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FORMAÇÕES

“Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”, viral que tem contagiado a internet

Por | DESTAQUES, FORMAÇÕES, NOTÍCIAS

Circula na rede um texto extraordinário atribuído ao psiquiatra Luís Rajos Marcos. Vale a leitura e a meditação.

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas.

As estatísticas:

– 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
– um aumento de 43% no TDAH foi observado;
– um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
– um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?

As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:

pais emocionalmente disponíveis;
limites claramente definidos;
responsabilidades;
nutrição equilibrada e sono adequado;
movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:

– pais digitalmente distraídos;
– pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
– um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por
obtê-lo;
– sono inadequado e nutrição desequilibrada;
– um estilo de vida sedentário;
– estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

O que fazer?

Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:

– Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
– Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
– Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
– Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
– Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
– Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
– Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade
(dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.).

– Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
– Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente
contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
– Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
– Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
– Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.

– Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
– Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
– Estar emocionalmente disponível para se conectar com crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
– Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
– Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
– Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
– Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.

E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!

Dr. Luís Rajos Marcos
Médico Psiquiatra

A doutrina católica a respeito da santidade

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”. Nesta pregação, deixe-se guiar pela grande mestra da oração, Santa Teresa de Ávila, e aprenda você também a trilhar o caminho da perfeição e da amizade com Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
 (Mt 5,1-12)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Embora a plena bem-aventurança do homem só possa ser alcançada no Céu, já nesta vida as pessoas podem chegar a uma tal comunhão com Deus, a ponto de serem chamadas verdadeiramente “santas”.

Essa, que é a doutrina católica a respeito da santidade, foi radicalmente negada pela teologia protestante, no século XVI. Para Martinho Lutero e seus seguidores, de fato, não é possível que uma pessoa se livre de seus pecados e defeitos nesta vida. Pela fé, o homem justificado não teria os seus pecados apagados, mas tão somente encobertos. É o que está na Declaração Sólida da Fórmula de Concórdia, um dos primeiros compêndios do luteranismo: “Os justificados são declarados e imputados justos e piedosos pela fé e por causa da obediência de Cristo (…), ainda que, por conta de sua natureza corrompida, eles ainda sejam e permaneçam pecadores até o túmulo” [1].

A maior prova de que essa teoria protestante está errada se encontra justamente na vida dos santos católicos, homens e mulheres que se livraram de todos os seus egoísmos e alcançaram a perfeição da caridade, “ainda neste desterro”.

Para compreender em que consiste essa santidade e como chegar a ela, vale servir-se da vida e da obra de uma grande doutora da Igreja, contemporânea a Lutero: Santa Teresa de Ávila.

Em sua obra Castelo Interior, Teresa compara a alma humana a “um castelo todo de diamante ou de cristal muito claro onde há muitos aposentos, tal como no céu há muitas moradas (cf. Jo 14, 2)” [2], e em cujo centro está o próprio Deus – sustentando o ser dos homens e dando-lhes a vida natural.

Quanto à vida sobrenatural, porém, um pode achar-se (a) ou em estado de graça (b) ou em pecado mortal:

“Gostaria que considerásseis o que será ver esse castelo tão resplandecente e formoso, essa pérola oriental, essa árvore de vida plantada nas próprias águas vivas da vida, que é Deus, quando cai em pecado mortal. Não há treva tão tenebrosa, nem coisa tão escura e negra que se lhe compare.

Basta dizer que o próprio Sol, que lhe dava tanto resplendor e formosura, se encontra ainda no centro da alma, mas é como se isso não acontecesse. Assim como o cristal pode refletir o esplendor do sol, a alma ainda é capaz de fruir de Sua Majestade. Todavia, isso não a beneficia em nada, daí decorrendo que todas as boas obras que fizer, estando ela em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar a glória. Isso porque não procedem do princípio pelo qual nossa virtude é virtude – Deus –, mas nos apartam Dele, não podendo ser agrádeveis aos Seus olhos.

(…)

Assim como são claros os pequenos arroios que brotam de uma fonte clara, assim também é uma alma que está em graça, razão pela qual suas obras são tão agradáveis aos olhos de Deus e dos homens. Porque elas procedem dessa fonte de vida na qual, à semelhança de uma árvore, a alma está plantada; e ela não teria frescor nem fertilidade se não estivesse ali, sendo a água a responsável pelo seu sustento e pelos seus bons frutos. Quanto à alma que por sua culpa se afasta dessa fonte e se transplanta a outra de águas sujas e fétidas, não produz senão desventura e imundície.

Deve-se considerar aqui que a fonte, aquele sol resplandecente que está no centro da alma, não perde seu resplendor e formosura. Ele continua sempre dentro dela, e nada pode tirar-lhe o brilho. Mas, se sobre um cristal que está ao sol se puser um pano espesso e negro, claro está que, embora o sol incida nele, a sua claridade não terá efeito sobre o cristal.” [3]

A quem entrou nos primeiros aposentos, embora esteja no interior do castelo, nem sempre é dado contemplar a sua magnificência – debilitado que está por seus defeitos, arrastado que é por seus vícios e perturbado que se acha por suas paixões desordenadas –, a não ser que, interiorizando-se, entrando em si mesmo, vá se aproximando cada vez mais de Deus, que está no íntimo de seu ser [4].

Para tanto, é necessário recorrer constantemente à oração, determinando-se a nunca abandoná-la, até que se atinja a meta [5]. A oração de que aqui se fala, contudo, não são essas manifestações exteriores e sentimentais, que se encontram muitas vezes nos chamados “grupos de oração”, senão aquela que conduz a uma verdadeira reflexão:

“Pelo que posso entender, a porta para entrar nesse castelo é a oração e reflexão. Não digo oração mental mais do que vocal; para haver oração, é necessária a reflexão (consideración). Não chamo oração aquilo em que não se percebe com quem se fala e o que se pede, nem quem pede e a quem; por mais que se mexam os lábios, não se trata de oração.” [6]

De morada em morada, então, a alma cristã vai progredindo na vida da santidade, saindo do amor servil – que se limita ao mero cumprimento dos Mandamentos –, passando pelo amor filial – característico das almas mais generosas –, até chegar, enfim, ao amor esponsal – quando criatura e Criador se unem tão intimamente, a ponto de ela ver-se transformada no objeto do seu amor [7]. Nessas moradas mais elevadas, a alma desposada por Cristo é capaz de repetir com São Paulo: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Essa doutrina católica a respeito da santidade mostra a essência da liberdade, pois, neste cume a que chegam alguns santos, eles, verdadeiramente livres, são incapazes de cometer a mínima ofensa contra Deus. Longe de ser um ideal inatingível nesta vida, porém, essa doutrina de perfeição é uma realidade possível e acessível a todos. Sejamos, pois, santos, assim como o nosso Pai o é (cf. 1 Pd 1, 16).

Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-doutrina-catolica-a-respeito-da-santidade

Referências

  1. The Solid Declaration of the Formula of Concord, III, 22.
  2. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 1.
  3. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 2, 1-3.
  4. Cf. Santo Agostinho, Confissões, X, 27 (PL 32, 795).
  5. Cf. Caminho de Perfeição, XXI, 2.
  6. Cf. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 1, 7.
  7. Cf. Ricardo de S. Vítor, Comentário ao Cântico dos Cânticos, Prólogo (PL 196, 408).

O que fazer se a Sagrada Comunhão cair no chão durante a Missa?

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

As diretrizes da Igreja levam em conta o respeito que devemos ter em relação à presença de Jesus na Eucaristia

Às vezes, durante a distribuição da Sagrada Comunhão na Missa, a hóstia pode cair no chão. A gente sempre toma os devidos cuidado e respeito para que isso não aconteça, né? Mas pode acontecer. E talvez nem seja intencionalmente; um momento de distração ou emoção diante da Sagrada Eucaristia é suficiente para deixarmos o Corpo de Cristo cair no chão. Nessa hora, é preciso manter a serenidade e o respeito.

O padre, o diácono e o ministro são encarregados de velar para que o Corpo e o Sangue de Cristo sejam tratados com a devida reverência. A Instrução Geral do Missal Romano determina o que eles devem fazer caso a hóstia sagrada seja derrubada:

“Se cair no chão alguma hóstia ou partícula, recolhe-se reverentemente. Se acaso se derramar o Sangue do Senhor, lava-se com água o sítio em que tenha caído e deita-se depois essa água no sumidouro colocado na sacristia” (IGMR, 280).

O sumidouro, também chamado de sacrarium, em latim, é uma pia especial, cuja água vai diretamente para o solo. Deste modo, os resíduos de elementos sagrados que precisam ser descartados pela igreja regressam à terra de forma digna e respeitosa.

Geralmente, não é possível completar todas as orientações durante a celebração da Missa. Por isso, é comum que o padre coloque um pano branco sobre o lugar em que a hóstia caiu e o limpe adequadamente depois da Missa.

Mas por que tanto cuidado com as espécies sagradas? Porque a Igreja acredita veementemente nas palavras de Jesus: “este é o meu corpo e este é o meu sangue”.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica,

“Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação” (CIC 1376). 

Com isso em mente, acreditamos que o que cai no chão não é só o pão ou o vinho, mas o corpo e o sangue de nosso Salvador. Essa crença transmite tudo o que a Igreja faz em conexão com a Eucaristia, reconhecendo que Deus está realmente presente nessas espécies e que nossa resposta a estes acidentes deveria ser baseada no amor que temos ao nosso Criador.

Tchau, tristeza! São Francisco de Sales nos escreve palavras de ânimo!

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Entre os frutos do Espírito Santo, a alegria é colocada junto à caridade!

Não se pode meter um enxerto de carvalho numa pereira, pois são duas árvores de humor contrário uma à outra; tampouco se poderia enxertar a ira, nem a cólera, nem o desespero, na caridade; ao menos seria muito difícil. Quanto à ira, vimo-la no discurso do zelo; quanto ao desespero, a não ser que o reduzamos à justa desconfiança de nós mesmos, ou então ao sentimento que devemos ter da vaidade, fraqueza e inconstância dos favores, assistência e promessas do mundo, não vejo que serviço pode o divino amor tirar dele.

E, quanto à tristeza, como pode ela ser útil à santa caridade, já que entre os frutos do Espírito Santo a alegria é colocada junto à caridade? Não obstante, o grande Apóstolo assim diz: A tristeza que é segundo Deus opera a penitência estável em salvação, mas a tristeza do mundo opera a morte (Gal 3, 22; 2 Cor 7, 10).

Há, pois, uma tristeza segundo Deus, a qual é exercida ou pelos pecadores na penitência, ou pelos bons na compaixão pelas misérias temporais do próximo, ou pelos perfeitos na deploração, queixa e condolência das calamidades espirituais das almas; pois David, São Pedro, a Madalena choraram pelos seus pecados, Agar chorou vendo seu filho quase morto de sede, Jeremias sobre a ruína de Jerusalém, Nosso Senhor sobre os Judeus e Seu grande Apóstolo gemendo diz estas palavras: Muitos andam, os quais, eu muitas vezes vos disse e de novo vos digo que são inimigos da cruz de Jesus Cristo (Filip 3, 18).

Há, pois, uma tristeza deste mundo que provém igualmente de três causas:

Porquanto, 1º, provém às vezes do inimigo infernal, que, por mil sugestões tristes, melancólicas e molestas obscurece o entendimento, debilita a vontade e conturba toda a alma. E, assim como um nevoeiro espesso enche de catarro a cabeça e o peito, e por esse meio torna a respiração difícil, e põe em perplexidade o viajor, assim também o maligno, enchendo o espírito humano de pensamentos tristes, tira-lhe a facilidade de aspirar a Deus, e dá-lhe um aborrecimento e desânimo extremo, a fim que desesperá-lo e de perdê-lo. Dizem que há um peixe a que chamam diabo do mar (*) o qual, revolvendo e empurrando para cá e para lá o lodo, turva a água à volta de si, para se manter nela como na emboscada, e dela, logo que avista os pobres peixinhos, atira-se sobre eles, assalta-os e os devora, donde talvez tenha vindo a expressão pescar em água turva, de que se usa comumente. Ora, dá-se com o diabo do inferno o que se dá com o diabo do mar; pois ele arma suas emboscadas na tristeza, quando, tendo tornado a alma perturbada por uma multidão de pensamentos aborrecidos, lançados aqui e acolá no entendimento, precipita-se depois sobre os afetos, afligindo-os com desconfianças, ciúmes, aversões, invejas, apreensões supérfluas dos pecados passados, e fornecendo uma quantidade de sutilezas vãs, acres e melancólicas, a fim de que rejeitemos toda sorte de razões e consolações.

