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SANTOS

O poderoso significado da medalha de São Bento!

Por | - ULTIMAS, FORMAÇÕES, SÃO BENTO

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça … que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

Os significados da Medalha

Por | N. S. DAS GRAÇAS

A face principal da Medalha

A Santíssima Virgem de pé sobre o globo terrestre: isso significa que Ela, além de ser Nossa Mãe do Céu, é também a Rainha da Terra e de todo o Universo.

Ela esmaga sob seus pés uma serpente que representa o demônio, que tenta continuamente os homens com o intuito de levá-los para o inferno.

Nossa Senhora tem um poder incomparavelmente maior que o do demônio. Ela protege todos os filhos que Lhe pedem
com confiança.

De Seus dedos saem raios de luz. Estes raios representam as graças que a Santíssima Virgem concede aos que se devotam a Ela. Perguntada por Santa Catarina por que de alguns dedos não saíam raios, Ela respondeu que desejava conceder mais graças, porém os homens não Lhe pediam.

A data de 1830 marca o ano das aparições de Nossa Senhora nas quais Ela revelou a Medalha a Santa Catarina Labouré. Foi no final da tarde do dia 27 de novembro.

Em volta da Medalha lê-se a frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”. Nossa Senhora mandou colocar na Medalha esta curta oração para que ela fosse repetida com freqüência.

O verso da Medalha

O grande “M” tendo sobre si uma cruz, é a inicial do nome de Maria. A cruz é a Cruz de Jesus, que morreu por nós. Aos pés da Cruz encontra-se Maria que sofre e nos anima em união completa com Jesus.

Em volta da Medalha estão desenhadas doze estrelas: é a coroa da Santíssima Virgem. Como Rainha do Céu e da Terra, Nossa Senhora tem uma coroa de doze estrelas que representam seu poder sobre toda a Criação. Tudo o que Ela pede a Deus, Ela obtém. Lado a lado, estão o Coração de Jesus e o Coração de Maria. Duas pequenas chamas indicam que eles queimam de amor por nós.

À esquerda, o Coração de Jesus está envolto por uma coroa de espinhos e tem uma chaga aberta que sangra. São nossos pecados e nossas más ações que O fazem sofrer: para redimir nossos pecados Ele foi coroado de espinhos. Ele morreu na Cruz e Seu Coração foi transpassado por uma lança.

À direita, o Coração de Maria está atravessado por uma espada que representa toda a dor que Ela sentiu durante a Paixão de Seu Filho por nós. Ela ofereceu esses sofrimentos em união aos de Jesus para que nós nos salvemos e possamos ir ao Céu.

SIGNIFICADO E SIMBOLISMO DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

Por | N. S. DAS GRAÇAS

Conheça os símbolos contidos na imagem de Nossa Senhor das Graças.

A aparição de Nossa Senhora das Graças

A primeira vez que a Virgem Maria se revelou como Nossa Senhora das Graças, foi em 1830, numa aparição a Santa Catarina Labouré, em Paris, França. Na aparição, Maria disse que tem muitas e muitas graças para dar à humanidade, mas as pessoas não as pedem. Vamos, então, conhecer os símbolos da imagem.

A túnica e o véu de Nossa senhora das Graças

A túnica e o véu na cor branca que aparecem na imagem de Nossa senhora das Graças simbolizam a pureza da Virgem Maria. Com efeito, ela é “Cheia de Graça”, segundo as palavras do Anjo Gabriel (Lucas 1, 28). O véu era usado sobre os cabelos pelas mulheres judias como sinal de pureza e recato.

O cinto azul

O cinto azul de Nossa Senhora das Graças representa o céu e está ligado à túnica branca. Isto significa que para chegar ao céu é preciso pureza de coração e santidade. Claro que, para isso, contamos com a misericórdia de Deus e a intercessão de Nossa Senhora.

O manto azul de Nossa Senhora das Graças

O manto de Nossa senhora representa o céu. Significa que a Virgem Maria é um ser humano que está no céu, gozando da irrestrita presença de Deus, bem como da glória celestial. E estando lá, diante de seu Filho Jesus, ela pode interceder por todos nós, que somos seus filhos adotivos.

A coroa de doze estrelas

A coroa de doze estrelas é um símbolo forte nas imagens de Nossa Senhora. Significa que a Virgem Maria é rainha do céu e da terra. As doze estrelas vem da visão de São João, que está em Apocalipse 12, 1 e significam os doze Apóstolos. Eles são as colunas da Igreja. A coroa de Nossa Senhora com doze estrelas significa que Nossa senhora é Rainha em conformidade com a doutrina dos Apóstolos.

A serpente debaixo dos pés de Nossa Senhora das Graças

A serpente debaixo dos pés de Nossa Senhora das Graças simboliza o demônio vencido pela “Nova Eva”, obediente e pura. Dizendo “sim” a Deus e gerando Jesus, a Virgem Maria “esmagou a cabeça da serpente”, como nos fora prometido por Deus no livro do Gênesis 3, 15. Por isso, quem procura se aproximar da Mãe Maria com sinceridade de coração, vence as tentações do maligno e se aproxima cada vez mais de Deus.

O globo sob os pés de Maria

Veja as palavras da própria Virgem Maria a Santa Catarina Labouré: “Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular.” O globo terrestre debaixo dos pés de Nossa Senhora significa que ela tem poder de intercessão para salvar o mundo. Porém, é preciso que os cristãos peçam isso a ela incessantemente. O mundo também representa cada pessoa em particular, que pode ser salva pela intercessão da Mãe.

Os raios saindo das mãos de Nossa Senhora das Graças

Os raios saindo das mãos de Nossa senhora das Graças tem um significado maravilhoso. Veja as palavras da Mãe sobre isso: “Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que Me as pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais finos correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir.” Em outra aparição, Nossa Senhora lamentou dizendo a Santa Catarina Labouré: “Tenho muitas e muitas graças para dar à humanidade, mas as pessoas não mas pedem.”

Oração a Nossa Senhora das Graças

“Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada). Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre verdadeiros cristãos. Amém.”Rezar 3 Ave-Marias e depois a jaculatória: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

“Maria conhece todas as nossas necessidades, mágoas, tristezas, misérias e esperanças. Interessa-se por cada um de seus filhos, roga por cada um com tanto ardor como se não tivera outro”. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo- nos de vossos pés para vos expôr, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos.

Rezar 3 Ave Marias.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

Por | N. S. DAS GRAÇAS

Origem na eternidade

A história de Nossa Senhora das Graças começa, na verdade, fora do tempo, quando o Pai, nos seus mais altos desígnios, planejou a encarnação de seu Filho Jesus, no seio da humanidade. Nesse momento, o Pai também pensou em Maria, pois, seu Filho teria que ter uma mãe humana. E a mãe do Salvador teria que ser “cheia de graça”. E assim aconteceu. A história começou, o mundo foi criado, o homem decaiu e Deus prometeu o Salvador. Por isso, Ele preparou Maria. Tanto que, quando o Anjo Gabriel apareceu para anunciar que ela seria a Mãe de Jesus, afirmou que ela era “cheia de graça”. (Lucas 1, 28)

Portadora de todas as graças

Em seguida, quando Maria disse o seu “sim” a Deus, diante do mesmo Anjo Gabriel, ela passou a ser portadora da maior de todas as graças que a humanidade poderia receber: o próprio Filho de Deus. Gerando Jesus para o mundo, Maria proporcionou que todas a graças chegassem até nós.

O título Nossa Senhora das Graças

Desde o início da Igreja, Maria sempre foi vista como “portadora das graças”. Porém, o título “Nossa Senhor das Graças” surgiu num determinado tempo da história e num local específico. Estamos falando das 17 horas e 30 minutos do dia 27 de novembro de 1830, na Rua Du Bac, 140, em Paris, França. Neste local e data especificados, Catarina Labouré, então noviça da Congregação de São Vicente de Paulo, foi até à capela impelida para rezar. Estando em oração, teve uma visão da Virgem Maria, que se revelou a ela como Nossa Senhora das Graças.

A aparição

E tal revelação não aconteceu somente por palavras. Nossa Senhora deu a Catarina Labouré uma visão reveladora. Vejamos o relato da própria Catarina que, depois, se tornou santa: “…uma Senhora de mediana estatura, de rosto muito belo e formoso… Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés… As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas. A Santíssima Virgem disse-me: ‘Eis o símbolo das Graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem …’ Formou-se então, em volta de Nossa Senhora, um quadro oval, em que se liam, em letras de ouro, estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós’. Depois disso o quadro que eu via virou-se, e eu vi no seu reverso: a letra M, tendo uma cruz na parte de cima, com um traço na base. Por baixo: os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. Ao mesmo tempo, ouvi distintamente a voz da Senhora, a dizer-me: ‘Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram, com devoção, hão de receber muitas graças”.

A revelação de Nossa Senhora das Graças

Enquanto contemplava esta cena maravilhosa, Maria sobre o globo terrestre e raios saindo de suas mãos em direção à terra, Catarina ouviu uma voz a lhe dizer: “Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que Me as pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais finos correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir.“

Pedir com fé

Compreendemos que o título Nossa Senhora das Graças está intimamente ligado à revelação da Medalha Milagrosa. Porém, as graças distribuídas por Nossa Senhora não dependem do uso da Medalha e sim de pedir a ela com fé e devoção. Tanto que, em outra aparição, Nossa Senhora se queixou a Santa Catarina Labouré dizendo: “Tenho muitas graças para distribuir… Mas as pessoas não me pedem…”

O poder da Medalha Milagrosa

Depois de um tempo, Catarina Labouré conseguiu que a medalha fosse cunhada, tal qual a Virgem Maria tinha lhe pedido. Logo, esta medalha se tornou um fenômeno inimaginável. A promessa da Virgem Maria se cumpria admiravelmente em todos os que usavam a Medalha com devoção. Graças a ela, uma terrível epidemia da peste negra foi debelada na França. Milhares de pessoas já tinham morrido quando a Medalha Milagrosa começou a ser usada. Então, os doentes que a recebiam com fé começaram a ser curados milagrosamente, pois a peste não tinha cura.

Milhões de Medalhas

Então, a Medalha Milagrosa passou de milhares para milhões de cunhagens. Espalhou-se rapidamente pela Europa livrando milhões de pessoas da peste. Depois, espalhou-se por todo o mundo. E as graças continuam acontecendo até hoje. A medalha Milagrosa é a mais cunhada de todos os tempos. O número de medalhas, porém, não se compara ao número de graças derramadas pelas mãos cheias de amor da Virgem Maria, Nossa Senhora das Graças.

O papel da Virgem Maria

É interessante lembrar que Nossa Senhora é despenseira, ou seja, uma “distribuidora” de graças. As graças são de Deus e só Ele pode dá-las. Mas, em sua misericórdia, o senhor escolheu distribui-las pelas mãos de sua mãe, Maria. Esta é a maravilha da nossa fé. Milhões de graças estão nas mãos de Nossa Senhora e ela quer distribuí-las a seus filhos. É vontade de Deus que assim seja. Por isso, vamos pedir a ela, com fé. São Bernardo de Claraval dizia que “Nunca se ouviu dizer que ela não atendeu a quem pediu com fé.” Esta realidade maravilhosa é testemunhada por milhões de pessoas, ao longo de séculos. Por isso, não deixe de faze seus pedidos à Mãe Celestial. E não deixe também de usar a bendita Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças. E grandes graças vão acontecer na sua vida.

Oração a Nossa Senhora das Graças

“Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. “

Rezar 3 Ave Marias.

Jaculatória contida na Medalha:

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Amém.

SÃO BENTO – PATRONO DOS EXORCISTAS

Por | SÃO BENTO

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre  seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

O poderoso significado da medalha de São Bento

Por | DESTAQUES, SÃO BENTO

O significado da medalha, as graças que você pode alcançar e uma poderosa oração a São Bento

A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, como conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São Bento; de fato, se usado com fé e com o Patrocínio do Santo; protege:

Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas indulgências: indulgência plenária em ponto de morte; indulgência parcial.

Significado da medalha

Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

A partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça … que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso.
Amém.

(Fontes: Mosteiro de São Bento e São Miguel Arcanjo)

São Judas Tadeu e São Simão – 28 de Outubro

Por | SANTOS DA IGREJA

Celebramos na alegria da fé os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu. Os apóstolos foram colunas e fundamento da verdade do Reino.

São Simão: Simão tinha o cognome de Cananeu, palavra hebraica que significa “zeloso”. Nicéforo Calisto diz que Simão pregou na África e na Grã-Bretanha. São Fortunato, Bispo de Poitiers no fim do século VI, indica estarem Simão e Judas enterrados na Pérsia. Isto vem das histórias apócrifas dos apóstolos; segundo elas, foram martirizados em Suanir, na Pérsia, a mando de sacerdotes pagãos que instigaram as autoridades locais e o povo, tendo sido ambos decapitados. É o que rege o martirológio jeronimita.

Outros dizem que Simão foi sepultado perto do Mar Negro; na Caucásia foi elevada em sua honra uma igreja entre o VI e o VIII séculos. Beda, pelo ano de 735, colocou os dois santos no martirológio a 28 de outubro; assim ainda hoje os celebramos. Na antiga basílica de São Pedro do Vaticano havia uma capela dos dois santos, Simão e Judas, e nela se conservava o Santíssimo Sacramento.

São Judas Tadeu: Judas, um dos doze, era chamado também Tadeu ou Lebeu, que São Jerônimo interpreta como homem de senso prudente. Judas Tadeu foi quem, na Última Ceia, perguntou ao Senhor: “Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22).

Temos uma epístola de Judas “irmão de Tiago”, que foi classificada como uma das epístolas católicas. Parece ter em vista convertidos, e combate seitas corrompidas na doutrina e nos costumes. Começa com estas palavras: “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados e amados por Deus Pai, e conservados para Jesus Cristo: misericórdia, paz e amor vos sejam concedidos abundantemente”. Orígenes achava esta epístola “cheia de força e de graça do céu”.

Segundo São Jerônimo, Judas terá pregado em Osroene (região de Edessa), sendo rei Abgar. Terá evangelizado a Mesopotâmia, segundo Nicéforo Calisto. São Paulino de Nola tinha-o como apóstolo da Líbia. Conta-se que Nosso Senhor, em revelações particulares, teria declarado que atenderá os pedidos daqueles que, nas suas maiores aflições, recorrerem a São Judas Tadeu. Santa Brígida refere que Jesus lhe disse que recorresse a este apóstolo, pois ele lhe valeria nas suas necessidades. Tantos e tão extraordinários são os favores que São Judas Tadeu concede aos seus devotos, que se tornou conhecido em todo o mundo com o título de Patrono dos aflitos e Padroeiro das causas desesperadas.

São Judas é representado segurando um machado, uma clava, uma espada ou uma alabarda, por sua morte ter ocorrido por uma dessas armas.

São Simão e São Judas Tadeu, rogai por nós!

São Daniel Comboni – Pai dos Negros

Por | SANTOS DA IGREJA

São Daniel Comboni nasceu em uma vila chamada Teseul, no norte da Itália, próximo ao lago de Garda, em 15 de março de 1831. Era de uma família humilde de agricultores. Seus pais, Luigi e Domenica, tiveram oito filhos, mas só Daniel sobreviveu.

Origem simples de São Daniel Comboni

Seus pais eram jardineiros. Em sua casa só havia os bens essenciais, pouca comida, a roupa indispen­sável para se proteger do inverno. A riqueza era a estrutura familiar bem sólida. Seus pais lhe ensinaram o respeito pelos outros, o valor da honestidade, o amor ao trabalho e, principalmente, a importância da fé em Deus. São Daniel tinha orgulho de sua terra natal e nunca esqueceu suas raízes. Um dia, já crescido e importante, escreveu a um amigo:Grandes e ricos me cumprimentam e reverenciam. Se eles soubessem que nasci em Teseul.

Inteligência e vocação

A professora de Daniel notava que ele era diferente: suas respostas revelavam grande inteligência. Ele também era um menino curioso que questionava tudo. Com apenas dez anos já queria ser padre. Porém, para estudar foi preciso ir para Verona, longe da família, sob os cuidados de Nicola Mazza, um padre que tinha fundado duas escolas.

Quando leu Vitórias dos Mártires, de Santo Afonso Maria de Ligório, aos 15 anos, ficou empolgado e decidiu que seria missionário. Aos 17, fez uma promessa. Ele escreveu assim: Foi em janeiro de 1849, quando era estu­dante de Filosofia. Jurei aos pés de meu venerado superior, o padre Mazza, consa­grar toda a minha vida ao apostolado na África Cent­ral. Nunca faltei, com a graça de Deus e apesar da mudança das circunstâncias, à minha promessa. Des­de aquele momento, não tive outro objetivo senão pre­parar-me para tão santa empresa. Em dezembro de 1854 Daniel Comboni recebeu o Sacramento da Ordem, tonando-se padre aos 23 anos de idade, na cidade de Trento.

São Daniel Comboni parte em missão a África

Ele se preparou para a missão na África estudando francês, inglês, espanhol, árabe, português, alemão e algumas línguas africanas. Em 1857, partiu em sua primeira viagem missionária na África, dedicando-se na luta contra a escravidão. Mas essa viagem não saiu como planejada. Três companheiros morreram de malária. Os outros obstáculos foram a língua e o clima. O calor de 40 graus era demais para os europeus.

Em viagem a Roma, ao visitar o túmulo de São Pedro, Daniel teve uma forte inspiração e no Concílio Vaticano I (dezembro/1869 a dezembro/1870), explicou aos bispos o seu projeto de restauração dos africanos. Sua inspiração era a desalvar a África com os africanos. Para isso, era necessário preparar bem os sacerdotes e os missionários in loco, na própria África, na realidade africana. Sua inspiração foi aclamada no concílio.

Missionário incansável

Mais do que ninguém, São Daniel Comboni amou os homens de pele negra e o continente africano. Por causa desse amor sem medidas, ele viajava bastante e fundou vários colégios, sempre sonhando em fazer a África crescer, melhorar, sair da pobreza. Com a ajuda de algumas mulheres fundou e organizou a Congregação Pias Madres da Nigritia.

O Vaticano reconheceu o esforço e a luta de São Daniel Comboni. Prova disso é que por ordem de um Cardeal do vaticano, responsável pela propagação da fé, Daniel fundou, em 1867, um instituto chamado Filhos do Sagrado Coração de Jesus. Atualmente são conhecidos como Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ). Eles estão presentes no mundo todo e possuem 24 mártires. Em 1877 ele foi consagrado como bispo deste Vicariato, responsável pela África Central.

Falecimento de São Daniel

São Daniel Comboni morreu no dia 10 de outubro de 1881, na cidade de Cartum, Sudão, país paupérrimo da África, vítima de febre alta. Vários companheiros já tinham morrido do mesmo mal. Antes de morrer, exortou aos amigos que não desistissem jamais da missão, mesmo que sobrasse apenas um deles.

Devoção a São Daniel Comboni

No dia 5 de outubro de 2003, Daniel Comboni foi canonizado pelo Papa João Paulo II. A liturgia da Igreja celebra sua festa no dia 10 de outubro. A causa de sua canonização foi a cura de uma menina com problemas no aparelho digestivo, ocorrida na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, nos anos de 1970, onde foi erguida uma igreja em sua homenagem.

Carlos Cassiano, o médico que fez a cirurgia no estômago da menina, detectou uma infecção generalizada, sendo que não mais nada podia ser feito para salvar a vida da menina. Parentes e amigos ficaram surpresos e chocados com a notícia. Por isso, passaram toda a noite em orações e súplicas,  implorando a intercessão de São Daniel Comboni, por influência dos missionários combonianos na região. E o milagre aconteceu: a menina levantou curada no dia seguinte. O fato foi estudado por médicos e especialistas que constataram: a cura da menina é um fato que não pode ser explicado pela ciência.

Veja o Vídeo

São Tiago Maior, grande amigo de Nosso Senhor

Por | SANTOS DA IGREJA

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista.

Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor.

Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros.

Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho:

“Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2).

Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo.

Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Estando um dia com o pai e o irmão a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Segui-me”. João e Tiago imediatamente obedeceram; deixaram o pai e as redes e seguiram Jesus, como fiéis discípulos, para todo o sempre.

Tiago e João eram filhos de Zebedeu e Maria Salomé, que por sua vez era filha de Alfeu ou Cleofas, irmão de São José, e de Maria, Maria de Cleofas. Podemos assim entender a proximidade de Jesus aos filhos de Zebedeu; eles sempre estavam no grupo dos três, Pedro, Tiago e João. Eram, talvez, os mais íntimos.

Podemos entender também o pedido, feito a Jesus, por Maria Salomé de que os colocasse no seu Reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Era um pedido de mãe; porém, provavelmente ela expressou o desejo mais íntimo dos dois apóstolos.

Naquele momento, Jesus, sem considerar o parentesco, repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?”. Eles prontamente responderam: “Podemos”. Por fim o Senhor afirma que tal decisão cabe tão somente ao Pai.

Sempre que Jesus se referia aos irmãos Tiago e João, ele os chamava de “Boanerges”, que significa “Filhos do trovão”. O evangelista Lucas narra um fato que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação e fidelidade ao Mestre.

O fato faz referência à chegada deles a uma cidade da Samaría, quando seu povo não os deixou entrar. João e Tiago viram nisso uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: “Senhor, queres que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade para consumi-la?”.

Jesus mais uma vez chamou-lhes a atenção dizendo: “Não sabeis de que espírito sois animados. O filho do homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las”.

Com Pedro, Tiago e João foram privilegiados, pois estavam com Jesus na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração no Monte Tabor e também no Horto das Oliveiras.

Tiago, o irmão mais velho, sempre foi uma referência para João evangelista e para os demais discípulos, pois era corajoso e determinado. Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade.
Após o nascimento da Igreja institucional, em Pentecostes, Tiago, assim como os outros Apóstolos, saiu para todos os lugares para pregar o Evangelho de Jesus Cristo.

Uma antiga tradição afirma que Tiago viajou para a Espanha e lá plantou as sementes do Cristianismo. Diz-se que antes de partir em missão, os apóstolos visitavam a mãe do Senhor, e dela imploravam suas bênçãos. Nossa Senhora os recomendava ao Senhor e os encorajava na defesa da fé, no Cristo vivo e ressuscitado.

Com Tiago, a Santíssima Virgem manifestou o desejo de ir a seu encontro lá pelas terras da Espanha, dizendo: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por Ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à Fé, edifiques em minha memória conforme eu te manifestar”.

Tendo pregado por algum tempo, dirigiu-se a Saragoça, à margem do Ebro. Lá, converteu ao cristianismo oito varões, com os quais se retirava para orar. Certa noite, enquanto descansavam, ouviram de repente vozes angélicas que cantavam “Ave Maria”.

Tiago e seus discípulos puseram-se de joelhos e eis que viram a Virgem Santíssima entre um coro de anjos e sentada sobre um pilar de mármore. A Mãe do Senhor chamou o apóstolo Tiago e indicou-lhe o lugar onde queria que fosse edificada a sua igreja; disse-lhe que conservasse aquela coluna e a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria ali até o fim do mundo.

Devemos lembrar que a aparição aconteceu no tempo em que a Virgem Maria ainda viva no mundo.
Ainda hoje podemos contemplar o belíssimo pilar na Basílica de Saragoça.

