno que os pastorinhas de Fátima tiveram e as duas frases da Virgem Santíssima: 

  • “Rezem, rezem muito, e façam muitos sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão para o inferno por não terem quem se sacrifique e reze por elas”.
  • “Para salvar-nos, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. 

Como se cuidar? As Escrituras ensinam com clareza. Inclusive indicam as armas espirituais para lutar e vencer. Leia a Santa Bíblia. Não tenha medo. Reze, tenha fé e viva o Evangelho. Confie em Deus e conserve como um tesouro o seu estado de graça. 

Coragem!

Deus o abençoe. 

Isso é de Deus ou da minha cabeça?

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Descubra como discernir os sinais de Deus

Desde o início, Deus se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós.

“Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem” (Catecismo da Igreja Católica, nº 50).

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir seus desígnios e sua Pessoa. Temos como exemplo os anjos, que são seus mensageiros; os dons do Espírito Santo; a Sagrada Escritura e também a Eucaristia, sacramento de máxima entrega.

Não bastasse tudo isso, ainda há a “comunicação do amor de Deus” por meio de sinais. São acontecimentos que significam algo mais que o simples andamento ou consequência de fatos. Deus nos fala nas entrelinhas das ocorrências incomuns ou da rotina.

Até mesmo Jesus percebeu cada passo de seu ministério em eventos comuns que poderiam passar despercebidos, desde a falta de vinho numa festa de casamento (cf. Jo 2,1-12) até quando se aproximava o tempo certo da “sua entrega na cruz”.

Porém, é necessário ter cuidado e discernir, sinceramente, se estamos diante do que é um apontamento do Senhor ou se estamos nos aproveitando de um acontecimento qualquer para justificar algo que temos no coração.

Preferimos nos enganar, nomeando forçosamente simples ocorrências como resposta do Alto, dada a grandiosidade do desejo. Desviamo-nos de uma verdadeira leitura da orientação divina, deixando-nos levar por ideias fixas e obstinação de coração.

Quando estamos com a mente e os sentimentos tomados, parece que tudo conspira e confirma na direção tanto do objeto de desejo como para traumas, complexos e impressões que trazemos. Assim, no futuro, só nos decepcionaremos com o Senhor e buscaremos culpar os homens que não nos pareceram favoráveis.

Cultive a amizade com o Senhor

Para interpretar corretamente a fala de Deus, é importante, primeiramente, desfazermo-nos dos nossos apegos e conceitos tendenciosos, estarmos livres para aceitar aquilo que não nos é agradável, as exortações e a direção do que Ele quer consertar em nossa vida.

Outro ponto é cultivar uma íntima amizade com o Senhor. Peça a graça de amá-lo independentemente dos favores, gaste tempo em sua companhia e saiba que a iniciativa de sinais será sempre d’Ele – o que não nos isenta da necessidade de termos uma constância na oração e de nos relacionarmos com o Senhor.

Depois que Deus mesmo se encarrega do sucesso do empreendimento e da graça que Ele quer conceder, Jesus ordena a dois de seus discípulos: “Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito”(Lc 19,30-32).

Os fatores do outro lado, no campo da missão, encontram elementos correspondentes à ordem dada por Jesus, mas isso não significa que essa providência se manifeste no primeiro momento. Deus enviou Moisés ao faraó, mas o soberano do Egito foi resistente em libertar o povo do Senhor. Podemos encontrar barreiras que o Altíssimo sinaliza como sendo sua vontade para nós.

Na verdade, aprenderemos a interpretar corretamente os sinais com um treinamento. Com o passar do tempo, se mantivermos uma amizade verdadeira com Deus e nos exercitarmos nesse processo de intuir, empreender na ordem divina e prestar atenção aos resultados, aprenderemos a olhar um fato, desde o início, e saber se é realmente um sinal do Senhor.

O Deus a quem seguimos é bondoso e quer fazer aquilo que é o melhor para nós, por isso está em constante comunicação.

Ele é fiel e nos conduz. “Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá” (At 5,38).

(via Canção Nova)

3 razões pelas quais, muitas vezes, Deus “demora” para atender nossas preces

Por | FORMAÇÕES

“…em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós”

Uma pergunta recorrente: por que, tantas vezes, Deus “demora” para nos atender?

São Luis Maria Grignion de Montfort nos dá uma resposta em sua obra “O Segredo do Rosário“:

Não basta pedir a Deus certas graças para um mês, ou um ano, ou mesmo vinte anos. Não podemos nos cansar de pedir. Devemos ser constantes no pedir até o momento de nossa morte, e mesmo nesta oração que mostra nossa confiança em Deus, nós devemos unir o pensamento sobre a morte com o da perseverança e dizer: “Ainda que ele me matasse, nele esperarei” (Jó 13,15) e confiarei n’Ele para me dar tudo que necessito.

Os ricos e proeminentes do Mundo mostram sua generosidade através da percepção do que as pessoas estão necessitando e assim concedem-lhes o que precisam, mesmo antes que eles o peçam. Por outro lado, a generosidade divina é mostrada quando Ele nos faz procurar e pedir, durante longo período de tempo, a graça que Ele deseja nos dar e, em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós.

Há três razões para isto:

1- A fim de poder aumentá-la;

2- A fim de que aquele que a recebe possa apreciá-la mais;

3- A fim de que aquele que a recebe ponha muito cuidado em não perdê-la, pois as pessoas não apreciam as coisas que se podem obter com facilidade e pouco esforço.

Perseverem, pois, queridos confrades do Rosário, em pedir a Deus Todo-Poderoso por todas as suas necessidades, ambas espirituais e corporais, através do Santíssimo Rosário. A maioria de vocês deve pedir à Divina Sabedoria qual seja o Tesouro infinito: “a sabedoria é um tesouro infinito” (Sb 7,14) e não se pode ter dúvida alguma que mais cedo ou mais tarde você o receberá, conquanto que não deixe de pedi-lo e não desanime no meio do caminho. “Porque te resta um longo caminho” (3 Rs 19,7). Isto quer dizer que resta ainda um longo caminho a percorrer, com muitas tempestades pela frente, dificuldades a serem superadas e muito a conquistar antes de se ter ajuntado bastantes tesouros para a eternidade, bastante Pai-Nossos e Ave-Marias com os quais você ganhará a sua entrada ao Céu e adquirirá a bela coroa que está à espera de cada membro fiel.

Saiba como Satanás seduz as almas e como se proteger dele

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Ele começa fazendo as coisas contrárias a Deus parecerem boas e inofensivas

“O grande truque do diabo é fazer-nos pensar que ele não existe”.Estas não são as palavras de um teólogo, nem mesmo de um santo: foram escritas pelo poeta francês Charles Baudelaire. A presença silenciosa, mas ativa de Satanás é como um câncer não detectado que, de uma forma desonesta e não percebida, corrompe um corpo e se instala em tantos órgãos quanto possível através de uma metástase letal.