2º A tristeza procede também, outras vezes, da condição natural, quando o temperamento melancólico domina em nós, e este não é verdadeiramente vicioso em si mesmo, mas no entanto nosso inimigo serve-se dele grandemente para urdir e tramar mil tentações em nossas almas; porquanto, assim como as aranhas quase nunca fazem suas teias senão quando o tempo está encoberto e o céu nublado, assim também esse espírito maligno nunca tem tanta facilidade para armar as ciladas das suas sugestões nos espíritos doces, benignos e alegres, como nos espíritos sombrios, tristes e melancólicos; pois os agita facilmente com mágoas, suspeitas, ódios, murmurações, censuras, invejas, preguiça e entorpecimento espiritual.

3º Finalmente, há uma tristeza que a variedade dos acidentes humanos nos acarreta. Que alegria posso eu ter, dizia Tobias, não podendo ver a luz do céu? (Tob 5, 12). Assim Jacob ficou triste com a notícia da morte de seu José, e David com a do seu Absalão. Ora, essa tristeza é comum aos bons e aos maus, porém nos bons é moderada pela aquiescência e resignação à vontade de Deus; como se viu em Tobias, que, de todas as adversidades de que foi tocado, deu graças à divina majestade, e em Job, que por elas bendisse o nome do Senhor; e em Daniel, que converteu suas dores em cânticos. Pelo contrário, quanto aos mundanos, essa tristeza lhes é ordinária, e converte-se em pesares, desespero e atordoamentos de espíritos; pois eles são semelhantes às macacas e marmotas, que estão sempre sorumbáticas, tristes e zangadas por falta da lua, mas, ao contrário, à renovação desta, saltam, dançam e fazem as suas momices. O mundano é ronhento, intratável, acre e melancólico na falta das prosperidades terrenas, e na afluência destas é quase sempre fanfarrão, divertido e insolente.

De certo, a tristeza da verdadeira penitência não deve tanto ser chamada tristeza como desprazer, ou sentimento e detestação do mal, tristeza que nunca é nem aborrecida nem mal humorada, tristeza que não entorpece o espírito, mas que o torna ativo, pronto e diligente; tristeza que não abate o coração, mas o eleva pela oração e pela esperança, e o leva a fazer os rasgos do fervor de devoção; tristeza que no forte das suas amarguras produz sempre a doçura de uma consolação incomparável, consoante o preceito do grande Santo Agostinho:

Entristeça-se o penitente sempre, mas sempre se alegre com a sua tristeza. Diz Cassiano que a tristeza que opera a sólida penitência e o agradável arrependimento, da qual a gente nunca se arrepende, é obediente, afável, humilde, bondosa, suave, paciente, como sendo saída e descendente da caridade. De tal sorte que, estendendo-se a toda dor de corpo e contrição de espírito, de certo modo é alegre, animada e revigorada pela esperança do seu proveito, e retém toda a suavidade da afabilidade e longanimidade, tendo em si mesma os frutos do Espírito Santo que o santo Apóstolo narra. Ora, os frutos do Espírito Santo são: caridade, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fé, mansidão, continência (Gal 4, 22). Tal é a verdadeira, e tal a boa tristeza, que por certo não é propriamente triste nem melancólica, mas somente atenta e afeiçoada a detestar, rejeitar e impedir o mal do pecado quanto ao passado e quanto ao futuro. Nós vemos também múltiplas vezes penitências muito apressadas, perturbadas, impacientes, chorosas, amargas, suspirantes, inquietas, grandemente ásperas e melancólicas, as quais enfim se mostram infrutíferas e sem consequência de qualquer verdadeira emenda, porque não procedem dos verdadeiros motivos da virtude de penitência, e sim do amor-próprio e natural.

A tristeza do mundo opera a morte (2 Cor 7, 10), diz Apóstolo. Teótimo, cumpre pois evitá-la e rejeitá-la segundo o nosso poder. Se ela é natural, devemos repeli-la, contravindo aos seus movimentos, afastando-a por exercícios próprios para isto, e usando dos remédios e modos de viver que os próprios médicos julgarem oportunos. Se provém de tentação, devemos descobrir vosso coração ao pai espiritual, o qual nos prescrevera os meios de vencê-la, conforme o que sobre isso dissemos na quarta parte da Introdução à vida devota. Se é acidental, recorramos ao que está assinalado no livro oitavo, a fim de vermos o quanto as tribulações são amáveis aos filhos de Deus, e como a grandeza das nossas esperanças na vida eterna deve tornar quase inconsideráveis todos os acontecimentos passageiros da vida temporal.

De resto, por entre todas as melancolias que nos podem advir, devemos empregar a autoridade da vontade superior para fazermos tudo o que pudermos em favor do amor divino. Certamente há ações que dependem tanto da disposição e compleição corporal, que não está em nosso poder fazê-las a nosso gosto. Pois um melancólico não poderia manter nem os olhos, nem a palavra, nem o semblante na mesma graça e suavidade que teria se estivesse descarregado desse mau humor; bem pode, porém, embora sem graça, dizer palavras graciosas, bondosas e corteses, e, apesar da sua inclinação, fazer por força de razão as coisas convenientes em palavras e em obras de caridade, doçura e condescendência. Uma pessoa é desculpável de nem sempre ser alegre, pois não é dono da alegria para tê-la quando quiser; mas não é desculpável de não ser sempre bondosa, manejável e condescendente, pois isto está sempre no poder da nossa vontade, e para isso não é preciso senão resolver-se a superar o humor e inclinação contrária.

(*) O nome de diabo do mal aplica-se a vários peixes do Oceano e do Mediterrâneo: à arraia, à escorpena e sobretudo ao diabo marinho.