Para o apóstolo Tiago, o pior estava por vir, pois alguns dos seus o traíram e na Páscoa do ano de 42 foi decapitado ao lado de seu acusador que por fim arrependeu-se; estavam a caminho de Jerusalém!
Segundo uma antiga tradição, o bispo Teodomiro de Iria, em princípios do século IX, teria encontrado o corpo do apóstolo Tiago num lugar chamado Campo de estrelas (Compostela).

Foi naquele lugar que o rei Afonso II erigiu, sobre o túmulo do apóstolo uma igreja. Suas relíquias estão guardadas num dos mais conhecidos santuários do mundo – o de Compostela.
Que o apóstolo Tiago, padroeiro da Espanha, nos ensine a fazer a vontade do Senhor e a buscar as bênçãos da Santíssima Virgem, em cada nova missão.

São Charbel Makhluf – Paz de Alma, silêncio e solidão.

Por | SANTOS DA IGREJA

Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus.

Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos Livros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedroscentenários o pequeno Youssef Makhlouf.

São Charbel Makhlouf nasceu a 8 de maio de 1828, em BiqáKafra, aldeia montanhosa do norte, ao pé dos cedros do Líbano. Seu nome de batismo: José Zaroun Makhlouf. Com 23 anos ele toma o nome de Charbel em memória do mártir do século segundo, foge de casa e refugia-se no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfoug, da Ordem libanesa maronita. Um ano depois, transfere-se para o mosteiro de S. Maron de Annayam, da província de Jbail, verdadeiro oásis de oração e fé, a 1300 metros de altitude. Depois de seis anos de estudos teológicos, em Klifan, é ordenado sacerdote. Exerce, então, com muita edificação, as funções do seu ministério sagrado, juntamente com toda a sorte de trabalhos manuais. Após dezesseis anos de vida ascética, Charbel obtém autorização, em 1875, para se retirar ao eremitério dos Santos Pedro e Paulo, de Annaya. Durante 23 anos (1875-1898), S. Charbel entrega-se com todas as forças da alma, à busca de Deus, na bem-aventurada e total solidão. Deus recompensa o seu fiel servidor, dando-lhe o dom de operar milagres, já em vida: afirma-se que os realizou não somente com cristãos, mas, também, com muitos muçulmanos.

No dia 16 de dezembro de 1898, em Annaya, enquanto celebrava a Santa Missa, sofreu um ataque de apoplexia; levou-o à morte, no dia 24, Vigília da Festa de Natal. Tinha 70 anos de idade.

Com o seu próprio punho, Pio XII assinou o decreto que dava início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo expressamente: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Foi vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocarem com um pedaço de pano suas vestes constantemente úmidas de sangue, alcançam alívio em suas doenças e não poucos até se veem curados. Glória ao Pai que coroou os combates dos santos. Glória ao Filho que deixou esse poder em suas relíquias. Glória ao Espírito Santo que repousa, com suas luzes, sobre seus restos mortais para fazer nascer consolações em todas as espécies de tristezas”.

No segundo domingo de outubro de 1977, dia 9, o Santo Padre Paulo VI canonizou solenemente, na Basílica de São Pedro, em Roma, o bem-aventurado Charbel Makhlouf, monge eremita libanês. Foi a primeira canonização, realizada pelo Papa, de um membro da Igreja do Rito Oriental, desde que o Vaticano traçara, há quatro séculos, nova orientação para as canonizações. Antes da canonização atual, os santos maronitas eram proclamados pelo Patriarca da Igreja maronita.

São Charbel Makhlouf, rogai por nós!

Modelo de obediência e pureza

Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo:

– Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel?

Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo paraoutro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei:”Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga.

Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando-se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher.

O dom de fazer milagres

Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade.

Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de entregar ao padre Charbel determinada quantia e pedirlhe que este lhe enviasse uma correia benta. Há uma devoção mariana típica do Líbano: nas situações de emergência – calamidades públicas, epidemias, guerras, etc. -, os chefes de família levam à igreja um véu de seda ou algodão; esses véus são entrelaçados e ficam suspensos em volta da capela, até a Virgem fazer cessar a desgraça. O padre Charbel pegou, então, um desses véus, que estava na imagem de Nossa Senhora do Rosário, e o entregou ao mensageiro, dizendo:

– Que a mulher se cinja com este véu, e ficará curada. Quanto à esmola, coloque-a sobre o altar, o padre provedor irá tirá-la. – E a mulher ficou curada.

Na ermida de São Pedro e São Paulo

Visto que a solidão o atraía desde a infância, e que no mosteiro de Annaya vivia já praticamente como um anacoreta, foi ele transferido para a ermida de São Pedro e São Paulo, a pouca distância do mosteiro. Tinha então 47 anos, e ali permaneceu até o dia de sua morte, ocorrida 23 anos depois.

Sua oração era apenas interrompida pelo cultivo da vinha e outros trabalhos na ermida. E a única refeição do dia, perto das três horas da tarde, acabava sendo um exercício de penitência, pela exiguidade e pobreza do alimento. Sua devoção a Maria era incomparável. Repetia continuamente Seu nome bendito, e cada vez que entrava ou saía de sua cela recitava, de joelhos, a saudação angélica diante de uma pequena imagem que ali ficava.

Proverbial era também sua paz de alma. Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em oração. Dois ermitães acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade.

– Padre Charbel, por que não se moveu para apagar o fogo?

– Caro irmão, como poderia fazê-lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu…

De fato, como o incêndio fora rapidíssimo, ele julgara mais importante continuar sua oração, sem se perturbar.

Nascimento para a vida eterna

Quando celebrava a Missa no dia 16 de dezembro de 1898, no momento em que comungava o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, um repentino ataque de apoplexia o deixou paralisado, sem poder concluir o Santo Sacrifício. Socorrido semdemora,foilevado para sua pobre cela, onde permaneceu oito dias entre a vida e a morte, com intervalos de lucidez durante os quais rezava curtas orações.

Na vigília do Natal, enquanto a Igreja comemorava a vinda ao mundo do Menino Jesus, nasceu para a eternidade aquele santo monge maronita, o primeiro oriental a ser canonizado segundo a forma usada na Igreja Católica latina.

Seus restos mortais foram sepultados em uma vala comum, junto aos dos demais monges falecidos, como pedia a santa Regra. E, desde aquele momento, o cemitério passou a ser iluminado à noite por uma suave e misteriosa luz. Este e outros prodígios, unidos à sua fama de santidade, levaram a transferi-los para um novo túmulo, na parede da cripta da Igreja de São Maron.

A vala onde São Charbel fora enterrado era tão úmida que, ao fazer a exumação, o corpo apareceu literalmente encharcado, mas milagrosamente íntegro e flexível, transpirando um líquido avermelhado de agradável odor. E quando o novo túmulo fora aberto, em 1950, 1952 e 1955, constatou-se que ainda continuava flexível e incorrupto.

Sua modelar vida monástica e os numerosos milagres realizados pela sua intercessão levaram o Papa Paulo VI a beatificá-lo em 5 de dezembro de 1965, dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, e a canonizálo em 10 de outubro de 1977.

Exemplo também para nós

O exemplo de São Charbel Makhlouf indica um caminho também nos dias de hoje, pois o silêncio e a oração constituem um valioso auxílio para solucionar as angústias e aflições do homem contemporâneo.

Engana-se quem pensa que o recolhimento é privilégio exclusivo dos religiosos de clausura. Ele está ao alcance de todos nós, pois “a fonte da verdadeira solidão e do silêncio não está nas condições ou na qualidade do trabalho, mas sim no contato íntimo com Deus […] O silêncio, assim entendido, pode encontrar-se na rua, no estrépito do trabalho da fábrica, nas atividades do campo, porque é levado dentro de nós”.2 (por Raphaela Nogueira Thomaz, Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36).

Videos sobre São Charbel

Documentário

São João Paulo II! Santo Padre. (1920-2005)

Por | SÃO JOÃO PAULO II

Karol Wojtyla nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, na Polónia meridional, onde viveu até 1938, quando se inscreveu na faculdade de filosofia da Universidade Jagelónica e se transferiu para Cracóvia. No Outono de 1940 trabalhou como operário nas minas de pedra e depois numa fábrica química. Em Outubro de 1942 entrou no seminário clandestino de Cracóvia e a 1 de Novembro de 1946 foi ordenado sacerdote.

A 4 de Julho de 1958, Pio XII nomeou-o bispo auxiliar de Cracóvia. Recebeu a ordenação episcopal a 28 de Setembro seguinte. Como lema episcopal escolheu a expressão mariana Totus tuus de são Luís Maria Grignion de Montfort.

Primeiro como auxiliar e depois, a partir de 13 de Janeiro de 1964, como arcebispo de Cracóvia, participou em todas as sessões do concílio Vaticano II. A 26 de Junho de 1967 foi criado cardeal por Paulo VI.

Em 1978 participou no conclave convocado depois da morte de Montini e no sucessivo após o inesperado falecimento de Luciani. Na tarde de 16 de Outubro, depois de oito escrutínios, foi eleito Papa. Primeiro Pontífice eslavo da história e primeiro não italiano depois de quase meio milénio, desde o tempo de Adriano VI (1522-1523).

Personalidade poliédrica e carismática, afirmou-se imediatamente pela grande capacidade comunicativa e pelo estilo pastoral fora dos esquemas. A têmpera e o vigor de uma idade relativamente jovem permitiu que empreendesse uma actividade intensíssima, ritmada sobretudo pelo multiplicar-se das visitas e das viagens: no total foram 104 internacionais e 146 na Itália, com 129 países visitados nos cinco continentes.

Desde o início trabalhou para dar voz à chamada Igreja do silêncio. A insistência sobre os temas dos direitos do homem e da liberdade religiosa tornou-se assim uma constante do seu magistério. Tanto que hoje é largamente reconhecido o contributo relevante da sua acção para as vicissitudes que determinaram a queda do muro de Berlim em 1989 e o sucessivo colapso dos regimes filo-soviéticos. Neste contexto provavelmente insere-se o gravíssimo episódio do atentado do qual foi vítima a 13 de Maio de 1981 por obra do turco Ali Agca.

Ao lado da polémica anticomunista, desenvolveu-se também uma leitura crítica do capitalismo, submetido a uma análise crítica em três das suas 14 encíclicas: a Laborem exercens (1981), a Sollicitudo rei socialis (1987) e aCentesimus annus (1991). Também foi assídua a sua actividade a favor da paz, que se entrelaça com a busca do diálogo com as grandes religiões — em particular com o judaísmo e com o islão — e com o novo impulso impresso no caminho ecuménico.

Em 1983 promulgou o novo Codex iuris canonici e depois providenciou à reforma da Cúria romana com a constituição apostólica Pastor bonus de 1988. Favoreceu também a dimensão da colegialidade episcopal no governo da Igreja, sobretudo através da convocação de quinze sínodos dos bispos. Entre os números de um pontificado bastante longo — em segundo lugar por duração só ao de Pio IX (1846-1878) — podem ser mencionadas também as frequentes cerimónias de beatificação e canonização, durante as quais foram proclamados 1.338 beatos e 482 santos.

Com o passar dos anos a atenção do Pontífice focalizou-se sobretudo na celebração do grande jubileu do ano 2000. O evento assumiu um significado altamente simbólico no âmbito da sua missão pastoral e teve uma forte importância penitencial, expressa de modo emblemático no dia do perdão (12 de Março).

O encerramento do jubileu abriu a fase conclusiva do pontificado, marcada sobretudo pelo progressivo agravamento das condições de saúde do Papa, que depois de uma longa e angustiante agonia morreu na noite de 2 de Abril de 2005.

Após 26 dias do seu falecimento, Bento XVI concedeu a dispensa dos cinco anos de expectativa prescritos permitindo o início da causa de canonização. E o mesmo Papa o proclamou beato a 1 de Maio de 2011.

Publicado no L’Osservatore Romano, ed. em português, n. 18 de 3 de maio de 2014

Orações a São João Paulo II

Ó São João Paulo,
da janela do céu,
dá-nos a tua bênção!

Abençoa a Igreja,
que tu amaste, serviste e guiaste,
incentivando-a a caminhar corajosamente
pelos caminhos do mundo,
para levar Jesus a todos
e todos a Jesus!

Abençoa os jovens,
que também foram tua grande paixão.
Ajuda-os a voltar a sonhar,
voltar a dirigir o olhar ao alto
para encontrar a luz que
ilumina os caminhos da vida na terra.

Abençoa as famílias,
abençoa cada família!
Tu percebeste a ação de Satanás
contra esta preciosa e indispensável
faísca do céu que Deus
acendeu sobre a terra.

São João Paulo,
com a tua intercessão,
protege as famílias
e cada vida que nasce
dentro da família.

Roga pelo mundo inteiro,
ainda marcado por tensões,
guerras e injustiças.
Tu te opuseste à guerra,
invocando o diálogo e semeando o amor;
roga por nós,
para que sejamos incansáveis
semeadores de paz.

Ó São João Paulo,
da janela do céu,
onde te vemos junto a Maria,
faz descer sobre todos nós
a bênção de Deus!

Amém.

(Cardeal Angelo Comastri)

Documentário

Parte I

Parte II

São Filipe Néri! O Santo da Alegria!

Por | SANTOS DA IGREJA

Morte 26 de maio de 1595 / Beatificação 1614 por Papa Paulo V / Canonização 1622 por Papa Gregório XV / Festa litúrgica 26 de maio

Na Cidade Eterna, avançava para seu final a noite calma e silenciosa. Após mais uma jornada na qual conduzira com valor a Barca de Pedro, o Sumo Pontífice descansava por algumas horas, para retomar seu posto aos primeiros clarões da aurora.

Nem todos, porém, repousavam naquela madrugada de 1544. A célebre Via Ápia, outrora palmilhada nessas horas pelos vigias de César e por cristãos que procuravam refúgio nas catacumbas, presenciava agora os passos de um humilde fiel chamado Filipe Néri, então com 29 anos de idade. Percorreu pouco mais de três quilômetros até a ponta da escadaria da Catacumba de São Sebastião, seu local predileto de oração e recolhimento.

O “pentecostes” de São Filipe

A Santa Igreja atravessava as conturbações religiosas do século XVI. Preparavam-se em Trento as seções do grande Concílio e o mundo cristão vivia uma encruzilhada histórica, de desfecho pouco previsível. Posto nessa situação, Filipe erguia do fundo daquelas úmidas e escuras galerias uma prece que se confundia com o clamor dos mártires: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovareis a face da Terra”.

Enquanto rezava, sentiu seu coração encher-se “de grande e inusitada alegria, uma alegria feita de amor divino, mais forte e veemente que qualquer outra sentida antes”.1 Uma bola de fogo – símbolo do Espírito Santo – refulgiu diante dele, entrou por sua boca e pousou em seu coração. Num instante, viu-se tomado de excepcional amor e entusiasmo pelas coisas divinas, bem como de uma capacidade incomum de comunicá-los. Sua constituição física, não podendo conter o ímpeto da ação sobrenatural, modelou-se milagrosamente a ela: o coração aumentou de tamanho e buscou lugar entre a quarta e a quinta costelas, as quais se arquearam docilmente para darlhe um maior espaço.

Esse episódio miraculoso, ocorrido na vigília de Pentecostes, passaria para a História como “o pentecostes de São Filipe Néri”. E os frutos de tamanho prodígio não se fizeram esperar: “É assim que esse homem, admirável pela doçura, a persuasão e o fogo da caridade, começou essa santa renovação social pela qual regenerará os povos da Itália; sublime obra de humildade, paciência e devotamento, que ele realizou antes de morrer, e sua congregação continuou depois tão gloriosamente”.2

Peculiar vocação

Filipe Romolo Néri nasceu num bairro popular de Florença, a 22 de julho de 1515. Aos 18 anos, seu pai, Francesco Néri, o enviou à casa de um tio, em San Germano, a fim de aprender o ofício de comerciante. Da bela cidade onde nascera, que deixava para sempre, haveria de conservar como um tesouro a formação religiosa recebida dos dominicanos do Convento de São Marcos: “Tudo quanto tenho de bom, recebi dos padres de São Marcos”,3 repetirá ao longo da vida.

Sua vocação, porém, não era mercantil. Desapontado com as perspectivas de um lucro que hoje se conquista e amanhã se perde, ele se interessava muito mais por acumular tesouros no Céu, “onde não os consomem a traça nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6, 20). Partiu para Roma no ano seguinte, abandonando o tio e os negócios.

O problema de uma vocação “oficial” não se pôs para este jovem, já decidido a entregar-se a Deus. Não quis ser padre, nesse então, nem ir para um convento, nem integrar qualquer instituição eclesial da época. Entretanto, dificilmente encontraremos entre o clero, nos claustros ou confrarias daquele século, pessoa mais devota do que ele. Desde sua juventude, Filipe teve a característica de escapar dos esquemas habituais, para mostrar que a única regra perfeita em si mesma é a caridade, e nenhuma disciplina tem valor quando se afasta da obediência a Jesus Cristo.

Com efeito, levava no mundo uma vida espiritual admirável! Tendo recebido asilo na casa de um nobre florentino, estabelecido na Cidade Eterna, ali passou vários anos em isolamento, oração e severa penitência. Frequentava com avidez a Roma Antiga, deixando-se ficar longas horas em oração nos sagrados lugares. Alguns anos mais tarde, sentiuse atraído a estudar Filosofia e Teologia, e os mestres da Sapienza e do Studium agostiniano se assombraram perante o voo intelectual desse homem que vivia como um mendigo.

Tais anos de estudo foram altamente fecundos, a ponto de lhe valerem para o resto da vida e daremlhe a justificada fama de possuir uma sabedoria em nada inferior à dos maiores teólogos que essa época conheceu. São Tomás de Aquino será para sempre seu mestre; a Suma Teológica, seu livro de cabeceira.

Difundia a alegria da santidade

Em pouco tempo, por toda a Urbe, comentava-se a santidade desse peregrino de vida edificante. Solidificado na virtude, pelo longo período de recolhimento, ele sentiu ter chegado a hora de iniciar sua obra evangelizadora. Para isso, escolheu as regiões mais pobres e “em todos os bairros, mesmo nos de pior fama, pregava ao ar livre a ouvintes benévolos e obtinha conversões extraordinárias. Sua fórmula para interpelar um pecador consistia em pousar a mão em seu ombro, no lugar onde o encontrasse, e dizer: “Vamos ver, irmão, é hoje que nos decidimos a comportar-nos bem?”.

Dotado de grande atrativo pessoal, Filipe Néri difundia ao seu redor a alegria da santidade, perto da qual a satisfação efêmera do pecado não passa de grotesca caricatura. Todos queriam estar perto dele e receber o transbordamento de seu amor a Deus. Os jovens se comprimiam ao seu redor, para ouvi-lo falar das coisas do Céu e brincarem juntos, em ruidosa algazarra. A um adulto ranzinza que reclamava do barulho, respondeu com um só argumento: “Eles não cometem nenhum pecado!”.6 Com efeito, no inovador método de evangelização desse apóstolo leigo, tudo era permitido, menos o pecado e a tristeza.

Assim era a amizade desses santos…

Lançando-se num incansável apostolado junto aos leitos dos doentes, Filipe livrou do desespero e conduziu à morte santa muitos moribundos. No ano de 1548 fundou, juntamente com seu confessor, Persiano Rosa, a Confraria da Santíssima Trindade, destinada a atender os enfermos e peregrinos.

Santo Inácio de Loyola percebia o valor de Filipe e fez-lhe reiterados convites para ingressar na Companhia de Jesus, mas este preferiu continuar na condição de pietoso lazzarone (piedoso mendigo).

Admirado pela legião de pessoas que, movidas por suas palavras, abraçavam a vida consagrada, Santo Inácio o cognominou de “o Sino”, dando a seguinte explicação: “Assim como um sino de paróquia, que chama todo mundo para a igreja e permanece no seu lugar, este homem apostólico faz os outros entrarem na vida religiosa e permanece de fora”.7 Em contrapartida, Filipe – que se sentia chamado para suscitar religiosos, mas não para ser um deles – manifestava grande entusiasmo pelo convertido de Manresa; chegou a afirmar que nunca contemplava sua fisionomia sem vê-lo resplandecente como um Anjo de luz.
Assim era a amizade de tais santos!

“Roma será a tua Índia”

Mas se o fundador dos jesuítas não conseguiu atraí-lo para a Companhia, seu filho espiritual, Francisco Xavier, despertou no pietoso lazzarone imenso desejo de partir para a Índia, a fim de conquistar maior número de almas para Cristo.

As cartas do Apóstolo do Oriente estavam na ordem do dia, nos ambientes eclesiásticos romanos. Filipe reunira em torno de si um núcleo de discípulos mais próximos para auxiliá-lo no apostolado – os futuros sacerdotes da Congregação do Oratório, que ele fundaria em 1575 -, com os quais comentava as narrativas vindas da Índia, lamentando-se: “Que lástima existirem tão poucos operários para recolher semelhante colheita! Por que não vamos também nós ajudá-los?”.8

Em insistente oração, eles imploravam luzes sobrenaturais para decidir sobre a viagem. A resposta veio pela palavra do abade cisterciense de Tre Fontane, a quem São Filipe consultara: “Roma será a tua Índia”.9 Compreendeu nosso Santo que sua vocação era ser missionário na Cidade Eterna, onde o aguardavam sofrimentos, fadigas e sacrifícios, como talvez nem na Índia encontraria.

A peregrinação das sete igrejas

Em 23 de maio de 1551, recebeu a ordenação sacerdotal. Contava 36 anos, e agora executaria, como ministro do Senhor, os trabalhos de sua vinha. No exercício do ministério sacerdotal, aos discípulos pobres se juntariam nobres, burgueses, artistas e cardeais. Qual o principal método de atuação escolhido por São Filipe para atraí-los? A originalíssima “peregrinação às sete igrejas”.

O programa da “peregrinação” começava na Basílica de São Pedro, onde, após a leitura espiritual, fazia-se uma exposição doutrinária. Os participantes meditavam, comentavam, e Padre Filipe tirava a conclusão. Em seguida, todos se levantavam e se dirigiam para a Basílica de São Paulo, cantando hinos e salmos em compenetrada devoção. Ali chegando, ouviam uma nova conferência sobre a História da Igreja, a vida dos santos ou a Bíblia. E assim prosseguiam até o meio dia, quando assistiam à Missa e comungavam na Igreja de São Sebastião ou na de Santo Estêvão.

Em seguida, servia-se uma refeição nos jardins da redondeza, sempre animada pela contagiante alegria de São Filipe. A “peregrinação” recomeçava com novo cortejo musical, passando por outros templos veneráveis. O número de conversões ultrapassava todas as expectativas.

Membros de importantes famílias, como a dos Médici e a dos Borromeu, estiveram, lado a lado, com crianças órfãs e humildes artesãos nesse exercício que, por seu fervor, censurava os cristãos tíbios e ao mesmo tempo os conclamava. Poderemos contar até mil pessoas peregrinando juntas num mesmo dia, entre elas quatro futuros papas – Gregório XIII, Gregório XIV, Clemente VIII e Leão XI – e o genial compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina. São Filipe, porém, dava pouca importância aos cargos e talentos, se discernia nas almas a fealdade do pecado. Ele cumpria sua missão de purificá-las e torná-las humildes, quaisquer que fossem.

