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FORMAÇÕES

Quanto do seu tempo você reserva para a leitura religiosa?

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

A leitura é uma espécie de alimento humano: não sacia os apetites do estômago, mas dá conforto à fome do espírito

A leitura é uma das formas privilegiadas da formação humana. Apesar da evolução das técnicas mais sofisticadas de uso na comunicação, o livro continua a ter um lugar próprio e insubstituível na formação cultural do espírito humano. Pela leitura, formamos e ajustamos critérios de vida, adquirimos conhecimentos, apuramos e sintonizamos sentimentos, fazemos opções de vida.

A leitura religiosa não é apenas fortalecimento da fé, mas é também alimento ao nosso espírito. Um bom livro nos abre novos horizontes, aponta-nos metas, estimula o desejo de saber, entusiasma as vontades humanas, aquece o coração! Ler é um bom exercício das faculdades humanas superiores: desenvolve o raciocínio, provoca associações de imagens e ideias, alarga perspectivas no campo dos saberes, ajuda a encontrar explicação para as interrogações da vida, contribui para aclarar os segredos da natureza e da vida.

Conforto à fome do espírito

A leitura é uma espécie de alimento humano: não sacia os apetites do estômago, mas dá conforto à fome do espírito. Da sua boa qualidade depende, em grande parte, a orientação da vida dos que a cultivam. Parafraseando um ditado popular usado noutro contexto, poderíamos dizer: “Diz-me o que lês e dir-te-ei o que pensas e fazes”! A nossa inteligência e o nosso coração têm a tendência para se identificar com as mensagens lidas: se forem boas, haverá que esperar bons frutos; se forem menos boas, ou mesmo más, corremos o risco de nos identificarmos com elas, degradando a vida, o pensamento e o apreço pelos verdadeiros valores.

Ler por ler não contribui

A religião é uma proposta de vida que somos convidados a acolher e a abraçar, de modo inteiramente livre. O livro é um ótimo instrumento de apoio ao percurso religioso de cada um. Tal percurso dependerá, em grande parte, da qualidade de leitura religiosa que cultivarmos. Ler por ler, ou só por curiosidade, sem bases sólidas do que desejamos verdadeiramente, pode não contribuir para uma formação firme e robusta. Uma vez feita uma opção religiosa de fé, a leitura religiosa contribuirá, em muito, para o aprofundamento da própria fé e desenvolverá um sentido do religioso, mais puro e autêntico. Nem todos os livros ditos “religiosos” têm o mesmo valor. Importa saber escolher. Será bom, para quem queira progredir no aprofundamento da fé, escolher autores sólidos e esclarecidos, que afinem a própria fé com as suas fontes inspiradoras e as cotejem continuamente com a fé da comunidade em que se integram.

Escolher um bom livro

Num livro religioso há que procurar: solidez de doutrina, análise das realidades da vida de cada tempo e reencontro com as origens básicas da fé, que justificam o argumento do livro. Um bom livro religioso ajudará a conhecer melhor os conteúdos da fé, fornecerá razões à esperança que nos anima, alimentará o espírito humano, dando sentido ao seu viver e orientação para os comportamentos harmonizados com a doutrina, que é objeto da fé professada. Da escolha das leituras religiosas que fizermos, dependerá, em grande medida, o nosso comportamento humano, moral e religioso e a própria felicidade da cada um.

Dom Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve/ Portugal, via Canção Nova 

Não existe Fundação sem fundador – Formação OÁSIS

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, FUNDADOR, VIDA COMUNITARIA

As características principais das Novas Fundações são a presença de um Carisma e de um fundador.

Qual a importância do fundador?

A pessoa do fundador em uma Nova Fundação é essencial, não existe fundação sem fundador. Na vida, na história pessoal e personalidade do fundador os membros do carisma encontram a si mesmos, pois, na pessoa do fundador Deus imprime a essência do carisma e a forma de vivê-lo. No fundador estará presente, por exemplo, a firmeza, a temperança, a fortaleza que será exigida daquela fundação no decorrer dos tempos.
Conheceremos o que o mundo e a Igreja exigirão do nosso fundador através de sua capacidade de resposta, ou seja, um fundador impetuoso, forte, decidido para uma missão que exige estes atributos, ou um fundador paciente, temperante, tolerante para uma missão que necessite destas virtudes.

Como saber se Deus me chamou a este Carisma?

Um dos sinais de que existe um chamado a um Carisma é que o vocacionado deve ter tem uma profunda comunhão de alma com o fundador. Quando existem muitas diferenças, acusações, contratempos, discordâncias, etc., é sinal de que estamos no lugar errado – em se tratando de vocação não adianta ‘forçar a barra’, ou Deus chama e ali encontramos repouso ou não chama e só encontramos discórdias. O consagrado a um Carisma deve buscar conhecer bem o coração de seu fundador e ter comunhão com ele. “A multidão dos fiéis eram um só coração e uma só alma” (At 4,32). É certo que esta comunhão com a pessoa do fundador não é fruto de esforço, mas um dom, um chamado, uma vocação para aquela Nova Fundação.

Deus capacita seus eleitos.

Como vou saber quanto de coragem será exigido de meu Carisma? Saberei esta resposta olhando para meu fundador(a). Olhando meu fundador, vejo que ele tem muita coragem, é destemido, forte…. assim, devo concluir, esta mesma coragem também está em mim. O que está nele está em mim também, pois ali está o carisma e a resposta para que eu viva. Na força do Carisma está a ousadia e a coragem de enfrentar o que quer que seja, no plano pessoal, na Igreja e no mundo

Fonte: http://comunidadeoasis.org.br/nao-existe-fundacao-sem-fundador/

A antiga oração a São José que é “conhecida por nunca ter falhado”

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Reze com fé e peça por um benefício espiritual

Embora São José nunca tenha falado uma palavra nas Escrituras, seu silencioso exemplo de fidelidade, obediência e cuidado para com a Sagrada Família durante os anos de formação de Jesus o tornou um dos mais queridos santos do Cristianismo.