Pe. Paolo Morocutti sabe muito bem disso. Ele é um exorcista da Diocese de Palestrina, uma das dioceses periféricas de Roma. Também é membro da AIE (Associação Internacional de Exorcistas, abreviado de seu nome em italiano) e professor de vários cursos para exorcistas.

Muitas pessoas gostariam de conhecer um exorcista para que pudessem aprender mais sobre o diabo. Aqui está um pouco do que aprendemos quando conversamos com o Pe. Marocutti.

Alguns teólogos são da opinião de que os exorcismos bíblicos – incluindo aqueles realizados por Jesus – foram simplesmente curas de doenças que, naquela época, eram consideradas influências espirituais. O que o senhor pensa sobre esse assunto?

Na verdade, essa questão foi resolvida há muito tempo. Acima de tudo, é uma questão de honestidade intelectual. A exegese bíblica cuidadosa e a teologia séria reconhecem claramente a diferença entre a forma como Cristo lida com pessoas doentes e a maneira como ele trata as pessoas possuídas nos Evangelhos. Ele usa duas abordagens totalmente diferentes.

O Catecismo da Igreja Católica contém um ensinamento claro sobre este assunto, e nenhum bom católico pode deixá-lo de lado. Finalmente, gostaria de me referir aos ensinamentos dos santos, que, com a vida de união com Cristo que viveram dentro da Igreja, confirmaram o Magistério de forma clara e inequivocamente.

Algumas pessoas defendem a extinção do ministério dos exorcistas, porque consideram que é uma usurpação do trabalho dos psicólogos. Como o senhor enxerga isso?

Eu leciono Psicologia Geral (na Faculdade de Medicina) e Cirurgia (na Universidade Católica do Sagrado Coração), e entendo bem a diferença entre as duas disciplinas. De acordo com a antropologia cristã, os seres humanos são sempre e em todos os lugares entendidos a partir de uma perspectiva integral e unida. As duas disciplinas não estão, de fato, em competição. Em vez disso, elas estão intimamente conectadas. Uma pessoa espiritualmente perturbada quase sempre precisa de apoio humano qualificado para interpretar a situação e avançar pacificamente. Quando o espírito é afetado, a carne também é afetada e vice-versa. O problema surge quando a Psicologia, especialmente a Psicoterapia, constrói suas convicções sobre conceitos antropológicos improváveis ou sobre os que estão longe do humanismo cristão.  Nesse caso, podem surgir dicotomias perigosas – ou, pelo menos, inconvenientes.

Quais os critérios usados para diferenciar casos psicológicos dos espirituais?

A sabedoria da Igreja, desenvolvida ao longo de milhares de anos através da formação de livros litúrgicos – que, entre outras coisas, faz parte do magistério oficial para nós católicos – estabelece um procedimento através do qual um sacerdote exorcista pode reconhecer o trabalho e a presença do diabo. Penso que é útil mencionar que, na última versão do rito, o exorcista é convidado a utilizar a ciência médica e psicológica para discernir melhor. Além disso, o rito indica como critério para reconhecera presença do maligno: falar línguas desconhecidas, saber ou revelar coisas escondidas e demonstrar força desproporcional à idade e ao estado natural do sujeito. Esses não são critérios absolutos; são sinais que, se identificados dentro de um quadro geral com atenção aos detalhes, podem ajudar muito um exorcista. É necessário dedicar muito tempo a ouvir a pessoa e fazer uma análise atenta do comportamento e hábitos de vida do sujeito. É importante concentrar-se mais na sua vida moral do que nos sinais, embora este último possa ser sempre uma grande ajuda.

Quais são os principais canais através dos quais a obsessão demoníaca ou a possessão podem surgir?

O canal principal é, definitivamente, o pecado – em particular, um estado de pecado grave, vivido deliberadamente e sem arrependimento. Essa condição geralmente expõe a alma à ação do diabo.

Além disso, os principais canais de ação de Satanás são: o esoterismo, a feitiçaria, o seguimento mais ou menos consciente de práticas filosóficas inspiradas nas religiões orientais ou, de alguma forma, incompatíveis com uma visão antropológica cristã e, finalmente, participação em grupos abertamente satânicos.

Frequentemente, essas realidades estão escondidas por ideologias aparentemente inócuas. Devemos ser cautelosos. Satanás nos seduz com falsa beleza, fazendo com que as coisas contrárias a Deus pareçam boas e inofensivas.

Ainda assim, no centro do processo de discernimento está sempre a ação moral de uma pessoa. Se uma pessoa age com retidão moral e permanece em estado de graça, buscando a verdade, é improvável que ele ou ela seja objeto de ação extraordinária do maligno. Obviamente, a vida de certos santos é uma exceção. Em alguns casos, devido à permissão especial de Deus, eles até experimentaram o combate com o diabo de maneira sangrenta.

O que o senhor aprendeu de positivo ao exercer este ministério que poderia deixar como lição e conselhos para nossos leitores?

Que o amor de Jesus Cristo por nossas almas é algo sério e que a alma deve ser protegida em um estado de graça, como o presente mais belo e sublime que Deus nos deu. Hoje, a sensação de pecado está desaparecendo cada vez mais, devido a uma compreensão profundamente equivocada da misericórdia. Neste ministério, entendi claramente que a Eucaristia, o sacramento da Confissão e o nosso amor por Maria Santíssima são os meios mais confiáveis para caminharmos sempre na graça e na verdade – e para sempre podermos apreciar a doce presença de Jesus em nossas almas.

Não se precipite. O tempo de Deus é diferente do seu

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O relógio de Deus não é igual ao nosso relógio, onde existem horas, minutos e segundos

Tempo… Quem o pode entender? Quem o pode controlar? Quem o pode discernir?

Existem dois tipos de relógios: o relógio terreno e o relógio celestial.

O relógio de Deus não é igual ao nosso relógio, onde existem horas, minutos e segundos. O famoso 24 horas por dia. O tempo de Deus não é o nosso tempo!

Por mais que Ele tenha dito um sim, é de extrema importância sabermos o tempo desse “sim” se cumprir; sabermos o tempo certo de agir, pois não adianta fazermos determinada coisa de forma correta, mas no tempo errado.

E isso nos confunde demais, pois somos profundamente ligados ao nosso tempo terreno, ou seja, segundo nossas vontades, porém o relógio de Deus é celestial.

O que quero dizer é que nos importa saber além da vontade de Deus e Suas respostas, é sabermos o tempo certo em que as coisas devem acontecer. Sabermos se é chegado o tempo ou se é necessário esperar, aguardar para agir, cumprir o SIM de Deus.

Mediante a isso, me veio a mente uma passagem bíblica quando ainda o rei Saul reinava sobre Israel… Saul, quando estava para travar uma guerra, o profeta Samuel pediu para ele aguardar 7 dias e o esperasse para que ele realizasse o sacrifício e então pudesse ir à guerra.

Saul, tomado pela ansiedade, desobedeceu e não esperou Samuel, o profeta. Chegado o sétimo dia, viu que o momento da guerra se aproximava e o profeta Samuel não chegava, então decidiu realizar o sacrifício.