Ao cair da tarde, findava a meditação na Basílica de Santa Maria Maior, todos voltavam para casa carregados de bons propósitos e, o que é mais importante, com força para cumpri-los.

Santas peripécias

Entre os historiadores que retrataram a figura deste insigne Santo, alguns o descreveram com traços inexatos, como se ele fosse um comediante, interessado apenas em despertar o riso com seus ditos jocosos. Na verdade, a alegria deste varão sobrenatural provinha de sua união com Deus, do sentir em seu interior a presença consoladora do Espírito Santo e poder comunicá-la ao mundo. Melhor que ninguém, conhecia a imensa riqueza que significa a posse do estado de graça, bem preciosíssimo, em comparação com o qual nada tem valor. A consideração dos mistérios divinos o cumulava de imensa felicidade, e desta brotava a peculiaridade de sua atividade evangelizadora.

Seus métodos pitorescos e cheios de vivacidade, ele os empregava com muito critério e na hora certa, sempre visando extirpar ou ridicularizar o erro, conduzir à virtude e, por vezes, ocultar sua santidade ou seus dons sobrenaturais. Assim, por exemplo, se um penitente omitia na confissão algum pecado, ele dizia: “Falta tal pecado”. Mas se alguém lhe perguntasse: “Como sabes que cometi também esse pecado?”, sua resposta seria: “Pela cor do teu cabelo!”.10 Evitava assim revelar o dom de discernimento dos espíritos com o qual a Providência o dotara.

Filipe obtinha de Deus o favor de muitos milagres, que o povo não deixava de relacionar com a eficácia de suas preces. Para evitar isso, ele arranjou uma grande bolsa, onde afirmava estarem preciosas relíquias. Tocava os enfermos com ela, e quando algum se curava, atribuía o fato ao poder das relíquias. Esse argumento convenceu a muitos, até o dia em que se fez uma grande descoberta: a sacola estava vazia!

Em certa ocasião, dois padres do Oratório tiveram um sério desentendimento e não queriam se reconciliar. Filipe chamou-os à sua presença e, em nome da santa obediência, mandou cada um deles cantar e dançar uma música folclórica para o outro. Com esse inusitado espetáculo, operou-se a reconciliação.

Numa “peregrinação às sete igrejas”, São Filipe notou a presença de certa dama da nobreza que ostentava um aparatoso vestido, joias e imenso penteado. Percebendo não estar a senhora tão preocupada com as coisas de Deus quanto com sua aparência pessoal, o Santo pendurou- lhe no nariz seus próprios óculos. O público estalou em sonoras risadas. Ela entendeu a lição e terminou com devoto recolhimento o exercício começado com frivolidade.

Poderíamos multiplicar indefinidamente o relato de episódios como estes, todos surpreendentes, cheios de candura e de presença de espírito.

“Eis a Fonte de toda a minha alegria!”

São Filipe Néri deixou este mundo aos 80 anos. Segundo o Cardeal Angelo Bagnasco, viveu numa época na qual “a Igreja conheceu um inaudito florescimento – seria melhor dizer uma ‘verdadeira concentração’- de santos e santas que, por número e qualidade, dificilmente se encontra na História da Igreja”.11 Nesse contexto, seu papel não foi pequeno.

Seu amor à Santa Igreja, sua entranhada devoção à Santa Missa e à Santíssima Virgem, somados à disposição de servir o próximo, produziram copiosos frutos. Sofreu o inenarrável por causa de uma frágil saúde, perseguições e invejas, sem por isso perder o sorriso, quase sempre mantido com heroísmo. No dia de sua morte, 26 de maio de 1595, ele ainda celebrou Missa, atendeu várias confissões e manteve com os padres do Oratório umas últimas horas de convívio. Ao receber o Viático, pronunciou estas palavras, resumitivas de sua existência: “Eis a Fonte de toda a minha alegria!”.12

A Congregação por ele fundada, inovadora sob muitos aspectos, assumiu a missão de continuar sua obra baseada na caridade, isenta de rígidas normas que poderiam cercear uma atividade evangelizadora a ser exercida no meio do mundo, em benefício das almas imersas nas preocupações mundanas.

Conservam-se ainda hoje, como eloquentes testemunhas da “pentecostes de São Filipe, suas duas costelas arqueadas: uma no Oratório de Roma e a outra no de Nápoles. Essas preciosas relíquias parecem proclamar a seus filhos espirituais e a todas as almas chamadas à atividade apostólica: “Os homens que deixam seu coração moldar-se pela ação do Espírito Santo são os que verdadeiramente colaboram para renovar a face da Terra”. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2010, n. 101, p. 34 à 37)

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Confira o Filme completo On Line:

Parte I

Parte II

Regras de São Bento para Estudo!

Por | SÃO BENTO

Regras de São Bento para Estudo e Formação!

Material Maravilhoso! Documento com as Regras de São Bento para Estudo e Formação!

Regra do glorioso Patriarca São Bento

Tradução e Notas de Dom João Evangelista Enout, OSB.
Prólogo
CAPÍTULO 1: Dos gêneros de monges
CAPÍTULO 2 – Como deve ser o Abade
CAPÍTULO 3 – Da convocação dos irmãos a conselho
CAPÍTULO 4 – Quais são os instrumentos das boas obras
CAPÍTULO 5 – Da obediência
CAPÍTULO 6 – Do silêncio
CAPÍTULO 7 – Da humildade
CAPÍTULO 8 – Dos Ofícios Divinos durante a noite
CAPÍTULO 9 – Quantos salmos devem ser ditos nas Horas noturnas
CAPÍTULO 10 – Como será celebrado no verão o louvor divino
CAPÍTULO 11 – Como serão celebradas as Vigílias aos domingos
CAPÍTULO 12 – Como será realizada a solenidade das matinas
CAPÍTULO 13 – Como serão realizadas as matinas em dia comum
CAPÍTULO 14 – Como serão celebradas as Vigílias nos natalícios dos Santos
CAPÍTULO 15 – Em quais épocas será dito o Aleluia
CAPÍTULO 16 – Como serão celebrados os ofícios durante o dia
CAPÍTULO 17 – Quantos salmos deverão ser cantados nessas mesmas horas
CAPÍTULO 18 – Em que ordem os mesmos salmos devem ser ditos
CAPÍTULO 19 – Da maneira de salmodiar
CAPÍTULO 20 – Da reverência na oração
CAPÍTULO 21 – Dos decanos do mosteiro
CAPÍTULO 22 – Como devem dormir os monges
CAPÍTULO 23 – Da excomunhão pelas faltas
CAPÍTULO 24 – Qual deve ser o modo de proceder-se à excomunhão
CAPÍTULO 25 – Das faltas mais graves
CAPÍTULO 26 – Dos que sem autorização se juntam aos excomungados
CAPÍTULO 27 – Como deve o Abade ser solícito para com os excomungados
CAPÍTULO 28  – Daqueles que muitas vezes corrigidos não quiserem emendar-se
CAPÍTULO 29 – Se devem ser novamente recebidos os irmãos que saem do mosteiro
CAPÍTULO 30  – De que maneira serão corrigidos os de menor idade
CAPÍTULO 31  – Como deve ser o Celeireiro do mosteiro
CAPÍTULO 32 – Das ferramentas e objetos do mosteiro
CAPÍTULO 33 – Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio
CAPÍTULO 34  -Se todos devem receber igualmente o necessário
CAPÍTULO 35 – Dos semanários da cozinha
CAPÍTULO 36 – Dos irmãos enfermos
CAPÍTULO 37 – Dos velhos e das crianças
CAPÍTULO 38 – Do leitor semanário
CAPÍTULO 39 – Da medida da comida
CAPÍTULO 40 – Da medida da bebida
CAPÍTULO 41 – A que horas convém fazer as refeições
CAPÍTULO 42 – Que ninguém fale depois das Completas
CAPÍTULO 43 – Dos que chegam tarde ao Ofício Divino ou à mesa
CAPÍTULO 44 – Como devem fazer satisfação os que tiverem sido excomungados
CAPÍTULO 45  – Dos que erram no oratório
CAPÍTULO 46 – Daqueles que cometem faltas em quaisquer outras coisas
CAPÍTULO 47 – Como deve ser dado o sinal para o Ofício Divino
CAPÍTULO 48 – Do trabalho manual cotidiano
CAPÍTULO 49 – Da observância da Quaresma
CAPÍTULO 50 – Dos irmãos que trabalham longe do oratório ou estão em viagem
CAPÍTULO 51 – Dos irmãos que partem para não muito longe
CAPÍTULO 52 – Do oratório do mosteiro
CAPÍTULO 53 – Da recepção dos hóspedes
CAPÍTULO 54 – Se o monge deve receber cartas ou qualquer outra coisa
CAPÍTULO 55  – Do vestuário e do calçado dos irmãos
CAPÍTULO 56 – Da mesa do Abade
CAPÍTULO 57  – Dos artistas do mosteiro
CAPÍTULO 58 – Da maneira de proceder à recepção dos irmãos
CAPÍTULO 59 – Dos filhos dos nobres ou dos pobres que são oferecidos
CAPÍTULO 60 – Dos sacerdotes que, porventura, quiserem habitar no mosteiro
CAPÍTULO 61 – Dos monges peregrinos como devem ser recebidos
CAPÍTULO 62 – Dos sacerdotes do mosteiro
CAPÍTULO 63 – Da ordem na comunidade
CAPÍTULO 64 – Da ordenação do Abade
CAPÍTULO 65 – Do Prior do mosteiro
CAPÍTULO 66 – Dos porteiros do mosteiro
CAPÍTULO 67 – Dos irmãos mandados em viagem
CAPÍTULO 68 – Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveis
CAPÍTULO 69  – No mosteiro não presuma um defender o outro
CAPÍTULO 70 – Não presuma alguém bater em outrem a próprio arbítrio
CAPÍTULO 71 – Que sejam obedientes uns aos outros
CAPÍTULO 72 – Do bom zelo que os monges devem ter
CAPÍTULO 73 – De que nem toda a observância da justiça se acha estabelecida nesta Regra

PRÓLOGO DA REGRA

[1] Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, [2] para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. [3] A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei.

[4] Antes de tudo, quando encetares algo de bom, pede-lhe com oração muito insistente que seja por ele plenamente realizado, [5] a fim de que nunca venha a entristecer-se, por causa das nossas más ações, aquele que já se dignou contar-nos no número de seus filhos; [6] assim, pois, devemos obedecer-lhe em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha jamais, como pai irado, a deserdar seus filhos, [7] nem tenha também, qual Senhor temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.

[8] Levantemo-nos então finalmente, pois a Escritura nos desperta dizendo: “Já é hora de nos levantarmos do sono”. [9] E, com os olhos abertos para a luz deífica, ouçamos, ouvidos atentos, o que nos adverte a voz divina que clama todos os dias: [10] “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não permitais que se endureçam vossos corações”, [11] e de novo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. [12] E que diz? – “Vinde, meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor. [13] Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam”.

[14] E procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo, ao qual clama estas coisas, diz ainda: [15] “Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?” [16] Se, ouvindo, responderes: “Eu”, dir-te-á Deus: [17] “Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a”. [18] E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: “Eis-me aqui”. [19] Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor a convidar-nos? [20] Eis que pela sua piedade nos mostra o Senhor o caminho da vida.

[21] Cingidos, pois, os rins com a fé e a observância das boas ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos para que mereçamos ver aquele que nos chamou para o seu reino. [22] Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas obras, de outra forma nunca se há de chegar lá. [23] Mas, com o profeta, interroguemos o Senhor, dizendo-lhe: “Senhor, quem habitará na vossa tenda e descansará na vossa montanha santa?”. [24] Depois dessa pergunta, irmãos, ouçamos o Senhor que responde e nos mostra o caminho dessa mesma tenda, [25] dizendo: “É aquele que caminha sem mancha e realiza a justiça; [26] aquele que fala a verdade no seu coração, que não traz o dolo em sua língua, [27] que não faz o mal ao próximo e não dá acolhida à injúria contra o seu próximo”. [28] É aquele que quando o maligno diabo tenta persuadi-lo de alguma coisa, repelindo-o das vistas do seu coração, a ele e suas sugestões, redu-lo a nada, agarra os seus pensamentos ainda ao nascer e quebra-os de encontro ao Cristo. [29] São aqueles que, temendo o Senhor, não se tornam orgulhosos por causa de sua boa observância, mas, julgando que mesmo as coisas boas que têm em si não as puderam por si, mas foram feitas pelo Senhor, [30] glorificam Aquele que neles opera, dizendo com o profeta: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai Glória”. [31] Como, aliás, o Apóstolo Paulo não atribuía a si próprio coisa alguma de sua pregação, quando dizia: “Pela graça de Deus sou o que sou” [32] e ainda: “Quem se glorifica, que se glorifique no Senhor”.

[33] Eis porque no Evangelho diz o Senhor: “Àquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, compará-lo-ei ao homem sábio que edificou sua casa sobre a pedra, [34] cresceram os rios, sopraram os ventos e investiram contra a casa; e ela não ruiu porque estava fundada sobre pedra”. [35] Em conclusão espera o Senhor todos os dias que nos empenhemos em responder com atos às suas santas exortações. [36] Por essa razão, os dias desta vida nos são prolongados como tréguas para a emenda dos nossos vícios, [37] conforme diz o Apóstolo: “Então ignoras que a paciência de Deus te conduz à penitência?”. [38] Pois diz o bom Senhor: “Não quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva”.

[39] Como, pois, irmãos, interrogássemos o Senhor a respeito de quem mora em sua tenda, ouvimos em resposta, qual a condição para lá habitar: a nós compete cumprir com a obrigação do morador!

[40] Portanto, é preciso preparar nossos corações e nossos corpos para militar na santa obediência dos preceitos; [41] e em tudo aquilo que nossa natureza tiver menores possibilidades, roguemos ao Senhor que ordene a sua graça que nos preste auxílio. [42] E, se, fugindo das penas do inferno, queremos chegar à vida eterna, [43] enquanto é tempo, e ainda estamos neste corpo e é possível realizar todas essas coisas no decorrer desta vida de luz, [44] cumpre correr e agir, agora, de forma que nos aproveite para sempre.

[45] Devemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor. [46] Nesta instituição esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado. [47] Mas se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de eqüidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade [48] não fujas logo, tomado de pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início. [49] Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. [50] De modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser co-herdeiros de seu reino. Amém.

[Termina o Prólogo]   COMEÇA O TEXTO DA REGRA É chamada Regra porque dirige os Costumes dos que a ela obedecem

CAPÍTULO 1: Dos gêneros de monges

[1] É sabido que há quatro gêneros de monges. [2] O primeiro é o dos cenobitas, isto é, o monasterial, dos que militam sob uma Regra e um Abade.

[3] O segundo gênero é o dos anacoretas, isto é, dos eremitas, daqueles que, não por um fervor inicial da vida monástica, mas através de provação diuturna no mosteiro, [4] instruídos então na companhia de muitos aprenderam a lutar contra o demônio [5] e, bem adestrados nas fileiras fraternas, já estão seguros para a luta isolada do deserto, sem a consolação de outrem, e aptos para combater com as próprias mãos e braços, ajudando-os Deus, contra os vícios da carne e dos pensamentos.

[6] O terceiro gênero de monges, e detestável, é o dos sarabaítas, que, não tendo sido provados, como o ouro na fornalha, por nenhuma regra, mestra pela experiência, mas amolecidos como numa natureza de chumbo, [7] conservam-se por suas obras fiéis ao século, e são conhecidos por mentir a Deus pela tonsura. [8] São aqueles que se encerram dois ou três ou mesmo sozinhos, sem pastor, não nos apriscos do Senhor, mas nos seus próprios; a satisfação dos desejos é para eles lei, [9] visto que tudo quanto julgam dever fazer ou preferem, chamam de santo, e o que não desejam reputam ilícito.

[10] O quarto gênero de monges é o chamado dos giróvagos, que por toda a sua vida se hospedam nas diferentes províncias, por três ou quatro dias nas celas de outros monges, [11] sempre vagando e nunca estáveis, escravos das próprias vontades e das seduções da gula, e em tudo piores que os sarabaítas. [12] Sobre o misérrimo modo de vida de todos esses é melhor calar que dizer algo.

[13] Deixando-os de parte, vamos dispor, com o auxilio do Senhor, sobre o poderosíssimo gênero dos cenobitas.

CAPÍTULO 2 – Como deve ser o Abade

[1] O Abade digno de presidir ao mosteiro, deve lembrar-se sempre daquilo que é chamado, e corresponder pelas ações ao nome de superior. [2] Com efeito, crê-se que, no mosteiro ele faz as vezes do Cristo, pois é chamado pelo mesmo cognome que Este, [3] no dizer do Apóstolo: “Recebestes o espírito de adoção de filhos, no qual clamamos: ABBA, Pai.[4] ” Por isso o Abade nada deve ensinar, determinar ou ordenar, que seja contrário ao preceito do Senhor, [5] mas que a sua ordem e ensinamento, como o fermento da divina justiça se espalhe na mente dos discípulos; [6] lembre-se sempre o abade de que da sua doutrina e da obediência dos discípulos, de ambas essas coisas, será feita apreciação no tremendo juízo de Deus.

[7] E saiba o Abade que é atribuído à culpa do pastor tudo aquilo que o Pai de família puder encontrar de menos no progresso das ovelhas. [8] Em compensação, de outra maneira será, se a um rebanho irrequieto e desobediente tiver sido dispensada toda diligência do pastor e oferecido todo o empenho na cura de seu atos malsãos; [9] absolvido então o pastor no juízo do Senhor, diga ao mesmo com o Profeta: “Não escondi vossa justiça em meu coração, manifestei vossa verdade e a vossa salvação; eles, porém, com desdém desprezaram-me”. [10] E então, finalmente, que prevaleça a própria morte como pena para as ovelhas que desobedeceram aos seus cuidados.

[11] Portanto, quando alguém recebe o nome de Abade, deve presidir a seus discípulos usando de uma dupla doutrina, [12] isto é, apresente as coisas boas e santas, mais pelas ações do que pelas palavras, de modo que aos discípulos capazes de entendê-las proponha os mandamentos do Senhor por meio de palavras, e aos duros de coração e aos mais simples mostre os preceitos divinos pelas próprias ações. [13] Assim, tudo quanto ensinar aos discípulos como sendo nocivo, indique pela sua maneira de agir que não se deve praticar, a fim de que. pregando aos outros, não se torne ele próprio réprobo, [14] e Deus não lhe diga um dia como a um pecador: “Por que narras as minhas leis e anuncias o meu testamento pela tua boca? tu que odiaste a disciplina e atiraste para trás de ti as minhas palavras”, [15] e ainda: “Vias o argueiro no olho de teu irmão e não viste a trave no teu próprio”.

[16] Que não seja feita por ele distinção de pessoas no mosteiro. [17] Que um não seja mais amado que outro, a não ser aquele que for reconhecido melhor nas boas ações ou na obediência. [18] Não anteponha o nascido livre ao originário de condição servil, a não ser que exista outra causa razoável para isso; [19] pois se parecer ao Abade que deve fazê-lo por questão de justiça, fá-lo-á seja qual for a condição social; caso contrário, mantenham todos seus próprios lugares, [20] porque, servo ou livre, somos todos um em Cristo e sob um só Senhor caminhamos submissos na mesma milícia de servidão: “Porque não há em Deus acepção de pessoas”. [21] Somente num ponto somos por ele distinguidos, isto é, se formos melhores do que os outros nas boas obras e humildes. [22] Seja pois igual a caridade dele para com todos; que uma só disciplina seja proposta a todos, conforme os merecimentos de cada um.

[23] Portanto, em sua doutrina deve sempre o Abade observar aquela fórmula do Apóstolo: “Repreende, exorta, admoesta”, [24] isto é, temperando as ocasiões umas com as outras, os carinhos com os rigores, mostre a severidade de um mestre e o pio afeto de um pai, quer dizer: [25] aos indisciplinados e inquietos deve repreender mais duramente, mas aos obedientes, mansos e pacientes, deve exortar a que progridam ainda mais, e quanto aos negligentes e desdenhosos, advertimos que os repreenda e castigue. [26] Não dissimule as faltas dos culpados, mas logo que começarem a brotar ampute-as pela raiz, como lhe for possível, lembrando-se da desgraça de Heli, sacerdote de Silo. [27] Aos mais honestos e de ânimo compreensível, censure por palavras em primeira e segunda advertência; [28] porém aos improbos, duros e soberbos ou desobedientes reprima com varadas ou outro castigo corporal, desde o início da falta, sabendo que está escrito: “O estulto não se corrige com palavras”. [29] E mais: “Bate no teu filho com a vara e livrarás a sua alma da morte”.

[30] Deve sempre lembrar-se o Abade daquilo que é; lembrar-se de como é chamado, e saber que daquele a quem mais se confia mais se exige. [31] E saiba que coisa difícil e árdua recebeu: reger as almas e servir aos temperamentos de muitos; a este com carinho, àquele, porém, com repreensões, a outro com persuasões [32] segundo a maneira de ser ou a inteligência de cada um, de tal modo se conforme e se adapte a todos, que não somente não venha a sofrer perdas no rebanho que lhe foi confiado, mas também se alegre com o aumento da boa grei.

[33] Antes de tudo, que não trate com mais solicitude das coisas transitórias, terrenas e caducas, negligenciando ou tendo em pouco a salvação das almas que lhe foram confiadas, [34] mas pense sempre que recebeu almas a dirigir, das quais deverá também prestar contas. [35] E para que não venha, porventura, a alegar falta de recursos, lembrar-se-á do que esta escrito: “Buscai primeiro reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo”; [36] e ainda: “Nada falta aos que O temem”. [37] E saiba que quem recebeu almas a dirigir, deve preparar-se para prestar contas. [38] Saiba como certo que de todo o número de irmãos que tiver possuído sob seu cuidado, no dia do juízo, deverá prestar contas ao Senhor das almas de todos eles, e mais, sem dúvida também da sua própria alma. [39] E assim, temendo sempre a futura apreciação do pastor acerca das ovelhas que lhe foram confiadas enquanto cuida das contas alheias, torna-se solícito para com a suas próprias, [40] e enquanto com suas exortações subministra a emenda aos outros, consegue ele próprio emendar-se de seu vícios.

CAPÍTULO 3 – Da convocação dos irmãos a conselho

[1] Todas as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no mosteiro, convoque o Abade toda a comunidade e diga ele próprio de que se trata. [2] Ouvindo o conselho dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que julgar mais útil. [3] Dissemos que todos fossem chamados a conselho porque muitas vezes o Senhor revela ao mais moço o que é melhor. [4] Dêem pois os irmãos o seu conselho com toda a submissão da humildade e não ousem defender arrogantemente o seu parecer, e [5] que a solução dependa antes do arbítrio do Abade, e todos lhe obedeçam no que ele tiver julgado ser mais salutar; [6] mas, assim como convém aos discípulos obedecer ao mestre, também a este convém dispor todas as coisas com prudência e justiça.

