{"id":2519,"date":"2021-09-28T14:36:59","date_gmt":"2021-09-28T17:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/?p=2519"},"modified":"2021-09-28T14:41:54","modified_gmt":"2021-09-28T17:41:54","slug":"jesus-cristo-desceu-aos-infernos-ressuscitou-dos-mortos-no-terceiro-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/jesus-cristo-desceu-aos-infernos-ressuscitou-dos-mortos-no-terceiro-dia\/","title":{"rendered":"Jesus Cristo desceu aos infernos, ressuscitou dos mortos no terceiro dia."},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cristo Ressuscitado, libertador dos cativos<\/h2>\n\n\n\n<p>Jesus desceu \u00e0s profundezas da terra. Aquele que desceu \u00e9 tamb\u00e9m aquele que subiu (Ef 4,9-10). O S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos confessa em um mesmo artigo de f\u00e9 a descida de Cristo aos Infernos e sua Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos no terceiro dia, porque em sua P\u00e1scoa \u00e9 do fundo da morte que ele fez jorrar a vida:<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo, teu Filho, que, retomado dos Infernos, brilhou sereno para o g\u00eanero humano, e vive e reina pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CRISTO DESCEU AOS INFERNOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As freq\u00fcentes afirma\u00e7\u00f5es do Novo Testamento segundo as quais Jesus ressuscitou dentre os mortos (1Cor 15,20) pressup\u00f5em, anteriormente \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este \u00e9 o sentido primeiro que a prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica deu \u00e0 descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para l\u00e1&nbsp; foi como Salvador, proclamando a boa not\u00edcia aos esp\u00edritos que ali estavam aprisionados.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, Visto que os que l\u00e1 se encontram est\u00e3o privados da vis\u00e3o de Deus. Este \u00e9, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, \u00e0 espera do Redentor que n\u00e3o significa que a sorte deles seja id\u00eantica, como mostra Jesus na par\u00e1bola do pobre L\u00e1zaro recebido no \u201cseio de Abra\u00e3o. S\u00e3o precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abra\u00e3o, que Jesus libertou ao descer aos Infernos. Jesus n\u00e3o desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condena\u00e7\u00e3o, mas para libertar os justos que o haviam precedido.<\/p>\n\n\n\n<p>A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos\u2026 (1Pd 4,6). A descida aos Infernos \u00e9 o cumprimento, at\u00e9 sua plenitude, do an\u00fancio evang\u00e9lico da salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 a fase \u00faltima da miss\u00e3o messi\u00e2nica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta em sua significa\u00e7\u00e3o real de extens\u00e3o da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, pois todos os que s\u00e3o salvos se tomaram participantes da Reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que os mortos ou\u00e7am a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam (Jo 5,25). Jesus, o Pr\u00edncipe da vida, destruiu pela morte o dominador da morte, isto \u00e9, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servid\u00e3o, pelo temor da morte (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado det\u00e9m a chave da morte e do Hades (Ap 1,18), e ao nome de Jesus todo joelho se dobra no C\u00e9u, na Terra e nos Infernos\u201d (Fl 2,10).<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande sil\u00eancio reina hoje na terra, um grande sil\u00eancio e uma grande solid\u00e3o. Um grande sil\u00eancio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde s\u00e9culos\u2026 Ele vai procurar Ad\u00e3o, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e \u00e0 sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais \u00e9 filho e para os quais \u00e9 Deus: Ad\u00e3o acorrentado e Eva com ele cativa. \u201cEu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois n\u00e3o te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RESUMINDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na