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SANTOS DA IGREJA

São Judas Tadeu e São Simão – 28 de Outubro

Por | SANTOS DA IGREJA

Celebramos na alegria da fé os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu. Os apóstolos foram colunas e fundamento da verdade do Reino.

São Simão: Simão tinha o cognome de Cananeu, palavra hebraica que significa “zeloso”. Nicéforo Calisto diz que Simão pregou na África e na Grã-Bretanha. São Fortunato, Bispo de Poitiers no fim do século VI, indica estarem Simão e Judas enterrados na Pérsia. Isto vem das histórias apócrifas dos apóstolos; segundo elas, foram martirizados em Suanir, na Pérsia, a mando de sacerdotes pagãos que instigaram as autoridades locais e o povo, tendo sido ambos decapitados. É o que rege o martirológio jeronimita.

Outros dizem que Simão foi sepultado perto do Mar Negro; na Caucásia foi elevada em sua honra uma igreja entre o VI e o VIII séculos. Beda, pelo ano de 735, colocou os dois santos no martirológio a 28 de outubro; assim ainda hoje os celebramos. Na antiga basílica de São Pedro do Vaticano havia uma capela dos dois santos, Simão e Judas, e nela se conservava o Santíssimo Sacramento.

São Judas Tadeu: Judas, um dos doze, era chamado também Tadeu ou Lebeu, que São Jerônimo interpreta como homem de senso prudente. Judas Tadeu foi quem, na Última Ceia, perguntou ao Senhor: “Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22).

Temos uma epístola de Judas “irmão de Tiago”, que foi classificada como uma das epístolas católicas. Parece ter em vista convertidos, e combate seitas corrompidas na doutrina e nos costumes. Começa com estas palavras: “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados e amados por Deus Pai, e conservados para Jesus Cristo: misericórdia, paz e amor vos sejam concedidos abundantemente”. Orígenes achava esta epístola “cheia de força e de graça do céu”.

Segundo São Jerônimo, Judas terá pregado em Osroene (região de Edessa), sendo rei Abgar. Terá evangelizado a Mesopotâmia, segundo Nicéforo Calisto. São Paulino de Nola tinha-o como apóstolo da Líbia. Conta-se que Nosso Senhor, em revelações particulares, teria declarado que atenderá os pedidos daqueles que, nas suas maiores aflições, recorrerem a São Judas Tadeu. Santa Brígida refere que Jesus lhe disse que recorresse a este apóstolo, pois ele lhe valeria nas suas necessidades. Tantos e tão extraordinários são os favores que São Judas Tadeu concede aos seus devotos, que se tornou conhecido em todo o mundo com o título de Patrono dos aflitos e Padroeiro das causas desesperadas.

São Judas é representado segurando um machado, uma clava, uma espada ou uma alabarda, por sua morte ter ocorrido por uma dessas armas.

São Simão e São Judas Tadeu, rogai por nós!

São Daniel Comboni – Pai dos Negros

Por | SANTOS DA IGREJA

São Daniel Comboni nasceu em uma vila chamada Teseul, no norte da Itália, próximo ao lago de Garda, em 15 de março de 1831. Era de uma família humilde de agricultores. Seus pais, Luigi e Domenica, tiveram oito filhos, mas só Daniel sobreviveu.

Origem simples de São Daniel Comboni

Seus pais eram jardineiros. Em sua casa só havia os bens essenciais, pouca comida, a roupa indispen­sável para se proteger do inverno. A riqueza era a estrutura familiar bem sólida. Seus pais lhe ensinaram o respeito pelos outros, o valor da honestidade, o amor ao trabalho e, principalmente, a importância da fé em Deus. São Daniel tinha orgulho de sua terra natal e nunca esqueceu suas raízes. Um dia, já crescido e importante, escreveu a um amigo:Grandes e ricos me cumprimentam e reverenciam. Se eles soubessem que nasci em Teseul.

Inteligência e vocação

A professora de Daniel notava que ele era diferente: suas respostas revelavam grande inteligência. Ele também era um menino curioso que questionava tudo. Com apenas dez anos já queria ser padre. Porém, para estudar foi preciso ir para Verona, longe da família, sob os cuidados de Nicola Mazza, um padre que tinha fundado duas escolas.

