Quando Deus parece silencioso e distante, Ele pode estar formando o coração. Uma reflexão sobre cruz, fidelidade e maturidade espiritual.
Não me basta apenas imaginar-Te. Não me basta viver esta vida se ela não for tocada pela cruz. Ao contemplar a cruz, não vejo uma imagem distante. Vejo um amor desfigurado, uma entrega que não se protege. E essa visão me alcança. Quanto mais tento evitar a dor, quanto mais me cuido para não ser ferida, mais percebo que a vida verdadeira não se constrói a partir da defesa.
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24)
Quando o consolo desaparece
Os santos não permaneceram porque era fácil.
Santa Teresa de Jesus seguiu quando o consolo se foi, sabendo que:
“Nada te perturbe, nada te espante… a paciência tudo alcança.”
São João da Cruz atravessou a noite sem se reconhecer, mas sem fugir, porque sabia que:
“O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter grande desprendimento e sofrer pelo Amado.”
Santa Teresa de Calcutá serviu por anos no silêncio interior, convencida de que Deus não a chamava a ser bem-sucedida, mas fiel.
Todos eles aprenderam algo essencial:
Amar não é sentir — é permanecer quando não há garantias.
A força que nasce da fraqueza
É deixar que se cumpra em nós aquilo que São Paulo ouviu do Senhor:
“Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta.” (2Cor 12,9)
Não é difícil abraçar o Cristo ressuscitado.
O difícil é olhar para o Cristo ferido e aceitar que o caminho passa por ali.
Onde nasce a fidelidade
A cruz não é apenas sofrimento.
É o lugar:
- onde caem as defesas,
- onde a fé deixa de se apoiar no consolo,
- e começa a se apoiar na fidelidade.
Hoje não entendo tudo. Hoje não estou pronta para tudo. Mas sei disto: Não quero uma fé protegida nem uma vida intacta, se isso me afastar do amor verdadeiro.