Saul desobedeceu o tempo celestial, mas obedeceu o tempo terreno. Como assim? Quando li a história, pude ver que Saul fez o sacrifício exatamente no sétimo dia (tempo terreno), porém sem a presença do profeta, como ele havia ordenado (tempo celestial).

Ele esperou os 7 dias contados por ele, segundo o relógio dele, mas não esperou o tempo de Deus e por isso Deus tirou o reinado de Israel das mãos dele.

Deus havia falado que Saul iria vencer a guerra se esperasse o tempo que Ele determinou através do profeta. Saul já tinha o SIM de Deus, embora tendo feito a coisa certa, o sacrifício, não obedeceu o tempo certo.

Há tempo para todas as coisas, já dizia o grande sábio Salomão. E até mesmo quando recebemos um SIM de Deus é necessário sabermos o tempo em que ele deve se cumprir.

(via NamOrei)

A armadilha do evangelho da prosperidade

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Os resultados de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela “LifeWay Research”

Deus nos ama. Além do mais, ele quer nos preencher com seus bens. A Bíblia ensina, e Jesus disse no Evangelho: “Eu lhes garanto: O que vocês pedirem a meu Pai em meu nome, ele vai lhes dar” (Jo 16,23). O problema é que em algumas denominações ou igrejas americanas (e não só), essa generosidade divina assumiu uma característica particular material e não escatológica, o que reduz Deus a um mero distribuidor de bens, como se fosse um cartão de crédito ilimitado.

“Um grupo significativo de igrejas parece para ensinar que as doações desencadeiam uma resposta financeira da parte de Deus”, diz o diretor executivo da  LifeWay Research, em Nashville, Tennessee, Scott McConnell, por ocasião da publicação dos resultados de uma pesquisa sobre o “Evangelho da prosperidade”, realizada de 22 a 30 de agosto de 2017 entre 1.010 americanos adultos que frequentam pelo menos uma vez por mês uma igreja protestante ou não denominacional.

Embora “vários líderes evangelistas de alto nível tenham condenado a doutrina do Evangelho da Prosperidade”, “muitas pessoas entre os fiéis abraçaram isso”, explica McConnell.

Deus abençoaria quem doa para igreja

38%, isto é, um em cada três fiéis, responderam estar de acordo com a afirmação da pesquisa de que “a igreja deles ensina que Deus os abençoará se eles derem mais dinheiro para sua igreja e para suas obras de caridade”. A este respeito, 22% disseram estar “bastante” de acordo, 16% disseram estar “fortemente” de acordo.

Mais propensos a concordar com a frase (53%) são pentecostais, ou aqueles que frequentam as Assembleias de Deus (um movimento evangélico).

Embora quatro em cada dez participantes da pesquisa (40%) afirmaram estar “fortemente” em desacordo com o conteúdo da declaração e 17% disseram estar “bastante” em desacordo, apenas 5% disseram que não tinham certeza.

Prosperar em um nível financeiro

Mais de dois participantes em cada três, ou seja, 69%, disseram concordar com a afirmação de que Deus quer que eles “prosperem financeiramente”. Enquanto 31% disseram estar “bastante” de acordo, 38% disseram estar “fortemente” de acordo.

A esse respeito, 10% disseram que não tinham certeza, quase um em cada dez, 9% disseram que discordam fortemente da frase, com relação aos 12% que responderam com “discordo totalmente”. Isto implica que apenas um pouco mais de um em cada cinco, 21%, não concorda com a afirmação.

A pesquisa também mostra que os fiéis que frequentam sua congregação pelo menos uma vez por semana são mais propensos a pensar que Deus quer que eles prosperem financeiramente (71%), uma porcentagem que cai para 56% entre os que participam até duas vezes por mês em culto.

Para receber de Deus, algo deveria ser feito por Ele

Finalmente, quase um protestante praticante em cada quatro, ou seja, 26% declararam concordar com a afirmação de que para receber de Deus bênçãos materiais temos que fazer algo por Ele. 13% disseram estar “fortemente” de acordo e outros 13% “bastante” de acordo.

Por outro lado, 70% não concordam. Pelo contrário, 54% estão “fortemente” em desacordo, em comparação com 16% que estão “bastante” em desacordo. 5% disseram que não tinham certeza.

Os membros da comunidade afro-americana não hispânicos (44%) e hispânicos (34%) são aqueles mais susceptíveis a responder positivamente comparado aos brancos não hispânicos (17%) e outros grupos étnicos (16%), de acordo com a pesquisa.

O aviso da “Civiltà cattolica”

Em um artigo publicado em julho sob o título emblemático Teologia da prosperidade. O perigo de um “evangelho diferente” na prestigiosa revista  La Civiltà Cattolica, o jesuíta Antonio Spadaro e o pastor presbiteriano argentino Marcelo Figueroa analisaram as raízes e os riscos associados a esta corrente teológica, que atrai um número crescente de fiéis não só nos EUA, mas também em alguns países da América Latina, incluindo a Guatemala e em particular o Brasil, e até mesmo na África e na Ásia, onde se espalhou, por exemplo, na Coreia do Sul e até na China.

Como exemplo, os dois autores, que no verão passado assinaram um artigodivulgado na revista da Companhia de Jesus, mencionam a Miracle Center Cathedral na capital de Uganda, Kampala, resultado da pregação do Pastor Robert Kayanja, e a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo pastor brasileiro Edir Macedo, dono da segunda emissora de televisão do país sul-americano, RecordTV, e do grupo de mídia Grupo Record.

As origens do “Evangelho da prosperidade”

Para Spadaro e Figueroa, as origens do atual “Evangelho da prosperidade” e sua promessa de bem-estar financeiro e material remontam aos EUA dos finais do século XIX e, sobretudo, ao pensamento do pastor nova-iorquino Esek William Kenyon, que “argumentou que através do poder da fé podem ser modificadas realidades materiais concretas”, não só para o bem, mas para o mal, no sentido de que a pobreza, a doença e a infelicidade eram o resultado direto da falta de fé.

Foi também fundamental a contribuição do pastor e “profeta” Kenneth Hagin, que apontou em dois versículos do Evangelho de Marcos o núcleo vital do que mais tarde se tornaria o “Evangelho da prosperidade”: “Eu lhes garanto: Se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e não duvidar no coração, mas acreditar que se realiza aquilo que está dizendo, assim acontecerá. Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem rezando, creiam que já o receberam, e assim acontecerá para vocês” (Mc 11,23-24).

Outros elementos que caracterizam a corrente são o vínculo – mesmo que distorcido – com a ideia do “sonho americano” ou American Dream, e também o uso de meios de comunicação para difundir a mensagem, um elemento que haviam intuído tanto Kenyon como Hagin e que encontra seu ponto culminante no fenômeno “televangelista” (televangelismo é o uso da televisão para transmitir a fé cristã para muitas pessoas) como Oral Roberts, Pat Robertson e Joel Osteen, fundador da maior Megachurch ou mega-igreja dos Estados Unidos, a Lakewood Church, em Houston, Texas.