Quando leu Vitórias dos Mártires, de Santo Afonso Maria de Ligório, aos 15 anos, ficou empolgado e decidiu que seria missionário. Aos 17, fez uma promessa. Ele escreveu assim: Foi em janeiro de 1849, quando era estu­dante de Filosofia. Jurei aos pés de meu venerado superior, o padre Mazza, consa­grar toda a minha vida ao apostolado na África Cent­ral. Nunca faltei, com a graça de Deus e apesar da mudança das circunstâncias, à minha promessa. Des­de aquele momento, não tive outro objetivo senão pre­parar-me para tão santa empresa. Em dezembro de 1854 Daniel Comboni recebeu o Sacramento da Ordem, tonando-se padre aos 23 anos de idade, na cidade de Trento.

São Daniel Comboni parte em missão a África

Ele se preparou para a missão na África estudando francês, inglês, espanhol, árabe, português, alemão e algumas línguas africanas. Em 1857, partiu em sua primeira viagem missionária na África, dedicando-se na luta contra a escravidão. Mas essa viagem não saiu como planejada. Três companheiros morreram de malária. Os outros obstáculos foram a língua e o clima. O calor de 40 graus era demais para os europeus.

Em viagem a Roma, ao visitar o túmulo de São Pedro, Daniel teve uma forte inspiração e no Concílio Vaticano I (dezembro/1869 a dezembro/1870), explicou aos bispos o seu projeto de restauração dos africanos. Sua inspiração era a desalvar a África com os africanos. Para isso, era necessário preparar bem os sacerdotes e os missionários in loco, na própria África, na realidade africana. Sua inspiração foi aclamada no concílio.

Missionário incansável

Mais do que ninguém, São Daniel Comboni amou os homens de pele negra e o continente africano. Por causa desse amor sem medidas, ele viajava bastante e fundou vários colégios, sempre sonhando em fazer a África crescer, melhorar, sair da pobreza. Com a ajuda de algumas mulheres fundou e organizou a Congregação Pias Madres da Nigritia.

O Vaticano reconheceu o esforço e a luta de São Daniel Comboni. Prova disso é que por ordem de um Cardeal do vaticano, responsável pela propagação da fé, Daniel fundou, em 1867, um instituto chamado Filhos do Sagrado Coração de Jesus. Atualmente são conhecidos como Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ). Eles estão presentes no mundo todo e possuem 24 mártires. Em 1877 ele foi consagrado como bispo deste Vicariato, responsável pela África Central.

Falecimento de São Daniel

São Daniel Comboni morreu no dia 10 de outubro de 1881, na cidade de Cartum, Sudão, país paupérrimo da África, vítima de febre alta. Vários companheiros já tinham morrido do mesmo mal. Antes de morrer, exortou aos amigos que não desistissem jamais da missão, mesmo que sobrasse apenas um deles.

Devoção a São Daniel Comboni

No dia 5 de outubro de 2003, Daniel Comboni foi canonizado pelo Papa João Paulo II. A liturgia da Igreja celebra sua festa no dia 10 de outubro. A causa de sua canonização foi a cura de uma menina com problemas no aparelho digestivo, ocorrida na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, nos anos de 1970, onde foi erguida uma igreja em sua homenagem.

Carlos Cassiano, o médico que fez a cirurgia no estômago da menina, detectou uma infecção generalizada, sendo que não mais nada podia ser feito para salvar a vida da menina. Parentes e amigos ficaram surpresos e chocados com a notícia. Por isso, passaram toda a noite em orações e súplicas,  implorando a intercessão de São Daniel Comboni, por influência dos missionários combonianos na região. E o milagre aconteceu: a menina levantou curada no dia seguinte. O fato foi estudado por médicos e especialistas que constataram: a cura da menina é um fato que não pode ser explicado pela ciência.

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São Tiago Maior, grande amigo de Nosso Senhor

Por | SANTOS DA IGREJA

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista.

Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor.

Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros.

Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho:

“Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2).

Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo.

Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Estando um dia com o pai e o irmão a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: “Segui-me”. João e Tiago imediatamente obedeceram; deixaram o pai e as redes e seguiram Jesus, como fiéis discípulos, para todo o sempre.

Tiago e João eram filhos de Zebedeu e Maria Salomé, que por sua vez era filha de Alfeu ou Cleofas, irmão de São José, e de Maria, Maria de Cleofas. Podemos assim entender a proximidade de Jesus aos filhos de Zebedeu; eles sempre estavam no grupo dos três, Pedro, Tiago e João. Eram, talvez, os mais íntimos.

