Dízimo um gesto de consciência e reconhecimento. Ao longo de toda a história o homem sempre teve suas necessidades e assim Deus com seu imenso amor nos conduziu e deu aquilo que precisávamos. Diante disso em nossa atual sociedade vemos que o homem está cada vez mais precisando de coisas, utensílios, acessórios, suporte, entretenimento, distrações… Enfim, não estou falando em atendimentos básicos como saúde, segurança ou educação e sim aquilo que me faz bem, o “bem-estar”. Fundamentalmente duas coisas nos movem desejos e dores na verdade o marketing baseia-se nestas duas situações aquilo que te causa dor e desejo.
Claro que as dores devem ser atendidas rapidamente como dor de dente, dor de cabeça, dores abdominais, já os desejos podem esperar como uma viagem, um sorvete, um novo celular, uma nova roupa, a pintura externa da casa. Quero aqui trazer uma condição que é natural, sem problemas naquilo que de forma equilibrada gerenciamos na nossa vida, mas, quando invertemos isso, se torna um problema, ou melhor, quando colocamos em nossos desejos as dores como que “não trocar o celular é uma dor!”, não ter uma rotina de várias viagens no ano é uma dor.
Temos algo dentro de nós que nos diferencia dos animais que é a alma a nossa ligação com Deus que nos torna eterno, nossa alma é eterna.
“Somos seres espirituais passando por uma experiência humana” (não lembro quem me disse isso uma vez). Quero dizer que iremos experimentar as coisas humanas e aquelas que causam bem-estar, que causam prazer, mas, não podemos ficar presos a essas situações que são passageiras. Ficaremos doentes espiritualmente se caso não conquistar e/ou satisfazer nossos desejos e assim se tornar uma DOR. Vamos dar uma pausa antes de mergulhar na nossa condição espiritual.

Comprar o pãozinho na padaria e/ou pagar a conta de luz se tornaram equivalente. Atualmente em nosso país estamos percebendo o valor do dinheiro e principalmente pela desvalorização dele. Inflação, imposto, juros nunca foram tão presentes no nosso dia a dia. Temos observado o quanto as coisas estão com o preço alto passando aquela impressão de que o valor é maior do que vale, mas, temos que comprar. Ficamos reféns de nossas necessidades de “sobrevivência” e assim somos obrigados a consumir isso ou aquilo principalmente alimentos. Dada as circunstâncias que estamos passando podemos até comer mal, debilitando nossa condição alimentar que por sua vez nos tornam pessoas fracas e assim propensos a doenças e caso isso acontecer, iremos ter novos gastos na compra de remédios e assim o ciclo está posto.
Somos chamados ao equilíbrio em nossas contas, observar realmente o que nós precisamos, aquilo que é essencial e assim gastar o nosso dinheiro conquistado com muito suor, dedicação e as bençãos de Deus. Não gosto de utilizar o termo “ganhei dinheiro”, “ganhei o meu salário” ou até mesmo “peguei ou recebi o salário”. Não meu irmão…
Você conquistou o seu salário com muito esforço, dedicação e bençãos de Deus e muitas vezes pagou com o preço da sua ausência na sua casa. Por isso este dinheiro é sagrado, ele é o resultado de um pedaço importante da sua vida, das suas horas que poderiam estar com sua família ou com Deus. Você pede licença para todos para exercer o seu ofício e ser remunerado, tudo certo e em seguida conquistado o resultado do seu trabalho e o que você faz? Reclama! “É pouco. Que miséria!” Amaldiçoa… “Não vai dar pra nada!”
Temos que mudar totalmente o nosso comportamento, primeiramente em agradecer quando recebermos o nosso salário, bendizer a Deus pelo resultado do nosso trabalho e esforço que Deus nos presenteou e com suas graças nos dada ao longo do exercício deste trabalho. Em seguida honrar com todos os nossos compromissos sendo eles nossas contas ao logo do mês água, luz, telefone, gás, condomínio, internet etc. Após estas contas tirar os 10% do saldo e devolver a Deus através do nosso dízimo. Como forma de agradecimento e reconhecimento pelas bençãos e graças dadas por Deus para nós. A graça não é comprada, ela é dada pelo infinito amor do nosso Deus misericordioso. Com este gesto de devolver 10% para Deus através do dízimo é para patrocinarmos os sinais visíveis sejam eles prédios, templos, formações, livros, rede de evangelizações enfim temos a responsabilidade de manter estas obras funcionando e bem.
