Quando o homem velho fala. Efésios 4, 17 Partilha do Fundador Daniel Oliveira

Seu homem velho ainda aparece?

Para viver uma vida digna “da vocação a que fomos chamados” (Ef 4, 1) não é apenas uma vida de unidade e crescimento, mas de renuncias que decidimos aceitar para ter uma nova vida. Essa nova vida é uma série de negativas e positivas. A primeira negativa é despojar-se do velho homem (v. 22).

A vida cristã começa com um claro rompimento com o passado (pecado), e São Paulo apelou aos Efésios para que não mais andassem “como também andam os gentios” (v. 17). Para os romanos, São Paulo usou uma linguagem mais séria e os chamou a crucificarem o velho homem “para que o corpo do pecado [fosse] destruído” (Rom. 6: 6).

Pense agora em algumas das características do velho homem em Efésios 4, 17-24. Compare com Romanos 3, 10-18. Que tipo de quadro ele apresenta da humanidade em geral? Mudou alguma coisa até nosso tempo desde que Paulo escreveu?

Note que, em sua descrição aos Efésios, São Paulo usa palavras como escuridão, ignorância e cegueira, coisas que os levaram à decadência moral. Por causa do pecado, a mente deles não podia compreender as verdades espirituais. Como resultado, a vida deles era desperdiçada na inútil busca de Deus em si mesmos, nos ídolos desprezíveis ou na vã filosofia.

Eles se perdiam em ensinos fantasiosos e viviam na escuridão espiritual (Ef. 4, 18; veja também Rom. 1, 19-21). Sua sensibilidade moral estava tão comprometida que não podiam fazer distinção entre o bem e o mal. Os prazeres do corpo, comportamento particularmente imoral e contrário aos padrões, haviam se tornado seu passatempo favorito. Viviam em “depravação”, “impureza” e “avidez” (Ef. 4, 19; veja também Rom. 1, 26-32).

Essa era a vida deles – a vida do velho homem – antes de irem a Cristo. Então, São Paulo apela aos que creem: não voltem jamais para o velho homem.

Como isso é difícil para nós, me incluo. Por vezes o velho homem que falar! E falar alto. Nos tornamos insensíveis ao Espírito e deixamos que o homem velho tome conta de nossas ações, falas, pensamentos. Quando isto acontece um caos espiritual se instala e sempre sai alguém ferido. Cria-se a divisão, magoa e em algumas situações o pecado em nós.

Quando decidimos seguir a Cristo, devemos abandonar o antigo estilo de vida dos gentios. Mas abandonar não é suficiente. O cristianismo não é uma religião de negação mais de escolhas e certas escolhas necessitam. Espera-se que o cristão se erga a um patamar mais elevado de vida moral e espiritual. Então, São Paulo aconselha: “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem” (Ef. 4, 23-24).

Se a vida do velho homem era caracterizada por uma mente fútil, a vida do novo homem se distingue pela mente renovada. Devemos assim pensar antes de falar, não agir sem a ação do Espírito Santo. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rom. 12, 2).

Depois de descrever a vida fútil, obscura e pecaminosa dos gentios (Ef. 4, 17-20), São Paulo afirma que eles haviam sido ensinados a deixar essa vida quando foram a Cristo. Usando três verbos – aprender, ouvir e instruir, São Paulo lembra aos Cristãos que eles já conheciam bem o efeito da salvação e do novo nascimento em seu estilo de vida. Essa verdade não chegara até eles de qualquer fonte humana, mas do próprio Jesus (Efés. 4:21). O uso que São Paulo faz do nome de Jesus não é acidental. Ele quer que os Cristãos saibam que o Jesus histórico – encarnado, crucificado, ressuscitado e ascendido ao Céus – Ele mesmo é a verdade, Ele mesmo é o revelador da verdade (João 14, 6).

“Aqueles que recebem o Salvador se tornam filhos de Deus. … Sua mente é transformada. … Em vez do amor supremo ao eu, eles passam a apreciar o amor supremo a Deus e a Cristo.”

Daniel Oliveira