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São Francisco de Sales, Tratado do Amor de Deus, Livro décimo primeiro, capítulo XXI

5 dicas incríveis inspiradas na “psicologia da felicidade”

Por | - ULTIMAS, DESTAQUES, FORMAÇÕES

Como viver para alcançar a máxima aspiração do ser humano

Sobre a felicidade, é oportuno recordar o que disse o catedrático de psiquiatria granadino, Enrique Rojas Montes, no livro “El hombre light” [O homem light], de 1992: “a felicidade é a máxima aspiração do homem, para a qual apontam todos os vetores de sua conduta. Mas, se queremos alcançá-la, devemos buscá-la. Além disso, a felicidade não pressupõe uma descoberta no fim da existência, mas sim, durante o caminho percorrido”.

A aplicação de tudo isso não é algo feito apenas uma vez na vida; é um desafio constante. Com um pouco de prática e interesse, não é muito difícil conseguir um estilo de vida mais emocionalmente saudável,  que nos levará a sucessos maiores, tanto pessoais quanto profissionais.

Para isso, podemos seguir cinco regras práticas, inspiradas nas ideias de Csikszentmihalyi, professor de Psicologia na Universidade de Claremont (Califórnia) e especialista em questões relacionadas à felicidade e ao bem-estar subjetivo.

1. Conheça seus objetivos, procure ser coerente e meça os progressos.

Trata-se de estabelecer metas atingíveis e ir aumentando progressivamente os nossos desafios. Ter claras nossas metas e nossos desejos é fundamenta para aproveitar a vida, pois “quem sabe quais são os seus desejos e trabalha com o propósito de consegui-los é uma pessoa cujos sentimentos, pensamentos e ações são congruentes entre si e, portanto, é uma pessoa que conseguiu a harmonia interior”.  A vida não é só um conjunto de coisas que acontecem, mas também um conjunto de coisas que queremos que aconteçam.

 2. Contra o fracasso, a perseverança.

Claro, é preciso querer e estar disposto a “perseverar, apesar dos obstáculos”. E ter claro que “a satisfação não depende do que você faz, mas como você faz”, pois a forma de fazer algo pode nos manter concentrados, aproveitando o momento, ou nos deixar estressados, aborrecidos, desesperados.

3. Os contratempos são desafios!

Transforme a adversidade em um desafio que possa lhe proporcionar satisfação. Csikszentmihalyi vê esta característica como a virtude “mais útil e mais necessária para a sobrevivência – e com mais possibilidade de fazer melhorar a qualidade de vida”.

4. Somos parte de um mundo que não nos pertence.

Existem qualidades muito importantes que devem ser praticadas, como, por exemplo, a autoconfiança sem egoísmo e a humildade. Aqueles que conseguem a satisfação em seus desafios não destinam suas energias “a dominar o que está ao seu redor, mas a encontrar a maneira harmoniosa de funcionar dentro do seu entorno”. Isso nos leva à conclusão que é melhor não buscarmos somente os nossos próprios interesses, mas estarmos dispostos a inserir-nos no sistema e pensarmos em um sistema global. 

5. Contra os obstáculos, soluções alternativas.

Não se frustre diante do fracasso ou da adversidade. É comum focarmos nossa atenção nos obstáculos que impedem nossas metas. Certamente, é melhor ter uma visão mais ampla para descobrirmos soluções alternativas. Também é preciso ampliar o olhar para darmos ao problema a importância relativa que ele tiver.

O poderoso significado da medalha de São Bento!

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, SÃO BENTO

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça … que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

Planejamento financeiro da família católica

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Como uma família pode ter sua “saúde financeira” com todos os gastos demandados em nossos dias? Em que consiste um planejamento financeiro familiar católico?

Para esta importante série de publicações convidamos nosso querido amigo Marcos Lopes, presidente do Centro Anchieta, para falar sobre planejamento financeiro familiar. Nesta primeira postagem veremos a importância de fazê-lo e em que está fundado.

“O valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Por meio de seu trabalho, o homem participa da obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor.” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, 2460)

Nossa Santa Igreja Católica aponta o caminho que devemos percorrer em busca da santidade – o que abarca os ensinamentos de Deus para uma vida familiar equilibrada, inclusive em termos financeiros. Não confundamos, porém, a busca de equilíbrio financeiro familiar com a “teologia da prosperidade”. Diferentemente desse conceito de riqueza, condenado por nossa igreja, é justo que as famílias se organizem e planejem suas atividades para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta série de publicações tentará responder algumas perguntas:

  • Como uma família pode (man)ter sua “saúde financeira” com todos os gastos demandados em nossos dias?
  • Em que consistiria um planejamento financeiro familiar católico?

A família e a vida econômica

Uma “nova” família é formada a partir do Matrimônio, logo, deve ser estruturada a tornar-se independente. Isso significa não depender emocional e financeiramente dos pais, mas, ao mesmo tempo, não quer dizer descuidar das famílias de origem.
A outra mensagem apreendida do Evangelho é a de que na relação homem-mulher todos os esforços e conquistas são de ambos. O casal deve compartilhar tudo, pois são “uma só carne”, mantendo sempre a transparência e estabelecendo planos conjuntamente, com base em seus objetivos de vida.

Pobreza e riqueza

O artigo 329 do CDSI aponta que “as riquezas realizam a sua função de serviço ao homem quando destinadas a produzir benefícios para os outros e para a sociedade. ‘Como poderíamos fazer o bem ao próximo – interroga-se Clemente de Alexandria – se todos não possuíssem nada?’. Na visão de São João Crisóstomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir mérito partilhando com os outros. Elas são um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve usá-lo e fazê-lo circular, de sorte que também os necessitados possam fruir; o mal está no apego desmedido às riquezas, no desejo de açambarcá-las.”.

O artigo 2459 do CIC orienta ao católico o seguinte: “O próprio homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida econômica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos de fato cheguem a todos, conforme a justiça e com a ajuda da caridade”.

Como criar bons hábitos

O padre dominicano Antonio Royo-Marín esclarece que “é um fato perfeitamente comprovável na prática que ao se repetir uma série de atos correspondentes a uma determinada atividade, adquire-se pouco a pouco o hábito de realizá-la cada vez com maior facilidade”(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100). Já Charles Duhigg, em seu livro “O Poder do Hábito”, afirma que “centenas de hábitos influenciam nossos dias – eles orientam o modo como nos vestimos de manhã, como falamos com nossos filhos e adormecemos à noite; eles afetam o que comemos no almoço, como realizamos negócios e se vamos fazer exercícios ou tomar uma cerveja depois do trabalho”(DUHIGG, 2012, p.283). O padre Royo-Marín complementa que “se esses atos são maus, adquire-se um mau hábito, que em teologia moral recebe o nome de vício (por exemplo, o vício da embriaguez)”(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100).

