{"id":4520,"date":"2025-06-12T10:49:05","date_gmt":"2025-06-12T13:49:05","guid":{"rendered":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/?p=4520"},"modified":"2025-06-12T10:52:45","modified_gmt":"2025-06-12T13:52:45","slug":"corpus-christi-19-de-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comunidadefidelidade.com\/site\/corpus-christi-19-de-junho\/","title":{"rendered":"Corpus Christi &#8211; 19 de Junho"},"content":{"rendered":"\n<p>A f\u00e9 em Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (Trindade), n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia distante e inating\u00edvel, porque Ele est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00f3s com um perene \u201cpartir\u201d do p\u00e3o: &#8220;<em>Este \u00e9 o meu Corpo! Este \u00e9 o meu Sangue<\/em>&#8220;!<br>Em 1207, uma monja Agostiniana, de apenas quinze anos, Juliana de Cornillon, de origem belga, teve a vis\u00e3o de uma lua cheia, com uma mancha opaca. Os especialistas daquele tempo a interpretaram assim: a lua cheia representava a Igreja; a mancha opaca era a falta de uma festa para celebrar, de modo especial, o Corpo de Cristo na Eucaristia. Ano seguinte, a mesma religiosa teve outra vis\u00e3o, mais clara que a anterior, mas teve que lutar muito para a institui\u00e7\u00e3o desta festa, que s\u00f3 foi poss\u00edvel, em n\u00edvel diocesano, em 1247, quando Roberto de Thourotte se tornou Bispo de Li\u00e9ge. Em 1261, o ex-arquidi\u00e1cono de Li\u00e8ge foi eleito Papa Urbano IV. Em 1264, impressionado por um milagre eucar\u00edstico, que ocorreu em Bolsena, perto de Orvieto, onde morava, promulgou a bula\u00a0<em>Transiturus<\/em>, com a qual institu\u00eda a nova solenidade, celebrada em honra do Sant\u00edssimo Sacramento, na quinta-feira depois de Pentecostes.<br>Tom\u00e1s de Aquino foi encarregado de compor um of\u00edcio lit\u00fargico para a solenidade: o hino mais famoso foi\u00a0<em>Sacris solemniis<\/em>, cuja pen\u00faltima estrofe, que come\u00e7ava com as palavras\u00a0<em>Panis angelicus<\/em>\u00a0(P\u00e3o dos anjos), foi sempre tocada e cantada, separadamente, do resto do hino. Papa Urbano IV faleceu dois meses da institui\u00e7\u00e3o desta festa. Por isso, a bula nunca foi colocada em pr\u00e1tica. Os Papas Clemente V e, depois, Jo\u00e3o XII, a restabeleceram em 1317.<br>Durante sua Visita pastoral a Orvieto, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II afirmou: \u201c<em>Embora a sua celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja coligada, diretamente, com a solenidade de \u201cCorpus Christi\u201d, institu\u00edda pelo Papa Urbano IV, com a bula\u00a0<\/em>Transiturus<em>, em 1264, tampouco com o milagre de Bolsena, no ano anterior, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, por\u00e9m, que o mist\u00e9rio eucar\u00edstico \u00e9 fortemente evocado aqui, pelo corporal de Bolsena, para o qual foi constru\u00edda uma capela especial, que o custodia com zelo. Desde ent\u00e3o, a cidade de Orvieto \u00e9 conhecida, em todo o mundo, por este acontecimento milagroso, que recorda a todos o amor misericordioso de Deus, que se tornou alimento e bebida de salva\u00e7\u00e3o para a humanidade peregrina na terra. Sua cidade preserva e alimenta a chama inextingu\u00edvel do culto a este mist\u00e9rio t\u00e3o grande<\/em>\u201d (17 de junho de 1990).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEu sou o p\u00e3o vivo que desceu do c\u00e9u. Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente. E o p\u00e3o, que eu hei de dar \u00e9 a minha carne para a salva\u00e7\u00e3o do mundo\u201d. A essas palavras, os judeus come\u00e7aram a discutir, dizendo: \u201cComo pode este homem dar-nos de comer a sua carne\u201d? Ent\u00e3o, Jesus lhes disse: \u201cEm verdade, em verdade vos digo: se n\u00e3o comerdes a carne do Filho do Homem e n\u00e3o beberdes o seu sangue, n\u00e3o tereis a vida em v\u00f3s. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue ter\u00e1 a vida eterna e eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia. Pois a minha carne \u00e9 uma verdadeira comida e o meu sangue uma verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim, como o Pai que me enviou, vive e eu vivo pelo Pai, assim tamb\u00e9m aquele que comer a minha carne viver\u00e1 por mim. Este \u00e9 o p\u00e3o que desceu do c\u00e9u, n\u00e3o como o man\u00e1 que vossos pais comeram e morreram. Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente\u201d&nbsp;<\/em>(<em>Jo 6,51-58<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diversidade de p\u00e3es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O povo n\u00e3o esquece e nem pode esquecer a experi\u00eancia do \u00caxodo no deserto e o que Deus fez por ele: \u00e9 o que recorda a primeira leitura do Deuteron\u00f4mio. Poder\u00edamos dizer que a vida \u00e9 dirigida pela mem\u00f3ria: \u201c<em>Lembra-te de todo o caminho que o Senhor te conduziu no deserto&#8230;<\/em>\u201d (<em>Cf. Dt 8,2ss<\/em>). Durante aquele caminho, o povo recebeu o \u201cman\u00e1\u201d, para ter for\u00e7as e enfrentar a dif\u00edcil caminhada: \u201c<em>Foi ele o teu guia neste vasto e terr\u00edvel deserto, cheio de serpentes ardentes e escorpi\u00f5es, terra \u00e1rida e sem \u00e1gua, onde fez jorrar para ti \u00e1gua do rochedo dur\u00edssimo; foi ele quem te alimentou no deserto com um man\u00e1 desconhecido&#8230;<\/em>&#8221; (<em>Dt 8,15-16<\/em>). Aquela foi uma a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus, uma a\u00e7\u00e3o &#8220;providencial&#8221;, capaz de chegar aonde o homem sozinho n\u00e3o consegue. Mas a experi\u00eancia no deserto, t\u00e3o bem descrita em detalhes pelo autor, nos faz tamb\u00e9m pensar nos desertos da nossa vida: quanto cansa\u00e7o, dificuldades, aridez dominam a nossa vida e nos tornam incapazes de continuar; prisioneiros da reclama\u00e7\u00e3o e da saudade da c\u00f4moda escravid\u00e3o quando t\u00ednhamos comida! Pois bem, Deus nos d\u00e1 o alimento capaz de nos revigorar e dar for\u00e7as. H\u00e1 \u201c<em>outro alimento<\/em>\u201d capaz de reavivar a esperan\u00e7a que reina em n\u00f3s, para que possamos seguir nosso caminho. Como outrora no deserto, hoje Deus nos d\u00e1 o \u201c<em>P\u00e3o dos anjos<\/em>\u201d, que ningu\u00e9m nunca viu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>P\u00e3o do C\u00e9u<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Com este P\u00e3o, Jesus se entrega a mim, a cada um de n\u00f3s, tornando-nos capazes de continuar nosso caminho para o C\u00e9u, para a eternidade: \u201c<em>Quem comer deste p\u00e3o, viver\u00e1 eternamente\u201d<\/em>. Com este P\u00e3o, Jesus me torna part\u00edcipe do seu amor, me reveste, me nutre. Ele \u00e9 nosso banquete e alimento. Ele \u00e9 a Eucaristia: \u201c<em>Este \u00e9 o meu Corpo. Este \u00e9 meu Sangue<\/em>\u201d, ou seja, \u00e9 a minha vida! A Eucaristia \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o do que viveremos juntos na eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Somos feitos para as coisas do alto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao dar-nos este P\u00e3o, Jesus faz-nos entender que somos feitos para as coisas do alto, superiores. Com este&nbsp;<em>olhar para o alto<\/em>, coerente com o nosso&nbsp;<em>renascer do alto&nbsp;<\/em>(<em>Jo 3,3<\/em>), Jesus revela-nos a perspectiva, atrav\u00e9s da qual somos chamados a encarar a vida: n\u00e3o devemos nos deter nas coisas da terra, as horizontais (<em>cf. Cl 3, 1-4<\/em>), mas nas do alto, visar as