Estima-se que a devoção ao pai adotivo de Jesus tenha começado no 3.º ou 4.º século. Mas, de acordo com o livro de oração Pietá, há uma prece a São José que data do ano 50:

 “Esta oração foi encontrada no 50.º ano de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Em 1505, foi enviada do papa para o imperador Carlos, quando ele estava indo para a batalha [de Lepanto]. Aquele que ler esta oração, ouvi-la ou guardá-la consigo nunca morrerá de morte súbita ou se afogará, nem será atingido por veneno ou cairá nas mãos do inimigo, nem será queimado em qualquer fogo ou rendido na batalha. Reze esta oração durante nove manhãs por qualquer intenção. Ela é conhecida por nunca ter falhado.”

Eis aqui a oração que “é conhecida por nunca ter falhado, que providencia o pedido para o benefício espiritual de quem está rezando ou para quem se está rezando”:

Ó São José, cuja proteção é tão grande, tão forte e tão imediata diante do trono de Deus, a vós confio todas as minhas intenções e desejos.

Ajudai-me, São José, com a vossa poderosa intercessão, a obter todas as bênçãos espirituais por intercessão do vosso Filho adotivo, Jesus Cristo Nosso Senhor, de modo que, ao confiar-me, aqui na terra, ao vosso poder celestial, Vos tribute o meu agradecimento e homenagem.

Ó São José, eu nunca me canso de contemplar-Vos com Jesus adormecido nos vossos braços. Não ouso aproximar-me enquanto Ele repousa junto do vosso coração. Abraçai-O em meu nome, beijai por mim o seu delicado rosto e pedi-Lhe que me devolva esse beijo quando eu exalar o meu último suspiro.

São José, padroeiro das almas que partem, rogai por mim! Amém. 

Lembre-se: Deus sempre atende as nossas orações. Mas nós nem sempre esperamos pelas respostas que recebemos.

Pe. Reginaldo Manzotti explica o poder do perdão – com alguns alertas

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

O perdão deve ser gratuito, unilateral: a reconciliação é uma consequência do perdão, mas que nem sempre acontece

Deus amou de tal forma o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que n’Ele creia não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16). Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4,19). Somos constantemente perdoados por Deus, que nos amou primeiro. E, porque somos perdoados e amados por Deus, devemos também perdoar.

Mas qual a medida do perdão?

Pedro chega para Jesus e faz essa pergunta: Senhor, quantas vezes devo perdoar? (cf. Mt 18,21). E é impressionante que Pedro faz a pergunta e nem espera, ele mesmo sugere: “Até sete vezes?” (Mt 18,19,21). Como ele foi afobado na resposta mostrou que ele não compreendeu o mestre, por que Jesus disse: “Oh! Pedro! Não sete, mas setenta vezes sete, isto é, sempre! (cf. Mt 18,22).

É impressionante perceber isso, porque se trata de perdoar muitas vezes a mesma pessoa, às vezes nos mesmos erros, nos mesmos equívocos, isso significa tolerância, isso significa misericórdia. Mas, exige força de vontade e empenho, porque geralmente se trata de pessoas mais próximas. Primeiramente, porque as atitudes de terceiros não nos causam tanto sofrimento e decepção quanto aquelas de quem queremos bem e, por essa razão, não esperamos receber tratamento hostil ou deliberadamente prejudicial.

Em segundo lugar, porque, muitas vezes nesse caso, o perdão exige reconstruir a confiança, a convivência e o próprio relacionamento. Porém, sem querer ser egoísta ou estimular o egoísmo, mas ao perdoar não nos preocupemos se o outro vai mudar.

Não devemos nos preocupar com os efeitos que o nosso perdão vai causar, se vai trazer a pessoa de volta, se vai restaurar a amizade ou se ela também vai nos perdoar. A reconciliação é uma consequência do perdão que nem sempre acontece.

Se o amor para ser vivido precisa ser recíproco, o perdão pode ser unilateral, não significa que o outro tenha que nos perdoar, significa que nós vamos perdoar, é diferente. O perdão deve ser algo gratuito, unilateral. Não se deve estabelecer condições para o perdão. Deus não age assim conosco; por mais egoístas, miseráveis e pecadores que sejamos, Ele nos perdoará sempre.

O perdão deve acontecer, principalmente por se tratar de um preceito de Nosso Senhor. Vamos ser honestos, ao perdoar não agimos só movidos por amor, por complacência ou benevolência, perdoamos porque foi isso que Jesus nos pediu.

Quem se fecha à graça do perdão fica preso ao passado, à dor, à magoa, à raiva e, às vezes, até ao desejo de vingança, sentimentos tóxicos que acabam bloqueando o futuro. Além disso, podem gerar doenças psicossomáticas, pois reduzem a imunidade do organismo e abrem espaço para as enfermidades oportunistas.

E Maria, nossa Mãe, é especialista em perdoar. Ela perdoou aqueles que mataram seu único filho. Recorramos a Ela, para que tenhamos sempre o perdão em nossos corações e assim, uma vida livre em Deus.

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padre Reginaldo Manzotti é fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso, obra considerada benfeitora nacional que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação, e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos em parceria com milhares de emissoras no país e algumas no exterior.

Site: http://www.padrereginaldomanzotti.org.br

Seus filhos brigam? Seu cônjuge é mal-humorado? Siga este conselho de São Bento

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Este truque funciona e ainda traz uma dose de bom humor para a vida familiar

Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los”. Leio essa frase em voz alta enquanto olho para meus filhos durante o café da manhã, recorrendo ao livro da Regra de São Bento. “Escute, gente, vamos tentar este conselho hoje!”

Meus dois adolescentes riem toda vez cito algo da Regra, escrita em 540 e comumente saudada como a norma da vida monástica. Adquiri uma edição do livro depois que um amigo me recomendou: “Você está em casa durante todo o dia com sete meninos; é como dirigir um mosteiro, não é?”

Este amigo estava certo em alguns aspectos. O livro é um guia para a oração, as refeições e tarefas práticas para qualquer grupo de pessoas que vivem juntas. Mas primeiro devo advertir os leitores que optarem por usar este livro que os conselhos penitenciais, tipo os “jejuns rigorosos”, são, obviamente, contraindicados para a educação dos filhos. No entanto, há pérolas como esta acima, que certamente nos ajudam a buscar a paz.

Então, como é que vamos “abençoar aqueles que nos amaldiçoam”, de acordo com a indicação do Capítulo 4 da Regra de São Bento? Podemos ir a Mateus 5, 44 e ler: “Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”.