[7] Em tudo, pois, sigam todos a Regra como mestra, nem dela se desvie alguém temerariamente. [8] Ninguém, no mosteiro, siga a vontade do próprio coração, [9] nem ouse discutir insolentemente com seu abade, nem mesmo discutir com ele fora do mosteiro. [10] E, se ousar fazê-lo, seja submetido à disciplina regular. [11] No entanto, que o próprio abade faça tudo com temor de Deus e observância da Regra, cônscio de que, sem dúvida alguma, de todos os seus juízos deverá dar contas a Deus, justíssimo juiz. [12] Se, porém, for preciso fazer alguma coisa de menor importância dentre os negócios do mosteiro, use o Abade somente do conselho dos mais velhos, [13] conforme o que está escrito: “Faze tudo com conselho e depois de feito não te arrependerás”.

CAPÍTULO 4 – Quais são os instrumentos das boas obras

[1] Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças.
[2] Depois, amar ao próximo como a si mesmo.
[3] Em seguida, não matar.
[4] Não cometer adultério.
[5] Não furtar.
[6] Não cobiçar.
[7] Não levantar falso testemunho.
[8] Honrar todos os homens.
[9] E não fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito.
[10] Abnegar-se a si mesmo para seguir o Cristo.
[11] Castigar o corpo.
[12] Não abraçar as delícias.
[13] Amar o jejum.
[14] Reconfortar os pobres.
[15] Vestir os nus.
[16] Visitar os enfermos.
[17] Sepultar os mortos.
[18] Socorrer na tribulação.
[19] Consolar o que sofre.
[20] Fazer-se alheio às coisas do mundo.
[21] Nada antepor ao amor de Cristo.
[22] Não satisfazer a ira.
[23] Não reservar tempo para a cólera.
[24] Não conservar a falsidade no coração.
[25] Não conceder paz simulada.
[26] Não se afastar da caridade.
[27] Não jurar para não vir a perjurar.
[28] Proferir a verdade de coração e de boca.
[29] Não retribuir o mal com o mal.
[30] Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que lhe são feitas.
[31] Amar os inimigos.
[32] Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los.
[33] Suportar perseguição pela justiça.
[34] Não ser soberbo.
[35] Não ser dado ao vinho.
[36] Não ser guloso.
[37] Não ser apegado ao sono.
[38] Não ser preguiçoso.
[39] Não ser murmurador.
[40] Não ser detrator.
[41] Colocar toda a esperança em Deus.
[42] O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo.
[43] Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra sua e a si mesmo atribuí-lo.
[44] Temer o dia do juízo.
[45] Ter pavor do inferno.
[46] Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual.
[47] Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo.
[48] Vigiar a toda hora os atos de sua vida.
[49] Saber como certo que Deus o vê em todo lugar.
[50] Quebrar imediatamente de encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a um conselheiro espiritual.
[51] Guardar sua boca da palavra má ou perversa.
[52] Não gostar de falar muito.
[53] Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso.
[54] Não gostar do riso excessivo ou ruidoso.
[55] Ouvir de boa vontade as santas leituras.
[56] Dar-se freqüentemente à oração.
[57] Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e [58] daí por diante emendar-se delas.
[59] Não satisfazer os desejos da carne.
[60] Odiar a própria vontade.
[61] Obedecer em tudo às ordens do Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor: “Fazei o que dizem, mas não o que fazem”.
[62] Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento.
[63] Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus.
[64] Amar a castidade.
[65] Não odiar a ninguém.
[66] Não ter ciúmes.
[67] Não exercer a inveja.
[68] Não amar a rixa.
[69] Fugir da vanglória.
[70] Venerar os mais velhos.
[71] Amar os mais moços.
[72] Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos.
[73] Voltar à paz, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença.
[74] E nunca desesperar da misericórdia de Deus.
[75] Eis aí os instrumentos da arte espiritual: [76] se forem postos em ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: [77] “O que olhos não viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam”. [78] São, porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.

CAPÍTULO 5 – Da obediência

[1] O primeiro grau da humildade é a obediência sem demora. [2] É peculiar àqueles que estimam nada haver mais caro que o Cristo; [3] por causa do santo serviço que professaram, por causa do medo do inferno ou por causa da glória da vida eterna, [4] desconhecem o que seja demorar na execução de alguma coisa logo que ordenada pelo superior, como sendo por Deus ordenada. [5] Deles diz o Senhor: “Logo ao ouvir-me, obedeceu-me”. [6] E do mesmo modo diz aos doutores: “Quem vos ouve a mim ouve”.

[7] Pois são esses mesmos que, deixando imediatamente as coisas que lhes dizem respeito e abandonando a própria vontade, [8] desocupando logo as mãos e deixando inacabado o que faziam, seguem com seus atos, tendo os passos já dispostos para a obediência, a voz de quem ordena. [9] E, como que num só momento, ambas as coisas – a ordem recém-dada do mestre e a perfeita obediência do discípulo – são realizadas simultânea e rapidamente, na prontidão do temor de Deus. [10] Apodera-se deles o desejo de caminhar para a vida eterna; [11] por isso, lançam-se como que de assalto ao caminho estreito do qual diz o Senhor: “Estreito é o caminho que conduz à vida”, [12] e assim, não tendo, como norma de vida a própria vontade, nem obedecendo aos próprios desejos e prazeres, mas caminhando sob o juízo e domínio de outro e vivendo em comunidade, desejam que um Abade lhes presida. [13] Imitam, sem dúvida, aquela máxima do Senhor que diz: “Não vim fazer minha vontade, mas a d’Aquele que me enviou”.

[14] Mas essa mesma obediência somente será digna da aceitação de Deus e doce aos homens, se o que é ordenado for executado sem tremor, sem delongas, não mornamente, não com murmuração, nem com resposta de quem não quer. [15] Porque a obediência prestada aos superiores é tributada a Deus. Ele próprio disse: “Quem vos ouve, a mim me ouve”. [16] E convém que seja prestada de boa vontade pelos discípulos, porque “Deus ama aquele que dá com alegria”. [17] Pois, se o discípulo obedecer de má vontade e se murmurar, mesmo que não com a boca, mas só no coração, [18] ainda que cumpra a ordem, não será mais o seu ato aceito por Deus que vê seu coração a murmurar; [19] e por tal ação não consegue graça alguma, e, ainda mais, incorre no castigo dos murmuradores se não se emendar pela satisfação.

CAPÍTULO 6 – Do silêncio

[1] Façamos o que diz o profeta: “Eu disse, guardarei os meus caminhos para que não peque pela língua: pus uma guarda à minha boca: emudeci, humilhei-me e calei as coisas boas”. [2] Aqui mostra o Profeta que, se, às vezes, se devem calar mesmo as boas conversas, por causa do silêncio, quanto mais não deverão ser suprimidas as más palavras, por causa do castigo do pecado? [3] Por isso, ainda que se trate de conversas boas, santas e próprias a edificar, raramente seja concedida aos discípulos perfeitos licença de falar, por causa da gravidade do silêncio, [4] pois está escrito: “Falando muito não foges ao pecado”, [5] e em outro lugar: “a morte e a vida estão em poder da língua”. [6] Com efeito, falar e ensinar compete ao mestre; ao discípulo convém calar e ouvir.

[7] Por isso, se é preciso pedir alguma coisa ao superior, que se peça com toda a humildade e submissão da reverência. [8] Já quanto às brincadeiras, palavras ociosas e que provocam riso, condenamo-las em todos os lugares a uma eterna clausura, para tais palavras não permitimos ao discípulo abrir a boca.

CAPÍTULO 7 – Da humildade

[1] Irmãos, a Escritura divina nos clama dizendo: “Todo aquele que se exalta será humilhado e todo aquele que se humilha será exaltado”. [2] Indica-nos com isso que toda elevação é um gênero da soberba, [3] da qual o Profeta mostra precaver-se quando diz: “Senhor, o meu coração não se exaltou, nem foram altivos meus olhos; não andei nas grandezas, nem em maravilhas acima de mim. [4] Mas, que seria de mim se não me tivesse feito humilde, se tivesse exaltado minha alma? Como aquele que é desmamado de sua mãe, assim retribuirias a minha alma.

[5] Se, portanto, irmãos, queremos atingir o cume da suma humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a qual se sobe pela humildade da vida presente, [6] deve ser erguida, pela ascensão de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, na qual lhe eram mostrados anjos que subiam e desciam. [7] Essa descida e subida, sem dúvida, outra coisa não significa, para nós, senão que pela exaltação se desce e pela humildade se sobe. [8] Essa escada ereta é a nossa vida no mundo, a qual é elevada ao céu pelo Senhor, se nosso coração se humilha. [9] Quanto aos lados da escada, dizemos que são o nosso corpo e alma, e nesses lados a vocação divina inseriu, para serem galgados, os diversos graus da humildade e da disciplina.

[10] Assim, o primeiro grau da humildade consiste em que, pondo sempre o monge diante dos olhos o temor de Deus, evite, absolutamente, qualquer esquecimento, [11] e esteja, ao contrário, sempre lembrado de tudo o que Deus ordenou, revolva sempre, no espírito, não só que o inferno queima, por causa de seus pecados, os que desprezam a Deus, mas também que a vida eterna está preparada para os que temem a Deus; [12] e, defendendo-se a todo tempo dos pecados e vícios, isto é, dos pecados do pensamento, da língua, das mãos, dos pés e da vontade própria, como também dos desejos da carne, [13] considere-se o homem visto do céu, a todo momento, por Deus, e suas ações vistas em toda parte pelo olhar da divindade e anunciadas a todo instante pelos anjos. [14] Mostra-nos isso o Profeta quando afirma estar Deus sempre presente aos nossos pensamentos: “Deus que perscruta os corações e os rins”. [15] E também: “Deus conhece os pensamentos dos homens”. [16] E ainda: “De longe percebestes os meus pensamentos” [17] e “o pensamento do homem vos será confessado”. [18] Portanto, para que esteja vigilante quanto aos seus pensamentos maus, diga sempre, em seu coração, o irmão empenhado em seu próprio bem: “se me preservar da minha iniqüidade, serei, então, imaculado diante d’Ele”.

[19] Assim, é-nos proibido fazer a própria vontade, visto que nos diz a Escritura: “Afasta-te das tuas próprias vontades”. [20] E, também, porque rogamos a Deus na oração que se faça em nós a sua vontade.

[21] Aprendemos, pois, com razão, a não fazer a própria vontade, enquanto nos acautelamos com aquilo que diz a Escritura: “Há caminhos considerados retos pelos homens cujo fim mergulha até o fundo do inferno”, [22] e enquanto, também, nos apavoramos com o que foi dito dos negligentes: “Corromperam-se e tornaram-se abomináveis nos seus prazeres”. [23] Por isso, quando nos achamos diante dos desejos da carne, creiamos que Deus está sempre presente junto a nós, pois disse o Profeta ao Senhor: “Diante de vós está todo o meu desejo”.

[24] Devemos, portanto, acautelar-nos contra o mau desejo, porque a morte foi colocada junto à porta do prazer. [25] Sobre isso a Escritura preceitua dizendo: “Não andes atrás de tuas concupiscências”. [26] Logo, se os olhos do Senhor “observam os bons e os maus”, [27] e “o Senhor sempre olha do céu os filhos dos homens para ver se há algum inteligente ou que procura a Deus” [28] e se, pelos anjos que nos foram designados, todas as coisas que fazemos são, cotidianamente, dia e noite, anunciadas ao Senhor, [29] devemos ter cuidado, irmãos, a toda hora, como diz o Profeta no salmo, para que não aconteça que Deus nos veja no momento em que caímos no mal, tornando-nos inúteis, [30] e para que, vindo a poupar-nos nessa ocasião porque é Bom e espera sempre que nos tornemos melhores, não venha a dizer-nos no futuro: “Fizeste isto e calei-me”.

[31] O segundo grau da humildade consiste em que, não amando a própria vontade, não se deleite o monge em realizar os seus desejos, [32] mas imite nas ações aquela palavra do Senhor: “Não vim fazer a minha vontade, mas a d’Aquele que me enviou”. [33] Do mesmo modo, diz a Escritura: “O prazer traz consigo a pena e a necessidade gera a coroa”.

[34] O terceiro grau da humildade consiste em que, por amor de Deus, se submeta o monge, com inteira obediência ao superior, imitando o Senhor, de quem disse o Apóstolo: “Fez-se obediente até a morte”.

[35] O quarto grau da humildade consiste em que, no exercício dessa mesma obediência abrace o monge a paciência, de ânimo sereno, nas coisas duras e adversas, ainda mesmo que se lhe tenham dirigido injúrias, [36] e, suportando tudo, não se entregue nem se vá embora, pois diz a Escritura: “Aquele que perseverar até o fim será salvo”. [37] E também: “Que se revigore o teu coração e suporta o Senhor”. [38] E a fim de mostrar que o que é fiel deve suportar todas as coisas, mesmo as adversas, pelo Senhor, diz a Escritura, na pessoa dos que sofrem: “Por vós, somos entregues todos os dias à morte; somos considerados como ovelhas a serem sacrificadas”. [39] Seguros na esperança da retribuição divina, prosseguem alegres dizendo: “Mas superamos tudo por causa daquele que nos amou”. [40] Também, em outro lugar, diz a Escritura: “Ó Deus, provastes-nos, experimentastes-nos no fogo, como no fogo é provada a prata: induzistes-nos a cair no laço, impusestes tribulações sobre os nossos ombros”. [41] E para mostrar que devemos estar submetidos a um superior, continua: “Impusestes homens sobre nossas cabeças”. [42] Cumprindo, além disso, com paciência o preceito do Senhor nas adversidades e injúrias, se lhes batem numa face, oferecem a outra; a quem lhes toma a túnica cedem também o manto; obrigados a uma milha, andam duas; [43] suportam, como Paulo Apóstolo, os falsos irmãos e abençoam aqueles que os amaldiçoam.

[44] O quinto grau da humildade consiste em não esconder o monge ao seu Abade todos os maus pensamentos que lhe vêm ao coração, ou o que de mal tenha cometido ocultamente, mas em lho revelar humildemente, [45] exortando-nos a este respeito a Escritura quando diz: “Revela ao Senhor o teu caminho e espera nele”. [46] E quando diz ainda: “Confessai ao Senhor porque ele é bom, porque sua misericórdia é eterna”. [47] Do mesmo modo o Profeta: “Dei a conhecer a Vós a minha falta e não escondi as minhas injustiças. [48] Disse: acusar-me-ei de minhas injustiças diante do Senhor, e perdoastes a maldade de meu coração”.

[49] O sexto grau da humildade consiste em que esteja o monge contente com o que há de mais vil e com a situação mais extrema e, em tudo que lhe seja ordenado fazer, se considere mau e indigno operário, [50] dizendo-se a si mesmo com o Profeta: “Fui reduzido a nada e não o sabia; tornei-me como um animal diante de Vós, porém estou sempre convosco”.

[51] O sétimo grau da humildade consiste em que o monge se diga inferior e mais vil que todos, não só com a boca, mas que também o creia no íntimo pulsar do coração, [52] humilhando-se e dizendo com o Profeta: “Eu, porém, sou um verme e não um homem, a vergonha dos homens e a abjeção do povo: [53] exaltei-me, mas, depois fui humilhado e confundido”. [54] E ainda: “É bom para mim que me tenhais humilhado, para que aprenda os vossos mandamentos”.

[55] O oitavo grau da humildade consiste em que só faça o monge o que lhe exortam a Regra comum do mosteiro e os exemplos de seus maiores.

[56] O nono grau da humildade consiste em que o monge negue o falar a sua língua, entregando-se ao silêncio; nada diga, até que seja interrogado, [57] pois mostra a Escritura que “no muito falar não se foge ao pecado” [58] e que “o homem que fala muito não se encaminhará bem sobre a terra”.

[59] O décimo grau da humildade consiste em que não seja o monge fácil e pronto ao riso, porque está escrito: “O estulto eleva sua voz quando ri”.

[60] O undécimo grau da humildade consiste em, quando falar, fazê-lo o monge suavemente e sem riso, humildemente e com gravidade, com poucas e razoáveis palavras e não em alta voz, [61] conforme o que está escrito: “O sábio manifesta-se com poucas palavras”.

[62] O duodécimo grau da humildade consiste em que não só no coração tenha o monge a humildade, mas a deixe transparecer sempre, no próprio corpo, aos que o vêem, [63] isto é, que no ofício divino, no oratório, no mosteiro, na horta, quando em caminho, no campo ou onde quer que esteja, sentado, andando ou em pé, tenha sempre a cabeça inclinada, os olhos fixos no chão, [64] considerando-se a cada momento culpado de seus pecados, tenha-se já como presente diante do tremendo juízo de Deus, [65] dizendo-se a si mesmo, no coração, aquilo que aquele publicano do Evangelho disse, com os olhos pregados no chão: “Senhor, não sou digno, eu pecador, de levantar os olhos aos céus”. [66] E ainda, com o Profeta: “Estou completamente curvado e humilhado”.

[67] Tendo, por conseguinte, subido todos esses degraus da humildade, o monge atingirá logo, aquela caridade de Deus, que, quando perfeita, afasta o temor; [68] por meio dela tudo o que observava antes não sem medo começará a realizar sem nenhum labor, como que naturalmente, pelo costume, [69] não mais por temor do inferno, mas por amor de Cristo, pelo próprio costume bom e pela deleitação das virtudes.

[70] Eis o que, no seu operário, já purificado dos vícios e pecados, se dignará o Senhor manifestar por meio do Espírito Santo.

CAPÍTULO 8 – Dos Ofícios Divinos durante a noite

[1] Em tempo de inverno, isto é, de primeiro de novembro até a Páscoa, em consideração ao que é razoável, devem os monges levantar-se à oitava hora da noite [2] de modo que durmam um pouco mais da metade da noite e se levantem tendo já feita a digestão. [3] O tempo que resta depois das Vigílias seja empregado na preparação de algum trecho do saltério ou das lições, por parte dos irmãos que disto necessitarem. [4] Da Páscoa, porém, até o referido dia primeiro de novembro, seja regulada a hora de tal maneira que as Matinas que devem ser celebradas quando começa a clarear, venham em seguida ao ofício das Vigílias, depois de brevíssimo intervalo, durante o qual os irmãos saem para as necessidades naturais.

CAPÍTULO 9 – Quantos salmos devem ser ditos nas Horas noturnas

[1] No tempo de inverno acima citado, diga-se em primeiro lugar o versículo, repetido três vezes: “Senhor, abrireis os meus lábios e minha boca anunciará vosso louvor”, [2] ao qual deve ser acrescentado o salmo terceiro e o “Glória”. [3] Depois desse, o salmo nonagésimo quarto, com antífona, ou então cantado. [4] Segue-se o Ambrosiano e depois seis salmos com antífonas. [5] Recitados esses e dito o versículo, o Abade dê a bênção; depois, achando-se todos sentados nos bancos sejam lidas pelos irmãos, um de cada vez, três lições do livro que está sobre a estante. Entre elas cantem-se três responsórios. [6] Dois destes responsórios são ditos sem “Glória”, porém, depois da terceira lição, quem está cantando diga o “Glória”. [7] Quando esse começar, levantem-se logo todos de seus assentos em honra e reverência à Santíssima Trindade. [8] Leiam-se, nas Vigílias, os livros de autoria divina, tanto do Antigo como do Novo Testamento, e também as exposições que sobre eles fizeram os Padres católicos conhecidos e ortodoxos. [9] A essas três lições com seus responsórios, sigam-se os seis salmos restantes cantados com “Aleluia”. [10] Vêm, em seguida, a lição do Apóstolo, que deve ser recitada de cor, o versículo e a súplica da litania, isto é, “Kyrie eleison”, [11] e assim terminem as Vigílias noturnas.

CAPÍTULO 10 – Como será celebrado no verão o louvor divino

[1] De Páscoa até primeiro de novembro, mantenha-se, quanto à salmodia, a mesma medida acima determinada; [2] as lições do livro, porém, por causa da brevidade das noites, não são lidas; em lugar dessas três lições, seja recitada de memória uma do Antigo Testamento, seguida de responsório breve, [3] e cumpram-se todas as outras coisas como ficou dito acima, isto é: que nunca se digam nas Vigílias noturnas, menos de doze salmos além do terceiro e do nonagésimo quarto.

CAPÍTULO 11 – Como serão celebradas as Vigílias aos domingos

[1] Aos domingos, levante-se mais cedo para as Vigílias, [2] nas quais se mantenha a mesma medida já referida, isto é: modulados, conforme dispusemos acima, seis salmos e o versículo, e estando todos convenientemente e pela ordem assentados nos bancos, leiam-se no livro, como já mencionamos, quatro lições com seus responsórios; [3] só o quarto responsório é dito por quem está cantando o “Gloria”, ao começo do qual se levantem todos com reverência. [4] A essas lições sigam-se, por ordem, outros seis salmos com antífonas, como os anteriores, e o versículo. [5] Terminados esses, voltam-se a ler outras quatro lições com seus responsórios, na mesma ordem que acima. [6] Em seguida, digam-se três cânticos dos Profetas que o Abade determinar, os quais sejam salmodiados com “Aleluia”. [7] Dito também o versículo, sejam lidas com a bênção do Abade outras quatro lições do Novo Testamento, na mesma ordem que acima. [8] Depois do quarto responsório o abade entoa o hino “Te Deum laudamus”. [9] Uma vez terminado, leia o Abade o Evangelho, permanecendo todos de pé com reverência e temor. [10] Quando essa leitura terminar, respondam todos: “Amém”; e o abade prossegue logo com o hino “Te decet laus”, e, dada a bênção, comecem as Matinas. [11] Essa disposição das Vigílias para o domingo deve ser mantida, como está, em todo tempo, tanto no verão quanto no inverno, [12] a não ser que, por acaso, e que tal não aconteça, os monges se levantem mais tarde e se tenha de abreviar algo das lições ou dos responsórios. [13] Haja, porém, todo o cuidado para que isso não venha a suceder; se, porém, acontecer, satisfaça dignamente a Deus no oratório, aquele por cuja culpa veio esse fato a verificar-se.

CAPÍTULO 12 – Como será realizada a solenidade das matinas

[1] Nas Matinas de domingo, [2] diga-se em primeiro lugar o salmo sexagésimo sexto, sem antífona, em tom direto. Diga-se, depois, o quinquagésimo, com “Aleluia”. [3] Em seguida, o centésimo décimo sétimo e o sexagésimo segundo; [4] seguem-se então os “Benedicite”, e os “Laudate”, uma lição do Apocalipse de cor, o responsório, o ambrosiano, o versículo, o cântico do Evangelho, a litania, e está terminado.

CAPÍTULO 13 – Como serão realizadas as matinas em dia comum

[1] Nos dias comuns, porém, a solenidade das Matinas seja assim realizada, [2] a saber: recita-se o salmo sexagésimo sexto sem antífona, um tanto lentamente, como no domingo, de modo que todos cheguem para o quinquagésimo, o qual deve ser recitado com antífona. [3] Depois desse, recitem-se outros dois salmos, segundo o costume, isto é, [4] segunda-feira, o quinto e o trigésimo quinto; [5] terça-feira, o quadragésimo segundo e o quinquagésimo sexto; [6] quarta-feira, o sexagésimo terceiro e o sexagésimo quarto; [7] quinta-feira, o octogésimo sétimo e o octogésimo nono; [8] sexta-feira, o septuagésimo quinto e o nonagésimo primeiro; [9] sábado, o centésimo quadragésimo segundo e o cântico do Deuteronômio, que deve ser dividido em dois “Gloria”. [10] Nos outros dias, diga-se um cântico dos Profetas, um para cada dia, como canta a Igreja Romana. [11] A esses seguem-se os “Laudate”, depois uma lição do Apóstolo recitada de memória, o responsório, o ambrosiano, o versículo, o cântico do Evangelho, a litania, e está completo.