Podemos entender também o pedido, feito a Jesus, por Maria Salomé de que os colocasse no seu Reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Era um pedido de mãe; porém, provavelmente ela expressou o desejo mais íntimo dos dois apóstolos.

Naquele momento, Jesus, sem considerar o parentesco, repreendeu-os ainda e disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu hei de beber?”. Eles prontamente responderam: “Podemos”. Por fim o Senhor afirma que tal decisão cabe tão somente ao Pai.

Sempre que Jesus se referia aos irmãos Tiago e João, ele os chamava de “Boanerges”, que significa “Filhos do trovão”. O evangelista Lucas narra um fato que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação e fidelidade ao Mestre.

O fato faz referência à chegada deles a uma cidade da Samaría, quando seu povo não os deixou entrar. João e Tiago viram nisso uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: “Senhor, queres que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade para consumi-la?”.

Jesus mais uma vez chamou-lhes a atenção dizendo: “Não sabeis de que espírito sois animados. O filho do homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las”.

Com Pedro, Tiago e João foram privilegiados, pois estavam com Jesus na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração no Monte Tabor e também no Horto das Oliveiras.

Tiago, o irmão mais velho, sempre foi uma referência para João evangelista e para os demais discípulos, pois era corajoso e determinado. Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade.
Após o nascimento da Igreja institucional, em Pentecostes, Tiago, assim como os outros Apóstolos, saiu para todos os lugares para pregar o Evangelho de Jesus Cristo.

Uma antiga tradição afirma que Tiago viajou para a Espanha e lá plantou as sementes do Cristianismo. Diz-se que antes de partir em missão, os apóstolos visitavam a mãe do Senhor, e dela imploravam suas bênçãos. Nossa Senhora os recomendava ao Senhor e os encorajava na defesa da fé, no Cristo vivo e ressuscitado.

Com Tiago, a Santíssima Virgem manifestou o desejo de ir a seu encontro lá pelas terras da Espanha, dizendo: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por Ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à Fé, edifiques em minha memória conforme eu te manifestar”.

Tendo pregado por algum tempo, dirigiu-se a Saragoça, à margem do Ebro. Lá, converteu ao cristianismo oito varões, com os quais se retirava para orar. Certa noite, enquanto descansavam, ouviram de repente vozes angélicas que cantavam “Ave Maria”.

Tiago e seus discípulos puseram-se de joelhos e eis que viram a Virgem Santíssima entre um coro de anjos e sentada sobre um pilar de mármore. A Mãe do Senhor chamou o apóstolo Tiago e indicou-lhe o lugar onde queria que fosse edificada a sua igreja; disse-lhe que conservasse aquela coluna e a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria ali até o fim do mundo.

Devemos lembrar que a aparição aconteceu no tempo em que a Virgem Maria ainda viva no mundo.
Ainda hoje podemos contemplar o belíssimo pilar na Basílica de Saragoça.

Para o apóstolo Tiago, o pior estava por vir, pois alguns dos seus o traíram e na Páscoa do ano de 42 foi decapitado ao lado de seu acusador que por fim arrependeu-se; estavam a caminho de Jerusalém!
Segundo uma antiga tradição, o bispo Teodomiro de Iria, em princípios do século IX, teria encontrado o corpo do apóstolo Tiago num lugar chamado Campo de estrelas (Compostela).

Foi naquele lugar que o rei Afonso II erigiu, sobre o túmulo do apóstolo uma igreja. Suas relíquias estão guardadas num dos mais conhecidos santuários do mundo – o de Compostela.
Que o apóstolo Tiago, padroeiro da Espanha, nos ensine a fazer a vontade do Senhor e a buscar as bênçãos da Santíssima Virgem, em cada nova missão.

São Charbel Makhluf – Paz de Alma, silêncio e solidão.

Por | SANTOS DA IGREJA

Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus.

Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos Livros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedroscentenários o pequeno Youssef Makhlouf.