express\u00e3o Jesus desceu \u00e0 mans\u00e3o dos mortos, o s\u00edmbolo confessa que Jesus morreu realmente e que, por sua morte por n\u00f3s, venceu a morte e o Diabo, o dominador da morte. (Hb 2,14)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Cristo morto, em sua alma unida \u00e0 sua pessoa divina, desceu \u00e0 Morada dos Mortos. Abriu as portas do C\u00e9u aos justos que o haviam precedido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU DOS MORTOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anunciamos-vos a Boa Nova: a promessa, feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para n\u00f3s, seus filhos, ressuscitando Jesus (At 13,32-33). A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a verdade culminante de nossa f\u00e9 em Cristo, crida e vivida como verdade central pela primeira comunidade crist\u00e3, transmitida como fundamental pela Tradi\u00e7\u00e3o, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada, juntamente com a Cruz, como parte essencial do Mist\u00e9rio Pascal.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo ressuscitou dos mortos. Por sua morte venceu a morte, <\/p>\n\n\n\n<p>Aos mortos deu a vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>I \u2013 O evento hist\u00f3rico e transcendente<\/strong><br>O mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 um acontecimento real que teve manifesta\u00e7\u00f5es historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. J\u00e1\u00a0 S\u00e3o Paulo escrevia aos Cor\u00edntios pelo ano de 56: Eu vos transmiti\u2026 o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze (1Cor 15,3-4). O ap\u00f3stolo fala aqui da viva tradi\u00e7\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o, que ficou conhecendo ap\u00f3s sua convers\u00e3o \u00e0s portas de Damasco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O T\u00daMULO VAZIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele n\u00e3o esta aqui; ressuscitou (Lc 24,5-6). No quadro dos acontecimentos da P\u00e1scoa, c primeiro elemento com que se depara \u00e9 o sepulcro vazio. Ele n\u00e3o constitui em si uma prova direta. A aus\u00eancia do corpo de Cristo no t\u00famulo poderia explicar-se de outra forma. Apesar disso, o sepulcro vazio constitui para todos um sinal essencial. Sua descoberta pelos disc\u00edpulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do pr\u00f3prio fato da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o caso das santas mulheres, em primeiro 1\u00ba lugar, em seguida de Pedro. O disc\u00edpulo que Jesus amava (Jo 20,2) afirma que, ao entrar no t\u00famulo vazio e ao descobrir os panos de linho no ch\u00e3o (Jo 20,6), viu e creu. Isto sup\u00f5e que ele tenha constatado, pelo estado do sepulcro vazio, que a aus\u00eancia do corpo de Jesus n\u00e3o poderia ser obra humana e que Jesus n\u00e3o havia simplesmente retomado a Vida terrestre, como tinha sido o caso de L\u00e1zaro.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS APARI\u00c7\u00d5ES DO RESSUSCITADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maria de M\u00e1gdala e as santas mulheres, que Vinham terminar de embalsamar o corpo de Jesus, sepultado \u00e0s pressas, devido \u00e0 chegada do S\u00e1bado, na tarde da Sexta-feira Santa, foram as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo para os pr\u00f3prios ap\u00f3stolos. Foi a eles que Jesus apareceu em seguida, primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, chamado a confirmar a f\u00e9 de seus irm\u00e3os, v\u00ea portanto, o Ressuscitado antes deles, e \u00e9 baseada no testemunho dele que a comunidade exclama: E verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o (Lc 24,34).