[12] Não termine, de forma alguma, o ofício da manhã ou da tarde sem que o superior diga, em último lugar, por inteiro e de modo que todos ouçam, a oração dominical, por causa dos espinhos de escândalos que costumam surgir, [13] de maneira que, interpelados os irmãos pela promessa da própria oração que estão rezando: “perdoai-nos assim como nós perdoamos”, se preservem de tais vícios. [14] Nos demais ofícios diga-se a última parte dessa oração, de modo a ser respondido por todos: “Mas livrai-nos do mal”.

CAPÍTULO 14 – Como serão celebradas as Vigílias nos natalícios dos Santos

[1] Nas festas dos Santos e em todas as solenidades, proceda-se do mesmo modo que indicamos para o domingo [2] exceto que, quanto aos salmos, antífonas e lições, sejam ditos os que pertencem à própria festa; mantenha-se, porém, a mesma disposição acima descrita.

CAPÍTULO 15 – Em quais épocas será dito o Aleluia

[1] Da Santa Páscoa até Pentecostes, diga-se sem interrupção o “Aleluia” tanto nos salmos como nos responsórios. [2] De Pentecostes até o início da Quaresma, diga-se todas as noites, mas somente com os seis últimos salmos dos noturnos . [3] Em todo domingo, fora da Quaresma, digam-se com “Aleluia” os Cânticos, as Matinas, Prima, Terça, Sexta e Noa; entretanto, as Vésperas sejam ditas com antífona . [4] Quanto aos responsórios, nunca são ditos com “Aleluia”, a não ser de Páscoa até Pentecostes.

CAPÍTULO 16 – Como serão celebrados os ofícios durante o dia

[1] Diz o Profeta: “Louvei-vos sete vezes por dia”. [2] Assim, também nós realizaremos esse sagrado número, se, por ocasião das Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas, cumprirmos os deveres da nossa servidão; [3] porque foi destas Horas do dia que ele disse: “Louvei-vos sete vezes por dia”. [4] Quanto às Vigílias noturnas, diz da mesma forma o mesmo profeta: “Levantava-me no meio da noite para louvar-vos”. [5] Rendamos, portanto, nessas horas, louvores ao nosso Criador “sobre os juízos da sua justiça”, isto é, nas Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas; e à noite, levantemo-nos para louvá-Lo.

CAPÍTULO 17 – Quantos salmos deverão ser cantados nessas mesmas horas

[1] Já dispusemos a Ordem da Salmodia, dos Noturnos e das Matinas; vejamos agora a das Horas seguintes. [2] À Hora de Prima sejam ditos: três salmos separadamente, não sob um só “Gloria”, [3] e o hino da mesma Hora, que virá depois do versículo ” Ó Deus, vinde em meu auxílio” e antes que sejam começados os salmos. [4] Terminados os três salmos, recitem-se uma lição, o versículo, “Kyrie eleison”, e façam-se as orações finais. [5] Terça, Sexta, e Noa sejam celebradas segundo a mesma ordem, isto é: versículo, hinos de cada uma das Horas, três salmos, lição e versículo, “Kyrie eleison” e as orações finais. [6] Se a comunidade for grande, sejam os salmos cantados com antífona; se for pequena, em tom direto. [7] A sinaxe vespertina consta de quatro salmos com antífonas; [8] depois dos quais deve ser recitada uma lição; em seguida o responsório, o ambrosiano, o versículo, o cântico do Evangelho, a litania, a oração dominical e as orações finais. [9] As Completas compreendem a recitação de três salmos, que devem ser ditos em tom direto, sem antífona; [10] Depois deles, o hino da mesma Hora, uma lição, o versículo, o “Kyrie eleison”, a bênção e as orações finais.

CAPÍTULO 18 – Em que ordem os mesmos salmos devem ser ditos

[1] Diga-se o versículo: “Ó Deus, vinde em meu auxílio; apressai-vos, Senhor, em socorrer-me”, o Glória, e depois o Hino de cada uma das Horas . [2] Em seguida, na hora de Prima do domingo, devem ser ditas quatro divisões do salmo centésimo décimo oitavo; [3] nas demais Horas, isto é, Terça, Sexta e Noa digam-se três divisões do referido salmo centésimo décimo oitavo. [4] Na Prima da Segunda feira, digam-se três salmos, a saber: o primeiro, o segundo e o sexto. [5] E assim em cada dia, até o domingo, digam-se na Prima, por ordem, três salmos até o décimo nono; de tal modo que sejam divididos em dois o salmo nono e o décimo sétimo. [6] E faça-se assim, para que sempre se comecem as Vigílias do domingo pelo vigésimo.

[7] Na Terça, Sexta e Noa da segunda-feira, digam-se as nove divisões que restam do salmo centésimo décimo oitavo, três em cada Hora. [8] Percorrido, portanto, o salmo centésimo décimo oitavo nos dois dias – domingo e segunda-feira, [9] já na Terça, Sexta e Noa da terça-feira, salmodiam-se três salmos de cada vez, do centésimo décimo nono até o centésimo vigésimo sétimo, isto é, nove salmos. [10] Repitam-se sempre esses salmos pelas mesmas Horas até o domingo, conservando-se de maneira uniforme e todos os dias a disposição dos hinos, bem assim como a das lições e versículos; [11] e, assim sendo, comece-se sempre no domingo com o centésimo décimo oitavo.

[12] As Vésperas sejam cantadas diariamente pela modulação de quatro salmos. [13] Esses salmos vão do centésimo nono até o centésimo quadragésimo sétimo, [14] excetuados alguns que dentre esses foram tirados para outras Horas, isto é, do centésimo décimo sétimo ao centésimo vigésimo sétimo, mais o centésimo trigésimo terceiro e o centésimo quadragésimo segundo; [15] todos os demais devem ser ditos nas Vésperas. [16] Como, porém, ficam faltando três salmos, devem ser divididos os mais longos dentre os supracitados, isto é, o centésimo trigésimo oitavo, o centésimo quadragésimo terceiro e o centésimo quadragésimo quarto. [17] O centésimo décimo sexto, por ser pequeno, seja unido ao centésimo décimo quinto. [18] Distribuída, pois, a ordem dos salmos vespertinos, quanto ao restante – isto é, a lição, o responsório, o hino, o versículo e o cântico – proceda-se como determinamos acima. [19] Nas Completas, repitam-se todos os dias os mesmos salmos: o quarto, o nonagésimo e o centésimo trigésimo terceiro.

[20] Disposta a ordem da salmodia diurna, distribuam-se igualmente todos os salmos que restam, pelas sete Vigílias da noite, [21] partindo-se, naturalmente, os que, dentre eles forem mais longos e estabelecendo-se doze para cada noite.

[22] Advertimos de modo especial que, se porventura essa distribuição dos salmos não agradar a alguém, que ordene como achar melhor; [23] mas, seja como for, atenda a que seja salmodiado cada semana, integralmente, o saltério de cento e cinqüenta salmos e que se comece sempre, de novo, nas Vigílias do domingo, [24] porque os monges que, no decurso da semana, recitam menos do que o saltério com os cânticos costumeiros revelam ser por demais frouxo o serviço de sua devoção. [25] Pois lemos que os nossos santos Pais realizavam, corajosamente, em um só dia isso que oxalá nós indolentes, cumprimos no decorrer de toda uma semana.

CAPÍTULO 19 – Da maneira de salmodiar

[1] Cremos estar em toda parte a presença divina e que “os olho do Senhor vêem em todo lugar os bons e os maus”. [2] Creiamos nisso principalmente e sem dúvida alguma, quando estamos presentes ao Ofício Divino. [3] Lembremo-nos, pois, sempre, do que diz o Profeta: “Servi ao Senhor no temor”. [4] E também: “Salmodiai sabiamente”. [5] E ainda: “Cantar-vos-ei em face dos anjos”. [6] Consideremos, pois, de que maneira cumpre estar na presença da Divindade e de seus anjos; [7] e tal seja a nossa presença na salmodia, que nossa mente concorde com nossa voz.

CAPÍTULO 20 – Da reverência na oração

[1] Se queremos sugerir alguma coisa aos homens poderosos, não ousamos fazê-lo a não ser com humildade e reverência; [2] quanto mais não se deverá empregar toda a humildade e pureza de devoção para suplicar ao Senhor Deus de todas as coisas? [3] E saibamos que seremos ouvidos, não com o muito falar, mas com a pureza do coração e a compunção das lágrimas. [4] Por isso, a oração deve ser breve e pura, a não ser que, por ventura, venha a prolongar-se por um afeto de inspiração da graça divina. [5] Em comunidade, porém, que a oração seja bastante abreviada e, dado o sinal pelo superior, levantem-se todos ao mesmo tempo.

CAPÍTULO 21 – Dos decanos do mosteiro

[1] Se a comunidade for numerosa, sejam escolhidos, dentre os seus membros, irmãos de bom testemunho e de vida monástica santa, e constituídos Decanos; [2] empreguem sua solicitude em tudo o que diz respeito às suas decanias, conforme os mandamentos de Deus e os preceitos do seu Abade. [3] Que os Decanos eleitos sejam tais que possa o Abade, com segurança, repartir com eles o seu ônus ; [4] e não sejam escolhidos pela ordem na comunidade, mas segundo o mérito da vida e a doutrina da sabedoria. [5] Se algum dentre os Decanos, acaso inchado por qualquer soberba, for julgado merecedor de repreensão, seja repreendido uma, duas, até três vezes; se não quiser emendar-se seja destituído [6] e ponha-se em seu lugar outro que seja digno. [7] O mesmo determinamos a respeito do Prior.

CAPÍTULO 22 – Como devem dormir os monges

[1] Durma cada um em uma cama. [2] Tenham seus leitos de acordo com o modo de viver monástico e conforme o abade distribuir. [3] Se for possível, durmam todos num mesmo lugar; se, porém, o número não o permitir, durmam aos grupos de dez ou vinte, em companhia de monges mais velhos que sejam solícitos para com eles. [4] Esteja acesa nesse recinto uma candeia sem interrupção, até o amanhecer. [5] Durmam vestidos e cingidos com cintos ou cordas, mas de forma que não tenham, enquanto dormem, as facas a seu lado, a fim de que não venham elas a ferir, durante o sono, quem está dormindo; [6] e de modo que estejam os monges sempre prontos e, assim, dado o sinal, levantando-se sem demora, apressem-se mutuamente e antecipem-se no Ofício Divino, porém com toda gravidade e modéstia. [7] Que os irmãos mais jovens não tenham leitos juntos, mas intercalados com os dos mais velhos. [8] Levantando-se para o Ofício Divino chamem-se mutuamente, para que não tenham desculpas os sonolentos; façam-no, porém, com moderação.

CAPÍTULO 23 – Da excomunhão pelas faltas

[1] Se houver algum irmão teimoso ou desobediente, soberbo ou murmurador, ou em algum modo contrário à santa Regra, e desprezador dos preceitos dos seus superiores, [2] seja ele admoestado, conforme o preceito de nosso Senhor, a primeira e a segunda vez, em particular pelos seus superiores. [3] Se não se emendar, seja repreendido publicamente, diante de todos. [4] Se porém, nem assim se corrigir sofra a excomunhão, caso possa compreender o que seja essa pena. [5] Se, entretanto, está de ânimo endurecido, seja submetido a castigo corporal.

CAPÍTULO 24 – Qual deve ser o modo de proceder-se à excomunhão

[1] A medida tanto da excomunhão como da disciplina, deve regular-se segundo a espécie da falta, [2] e esta espécie das faltas está sob critério do julgamento do abade. [3] Se algum irmão incorrer em faltas mais leves, seja privado da participação à mesa. [4] Será este o proceder de quem está privado da mesa: não entoe salmo, nem antífona no oratório, nem recite lição até que tenha sido dada a devida satisfação. [5] Receba sozinho a sua refeição depois da refeição dos irmãos; [6] de modo que, por exemplo, se os irmãos vão tomar a refeição à hora sexta, aquele irmão o fará à hora nona; se os irmãos à nona, ele à hora de Vésperas, [7] até que tenha obtido o perdão por conveniente satisfação.

CAPÍTULO 25 – Das faltas mais graves

[1] Que seja suspenso da mesa e também do oratório o irmão culpado de faltas mais graves. [2] Que nenhum irmão se junte a ele em nenhuma espécie de relação, nem para lhe falar. [3] Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado, permanecendo no luto da penitência, ciente daquela terrível sentença do Apóstolo que diz: [4] “Este homem foi assim entregue à morte da carne para que seu espírito se salve no dia do Senhor”. [5] Faça a sós a sua refeição na medida e na hora que o Abade julgar convenientes, [6] não seja abençoado por ninguém que por ele passe, nem também a comida que lhe é dada.

CAPÍTULO 26 – Dos que sem autorização se juntam aos excomungados

[1] Se algum irmão ousar juntar-se, de qualquer modo, ao irmão excomungado sem ordem do Abade, ou de falar com ele ou mandar-lhe um recado, [2] aplique-se-lhe o mesmo castigo de excomunhão.

CAPÍTULO 27 – Como deve o Abade ser solícito para com os excomungados

[1] Cuide o Abade com toda a solicitude dos irmãos que caírem em faltas, porque “não é para os sadios que o médico é necessário, mas para os que estão doentes”. [2] Por isso, como sábio médico, deve usar de todos os meios, enviar “simpectas”, isto é, irmãos mais velhos e sábios [3] que, em particular, consolem o irmão flutuante e o induzam a uma humilde satisfação, o consolem “para que não seja absorvido por demasiada tristeza”, [4] mas, como diz ainda o Apóstolo, “confirme-se a caridade para com ele”, e rezem todos por ele.

[5] O Abade deve, pois, empregar extraordinária solicitude e deve empenhar-se com toda sagacidade e indústria, para que não perca alguma das ovelhas a si confiadas. [6] Reconhecerá, pois, ter recebido a cura das almas enfermas, e não a tirania sobre as sãs; [7] tema a ameaça do profeta, através da qual Deus nos diz: “o que víeis gordo assumíeis e o que era fraco lançáveis fora”. [8] Imite o pio exemplo do bom pastor que, deixando as noventa e nove ovelhas nos montes, saiu a procurar uma única ovelha que desgarrara, [9] de cuja fraqueza a tal ponto se compadeceu, que se dignou colocá-la em seus sagrados ombros e assim trazê-la de novo ao aprisco.

CAPÍTULO 28  – Daqueles que muitas vezes corrigidos não quiserem emendar-se

[1] Se algum irmão freqüentes vezes corrigido por qualquer culpa não se emendar, nem mesmo depois de excomungado, que incida sobre ele uma correção mais severa, isto é, use-se o castigo das varas. [2] Se nem assim se corrigir, ou se por acaso, o que não aconteça, exaltado pela soberba, quiser mesmo defender suas ações, faça então o Abade como sábio médico: [3] se aplicou as fomentações, os ungüentos das exortações, os medicamentos das divinas Escrituras e enfim a cauterização da excomunhão e das pancadas de vara [4] e vir que nada obtém com sua indústria, aplique então o que é maior: a sua oração e a de todos os irmãos por ele, [5] para que o Senhor, que tudo pode, opere a salvação do irmão enfermo. [6] Se nem dessa maneira se curar, use já agora o Abade o ferro da amputação, como diz o Apóstolo: “Tirai o mal do meio de vós” e também: [7] “Se o infiel se vai, que se vá”, [8] a fim de que uma ovelha enferma não contagie todo o rebanho.

CAPÍTULO 29 – Se devem ser novamente recebidos os irmãos que saem do mosteiro

[1] O irmão que sai do mosteiro por culpa própria, se quiser voltar, prometa, antes, uma completa emenda do vício que foi a causa de sua saída, [2] e então seja recebido no último lugar, para que assim se prove a sua humildade. [3] Se de novo sair, seja assim recebido até três vezes, já sabendo que depois lhe será negado todo caminho de volta.

CAPÍTULO 30  – De que maneira serão corrigidos os de menor idade

[1] Cada idade e cada inteligência deve ser tratada segundo medidas próprias. [2] Por isso, os meninos e adolescentes ou os que não podem compreender que espécie de pena é, na verdade, a excomunhão, [3] quando cometem alguma falta, sejam afligidos com muitos jejuns ou castigados com ásperas varas, para que se curem.

CAPÍTULO 31  – Como deve ser o Celeireiro do mosteiro

[1] Seja escolhido para Celeireiro do mosteiro, dentre os membros da comunidade, um irmão sábio, maduro de caráter, sóbrio, que não coma muito, não seja orgulhoso, nem turbulento, nem injuriador, nem tardo, nem pródigo, [2] mas temente a Deus; que seja como um pai para toda a comunidade. [3] Tome conta de tudo; [4] nada faça sem ordem do Abade. [5] Cumpra o que for ordenado. [6] Não entristeça seus irmãos. [7] Se algum irmão, por acaso, lhe pedir alguma coisa desarrazoadamente, não o entristeça desprezando-o, mas negue, razoavelmente, com humildade, ao que pede mal. [8] Guarde a sua alma, lembrando-se sempre daquela palavra do Apóstolo: “Quem tiver administrado bem, terá adquirido para si um bom lugar”. [9] Cuide com toda solicitude dos enfermos, das crianças, dos hóspedes e dos pobres, sabendo, sem dúvida alguma, que deverá prestar contas de todos esses, no dia do juízo. [10] Veja todos os objetos do mosteiro e demais utensílios como vasos sagrados do altar. [12] Nada negligencie. [12] Não se entregue à avareza, nem seja pródigo e esbanjador dos bens do mosteiro; mas faça tudo com medida e conforme a ordem do Abade.

[13] Tenha antes de tudo humildade e não possuindo a coisa com que atender a alguém, entregue-lhe como resposta uma boa palavra, [14] conforme o que está escrito: “A boa palavra está acima da melhor dádiva”. [15] Mantenha sob seus cuidados tudo o que o Abade determinar, não presuma, porém, a respeito do que lhe tiver proibido. [16] Ofereça aos irmãos a parte estabelecida para cada um, sem arrogância ou demora, a fim de que não se escandalizem, lembrado da palavra divina sobre o que deve merecer “quem escandalizar um destes pequeninos”. [17] Se a comunidade for numerosa, sejam-lhe dados auxiliares com a ajuda dos quais cumpra, com o espírito em paz, o ofício que lhe foi confiado. [18] Às horas convenientes seja dado o que deve ser dado e pedido o que deve ser pedido, [19] para que ninguém se perturbe nem se entristeça na casa de Deus.

CAPÍTULO 32 – Das ferramentas e objetos do mosteiro

[1] Quanto aos utensílios do mosteiro em ferramentas ou vestuário, ou quaisquer outras coisas, procure o Abade irmãos de cuja vida e costumes esteja seguro [2] e, como julgar útil, consigne-lhes os respectivos objetos para tomar conta e recolher. [3] Mantenha o abade um inventário desses objetos, para que saiba o que dá e o que recebe, à medida que os irmãos se sucedem no desempenho do que lhes for incumbido. [4] Se algum deixar as coisas do mosteiro sujas ou as tratar negligentemente, seja repreendido; [5] se não se emendar, seja submetido à disciplina regular.

CAPÍTULO 33 – Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio

[1] Especialmente este vício deve ser cortado do mosteiro pela raiz; [2] ninguém ouse dar ou receber alguma coisa sem ordem do Abade, [3] nem ter nada de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete, absolutamente nada, [4] já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio nem o próprio corpo nem a vontade; [5] porém, todas as coisas necessárias devem esperar do pai do mosteiro, e não seja lícito a ninguém possuir o que o Abade não tiver dado ou permitido. [6] Seja tudo comum a todos, como está escrito, nem diga nem tenha alguém a presunção de achar que alguma coisa lhe pertence. [7] Se for surpreendido alguém a deleitar-se com este péssimo vício, seja admoestado primeira e segunda vez, [8] se não se emendar, seja submetido à correção.

CAPÍTULO 34  -Se todos devem receber igualmente o necessário

[1] Como está escrito, repartia-se para cada um conforme lhe era necessário. [2] Não dizemos, com isso, que deva haver acepção de pessoas, o que não aconteça, mas sim consideração pelas fraquezas, [3] de forma que quem precisar de menos dê graças a Deus e não se entristeça por isso; [4] quem precisar de mais, humilhe-se em sua fraqueza e não se orgulhe por causa da misericórdia que obteve. [5] E, assim, todos os membros da comunidade estarão em paz. [6] Antes de tudo, que não surja o mal da murmuração em qualquer palavra ou atitude, seja qual for a causa. [7] Se alguém for assim surpreendido, seja submetido a castigo mais severo.

CAPÍTULO 35 – Dos semanários da cozinha

[1] Que os irmãos se sirvam mutuamente e ninguém seja dispensado do ofício da cozinha, a não ser no caso de doença ou se se tratar de alguém ocupado em assunto de grande utilidade; [2] pois por esse meio se adquire maior recompensa e caridade. [3] Para os fracos, arranjem-se auxiliares, a fim de que não o façam com tristeza; [4] ainda conforme o estado da comunidade e a situação do lugar, que todos tenham auxiliares. [5] Se a comunidade for numerosa, seja o Celeireiro dispensado da cozinha, e também, como dissemos, os que estiverem ocupados em assuntos de maior utilidade. [6] Os demais sirvam-se mutuamente na caridade. [7] O que vai terminar sua semana faça, no sábado, a limpeza; [8] lavem as toalhas com que os irmãos enxugam as mãos e os pés; [9] ambos, tanto o que sai como o que entra, lavem os pés de todos. [10] Devolva aquele ao Celeireiro os objetos do seu ofício, limpos e perfeitos; [11] entregue-os outra vez o Celeireiro ao que entra, para que saiba o que dá e o que recebe.

[12] Os semanários recebam, uma hora antes da refeição, além da porção estabelecida, um pouco de pão e algo para beber, [13] a fim de que, na hora da refeição, sirvam a seus irmãos sem murmurar e sem grande cansaço; [14] no entanto, nos dias solenes, esperem até depois da Missa. [15] No domingo, logo que acabem as Matinas, os semanários que entram e os que saem prostrem-se no oratório, aos pés de todos, pedindo que orem por eles. [16] Aquele que termina a semana diga o seguinte versículo: “Bendito é o Senhor Deus que me ajudou e consolou”. [17] Dito isso três vezes e recebida a bênção, sai; prossiga o que começa a semana, dizendo: “Ó Deus vinde em meu auxílio; Senhor, apressai-vos em socorrer-me”. [18] Também isso seja repetido três vezes por todos e, recebida a bênção, entre no seu ofício.