Um Evangelho distorcido

Em seu ensaio, o jesuíta e o pastor presbiteriano lembram que o “Evangelho da prosperidade” não só está longe da mensagem e “sonho” pregado por figuras proféticas, como Martin Luther King [1], mas que também foi fortemente criticado “por setores evangélicos, tanto tradicionais […] quanto mais recentes”, acusando a corrente de anunciar “um evangelho diferente”.

Na verdade, como explicam Spadaro e Figueroa, a corrente teológica do “Evangelho da prosperidade” é resultado de uma “hermenêutica reducionista”, que subestima, por exemplo, o papel de Deus Pai a uma espécie de “botões cósmicos” e também “prisioneiro” de Sua própria palavra.

Além disso, os autores sublinham que, por parte dos fiéis destas igrejas, há “uma total falta de empatia e solidariedade” para com aqueles que sofrem, que estão doentes ou têm dificuldades. “Não há compaixão pelas pessoas que não podem prosperar – eles observam – porque elas claramente não seguiram as ‘normas’ e, portanto, vivem no fracasso e não são amadas, portanto, por Deus”.

O verdadeiro Evangelho é um  fator de mudança real

“Em resumo, aqui se fala de um deus concebido à imagem e semelhança das pessoas e de suas realidades, e não de acordo com o modelo bíblico”, continuam Spadaro e Figueroa. “Esse ‘evangelho’, que coloca a ênfase na fé como ‘mérito’ para subir na escala social, é injusto e radicalmente anti-evangélico” e também tem um “efeito perverso sobre as pessoas pobres”, advertem.

“Não só exacerba o individualismo e apaga o sentimento de solidariedade, mas empurra as pessoas a ter uma atitude milagrosa, pela qual só a fé pode procurar prosperidade, e não o compromisso social e político”, escrevem os autores, que advertem neste contexto do risco de que os pobres fascinados por este novo evangelho permaneçam “emaranhados em um vácuo político-social que permite facilmente a outras forças que incorporem seu mundo, tornando-os inofensivos e indefesos”.

O Papa Francisco alertou várias vezes contra os perigos da “tentação da prosperidade”, lembram os autores no final do seu ensaio, como por ocasião de seu encontro com os bispos da Coreia do Sul, em agosto de 2014, quando advertiu aos prelados sobre o risco de “uma igreja próspera e para os abastados, uma igreja de bem-estar”. De fato, um evangelho onde não há lugar para os pobres e os doentes, que tipo de evangelho é?

[1] Suas palavras I have a dream (“Eu tenho um sonho”) são famosas, pronunciadas em 28 de agosto de 1963,  diante do Lincoln Memorial, em Washington, no final de uma marcha de protesto pelos direitos civis.

3 razões pelas quais, muitas vezes, Deus “demora” para atender nossas preces.

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

“…em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós”

Uma pergunta recorrente: por que, tantas vezes, Deus “demora” para nos atender?

São Luis Maria Grignion de Montfort nos dá uma resposta em sua obra “O Segredo do Rosário“:

Não basta pedir a Deus certas graças para um mês, ou um ano, ou mesmo vinte anos. Não podemos nos cansar de pedir. Devemos ser constantes no pedir até o momento de nossa morte, e mesmo nesta oração que mostra nossa confiança em Deus, nós devemos unir o pensamento sobre a morte com o da perseverança e dizer: “Ainda que ele me matasse, nele esperarei” (Jó 13,15) e confiarei n’Ele para me dar tudo que necessito.

Os ricos e proeminentes do Mundo mostram sua generosidade através da percepção do que as pessoas estão necessitando e assim concedem-lhes o que precisam, mesmo antes que eles o peçam. Por outro lado, a generosidade divina é mostrada quando Ele nos faz procurar e pedir, durante longo período de tempo, a graça que Ele deseja nos dar e, em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós.

Há três razões para isto:

1- A fim de poder aumentá-la;

2- A fim de que aquele que a recebe possa apreciá-la mais;

3- A fim de que aquele que a recebe ponha muito cuidado em não perdê-la, pois as pessoas não apreciam as coisas que se podem obter com facilidade e pouco esforço.

Perseverem, pois, queridos confrades do Rosário, em pedir a Deus Todo-Poderoso por todas as suas necessidades, ambas espirituais e corporais, através do Santíssimo Rosário. A maioria de vocês deve pedir à Divina Sabedoria qual seja o Tesouro infinito: “a sabedoria é um tesouro infinito” (Sb 7,14) e não se pode ter dúvida alguma que mais cedo ou mais tarde você o receberá, conquanto que não deixe de pedi-lo e não desanime no meio do caminho. “Porque te resta um longo caminho” (3 Rs 19,7). Isto quer dizer que resta ainda um longo caminho a percorrer, com muitas tempestades pela frente, dificuldades a serem superadas e muito a conquistar antes de se ter ajuntado bastantes tesouros para a eternidade, bastante Pai-Nossos e Ave-Marias com os quais você ganhará a sua entrada ao Céu e adquirirá a bela coroa que está à espera de cada membro fiel.

“Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”, viral que tem contagiado a internet

Por | DESTAQUES, FORMAÇÕES, NOTÍCIAS

Circula na rede um texto extraordinário atribuído ao psiquiatra Luís Rajos Marcos. Vale a leitura e a meditação.

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas.

As estatísticas:

– 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
– um aumento de 43% no TDAH foi observado;
– um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
– um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?

As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:

pais emocionalmente disponíveis;
limites claramente definidos;
responsabilidades;
nutrição equilibrada e sono adequado;
movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:

– pais digitalmente distraídos;
– pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
– um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por
obtê-lo;
– sono inadequado e nutrição desequilibrada;
– um estilo de vida sedentário;
– estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

O que fazer?

Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:

– Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
– Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
– Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
– Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
– Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
– Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
– Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade
(dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.).

– Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
– Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente
contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
– Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
– Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
– Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.

– Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
– Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
– Estar emocionalmente disponível para se conectar com crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
– Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
– Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
– Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
– Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.

E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!

Dr. Luís Rajos Marcos
Médico Psiquiatra

A doutrina católica a respeito da santidade

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”. Nesta pregação, deixe-se guiar pela grande mestra da oração, Santa Teresa de Ávila, e aprenda você também a trilhar o caminho da perfeição e da amizade com Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
 (Mt 5,1-12)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”.

Essa, que é a doutrina católica a respeito da santidade, foi radicalmente negada pela teologia protestante, no século XVI. Para Martinho Lutero e seus seguidores, de fato, não é possível que uma pessoa se livre de seus pecados e defeitos nesta vida. Pela fé, o homem justificado não teria os seus pecados apagados, mas tão somente encobertos. É o que está na Declaração Sólida da Fórmula de Concórdia, um dos primeiros compêndios do luteranismo: “Os justificados são declarados e imputados justos e piedosos pela fé e por causa da obediência de Cristo (…), ainda que, por conta de sua natureza corrompida, eles ainda sejam e permaneçam pecadores até o túmulo” [1].