Meu filho de 11 anos imediatamente virou para o irmão e disse: “Viu, você tem de me elogiar toda vez que eu te xingo”. E os dois caíram na risada.

Mas eu não vou me dar por vencida. Vou citar outro episódio. Alguns convidados para jantar em casa estavam para chegar em 15 minutos. Então meu marido decidiu fazer o óbvio enquanto esperava: assentar azulejos no banheiro. Afinal, os convidados só para jantar certamente iam tomar banho.

De qualquer forma, isso era importante para o meu querido marido na “apresentação” (mesmo que imaginária) da casa. Então ele correu até o quartinho dos fundos e, bufando, gritou: “Alguém mexeu nas minhas ferramentas mais uma vez!”

Respirei fundo e respondi com uma citação que eu já tinha previsto naquela tarde: “quanto ao mal, saiba que é sempre obra sua e o atribua a si mesmo, por favor!”.

Ele ficou desarmado na mesma hora e nós rimos um pouco da situação. Ao recuperar o bom humor e a serenidade, acabamos tendo um jantar ótimo com nossos convidados.

Desde então, os conselhos de São Bento têm servido para reflexão e divertimento em nossa vida familiar.

Embora não haja nenhuma dúvida de que minha família tenha uma natureza sarcástica, espero que as indicações deste santo monge do século VI também sejam úteis na sua casa.

Pessoalmente, eu me senti muito bem naquele jantar, quando decidi me concentrar nas muitas grandes qualidades do meu marido ao invés de ficar obcecada com suas excentricidades irritantes (que quase sempre incluem argamassa, pisos e azulejos).

Agora, eu não estou sugerindo que todos devem deixar de lado situações que possam significar abuso e simplesmente sair elogiando. De forma alguma. “Não conceder paz simulada” é outra jóia de São Bento. Tem a ver simplesmente com tentar criar um ambiente familiar harmonioso. Se você compilar uma lista de elogios genuínos para seus entes queridos, você terá bons frutos.

Um desses frutos é que você não se permitirá ignorar as muitas virtudes de seu filho ou cônjuge por causa de um único erro. O elogio oferecido em um momento de tensão pode desviar a atenção dos hábitos singulares para se concentrar nas melhores virtudes da pessoa. Pelo bem de ambos.

Sim, há um caminho mais inteligente e mais suave

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, GRUPO DE JOVENS

Pare um instante e reflita no que dizem estas poucas linhas…

Realmente hoje temos muita ciência, mas pouca sabedoria. O primado da técnica sobre a ética e da ciência sobre a moral não garantem a felicidade do homem moderno. Isso faz com que ele tenha medo daquilo mesmo que construiu com suas mãos e sua inteligência. Há um caminho mais suave para se viver e ser feliz.

Que caminho é esse?

É por onde se observa coisas simples e naturais, medita e equilibra: ciência e fé. Por exemplo:

A rua mais limpa não é aquela que se varre mais vezes, é a que se suja menos.

A consciência mais tranquila não é a que se confessa muito, mas a que peca menos.

Ser rico não é se matar de trabalhar, de negociar, às vezes até passando os outros para trás. Ser rico não é ter muito, é precisar de pouco.

Ser culto e erudito não é apenas devorar muitos livros, mas também saber aprender com os outros.

Ser saudável não é fazer muito regime e muita ginástica; é comer menos, dormir mais, se agitar pouco.

Ter saúde não é tomar frascos e frascos de vitaminas; é se alimentar bem, sem exagero, com uma dieta balanceada, colorida, saudável.

Realizar-se não é falar muito e parecer “o bom”; é saber usar o silêncio para degustar a sabedoria que os outros nos passam e que nos enriquece.

Ser humilde não é se desvalorizar e enterrar os próprios talentos, é ser fiel à verdade de sua vida e de sua realidade.

Ser casto não é fazer penitências pesadas para vencer as tentações, é fugir delas, na vigilância e na oração.

Ser eficiente não é correr contra o tempo, é saber usar o tempo, contar com ele. Tudo que é feito sem contar com ele, ele se incumbe de destruir.

Ser perfeito não é querer imitar os outros, é desenvolver os próprios talentos e aceitar a sua realidade.

Ser produtivo não é se matar de trabalhar, é trabalhar sempre, sem pressa, mas sem parar, como a planta.

Quando você não conseguir fazer alguma coisa de maneira rápida, não desista; apenas tente fazer devagar.

Que tal seguir um caminho mais suave, mais natural, mais humano?

(via Felipe Aquino)

Você sofre de ansiedade? Então veja este conselho de São Francisco de Sales

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma

Às vezes, a gente não consegue evitar: a ansiedade se instala em nós. Pode ser uma ansiedade passageira causada por muito trabalho a fazer e pouco prazo. Mas pode ser também algo mais sério, que exige avaliação e assistência profissionais. 

Entretanto, seja qual for o tipo de ansiedade que possamos estar vivenciando, é consolador saber que até os santos se sentem (ou se sentiram) ansiosos.

Veja o que São Francisco de Sales recomenda para evitar a ansiedade e encontrar a paz.

Não subestime o problema 

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma.

Você provavelmente já sabe que a ansiedade é um problema, mas você pode pensar que Deus não está interessado nisso, porque Ele se importa mais com o fato de você evangelizar, fazer o seu dever e orar. Afinal, você não deveria estar se preocupando com os outros, mas com você mesmo, né? 

Não, São Francisco não concordaria com isso. Nem Deus.

Nosso Senhor ordenou que amássemos aos outros como amamos a nós mesmos. Quando você está ansioso, amar a si próprio significa fazer o que for possível para remediar a ansiedade. Não significa ignorá-la, na crença equivocada de que Deus se importa pouco com isso. Ele quer que tenhamos alegria em fazer a Sua vontade.

São Francisco de Sales escreve: 

“Se nosso coração está perturbado internamente, ele perde tanto a força necessária para manter as virtudes adquiridas quanto os meios para resistir às tentações do inimigo.”

Entendendo a causa da ansiedade

Para São Francisco de Sales, a raiz da ansiedade é “um desejo desordenado de se libertar de um mal presente ou de  adquirir um bem esperado”.