CAPÍTULO 36 – Dos irmãos enfermos

[1] Antes de tudo e acima de tudo deve tratar-se dos enfermos de modo que se lhes sirva como verdadeiramente ao Cristo, [2] pois Ele disse: “Fui enfermo e visitastes-me” [3] e “Aquilo que fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”. [4] Mas que os próprios enfermos considerem que são servidos em honra a Deus e não entristeçam com sua superfluidade aos irmãos que lhes servem. [5] No entanto, devem os doentes ser levados pacientemente, porque por meio deles se adquire recompensa mais copiosa. [6] Portanto, tenha o abade o máximo cuidado para que não sofram nenhuma negligência. [7] Haja uma cela destinada especialmente a estes irmãos enfermos, e um servo temente a Deus, diligente e solícito. [8] O uso dos banhos seja oferecido aos doentes sempre que convém; mas aos sãos, e sobretudo aos jovens, seja raramente concedido. [9] Também a alimentação de carnes seja concedida aos enfermos por demais fracos, para que se restabeleçam, mas logo que tiverem melhorado abstenham-se todos de carnes, como de costume. [10] Que tenha, pois, o Abade o máximo cuidado em que os enfermos não sejam negligenciados nem pelos Celeireiros nem pelos que lhes servem, pois sobre ele recai qualquer falta que tenha sido cometida pelos discípulos.

CAPÍTULO 37 – Dos velhos e das crianças

[1] Ainda que a própria natureza humana seja levada à misericórdia para com estas idades, velhos e crianças, no entanto que a autoridade da Regra olhe também por eles. [2] Considere-se sempre a fraqueza que lhes é própria, e não se mantenha para com eles o rigor da Regra no que diz respeito aos alimentos; [3] haja sim, em relação a eles, uma pia consideração e tenham antecipadas as horas regulares.

CAPÍTULO 38 – Do leitor semanário

[1] Às mesas dos irmãos não deve faltar a leitura; não deve ler aí quem quer que, por acaso, se apodere do livro, mas sim o que vai ler durante toda a semana, a começar do domingo. [2] Depois da Missa e da Comunhão, peça a todos que orem por ele para que Deus afaste dele o espírito de soberba. [3] No oratório, recitem todos, por três vezes, o seguinte versículo, iniciando-o o próprio leitor: “Abri, Senhor, os meus lábios, e minha boca anunciará vosso louvor”; [4] e tendo assim recebido a bênção, entre a ler. [5] Faça-se o máximo silêncio, de modo que não se ouça nenhum cochicho ou voz, a não ser a do que está lendo. [6] Quanto às coisas que são necessárias aos que estão comendo e bebendo, sirvam-se mutuamente os irmãos, de tal modo que ninguém precise pedir coisa alguma. [7] Se porém se precisar de qualquer coisa, seja antes pedida por algum som ou sinal do que, por palavra. [8] Nem ouse alguém fazer alguma pergunta sobre a leitura, ou outro assunto qualquer, para que se não dê ocasião, [9] a não ser que o superior, porventura, queira dizer, brevemente, alguma coisa, para edificação. [10] O leitor semanário, antes de começar a ler, recebe o “misto” por causa da Comunhão e para que não aconteça ser-lhe pesado suportar o jejum; [11] faça, porém, depois, a refeição com os semanários da cozinha e os serventes. [12] Não leiam nem cantem os irmãos segundo a ordem da comunidade, mas façam-no aqueles que edificam os ouvintes.

CAPÍTULO 39 – Da medida da comida

[1] Cremos que são suficientes para a refeição cotidiana, quer seja esta à sexta ou à nona hora, em todas as mesas, dois pratos de cozidos, por causa das fraquezas de muitos, [2] a fim de que aquele que não puder, por acaso, comer de um prato, coma do outro. [3] Portanto dois pratos de cozidos bastem a todos os irmãos; e se houver frutas ou legumes frescos, sejam acrescentados em terceiro lugar. [4] Seja suficiente uma libra de pão bem pesada, para o dia todo, quer haja uma só refeição, quer haja jantar e ceia. [5] Se houver ceia, seja guardada pelo Celeireiro a terça parte da libra e entregue aos que vão cear. [6] Mas, se por acaso tiverem feito um trabalho maior, estará ao critério e em poder do Abade acrescentar, se convier, alguma coisa, [7] afastados antes de mais nada excessos de comida, e de modo que nunca sobrevenha ao monge a indigestão, [8] porque nada é tão contrário a tudo o que é cristão como os excessos na comida, [9] conforme diz Nosso Senhor: “Cuidai que os vossos corações não se tornem pesados pela gula”. [10] Aos meninos de pouca idade não se sirva a mesma quantidade, mas sim menos que aos maiores, guardada em tudo a sobriedade. [11] Abstenham-se todos completamente de carnes de quadrúpedes, exceto os doentes demasiadamente fracos.

CAPÍTULO 40 – Da medida da bebida

[1] Cada um recebe de Deus um dom particular, este de um modo, aquele de outro; [2] por isso, é com algum escrúpulo que estabelecemos nós a medida para a alimentação de outros; [3] no entanto, atendendo à necessidade dos fracos, achamos ser suficiente, para cada um, uma hêmina de vinho por dia. [4] Aqueles, porém, aos quais Deus dá a força de tolerar a abstinência, saibam que receberão recompensa especial.

[5] Se a necessidade do lugar, o trabalho ou o rigor do verão exigir mais, fique ao arbítrio do superior, considerando em tudo que não sobrevenha saciedade ou embriaguez. [6] Ainda que leiamos não ser absolutamente próprio dos monges fazer uso do vinho, como em nossos tempos disso não se podem persuadir os monges, ao menos convenhamos em que não bebamos até a saciedade, mas parcamente, [7] porque “o vinho faz apostatar mesmo os sábios”. [8] Onde, porém, a necessidade do lugar exigir que nem a referida medida se possa encontrar, mas muito menos ou absolutamente nada, bendigam a Deus os que ali vivem e não murmurem: [9] antes de tudo exortamo-los a que vivam sem murmurações.

CAPÍTULO 41 – A que horas convém fazer as refeições

[1] Da Santa Páscoa até Pentecostes, façam os irmãos a refeição à hora sexta e ceiem à tarde. [2] A partir de Pentecostes, entretanto, por todo o verão, se os monges não têm os trabalhos dos campos ou não os perturba o excesso do verão, jejuem quarta e sexta-feira até a hora nona; [3] nos demais dias jantem à hora sexta. [4] Se tiverem trabalho nos campos ou se o rigor do verão for excessivo, o jantar deve ser mantido à hora sexta: ao Abade caiba tomar a providência. [5] E, assim, que tempere e disponha tudo, de modo que as almas se salvem e que façam os irmãos, sem justa murmuração, o que têm de fazer. [6] De 14 de setembro até o início da Quaresma façam a refeição sempre à hora nona. [7] Durante a Quaresma, entretanto, até a Páscoa façam-na à hora de Vésperas. [8] Sejam essas celebradas de tal modo, que os irmãos não precisem, à refeição, da luz de uma lâmpada, mas que tudo esteja terminado com a luz do dia. [9] E mesmo em todas as épocas esteja tanto a hora da Ceia como a do jantar de tal modo disposta, que tudo se faça sob a luz do dia.

CAPÍTULO 42 – Que ninguém fale depois das Completas

[1] Os monges devem, em todo tempo, esforçar-se por guardar o silêncio, mas principalmente nas horas da noite. [2] Por isso, em qualquer época do ano, seja de jejum, seja a época em que há jantar; [3] se for época em que há jantar, logo que se levantarem da refeição, sentem-se todos juntos e leia um deles as Colações ou as “Vidas dos Pais”, ou mesmo outra coisa que edifique os ouvintes; [4] não, porém, o Heptateuco ou o livro dos Reis, porque não seria útil, às inteligências fracas, ouvir essas partes da Escritura, nesta hora; sejam lidas, porém, em outras horas. [5] Se, entretanto, for dia de jejum, recitadas as Vésperas, depois de pequeno intervalo, dirijam-se logo para a leitura das Colações, conforme dissemos; [6] e, lidas quatro ou cinco folhas ou quanto a hora permitir, [7] reúnam-se todos os que vão chegando no decorrer da leitura, isto no caso de alguém ter ficado ocupado em ofício que lhe fora confiado. [8] Estando, pois, todos juntos, recitem as Completas; saindo das Completas, não haja mais licença para ninguém falar o que quer que seja. [9] Se alguém for encontrado transgredindo esta regra do silêncio, seja submetido a severo castigo; [10] exceto se sobrevier alguma necessidade da parte dos hóspedes ou se, por acaso, o Abade ordenar alguma coisa a alguém. [11] Mas mesmo isso seja feito com suma gravidade e honestíssima moderação.

CAPÍTULO 43 – Dos que chegam tarde ao Ofício Divino ou à mesa

[1] Na hora do Ofício Divino, logo que for ouvido o sinal, deixando tudo que estiver nas mãos, corra-se com toda a pressa, [2] mas com gravidade, para que a escurrilidade não encontre incentivo. [3] Portanto nada se anteponha ao Ofício Divino.

[4] Se alguém chegar às Vigílias noturnas depois do “Glória” do salmo nonagésimo quarto, que, por isso, queremos que seja dito de modo muito prolongado e vagarosamente, não fique no lugar de sua ordem no coro, [5] mas no último de todos ou em lugar à parte determinado pelo Abade para tais negligentes, a fim de que sejam vistos por ele e por todos; [6] até que, terminado o Ofício Divino, faça penitência por pública satisfação. [7] Se achamos que devem ficar no último lugar ou em lugar separado, é para que, vistos por todos, ao menos, pela própria vergonha, se emendem. [8] Pois se permanecessem fora do oratório, haveria talvez algum que ou se acomodaria novamente e dormiria, ou então se assentaria do lado de fora, ou se entregaria a conversas e daria ocasião ao maligno; [9] entrem, pois, no recinto para que nem tudo percam e daí por diante, se emendem. [10] Nas Horas diurnas, o que ainda não tiver chegado ao Ofício Divino depois do versículo e do “Glória” do primeiro salmo que se diz depois do referido versículo, fique no último lugar, conforme a lei que estabelecemos acima: [11] nem presuma associar-se ao coro dos que salmodiam, até que tenha feito satisfação, a não ser que o Abade, pelo seu perdão, dê licença, [12] mas, ainda assim, que o culpado satisfaça por essa falta.

[13] Quanto à mesa, quem não tiver chegado antes do versículo, de modo que todos digam o versículo e orem juntos e se sentem ao mesmo tempo à mesa – [14] quem não tiver chegado a tempo, por negligência ou culpa, seja castigado por este motivo até duas vezes; [15] se de novo não se emendar, não lhe seja permitida a participação à mesa comum, mas faça a refeição a sós, [16] separado do consórcio de todos, sendo-lhe tirada a porção de vinho, até que tenha feito satisfação, e se tenha emendado. [17] Seja tratado da mesma forma quem não estiver presente ao versículo que se diz depois da refeição. [18] E ninguém presuma servir-se de algum alimento ou bebida antes ou depois da hora estabelecida. [19] Mas quanto àquele que não quis aceitar alguma coisa que lhe tenha sido oferecida pelo superior, na hora em que desejar aquilo que antes recusou ou outra coisa qualquer, absolutamente nada receba, até conveniente emenda.

CAPÍTULO 44 – Como devem fazer satisfação os que tiverem sido excomungados

[1] Aquele que por culpas graves tiver sido excomungado do oratório e da mesa, na hora em que no oratório se termina o Ofício Divino, permaneça prostrado diante das portas do oratório, sem nada dizer, [2] com o rosto em terra, estendido e inclinado aos pés de todos os que saem do oratório. [3] E faça isso por tanto tempo, até julgar o Abade que já está feita a satisfação. [4] Quando vier a ordem do Abade, lance-se aos pés do mesmo Abade e depois aos de todos, para que rezem por ele. [5] E, então, se o Abade mandar, seja recebido no coro, no lugar de ordem que o Abade determinar; [6] mas de tal modo que não presuma entoar, no oratório, salmo ou lição ou o que quer que seja, sem que, de novo o Abade ordene. [7] E em todas as Horas, ao terminar o Ofício Divino, prostre-se por terra, no lugar onde estiver; [8] e assim dê satisfação até que, de novo, lhe ordene o Abade que cesse daí por diante essa satisfação. [9] Aqueles que, por culpas leves, são excomungados apenas da mesa, façam satisfação no oratório, até a ordem do Abade. [10] Façam-na até que o Abade os abençoe e diga: Basta.

CAPÍTULO 45  – Dos que erram no oratório

[1] Se alguém errar quando recitar um salmo, responsório, antífona ou lição, e se não se humilhar, ali mesmo, diante de todos por uma satisfação, sofra castigo maior, [2] de vez que não quis corrigir, pela humildade, a falta que cometeu por negligência. [3] As crianças por tal falta recebam pancadas.

CAPÍTULO 46 – Daqueles que cometem faltas em quaisquer outras coisas

[1] Se alguém, ocupado em qualquer trabalho na cozinha, no celeiro, no cumprimento de uma ordem, na padaria, na horta, enquanto trabalha em algum ofício e em qualquer lugar que seja, cometer alguma falta, [2] quebrar ou perder qualquer coisa, ou exceder-se em qualquer lugar [3] e não vier imediatamente, diante do abade e da comunidade, espontaneamente, satisfazer e revelar o seu delito, [4] quando a culpa for conhecida por outro, seja submetido a maior castigo. [5] Mas, se a causa de seu pecado estiver escondida na alma, manifeste-o somente ao abade ou aos conselheiros espirituais, [6] a alguém que saiba curar as próprias chagas e as dos outros e não as revela e conta em público.

CAPÍTULO 47 – Como deve ser dado o sinal para o Ofício Divino

[1] Esteja ao cuidado do Abade o dever de anunciar a hora do Ofício Divino, de dia e de noite; ele próprio dê o sinal ou então encarregue desse cuidado a um irmão de tal modo solícito, que todas as coisas se realizem nas horas competentes. [2] Entoem os salmos e antífonas, depois do Abade, na respectiva ordem, aqueles aos quais for ordenado. [3] Não presuma cantar ou ler, a não ser quem pode desempenhar esse ofício de modo que se edifiquem os ouvintes; [4] e seja feito com humildade, gravidade e tremor por quem o Abade tiver mandado.

CAPÍTULO 48 – Do trabalho manual cotidiano

[1] A ociosidade é inimiga da alma; por isso, em certas horas devem ocupar-se os irmãos com o trabalho manual, e em outras horas com a leitura espiritual. [2] Pela seguinte disposição, cremos poder ordenar os tempos dessas duas ocupações: [3] isto é, que da Páscoa até o dia 14 de setembro, saindo os irmãos pela manhã, trabalhem da primeira hora até cerca da quarta, naquilo que for necessário. [4] Da hora quarta até mais ou menos o princípio da hora sexta, entreguem-se à leitura. [5] Depois da sexta, levantando-se da mesa, repousem em seus leitos com todo o silêncio; se acaso alguém quiser ler, leia para si, de modo que não incomode a outro.

[6] Celebre-se a Noa mais cedo, pelo fim da oitava hora, e de novo trabalhem no que for preciso fazer até a tarde. [7] Se, porém, a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem, pessoalmente, em colher os produtos da terra, não se entristeçam por isso, [8] porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos. [9] Tudo, porém, se faça comedidamente por causa dos fracos.

[10] De 14 de setembro até o início da Quaresma, entreguem-se à leitura até o fim da hora segunda, [11] no fim da qual se celebre a Terça; e até a hora nona trabalhem todos nos afazeres que lhes forem designados. [12] Dado o primeiro sinal da nona hora, deixem todos os seus respectivos trabalhos e preparem-se para quando tocar o sinal. [13] Depois da refeição, entreguem-se às suas leituras ou aos salmos.

[14] Nos dias da Quaresma, porém, da manhã até o fim da hora terceira, entreguem-se às suas leituras, e até o fim da décima hora trabalhem no que lhes for designado. [15] Nesses dias de Quaresma, recebam todos respectivamente livros da biblioteca e leiam-nos pela ordem e por inteiro; [16] esses livros são distribuídos no início da Quaresma. [17] Antes de tudo, porém, designem-se um ou dois dos mais velhos, os quais circulem no mosteiro nas horas em que os irmãos se entregam à leitura [18] e verão se não há, por acaso, algum irmão tomado de acédia, que se entrega ao ócio ou às conversas, e não está aplicado à leitura e não somente é inútil a si próprio como também distrai os outros. [19] Se um tal for encontrado, o que não aconteça, seja castigado primeira e segunda vez: [21] se não se emendar, seja submetido à correção regular de tal modo que os demais temam. [21] Que um irmão não se junte a outro em horas inconvenientes.

[22] Também no domingo, entreguem-se todos à leitura, menos aqueles que foram designados para os diversos ofícios. [23] Se, entretanto, alguém for tão negligente ou relaxado, que não queira ou não possa meditar ou ler, determine-se-lhe um trabalho que possa fazer, para que não fique à toa. [24] Aos irmãos enfermos ou delicados designe-se um trabalho ou ofício, de tal sorte que não fiquem ociosos nem sejam oprimidos ou afugentados pela violência do trabalho; [25] a fraqueza desses deve ser levada em consideração pelo Abade.

CAPÍTULO 49 – Da observância da Quaresma

[1] Se bem que a vida do monge deva ser, em todo tempo, uma observância de Quaresma, [2] como, porém, esta força é de poucos, por isso aconselhamos os monges a guardarem, com toda a pureza, a sua vida nesses dias de Quaresma [3] e também a apagarem, nesses santos dias, todas as negligências dos outros tempos. [4] E isso será feito dignamente, se nos preservamos de todos os vícios e nos entregamos à oração com lágrimas, à leitura, à compunção do coração e à abstinência. [5] Acrescentemos, portanto, nesses dias, alguma coisa ao encargo habitual da nossa servidão: orações especiais, abstinência de comida e bebida; [6] e assim ofereça cada um a Deus, de espontânea vontade, com a alegria do Espírito Santo, alguma coisa além da medida estabelecida para si; [7] isto é: subtraia ao seu corpo algo da comida, da bebida, do sono, da conversa, da escurrilidade, e, na alegria do desejo espiritual, espere a Santa Páscoa. [8] Entretanto, mesmo aquilo que cada um oferece, sugira-o ao seu Abade, e seja realizado com a oração e a vontade dele, [9] pois o que é feito sem a permissão do pai espiritual será reputado como presunção e vanglória e não como digno de recompensa. [10] Portanto, tudo deve ser feito com a vontade do Abade.

CAPÍTULO 50 – Dos irmãos que trabalham longe do oratório ou estão em viagem

[1] Os irmãos que se encontram em um trabalho tão distante que não podem acorrer na devida hora ao oratório, [2] e tendo o Abade ponderado que assim é, [3] celebrem o Ofício Divino ali mesmo onde trabalham, dobrando os joelhos, com temor divino. [4] Da mesma forma, os que são mandados em viagem não deixem passar as horas estabelecidas, mas celebrem-nas consigo mesmos, como podem e não negligenciem cumprir com o encargo de sua servidão.

CAPÍTULO 51 – Dos irmãos que partem para não muito longe

[1] Não presuma comer fora o irmão que é mandado a um afazer qualquer e que é esperado no mosteiro no mesmo dia, ainda que seja instantemente convidado por qualquer pessoa; [2] a não ser que, porventura, o Abade lhe tenha dado ordem para isso. [3] Se proceder de outra forma, seja excomungado.

CAPÍTULO 52 – Do oratório do mosteiro

[1] Que o oratório seja o que o nome indica, nem se faça ou se guarde ali coisa alguma que lhe seja alheio. [2] Terminado o Ofício Divino, saiam todos com sumo silêncio e tenha-se reverência para com Deus; [3] de modo que se acaso um irmão quiser rezar em particular, não seja impedido pela imoderação de outro. [4] Se também outro, porventura, quiser rezar em silêncio, entre simplesmente e ore, não com voz clamorosa, mas com lágrimas e pureza de coração. [5] Quem não procede desta maneira, não tenha, pois, permissão de, terminado o Ofício Divino, permanecer no oratório, como foi dito, para que outro não venha a ser perturbado.

CAPÍTULO 53 – Da recepção dos hóspedes

[1] Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: “Fui hóspede e me recebestes”. [2] E se dispense a todos a devida honra, principalmente aos irmãos na fé e aos peregrinos. [3] Logo que um hóspede for anunciado, corra-lhe ao encontro o superior ou os irmãos, com toda a solicitude da caridade; [4] primeiro, rezem em comum e assim se associem na paz. [5] Não seja oferecido esse ósculo da paz sem que, antes, tenha havido a oração, por causa das ilusões diabólicas. [6] Nessa mesma saudação mostre-se toda a humildade. Em todos os hóspedes que chegam e que saem, adore-se, [7] com a cabeça inclinada ou com todo o corpo prostrado por terra, o Cristo que é recebido na pessoa deles.

[8] Recebidos os hóspedes, sejam conduzidos para a oração e depois sente-se com eles o superior ou quem esse ordenar. [9] Leia-se diante do hóspede a lei divina para que se edifique e depois disso apresente-se-lhe um tratamento cheio de humanidade. [10] Seja o jejum rompido pelo superior por causa dos hóspedes; a não ser que se trate de um dos dias principais de jejum, que não se possa violar; [11] mas os irmãos continuem a observar as normas de jejum. [12] Que o Abade sirva a água para as mãos dos hóspedes; [13] lave o Abade, bem assim como toda a comunidade, os pés de todos os hóspedes; [14] depois de lavá-los, digam o versículo: “Recebemos, Senhor, vossa misericórdia no meio de vosso templo”. [15] Mostre-se principalmente um cuidado solícito na recepção dos pobres e peregrinos, porque sobretudo na pessoa desses, Cristo é recebido; de resto o poder dos ricos, por si só, já exige que se lhes prestem honras.

[16] Seja a cozinha do Abade e dos hóspedes separada, de modo que os irmãos não sejam incomodados, com a chegada, em horas incertas, dos hóspedes, que nunca faltam no mosteiro. [17] Entrem todos os anos para o trabalho dessa cozinha dois irmãos que desempenhem bem esse ofício. [18] Sejam-lhes concedidos auxiliares quando precisarem, para que sirvam sem murmuração; e do mesmo modo, quando têm menos ocupação, deixem esse ofício, para trabalhar no que lhes for ordenado. [19] E não só em relação a esses, mas em todos os ofícios do mosteiro, seja este o critério: se precisarem de auxiliares, [20] sejam-lhes concedidos; por outro lado, quando estão livres, obedeçam ao que lhes for ordenado. [21] Do mesmo modo, cuide do recinto reservado aos hóspedes um irmão cuja alma seja possuída pelo temor de Deus: [22] haja ali leitos suficientemente arrumados e seja a casa de Deus sabiamente administrada por monges sábios. [23] De modo algum se associe ou converse com os hóspedes quem não tiver recebido permissão: [24] se encontrar ou vir algum deles, saúde-o humildemente, como dissemos, e, pedida a bênção, afaste-se, dizendo não lhe ser permitido conversar com os hóspedes.