Ao trazermos a discussão sobre hábitos para nossas ações econômicas, Adolpho Lindenberg afirma que tais ações para serem “profícuas supõem, em boa medida, que a população tenha hábitos de trabalho intenso, poupança e vida austera.”(LINDENBERG, 2017, p. 163). Contudo, no Brasil, é de se lamentar que não se ensine economia doméstica e finanças nas escolas e, como consequência, não se observe uma cultura de planejamento e estabelecimento de objetivos e metas familiares. Some-se a isso a percepção majoritária dos brasileiros de que o “governo” deve prover “tudo a todos”.

Conforme indica Duhigg “[…] para modificar um hábito, você precisa decidir mudá-lo. Deve aceitar conscientemente a dura tarefa de identificar as deixas [oportunidades] e recompensas que impulsionam as rotinas do hábito e encontrar alternativas. Você precisa saber que possui o controle e ser autoconsciente o bastante para usá-lo.” (DUHIGG, 2012, p. 283). Todavia, é fato que enfrentaremos dificuldades impostas ou incentivadas, explícita ou subliminarmente, pelo “mundo moderno” para modificar maus hábitos.

(Maus) Hábitos da vida moderna

Individualismo

Primeiro, os “sonhos individuais” de homem e mulher (carreira, viagens, cuidados com o corpo, etc) tendem a ser priorizados em detrimento de se ter filhos e da dedicação necessária quanto a uma criação cristã da prole. Em decorrência disso, e de outros fatores relacionados, os Matrimônios ocorrem cada vez em menor número e mais tarde, diminuindo a fertilidade dos casais.

Moradias supervalorizadas e apertadas

Segundo, além de mais caras, as residências (casas e apartamentos) tendem a ser cada vez menores, como consequência da redução das famílias e da quantidade de seus membros.

Crise do sistema educacional

Terceiro, mesmo com uma qualidade de educação sofrível (e piorando – nosso país ocupa as piores posições nas avaliações internacionais), os custos com educação são cada vez maiores.

Cultura do descartável

Quarto, há um super-estímulo ao consumo de bens supérfluos. Tal realidade relega a segundo plano o hábito da poupança e do investimento para retornos em médio e longo prazos. Tal como aponta o CDSI em seu artigo 360:

“o fenômeno do consumismo mantém uma persistente orientação mais para o ‘ter’ do que para o ‘ser’. Ele impede de ‘distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura'[…].”.

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, afirma que

“[…] uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. Se a família é tão importante para a civilização do amor, isto se deve à especial proximidade e intensidade dos laços que nela se instauram entre as pessoas e as gerações.  Apesar disso, ela continua vulnerável e pode facilmente sucumbir aos perigos que enfraquecem ou até destroem a sua união e estabilidade. Devido a tais perigos as famílias cessam de testemunhar a favor da civilização do amor e podem até mesmo tornar-se a sua negação, uma espécie de contratestemunho[…] (CF, 13)”

(AQUINO, 2016, p. 22).

Hoje em dia, a vida moderna e todas as suas influências antinaturais colocam contra a parede as famílias que querem viver conforme Cristo.

Enfraquecimento dos laços afetivos

Nos dias atuais “[…] a família está reduzida à expressão mais simples: pai, mãe e um ou dois filhos. E, mesmo entre estes, os laços afetivos estão incomparavelmente mais enfraquecidos, se comparados aos que existiam no passado. Separação de bens, convicção mútua de que o divórcio é uma possibilidade real a cada momento, falta de diálogo entre marido e mulher, e quantas coisas mais tornam a relação matrimonial quebradiça e monótona.” (LINDENBERG, 2017, p. 167).

Ademais, “[…] o hábito de todos assistirem horas seguidas à TV, no dia-a-dia, [além de expor pais e filhos a conteúdo muitas vezes contrário à moral católica e de incentivar o consumo desregrado], praticamente eliminou as conversas e o aconchego familiares, transformando o relacionamento entre pais e filhos em meras trocas de informações.”(LINDENBERG, 2017, p. 168).

Esses momentos de reunião, cada vez mais raros, seriam ideais para que a família cultivasse o hábito da oração e planejasse seus objetivos de curto, médio e longo prazos. As famílias deveriam exercitar o vislumbre do que desejam como projetos de vida e, a partir daí, os passos necessários para alcançarem seus objetivos.

Como planejar qualquer coisa se não se sabe aonde se quer chegar e quais caminhos há e se pode percorrer? Queda-se, assim, refém do acaso. A Divina Providência sempre age por nós, porém somos responsáveis por nossas escolhas e colhemos (ou não) os frutos das árvores que cultivamos.

Agora que já sabemos os motivos para se realizar um bom planejamento financeiro familiar e no que está fundado, no próximo texto tentarei dar boas diretrizes para bem fazê-lo. Até lá!

(via Lírio entre espinhos)

E se aplicássemos a Regra de São Bento em nossa vida familiar?

Por | FORMAÇÃO DE LIDERES, FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Teríamos que mudar estas 6 coisas

A Regra de São Bento é a normativa que o santo padroeiro da Europa estabeleceu para suas comunidades monásticas. Elas deveriam preservar a civilização, a cultura, a paz e o amor num contexto de violência, corrupção e saqueamento que marcava o Império Romano.

Seus 73 capítulos, guiaram, durante 15 séculos, a vida de dezenas de milhares de homens e mulheres em centenas de comunidades de todo o mundo. Podemos considerá-la uma “fórmula comprovada” de como viver como cristãos em comunidade.

E se tentássemos aplicar a Regra na vida familiar do século XXI? As famílias cristãs desse século também tentam ser como os mosteiros do século V, ou seja, ilhas de paz, amor e respeito a Deus, cercadas por um ambiente exterior hostil, bárbaro e impiedoso, que vive de criar ruínas e saqueá-las.

Esta é a tese de um livro de 2014 do sacerdote beneditino Massimo Lapponi, publicado na Itália com o título de “São Bento e a vida familiar” (Libreria Editrice Fioentina, versão em espanhol em ebook e WordPress aqui).