A maior prova de que essa teoria protestante está errada se encontra justamente na vida dos santos católicos, homens e mulheres que se livraram de todos os seus egoísmos e alcançaram a perfeição da caridade, “ainda neste desterro”.

Para compreender em que consiste essa santidade e como chegar a ela, vale servir-se da vida e da obra de uma grande doutora da Igreja, contemporânea a Lutero: Santa Teresa de Ávila.

Em sua obra Castelo Interior, Teresa compara a alma humana a “um castelo todo de diamante ou de cristal muito claro onde há muitos aposentos, tal como no céu há muitas moradas (cf. Jo 14, 2)” [2], e em cujo centro está o próprio Deus – sustentando o ser dos homens e dando-lhes a vida natural.

Quanto à vida sobrenatural, porém, um pode achar-se (a) ou em estado de graça (b) ou em pecado mortal:

“Gostaria que considerásseis o que será ver esse castelo tão resplandecente e formoso, essa pérola oriental, essa árvore de vida plantada nas próprias águas vivas da vida, que é Deus, quando cai em pecado mortal. Não há treva tão tenebrosa, nem coisa tão escura e negra que se lhe compare.

Basta dizer que o próprio Sol, que lhe dava tanto resplendor e formosura, se encontra ainda no centro da alma, mas é como se isso não acontecesse. Assim como o cristal pode refletir o esplendor do sol, a alma ainda é capaz de fruir de Sua Majestade. Todavia, isso não a beneficia em nada, daí decorrendo que todas as boas obras que fizer, estando ela em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar a glória. Isso porque não procedem do princípio pelo qual nossa virtude é virtude – Deus –, mas nos apartam Dele, não podendo ser agrádeveis aos Seus olhos.

(…)

Assim como são claros os pequenos arroios que brotam de uma fonte clara, assim também é uma alma que está em graça, razão pela qual suas obras são tão agradáveis aos olhos de Deus e dos homens. Porque elas procedem dessa fonte de vida na qual, à semelhança de uma árvore, a alma está plantada; e ela não teria frescor nem fertilidade se não estivesse ali, sendo a água a responsável pelo seu sustento e pelos seus bons frutos. Quanto à alma que por sua culpa se afasta dessa fonte e se transplanta a outra de águas sujas e fétidas, não produz senão desventura e imundície.

Deve-se considerar aqui que a fonte, aquele sol resplandecente que está no centro da alma, não perde seu resplendor e formosura. Ele continua sempre dentro dela, e nada pode tirar-lhe o brilho. Mas, se sobre um cristal que está ao sol se puser um pano espesso e negro, claro está que, embora o sol incida nele, a sua claridade não terá efeito sobre o cristal.” [3]

A quem entrou nos primeiros aposentos, embora esteja no interior do castelo, nem sempre é dado contemplar a sua magnificência – debilitado que está por seus defeitos, arrastado que é por seus vícios e perturbado que se acha por suas paixões desordenadas –, a não ser que, interiorizando-se, entrando em si mesmo, vá se aproximando cada vez mais de Deus, que está no íntimo de seu ser [4].

Para tanto, é necessário recorrer constantemente à oração, determinando-se a nunca abandoná-la, até que se atinja a meta [5]. A oração de que aqui se fala, contudo, não são essas manifestações exteriores e sentimentais, que se encontram muitas vezes nos chamados “grupos de oração”, senão aquela que conduz a uma verdadeira reflexão:

“Pelo que posso entender, a porta para entrar nesse castelo é a oração e reflexão. Não digo oração mental mais do que vocal; para haver oração, é necessária a reflexão (consideración). Não chamo oração aquilo em que não se percebe com quem se fala e o que se pede, nem quem pede e a quem; por mais que se mexam os lábios, não se trata de oração.” [6]

De morada em morada, então, a alma cristã vai progredindo na vida da santidade, saindo do amor servil – que se limita ao mero cumprimento dos Mandamentos –, passando pelo amor filial – característico das almas mais generosas –, até chegar, enfim, ao amor esponsal – quando criatura e Criador se unem tão intimamente, a ponto de ela ver-se transformada no objeto do seu amor [7]. Nessas moradas mais elevadas, a alma desposada por Cristo é capaz de repetir com São Paulo: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Essa doutrina católica a respeito da santidade mostra a essência da liberdade, pois, neste cume a que chegam alguns santos, eles, verdadeiramente livres, são incapazes de cometer a mínima ofensa contra Deus. Longe de ser um ideal inatingível nesta vida, porém, essa doutrina de perfeição é uma realidade possível e acessível a todos. Sejamos, pois, santos, assim como o nosso Pai o é (cf. 1 Pd 1, 16).

Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-doutrina-catolica-a-respeito-da-santidade

Referências

  1. The Solid Declaration of the Formula of Concord, III, 22.
  2. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 1.
  3. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 2, 1-3.
  4. Cf. Santo Agostinho, Confissões, X, 27 (PL 32, 795).
  5. Cf. Caminho de Perfeição, XXI, 2.
  6. Cf. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 7.
  7. Cf. Ricardo de S. Vítor, Comentário ao Cântico dos Cânticos, Prólogo (PL 196, 408).

O que fazer se a Sagrada Comunhão cair no chão durante a Missa?

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

As diretrizes da Igreja levam em conta o respeito que devemos ter em relação à presença de Jesus na Eucaristia

Às vezes, durante a distribuição da Sagrada Comunhão na Missa, a hóstia pode cair no chão. A gente sempre toma os devidos cuidado e respeito para que isso não aconteça, né? Mas pode acontecer. E talvez nem seja intencionalmente; um momento de distração ou emoção diante da Sagrada Eucaristia é suficiente para deixarmos o Corpo de Cristo cair no chão. Nessa hora, é preciso manter a serenidade e o respeito.

O padre, o diácono e o ministro são encarregados de velar para que o Corpo e o Sangue de Cristo sejam tratados com a devida reverência. A Instrução Geral do Missal Romano determina o que eles devem fazer caso a hóstia sagrada seja derrubada:

“Se cair no chão alguma hóstia ou partícula, recolhe-se reverentemente. Se acaso se derramar o Sangue do Senhor, lava-se com água o sítio em que tenha caído e deita-se depois essa água no sumidouro colocado na sacristia” (IGMR, 280).

O sumidouro, também chamado de sacrarium, em latim, é uma pia especial, cuja água vai diretamente para o solo. Deste modo, os resíduos de elementos sagrados que precisam ser descartados pela igreja regressam à terra de forma digna e respeitosa.

Geralmente, não é possível completar todas as orientações durante a celebração da Missa. Por isso, é comum que o padre coloque um pano branco sobre o lugar em que a hóstia caiu e o limpe adequadamente depois da Missa.

Mas por que tanto cuidado com as espécies sagradas? Porque a Igreja acredita veementemente nas palavras de Jesus: “este é o meu corpo e este é o meu sangue”.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica,

“Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação” (CIC 1376). 