Em outras palavras, a ansiedade surge quando desejamos muito alguma coisa. Nossos desejos são bons, mas às vezes podem ser fortes demais, o que causa ansiedade. Este ponto é crucial, pois torna a ansiedade algo sobre o qual podemos ter algum controle, embora nem sempre a gente se sinta forte para isso.

Buscando a paz interior 

São Francisco de Sales diz que, quando você começa a reconhecer que seu coração está ansioso, “ouça-o antes de fazer qualquer outra coisa e traga-o silenciosamente de volta à presença de Deus, submetendo todos os seus afetos e desejos à obediência e direção da vontade divina”.

Trazer seu coração para a presença de Deus não é uma fórmula mágica, é claro. Mas, se seguirmos estes quatro passos, a ansiedade diminuirá gradualmente.

1. Peça a ajuda de Deus;

2. “Resolva não fazer nada que seu desejo insista até que sua mente recupere a paz, a menos que seja algo que não possa ser adiado”;

3. “Você deve humildemente e calmamente tentar verificar a corrente de seus desejos”. Aceite-os como eles são e os avalie;

4. “Se você puder revelar a causa de sua ansiedade ao seu diretor espiritual, ou pelo menos a algum amigo fiel e devoto, pode ter certeza de que encontrará rapidamente o alívio.”

Temos uma consagração de Vida

Por | FORMAÇÕES, FUNDADOR

O fenômeno das Novas Fundações surgiu a partir do derramamento do Espírito Santo em profusão sobre a Igreja, trata-se de novos carismas com seus fundadores e vocacionados chamados a viver a radicalidade do Evangelho de Cristo. Assim escreve São João Paulo II:

A perene juventude da Igreja continua a manifestar-se também hoje: nos últimos decênios, depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, apareceram formas novas ou renovadas de vida consagrada. Em muitos casos, trata-se de Institutos semelhantes aos que já existem, mas nascidos de novos estímulos espirituais e apostólicos.” (Vita Consecrata, 12)

A nomenclatura usada para definir estas formas novas de viver a vida consagrada, diferente da vida consagrada já existente na Igreja, é: ‘consagração de vida’. Pela consagração de vida os membros das Novas Fundações buscam a vontade de Deus, assumindo um compromisso de viver na pobreza, na castidade e na obediência. Pobreza para nós abrange a área do desapego de tudo e de todos, abandonando-se na Divina Providência; a obediência acontece através das regras, estatutos e das autoridades constituídas, e, por fim, a castidade, sendo para os casados conforme o documento Humanae Vite 9: “Total, fiel e fecundo” e para os solteiros através da abstinência sexual.

Estas novas formas de vida consagrada, que se vêm juntar às antigas, testemunham a constante atração que a doação total ao Senhor, o ideal da comunidade apostólica, os carismas de fundação continuam a exercer mesmo sobre a geração atual, e são sinal também da complementaridade dos dons do Espírito Santo.” (Vita Consecrata, 12)

Os casais casados e com filhos fazem o grande diferencial dentro de uma consagração de vida, a Igreja nunca testemunhou esta nova forma de consagração. Compete a Mãe Igreja traduzir esta nova profecia. Testemunhamos uma forma nova de viver a vida consagrada, somos uma ‘profecia’ para a Igreja e para o mundo.

Fonte: http://comunidadeoasis.com/site/destaques/temos-uma-consagracao-de-vida/

Oração de cura e libertação de Santo Ambrósio

Por | FORMAÇÕES, PARTILHA DO FUNDADOR

Oração que Santo Ambrósio nos ensina para rezarmos antes da Santa Missa

Senhor Jesus Cristo, eu, pecador, não presumindo de meus méritos, mas confiando em vossa bondade e misericórdia, temo entretanto e hesito em aproximar-me da mesa de vosso doce convívio.

Pois meu corpo e meu coração estão manchados por muitas faltas, e não guardei com cuidado meu espírito e minha língua.

Por isso, ó bondade divina e temível majestade, em minha miséria recorro a Vós, fonte de misericórdia; corro para junto de Vós a fim de ser curado, refugio-me em vossa proteção e anseio ter como salvador Aquele que não posso suportar como juiz.

Senhor, eu vos mostro minhas chagas e vos revelo minha vergonha.

Sei que meus pecados são muito grandes e temo por causa deles, mas espero em vossa infinita misericórdia.

Olhai-me pois com vossos olhos misericordiosos, Senhor Jesus Cristo, Rei eterno, Deus e homem, crucificado por causa de nós homens.

Escutai-me pois espero em Vós; tende piedade de mim, cheio de miséria e pecados, Vós que jamais deixareis de ser para nós a fonte da compaixão.

Salve, vítima salvadora, oferecido no patíbulo da cruz por mim e por todos os homens.

Salve, nobre e Precioso Sangue, que brota das chagas de meu Senhor Jesus Cristo crucificado e lavas os pecados do mundo inteiro.

Lembrai-vos, Senhor, da vossa criatura resgatada por vosso sangue.

Arrependo-me de ter pecado, desejo reparar o que fiz.

Livrai-me, ó Pai clementíssimo, de todas as minha iniquidades e pecados, para que, inteiramente purificado, mereça participar dos santos méritos.

E concedei que vosso corpo e sangue, que eu embora indigno me preparo para receber, sejam perdão para os meus pecados e completa purificação de minhas faltas .

Que eles afastem de mim os pensamentos maus e despertem eficazes obras que vos agradam, e protejam meu corpo e minha alma contra as ciladas de meus inimigos.

Amém.

Cuidado! O diabo nos ronda! Saiba como se precaver dele.

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Saiba como se precaver dele

De repente, você lê isto: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pedro 5,8). 

Aí você começa a refletir e a se preocupar quando um católico assegura que não existe nem o diabo nem o inferno. 

São temas nos quais nunca gostei de tocar. E reconheço que foi um erro. Devemos alertar os outros, para que eles estejam vigilantes, para que não se deixem vencer pelas tentações e pelo ódio do maligno. 

A passagem dele pelo mundo é sutil. Ele gosta de passar despercebido, atuar discretamente. Mas sempre deixa rastros.

Se você é como eu, que gosta de livros de detetives, poderá encontrar pistas suficientes de sua presença. Ele trabalha nos bastidores, oculto, silencioso. Deixa pequenas marcas como as peças de um quebra-cabeça. Basta uni-las e você chegará a um retrato assustador de seu ódio à humanidade. 