Ele destaca que a Regra Beneditina, quando aplicada à vida familiar, produziria mudanças nestas seis áreas:

1) Mudanças no trabalho

Como num mosteiro (com seu ora et labora), todos deveriam ajudar nos afazeres domésticos, aceitariam os trabalhos e os encarariam como um serviço como outro qualquer. Além disso, ficaria claro que a vida profissional não deveria ser mais importante do que a vida familiar.

Os filmes e as brincadeiras deveriam ser compartilhados com todos. Existiriam desafios de recreação e brincadeiras comuns depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para nos encontrarmos e descansarmos. “O repouso é um momento de comunhão com Deus e com as almas e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

2) Mudanças nos momentos de descanso

Os filmes e os jogos seriam compartilhados com todos. Existiriam momentos de recreação e brincadeiras comunitárias depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para descansar. “O Repouso é um tempo de comunhão com Deus e com as almas, e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

3) Mudanças nas refeições

Rezaríamos antes das refeições. E todos os membros da família comeriam juntos, não em horas diferentes ou em salas e quartos separados. Seria um momento de conversa, de troca de ideias e experiências. O ato de fazer uma refeição com todos reunidos ajuda a família, não somente porque dizem os beneditinos, mas também porque isso foi comprovado em vários estudos sociológicos. Mas, para isso, a TV deve estar desligada.

4) Mudanças nos hábitos de consumo

Uma família “ao estilo beneditino” evitará o luxo e a superficialidade. Não encherá os quartos dos filhos de coisas e brinquedos. Será estabelecida uma grande sobriedade no uso dos aparelhos eletrônicos, tanto entre os pais, quanto entre os filhos (horários de telas apagadas, limitar o uso de telas etc). A família tentará fazer com que o uso de aparelhos eletrônicos seja comunitário: melhor ver juntos uma película do que cada um ir jogar um game diferente em seu dispositivo particular. De qualquer forma, reduzindo o tempo de exposição a esses dispositivos, a leitura e o diálogo serão fomentados.

5) Mudanças na vida de oração

Haveria um lugar e um horário para rezar. Pode ser um pequeno altar para a oração comunitária. Mas a “invasão mundana” deverá ser bloqueada, criando um clima em que pais e filhos possam se encontrar com Deus todos os dias.

6) Mudanças na caridade e solidariedade

A família tentará evitar centrar-se ou fechar-se em si mesma: será acolhedora, buscará aliviar os sofrimentos alheios, colocará os filhos em contato com os menos favorecidos.

Dessa forma, Massimo Lapponi incentiva os leitores a colocar essas medidas em prática. “As famílias de hoje são chamadas a ser ilhas luminosas de fé, de educação no seu bairro, no colégio, no supermercado, no parque, com os amigos… Trata-se de construir o futuro, como fizeram os filhos de São Bento, buscando a Deus”, disse o autor.

Lapponi apresenta o livro com uma citação de São Cipriano: “Não falamos de grandes coisas; apenas as vivemos”.

Artigo originalmente publicado por Religión en Libertad, traduzido e adaptado ao português

Parábola da indecisão

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Leia até o final

Havia um grande muro separando dois grandes grupos.

De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus.

Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que não servem a Deus.

E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão, mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco os prazeres do mundo.

O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem parar para ele:

– Ei, desce do muro agora… Vem pra cá!

Já o grupo de Satanás não gritava e nem dizia nada. Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a Satanás:

– O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês?

Grande foi a surpresa do jovem quando Satanás respondeu:

– É porque o muro é MEU.

* * *

Reflexão:

Nunca se esqueça: não existe meio-termo.

O muro já tem dono.

Pense nisso.

(via Totus Mariae)

A pilha de louça

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Um amontoado de sentimentos para serem limpos e organizados

Nossa vida é corrida, todo mundo quer tudo para ontem, como se o mundo fosse acabar. Isso acontece em todos os aspectos: relações, no trabalho, nos compromissos etc.

Nesse período tenso, pelo volume e intensidade de afazeres, eu deixei uma louça quase uma semana na pia. Nada que alguém já não tenha feito, mas ela me fez refletir.

A louça é como os nossos sentimentos. Pode ser pela vida ultra-atarefada que vivemos, pode ser porque só estamos evitando conflitos, pode ser pelo motivo (ou desculpa) que você quiser encaixar melhor aqui.

O fato é que cada vez mais estamos deixando as coisas para depois. Não que isso seja necessariamente ruim. Um pouquinho de preguiça, de vez em quando, também pode fazer bem, vai! Mesmo assim, é preciso coragem.

A Elizabeth Gilbert já disse uma vez que coragem é fazer algo que nos cause medo. Não precisamos começar a ser mais corajosos pulando de bungee jump. A gente precisa começar mesmo se conhecendo melhor. É, talvez isso seja até mais difícil que uma aventura radical. Fácil nunca vai ser, mas é preciso dar o primeiro passo.

Assim como a louça que a gente negligencia, colocando uma ou duas peças a mais por dia, os nossos sentimentos e opiniões também vão se empilhando. Ah, só mais um prato hoje. Ah, só mais uma lágrima amanhã. Quando você para mesmo para olhar, o que eram apenas alguns talheres se transformaram em uma montanha de coisas sujas.

Descobri que, quando efetivamente decidimos enfrentar todo esse entulho, nem sempre é tudo aquilo que a gente imaginou. A minha louça física parecia gigantesca ao final da semana, quando eu olhava de longe. Entretanto, quando eu arregacei as mangas, tendo a espoja em uma mão, e o detergente na outra, eu soube que eu acabaria com ela ali mesmo. Um tempo depois de iniciar, eu percebi que ela era bem menor do que imaginava; 20 minutos foram suficientes para deixar a pia tinindo.

O simples garfo de hoje é o jogo de talheres de amanhã. Seguindo essa lógica, também é pertinente citar que, quando a gente simplesmente joga as coisas lá na pia, elas ficam assim desorganizadas e, assim, sempre vão parecer muito maiores do que realmente elas representam.

Jogar de um lado para outro não resolve, só acumula.

Nós somos os responsáveis por isso. Cabe a nós resolver isso. Eu também sei que, às vezes, a gente não consegue dar conta disso sozinho porque a nossa pilha de louça acabou sendo muito maior do que nós mesmos. É nessas horas que a gente vai precisar pedir ou buscar por alguma ajuda.