São Charbel Makhlouf nasceu a 8 de maio de 1828, em BiqáKafra, aldeia montanhosa do norte, ao pé dos cedros do Líbano. Seu nome de batismo: José Zaroun Makhlouf. Com 23 anos ele toma o nome de Charbel em memória do mártir do século segundo, foge de casa e refugia-se no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfoug, da Ordem libanesa maronita. Um ano depois, transfere-se para o mosteiro de S. Maron de Annayam, da província de Jbail, verdadeiro oásis de oração e fé, a 1300 metros de altitude. Depois de seis anos de estudos teológicos, em Klifan, é ordenado sacerdote. Exerce, então, com muita edificação, as funções do seu ministério sagrado, juntamente com toda a sorte de trabalhos manuais. Após dezesseis anos de vida ascética, Charbel obtém autorização, em 1875, para se retirar ao eremitério dos Santos Pedro e Paulo, de Annaya. Durante 23 anos (1875-1898), S. Charbel entrega-se com todas as forças da alma, à busca de Deus, na bem-aventurada e total solidão. Deus recompensa o seu fiel servidor, dando-lhe o dom de operar milagres, já em vida: afirma-se que os realizou não somente com cristãos, mas, também, com muitos muçulmanos.

No dia 16 de dezembro de 1898, em Annaya, enquanto celebrava a Santa Missa, sofreu um ataque de apoplexia; levou-o à morte, no dia 24, Vigília da Festa de Natal. Tinha 70 anos de idade.

Com o seu próprio punho, Pio XII assinou o decreto que dava início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo expressamente: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Foi vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocarem com um pedaço de pano suas vestes constantemente úmidas de sangue, alcançam alívio em suas doenças e não poucos até se veem curados. Glória ao Pai que coroou os combates dos santos. Glória ao Filho que deixou esse poder em suas relíquias. Glória ao Espírito Santo que repousa, com suas luzes, sobre seus restos mortais para fazer nascer consolações em todas as espécies de tristezas”.

No segundo domingo de outubro de 1977, dia 9, o Santo Padre Paulo VI canonizou solenemente, na Basílica de São Pedro, em Roma, o bem-aventurado Charbel Makhlouf, monge eremita libanês. Foi a primeira canonização, realizada pelo Papa, de um membro da Igreja do Rito Oriental, desde que o Vaticano traçara, há quatro séculos, nova orientação para as canonizações. Antes da canonização atual, os santos maronitas eram proclamados pelo Patriarca da Igreja maronita.

São Charbel Makhlouf, rogai por nós!

Modelo de obediência e pureza

Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo:

– Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel?

Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo paraoutro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei:”Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga.

Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando-se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher.

O dom de fazer milagres

Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade.

Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de entregar ao padre Charbel determinada quantia e pedirlhe que este lhe enviasse uma correia benta. Há uma devoção mariana típica do Líbano: nas situações de emergência – calamidades públicas, epidemias, guerras, etc. -, os chefes de família levam à igreja um véu de seda ou algodão; esses véus são entrelaçados e ficam suspensos em volta da capela, até a Virgem fazer cessar a desgraça. O padre Charbel pegou, então, um desses véus, que estava na imagem de Nossa Senhora do Rosário, e o entregou ao mensageiro, dizendo:

– Que a mulher se cinja com este véu, e ficará curada. Quanto à esmola, coloque-a sobre o altar, o padre provedor irá tirá-la. – E a mulher ficou curada.

Na ermida de São Pedro e São Paulo

Visto que a solidão o atraía desde a infância, e que no mosteiro de Annaya vivia já praticamente como um anacoreta, foi ele transferido para a ermida de São Pedro e São Paulo, a pouca distância do mosteiro. Tinha então 47 anos, e ali permaneceu até o dia de sua morte, ocorrida 23 anos depois.

Sua oração era apenas interrompida pelo cultivo da vinha e outros trabalhos na ermida. E a única refeição do dia, perto das três horas da tarde, acabava sendo um exercício de penitência, pela exiguidade e pobreza do alimento. Sua devoção a Maria era incomparável. Repetia continuamente Seu nome bendito, e cada vez que entrava ou saía de sua cela recitava, de joelhos, a saudação angélica diante de uma pequena imagem que ali ficava.

Proverbial era também sua paz de alma. Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em oração. Dois ermitães acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade.

– Padre Charbel, por que não se moveu para apagar o fogo?

– Caro irmão, como poderia fazê-lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu…

De fato, como o incêndio fora rapidíssimo, ele julgara mais importante continuar sua oração, sem se perturbar.

