Esta semana em oração o Senhor me deu uma Palavra de consolo: “A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.” Cor 13, 9.

Como irmãos em Comunidade, sorrimos, partilhamos, cantamos, evangelizamos, etc. Hoje com 13 Anos de Comunidade podemos dizer que não fomos isentos também de chorar e sofrer juntos. Sim, família espiritual sofre e chora junto quando necessário. Corremos um risco grande de minimalizar o sofrimento do irmão e não ter compaixão, piedade e caridade e isso não seria comunidade. Por muitas vezes na vida criamos sofrimentos e dores desnecessárias em nós e nos irmãos e por outras corremos este risco de não olhar a necessidade do irmão que sofre.

 

Tenho me perguntado muito em nosso carisma da comunidade: – porque sofremos? Não de uma forma de revolta, mais sim para tentar compreender as vontades de Deus e consolar os filhos e irmãos. Muitas vezes falei aos filhos da fidelidade e nas evangelizações sobre o sofrimento e sobre a perseguição em nosso carisma. Ser Santo é também abraçar com discernimento as vontades de Deus. Ele não quer que soframos, porém uma vez escolhido o caminho de Santidade, principalmente em nosso carisma, somos perseguidos, cobrados, oprimidos, excluídos… Afinal, “uma brasa acesa na escuridão chama atenção!” Isso causa sofrimentos. Muitos deles em suas causas naturais e de nossa limitação humana, outras por opressão e batalhas. Não podemos é agir como o mundo e se desesperar, porque temos a certeza que temos um Deus do Impossível, um Deus Milagroso, um Deus de Amor. Por isso continuamos…

Sei que muitas vezes é dificílimo aceitar nossas limitações e dificuldades, muito mais é aceitar os sofrimentos de um filho, irmão ou parentes. Pedimos hoje o entendimento e discernimento no Senhor. A força de seu Espirito Santo para superar as adversidades da vida e coragem para continuar na batalha, pois outros precisam de nós, mesmo em nossas misérias e dificuldades. Por isso fiquem firmes e centralizados no Cristo, tenha certeza que sem ele seria muito pior e nosso carisma não nos permite desistir.

Uma coisa é fato… Sempre após a tempestade vem a bonança e confiantes desta graça é que nos mantemos fiéis e caminhantes, mais só a verão aqueles que permanecerem firmes. Aceitar o carisma é uma necessidade e precisamos aceitá-lo na totalidade, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… Amar é sofrer e sofrer sem nunca deixar de amar também é proposta de santidade. Mesmo com todos os sofrimentos que passamos, a alegria de servir e de ter irmãos de apoio nos fortalece a cada dia. Nosso lugar é o céu e ele custa caro.

Queridos irmãos, quero finalizar deixando uma síntese filosófica de Padre Fabio de Melo sofre o sofrimento:

Sofremos porque não podemos tudo o que queremos.
Sofremos porque temos um corpo que está condicionado ao limites de suas estruturas e possibilidades.
Sofremos porque somos afetados constantemente por situações que nos desinstalam e nos entristecem.
Sofremos porque não conseguimos abarcar a totalidade dos fatos, ou porque nem sempre podemos compreendê-los.
Sofremos porque não encontramos as respostas que necessitamos, ou porque nos deparamos com respostas que nos assustam.
Sofremos porque não somos capazes de fazer tudo sozinhos; somos dependentes dos outros e, por mais que queiramos, não teremos como dar conta de tudo sem que os outros interfiram.
Sofremos porque  carecemos, porque somo incompletos, porque somos inacabados.
Sofremos porque nem sempre podemos mudar a ordem das coisas, a sequência dos acontecimentos.
Sofremos porque não sabemos dizer não. Sofremos porque não sabemos dizer sim.
Sofremos porque dissemos sim em ocasiões em que deveríamos ter dito não.
Sofremos porque dissemos não em ocasiões em que deveríamos ter dito sim.
Sofremos porque nós apegamos aos outros, e por vezes os afastamentos são inevitáveis.
Sofremos porque nos traímos, nos abandonamos.
Sofremos porque somos injustamente julgados, ofendidos, caluniados.
Sofremos porque experimentamos a morte em sua porção diária.
Sofremos porque vemos a violência ao nosso lado e em nós.
Enfim, sofremos por uma infinidade de coisas e não temos como mudar o fato de sermos naturalmente afetados pelos desajustes da vida.
**
Do Livro – Quando o sofrimento bater em sua porta. Padre Fábio de Melo .

Caminhemos assim com a certeza de quem permanece fiel: “Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.”

Santidade, saúde e paz a todos!

A todos os filhos da Fidelidade

Daniel Oliveira