Uma faxineira por vezes é tudo o que precisamos. São elas que vão nos ajudar a deixar tudo limpo e no seu respectivo lugar. Não conseguir fazer isso por conta própria, não é vergonhoso ou digno de pena. Cada um é diferente. Uns conseguem, outros não. Só nós é que sabemos a dor e a delícia de ser quem somos.

Vamos evitar aglomerar nossos sentimentos. Reservar um tempo para nós mesmos é suficiente para deixar tudo em dia. E, se percebermos que já não estamos mais dando conta, vamos mostrar para a vida quem é que manda nela fazendo aquele faxinão para ninguém botar defeito.

E que tal se, invés de se matar limpando aquela panela de arroz queimado, jogarmos ela fora e comprarmos outra? Às vezes não vai valer a pena mesmo, então porque não recomeçar com uma nova?

A pilha de louça é minha, então eu faço dela o que eu quiser e tudo o que puder para ela não se criar.

(Adaptado de Obvious)

Gaudete et Exsultate – Alegrai-vos e Exultai

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

No dia 09 de abril, o Vaticano publicou a mais recente exortação apostólica do Santo Padre Francisco, a Gaudete et exsultate Alegrai-vos e Exultai  que fala sobre a chamada à santidade no mundo atual. O Para Francisco logo no inicio do documento afirma que o objetivo dele é fazer “ressoar mais uma vez a chamada à santidade”. Todos possuímos este chamado é com o coração aberto que devemos acolher mais este alerta da Igreja a todos nós cristãos.

A exortação apostólica Gaudete et exsultate pode ser encontrada na íntegra no link: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html

10 dicas para ensinar seu filho a se proteger

Por | FORMAÇÕES

Proteger os nossos filhos é importante; ensiná-los a se proteger é essencial.

Todo pai se preocupa com o bem-estar e a segurança de seu filho. Comprovou-se até mesmo que, quando nos tornamos mães ou pais, algumas mudanças acontecem no nosso cérebro que potencializam o nosso cuidado com a proteção dos pequenos. No entanto, se protege-los é importante, ensiná-los a se protegerem é essencial, porque com o seu crescimento eles sairão cada vez mais debaixo de nossas asas e viverão de forma independente. Confira essa lista de atitudes que seu filho precisa aprender para saber como cuidar de si mesmo:

Não abrir a porta quando estiver sozinho em casa: o seu filho precisa saber que se alguém toca a campainha quando ele estiver sozinho, o melhor é não atender. É importante também tomar cuidado com telefonemas.

Pedir ajuda se alguém pratica bullying com ele: o bullying pode ocorrer em qualquer fase da infância e da adolescência. Seu filho precisa saber que, se ele for vítima de brincadeiras humilhantes, pedir ajuda não é um sinal de fraqueza. Ele não pode fazer do bullying o seu segredo. Lutar contra essas práticas, mais do que algo que possa ser interpretado como paternalismo, é lutar contra uma violência sistêmica perpetrada nas escolas pelos próprios alunos.

Não se deixar tocar: a criança precisa saber desde cedo que o seu corpo é seu e que ninguém tem direito a tocá-lo. É necessário deixar claro que beijos, carícias e abraços são coisas que acontecem entre pessoas que se conhecem bem e que se amam. Nesse sentido, forçar a criança a beijar ou abraçar pessoas que não conhecem é um tiro no pé. Além disso, é importante explicar que certas partes do corpo não podem ser tocadas mesmo por pessoas próximas e que, se isso acontecer, é necessário dizer não e prestar queixa aos pais.

Ter sempre consigo o endereço de casa e o telefone dos pais: não é tão difícil assim perder de vista uma criança no meio da multidão. O seu filho precisa saber que, se isso acontecer, o melhor é que ele fique no lugar onde está e peça a ajuda de um adulto – de preferência para pais e mães com filhos. Por isso, é importante memorizar ou ter um cartão com o número de telefone dos pais e o endereço de casa.

Olhar para os dois lados ao atravessar a rua: para você é óbvio, mas o seu filho está aprendendo a viver. Explique a ele que deve sempre respeitar os semáforos, atravessar na faixa e olhar para os dois lados antes de atravessar.

Saber a diferença entre os bons e os maus segredos: abusadores e pedófilos costumam perpetuar seus abusos pedindo às crianças que guardem segredo. Explique a seu filho que existe um contexto para que um segredo seja algo legítimo. Segredos que incomodam, que dão medo e causam preocupação não devem ser guardados. Garanta a seu filho que ele não sofrerá repreensão se contar esse tipo de coisa.

Navegar na internet com segurança: quando o seu filho tiver idade para usar a internet, deixe claro que não se deve fornecer informações pessoais nem estabelecer contato com pessoas que ele não conhece pessoalmente. É importante que pais e filhos desenvolvam desde cedo uma relação de confiança, para que as crianças se sintam livres para contar qualquer coisa de estranho que vejam na internet.

Não sair da escola com desconhecidos: é importante que o seu filho saiba que não deve passear com desconhecidos, mesmo que eles se apresentem como amigos. Crianças pequenas estão desenvolvendo a sua percepção da realidade e não é tão difícil que entrem no carro de um desconhecido que se diga enviado pelos pais ou parente de algum colega de escola. Deixe claro que mesmo que você se atrase para buscá-lo, seu filho deve esperá-lo na escola.

Saber dizer “não”: seu filho deve saber que, se alguém está fazendo com ele algo que não acha certo, ele tem o direito de dizer “chega!” com determinação e coragem. Fugir, gritar e pedir ajuda de outras pessoas é algo que pode evitar acontecimentos bem ruins.

Brincar com segurança: vários acidentes de infância acontecem durante as brincadeiras. Por isso, é importante que seu filho saiba manter distância de objetos cortantes e situações perigosas. Ele não deve se sentir obrigado a assumir determinados papéis nas brincadeiras apenas por pressão de outras crianças.

Com informações de Aleteia.