“Aquele que ajuda uma obra de evangelização, tem méritos de evangelizador” (Papa Paulo VI)
Não significa que ajudando você é um evangelizador, mas, a ação de ajudar por si já é moralmente boa e para a obra de Deus é inspirada por Deus. Ou seja, você recebeu a graça dada por Deus para ajudar. Toda obra tem seus desafios não somente imposto pelo mundo porque estamos no mundo, mas, também por Deus. A missão é desafiadora e assim nos deparamos com as exigências da missão, para aquisição de equipamentos, de investimento para estrutura para acomodações, de manutenções enfim, diante de todo este cenário precisamos de uma resposta e está resposta vem na campanha Aliança Fiel que temos todos os meses na Comunidade Fidelidade. Diante de todas estas necessidades existe a nossa oração, nossa súplica e nosso clamor ao Pai pela providência divina segue a oração:
Providência Santíssima do Eterno,
Onipotente e misericordiosíssimo Deus,
que tudo tendes providenciado e providenciareis para o nosso bem,
providenciai em todas as nossas necessidades .
(Campanha Aliança Fiel e Casa de Retiro Santa Teresa),
assim creio, assim espero, seja sempre feita a Vossa Santíssima Vontade. Amém
Neste movimento espiritual (orações e clamores) e nossas ações (dízimos e eventos) Deus derrama as bençãos para outros que se achegam e contribuem, se sentem atraídos e decidem ajudar e muitas vezes com contribuições que pagam uma conta ou completam outras e assim temos a resposta de Deus e a missão desta pessoa, seu chamado foi atendido. Para Deus nada é impossível. Ele é o Deus que tudo pode, pode tocar no coração de alguém a doar 1 milhão ou dez reais, mas, o importante é que Deus está sendo atendido, estamos ouvindo Deus e assim continuando a sua obra aqui na terra e Deus através dos homens vai deixando suas pegadas aqui na terra para as civilizações futuras e testemunhando sua presença.
Deus não precisa de nós. Nós é que precisamos Dele. Estamos em missão e essa missão custa, nosso tempo, nosso dinheiro, nossa razão. Precisamos ordenar as coisas e a grande dificuldade em não sermos fiéis no dízimo é nosso descontrole financeiro, não respeitar nossos recursos, não termos prudência em nossos gastos e tampouco pensamento de futuro em poupar ou montar uma reserva em uma necessidade que possa acontecer. Temos que ter em mente que nosso tempo de produção é limitado e que pode ser abreviado. Não sabemos nada sobre o futuro, quanto tempo ainda temos.

O dízimo nos coloca neste condicionamento, precisamos estar equilibrados para devolver para Deus o que é dEle e caso você não esteja, se esforce para estar! Defina um prazo para regularizar sua vida financeira. Entenda para onde vão todos os seus recursos. São nos desejos ou nas dores? Se caso você perdesse sua fonte de renda hoje, quanto tempo você ainda conseguiria pagar suas contas? Se você trabalha por conta (autônomo), quando foi a última vês que tirou férias? Consegue fazer seu dízimo livremente sem a preocupação que vai faltar? Até porque este dinheiro não é seu.
Voltando para o bem-estar… Hoje muitos entendem que na igreja tudo é caro, ou deveria ser de graça. Uma vez ouvi uma frase intrigante que dizia assim: “Dez reais no shopping é pouco, doar na igreja estes mesmo dez reais é muito. Isso está condicionado diretamente “no que vamos ganhar com isso.” Nos tornamos “tudo para mim” para minha vantagem, para meu uso, para meu consumo, eu não posso perder. O ato de doar, de entrega é dom de Deus é graça aquele que compartilha aquele que entrega o que é seu porquê entendeu que não te pertence mais. O entregar-se é divino, mas, precisamos vencer a barreira do humano e transcender para experimentar esta condição espiritual. Doar não somente o dinheiro, mas também o seu tempo, sua razão, seus conhecimentos, suas habilidades para a missão, TUDO para Deus.
Quero lembrá-los que no momento do ofertório na Santa missa o tema dos hinos não é de dinheiro, riqueza, prosperidade e sim entrega de vida, um exemplo o refrão da música “Estar em tuas Mãos” do Ministério Shalom:
Estar em Tuas mãos, ó Pai
E a vida ofertar
No pão e no vinho a Ti
E o céu se abrirá
Estar em Tuas mãos, Senhor
E a vida entregar
A minha oblação em Ti
Se perderá, frutificará
Frutificará, frutificará, frutificará!
Este é o sentido a entrega da vida, a devolução do dízimo é apenas uma entrada porque o prato principal é a sua vida meus irmãos. Que hoje você faça uma reflexão profunda sobre a sua oferta, a qualidade da sua oferta, o que você está oferecendo para Deus, qual exemplo você irá seguir a oferta de Caim ou de Abel?
“Reconciliar o ser humano e sua história com Deus por Cristo.” É colocar Cristo na centralidade de nossa vida e sim volta a casa do pai através da misericórdia infinita de Jesus Cristo. Somente iremos entender o sentido do dízimo com olhar espiritual, não é simplesmente dinheiro é um pedaço da minha vida, minha dedicação, esforço, honestidade, entrega e bençãos que devolvo uma parte para Deus para ele fazer o que quiser sem limitações ou imposições. Toma Senhor porque o dízimo é Teu.
Edson Moreira Ribeiro – Consagrado da Comunidade Católica Fidelidade