Diz-se que a santa Bíblia menciona o inferno 70 vezes e outras tantos o maligno. 

“Jesus lhe disse: ‘Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’” (Mateus 4:10). Portanto, sua existência é uma sutileza, que marca a vida de muitos e abre as portas ao pecada e à perda da graça santificante. Parece-me que negá-lo é remar contra a corrente. 

Abrace a verdade. Você pode encontrá-la nas Escrituras, nos ensinamentos, nos Doutores da Igreja. E, principalmente, use a capacidade que Deus lhe Deu para discernir. 

Leia também:

O ponto fraco do diabo

Lembro-me de ter lido sobre o Padre Pio conversando com uma pessoa. “Padre Pio, não creio no inferno”. E o padre responde: “Vai acreditar quando chegar lá”. 

Se você ainda não acredita no demônio, procure pistas, leia as escrituras, olhe ao seu redor e chegará a uma simples conclusão: ele existe. E não é apenas mal; é malíssimo.  

Eu sempre fiquei impressionado com a visão do inferno que os pastorinhas de Fátima tiveram e as duas frases da Virgem Santíssima: 

  • “Rezem, rezem muito, e façam muitos sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão para o inferno por não terem quem se sacrifique e reze por elas”.
  • “Para salvar-nos, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. 

Como se cuidar? As Escrituras ensinam com clareza. Inclusive indicam as armas espirituais para lutar e vencer. Leia a Santa Bíblia. Não tenha medo. Reze, tenha fé e viva o Evangelho. Confie em Deus e conserve como um tesouro o seu estado de graça. 

Coragem!

Deus o abençoe. 

Isso é de Deus ou da minha cabeça?

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES

Descubra como discernir os sinais de Deus

Desde o início, Deus se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós.

“Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem” (Catecismo da Igreja Católica, nº 50).

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir seus desígnios e sua Pessoa. Temos como exemplo os anjos, que são seus mensageiros; os dons do Espírito Santo; a Sagrada Escritura e também a Eucaristia, sacramento de máxima entrega.

Não bastasse tudo isso, ainda há a “comunicação do amor de Deus” por meio de sinais. São acontecimentos que significam algo mais que o simples andamento ou consequência de fatos. Deus nos fala nas entrelinhas das ocorrências incomuns ou da rotina.

Até mesmo Jesus percebeu cada passo de seu ministério em eventos comuns que poderiam passar despercebidos, desde a falta de vinho numa festa de casamento (cf. Jo 2,1-12) até quando se aproximava o tempo certo da “sua entrega na cruz”.

Porém, é necessário ter cuidado e discernir, sinceramente, se estamos diante do que é um apontamento do Senhor ou se estamos nos aproveitando de um acontecimento qualquer para justificar algo que temos no coração.

Preferimos nos enganar, nomeando forçosamente simples ocorrências como resposta do Alto, dada a grandiosidade do desejo. Desviamo-nos de uma verdadeira leitura da orientação divina, deixando-nos levar por ideias fixas e obstinação de coração.

Quando estamos com a mente e os sentimentos tomados, parece que tudo conspira e confirma na direção tanto do objeto de desejo como para traumas, complexos e impressões que trazemos. Assim, no futuro, só nos decepcionaremos com o Senhor e buscaremos culpar os homens que não nos pareceram favoráveis.

Cultive a amizade com o Senhor

Para interpretar corretamente a fala de Deus, é importante, primeiramente, desfazermo-nos dos nossos apegos e conceitos tendenciosos, estarmos livres para aceitar aquilo que não nos é agradável, as exortações e a direção do que Ele quer consertar em nossa vida.

Outro ponto é cultivar uma íntima amizade com o Senhor. Peça a graça de amá-lo independentemente dos favores, gaste tempo em sua companhia e saiba que a iniciativa de sinais será sempre d’Ele – o que não nos isenta da necessidade de termos uma constância na oração e de nos relacionarmos com o Senhor.

Depois que Deus mesmo se encarrega do sucesso do empreendimento e da graça que Ele quer conceder, Jesus ordena a dois de seus discípulos: “Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito”(Lc 19,30-32).

Os fatores do outro lado, no campo da missão, encontram elementos correspondentes à ordem dada por Jesus, mas isso não significa que essa providência se manifeste no primeiro momento. Deus enviou Moisés ao faraó, mas o soberano do Egito foi resistente em libertar o povo do Senhor. Podemos encontrar barreiras que o Altíssimo sinaliza como sendo sua vontade para nós.

Na verdade, aprenderemos a interpretar corretamente os sinais com um treinamento. Com o passar do tempo, se mantivermos uma amizade verdadeira com Deus e nos exercitarmos nesse processo de intuir, empreender na ordem divina e prestar atenção aos resultados, aprenderemos a olhar um fato, desde o início, e saber se é realmente um sinal do Senhor.

O Deus a quem seguimos é bondoso e quer fazer aquilo que é o melhor para nós, por isso está em constante comunicação.

Ele é fiel e nos conduz. “Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá” (At 5,38).

(via Canção Nova)

3 razões pelas quais, muitas vezes, Deus “demora” para atender nossas preces

Por | FORMAÇÕES

“…em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós”

Uma pergunta recorrente: por que, tantas vezes, Deus “demora” para nos atender?

São Luis Maria Grignion de Montfort nos dá uma resposta em sua obra “O Segredo do Rosário“:

Não basta pedir a Deus certas graças para um mês, ou um ano, ou mesmo vinte anos. Não podemos nos cansar de pedir. Devemos ser constantes no pedir até o momento de nossa morte, e mesmo nesta oração que mostra nossa confiança em Deus, nós devemos unir o pensamento sobre a morte com o da perseverança e dizer: “Ainda que ele me matasse, nele esperarei” (Jó 13,15) e confiarei n’Ele para me dar tudo que necessito.

Os ricos e proeminentes do Mundo mostram sua generosidade através da percepção do que as pessoas estão necessitando e assim concedem-lhes o que precisam, mesmo antes que eles o peçam. Por outro lado, a generosidade divina é mostrada quando Ele nos faz procurar e pedir, durante longo período de tempo, a graça que Ele deseja nos dar e, em geral, quanto mais preciosa a graça, mais tempo levará Ele para concedê-la a nós.