Nascimento para a vida eterna

Quando celebrava a Missa no dia 16 de dezembro de 1898, no momento em que comungava o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, um repentino ataque de apoplexia o deixou paralisado, sem poder concluir o Santo Sacrifício. Socorrido semdemora,foilevado para sua pobre cela, onde permaneceu oito dias entre a vida e a morte, com intervalos de lucidez durante os quais rezava curtas orações.

Na vigília do Natal, enquanto a Igreja comemorava a vinda ao mundo do Menino Jesus, nasceu para a eternidade aquele santo monge maronita, o primeiro oriental a ser canonizado segundo a forma usada na Igreja Católica latina.

Seus restos mortais foram sepultados em uma vala comum, junto aos dos demais monges falecidos, como pedia a santa Regra. E, desde aquele momento, o cemitério passou a ser iluminado à noite por uma suave e misteriosa luz. Este e outros prodígios, unidos à sua fama de santidade, levaram a transferi-los para um novo túmulo, na parede da cripta da Igreja de São Maron.

A vala onde São Charbel fora enterrado era tão úmida que, ao fazer a exumação, o corpo apareceu literalmente encharcado, mas milagrosamente íntegro e flexível, transpirando um líquido avermelhado de agradável odor. E quando o novo túmulo fora aberto, em 1950, 1952 e 1955, constatou-se que ainda continuava flexível e incorrupto.

Sua modelar vida monástica e os numerosos milagres realizados pela sua intercessão levaram o Papa Paulo VI a beatificá-lo em 5 de dezembro de 1965, dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, e a canonizálo em 10 de outubro de 1977.

Exemplo também para nós

O exemplo de São Charbel Makhlouf indica um caminho também nos dias de hoje, pois o silêncio e a oração constituem um valioso auxílio para solucionar as angústias e aflições do homem contemporâneo.

Engana-se quem pensa que o recolhimento é privilégio exclusivo dos religiosos de clausura. Ele está ao alcance de todos nós, pois “a fonte da verdadeira solidão e do silêncio não está nas condições ou na qualidade do trabalho, mas sim no contato íntimo com Deus […] O silêncio, assim entendido, pode encontrar-se na rua, no estrépito do trabalho da fábrica, nas atividades do campo, porque é levado dentro de nós”.2 (por Raphaela Nogueira Thomaz, Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36).

Videos sobre São Charbel

Documentário

São Filipe Néri! O Santo da Alegria!

Por | SANTOS DA IGREJA

Morte 26 de maio de 1595 / Beatificação 1614 por Papa Paulo V / Canonização 1622 por Papa Gregório XV / Festa litúrgica 26 de maio

Na Cidade Eterna, avançava para seu final a noite calma e silenciosa. Após mais uma jornada na qual conduzira com valor a Barca de Pedro, o Sumo Pontífice descansava por algumas horas, para retomar seu posto aos primeiros clarões da aurora.

Nem todos, porém, repousavam naquela madrugada de 1544. A célebre Via Ápia, outrora palmilhada nessas horas pelos vigias de César e por cristãos que procuravam refúgio nas catacumbas, presenciava agora os passos de um humilde fiel chamado Filipe Néri, então com 29 anos de idade. Percorreu pouco mais de três quilômetros até a ponta da escadaria da Catacumba de São Sebastião, seu local predileto de oração e recolhimento.

O “pentecostes” de São Filipe

A Santa Igreja atravessava as conturbações religiosas do século XVI. Preparavam-se em Trento as seções do grande Concílio e o mundo cristão vivia uma encruzilhada histórica, de desfecho pouco previsível. Posto nessa situação, Filipe erguia do fundo daquelas úmidas e escuras galerias uma prece que se confundia com o clamor dos mártires: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovareis a face da Terra”.

Enquanto rezava, sentiu seu coração encher-se “de grande e inusitada alegria, uma alegria feita de amor divino, mais forte e veemente que qualquer outra sentida antes”.1 Uma bola de fogo – símbolo do Espírito Santo – refulgiu diante dele, entrou por sua boca e pousou em seu coração. Num instante, viu-se tomado de excepcional amor e entusiasmo pelas coisas divinas, bem como de uma capacidade incomum de comunicá-los. Sua constituição física, não podendo conter o ímpeto da ação sobrenatural, modelou-se milagrosamente a ela: o coração aumentou de tamanho e buscou lugar entre a quarta e a quinta costelas, as quais se arquearam docilmente para darlhe um maior espaço.