Com isso em mente, acreditamos que o que cai no chão não é só o pão ou o vinho, mas o corpo e o sangue de nosso Salvador. Essa crença transmite tudo o que a Igreja faz em conexão com a Eucaristia, reconhecendo que Deus está realmente presente nessas espécies e que nossa resposta a estes acidentes deveria ser baseada no amor que temos ao nosso Criador.

Tchau, tristeza! São Francisco de Sales nos escreve palavras de ânimo!

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Entre os frutos do Espírito Santo, a alegria é colocada junto à caridade!

Não se pode meter um enxerto de carvalho numa pereira, pois são duas árvores de humor contrário uma à outra; tampouco se poderia enxertar a ira, nem a cólera, nem o desespero, na caridade; ao menos seria muito difícil. Quanto à ira, vimo-la no discurso do zelo; quanto ao desespero, a não ser que o reduzamos à justa desconfiança de nós mesmos, ou então ao sentimento que devemos ter da vaidade, fraqueza e inconstância dos favores, assistência e promessas do mundo, não vejo que serviço pode o divino amor tirar dele.

E, quanto à tristeza, como pode ela ser útil à santa caridade, já que entre os frutos do Espírito Santo a alegria é colocada junto à caridade? Não obstante, o grande Apóstolo assim diz: A tristeza que é segundo Deus opera a penitência estável em salvação, mas a tristeza do mundo opera a morte (Gal 3, 22; 2 Cor 7, 10).

Há, pois, uma tristeza segundo Deus, a qual é exercida ou pelos pecadores na penitência, ou pelos bons na compaixão pelas misérias temporais do próximo, ou pelos perfeitos na deploração, queixa e condolência das calamidades espirituais das almas; pois David, São Pedro, a Madalena choraram pelos seus pecados, Agar chorou vendo seu filho quase morto de sede, Jeremias sobre a ruína de Jerusalém, Nosso Senhor sobre os Judeus e Seu grande Apóstolo gemendo diz estas palavras: Muitos andam, os quais, eu muitas vezes vos disse e de novo vos digo que são inimigos da cruz de Jesus Cristo (Filip 3, 18).

Há, pois, uma tristeza deste mundo que provém igualmente de três causas:

Porquanto, 1º, provém às vezes do inimigo infernal, que, por mil sugestões tristes, melancólicas e molestas obscurece o entendimento, debilita a vontade e conturba toda a alma. E, assim como um nevoeiro espesso enche de catarro a cabeça e o peito, e por esse meio torna a respiração difícil, e põe em perplexidade o viajor, assim também o maligno, enchendo o espírito humano de pensamentos tristes, tira-lhe a facilidade de aspirar a Deus, e dá-lhe um aborrecimento e desânimo extremo, a fim que desesperá-lo e de perdê-lo. Dizem que há um peixe a que chamam diabo do mar (*) o qual, revolvendo e empurrando para cá e para lá o lodo, turva a água à volta de si, para se manter nela como na emboscada, e dela, logo que avista os pobres peixinhos, atira-se sobre eles, assalta-os e os devora, donde talvez tenha vindo a expressão pescar em água turva, de que se usa comumente. Ora, dá-se com o diabo do inferno o que se dá com o diabo do mar; pois ele arma suas emboscadas na tristeza, quando, tendo tornado a alma perturbada por uma multidão de pensamentos aborrecidos, lançados aqui e acolá no entendimento, precipita-se depois sobre os afetos, afligindo-os com desconfianças, ciúmes, aversões, invejas, apreensões supérfluas dos pecados passados, e fornecendo uma quantidade de sutilezas vãs, acres e melancólicas, a fim de que rejeitemos toda sorte de razões e consolações.

2º A tristeza procede também, outras vezes, da condição natural, quando o temperamento melancólico domina em nós, e este não é verdadeiramente vicioso em si mesmo, mas no entanto nosso inimigo serve-se dele grandemente para urdir e tramar mil tentações em nossas almas; porquanto, assim como as aranhas quase nunca fazem suas teias senão quando o tempo está encoberto e o céu nublado, assim também esse espírito maligno nunca tem tanta facilidade para armar as ciladas das suas sugestões nos espíritos doces, benignos e alegres, como nos espíritos sombrios, tristes e melancólicos; pois os agita facilmente com mágoas, suspeitas, ódios, murmurações, censuras, invejas, preguiça e entorpecimento espiritual.

3º Finalmente, há uma tristeza que a variedade dos acidentes humanos nos acarreta. Que alegria posso eu ter, dizia Tobias, não podendo ver a luz do céu? (Tob 5, 12). Assim Jacob ficou triste com a notícia da morte de seu José, e David com a do seu Absalão. Ora, essa tristeza é comum aos bons e aos maus, porém nos bons é moderada pela aquiescência e resignação à vontade de Deus; como se viu em Tobias, que, de todas as adversidades de que foi tocado, deu graças à divina majestade, e em Job, que por elas bendisse o nome do Senhor; e em Daniel, que converteu suas dores em cânticos. Pelo contrário, quanto aos mundanos, essa tristeza lhes é ordinária, e converte-se em pesares, desespero e atordoamentos de espíritos; pois eles são semelhantes às macacas e marmotas, que estão sempre sorumbáticas, tristes e zangadas por falta da lua, mas, ao contrário, à renovação desta, saltam, dançam e fazem as suas momices. O mundano é ronhento, intratável, acre e melancólico na falta das prosperidades terrenas, e na afluência destas é quase sempre fanfarrão, divertido e insolente.

De certo, a tristeza da verdadeira penitência não deve tanto ser chamada tristeza como desprazer, ou sentimento e detestação do mal, tristeza que nunca é nem aborrecida nem mal humorada, tristeza que não entorpece o espírito, mas que o torna ativo, pronto e diligente; tristeza que não abate o coração, mas o eleva pela oração e pela esperança, e o leva a fazer os rasgos do fervor de devoção; tristeza que no forte das suas amarguras produz sempre a doçura de uma consolação incomparável, consoante o preceito do grande Santo Agostinho:

Entristeça-se o penitente sempre, mas sempre se alegre com a sua tristeza. Diz Cassiano que a tristeza que opera a sólida penitência e o agradável arrependimento, da qual a gente nunca se arrepende, é obediente, afável, humilde, bondosa, suave, paciente, como sendo saída e descendente da caridade. De tal sorte que, estendendo-se a toda dor de corpo e contrição de espírito, de certo modo é alegre, animada e revigorada pela esperança do seu proveito, e retém toda a suavidade da afabilidade e longanimidade, tendo em si mesma os frutos do Espírito Santo que o santo Apóstolo narra. Ora, os frutos do Espírito Santo são: caridade, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fé, mansidão, continência (Gal 4, 22). Tal é a verdadeira, e tal a boa tristeza, que por certo não é propriamente triste nem melancólica, mas somente atenta e afeiçoada a detestar, rejeitar e impedir o mal do pecado quanto ao passado e quanto ao futuro. Nós vemos também múltiplas vezes penitências muito apressadas, perturbadas, impacientes, chorosas, amargas, suspirantes, inquietas, grandemente ásperas e melancólicas, as quais enfim se mostram infrutíferas e sem consequência de qualquer verdadeira emenda, porque não procedem dos verdadeiros motivos da virtude de penitência, e sim do amor-próprio e natural.