Há três razões para isto:

1- A fim de poder aumentá-la;

2- A fim de que aquele que a recebe possa apreciá-la mais;

3- A fim de que aquele que a recebe ponha muito cuidado em não perdê-la, pois as pessoas não apreciam as coisas que se podem obter com facilidade e pouco esforço.

Perseverem, pois, queridos confrades do Rosário, em pedir a Deus Todo-Poderoso por todas as suas necessidades, ambas espirituais e corporais, através do Santíssimo Rosário. A maioria de vocês deve pedir à Divina Sabedoria qual seja o Tesouro infinito: “a sabedoria é um tesouro infinito” (Sb 7,14) e não se pode ter dúvida alguma que mais cedo ou mais tarde você o receberá, conquanto que não deixe de pedi-lo e não desanime no meio do caminho. “Porque te resta um longo caminho” (3 Rs 19,7). Isto quer dizer que resta ainda um longo caminho a percorrer, com muitas tempestades pela frente, dificuldades a serem superadas e muito a conquistar antes de se ter ajuntado bastantes tesouros para a eternidade, bastante Pai-Nossos e Ave-Marias com os quais você ganhará a sua entrada ao Céu e adquirirá a bela coroa que está à espera de cada membro fiel.

Saiba como Satanás seduz as almas e como se proteger dele

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Ele começa fazendo as coisas contrárias a Deus parecerem boas e inofensivas

“O grande truque do diabo é fazer-nos pensar que ele não existe”.Estas não são as palavras de um teólogo, nem mesmo de um santo: foram escritas pelo poeta francês Charles Baudelaire. A presença silenciosa, mas ativa de Satanás é como um câncer não detectado que, de uma forma desonesta e não percebida, corrompe um corpo e se instala em tantos órgãos quanto possível através de uma metástase letal.

Pe. Paolo Morocutti sabe muito bem disso. Ele é um exorcista da Diocese de Palestrina, uma das dioceses periféricas de Roma. Também é membro da AIE (Associação Internacional de Exorcistas, abreviado de seu nome em italiano) e professor de vários cursos para exorcistas.

Muitas pessoas gostariam de conhecer um exorcista para que pudessem aprender mais sobre o diabo. Aqui está um pouco do que aprendemos quando conversamos com o Pe. Marocutti.

Alguns teólogos são da opinião de que os exorcismos bíblicos – incluindo aqueles realizados por Jesus – foram simplesmente curas de doenças que, naquela época, eram consideradas influências espirituais. O que o senhor pensa sobre esse assunto?

Na verdade, essa questão foi resolvida há muito tempo. Acima de tudo, é uma questão de honestidade intelectual. A exegese bíblica cuidadosa e a teologia séria reconhecem claramente a diferença entre a forma como Cristo lida com pessoas doentes e a maneira como ele trata as pessoas possuídas nos Evangelhos. Ele usa duas abordagens totalmente diferentes.

O Catecismo da Igreja Católica contém um ensinamento claro sobre este assunto, e nenhum bom católico pode deixá-lo de lado. Finalmente, gostaria de me referir aos ensinamentos dos santos, que, com a vida de união com Cristo que viveram dentro da Igreja, confirmaram o Magistério de forma clara e inequivocamente.

Algumas pessoas defendem a extinção do ministério dos exorcistas, porque consideram que é uma usurpação do trabalho dos psicólogos. Como o senhor enxerga isso?

Eu leciono Psicologia Geral (na Faculdade de Medicina) e Cirurgia (na Universidade Católica do Sagrado Coração), e entendo bem a diferença entre as duas disciplinas. De acordo com a antropologia cristã, os seres humanos são sempre e em todos os lugares entendidos a partir de uma perspectiva integral e unida. As duas disciplinas não estão, de fato, em competição. Em vez disso, elas estão intimamente conectadas. Uma pessoa espiritualmente perturbada quase sempre precisa de apoio humano qualificado para interpretar a situação e avançar pacificamente. Quando o espírito é afetado, a carne também é afetada e vice-versa. O problema surge quando a Psicologia, especialmente a Psicoterapia, constrói suas convicções sobre conceitos antropológicos improváveis ou sobre os que estão longe do humanismo cristão.  Nesse caso, podem surgir dicotomias perigosas – ou, pelo menos, inconvenientes.

Quais os critérios usados para diferenciar casos psicológicos dos espirituais?

A sabedoria da Igreja, desenvolvida ao longo de milhares de anos através da formação de livros litúrgicos – que, entre outras coisas, faz parte do magistério oficial para nós católicos – estabelece um procedimento através do qual um sacerdote exorcista pode reconhecer o trabalho e a presença do diabo. Penso que é útil mencionar que, na última versão do rito, o exorcista é convidado a utilizar a ciência médica e psicológica para discernir melhor. Além disso, o rito indica como critério para reconhecera presença do maligno: falar línguas desconhecidas, saber ou revelar coisas escondidas e demonstrar força desproporcional à idade e ao estado natural do sujeito. Esses não são critérios absolutos; são sinais que, se identificados dentro de um quadro geral com atenção aos detalhes, podem ajudar muito um exorcista. É necessário dedicar muito tempo a ouvir a pessoa e fazer uma análise atenta do comportamento e hábitos de vida do sujeito. É importante concentrar-se mais na sua vida moral do que nos sinais, embora este último possa ser sempre uma grande ajuda.

Quais são os principais canais através dos quais a obsessão demoníaca ou a possessão podem surgir?

O canal principal é, definitivamente, o pecado – em particular, um estado de pecado grave, vivido deliberadamente e sem arrependimento. Essa condição geralmente expõe a alma à ação do diabo.

Além disso, os principais canais de ação de Satanás são: o esoterismo, a feitiçaria, o seguimento mais ou menos consciente de práticas filosóficas inspiradas nas religiões orientais ou, de alguma forma, incompatíveis com uma visão antropológica cristã e, finalmente, participação em grupos abertamente satânicos.

Frequentemente, essas realidades estão escondidas por ideologias aparentemente inócuas. Devemos ser cautelosos. Satanás nos seduz com falsa beleza, fazendo com que as coisas contrárias a Deus pareçam boas e inofensivas.