Esse episódio miraculoso, ocorrido na vigília de Pentecostes, passaria para a História como “o pentecostes de São Filipe Néri”. E os frutos de tamanho prodígio não se fizeram esperar: “É assim que esse homem, admirável pela doçura, a persuasão e o fogo da caridade, começou essa santa renovação social pela qual regenerará os povos da Itália; sublime obra de humildade, paciência e devotamento, que ele realizou antes de morrer, e sua congregação continuou depois tão gloriosamente”.2

Peculiar vocação

Filipe Romolo Néri nasceu num bairro popular de Florença, a 22 de julho de 1515. Aos 18 anos, seu pai, Francesco Néri, o enviou à casa de um tio, em San Germano, a fim de aprender o ofício de comerciante. Da bela cidade onde nascera, que deixava para sempre, haveria de conservar como um tesouro a formação religiosa recebida dos dominicanos do Convento de São Marcos: “Tudo quanto tenho de bom, recebi dos padres de São Marcos”,3 repetirá ao longo da vida.

Sua vocação, porém, não era mercantil. Desapontado com as perspectivas de um lucro que hoje se conquista e amanhã se perde, ele se interessava muito mais por acumular tesouros no Céu, “onde não os consomem a traça nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6, 20). Partiu para Roma no ano seguinte, abandonando o tio e os negócios.

O problema de uma vocação “oficial” não se pôs para este jovem, já decidido a entregar-se a Deus. Não quis ser padre, nesse então, nem ir para um convento, nem integrar qualquer instituição eclesial da época. Entretanto, dificilmente encontraremos entre o clero, nos claustros ou confrarias daquele século, pessoa mais devota do que ele. Desde sua juventude, Filipe teve a característica de escapar dos esquemas habituais, para mostrar que a única regra perfeita em si mesma é a caridade, e nenhuma disciplina tem valor quando se afasta da obediência a Jesus Cristo.

Com efeito, levava no mundo uma vida espiritual admirável! Tendo recebido asilo na casa de um nobre florentino, estabelecido na Cidade Eterna, ali passou vários anos em isolamento, oração e severa penitência. Frequentava com avidez a Roma Antiga, deixando-se ficar longas horas em oração nos sagrados lugares. Alguns anos mais tarde, sentiuse atraído a estudar Filosofia e Teologia, e os mestres da Sapienza e do Studium agostiniano se assombraram perante o voo intelectual desse homem que vivia como um mendigo.

Tais anos de estudo foram altamente fecundos, a ponto de lhe valerem para o resto da vida e daremlhe a justificada fama de possuir uma sabedoria em nada inferior à dos maiores teólogos que essa época conheceu. São Tomás de Aquino será para sempre seu mestre; a Suma Teológica, seu livro de cabeceira.

Difundia a alegria da santidade

Em pouco tempo, por toda a Urbe, comentava-se a santidade desse peregrino de vida edificante. Solidificado na virtude, pelo longo período de recolhimento, ele sentiu ter chegado a hora de iniciar sua obra evangelizadora. Para isso, escolheu as regiões mais pobres e “em todos os bairros, mesmo nos de pior fama, pregava ao ar livre a ouvintes benévolos e obtinha conversões extraordinárias. Sua fórmula para interpelar um pecador consistia em pousar a mão em seu ombro, no lugar onde o encontrasse, e dizer: “Vamos ver, irmão, é hoje que nos decidimos a comportar-nos bem?”.

Dotado de grande atrativo pessoal, Filipe Néri difundia ao seu redor a alegria da santidade, perto da qual a satisfação efêmera do pecado não passa de grotesca caricatura. Todos queriam estar perto dele e receber o transbordamento de seu amor a Deus. Os jovens se comprimiam ao seu redor, para ouvi-lo falar das coisas do Céu e brincarem juntos, em ruidosa algazarra. A um adulto ranzinza que reclamava do barulho, respondeu com um só argumento: “Eles não cometem nenhum pecado!”.6 Com efeito, no inovador método de evangelização desse apóstolo leigo, tudo era permitido, menos o pecado e a tristeza.

Assim era a amizade desses santos…

Lançando-se num incansável apostolado junto aos leitos dos doentes, Filipe livrou do desespero e conduziu à morte santa muitos moribundos. No ano de 1548 fundou, juntamente com seu confessor, Persiano Rosa, a Confraria da Santíssima Trindade, destinada a atender os enfermos e peregrinos.