coisas do alto. A Eucaristia \u00e9 o sacramento que nos impulsiona para as coisas do C\u00e9u e nos convida a pensar de modo superior\/vertical, segundo Deus e n\u00e3o segundo os homens (<em>Cf. Mc 8,33<\/em>). Neste impulso para o alto, a Eucaristia se oferece a n\u00f3s como alimento, for\u00e7a, p\u00e3o do c\u00e9u, porque \u201c<em>quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente&#8230;<\/em>\u201d (<em>cf. Jo 6,51-54<\/em>). Somente isso poder\u00e1 nos salvar de uma vida chata e banal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o \u00e9 uma conta para pagar, mas uma l\u00f3gica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O importante \u00e9 que a Eucaristia n\u00e3o seja vivida como um &#8220;rito&#8221;, uma esp\u00e9cie de &#8220;<em>conta semanal<\/em>&#8221; para pagar, uma obriga\u00e7\u00e3o, como acontecia com a l\u00f3gica da antiga Alian\u00e7a, onde se &#8220;obedecia&#8221; a uma lei exterior, que n\u00e3o mudava e nem salvava a vida de ningu\u00e9m. No entanto, Jesus nos pede para assumir esta l\u00f3gica, a ponto de torn\u00e1-la um estilo de vida, um novo modo de ser e oferecer a nossa exist\u00eancia aos outros, por meio de Jesus.<br>Entender e viver a Eucaristia leva-nos a fazer desta experi\u00eancia de amor um estilo de vida, uma &#8220;<em>medida nobre<\/em>&#8220;, um modo de amar e servir. Jesus disse: \u201c<em>Fazei isto em mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d: um \u201c<em>memorial<\/em>\u201d, &#8220;<em>fazer como Ele<\/em>&#8221; fez, ou seja, passar do \u201cEu\u201d ao \u201cN\u00f3s\u201d, estar unidos aos outros, cuidar dos outros (Lava-p\u00e9s,&nbsp;<em>Jo 13<\/em>; Bom Samaritano,&nbsp;<em>Lc 10,30-37<\/em>).<br>A Eucaristia \u00e9 uma experi\u00eancia onde a &#8220;Comunidade&#8221; se encontra, \u00e9 um &#8220;encontro comunit\u00e1rio&#8221;, uma li\u00e7\u00e3o de fraternidade. Por isso, o crist\u00e3o n\u00e3o pode contentar-se da ora\u00e7\u00e3o pessoal, porque h\u00e1 um momento em que a Comunidade, os amigos de Jesus, se re\u00fanem para rezar: eis o significado de Eucaristia. Neste encontro, ouvimos a Palavra e nos nutrimos da Eucaristia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ora\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Senhor Jesus, ao indicar-me, que devo seguir o homem com a jarra de \u00e1gua, fazei-me entender que devo seguir os passos de quem faz, realmente, a experi\u00eancia do Batismo: ajudai-me a imitar os que vivem uma nobre medida de vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Senhor Jesus, ao convidar-me ao que \u00e9 superior, v\u00f3s me pedis para deixar de lado um estilo de vida chato: ajudai-me a seguir os desejos, que inspirais em meu cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Senhor Jesus, ao dar-me o p\u00e3o e vinho, vosso Corpo e Sangue, me ensinais que a vida \u00e9 um dom: ajudai-me, ao alimentar-me por v\u00f3s, a fazer da minha vida uma oferta agrad\u00e1vel ao Pai.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Senhor Jesus, ao reunir vossos disc\u00edpulos ao redor da mesa, me ensinais que n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia sem fraternidade e nem fraternidade sem servi\u00e7o: ajudai-me a fazer da minha vida uma vida eucar\u00edstica<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Padre Andr\u00e9 Vena)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f\u00e9 em Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (Trindade), n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia distante e inating\u00edvel, porque Ele est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00f3s com um perene \u201cpartir\u201d do p\u00e3o: &#8220;Este \u00e9 o meu Corpo! 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