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que aconteceu nesses dias pascais convoca todos os ap\u00f3stolos, de modo particular Pedro, para a constru\u00e7\u00e3o da era nova que come\u00e7ou na manh\u00e3 de P\u00e1scoa. Como testemunhas do Ressuscitado, s\u00e3o eles as pedras de funda\u00e7\u00e3o de sua Igreja. A f\u00e9 da primeira comunidade dos crentes tem por fundamento o testemunho de homens concretos, conhecidos dos crist\u00e3os e, na maioria dos casos, vivendo ainda entre eles. Estas testemunhas da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo s\u00e3o, antes de tudo, Pedro e os Doze, mas n\u00e3o somente eles: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas \u00e0s quais Jesus apareceu de uma s\u00f3 vez, al\u00e9m de Tiago e de todos os ap\u00f3stolos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses testemunhos \u00e9 imposs\u00edvel interpretar a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo fora da ordem f\u00edsica e n\u00e3o reconhec\u00ea-la como um fato hist\u00f3rico. Os fatos mostram que a f\u00e9 dos disc\u00edpulos foi submetida \u00e0 prova radical da paix\u00e3o e morte na cruz de seu Mestre, anunciada antecipadamente por Ele. O abalo provocado pela Paix\u00e3o foi t\u00e3o grande que os disc\u00edpulos (pelo menos alguns deles) n\u00e3o creram de imediato na not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o. Longe de nos falar de uma comunidade tomada de exalta\u00e7\u00e3o m\u00edstica, os Evangelhos nos apresentam disc\u00edpulos abatidos, com o rosto sombrio (Lc 24,17) e assustados. Por isso n\u00e3o acreditaram nas santas mulheres que voltavam do sepulcro, e as palavras delas pareceram-lhes desvario (Lc 24,11). Quando Jesus se manifesta aos onze na tarde da P\u00e1scoa, censura-lhes a incredulidade e a dureza de cora\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o haviam dado cr\u00e9dito aos que tinham visto o Ressuscitado\u201d (Mc 16,14).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo confrontados com a realidade de Jesus ressuscitado, os disc\u00edpulos ainda duvidam, a tal ponto que o fato lhes parece imposs\u00edvel: pensam estar vendo um esp\u00edrito. Por causa da alegria, n\u00e3o podiam acreditar ainda e permaneciam perplexos (Lc 24,41). Tom\u00e9 conhecer\u00e1&nbsp; a mesma prova\u00e7\u00e3o da d\u00favida e quando da \u00faltima apari\u00e7\u00e3o na Galil\u00e9ia, contada por Mateus, alguns, por\u00e9m, duvidaram (Mt 28,17). Por isso, a hip\u00f3tese segundo a qual a ressurrei\u00e7\u00e3o teria sido um produto da f\u00e9 (ou da credulidade) dos ap\u00f3stolos carece de consist\u00eancia. Muito pelo contr\u00e1rio, a f\u00e9 que tinham na Ressurrei\u00e7\u00e3o nasceu \u2013 sob a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a divina \u2013 da experi\u00eancia direta da realidade de Jesus ressuscitado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jesus ressuscitado estabelece com seus disc\u00edpulos rela\u00e7\u00f5es diretas, em que estes o apalpam e com Ele comem. Convida-os, com isso, a reconhecer que Ele n\u00e3o \u00e9 um esp\u00edrito, mas sobretudo a constatar que o corpo ressuscitado com o qual Ele se apresenta a eles \u00e9 o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois ainda traz as marcas de sua Paix\u00e3o. Contudo, este corpo aut\u00eantico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas de um corpo glorioso: n\u00e3o est\u00e1&nbsp; mais situado no espa\u00e7o e no tempo, mas pode tornar-se presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade n\u00e3o pode mais ficar presa \u00e0 terra, mas j\u00e1 pertence exclusivamente ao dom\u00ednio divino do Pai. Por esta raz\u00e3o tamb\u00e9m Jesus ressuscitado \u00e9 soberanamente livre de aparecer como quiser: sob a apar\u00eancia de um jardineiro ou de outra forma (Mc 16,12), diferente das que eram familiares aos disc\u00edpulos, e isto precisamente para suscitar-lhes a f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o constituiu uma volta \u00e0 vida terrestre, como foi o caso das ressurrei\u00e7\u00f5es que Ele havia realizado antes da P\u00e1scoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e L\u00e1zaro. Tais fatos eram acontecimentos miraculosos, mas as pessoas contempladas pelos milagres voltavam simplesmente \u00e0 vida terrestre \u201cordin\u00e1ria\u201d pelo poder de Jesus. Em determinado momento, voltariam a morrer. A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 essencialmente diferente. Em seu corpo ressuscitado, Ele passa de um estado de morte para outra vida, para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o. Na Ressurrei\u00e7\u00e3o, o corpo de Jesus \u00e9 repleto do poder do Esp\u00edrito Santo; participa da vida divina no estado de sua gl\u00f3ria, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de o homem celeste.