A tristeza do mundo opera a morte (2 Cor 7, 10), diz Apóstolo. Teótimo, cumpre pois evitá-la e rejeitá-la segundo o nosso poder. Se ela é natural, devemos repeli-la, contravindo aos seus movimentos, afastando-a por exercícios próprios para isto, e usando dos remédios e modos de viver que os próprios médicos julgarem oportunos. Se provém de tentação, devemos descobrir vosso coração ao pai espiritual, o qual nos prescrevera os meios de vencê-la, conforme o que sobre isso dissemos na quarta parte da Introdução à vida devota. Se é acidental, recorramos ao que está assinalado no livro oitavo, a fim de vermos o quanto as tribulações são amáveis aos filhos de Deus, e como a grandeza das nossas esperanças na vida eterna deve tornar quase inconsideráveis todos os acontecimentos passageiros da vida temporal.

De resto, por entre todas as melancolias que nos podem advir, devemos empregar a autoridade da vontade superior para fazermos tudo o que pudermos em favor do amor divino. Certamente há ações que dependem tanto da disposição e compleição corporal, que não está em nosso poder fazê-las a nosso gosto. Pois um melancólico não poderia manter nem os olhos, nem a palavra, nem o semblante na mesma graça e suavidade que teria se estivesse descarregado desse mau humor; bem pode, porém, embora sem graça, dizer palavras graciosas, bondosas e corteses, e, apesar da sua inclinação, fazer por força de razão as coisas convenientes em palavras e em obras de caridade, doçura e condescendência. Uma pessoa é desculpável de nem sempre ser alegre, pois não é dono da alegria para tê-la quando quiser; mas não é desculpável de não ser sempre bondosa, manejável e condescendente, pois isto está sempre no poder da nossa vontade, e para isso não é preciso senão resolver-se a superar o humor e inclinação contrária.

(*) O nome de diabo do mal aplica-se a vários peixes do Oceano e do Mediterrâneo: à arraia, à escorpena e sobretudo ao diabo marinho.

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São Francisco de Sales, Tratado do Amor de Deus, Livro décimo primeiro, capítulo XXI

5 dicas incríveis inspiradas na “psicologia da felicidade”

Por | - ULTIMAS, DESTAQUES, FORMAÇÕES

Como viver para alcançar a máxima aspiração do ser humano

Sobre a felicidade, é oportuno recordar o que disse o catedrático de psiquiatria granadino, Enrique Rojas Montes, no livro “El hombre light” [O homem light], de 1992: “a felicidade é a máxima aspiração do homem, para a qual apontam todos os vetores de sua conduta. Mas, se queremos alcançá-la, devemos buscá-la. Além disso, a felicidade não pressupõe uma descoberta no fim da existência, mas sim, durante o caminho percorrido”.

A aplicação de tudo isso não é algo feito apenas uma vez na vida; é um desafio constante. Com um pouco de prática e interesse, não é muito difícil conseguir um estilo de vida mais emocionalmente saudável,  que nos levará a sucessos maiores, tanto pessoais quanto profissionais.

Para isso, podemos seguir cinco regras práticas, inspiradas nas ideias de Csikszentmihalyi, professor de Psicologia na Universidade de Claremont (Califórnia) e especialista em questões relacionadas à felicidade e ao bem-estar subjetivo.

1. Conheça seus objetivos, procure ser coerente e meça os progressos.

Trata-se de estabelecer metas atingíveis e ir aumentando progressivamente os nossos desafios. Ter claras nossas metas e nossos desejos é fundamenta para aproveitar a vida, pois “quem sabe quais são os seus desejos e trabalha com o propósito de consegui-los é uma pessoa cujos sentimentos, pensamentos e ações são congruentes entre si e, portanto, é uma pessoa que conseguiu a harmonia interior”.  A vida não é só um conjunto de coisas que acontecem, mas também um conjunto de coisas que queremos que aconteçam.

 2. Contra o fracasso, a perseverança.

Claro, é preciso querer e estar disposto a “perseverar, apesar dos obstáculos”. E ter claro que “a satisfação não depende do que você faz, mas como você faz”, pois a forma de fazer algo pode nos manter concentrados, aproveitando o momento, ou nos deixar estressados, aborrecidos, desesperados.

3. Os contratempos são desafios!

Transforme a adversidade em um desafio que possa lhe proporcionar satisfação. Csikszentmihalyi vê esta característica como a virtude “mais útil e mais necessária para a sobrevivência – e com mais possibilidade de fazer melhorar a qualidade de vida”.

4. Somos parte de um mundo que não nos pertence.

Existem qualidades muito importantes que devem ser praticadas, como, por exemplo, a autoconfiança sem egoísmo e a humildade. Aqueles que conseguem a satisfação em seus desafios não destinam suas energias “a dominar o que está ao seu redor, mas a encontrar a maneira harmoniosa de funcionar dentro do seu entorno”. Isso nos leva à conclusão que é melhor não buscarmos somente os nossos próprios interesses, mas estarmos dispostos a inserir-nos no sistema e pensarmos em um sistema global. 

5. Contra os obstáculos, soluções alternativas.

Não se frustre diante do fracasso ou da adversidade. É comum focarmos nossa atenção nos obstáculos que impedem nossas metas. Certamente, é melhor ter uma visão mais ampla para descobrirmos soluções alternativas. Também é preciso ampliar o olhar para darmos ao problema a importância relativa que ele tiver.

O poderoso significado da medalha de São Bento!

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, SÃO BENTO

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça … que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

Planejamento financeiro da família católica

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Como uma família pode ter sua “saúde financeira” com todos os gastos demandados em nossos dias? Em que consiste um planejamento financeiro familiar católico?

Para esta importante série de publicações convidamos nosso querido amigo Marcos Lopes, presidente do Centro Anchieta, para falar sobre planejamento financeiro familiar. Nesta primeira postagem veremos a importância de fazê-lo e em que está fundado.

“O valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Por meio de seu trabalho, o homem participa da obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor.” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, 2460)

Nossa Santa Igreja Católica aponta o caminho que devemos percorrer em busca da santidade – o que abarca os ensinamentos de Deus para uma vida familiar equilibrada, inclusive em termos financeiros. Não confundamos, porém, a busca de equilíbrio financeiro familiar com a “teologia da prosperidade”. Diferentemente desse conceito de riqueza, condenado por nossa igreja, é justo que as famílias se organizem e planejem suas atividades para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta série de publicações tentará responder algumas perguntas:

  • Como uma família pode (man)ter sua “saúde financeira” com todos os gastos demandados em nossos dias?
  • Em que consistiria um planejamento financeiro familiar católico?