CAPÍTULO 54 – Se o monge deve receber cartas ou qualquer outra coisa

[1] Não seja permitido de modo algum o monge receber ou enviar a seus pais ou a qualquer pessoa ou um ao outro cartas, eulógias, ou quaisquer pequenos presentes, sem permissão do abade. [2] E também, se alguma coisa lhe for enviada pelos seus pais, não presuma recebê-la sem que seja mostrada ao Abade. [3] Se ordenar que a receba, esteja ainda no poder do Abade ordenar a quem a coisa deve ser dada: [4] e não se entristeça o irmão a quem, porventura, a coisa fora enviada, a fim de não dar ocasião ao diabo. [5] Quem presumir proceder de outra maneira, seja submetido à disciplina regular.

CAPÍTULO 55  – Do vestuário e do calçado dos irmãos

[1] Sejam dadas vestes aos irmãos de acordo com as condições e temperatura dos lugares em que habitam [2] porque, nas regiões frias, tem-se necessidade de mais, e nas quentes, de menos. [3] Cabe ao Abade a consideração disso. [4] Cremos, porém, que, para os lugares de temperatura mediana, aos monges são suficientes uma cogula e uma túnica para cada um: [5] a cogula felpuda no inverno, fina ou mais usada no verão, [6] e um escapulário para o trabalho; para os pés: meias e calçado. [7] Não se preocupem os monges com a cor e qualidade de todas essas coisas, mas sejam as que se puderem encontrar no lugar onde moram e as que puderem ser adquiridas mais barato.

[8] Providencie o Abade a respeito da medida, para que estas vestes não fiquem curtas para quem as usa, mas de boa medida. [9] Os que recebem novas entreguem sempre, ao mesmo tempo, as velhas, que devem ser recolocadas na rouparia, para os pobres. [10] Basta ao monge possuir duas túnicas e duas cogulas, para a noite e para poder lavá-las; [11] o que houver a mais é supérfluo e deve ser cortado. [12] E devolvam também os calçados e tudo o que está velho, quando recebem os novos. [13] Os que são mandados em viagem recebam calças, da rouparia, e devolvam-nas lavadas, ao mesmo lugar, quando voltarem. [14] Suas cogulas e túnicas sejam um pouco melhores que as de costume; recebam-nas da rouparia e, voltando, restituam-nas.

[15] Como peças que guarnecem o leito, bastam uma esteira, uma colcha, um cobertor e um travesseiro. [16] Esses leitos devem ser freqüentemente revistados pelo Abade para que não haja ali coisas particulares. [17] E aquele com quem for encontrada alguma coisa que não recebeu do Abade, seja submetido a pesadíssimo castigo. [18] E para que este vício da propriedade seja amputado pela raiz, seja dado pelo Abade tudo o que é necessário, [19] isto é: cogula, túnica, meias, calçado, cinto, faca, estilete, agulha, lenço, tabuinhas, para que se tire a todos a desculpa de necessidade. [20] No entanto, considere sempre o Abade aquela sentença dos Atos dos Apóstolos que diz: “Era dado a cada um conforme precisava”. [21] Assim, pois, considere o Abade as fraquezas dos que precisam e não a má vontade dos invejosos. [22] Mas, em todas as suas decisões, pense na retribuição de Deus.

CAPÍTULO 56 – Da mesa do Abade

[1] Tenha sempre o Abade a sua mesa com os hóspedes e peregrinos. [1] Toda vez, porém, que não há hóspedes, esteja em seu poder chamar dentre os irmãos os que quiser; [3] mas um ou dois dos mais velhos devem sempre ser deixados com os irmãos, por causa da disciplina.

CAPÍTULO 57  – Dos artistas do mosteiro

[1] Se há artistas no mosteiro, que executem suas artes com toda a humildade, se o Abade o permitir. [2] E se algum dentre eles se ensoberbece em vista do conhecimento que tem de sua arte, pois parece-lhe que com isso alguma vantagem traz ao mosteiro, [3] que seja esse tal afastado de sua arte e não volte a ela a não ser que, depois de se ter humilhado, o Abade, porventura, lhe ordene de novo. [4] Se, dentre os trabalhos dos artistas, alguma coisa deve ser vendida, cuidem aqueles por cujas mãos devem passar essas coisas de não ousar cometer alguma fraude. [5] Lembrem-se de Ananias e Safira, para que a mesma morte que esses mereceram no corpo não venham a sofrer na alma [6] aqueles e todos os que cometerem alguma fraude com os bens do mosteiro. [7] Quanto aos próprios preços, que não se insinue o mal da avareza, [8] mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, [9] para que em tudo seja Deus glorificado.

CAPÍTULO 58 – Da maneira de proceder à recepção dos irmãos

[1] Apresentando-se alguém para a vida monástica, não se lhe conceda fácil ingresso, [2] mas, como diz o Apóstolo: “Provai os espíritos, se são de Deus”. [3] Portanto, se aquele que vem, perseverar batendo à porta e se depois de quatro ou cinco dias, sendo-lhe feitas injúrias e dificuldade para entrar, parece suportar pacientemente e persistir no seu pedido [4] conceda-se-lhe o ingresso, e permaneça alguns dias na cela dos hóspedes. [5] Fique, depois, na cela dos noviços, onde esses se exercitam, comem e dormem. [6] Seja designado para eles um dos mais velhos, que seja apto a obter o progresso das almas e que se dedique a eles com todo o interesse. [7] Que haja solicitude em ver se procura verdadeiramente a Deus, se é solícito para com o Ofício Divino, a obediência e os opróbrios. [8] Sejam-lhe dadas a conhecer, previamente, todas as coisas duras e ásperas pelas quais se vai a Deus. [9] Se prometer a perseverança na sua estabilidade, depois de decorridos dois meses, leia-se-lhe por inteiro esta Regra, [10] e diga-se-lhe: Eis a lei sob a qual queres militar: se podes observá-la entra; mas se não podes, sai livremente. [11] Se ainda ficar, seja então conduzido à referida cela dos noviços e seja de novo provado, em toda paciência. [12] Passados seis meses, leia-se-lhe a Regra, a fim que saiba para o que ingressa. [13] Se ainda permanece, depois de quatro meses, releia-se-lhe novamente a mesma Regra. [14] E se, tendo deliberado consigo mesmo, prometer guardar todas as coisas e observar tudo quanto lhe for ordenado, seja então recebido na comunidade, [15] sabendo estar estabelecido, pela lei da Regra, que a partir daquele dia não lhe é mais lícito sair do mosteiro, [16] nem retirar o pescoço ao jugo da Regra, a qual lhe foi permitido recusar ou aceitar por tão demorada deliberação.

[17] No oratório, diante de todos, prometa o que vai ser recebido a sua estabilidade e conversação de seus costumes, e a obediência, [18] diante de Deus e de seus Santos, a fim de que, se alguma vez proceder de outro modo, saiba que será condenado por aquele de quem zomba. [19] Desta sua promessa faça uma petição no nome dos Santos cujas relíquias aí estão e do Abade presente. [20] Escreva tal petição com sua própria mão; ou então, se não souber escrever, escreva outro rogado por ele, e que o noviço faça um sinal e a coloque com sua própria mão sobre o altar. [21] Quando a tiver colocado, comece logo o seguinte versículo: “Suscipe me, Domine, secundum eloquium tuum et vivam, et non confundas me ab expectatione mea”. [22] Responda toda a comunidade este versículo, por três vezes, acrescentando: “Gloria Patri”. [23] Prosterna-se, então, o irmão noviço aos pés de cada um para que orem por ele; e já daquele dia em diante seja considerado na comunidade. [24] Se possui quaisquer bens, ou os distribua antes aos pobres, ou, por solene doação, os confira ao mosteiro, nada reservando para si de todas essas coisas: [25] pois sabe que, deste dia em diante, nem sobre o próprio corpo terá poder. [26] Portanto, seja logo no oratório despojado das roupas seculares com que está vestido, e seja vestido com as roupas do mosteiro. [27] As vestes que despiu sejam colocadas na rouparia, onde devem ser conservadas, [28] para que, se algum dia, por persuasão do demônio, consentir em sair do mosteiro – que isso não aconteça! – seja expulso, despido das roupas do mosteiro. [29] Não lhe seja entregue, porém, aquela sua petição que o Abade tirou de cima do altar, mas fique guardada no mosteiro.

CAPÍTULO 59 – Dos filhos dos nobres ou dos pobres que são oferecidos

[1] Se porventura, algum nobre oferece o seu filho a Deus no mosteiro, se o jovem é de menor idade façam os seus pais a petição de que falamos acima; [2] e envolvam na toalha do altar essa petição e a mão do menino junto com a oblação, e assim o ofereçam.

[3] Prometam na presente petição, sob juramento, que nunca, por si, nem por pessoa interposta, lhe dão coisa alguma, em qualquer tempo, nem lhe proporcionam ocasião de possuir; [4] ou então, se não quiserem fazer isso e, como esmola, desejam oferecer ao mosteiro alguma coisa para a própria recompensa, [5] façam a doação das coisas que querem dar ao mosteiro, reservando o usufruto para si, se assim o desejarem. [6] E dessa forma, todos os caminhos estarão impedidos, de modo que no menino nenhuma esperança permaneça, pela qual – que isso não aconteça – venha a ser enganado e possa perecer; eis o que aprendemos por experiência. [7] Da mesma forma procedam os mais pobres. [8] Aqueles porém, que absolutamente nada possuem, façam simplesmente a petição e ofereçam seu filho, com a sua oblação, diante de testemunhas.

CAPÍTULO 60 – Dos sacerdotes que, porventura, quiserem habitar no mosteiro

[1] Se alguém da ordem dos sacerdotes pedir para ser recebido no mosteiro, não lhe seja concedido logo; [2] mas, se persistir absolutamente nessa súplica, saiba que deverá observar toda a disciplina da Regra [3] e não se lhe relaxará nada, de modo que lhe seja dito, como está escrito: “Amigo, a que vieste?”. [4] Seja-lhe concedido, entretanto, colocar-se depois do Abade, dar a bênção e celebrar Missa, mas se o Abade mandar. [5] Em caso contrário, não presuma fazer coisa alguma, sabendo que é súdito da disciplina regular; antes, dê a todos exemplos de maior humildade. [6] E se, por acaso, no mosteiro surgir questão de preenchimento de cargo ou outro qualquer assunto, [7] atente para o lugar da sua entrada no mosteiro e não para aquele que lhe foi concedido em reverência para com o sacerdócio. [8] Se algum da ordem dos clérigos, pelo mesmo desejo, quiser associar-se ao mosteiro, sejam colocados em lugar mediano, [9] mas desde que prometam, também eles, a observância da Regra e a própria estabilidade.

CAPÍTULO 61 – Dos monges peregrinos como devem ser recebidos

[1] Se chegar algum monge peregrino de longínquas províncias e quiser habitar no mosteiro como hóspede, [2] e mostra-se contente com o costume que encontrou neste lugar, e, porventura, não perturba o mosteiro com suas exigências supérfluas, [3] mas simplesmente está contente com o que encontra, seja recebido por quanto tempo quiser. [4] Se repreende ou faz ver alguma coisa razoavelmente e com a humildade da caridade, trate o Abade prudentemente desse caso, pois talvez por causa disto Deus o tenha enviado. [5] Mas, se depois quiser firmar a sua estabilidade, não se rejeite tal desejo, máxime porque se pôde conhecer sua vida durante o tempo da hospedagem.

[6] Mas, se durante o tempo da hospedagem for julgado exigente em coisas supérfluas ou vicioso, não somente não deve ser associado ao corpo do mosteiro, [7] como também lhe seja dito honestamente que se vá embora para que também outros não se viciem com sua miséria. [8] Mas, se não for tal que mereça ser expulso, – não somente, se pedir para aderir à comunidade, seja ele recebido, [9] mas também seja persuadido a ficar, para que outros sejam instruídos pelo seu exemplo [10] e porque em todo lugar se serve a um só Senhor, milita-se sob um só Rei. [11] E se o Abade julgar que o merece, seja-lhe lícito estabelecê-lo em lugar um pouco mais alto. [12] Não só para um monge, mas também para os já referidos ordenados sacerdote e clérigos, pode o Abade estabelecer um lugar mais elevado que aquele em que ingressam, se achar ser digna de tal a vida deles. [13] Cuide, porém, o Abade que nunca receba, para ficar, monge de outro mosteiro conhecido, sem o consentimento do respectivo Abade ou carta de recomendação, [14] porque está escrito: “Aquilo que não queres que te seja feito, não o farás a outrem”.

CAPÍTULO 62 – Dos sacerdotes do mosteiro

[1] Se o Abade quiser pedir que alguém seja ordenado presbítero ou diácono para si, escolha dentre os seus, quem seja digno de desempenhar o sacerdócio. [2] Acautele-se o que tiver sido ordenado contra o orgulho ou soberba [3] e não presuma fazer senão o que for mandado pelo Abade, sabendo que deverá submeter-se muito mais à disciplina regular. [4] E não se esqueça, por causa do sacerdócio, da obediência e da disciplina da Regra, mas progrida mais e mais para Deus.

[5] Atente sempre para o lugar em que entrou no mosteiro, [6] exceto no ofício do altar, mesmo que, pelo mérito de sua vida, o quiserem promover a escolha da comunidade e a vontade do Abade. [7] Saiba, no entanto, observar de sua parte a Regra constituída para os Decanos e Priores. [8] E se presumir proceder de outro modo, seja julgado não como sacerdote, mas como rebelde; [9] e se, admoestado muitas vezes, não se corrigir, chame-se também o bispo em testemunho. [10] Se nem assim se emendar, sendo claras as suas faltas, seja expulso do mosteiro, [11] mas isso no caso de ser tal a sua contumácia, que não queira submeter-se ou obedecer à Regra.

CAPÍTULO 63 – Da ordem na comunidade

[1] Conservem os monges no mosteiro a sua ordem, conforme o tempo que têm de vida monástica, o merecimento da vida e conforme o Abade constituir. [2] Que o Abade não perturbe o rebanho que lhe foi confiado, nem usando como que de livre poder, disponha alguma coisa injustamente: [3] mas lembre-se sempre de que deverá prestar contas a Deus de todos os seus juízos e obras. [4] Portanto, segundo a ordem que ele tiver estabelecido ou que tiverem os irmãos, apresentem-se estes para a Paz, para a comunhão, para entoar os salmos, para estar no coro. [5] Em qualquer lugar que seja, que a idade não distinga ou prejudique aquela ordem, [6] porque Samuel e Daniel, meninos, julgaram anciãos. [7] Portanto, exceto aqueles, que, como dissemos, com superior conselho, o Abade tiver posto à frente ou postergado por determinados motivos, todos os demais estejam segundo a ordem de ingresso, [8] de modo que, por exemplo, aquele que chegar ao mosteiro na segunda hora do dia, se reconhecerá mais moço do que o que chegar na primeira hora do dia, seja qual for a idade ou dignidade; [9] quanto aos meninos, seja a disciplina em tudo conservada por todos.

[10] Por isso, honrem os mais moços aos mais velhos que eles e os mais velhos amem aos irmãos mais moços: [11] No próprio modo de chamar pelo nome, a ninguém seja permitido chamar o outro pelo simples nome, [12] mas os mais velhos chamem aos mais moços pelo nome de irmãos e os mais moços chamem aos mais velhos de “nonos”, o que significa reverência paterna. [13] O Abade, que se crê fazer as vezes do Cristo, seja chamado Senhor e Abade, não em virtude de sua própria atribuição, mas em honra e por amor a Cristo. [14] Que ele pense nisso e se mostre de tal forma que seja digno de tal honra. [15] Em qualquer lugar em que se encontrem os irmãos, peça o mais moço a bênção ao mais velho. [16] Passando um mais velho, levante-se o mais moço e ceda-lhe o lugar, e não presuma o mais moço se assentar junto, a não ser que o convide o seu irmão mais velho, [17] a fim de que se faça o que está escrito: “Antecipando-se mutuamente em honra”. [18] Os meninos pequenos e adolescentes conservem com disciplina sua ordem no oratório e na mesa. [19] Fora ou em qualquer lugar, sejam guardados e tenham disciplina até que atinjam a idade da compreensão.

CAPÍTULO 64 – Da ordenação do Abade

[1] Na ordenação do Abade considere-se sempre a seguinte norma: seja constituído aquele que tiver sido eleito por toda a comunidade concorde no temor de Deus, ou, então, por uma parte, de conselho mais são, ainda que pequena. [2] Aquele que deve ser ordenado seja eleito pelo mérito da vida e pela doutrina da sabedoria, ainda que seja o último na ordem da comunidade. [3] E se toda a comunidade eleger, em conselho comum, o que não aconteça, uma pessoa conivente com seus vícios [4] e estes vícios chegarem de algum modo ao conhecimento do bispo da diocese a que pertence o lugar, ou se tornarem evidentes para os Abades ou cristãos vizinhos, [5] não permitam que prevaleça o consenso dos maus, mas constituam para a casa de Deus um dispensador digno, [6] sabendo que por isso receberão a boa recompensa, se o fizerem castamente e com zelo divino; mas se, pelo contrário negligenciam, cometerão pecado.

[7] Pense sempre o Abade ordenado no ônus que recebeu e a quem deverá prestar contas da sua administração, [8] e saiba convir-lhe mais servir que presidir. [9] Deve ser, pois, douto na lei divina para que saiba e tenha de onde tirar as coisas novas e antigas; deve ser casto, sóbrio, misericordioso [10] e faça prevalecer sempre a misericórdia sobre o julgamento, para que obtenha o mesmo para si. [11] Odeie os vícios, ame os irmãos. [12] Na própria correção proceda prudentemente e não com demasia, para que, enquanto quer raspar demais a ferrugem, não se quebre o vaso; [13] e suspeite sempre da própria fragilidade, e lembre-se que não deve esmagar o caniço já rachado. [14] Com isso não dizemos que permita que os vícios sejam nutridos, mas que os ampute prudentemente e com caridade, conforme vê que convém a cada um, como já dissemos; [15] e se esforce por ser mais amado que temido. [16] Não seja turbulento nem inquieto, não seja excessivo nem obstinado, nem ciumento, nem muito desconfiado, pois, nunca terá descanso; [18] seja prudente e refletido nas suas ordens, e quer seja de Deus, quer do século o trabalho que ordenar, faça-o com discernimento e equilíbrio, [18] lembrando-se da discrição do santo Jacó, quando diz: “Se fizer meus rebanhos trabalhar andando demais, morrerão todos num só dia”. [19] Assumindo esse e outros testemunhos da discrição, mãe das virtudes, equilibre tudo de tal modo, que haja o que os fortes desejam e que os fracos não fujam; [20] precipuamente, conserve em tudo a presente Regra [21] para que, depois de ter bem administrado, ouça do Senhor o que disse ao bom servo que distribuiu o trigo a seus conservos no devido tempo: [22] “Na verdade vos digo – diz – estabelece-o sobre todos os seus bens”.

CAPÍTULO 65 – Do Prior do mosteiro

[1] Muitas vezes acontece que, pela ordenação do Prior, se originam graves escândalos nos mosteiros; [2] quando existem alguns que, inchados por um maligno espírito de soberba e julgando-se segundos Abades, atribuindo a si mesmos um poder tirânico, nutrem escândalos e fazem dissenções nas comunidades [3] principalmente naqueles lugares em que, pelo mesmo sacerdote ou pelos mesmos Abades que ordenam o Abade, é também ordenado o Prior. [4] Facilmente se verifica o quanto isto é absurdo porque, desde o início da ordenação se lhe dá matéria para se orgulhar, [5] enquanto os seus pensamentos lhe sugerem que está livre do poder de seu Abade: [6] “porque és ordenado, também tu, pelos mesmos que o Abade”. [7] Daí são suscitadas invejas, brigas, detrações, rivalidades, dissenções, desordens, [8] pois, enquanto o Abade e o Prior sentem de maneira diferente, necessariamente, sob esta dissensão, perigam suas almas; [9] os que lhes estão subordinados, enquanto adulam as partes, caminham para a perdição. [10] O mal deste perigo recai, em primeiro lugar, sobre aqueles que se fizeram autores de tal desordem.

[11] Por isso achamos conveniente, para a defesa da paz e da caridade, que dependa do arbítrio do Abade a organização do seu mosteiro. [12] E, se for possível, seja organizado por meio dos Decanos, como estabelecemos acima, todo o serviço do mosteiro, conforme dispuser o Abade; [13] para que, sendo confiado a muitos um só não se ensoberbeça. [14] E se o lugar o exige ou a comunidade pedir razoavelmente e com humildade, e o Abade julgar conveniente, [15] ordene ele próprio, para si, o Prior, na pessoa de quem quer que, com o conselho dos irmãos tementes a Deus, tiver escolhido. [16] Execute, pois, o Prior, com reverência, aquilo de que for encarregado pelo Abade, nada fazendo contra a vontade ou disposição do Abade; [17] porque quanto mais elevado está acima dos outros, tanto mais solicitamente lhe cumpre observar os preceitos da Regra. [18] Se este Prior for achado com vícios ou se ensoberbecer, enganado pelo orgulho, ou se se tornar desprezador comprovado da Santa Regra, seja admoestado por palavras até a quarta vez; [19] se não se emendar, aplique-se-lhe a correção da disciplina regular. [20] E se nem assim se corrigir, seja então expulso da ordem de Prior e coloque-se, em seu lugar, outro que seja digno. [21] Se depois não permanecer quieto e obediente na comunidade, seja também expulso do mosteiro. [22] Pense, no entanto, o Abade que deve dar contas a Deus de todos os seus juízos, para que não aconteça que a chama da inveja e do ciúme queime a sua alma.

CAPÍTULO 66 – Dos porteiros do mosteiro

[1] Coloque-se à porta do mosteiro um ancião sábio que saiba receber e transmitir um recado e cuja maturidade não lhe permita vaguear. [2] O porteiro deverá ter a cela junto à porta para que os que chegam o encontrem sempre presente e dele recebam resposta. [3] Logo que alguém bater ou um pobre chamar, responda “Deo gratias” ou “Benedic” [4] e, com toda a mansidão do temor de Deus, responda com presteza e com o fervor da caridade. [5] Se o porteiro precisa de auxiliar, receba um irmão mais moço. [6] Seja, porém, o mosteiro, se possível, construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água, moinho, horta e os diversos ofícios, se exerçam dentro do mosteiro, [7] para que não haja necessidade de os monges vaguearem fora, porque, de nenhum modo convém às suas almas. [8] Queremos que esta Regra seja freqüentemente lida na comunidade para que nenhum irmão se escuse por ignorância.

CAPÍTULO 67 – Dos irmãos mandados em viagem

[1] Os irmãos que vão partir em viagem recomendem-se às orações de todos os irmãos e do Abade; [2] e sempre, na última oração do Ofício Divino, faça-se a comemoração de todos os ausentes. [3] Os irmãos que voltam de viagem, no mesmo dia em que chegam, em todas as Horas canônicas, quando termina o Ofício Divino, prostrados no chão do oratório, [4] peçam a todos a sua oração por causa dos excessos que, porventura, durante a viagem, se tenham nele insinuado, vendo ou ouvindo coisas más ou em conversas ociosas. [5] E ninguém presuma relatar a outrem qualquer das coisas que tiver visto ou ouvido fora do mosteiro, pois é grande a destruição. [6] E se alguém presumir fazê-lo, seja submetido ao castigo regular, [7] da mesma forma quem presumir sair dos claustros do mosteiro ou ir a qualquer lugar, ou fazer qualquer coisa, por menor que seja, sem ordem do Abade.