Santo Inácio de Loyola percebia o valor de Filipe e fez-lhe reiterados convites para ingressar na Companhia de Jesus, mas este preferiu continuar na condição de pietoso lazzarone (piedoso mendigo).

Admirado pela legião de pessoas que, movidas por suas palavras, abraçavam a vida consagrada, Santo Inácio o cognominou de “o Sino”, dando a seguinte explicação: “Assim como um sino de paróquia, que chama todo mundo para a igreja e permanece no seu lugar, este homem apostólico faz os outros entrarem na vida religiosa e permanece de fora”.7 Em contrapartida, Filipe – que se sentia chamado para suscitar religiosos, mas não para ser um deles – manifestava grande entusiasmo pelo convertido de Manresa; chegou a afirmar que nunca contemplava sua fisionomia sem vê-lo resplandecente como um Anjo de luz.
Assim era a amizade de tais santos!

“Roma será a tua Índia”

Mas se o fundador dos jesuítas não conseguiu atraí-lo para a Companhia, seu filho espiritual, Francisco Xavier, despertou no pietoso lazzarone imenso desejo de partir para a Índia, a fim de conquistar maior número de almas para Cristo.

As cartas do Apóstolo do Oriente estavam na ordem do dia, nos ambientes eclesiásticos romanos. Filipe reunira em torno de si um núcleo de discípulos mais próximos para auxiliá-lo no apostolado – os futuros sacerdotes da Congregação do Oratório, que ele fundaria em 1575 -, com os quais comentava as narrativas vindas da Índia, lamentando-se: “Que lástima existirem tão poucos operários para recolher semelhante colheita! Por que não vamos também nós ajudá-los?”.8

Em insistente oração, eles imploravam luzes sobrenaturais para decidir sobre a viagem. A resposta veio pela palavra do abade cisterciense de Tre Fontane, a quem São Filipe consultara: “Roma será a tua Índia”.9 Compreendeu nosso Santo que sua vocação era ser missionário na Cidade Eterna, onde o aguardavam sofrimentos, fadigas e sacrifícios, como talvez nem na Índia encontraria.

A peregrinação das sete igrejas

Em 23 de maio de 1551, recebeu a ordenação sacerdotal. Contava 36 anos, e agora executaria, como ministro do Senhor, os trabalhos de sua vinha. No exercício do ministério sacerdotal, aos discípulos pobres se juntariam nobres, burgueses, artistas e cardeais. Qual o principal método de atuação escolhido por São Filipe para atraí-los? A originalíssima “peregrinação às sete igrejas”.

O programa da “peregrinação” começava na Basílica de São Pedro, onde, após a leitura espiritual, fazia-se uma exposição doutrinária. Os participantes meditavam, comentavam, e Padre Filipe tirava a conclusão. Em seguida, todos se levantavam e se dirigiam para a Basílica de São Paulo, cantando hinos e salmos em compenetrada devoção. Ali chegando, ouviam uma nova conferência sobre a História da Igreja, a vida dos santos ou a Bíblia. E assim prosseguiam até o meio dia, quando assistiam à Missa e comungavam na Igreja de São Sebastião ou na de Santo Estêvão.

Em seguida, servia-se uma refeição nos jardins da redondeza, sempre animada pela contagiante alegria de São Filipe. A “peregrinação” recomeçava com novo cortejo musical, passando por outros templos veneráveis. O número de conversões ultrapassava todas as expectativas.

Membros de importantes famílias, como a dos Médici e a dos Borromeu, estiveram, lado a lado, com crianças órfãs e humildes artesãos nesse exercício que, por seu fervor, censurava os cristãos tíbios e ao mesmo tempo os conclamava. Poderemos contar até mil pessoas peregrinando juntas num mesmo dia, entre elas quatro futuros papas – Gregório XIII, Gregório XIV, Clemente VIII e Leão XI – e o genial compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina. São Filipe, porém, dava pouca importância aos cargos e talentos, se discernia nas almas a fealdade do pecado. Ele cumpria sua missão de purificá-las e torná-las humildes, quaisquer que fossem.

Ao cair da tarde, findava a meditação na Basílica de Santa Maria Maior, todos voltavam para casa carregados de bons propósitos e, o que é mais importante, com força para cumpri-los.