Ainda assim, no centro do processo de discernimento está sempre a ação moral de uma pessoa. Se uma pessoa age com retidão moral e permanece em estado de graça, buscando a verdade, é improvável que ele ou ela seja objeto de ação extraordinária do maligno. Obviamente, a vida de certos santos é uma exceção. Em alguns casos, devido à permissão especial de Deus, eles até experimentaram o combate com o diabo de maneira sangrenta.

O que o senhor aprendeu de positivo ao exercer este ministério que poderia deixar como lição e conselhos para nossos leitores?

Que o amor de Jesus Cristo por nossas almas é algo sério e que a alma deve ser protegida em um estado de graça, como o presente mais belo e sublime que Deus nos deu. Hoje, a sensação de pecado está desaparecendo cada vez mais, devido a uma compreensão profundamente equivocada da misericórdia. Neste ministério, entendi claramente que a Eucaristia, o sacramento da Confissão e o nosso amor por Maria Santíssima são os meios mais confiáveis para caminharmos sempre na graça e na verdade – e para sempre podermos apreciar a doce presença de Jesus em nossas almas.

Não se precipite. O tempo de Deus é diferente do seu

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O relógio de Deus não é igual ao nosso relógio, onde existem horas, minutos e segundos

Tempo… Quem o pode entender? Quem o pode controlar? Quem o pode discernir?

Existem dois tipos de relógios: o relógio terreno e o relógio celestial.

O relógio de Deus não é igual ao nosso relógio, onde existem horas, minutos e segundos. O famoso 24 horas por dia. O tempo de Deus não é o nosso tempo!

Por mais que Ele tenha dito um sim, é de extrema importância sabermos o tempo desse “sim” se cumprir; sabermos o tempo certo de agir, pois não adianta fazermos determinada coisa de forma correta, mas no tempo errado.

E isso nos confunde demais, pois somos profundamente ligados ao nosso tempo terreno, ou seja, segundo nossas vontades, porém o relógio de Deus é celestial.

O que quero dizer é que nos importa saber além da vontade de Deus e Suas respostas, é sabermos o tempo certo em que as coisas devem acontecer. Sabermos se é chegado o tempo ou se é necessário esperar, aguardar para agir, cumprir o SIM de Deus.

Mediante a isso, me veio a mente uma passagem bíblica quando ainda o rei Saul reinava sobre Israel… Saul, quando estava para travar uma guerra, o profeta Samuel pediu para ele aguardar 7 dias e o esperasse para que ele realizasse o sacrifício e então pudesse ir à guerra.

Saul, tomado pela ansiedade, desobedeceu e não esperou Samuel, o profeta. Chegado o sétimo dia, viu que o momento da guerra se aproximava e o profeta Samuel não chegava, então decidiu realizar o sacrifício.

Saul desobedeceu o tempo celestial, mas obedeceu o tempo terreno. Como assim? Quando li a história, pude ver que Saul fez o sacrifício exatamente no sétimo dia (tempo terreno), porém sem a presença do profeta, como ele havia ordenado (tempo celestial).

Ele esperou os 7 dias contados por ele, segundo o relógio dele, mas não esperou o tempo de Deus e por isso Deus tirou o reinado de Israel das mãos dele.

Deus havia falado que Saul iria vencer a guerra se esperasse o tempo que Ele determinou através do profeta. Saul já tinha o SIM de Deus, embora tendo feito a coisa certa, o sacrifício, não obedeceu o tempo certo.

Há tempo para todas as coisas, já dizia o grande sábio Salomão. E até mesmo quando recebemos um SIM de Deus é necessário sabermos o tempo em que ele deve se cumprir.

(via NamOrei)

A armadilha do evangelho da prosperidade

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Os resultados de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela “LifeWay Research”

Deus nos ama. Além do mais, ele quer nos preencher com seus bens. A Bíblia ensina, e Jesus disse no Evangelho: “Eu lhes garanto: O que vocês pedirem a meu Pai em meu nome, ele vai lhes dar” (Jo 16,23). O problema é que em algumas denominações ou igrejas americanas (e não só), essa generosidade divina assumiu uma característica particular material e não escatológica, o que reduz Deus a um mero distribuidor de bens, como se fosse um cartão de crédito ilimitado.

“Um grupo significativo de igrejas parece para ensinar que as doações desencadeiam uma resposta financeira da parte de Deus”, diz o diretor executivo da  LifeWay Research, em Nashville, Tennessee, Scott McConnell, por ocasião da publicação dos resultados de uma pesquisa sobre o “Evangelho da prosperidade”, realizada de 22 a 30 de agosto de 2017 entre 1.010 americanos adultos que frequentam pelo menos uma vez por mês uma igreja protestante ou não denominacional.

Embora “vários líderes evangelistas de alto nível tenham condenado a doutrina do Evangelho da Prosperidade”, “muitas pessoas entre os fiéis abraçaram isso”, explica McConnell.

Deus abençoaria quem doa para igreja

38%, isto é, um em cada três fiéis, responderam estar de acordo com a afirmação da pesquisa de que “a igreja deles ensina que Deus os abençoará se eles derem mais dinheiro para sua igreja e para suas obras de caridade”. A este respeito, 22% disseram estar “bastante” de acordo, 16% disseram estar “fortemente” de acordo.

Mais propensos a concordar com a frase (53%) são pentecostais, ou aqueles que frequentam as Assembleias de Deus (um movimento evangélico).

Embora quatro em cada dez participantes da pesquisa (40%) afirmaram estar “fortemente” em desacordo com o conteúdo da declaração e 17% disseram estar “bastante” em desacordo, apenas 5% disseram que não tinham certeza.

Prosperar em um nível financeiro

Mais de dois participantes em cada três, ou seja, 69%, disseram concordar com a afirmação de que Deus quer que eles “prosperem financeiramente”. Enquanto 31% disseram estar “bastante” de acordo, 38% disseram estar “fortemente” de acordo.

A esse respeito, 10% disseram que não tinham certeza, quase um em cada dez, 9% disseram que discordam fortemente da frase, com relação aos 12% que responderam com “discordo totalmente”. Isto implica que apenas um pouco mais de um em cada cinco, 21%, não concorda com a afirmação.