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A RESSURREI\u00c7\u00c3O COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 tu, noite feliz canta o Exulte da P\u00e1scoa \u2013 soubeste a hora em que Cristo da morte ressurgia. Com efeito ningu\u00e9m foi testemunha ocular do pr\u00f3prio acontecimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o, e nenhum Evangelista o descreve. Ningu\u00e9m foi capaz de dizer como ela se produziu fisicamente. Muito menos sua ess\u00eancia mais \u00edntima, sua passagem a outra vida, foi percept\u00edvel aos sentidos. Como evento hist\u00f3rico constat\u00e1vel pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos ap\u00f3stolos com Cristo ressuscitado, a Ressurrei\u00e7\u00e3o nem por isso deixa de estar no cerne do mist\u00e9rio da f\u00e9, no que ela transcende e supera a hist\u00f3ria. E por isso que Cristo ressuscitado n\u00e3o se manifesta ao mundo mas a seus disc\u00edpulos, \u201caos que haviam subido com ele da Galil\u00e9ia para Jerusal\u00e9m, os quais s\u00e3o agora suas testemunhas diante do povo\u201d (At 13,31).<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>II. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 obra da Sant\u00edssima Trindade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 objeto de f\u00e9 enquanto interven\u00e7\u00e3o transcendente do pr\u00f3prio Deus na cria\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria. Nela, as tr\u00eas Pessoas Divinas agem ao mesmo tempo, juntas, e manifestam sua originalidade pr\u00f3pria. Ela aconteceu pelo poder do Pai que ressuscitou (At 2,24) Cristo, seu Filho, e desta forma introduziu de modo perfeito sua humanidade \u2013 com seu corpo \u2013 na Trindade. Jesus \u00e9 definitivamente revelado Filho de Deus com poder por sua Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos segundo o Esp\u00edrito de santidade (Rm 1,4). S\u00e3o Paulo insiste na manifesta\u00e7\u00e3o do poder de Deus pela obra do Esp\u00edrito que vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>O Filho opera, por sua vez, a pr\u00f3pria Ressurrei\u00e7\u00e3o em virtude de seu poder divino. Jesus anuncia que o Filho do homem dever&nbsp; sofrer muito, morrer e, em seguida, ressuscitar (sentido ativo da palavra). Alhures, afirma explicitamente: Eu dou a minha vida para retom\u00e1-la\u2026 Tenho poder de d\u00e1-la e poder para retom\u00e1-la (Jo 10,17-18 N\u00f3s cremos\u2026 que Jesus morreu, em seguida ressuscitou (1Ts 4,14).<\/p>\n\n\n\n<p>Os Padres da Igreja contemplam a Ressurrei\u00e7\u00e3o a partir da Pessoa Divina de Cristo que ficou unida \u00e0 sua alma e a seu corpo separados entre si pela morte: Pela unidade da natureza divina, que permanece presente em cada uma das duas partes do homem, estas se unem novamente. Assim, a Morte se produz pela separa\u00e7\u00e3o do composto humano, e a Ressurrei\u00e7\u00e3o, pela uni\u00e3o das duas partes separadas<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>III. Sentido e alcance salv\u00edfico da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Se Cristo n\u00e3o ressuscitou, vazia \u00e9 a nossa prega\u00e7\u00e3o, vazia \u00e9 tamb\u00e9m a vossa f\u00e9 (1Cor 15,14). A Ressurrei\u00e7\u00e3o constitui antes de mais nada a confirma\u00e7\u00e3o de tudo o que o pr\u00f3prio Cristo fez e ensinou. Todas as Verdades, mesmo as mais inacess\u00edveis ao esp\u00edrito humano, encontram sua justifica\u00e7\u00e3o se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina.<br>A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do pr\u00f3prio Jesus durante sua vida terrestre. A express\u00e3o segundo as Escrituras indica que a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo realiza essas predi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade da divindade de Jesus \u00e9 confirmada por sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. Dissera Ele: Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis que EU SOU, (Jo 8,28). A Ressurrei\u00e7\u00e3o do Crucificado demonstrou que ele era verdadeiramente EU SOU, o Filho de Deus e Deus mesmo. S\u00e3o Paulo p\u00f4de declarar aos judeus: A promessa feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para n\u00f3s\u2026; ressuscitou Jesus, como est\u00e1 escrito no Salmo segundo: Tu \u00e9s o meu filho, eu hoje te gerei (At 13,32-33). A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e1 estreitamente ligada ao mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus. E o cumprimento segundo o des\u00edgnio eterno de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1&nbsp; um duplo aspecto no Mist\u00e9rio Pascal: por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurrei\u00e7\u00e3o Ele nos abre as portas de uma nova vida. Esta \u00e9 primeiramente a justifica\u00e7\u00e3o que nos restitui a gra\u00e7a de Deus, a fim de que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela gl\u00f3ria do Pai, assim tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos vida nova (Rm 6,4). Esta consiste na vit\u00f3ria sobre a morte do pecado e na nova participa\u00e7\u00e3o na gra\u00e7a. Ela realiza a ado\u00e7\u00e3o filial, pois os homens se tornam irm\u00e3os de Cristo, como o pr\u00f3prio Jesus chama seus disc\u00edpulos ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o: Ide anunciar a meus irm\u00e3os (Mt 28,10). Irm\u00e3os n\u00e3o por natureza mas por dom da gra\u00e7a, visto que esta filia\u00e7\u00e3o adotiva proporciona uma participa\u00e7\u00e3o real na vida do Filho \u00danico, que se revelou plenamente em sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u2013 e o pr\u00f3prio Cristo ressuscitado \u2013 \u00e9 princ\u00edpio e fonte de nossa ressurrei\u00e7\u00e3o futura: Cristo ressuscitou dos mortos, prim\u00edcias dos que adormeceram\u2026 assim como todos morrem em Ad\u00e3o, em Cristo todos receber\u00e3o a vida (1Cor 15,20-22). Na expectativa desta realiza\u00e7\u00e3o, Cristo ressuscitado vive no cora\u00e7\u00e3o de seus fi\u00e9is. Nele, os crist\u00e3os experimentaram\u2026 as for\u00e7as do mundo que h\u00e1&nbsp; de vir (Hb 6,5) e sua vida \u00e9 atra\u00edda por Cristo ao seio da vida divina a fim de que n\u00e3o vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles (2Cor 5,15).<br>RESUMINDO<\/p>\n\n\n\n<p><em>A f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o tem por objeto um acontecimento ao mesmo tempo historicamente atestado pelos disc\u00edpulos que encontraram verdadeiramente o Ressuscitado e misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na gl\u00f3ria de Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O sepulcro vazio e os panos de linho no ch\u00e3o significam por si mesmos que o corpo de Cristo escapou \u00e0s correntes da morte e da corrup\u00e7\u00e3o pelo poder de Deus. Eles preparam os disc\u00edpulos para o reencontro com o Ressuscitado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cristo, primog\u00eanito dentre os mortos (Cl 1,18), \u00e9 o princ\u00edpio de nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o, desde j\u00e1&nbsp; pela justifica\u00e7\u00e3o de nossa alma, mais tarde pela vivifica\u00e7\u00e3o de nosso corpo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristo Ressuscitado, libertador dos cativos Jesus desceu \u00e0s profundezas da terra. Aquele que desceu \u00e9 tamb\u00e9m aquele que subiu (Ef 4,9-10). O S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos confessa em um mesmo artigo de f\u00e9 a descida de Cristo aos Infernos e sua Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos no terceiro dia, porque em sua P\u00e1scoa \u00e9 do fundo da morte&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2520,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-2519","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2519"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2525,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2519\/revisions\/2525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}