{"id":2094,"date":"2020-12-14T11:16:34","date_gmt":"2020-12-14T14:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/?p=2094"},"modified":"2020-12-14T11:16:35","modified_gmt":"2020-12-14T14:16:35","slug":"as-raizes-catolicas-do-panetone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/as-raizes-catolicas-do-panetone\/","title":{"rendered":"As ra\u00edzes cat\u00f3licas do panetone"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O surgimento do bolo especial remonta a um chef que servia um Papa da era renascentista e a um internato cat\u00f3lico do s\u00e9culo 16<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O panetone \u00e9 uma daquelas coisas que lembram o Natal. Em muitos pa\u00edses, por exemplo, as pessoas podam \u00e1rvores, celebram com can\u00e7\u00f5es de Natal e criam pres\u00e9pios para anunciar a vinda do menino Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas para os italianos, o Natal n\u00e3o seria o mesmo sem o panetone, o ic\u00f4nico bolo de Natal em forma de c\u00fapula. Datado da \u00e9poca romana, este bolo de p\u00e3o doce e macio originalmente recheado com passas, nozes e frutas cristalizadas deve muito do seu desenvolvimento a figuras cat\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos por evid\u00eancias hist\u00f3ricas que, para suas celebra\u00e7\u00f5es, os antigos romanos costumavam assar um tipo de p\u00e3o fermentado (<em>panem triticum<\/em>) com ovos, mel e passas. Mas s\u00f3 no Renascimento \u00e9 que temos a prova de uma receita de panetone semelhante \u00e0 das confeitarias contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Livros de receitas do s\u00e9culo XVI de Bartolomeo Scappi, um chef que servia o Papa Pio V, mostram que um bolo de p\u00e3o recheado com passas fazia parte do menu que ele preparava para o chefe da Igreja. Al\u00e9m disso, o panetone tamb\u00e9m aparece em uma pintura do s\u00e9culo 16 de Pieter Brueghel, o Velho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As lendas sobre o panetone<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, gra\u00e7as a essas pistas, sabemos que um ancestral do panetone de hoje era comum durante o Renascimento. Mas quando ele se tornou, de fato, um bolo de Natal? Tal como acontece com muitos alimentos ic\u00f4nicos, surgiram lendas e mitos sobre a origem do panetone como bolo de Natal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lenda mais popular diz que o panetone foi inventado numa v\u00e9spera de Natal do s\u00e9culo 15 na corte de Ludovico il Moro, em Mil\u00e3o. O chef preparou um pudim de Natal, mas a especiaria queimou no forno. No entanto, um padeiro chamado Toni salvou o jantar gra\u00e7as \u00e0 sua engenhosidade. Ele, ent\u00e3o, decidiu rechear um p\u00e3o com passas, a\u00e7\u00facar e nozes. Ludovico il Morolik gostou tanto do p\u00e3o que o chamou de \u201cPan de Toni\u201d (p\u00e3o de Toni).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verdadeira ou n\u00e3o, a lenda parece estar enraizada em alguma realidade. Gra\u00e7as aos registros mantidos por um internato cat\u00f3lico, a escola Borromeo de Pavia, sabemos que por volta de 1500 o panetone se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o de Natal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundado pelo cardeal milan\u00eas Saint Carlo Borromeo em 1561 e definido como \u201co pal\u00e1cio do conhecimento\u201d pelo historiador da arte Giorgio Vasari, o Borromeo College recebia estudantes promissores de origens pobres. Os alunos eram hospedados e treinados por padres e professores cat\u00f3licos e muitos te\u00f3logos not\u00e1veis, m\u00e9dicos e advogados graduados nesta escola. Os registros meticulosos mostram que em 1599 a escola servia aos alunos um \u201cp\u00e3o de Natal\u201d feito com manteiga, passas e especiarias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tradi\u00e7\u00e3o natalina<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, registros que datam do s\u00e9culo 16 mostram que os padeiros milaneses costumavam fazer panetones nas semanas anteriores ao Natal. Rompendo o h\u00e1bito tradicional de assar p\u00e3o branco para clientes ricos e p\u00e3o de milheto para os mais pobres, o panetone ia tanto para ricos quanto para pobres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o s\u00e9culo 18, o panetone se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o natalina em Mil\u00e3o. Mas foi s\u00f3 na d\u00e9cada de 1920 que o famoso bolo ganhou sua atual apar\u00eancia em forma de c\u00fapula. Devemos isso ao padeiro milan\u00eas Angelo Motta, membro da Ordem Eq\u00fcestre do Santo Sepulcro de Jerusal\u00e9m, que imitou o&nbsp;<em>kulic<\/em>, um bolo tradicional russo geralmente feito para a P\u00e1scoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, os italianos compram cerca de 54 milh\u00f5es de panetones durante as f\u00e9rias. O Papa Francisco se tornou um f\u00e3 da tradi\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio de seu papado, em 2013, ele recebe um panetone especial, criado para o papa pelo chef siciliano Nicola Fiasconaro. O bolo \u00e9 feito com o \u201cman\u00e1\u201d a famosa subst\u00e2ncia b\u00edblica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O surgimento do bolo especial remonta a um chef que servia um Papa da era renascentista e a um internato cat\u00f3lico do s\u00e9culo 16 O panetone \u00e9 uma daquelas coisas que lembram o Natal. 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