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VIDA COMUNITARIA

O sabor do céu – Vida Comunitária

Por | DESTAQUES, VIDA COMUNITARIA

Se pudermos comparar a experiência do céu aqui na terra, a Comunidade é este lugar.
Nele o Senhor nos dá a alegria e a graça de aguçar nosso paladar, nos permitindo saborear o sabor do céu. Para aqueles que se entregam seus deleites são ainda maiores, já para os que se encontram em indecisões e descontentamentos pode parecer amargo demais.
É certo que assim como estamos acostumados as coisas doces, as facilidades e as praticidades e como é difícil resistirmos a elas. Perdemos o paladar natural e pouco a pouco precisamos resgatá-lo.
Assim como o remédio amargo cura o corpo, o sofrimento cura a alma.
Saborear os sofrimentos com alegria, pacientemente enchergando sempre os propósitos de Deus para salvar nossa pobre alma, incapaz de por si só recuperar a anseio ,o paladar por tudo que é divino e sagrado.
A Comunidade é o lugar desta experiência divina aqui na terra aonde o Senhor ao derramar-se sobre nós ,nos purifica e aperfeiçoa-nos.
Seja Fiel!
Santifica-te e Santifica
Mônica – CF

Preciso mesmo de um formador pessoal?

Por | FORMAÇÕES, VIDA COMUNITARIA

Sim. Todos os membros de uma Nova Fundação, mesmo os consagrados, precisam de um formador pessoal.

É preciso reconhecer que precisamos de um formador pessoal, pois o formador é a mediação humana, usada pelo Senhor para educar seus filhos. O Deus-Trindade: é o Pai que molda no vocacionado a imagem do Filho Jesus, por meio da ação do Espírito Santo.

A mediação humana do formador

A intervenção divina serve-se da mediação humana. Deus gosta de chegar até a pessoa, portanto, por caminhos e por meio de instrumentos frágeis e limitados, inferiores ao objetivo prefixado e “inúteis”, como diz o mesmo Jesus. É a lógica da encarnação, em que uma pobre carne mortal é chamada a manifestar o mistério divino. É a lei divina da mediação humana.

Mediações comuns e “caseiras”

Por outro lado, Deus não deixa faltar a ninguém o necessário para a salvação e, no nosso caso para a realização do projeto vocacional.

Temos hoje jovens chamados a uma vocação acostumados com o “faça você mesmo” também no campo espiritual.  Jovens tão exigentes em suas pretensões espirituais que não conseguem ficar satisfeitos com as mediações comuns e “caseiras”, ou que chegam a exigir uma tal perfeição e competência de quem os dirige (um pouco como Naaman, o sírio, que ficou decepcionado com as propostas demasiadamente normais do profeta), a ponto de ir buscá-lo ninguém sabe onde.

Uma mediação imperfeita

O jovem deve entender bem cedo, ou de imediato, o que significa formação e eventualmente ser ajudado a se libertar daquelas pretensões ou expectativas. A mediação formativa é, por sua própria natureza, imperfeita. Por outro lado, é com instrumentos normais que Deus normalmente intervém.

É importante que o formador/formadora  não esqueça que é apenas um mediador e não se sobrecarregue com responsabilidades excessivas.

Um modelo para o formador

O modelo ou o padroeiro do formador certamente não pode ser Atlas, que acredita ter que carregar o mundo todo em seus ombros, mas João Batista, aquele que aponta e anuncia um Outro e não atrai os outros para si. Prepara os ânimos para que saibam reconhecer Aquele que há de chegar, não se substituindo a ele; esforça-se para sair de cena para que ele cresça no coração dos seus discípulos.

“Todos os dias, na universidade são-nos ministrados muitíssimos conteúdos. Falta-nos pessoas que nos ajudem a traduzir a doutrina em nossa experiência existencial.” O formador é o “cultivador direto” na vinha do Senhor.

Fonte: Texto base em CENCINE, Amedeu. Os Sentimentos do Filho: Edições Paulinas.

A Cobiça nos relacionamentos fraternos

Por | PARTILHA DO FUNDADOR, VIDA COMUNITARIA

Um consagrado não pode ser inconsciente, tudo deve estar na luz.

Conhecer e assumir o que vivemos com nossos irmãos de sangue é fundamental: vamos defrontar-nos, com a comparação no afeto, com o reconhecimento dado mais a um do que a outro, com o problema das transferências… O lugar que ocupamos no meio dos irmãos é de evidente importância.