A pesquisa também mostra que os fiéis que frequentam sua congregação pelo menos uma vez por semana são mais propensos a pensar que Deus quer que eles prosperem financeiramente (71%), uma porcentagem que cai para 56% entre os que participam até duas vezes por mês em culto.

Para receber de Deus, algo deveria ser feito por Ele

Finalmente, quase um protestante praticante em cada quatro, ou seja, 26% declararam concordar com a afirmação de que para receber de Deus bênçãos materiais temos que fazer algo por Ele. 13% disseram estar “fortemente” de acordo e outros 13% “bastante” de acordo.

Por outro lado, 70% não concordam. Pelo contrário, 54% estão “fortemente” em desacordo, em comparação com 16% que estão “bastante” em desacordo. 5% disseram que não tinham certeza.

Os membros da comunidade afro-americana não hispânicos (44%) e hispânicos (34%) são aqueles mais susceptíveis a responder positivamente comparado aos brancos não hispânicos (17%) e outros grupos étnicos (16%), de acordo com a pesquisa.

O aviso da “Civiltà cattolica”

Em um artigo publicado em julho sob o título emblemático Teologia da prosperidade. O perigo de um “evangelho diferente” na prestigiosa revista  La Civiltà Cattolica, o jesuíta Antonio Spadaro e o pastor presbiteriano argentino Marcelo Figueroa analisaram as raízes e os riscos associados a esta corrente teológica, que atrai um número crescente de fiéis não só nos EUA, mas também em alguns países da América Latina, incluindo a Guatemala e em particular o Brasil, e até mesmo na África e na Ásia, onde se espalhou, por exemplo, na Coreia do Sul e até na China.

Como exemplo, os dois autores, que no verão passado assinaram um artigodivulgado na revista da Companhia de Jesus, mencionam a Miracle Center Cathedral na capital de Uganda, Kampala, resultado da pregação do Pastor Robert Kayanja, e a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo pastor brasileiro Edir Macedo, dono da segunda emissora de televisão do país sul-americano, RecordTV, e do grupo de mídia Grupo Record.

As origens do “Evangelho da prosperidade”

Para Spadaro e Figueroa, as origens do atual “Evangelho da prosperidade” e sua promessa de bem-estar financeiro e material remontam aos EUA dos finais do século XIX e, sobretudo, ao pensamento do pastor nova-iorquino Esek William Kenyon, que “argumentou que através do poder da fé podem ser modificadas realidades materiais concretas”, não só para o bem, mas para o mal, no sentido de que a pobreza, a doença e a infelicidade eram o resultado direto da falta de fé.

Foi também fundamental a contribuição do pastor e “profeta” Kenneth Hagin, que apontou em dois versículos do Evangelho de Marcos o núcleo vital do que mais tarde se tornaria o “Evangelho da prosperidade”: “Eu lhes garanto: Se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e não duvidar no coração, mas acreditar que se realiza aquilo que está dizendo, assim acontecerá. Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem rezando, creiam que já o receberam, e assim acontecerá para vocês” (Mc 11,23-24).

Outros elementos que caracterizam a corrente são o vínculo – mesmo que distorcido – com a ideia do “sonho americano” ou American Dream, e também o uso de meios de comunicação para difundir a mensagem, um elemento que haviam intuído tanto Kenyon como Hagin e que encontra seu ponto culminante no fenômeno “televangelista” (televangelismo é o uso da televisão para transmitir a fé cristã para muitas pessoas) como Oral Roberts, Pat Robertson e Joel Osteen, fundador da maior Megachurch ou mega-igreja dos Estados Unidos, a Lakewood Church, em Houston, Texas.

Um Evangelho distorcido

Em seu ensaio, o jesuíta e o pastor presbiteriano lembram que o “Evangelho da prosperidade” não só está longe da mensagem e “sonho” pregado por figuras proféticas, como Martin Luther King [1], mas que também foi fortemente criticado “por setores evangélicos, tanto tradicionais […] quanto mais recentes”, acusando a corrente de anunciar “um evangelho diferente”.

Na verdade, como explicam Spadaro e Figueroa, a corrente teológica do “Evangelho da prosperidade” é resultado de uma “hermenêutica reducionista”, que subestima, por exemplo, o papel de Deus Pai a uma espécie de “botões cósmicos” e também “prisioneiro” de Sua própria palavra.

Além disso, os autores sublinham que, por parte dos fiéis destas igrejas, há “uma total falta de empatia e solidariedade” para com aqueles que sofrem, que estão doentes ou têm dificuldades. “Não há compaixão pelas pessoas que não podem prosperar – eles observam – porque elas claramente não seguiram as ‘normas’ e, portanto, vivem no fracasso e não são amadas, portanto, por Deus”.

O verdadeiro Evangelho é um  fator de mudança real

“Em resumo, aqui se fala de um deus concebido à imagem e semelhança das pessoas e de suas realidades, e não de acordo com o modelo bíblico”, continuam Spadaro e Figueroa. “Esse ‘evangelho’, que coloca a ênfase na fé como ‘mérito’ para subir na escala social, é injusto e radicalmente anti-evangélico” e também tem um “efeito perverso sobre as pessoas pobres”, advertem.

“Não só exacerba o individualismo e apaga o sentimento de solidariedade, mas empurra as pessoas a ter uma atitude milagrosa, pela qual só a fé pode procurar prosperidade, e não o compromisso social e político”, escrevem os autores, que advertem neste contexto do risco de que os pobres fascinados por este novo evangelho permaneçam “emaranhados em um vácuo político-social que permite facilmente a outras forças que incorporem seu mundo, tornando-os inofensivos e indefesos”.

O Papa Francisco alertou várias vezes contra os perigos da “tentação da prosperidade”, lembram os autores no final do seu ensaio, como por ocasião de seu encontro com os bispos da Coreia do Sul, em agosto de 2014, quando advertiu aos prelados sobre o risco de “uma igreja próspera e para os abastados, uma igreja de bem-estar”. De fato, um evangelho onde não há lugar para os pobres e os doentes, que tipo de evangelho é?

[1] Suas palavras I have a dream (“Eu tenho um sonho”) são famosas, pronunciadas em 28 de agosto de 1963,  diante do Lincoln Memorial, em Washington, no final de uma marcha de protesto pelos direitos civis.