Sede Perfeitos: No Amor – Parte III – Monica Tinti

Por | DESTAQUES, FORMAÇÕES

Parte III

“Sede perfeitos, assim, como vosso pai celeste é perfeito”  Mt 5,48

Aqueles que buscam amar com perfeição, amam muito mais. Pouco se importam de serem queridos ou não, porque não veem em si mesmos motivos para serem queridos ou apreciados. São livres de sentimentalidades. Quando alguém os têm por estima, por pessoa querida, apreciada; logo remete esse bem querer a Deus. Se sou querido é porque Deus me ama.

Quando os inimigos o prejudicam, desejam continuar amando. E que combate se trava aqui! Sabemos que por nós mesmos não conseguimos graça alguma, não conseguimos amar, a quem nos traiu, ofendeu ou nos tenha decepcionado. Assim, nos esforçamos muito para continuar amando, buscando avançar nas virtudes e progredir no amor.

Sabemos claramente que se nos faltam as virtudes é impossível amar. É impossível amar sem o grande amor de Deus em nós.

Quando almejamos este amor perfeito, nossa forma de amar se transfigura. Assim, quando amamos passamos para além dos corpos, daquilo que a pessoa pode nos oferecer, e assim fixo o olhar na alma, procuramos ali algo para amar. Se não o houver, buscamos indícios, virtudes, algo de bom, procuramos e não nos cansamos até encontrar algo de bom naquela alma que mereça o nosso amor.

Não se poupa esforço em amar, tendo em vista o valor das coisas terrenas que é bem claro para aqueles que buscam amar com perfeição. Assim, ninguém os engana, ninguém os seduz, ninguém lhes tira dos olhos o caminho perfeito. Tem nitidamente claro os prejuízos e os ganhos que pode alcançar.

Para aqueles que desejam gozar das coisas do mundo, seus prazeres, honras e riquezas, a “caricatura do amor” que o mundo lhes oferece é cada vez mais danosa. Ao ponto de se experimentar um “amor egoísta” que busca apenas sua felicidade e seus próprios interesses, a culminar em sua própria ruina.

O valor das coisas eternas ao contrário é custoso. Quanto vale uma alma para Deus?

Vale muitas lágrimas, tudo que se deseja é que chegue ao caminho de perfeição e que caminhem juntos ao encontro do Amor.

Que Deus nos livre destes “amores desastrados, imperfeitos, que há no mundo, e que levam as pessoas ao engano e a perdição de si mesmas.

Que Deus nos livre de tratar os outros com fingimento, indiferença impaciência e desamor. Que antes possamos ter zelo e caridade uns para com os outros, encomendando a Deus os defeitos que vemos espelhado no outro.

Exercitemos o amor fraterno com grande perfeição praticando com perseverança e coragem a virtude oposta que julgamos ver no outro.

Desejosos que todos tenham o amor de Deus e sintam-se amados por Ele, comecemos a amar, a amar com toda perfeição.

No princípio não será tão perfeito assim, mas aos poucos o Senhor irá aperfeiçoando nosso amor e nossa forma de amar.

Através de nossa demonstração de ternura, afeto, compaixão uns para com os outros o Senhor nos sustentará e nos fará progredir em seu amor.

Praticar diariamente a virtude oposta que resplandece no outro, é um excelente exercício rumo a perfeição.

Em todas as virtudes observar as regras e como melhor podemos vivê-la.

Assim, em tudo que fizermos o Senhor tornará mais puro.

Amando e vivendo juntos, nos alegraremos e louvaremos ao Senhor pelo progresso que nos fazem as virtudes.

Que grande graça é Amar!

Que grande graça é experimentar o carisma e o amor, que nos aproximam dos outros, através de um amor puro e sincero.

Que o Senhor nos conceda a graça de a cada dia vivê-lo com zelo e Fidelidade.

Santifica-te- e Santifica!

Monica – CF

Sede Perfeitos: No Amor – Parte II – Monica Tinti

Por | DESTAQUES, FORMAÇÕES

Parte II

“Sede perfeitos, assim, como vosso pai celeste é perfeito”  Mt 5,48

Os caminhos que o Senhor conduz as almas são repletos de Seu amor. Caminhar pela via do amor, trata-se de grandiosíssima perfeição.

Na claridade desta via, o Senhor em todo seu amor se revela, demonstrando claramente a nós o que é o mundo, o que é a pessoa, que existe um céu; e que a diferença entre um e outro é que um é eterno e o outro apenas um sopro. Ele é o Criador e nós criatura, que não há amor maior que o Dele, e que somente Dele provém toda a graça sobre aqueles que se deixam instruir por Ele.

Obtém assim, grandiosíssimo proveito aqueles que se permitem amar, transbordando amor direto da fonte do Amor.

Satisfaz nosso carisma assemelhar-nos ao amor perfeito.

O autodomínio, o equilíbrio que nosso carisma traz em perfeição, nos auxilia em dominar nossas próprias paixões, os bens, os prazeres e tudo o que o mundo pode dar. Assim somos profundamente agraciados a dar ao invés de receber.

Quando as almas perfeitas amam a alguém, desejam ardentemente que o amigo tenha o amor de Deus, para ser também amado por ele, sabem que de outro  modo o amor não é durável”  Santa Tereza de Ávila.

Continua na próxima segunda feira…

Santifica-te- e Santifica!

Monica – CF

O sabor do céu – Vida Comunitária

Por | DESTAQUES, VIDA COMUNITARIA

Se pudermos comparar a experiência do céu aqui na terra, a Comunidade é este lugar.
Nele o Senhor nos dá a alegria e a graça de aguçar nosso paladar, nos permitindo saborear o sabor do céu. Para aqueles que se entregam seus deleites são ainda maiores, já para os que se encontram em indecisões e descontentamentos pode parecer amargo demais.
É certo que assim como estamos acostumados as coisas doces, as facilidades e as praticidades e como é difícil resistirmos a elas. Perdemos o paladar natural e pouco a pouco precisamos resgatá-lo.
Assim como o remédio amargo cura o corpo, o sofrimento cura a alma.
Saborear os sofrimentos com alegria, pacientemente enchergando sempre os propósitos de Deus para salvar nossa pobre alma, incapaz de por si só recuperar a anseio ,o paladar por tudo que é divino e sagrado.
A Comunidade é o lugar desta experiência divina aqui na terra aonde o Senhor ao derramar-se sobre nós ,nos purifica e aperfeiçoa-nos.
Seja Fiel!
Santifica-te e Santifica
Mônica – CF