A família e a vida econômica

Uma “nova” família é formada a partir do Matrimônio, logo, deve ser estruturada a tornar-se independente. Isso significa não depender emocional e financeiramente dos pais, mas, ao mesmo tempo, não quer dizer descuidar das famílias de origem.
A outra mensagem apreendida do Evangelho é a de que na relação homem-mulher todos os esforços e conquistas são de ambos. O casal deve compartilhar tudo, pois são “uma só carne”, mantendo sempre a transparência e estabelecendo planos conjuntamente, com base em seus objetivos de vida.

Pobreza e riqueza

O artigo 329 do CDSI aponta que “as riquezas realizam a sua função de serviço ao homem quando destinadas a produzir benefícios para os outros e para a sociedade. ‘Como poderíamos fazer o bem ao próximo – interroga-se Clemente de Alexandria – se todos não possuíssem nada?’. Na visão de São João Crisóstomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir mérito partilhando com os outros. Elas são um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve usá-lo e fazê-lo circular, de sorte que também os necessitados possam fruir; o mal está no apego desmedido às riquezas, no desejo de açambarcá-las.”.

O artigo 2459 do CIC orienta ao católico o seguinte: “O próprio homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida econômica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos de fato cheguem a todos, conforme a justiça e com a ajuda da caridade”.

Como criar bons hábitos

O padre dominicano Antonio Royo-Marín esclarece que “é um fato perfeitamente comprovável na prática que ao se repetir uma série de atos correspondentes a uma determinada atividade, adquire-se pouco a pouco o hábito de realizá-la cada vez com maior facilidade”(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100). Já Charles Duhigg, em seu livro “O Poder do Hábito”, afirma que “centenas de hábitos influenciam nossos dias – eles orientam o modo como nos vestimos de manhã, como falamos com nossos filhos e adormecemos à noite; eles afetam o que comemos no almoço, como realizamos negócios e se vamos fazer exercícios ou tomar uma cerveja depois do trabalho”(DUHIGG, 2012, p.283). O padre Royo-Marín complementa que “se esses atos são maus, adquire-se um mau hábito, que em teologia moral recebe o nome de vício (por exemplo, o vício da embriaguez)”(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100).

Ao trazermos a discussão sobre hábitos para nossas ações econômicas, Adolpho Lindenberg afirma que tais ações para serem “profícuas supõem, em boa medida, que a população tenha hábitos de trabalho intenso, poupança e vida austera.”(LINDENBERG, 2017, p. 163). Contudo, no Brasil, é de se lamentar que não se ensine economia doméstica e finanças nas escolas e, como consequência, não se observe uma cultura de planejamento e estabelecimento de objetivos e metas familiares. Some-se a isso a percepção majoritária dos brasileiros de que o “governo” deve prover “tudo a todos”.

Conforme indica Duhigg “[…] para modificar um hábito, você precisa decidir mudá-lo. Deve aceitar conscientemente a dura tarefa de identificar as deixas [oportunidades] e recompensas que impulsionam as rotinas do hábito e encontrar alternativas. Você precisa saber que possui o controle e ser autoconsciente o bastante para usá-lo.” (DUHIGG, 2012, p. 283). Todavia, é fato que enfrentaremos dificuldades impostas ou incentivadas, explícita ou subliminarmente, pelo “mundo moderno” para modificar maus hábitos.

(Maus) Hábitos da vida moderna

Individualismo

Primeiro, os “sonhos individuais” de homem e mulher (carreira, viagens, cuidados com o corpo, etc) tendem a ser priorizados em detrimento de se ter filhos e da dedicação necessária quanto a uma criação cristã da prole. Em decorrência disso, e de outros fatores relacionados, os Matrimônios ocorrem cada vez em menor número e mais tarde, diminuindo a fertilidade dos casais.

Moradias supervalorizadas e apertadas

Segundo, além de mais caras, as residências (casas e apartamentos) tendem a ser cada vez menores, como consequência da redução das famílias e da quantidade de seus membros.

Crise do sistema educacional

Terceiro, mesmo com uma qualidade de educação sofrível (e piorando – nosso país ocupa as piores posições nas avaliações internacionais), os custos com educação são cada vez maiores.

Cultura do descartável

Quarto, há um super-estímulo ao consumo de bens supérfluos. Tal realidade relega a segundo plano o hábito da poupança e do investimento para retornos em médio e longo prazos. Tal como aponta o CDSI em seu artigo 360:

“o fenômeno do consumismo mantém uma persistente orientação mais para o ‘ter’ do que para o ‘ser’. Ele impede de ‘distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura'[…].”.

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, afirma que

“[…] uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. Se a família é tão importante para a civilização do amor, isto se deve à especial proximidade e intensidade dos laços que nela se instauram entre as pessoas e as gerações.  Apesar disso, ela continua vulnerável e pode facilmente sucumbir aos perigos que enfraquecem ou até destroem a sua união e estabilidade. Devido a tais perigos as famílias cessam de testemunhar a favor da civilização do amor e podem até mesmo tornar-se a sua negação, uma espécie de contratestemunho[…] (CF, 13)”

(AQUINO, 2016, p. 22).

Hoje em dia, a vida moderna e todas as suas influências antinaturais colocam contra a parede as famílias que querem viver conforme Cristo.

Enfraquecimento dos laços afetivos

Nos dias atuais “[…] a família está reduzida à expressão mais simples: pai, mãe e um ou dois filhos. E, mesmo entre estes, os laços afetivos estão incomparavelmente mais enfraquecidos, se comparados aos que existiam no passado. Separação de bens, convicção mútua de que o divórcio é uma possibilidade real a cada momento, falta de diálogo entre marido e mulher, e quantas coisas mais tornam a relação matrimonial quebradiça e monótona.” (LINDENBERG, 2017, p. 167).

Ademais, “[…] o hábito de todos assistirem horas seguidas à TV, no dia-a-dia, [além de expor pais e filhos a conteúdo muitas vezes contrário à moral católica e de incentivar o consumo desregrado], praticamente eliminou as conversas e o aconchego familiares, transformando o relacionamento entre pais e filhos em meras trocas de informações.”(LINDENBERG, 2017, p. 168).

Esses momentos de reunião, cada vez mais raros, seriam ideais para que a família cultivasse o hábito da oração e planejasse seus objetivos de curto, médio e longo prazos. As famílias deveriam exercitar o vislumbre do que desejam como projetos de vida e, a partir daí, os passos necessários para alcançarem seus objetivos.

Como planejar qualquer coisa se não se sabe aonde se quer chegar e quais caminhos há e se pode percorrer? Queda-se, assim, refém do acaso. A Divina Providência sempre age por nós, porém somos responsáveis por nossas escolhas e colhemos (ou não) os frutos das árvores que cultivamos.

Agora que já sabemos os motivos para se realizar um bom planejamento financeiro familiar e no que está fundado, no próximo texto tentarei dar boas diretrizes para bem fazê-lo. Até lá!

(via Lírio entre espinhos)