Santas peripécias

Entre os historiadores que retrataram a figura deste insigne Santo, alguns o descreveram com traços inexatos, como se ele fosse um comediante, interessado apenas em despertar o riso com seus ditos jocosos. Na verdade, a alegria deste varão sobrenatural provinha de sua união com Deus, do sentir em seu interior a presença consoladora do Espírito Santo e poder comunicá-la ao mundo. Melhor que ninguém, conhecia a imensa riqueza que significa a posse do estado de graça, bem preciosíssimo, em comparação com o qual nada tem valor. A consideração dos mistérios divinos o cumulava de imensa felicidade, e desta brotava a peculiaridade de sua atividade evangelizadora.

Seus métodos pitorescos e cheios de vivacidade, ele os empregava com muito critério e na hora certa, sempre visando extirpar ou ridicularizar o erro, conduzir à virtude e, por vezes, ocultar sua santidade ou seus dons sobrenaturais. Assim, por exemplo, se um penitente omitia na confissão algum pecado, ele dizia: “Falta tal pecado”. Mas se alguém lhe perguntasse: “Como sabes que cometi também esse pecado?”, sua resposta seria: “Pela cor do teu cabelo!”.10 Evitava assim revelar o dom de discernimento dos espíritos com o qual a Providência o dotara.

Filipe obtinha de Deus o favor de muitos milagres, que o povo não deixava de relacionar com a eficácia de suas preces. Para evitar isso, ele arranjou uma grande bolsa, onde afirmava estarem preciosas relíquias. Tocava os enfermos com ela, e quando algum se curava, atribuía o fato ao poder das relíquias. Esse argumento convenceu a muitos, até o dia em que se fez uma grande descoberta: a sacola estava vazia!

Em certa ocasião, dois padres do Oratório tiveram um sério desentendimento e não queriam se reconciliar. Filipe chamou-os à sua presença e, em nome da santa obediência, mandou cada um deles cantar e dançar uma música folclórica para o outro. Com esse inusitado espetáculo, operou-se a reconciliação.

Numa “peregrinação às sete igrejas”, São Filipe notou a presença de certa dama da nobreza que ostentava um aparatoso vestido, joias e imenso penteado. Percebendo não estar a senhora tão preocupada com as coisas de Deus quanto com sua aparência pessoal, o Santo pendurou- lhe no nariz seus próprios óculos. O público estalou em sonoras risadas. Ela entendeu a lição e terminou com devoto recolhimento o exercício começado com frivolidade.

Poderíamos multiplicar indefinidamente o relato de episódios como estes, todos surpreendentes, cheios de candura e de presença de espírito.

“Eis a Fonte de toda a minha alegria!”

São Filipe Néri deixou este mundo aos 80 anos. Segundo o Cardeal Angelo Bagnasco, viveu numa época na qual “a Igreja conheceu um inaudito florescimento – seria melhor dizer uma ‘verdadeira concentração’- de santos e santas que, por número e qualidade, dificilmente se encontra na História da Igreja”.11 Nesse contexto, seu papel não foi pequeno.

Seu amor à Santa Igreja, sua entranhada devoção à Santa Missa e à Santíssima Virgem, somados à disposição de servir o próximo, produziram copiosos frutos. Sofreu o inenarrável por causa de uma frágil saúde, perseguições e invejas, sem por isso perder o sorriso, quase sempre mantido com heroísmo. No dia de sua morte, 26 de maio de 1595, ele ainda celebrou Missa, atendeu várias confissões e manteve com os padres do Oratório umas últimas horas de convívio. Ao receber o Viático, pronunciou estas palavras, resumitivas de sua existência: “Eis a Fonte de toda a minha alegria!”.12

A Congregação por ele fundada, inovadora sob muitos aspectos, assumiu a missão de continuar sua obra baseada na caridade, isenta de rígidas normas que poderiam cercear uma atividade evangelizadora a ser exercida no meio do mundo, em benefício das almas imersas nas preocupações mundanas.

Conservam-se ainda hoje, como eloquentes testemunhas da “pentecostes de São Filipe, suas duas costelas arqueadas: uma no Oratório de Roma e a outra no de Nápoles. Essas preciosas relíquias parecem proclamar a seus filhos espirituais e a todas as almas chamadas à atividade apostólica: “Os homens que deixam seu coração moldar-se pela ação do Espírito Santo são os que verdadeiramente colaboram para renovar a face da Terra”. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2010, n. 101, p. 34 à 37)

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