É impossível evitar a vivência de movimentos perturbadores, recorrentes, dolorosos. Eles são normais, inevitáveis; trata-se, porém de ultrapassá-los e de aprender a viver um relacionamento bem ordenado, de forma adequada. As feridas vividas no relacionamento entre irmãos permanecem com frequência muito distante, muito longínqua, intimamente escondida, e esse fato torna-se fonte de infecção das mesmas feridas.

A Bíblia está cheia de histórias de irmãos rivais, em que um quer apoderar-se do que pertence ao outro ou ser beneficiário de tudo que é dado ao outro. Caim, cuja oferta não é aceita por Deus como é a de Abel, mata seu irmão(Gn 4,3-8). Jacó, o irmão caçula, logra e engana seu pai Isaac, para apoderar-se da benção reservada a seu irmão Esaú (Gn 27,1-29). Os irmãos de José vêem que seu pai Jacó amava-o mais do que a todos os seus outros filhos e odiaram-no… Terminaram por lançá-lo numa cisterna no deserto. (Gn 37,12-25).

Entramos na consagração de vida com tudo que temos e somos, de fato, na vida secular os relacionamentos são mais autônomos e dispersos, já na vivência fraterna as relações são intensas, assim, mais facilmente sobem as tensões.

Na maioria das vezes ninguém imagina as trevas que carrega dentro de suas profundezas inconscientes em relação aos irmãos. Por isso “sobe”  o ciúme que, até então estava escondido, a competição, a inveja, as murmurações contra o outro e toda espécie de desequilíbrios.

Os discípulos de Jesus não estão isentos da competição: “Sobre o que discutíeis no caminho?” “Ficaram em silêncio porque no caminho vinham discutindo sobre qual era o maior”(Mc 9, 33-34)

A inveja, a competição, o ciúme dos fariseus e dos doutores da lei em relação a Jesus acarretam a sua morte, sendo ele um inocente. Mas Jesus atravessou a morte de tal maneira que matou o ódio (Ef 2,14-16), reintroduzindo definitivamente o amor no mundo.

O primeiro passo para a cura é dar-se conta, acolher a verdade da própria fraqueza e entregar-se nos braços de Deus, só Ele pode curar pela força de sua graça e através dos Sacramentos da Igreja; usufrua dos Sacramentos: confesse, comungue, clame a renovação do Batismo e receberás nas profundezas de sua alma a força para vencer o ciúme, a inveja e todo tipo de vício diabólico que ali possa ter se refugiado. Além disso faça memória dos acontecimentos da infância, adolescência e juventude que envolveram seus irmãos, reconcilie-se com sua história e a cura será verdadeiramente consistente.

Texto base: PACOT, Simone. “A Evangelização das Profundezas”, Editora Santuário.

De: “A Comunidade para mim” ao “Eu para a Comunidade”

Por | VIDA COMUNITARIA

Uma comunidade somente é comunidade quando a maioria de seus membros estiver fazendo a passagem de “a comunidade para mim” ao “eu para a comunidade”, quer dizer, quando o coração de cada um estiver se abrindo para cada membro, sem excluir ninguém. É a passagem do egoísmo para o amor, da morte para a ressurreição: é a Páscoa, passagem do Senhor, e também a passagem de uma terra de escravidão para uma terra prometida, a da libertação interior.

A comunidade não é uma coabitação, um quartel, um hotel ou uma pensão. Ela não é uma equipe de trabalho, e muito menos, um ninho de víboras. É o lugar em que cada um, ou a maioria está saindo das trevas do egocentrismo para a luz do amor verdadeiro.

“Não concedais nada ao espírito de competição, de vanglória, mas que cada um, por humildade, considere os outros superiores a si; não procureis os vossos próprios interesses, mas que cada um pense nos dos outros”.(Fl 2, 3-4)

O amor não é um sentimento, e nem uma emoção passageira, é uma atenção ao outro que pouco a pouco se torna compromisso, reconhecimento de uma aliança, de um sentimento de se pertencer mutuamente. É escutar o outro, se por em seu lugar, compreende-lo, é ver que ele é importante para mim. É responder aos seus apelos, às suas necessidades mais profundas, compadecer-se, sofrer com ele, chorar e alegrar-se quando se alegra. Amar é ficar feliz com a sua presença, triste com a sua ausência, é permanecer mutuamente e refugiar-se um no outro, o amor é uma força unificadora.

Se o amor é estar voltado para o outro, é também voltar juntos para as mesmas realidades, esperar e querer as mesmas coisas é comungar da mesma visão, do mesmo ideal. É querer que o outro se realize plenamente segundo os caminhos de Deus a serviço dos outros; é querer que ele seja fiel ao seu chamado e livre para amar com todas as dimensões do seu ser.