CAPÍTULO 68 – Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveis

[1] Se a algum irmão são acaso ordenadas coisas pesadas ou impossíveis, que receba a ordem de quem manda com toda a mansidão e obediência. [2] Se vê que o peso do ônus excede absolutamente a medida de suas forças, sugira paciente e oportunamente ao seu superior as causas de sua impossibilidade, [3] não se enchendo de soberba, nem resistindo ou contradizendo. [4] Se, depois de sua sugestão, a ordem do superior permanecer em sua determinação, saiba o súdito ser-lhe isso conveniente [5] e, confiando pela caridade, no auxílio de Deus, obedeça.

CAPÍTULO 69  – No mosteiro não presuma um defender o outro

[1] Deve-se tomar precaução para que no mosteiro não presuma um monge defender outro, seja por que motivo for, ou como que protegê-lo, [2] mesmo se ligados por qualquer laço de consangüinidade. [3] De modo algum seja isso presumido pelos monges, pois por este meio pode originar-se gravíssima ocasião de escândalos. [4] Se alguém tiver transgredido isso, seja mais severamente punido.

CAPÍTULO 70 – Não presuma alguém bater em outrem a próprio arbítrio

[1] Seja vedada no mosteiro toda ocasião de presunção, [2] e determinamos que a ninguém seja lícito excomungar ou bater em qualquer dos seus irmãos, a não ser aquele a quem foi dado o poder pelo Abade. [3] Que os transgressores sejam repreendidos diante de todos para que os demais tenham medo. [4] A diligência da disciplina e guarda das crianças até quinze anos de idade caiba a todos, [5] mas, também isso, com toda medida e inteligência. [6] Quem de qualquer modo o presume, sem ordem do Abade, contra os que já são mais velhos, ou bater sem discrição mesmo nas crianças, seja submetido à disciplina regular, [7] porque está escrito: “Não faças a outrem o que não queres que te façam”.

CAPÍTULO 71 – Que sejam obedientes uns aos outros

[1] Não só ao Abade deve ser tributado por todos o bem da obediência, mas, da mesma forma, obedeçam também os irmãos uns aos outros, [2] sabendo que por este caminho da obediência irão a Deus. [3] Colocado, pois, antes de tudo o poder do Abade e dos superiores por ele constituídos, ao qual não permitimos que seja antepostos poderes particulares – [4] quanto ao mais, que todos os mais moços obedeçam aos respectivos irmãos mais velhos, com toda a caridade e solicitude. [5] Se se encontrar algum com espírito de contenção, que seja castigado. [6] Se algum irmão, por qualquer motivo, ainda que mínimo, for repreendido, de qualquer modo pelo Abade ou por qualquer superior seu, [7] ou se levemente sentir o ânimo de qualquer superior seu irado ou alterado contra si, ainda que pouco, [8] logo, sem demora, permaneça prostrado em terra, a seus pés, fazendo satisfação, até que pela bênção esteja sanada aquela comoção. [9] Se alguém não o quiser fazer, ou seja submetido a castigo corporal ou, se for contumaz, seja expulso do mosteiro.

CAPÍTULO 72 – Do bom zelo que os monges devem ter

[1] Assim como há um zelo mau, de amargura, que separa de Deus e conduz ao inferno, [2] assim também há o zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna. [3] Exerçam, portanto, os monges este zelo com amor ferventíssimo [4] isto é, antecipem-se uns aos outros em honra. [5] Tolerem pacientissimamente suas fraquezas, quer do corpo quer do caráter; [6] rivalizem em prestar mútua obediência; [7] ninguém procure aquilo que julga útil para si, mas, principalmente, o que o é para o outro; [8] ponham em ação castamente a caridade fraterna; [9] temam a Deus com amor; [10] amem ao seu Abade com sincera e humilde caridade; [11] nada absolutamente anteponham a Cristo – [12] que nos conduza juntos para a vida eterna.

CAPÍTULO 73 – De que nem toda a observância da justiça se acha estabelecida nesta Regra

[1] Escrevemos esta Regra para demonstrar que os que a observamos nos mosteiros, temos alguma honestidade de costumes ou algum início de vida monástica. [2] Além disso, para aquele que se apressa para a perfeição da vida monástica, há as doutrinas dos Santos Padres, cuja observância conduz o homem ao cume da perfeição. [3] Que página, com efeito, ou que palavra de autoridade divina no Antigo e no Novo Testamento não é uma norma retíssima da vida humana? [4] Ou que livros dos Santos Padres Católicos ressoam outra coisa senão o que nos faça chegar, por caminho direto, ao nosso Criador? [5] E também as Colações dos Padres, as Instituições e suas Vidas, e também a Regra de nosso santo Pai Basílio, [6] que outra coisa são senão instrumentos das virtudes dos monges que vivem bem e são obedientes? [7] Mas para nós, relaxados, que vivemos mal e somos negligentes, são o rubor da confusão. [8] Tu, pois, quem quer que sejas, que te apressas para a pátria celeste, realiza com o auxílio de Cristo esta mínima Regra de iniciação aqui escrita [9] e, então, por fim, chegarás, com a proteção de Deus, aos maiores cumes da doutrina e das virtudes de que falamos acima. Amém.

Termina a Regra     Última revisão: 18/05/2002 Copyright © 1996-2002 by Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

 

Glorioso Patriarca São Bento

Por | SÃO BENTO

Nasceu em Núrcia, na Úmbria (Itália) por volta do ano 480, estudou em Roma, começou a praticar a vida eremítica em Subiaco, onde reuniu um grupo de discípulos, indo mais tarde para Monte Cassino. Aí fundou um célebre mosteiro e escreveu a Regra que, difundida em muitos países, lhe valeu os títulos de patriarca do monaquismo do Ocidente e padroeiro da Europa.
Morreu a 21 de março de 547. Contudo desde fins do século VIII, sua memória começou a ser celebrada em muitas regiões no dia 11 de julho.
A expansão que alcançou esta iniciativa monástica de São Bento foi impressionante. Duzentos anos mais tarde, a Regra beneditina vigorava em toda a Europa, eliminando praticamente todas as demais formas de vida consagrada. Este sucesso não foi casual, mas inerente ao equilíbrio e sensatez da Regra beneditina. Pois o fim da Regra de São Bento era formar cristãos perfeitos, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, mediante a prática dos mandamentos e conselhos evangélicos. Outro precioso fator era o equilíbrio e moderação. A Regra devia ser possível a todos e adaptável à capacidade de cada um.
ORA ET LABORA (ORAÇÃO E TRABALHO) é seu lema. Oração transformada em trabalho e trabalho em oração pela fé e obediência. No convívio fraterno na comunidade resulta sempre no completo equilíbrio psicológico.
A poucos quilômetros de Monte Cassino, Santa Escolástica, irmã de São Bento, adotou a Regra para as mulheres, dando origem às monjas beneditinas. Oremos juntos com São Bento!

Oração

A Cruz sagrada seja minha Luz. Não seja o Dragão meu guia
Retira-te Satanás. Nunca me aconse-lhes coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo do teu veneno! Amém!

Rogai por nós bem aventurado São Bento.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Em Latim

Crux Sacra Sit Mihi Lux.  Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Sátana. Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas. Ipse Venena Biba! Amém!

Traduzido de The Modern Catholic Encyclopedia, The Liturgical Press (1995), 77-78.

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Novena de São Bento! Ore Conosco!

Por | SÃO BENTO

Queridos Irmãos! A Paz de Jesus!  O Ideal é faze-la começando no dia 02 de Julho todos os Anos! Mais você pode reza-la a qualquer momento do Ano!

Oração da medalha de São Bento

A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia.
Retira-te, satanás!
Nunca me aconselhes coisas vãs.
É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!

Oração para obter qualquer graça

Oh, glorioso patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições.

Que nas famílias reine a paz e a tranquilidade, afastem-se todas as desgraças, tanto corporais como espirituais, especialmente o pecado.

Alcançai do Senhor a graça que vos suplicamos, obtendo-nos finalmente que, ao terminar nossa vida nesse vale de lágrimas, possamos louvar a Deus convosco no Paraíso.

Rogai por nós, glorioso patriarca São Bento, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ladainha de São Bento

Oração Conclusiva

Oh, Deus, que fizestes o abade São Bento preclaro mestre na escola do Vosso serviço. Concedei que, nada preferindo ao Vosso amor, corramos de coração dilatado no caminho dos Vossos mandamentos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.

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Primeiro Dia

1.Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

Seguir Jesus é comprometer-se.

“Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: “Sigam-Me e Eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.” Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram Jesus” (Mc 1,16-18).

4. Reflexão

O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão.

Seguir Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

O primeiro grau da humildade é a pronta obediência, peculiar àqueles que nada amam acima de Cristo. (…)

Essa mesma obediência somente será digna da aceitação de Deus e suave para os homens se a ordem for executada sem delongas, sem hesitações, sem morosidade, sem murmuração ou qualquer palavra de resistência. (…)

Se o discípulo obedecer de má vontade e se murmurar, ainda que não o faça com a boca, mas só no coração, ainda que cumpra a ordem recebida, sua obra não será agradável a Deus, que vê o íntimo dos corações; e longe de obter alguma graça por tal ação, incorrerá na pena dos murmuradores se não fizer reparação e não se corrigir (cap.5, Obediência).

7. Oração Conclusiva

Segundo Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

Jesus rejeita a popularidade fácil.

“De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram atrás de Jesus e, quando O encontraram, disseram: ‘Todos estão Te procurando’. Jesus respondeu: ‘Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que Eu vim’. E Jesus andava por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios” (Mc 1,35-39).

4. Reflexão

O deserto é o ponto de partida para a missão

Jesus encontra o Pai, que O envia para salvar os homens, mas encontra também a tentação: Pedro sugere que Jesus aproveite a popularidade conseguida num dia. É o primeiro diálogo com os discípulos, e já se nota tensão.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Quando temos alguma coisa a solicitar aos homens poderosos, nós nos aproximamos com humildade e respeito. Com quanto maior razão devemos apresentar nossas súplicas com toda humildade e pureza de devoção ao Senhor Deus do Universo!

Saibamos que não é pela multiplicidade de palavras que seremos atendidos, mas sim pela pureza do coração e a compunção das lágrimas. A prece deve ser, portanto, curta e pura, salvo se, porventura, venha a prolongar-se por afeto inspirado pela graça divina. Mas, em comunidade, que a oração seja curta, e, dado o sinal pelo superior, levantem-se todos ao mesmo tempo (cap.20, reverência na oração).

7. Oração Conclusiva

Terceiro Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

Jesus e os marginalizados

“Um leproso chegou perto de Jesus e pediu de joelhos: ‘Se queres, Tu tens o poder de me purificar’. Jesus ficou cheio de ira, estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Eu quero, fique purificado’. No mesmo instante, a lepra desapareceu e o homem ficou purificado. Então, Jesus o mandou logo embora, ameaçando-o severamente: ‘Não conte nada para ninguém! Vá pedir ao sacerdote para examinar você e, depois, ofereça pela sua purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para que seja um testemunho para eles’. Mas o homem foi embora e começou a pregar muito e a espalhar a notícia. Por isso, Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ele ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte as pessoas iam procurá-Lo” (Mc 1,40-45).

4. Reflexão

O leproso era marginalizado, devendo viver fora da cidade, longe do convívio social, por motivos higiênicos e religiosos (Lv 13,45-46). Jesus fica irado contra uma sociedade que produz a marginalização. Por isso, o homem curado deve apresentar-se para dar testemunho contra um sistema que não cura, mas só declara quem pode ou não participar da vida social. O marginalizado agora se torna testemunho vivo que anuncia Jesus, Aquele que purifica. E Jesus está fora da cidade, lugar que se torna o centro de nova relação social: o lugar dos marginalizados é o lugar onde se pode encontrar o Senhor.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Durma cada um em uma cama.

Tenham seus leitos de acordo com a profissão do monge, segundo as ordens do abade. Se for possível, durmam todos no mesmo lugar; se, porém, o grande número não o permitir, durmam dez ou vinte juntamente, tendo com eles monges mais velhos para vigiá-los.

Uma lâmpada iluminará o dormitório, sem interrupção, até o amanhecer.

Os monges dormirão vestidos, cingidos com os cintos ou cordões, mas não terão faca a seu lado, para que não se firam enquanto dormem e sempre estejam prontos, e assim, dado o sinal, levantem-se sem demora, apressem-se mutuamente e antecipem-se no oficio divino, mas com toda a gravidade e modéstia.

Que os irmãos mais jovens não tenham leitos juntos, mas intercalados com os dos mais velhos. Levantando-se para o ofício divino, despertem-se uns aos outros com moderação, a fim de que não tenham desculpa os sonolentos (cap.22, o sono dos monges).

7. Oração Conclusiva

Quarto Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

Jesus rejeita a hipocrisia social

“Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao Seu encontro e Ele a ensinava. Enquanto ia caminhando, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos. Então, disse-lhe: ‘Siga-Me’. Levi se levantou e O seguiu. Mais tarde, Jesus estava comendo na casa de Levi.

Havia vários cobradores de impostos e pecadores na mesa com Jesus e Seus discípulos; com efeito, eram muitos os que O seguiam. Alguns doutores da lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então, eles perguntaram aos discípulos: ‘Por que Jesus come e bebe junto com os cobradores de impostos e pecadores?’. Jesus ouviu e respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar os justos, e sim os pecadores” (Mc 2,13-17).

4. Reflexão

Os cobradores de impostos eram desprezados e marginalizados, porque colaboravam com a dominação romana, cobrando imposto e, em geral, aproveitando para roubar. Jesus rompe os esquemas sociais que dividem os homens em bons e maus, puros e impuros.

Chamando um cobrador de impostos para ser Seu discípulo, e comendo com os pecadores, Ele mostra que Sua missão é reunir e salvar aqueles que a sociedade hipócrita rejeita como maus.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Zele-se, com grande cuidado, para que esse vício da propriedade seja arrancado pela raiz no mosteiro. Ninguém ouse dar ou receber coisa alguma sem a autorização do abade, nem possuir algo próprio, absolutamente nada, nem livro, nem tabuinha (de escrever), nem estilete.

Em uma palavra: coisa nenhuma, já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio sequer o próprio corpo nem a própria vontade. Mas devem esperar do pai do mosteiro tudo de que necessitam.

Não seja lícito a ninguém possuir o que não lhe seja dado pelo abade ou por ele permitido ter. Seja tudo comum a todos, como está escrito, e que ninguém tenha a ousadia de tornar seu qualquer objeto, nem mesmo por palavras.

Se alguém se deixar levar por tão detestável vício, será advertido a primeira e segunda vez. Se não se emendar, será submetido à correção (cap.33, se os monges devem ter alguma coisa de próprio).

7. Oração Conclusiva

Quinto Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

“Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos iam abrindo caminho e arrancando as espigas. Então, os fariseus perguntaram a Jesus: ‘Vê: por que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?’. Jesus perguntou aos fariseus: ‘Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam passando necessidade e sentindo fome? Davi entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era Sumo Sacerdote, comeu dos pães oferecidos a Deus e os deu também para os seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães’.”

Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para servir ao homem e não o homem para servir ao sábado. Portanto, o Filho do Homem é Senhor até mesmo no Sábado” (Mc 2,23-28).

4. Reflexão

O centro da obra de Deus é o homem, e cultuar Deus é fazer o bem a ele. Não se trata de estreitar ou alargar a lei do sábado, mas de dar sentido totalmente novo a todas as estruturas e leis que regem as relações entre os homens, porque só é bom aquilo que faz o homem crescer e ter mais vida.

Toda lei que oprime o homem é lei contra a própria vontade de Deus e deve ser abolida.

5. Ladainha de São Bento.

6. Conhecendo a Regra de São Bento.

Antes de tudo e acima de tudo, deve-se cuidar dos enfermos, que deverão ser servidos como se fossem o Cristo em pessoa. (…)

De seu lado, os doentes considerem que são servidos em honra de Deus e não entristeçam, com exigências supérfluas, os irmãos que os servem. Contudo, os doentes devem ser suportados com paciência, porque, por meio deles, adquire-se maior recompensa.

O abade vigie, portanto, com todo o cuidado, para que não sofram nenhuma negligência.

Haja uma cela separada para os enfermos e, para servi-los, um irmão temente a Deus, diligente e solícito.

O uso dos banhos será conhecido aos doentes todas as vezes que for conveniente, mas aos que estão com saúde, principalmente aos jovens, seja raramente concedido.

A alimentação de carne seja concedida aos doentes e aos que se acham debilitados, mas tão logo se restabeleçam retomarão a abstinência habitual.

Tenha, pois, o abade o máximo cuidado para que os celeireiros e os enfermeiros nada negligenciem no serviço aos doentes, pois ele é o responsável por todas as faltas em que possam incorrer seus discípulos (cap.36, dos irmãos enfermos).

7. Oração Conclusiva

Sexto Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

A verdadeira família de Jesus

“Nisso chegaram a mãe e os irmãos de Jesus; ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor de Jesus. Então, lhe disseram: ‘Olha, tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram’. Jesus perguntou: ‘Quem é Minha mãe e Meus irmãos?” Então, Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: ‘Aqui estão Minha mãe e Meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é Meu irmão, minha irmã e Minha mãe’” (Mc 3,31-35).

4. Reflexão

Enquanto a família, segundo a carne, está “fora”, a família segundo o compromisso da fé está “dentro”, ao redor de Jesus.

Sua verdadeira família é formada por aqueles que realizam, na própria vida, a vontade de Deus, que consiste em continuar a missão de Jesus.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Se bem que o homem, já por natureza, seja levado à compaixão para com essas duas idades – a velhice e a infância –, também a autoridade da regra deve intervir no que lhes diz respeito.

Tenha-se, pois, sempre em vista, sua fraqueza, e não se mantenha, em relação a eles, o rigor da regra no que diz respeito à alimentação;

Mas se use, em seu favor, condescendência misericordiosa, permitindo que antecipem as horas regulares das refeições (cap.37, dos anciãos e das crianças).

7. Oração Conclusiva

Sétimo Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

O mistério da missão de Jesus

“Quando Jesus sozinho, os que estavam com Ele, junto com os doze, perguntaram o que significavam as parábolas. Jesus disse para eles: ‘Para vocês, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, para que olhem, mas não vejam, escutem, mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados’” (Mc 4,10-12).

4. Reflexão

As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir Jesus para perceber que o Reino de Deus está se aproximando por meio de Sua ação. Os que não seguem Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

A vida de um monge deve ser, em todo tempo, observância da Quaresma. Como, todavia, essa perfeição apenas se encontra em pequeno número, exortamos os irmãos a que conservem vida muito pura durante os dias da Quaresma, e a apaguem, nesses santos dias, todas as negligências dos outros tempos, o que faremos dignamente, abstendo-nos à oração com lágrimas, à leitura, à compunção do coração e à abstinência.

Acrescentemos, pois, nestes dias, alguma coisa ao nosso encargo habitual: orações particulares, alguma privação no comer e no beber, de forma que cada um, por sua livre vontade, oferece a Deus, na alegria do Espírito Santo, alguma coisa mais do que lhe seja ordenado, isto é, mortifique seu corpo no comer, no beber, no sono, na liberdade de falar e na jovialidade, e que espere a Santa Páscoa com a alegria de um desejo todo espiritual.

No entanto, cada um deverá dizer ao seu abade o que deseja oferecer, a fim de que tudo se faça com o seu consentimento e o socorro de suas orações, porque tudo o que se faz sem a permissão do pai espiritual será considerado como presunção e vanglória e não terá recompensa.

Que tudo se faça, pois, com a aprovação do abade (cap.49, da observância da Quaresma).

7. Oração Conclusiva

Oitavo Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

O escândalo da encarnação

“Jesus foi para Nazaré, Sua terra, e Seus discípulos O acompanharam. Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Muitos que O escutavam ficavam admirados e diziam: ‘De onde vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E esses milagres que são realizados pelas mãos d’Ele? Esse homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?’ E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Então, Cristo dizia para eles que um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família. Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé deles” (Mc 6,1-6).

4. Reflexão

Os conterrâneos de Jesus se escandalizam, não querem admitir que alguém como eles possa ter sabedoria superior à dos profissionais e realize ações que indiquem a presença de Deus. Para eles, o empecilho para a fé é a encarnação: Deus feito homem, situado num contexto social.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Ponha-se à porta do mosteiro um ancião prudente que saiba receber e transmitir recado, e cuja maturidade não lhe permita vaguear. O porteiro deve ficar alojado perto da porta, a fim de que os que chegam encontrem-no sempre presente para os atender.

Logo que alguém bater ou um pobre chamar, ele responderá: ‘Deo gratias’ ou ‘Benedicite.’ Com toda a mansidão oriunda do temor a Deus, responda com presteza e fervorosa caridade.

Se o porteiro necessitar de auxiliar, seja-lhe encaminhado um irmão mais moço.

Se possível, o mosteiro deve ser construído de tal modo, que todas as coisas necessárias, isto é, água, moinho, horta, oficinas e os diversos ofícios, exerçam-se dentro do mosteiro, a fim de que não haja necessidade de os monges saírem e andarem fora, o que de nenhum modo convém às suas almas.

Queremos que essa regra seja frequentemente lida na comunidade, para que nenhum irmãos se desculpe sob pretexto de ignorância (cap.66, do porteiro dos mosteiros).

7. Oração Conclusiva

Nono Dia

1. Oração da medalha de São Bento

2. Oração para obter qualquer graça

3. Palavra de Deus

A missão dos discípulos

“Jesus começou a percorrer as redondezas, ensinando nos povoados. Chamou os doze discípulos, começou a enviá-los dois a dois e dava-lhes poder sobre os espíritos maus. Jesus recomendou que não levassem nada pelo caminho, além de um bastão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: ‘Quando vocês entrarem numa casa, fiquem aí até partirem. Se vocês forem mal recebidos num lugar e o povo não escutar vocês, quando saírem sacudam a poeira dos pés como protesto contra eles’. Então, os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo” (Mc 6,6b-13).

4. Reflexão

Os discípulos são enviados para continuar a missão de Jesus: pedir mudança radical da orientação de vida (conversão), desalienar as pessoas (libertar dos demônios), restaurar a vida humana (curas).

Os discípulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes de que a missão vai provocar choque com os que não querem transformações.

5. Ladainha de São Bento

6. Conhecendo a Regra de São Bento

Assim como há um zelo mau, de amargura, que separa de Deus e conduz ao inferno, também existe o zelo bom, que afasta dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna.

Exerçam, portanto, os monges este zelo com amor fraterno, isto é, antecipem-se uns aos outros em honra e atenções.

Tolerem com grande paciência as enfermidades de outrem, quer corporais, quer espirituais. Obedeçam uns aos outros à porfia. Nenhum procure aquilo que lhe parece vantajoso para si, mas sim o que for útil para os outros.

Ponham em ação, castamente, a caridade fraterna. Temam a Deus. Amem seu abade com afeição humilde e sincera.

Nada, absolutamente nada, anteponham a Cristo, o qual se digne levar-nos, todos juntos, à vida eterna (cap.72, do bom zelo que os monges devem ter).

7. Oração Conclusiva.