Temos os dois polos da comunidade: um sentimento de pertencer um ao outro, mas também o desejo que o outro vá sempre mais longe no seu Dom a Deus e aos outros, que ele seja mais luminoso, mais profundo na verdade e na paz.

Texto extraído de VANIER, Jean. Comunidade Lugar do perdão e da festa . São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1980 – CAPÍTULO I, pg.19.

Teu irmão não é teu inimigo – Vida em Comunidade

Por | VIDA COMUNITARIA

Os dois grandes perigos das comunidades são os “amigos” e os “inimigos”, depressa as pessoas parecidas se aproximam, é gostoso estar perto de quem tem as mesmas ideias que nós, que nos agradam, o mesmo modo de ver a vida o mesmo tipo de humor. Somos alimento um para o outro, há elogios mútuos: “você é maravilhoso” “você também é maravilhoso”, “nós somos ótimos, somos os inteligentes, os espertos”.

As amizades

As amizades humanas podem cair depressa num clube de medíocres, fechados em si. Só há um vangloriar-se mutuo e que leva a crer que somos os melhores. A amizade não é mais um encorajamento para ir para mais longe, para servir melhor os nossos irmãos, para sermos mais fiéis ao Dom que nos foi dado, para sermos mais atentos e dóceis ao Espírito. A comunidade torna-se sufocante e constitui uma barreira que impede de ir ao encontro dos outros e de suas necessidades. Com o passar do tempo certas amizades tornam-se uma dependência afetiva, que é uma espécie de escravidão.

“os meus inimigos”

Na comunidade há sempre pessoas que não nos entendem, que nos contradizem, que abafam o progresso das nossas vidas e da nossa liberdade. Sua presença parece uma ameaça, provoca agressividade ou uma forma de agressão servil. Outras pessoas fazem nascer dentro um sentimento de inveja e de ciúmes, são o que gostaríamos de ser, e sua presença nos lembra do que não somos. Sua irradiação e sua inteligência nos deixam diante de nossa indigência. Outras exigem muito de nós, não podemos suprir as suas carências afetivas. Estas pessoas se tornam “minhas inimigas”, elas nos colocam em perigo, e acabamos a odiá-las, não por querer, mas de uma forma psicológica. Mas, apesar de tudo, gostaríamos que estas pessoas não existissem, seu desaparecimento e sua morte seriam como que uma libertação.

“estender a mão ao inimigo”

É natural que em uma comunidade haja estas aproximações de sensibilidade, como os bloqueios de sensibilidades diferentes. Isto vem da imaturidade da vida ativa e de uma quantidade de elementos da nossa infância, sobre as quais não temos nenhum controle. Não podemos negá-los. E nos deixamos guiar pelas nossas emoções, logo haverá clãs no interior da comunidade, então deixará de ser comunidade para ser grupos de pessoas fechadas em si e bloqueadas em relação aos outros.

A comunidade somente é comunidade quando a maioria de seus membros decidiu conscientemente quebrar estas barreiras e sair do aconchego das “amizades” para estender a mão ao “inimigo”. A comunidade, na realidade, nunca se realiza plenamente, está sempre em progressão para um amor maior, ou está em regressão.

A mensagem de Jesus é clara:

“Eu vos digo, amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai por aqueles que vos maltratam. Ao que lhe bate em um lado do rosto oferece-lhe o outro… se amardes somente aqueles que vos amam, que fazeis de especial? Pois mesmo os pecadores amam aqueles que os amam”.(Lc 6, 27 ss.)

“simpatia e antipatias”

Os “inimigos” nos causam medo, sua agressividade e atitudes dominadoras sufocam-nos. Na verdade ele me faz tomar consciência de uma imaturidade, de uma fraqueza interior que tenho, talvez seja isto que recuso olhar. Os que criticam os outros é porque se veem neles, e recusam-se a admitir. Os “amigos” são aqueles em quem somente vejo qualidades, suscita em mim certa vitalidade, um bem estar, revela-me e estimula-me, por isso o amo.

Enquanto não aceitar em mim uma mistura de qualidades e defeitos, de amor e ódio, de maturidade e imaturidade, continuo a dividir o mundo em inimigos (os maus) e amigos (os bons), continuo a levantar em mim e fora de mim barreiras e preconceitos. Quando aceito ter defeitos e fraquezas, mas também poder progredir para a maturidade e a liberdade interior, então posso aceitar as fraquezas e os defeitos dos outros, eles também podem progredir para a liberdade do amor.

Fonte: Texto extraído de VANIER, Jean. Comunidade Lugar do perdão e da festa . São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1980 – CAPÍTULO I, pg.21.